emilly-ribeiro1618501011 Emilly Ribeiro

-Mas que porr.#, você de novo aí ? - Ecoou uma voz no quarto. Júlia se virou rapidamente para trás. Não havia mais ninguém na casa . De quem seria aquela voz ?


Conto Todo o público.

#suspense #anime #autoestima #ficção #anjos #recomeço
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A visita da Guardiã

Júlia estava em frente ao espelho. Olhos borrados de maquiagem, rosto ainda húmido pelas lágrimas que derramara na noite anterior. Ela sempre se perguntava porque tinha nascido daquele jeito. Ela era uma garota normal, com braços, pernas, qualquer um que visse de fora, diria que ela não tem motivos para reclamar. Mas as vezes, se sentia a pessoa mais horrível e defeituosa do mundo ela não sabia como lidar com isso.

-Mas que porr.#, você de novo aí ? - Ecoou uma voz no quarto.

Júlia se virou rapidamente para trás. Não havia mais ninguém na casa . De quem seria aquela voz ?

-Quem é ? - Ela perguntou procurando descobrir de onde veio a voz.

-Bom... digamos que eu sou que vai desmanchar essa sua cara de bunda- A voz falou.

Foi quando Júlia se virou novamente para o espelho e viu uma figura simpática e sorridente no espelho: Era uma garota de cabelos cumpridos azuis e parecia uma waifu.

-O que você está fazendo aqui você ? - Júlia perguntou assustada.

-Bom... geralmente eu não apareço para humanos, mas dessa vez eu não aguentei, você já estava me irritando.

-Quem é você ?

-Eu sou Myra, sua guardiã.

-Ãn ?

-Ah, porque os humanos gostam de fazer tantas perguntas ? Vou explicar: de onde eu vim, na terra de Khost, quando se faz 700 anos , cada guardiã recebe uma alma para zelar, um humano. Eu recebi você .

-Ok - disse Júlia- Mas você está muito bem pra quem tem 700 anos- Continuou com um sorriso debochado.

- E você está muito debochada pra quem precisa de ajuda.

-Ajuda... eu não preciso de ajuda. Eu estou ótima - Júlia falou.

-Não é o que pareceu.

Júlia revirou os olhos.

-Tá. Mas, como vai me ajudar ? Olha, se for pra vir com aquele papo de aceitar a si mesma e ver beleza aonde não tem, você já pode ir voltando para sua terra, eu não sou a humana de quem você tem que cuidar.

Myra deu um leve sorriso e estendeu a mão através do espelho. Júlia tinha visto como ela o atravessou como se ele fosse feito de água. Não tinha nada a temer. Ou tinha ?

Júlia pegou sua mão e ela a puxou para dentro do espelho.

-Eu vou te levar para conhecer um lugar.- Disse Myra.

Estava tudo branco. O espelho havia sumido de trás delas e não havia nenhum objeto além de uma grande porta branca que se abriu quando se aproximaram. Júlia hesitou um pouco enquanto Myra entrou correndo.

-Vem ! -Ela gritou já longe.

Era uma biblioteca gigante, com milhares, ou talvez milhões de livros toda com detalhes e estantes de madeira e os livros iam do chão ao teto.

-Essa é a sua vida, Júlia.

-Ãn ? Como assim ? -Perguntou ela que, pela primeira vez, não estava com uma cara desconfiada.

-Olha. Cada livro desses é uma memória sua.

-Eu posso ? - Júlia perguntou olhando para um livro bordô.

-Claro. Myra observou-a pegando o livro.

Quando ela o abriu a biblioteca se transformou:'' dava pra sentir o cheiro de chuva. Era o dia 17 de abril de 2018. Ela estava na rua Madson com a 94 e logo iria chover. Foi quando ela se viu naquele dia, voltando da escola, com a mochila nas costas e viu um morador de rua debaixo da cobertura de uma loja fechada. Ela estava com pressa, tinha que chegar logo em casa para não tomar um banho e além de tudo, estava com fome.

''Espera''. Ela olhou novamente para aquele homem naquele estado, deu um suspiro ''Se ao menos eu pudesse ajudar de algum jeito'' Mais a frente estava a lanchonete da avenida principal. Júlia foi até lá , comprou um lanche e voltou correndo, e entregou -o ao homem já estava se preparando para a chuva. Ele sorriu e disse obrigado''.

-Nossa, nem eu lembrava desse dia- Julia falou fechando o livro- O que mais você tem ? - continuou ela empolgada.

Myra estava agachada, em silencio e com uma cara pálida .

-Que foi ? Você tá bem ?

-Sim, não é nada. Estou ótima- Myra falou tentando desconversar.

-Posso ver mais uma ? -falou Júlia ainda com os olhos brilhando.

-Você pode sim- disse mira de um jeito um pouco relutante.

Só que dessa vez Júlia pegou o livro azul que estava bem na sua frente. Era o dia 9 de março de 2003. Estava num dia de domingo ensolarado , no parque junto com sua família. Parecia bem antes da morte de sua amada mãe, que falecera de câncer. Ela estava acariciando os cabelos dela debaixo de uma árvore. Aquela visão fez com que Júlia quisesse guardar aquele momento consigo para sempre. A lembrança acabou e Júlia voltou a estar na velha biblioteca.

- Myra, deixa eu ver mais uma, uma última por favor.

- Júlia,- Myra falou seriamente- tenho que te contar uma coisa. Olha, eu não poderia ter te mostrado essas coisas. Segundo a Lenda das guardiães é proibido mostrar qualquer lembrança um humano a ele. O código da lei diz que após a guardiã ter mostrado três lembranças a um humano ela recebe uma pena de morte.

Júlia largou o livro azul imediatamente com um olhar assustado.

-Não. Precisa ver a última memória ! Preciso de sua ajuda para cumprir com meu propósito- disse Myra seriamente. Ela parecia cada vez mais fraca. Seus braços tremiam e, pela primeira vez, podia-se ver inúmeros cortes no corpo da bela guardiã.

-Não ! Você tá louca ? ! Você vai morrer ! - A humana respondeu .

- Tenho que ir. Mas eu voltarei em um espelho, para que você possa ver a última memória. E lembre-se: ''Tudo muda quando você entende o que realmente é beleza''.



Era uma noite calma de segunda e Júlia estava sentada no sofá da sala tomando um café com um semblante triste e reflexivo. Esteve muito pensativa desde a visita de Myra. Porque ela havia se despedido de maneira tão estranha ? E aquela frase ? O Myra queria dizer com isso ?

A garota direcionou os olhos para o grande espelho que tinha em sua sala. A guardiã falou que voltaria por um, mas já haviam se passado semanas desde que ouviu isso. Pegando o celular que estava ao lado ela entrou no Instagram e viu o de sempre : pessoas perfeitas, sorridentes e lindas. Se comparar com elas havia se tornado um hábito inevitável e que lhe fazia sentir-se insuficiente. Mas aquilo já era automático. Ela olhou novamente para o espelho. Mas antes que ela pudesse expressar qualquer sinal de descontentamento, Myra apareceu. Estava com uma expressão neutra dessa vez.

-Vem - Myra ordenou.

Antes que Júlia fizesse alguma pergunta, ela a puxou para dentro do espelho e a levou até a biblioteca. Pegou um livro com a capa verde escuro e entregou nas mãos da sua protegida.

- Você tá querendo se matar ? Eu não vou te ajudar nisso. Não pode fazer isso! -Ela falou sem conseguir esconder o medo e a preocupação em sua voz.

-Posso. Mas não é o que quero. O meu propósito como guardiã é proteger e guiar almas humanas no caminho certo. É ajuda-las nos momentos de dor pelos quais passam na vida. E bom... tem uma coisa que não te contei. Você não é a minha primeira humana - Myra falava com lágrimas nos olhos- Me foram confiadas 3 outras almas antes de você. Mas eu não consegui ajudar nenhuma. Eu falhei. E depois que o tempo de vida da terceira humana se esgotou na Terra, eu perdi minhas assas. Então eu fiquei desesperada, vagando pelo globo, procurando algo que desse sentido a minha vida, alguém para que eu pudesse cumprir com o meu propósito.

-Foi aí que me achou.

-Sim. - Myra respondeu

-E como eu posso te ajudar você ?

-Abra a última memória. Se eu conseguir te ajudar, terei uma chance de sobreviver.- ela deu um suspiro- Por favor.

-E como eu vou saber se funcionou ?

-Você verá.

Júlia pegou o livro verde escuro e o abriu. ''A memória estava confusa dessa vez. As imagens se misturavam como se fossem num flashback de um filme : Júlia pôde ver as noites em que passara chorando e se revirando na cama sem conseguir dormir, seu próprio reflexo no espelho, e, por fim, a imagem de sua mãe se despedindo dela na maca do hospital.

-Eu não entendo.- Júlia disse. Uma lágrima quente rolava pelo lindo rosto.- Tudo está voltando. Porque eu tive que passar por isso, Myra ? - ela perguntou depois de se virar de costas na tentativa de esconder suas lágrimas. Aquele era o mesmo sentimento doloroso que a visitava já há tempos.

-Essas são suas dores, Júlia. -Myra respondeu com suas últimas forças - São como facas. As quais esculpiram a peça que você é hoje. A bondade, o amor e a empatia presentes em sua alma. A sua beleza é incomparável porque vem de dor. E é na dor que renascemos.

Nesse momento Júlia percebeu que a memória se transformou em um lugar branco e claro assim como quando havia atravessado o espelho pela primeira vez. E, percebendo uma forte luz branca que vinha de trás dela e iluminava uma parte seu ombro, ela se virou. Myra estava com a mão no ombro dela. Uma luz intensa cobria o corpo da Guardiã. Os cortes haviam cicatrizado e agora, pela primeira vez, a menina viu as graciosas assas azul claro que ela tinha. Júlia lhe envolveu num forte abraço e sorriu.

- Obrigada - Myra sussurrou enquanto a abraçava se despedindo. E deixou Júlia em seu quarto.



Quando Júlia acordou já era a manhã de outro dia. Ela se virou na cama e viu um bilhete que alguém deixara ali na noite anterior. Ele dizia :


''- Tudo muda quando você entende o que realmente é beleza''


Ps: Eu voltarei.





17 de Abril de 2021 às 17:40 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

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