affonso Afonso Luiz Pereira

Conto de terro gótico: Edgar Hacker, um homem velho já à beira da morte, deixa registrado em seu caderno amarfanhado um terrível segredo de seu passado quando, em sua tenra juventude, ele era o lacaio do conde Edward T. Grenfell, um talentoso necromante. Em uma das incursões do seu mestre, para trazer à vida o espírito de uma mulher recém-falecida, algo de sinistro, fora dos padrões usuais do rito necromante, foge do controle. Então, Edgar se vê obrigado a tomar uma decisão que irá impactar a sua vida para sempre.


Horror Horror gótico Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#amor #vingança #necromancia #gotico
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Inglaterra, abril de 1930.


Observas bem que a história relatada aqui, neste caderno amarfanhado, já se vai há muito no enrodilhar inexorável do tempo. Edgar Harker é o meu nome. Tenho exatos noventa anos. Estou velho, é bem verdade, mas não senil. Afirmo, apesar dos recentes lapsos de memória, ser o senhor de minhas faculdades, conquanto me seja dado preservar, infelizmente, as reminiscências mais antigas.


Inquieta-me, de sobremaneira, morrer por qualquer descompasso de meu coração cansado ou, quem sabe, perder a lucidez sem antes deixar registrado uma ominosa passagem de minha vida da qual me envergonho profundamente. Quisera eu poder esquecer aquela trágica noite, mas não posso! Não me importa o teu julgamento. Quando lerdes estas linhas, já estarei morto. Faças desta leitura o que melhor lhe aprouver. Quero apenas aliviar-me das sombras que, ainda, me acompanham por todos estes longos anos.


O fato lastimável aconteceu em plena juventude dos meus 25 anos. Na ocasião, eu era lacaio do conde Edward T. Grenfell, um talentoso necromante. Naqueles dias, lembro-me bem da comoção causada pela fuga da esposa do conde. Após o abandono da condessa, depois de um casamento de quase 15 anos e deixar-lhe em mãos apenas um deplorável bilhete de despedida, o lorde Grenfell tornou-se um homem amargo. Lamentava-se, de vez em quando, o fato de ter me ausentado em viagem à época do seu infortúnio, pois acreditava que eu pudesse tê-la dissuadido de cometer tal agravo à sua honra.


E naquela fatídica noite de inverno de 1865, noite perpétua em minhas lembranças, estávamos em um percurso célere rumo à pequena vila de Gorleston, no condado de Norfolk. Tratava-se de uma nova incursão do meu mestre ao mundo dos mortos para trazer, por um breve momento ao estado físico, a alma de uma mulher recém-falecida, posto que a criatura passara a atormentar o sono do marido com algum desejo ainda não revelado.


Na verdade, convém esclarecer, que do viúvo pouco sabíamos, a não ser o fato do homenzarrão, sentado ao meu lado na boleia da carruagem, servir como um dos mais antigos empregados de Sir Ernest George Knapton, amigo de infância de Lorde Edward. Não fosse aquele chamado uma oportunidade para mitigar-lhe o tormento de ter sido abandonado pela condessa, duvido muito o nobre senhor do oculto, em condições normais, ter demonstrado interesse em ir àquela cidadezinha costeira sem graça.


Otis Hensley, o viúvo, nos levou até uma pequena fazenda abandonada, onde ele havia, acerca de 3 dias, enterrado a esposa. O tempo é crucial para o sucesso dos encantamentos do oculto. Após o falecimento, dizem os versados nos estudos da necromancia, a alma inconformada permanece por alguns dias vagando em torno de sua carcaça, tanto mais quando este inconformismo advém de algo pendente com um ente querido, ou a causa de sua morte tenha ocorrido de forma violenta ou traumática.


Lorde Edward, possuidor dos conhecimentos da antiga arte necromante de unir novamente, por alguns minutos, o espírito à matéria, propiciava para os vivos uma ponte de comunicação para se saber os últimos desejos dos mortos, oferecendo-lhes assim a paz para estes partirem de uma vez por todas. E quanto mais rápido isso fosse feito, tanto melhor.


No desembarque da carruagem, após retirarmos todos os apetrechos necessários para o ritual necromante, encaminhamo-nos diretamente ao local do sepultamento. Era uma noite enregelada, porém de um céu limpo de nuvens pontilhado de estrelas.


A esposa de Otis fora enterrada a cem metros distante da casa principal da fazenda, nos limites de uma floresta de pinheiros a envolver grande parte da propriedade rural. A aragem fria da madrugada fazia desprender uma névoa rente ao chão proveniente da umidade, realçada levemente pelo brilho embotado da lua, da qual imprimia ao ambiente uma atmosfera carregada de maus presságios, bem própria do trabalho a ser realizado.


Lorde Edward, frente aos preparativos, saiu daquela letargia das últimas semanas. O semblante ganhou novo alento e animou-se como uma criança a ganhar doces. Ordenou a exumação do caixão, expressando recomendações enfáticas para não o abrirmos antes do início dos ritos fúnebres.


Então, os ruídos da noite ficaram entregues, por um breve momento, às pás em cavoucar a terra e aos pios das corujas ao redor. Trabalhamos em silêncio. Percebi um Otis aflito, nervoso, trêmulo de medo. Apesar do frio, o homem suava em bicas. Eu não. Já me acostumara a ver, e até auxiliar, a invocação de demônios dos quais o conde pedia ajuda. Desconhecia outro bruxo que o igualasse na corporificação das almas inconformadas.


O trabalho de exumação não levou mais do que meia hora. O esquife, rudimentar na sua construção e sem qualquer entalhe decorativo, não passava de uma enorme caixa retangular de tábuas cruas de pinus, construída pelo viúvo insone. Antes do conde me pedir, já sabedor dos detalhes da liturgia fúnebre, comecei a desenhar o pentagrama na terra em torno do caixão, fazendo-o ficar bem no centro do símbolo antigo enquanto ele vestia os paramentos apropriados à cerimônia.


Tenhas em conta que a neciomancia, a forma mais arcaica da necromancia, ou reanimação de corpos, não podia ser realizada sem a presença de sangue. Por isso, enquanto eu distribuía alguns archotes em torno do caixão, para iluminar melhor o local, Otis, a pedido de Lorde Edward, tratou de buscar, como fora combinado no dia anterior, um de seus animais para o sacrifício.


Torna-se imperativo, na altura desta narrativa, esclarecer o meu desejo de não descrever os procedimentos ritualísticos para levar a efeito o incorporamento da alma da esposa de Otis Hensley porque não é este escopo da minha história. O importante neste relato não são os meios e, sim, o proposto resultado final. Não tenho, me perdoem os interessados, a intenção de deixar qualquer ensinamento sobre este maldito ritual assentado nestas páginas. Anotada esta minha vontade, afirmo, sem o menor resquício de dúvida que, apesar de seguirmos todo o processo da antiga arte oculta de animar os mortos, infelizmente algo de muito errado aconteceu naquela noite.


O conde, como sempre, investindo-se do poder profano, invocou alguma entidade demoníaca para trazer do mundo das almas em trânsito a mulher de Otis. Não obstante, antes mesmo do Senhor do Oculto dar por encerrada as ladainhas habituais para concluir os últimos ritos da invocação, aconteceu algo que eu jamais havia presenciado em rituais anteriores: o caixão começou a tremer vigorosamente, fazendo ranger a madeira úmida! Pulei sobressaltado, aterrorizado! Otis quase caiu desfalecido. O conde, estupefato, ruminava lá, de certo, algum erro cometido no encantamento, porquanto alguma coisa lhe escapara do controle, e tal fato não se afigurava nada promissor.


Diante daquele cenário sinistro, mal iluminado por alguns archotes dispostos ao derredor, vimos a tampa do esquife ser arremessada para o lado, sem impedimentos, como se pregada não estivesse! Apesar de eu já estar acostumado com as manifestações das almas incorporadas nos corpos recém-falecidos, ainda incólumes da ação mais agressiva da putrefação, confesso o meu horror quando vi aquelas mãos cadavéricas extremamente secas procurando se firmar nas bordas do caixão. E a julgar pela decomposição dos braços, dos quais já se viam os ossos, conclui que se a mulher de Otis morrera há 3 dias, então aquele defunto não era ela!


Lembro-me, nitidamente até hoje, passados todos esses anos, de dois ataques distintos de perturbadora violência contra os meus sentidos, ambos igualmente aterradores. Primeiro foi o impacto visual, porque aquilo que se levantou do caixão, se levantou só em pele e ossos. O corpo esquálido, descarnado pelo estado avançado da putrefação, brilhava sob a luz da lua de modo suave e, ao mesmo tempo, grotesco porque nas áreas não cobertas pelo vestido amarrotado como braços, ombros e o rosto putrefato, podiam-se ver milhares de minúsculos movimentos aleatórios a emitir leves cintilações contra a fraca luz dos archotes: os vermes trabalhavam com vigor desfazendo a matéria do que outrora fora uma mulher. Creiam-me, era uma visão aterrorizante!


Em seguida, no segundo choque, trazido pela brisa frouxa da madrugada, veio-me de encontro, numa onda concentrada em dissipar a aragem límpida da noite fria, o odor pestilento emanado da morta. O miasma fétido de podridão, o qual não disponho de palavras para descrevê-lo, levou Otis a cair de joelhos lançando jatos de vômito por todos os lados. A náusea também se assomou em mim marejando-me os olhos, sufocando-me, contudo, devido a minha experiência, aguentei firme.


— Otis, O que significa isso? Esta não é a sua esposa! – ouvi lorde Edward afirmar, espantado, num esgar trêmulo de voz, enquanto atirava um olhar contrariado ao homenzarrão prostrado ao chão em profundo horror.


— Não... não... não, meu senhor... de fato, esta coisa não é a minha mulher! Ela invade todas as noites o meu sono porque exige falar com o senhor! Eu a encontrei boiando em um rio próximo daqui. Isso já tem para mais de duas semanas. Desde então, não tenho mais sossego! – disse o fazendeiro trêmulo, ainda sob as contrações fortes de seu estômago revoltoso.


— Quem é esta mulher? – perguntei-lhe atônito, afastando-me de costas sem tirar os olhos daquela coisa.


Otis Hensley respirou fundo e levantou-se. O rosto esbranquiçado expressava a mais pura incredulidade. O pânico impedia-lhe de falar, mesmo assim mexeu a cabeça de um lado para outro de modo enfático, expressando não a conhecer. Em seguida, tartamudeou um pedido de desculpas para o conde e, sem mais, deu meia volta. O homenzarrão fugiu, sumindo dentro da noite em sua aflição extrema de ver-se livre daquele fardo. Nunca mais o vi.


Antes de eu sequer esboçar a intenção de fazer algum comentário no sentido de especular aquela inusitada situação, de súbito, a morta levantou o braço e apontou o dedo ressequido na direção de Lorde Edward! Meu coração quase susteve o ritmo, chegou a doer, a inflar, parecendo que iria explodir. Ele ficou lívido. Uma voz gutural saiu da boca descarnada da criatura sem lábios, onde mandíbulas e dentes mostravam-se desafiadoras.


— Tu... maldito sejas!


As minhas percepções foram atraídas para o vestido amarfanhado da defunta! A partir dele, do vestido em frangalhos, os movimentos intricados do meu raciocínio tentaram subverter a verdade diante de mim. Talvez meu subconsciente quisesse me poupar da dura realidade. Lorde Edward, no entanto, parecia considerar muito bem o peso daquele dedo acusador. Embora me custasse a crer, confirmei na voz trêmula de meu senhor o receio das minhas próprias conclusões.


— Elizabeth!


O rosto devastado da morta, movediço de vermes, ornado por feixes aleatórios de cabelos emplastrados de lama, voltou-se em minha direção. Dois pontos luminosos, embutidos nas órbitas vazias, perscrutaram-me a exigir atenção. Um arrepio me tomou o corpo inteiro, por pouco não berrei em pânico.


— Ele me matou Edgar. Fui torturada por ele. Assassinada! As mãos imundas do seu magnífico senhor, por quem tu tens tanta admiração, apertaram minha garganta até a morte! - ela disse naquela voz arrastada, permeada de grunhidos anasalados como se lhe faltasse ar.


A comoção abrupta de saber do assassinato da Condessa me abalou profundamente. Minhas pernas fraquejaram. As ocorrências nebulosas da sua inexplicável fuga, agora, faziam todo sentido. Por isso a resistência de lorde Edward em não deixar ninguém ver o bilhete de despedida, nem mesmo os parentes mais próximos dela! Ele a estrangulara até a morte.


— Não tenho porquê lhe dar satisfações, lacaio, mas esta messalina me traiu. Tu ouviste bem, Edgar? Ela me traiu. Descobri seus planos para fugir com outro homem. – Disse ele a elevar a voz enquanto sua fisionomia se crispava da surpresa à raiva.


No entanto, o semblante enfurecido do conde logo voltou a expressar descrença quando eu, sem pensar nas consequências, talvez desorientado por aquela revelação, gritei-lhe de volta, tomado de um ódio súbito, incontrolável, que embotou completamente o meu juízo.


— Ela me amava! Percebes? A condessa me amava, seu desgraçado! Não davas a ela amor, apenas a humilhação abaixo de pancadas. Assassino! Filho de uma rameira infeliz!


O nobre senhor do oculto, perplexo, levou alguns segundos para assimilar todas as implicações daquela declaração. Seus olhos aparvalhados piscavam numa velocidade incrível, a cabeça se remexia inquieta querendo negar a humilhante realidade enquanto balbuciava vacilante: “Não! Não pode ser! Não é possível”.


Entretanto, o assombro se esvaiu logo.


Após os poucos segundos de incredulidade, ele se recuperou da surpresa e sacou uma pistola do colete interno de seu sobretudo. A despeito de minhas pernas trêmulas custarem a me obedecer, tentei instintivamente dar alguns passos para trás na ânsia de buscar refúgio nas brenhas da floresta, porém, meu intento foi impedido pelo desabafo explosivo e colérico do conde.


— Como tiveste a ousadia de me trair, hein? Como? Elizabeth há tempo me recusava em suas obrigações de esposa! Sou rico, inteligente, famoso. O que tu és? Diga-me, seu desgraçado. Não passas de um reles capacho a lamber a sujeira das minhas botas. Maldito. És um maldito traidor.

Tu que estás a ler estas linhas, imaginas a cena? Dois homens absorvidos pelo ódio em reagir aos movimentos de confronto de um para com o outro. Sim. Pensastes bem. Esquecemos temporariamente a alma de Elizabeth presa àquele invólucro repulsivo. Quando lorde Edward deu-se conta deste importante lapso de atenção, já era tarde demais. Ela se aproximou sorrateira por de trás e o agarrou, envolvendo seus pútridos braços em torno do peito e da garganta dele. O agarramento da morta em seu corpo assustou-o, levando-o a deixar cair a arma ao chão.


A partir deste momento, presenciei a cena mais grotesca no conjunto cristalino de minhas lembranças: a luta desesperada, furiosa, do conde na tentativa de livrar-se daquele abraço macabro. Seus pés tentavam, a todo custo, fincar-se no solo fofo no intento de posicionar-se contra o arrasto impiedoso da morta, todavia os seus esforços apenas provocavam sulcos profundos na terra a não lhe permitir apoio.


— Tu, agora, vais me acompanhar em meu novo lar, querido! – ela sibilava no ouvido dele enquanto o arrastava resoluta para junto do caixão de pinus, ao lado do buraco escancarado à noite densa.


Em dado momento, naquela confrontação de forças do homem contra a morta, fui coagido a tomar partido de um deles. Pois aqui está o ato vergonhoso da minha desgraça! Não me tenhas como um covarde porque a minha decisão foi amparada num momento confuso de sentimentos entre horror, ódio e deslumbramento. Lorde Edward, próximo do caixão, juntando todas as suas forças, motivadas pelo desespero de ver-se enterrado vivo, conseguiu enfraquecer a determinação do arrasto de Elizabeth. Ele já estava quase a se desvencilhar do abraço mortal quando ela, com os olhos fulgurantes, de um brilho pungente dentro da noite, me pediu:


— Edgar, me ajude a levar este infeliz junto comigo para a eternidade, meu amor. Venha!


Hesitei por alguns segundos horrorizado com a proposta. No entanto, naquele momento, fui acometido de uma visão, não sei se por obra de algum demônio ou por minha insana vontade de tê-la de volta, de tocar novamente aqueles lábios, de sentir outra vez o calor de seu corpo, de deixar-me levar por admiração aos seus menores gestos, porque aquela horrenda criatura descarnada e fétida, de repente, transmudou-se na bela mulher por quem me apaixonara na adolescência. Lá estava ela, linda como sempre o fora, com o semblante contraído de fazer esforço para puxar aquele maldito. Hoje, penso ter sido ludibriado pelo demônio com quem, de certo, Elizabeth barganhara a alma para poder vingar-se de seu algoz.


A presença da minha verdadeira Elizabeth retirou-me da apatia, impulsionando-me à frente como uma mola. Ouvi o infeliz gritar “não” desesperado várias vezes. Não me deixei levar pela misericórdia. Ajudei a empurrar o condenado para o seu destino. Ele gritava, chorava, pedia perdão à morta e uivava como um animal ferido.


Depois de alguns passos para trás, os dois deram com a borda de um dos extremos do esquife e caíram dentro dele. Em meio às tentativas desesperadas de sair do caixão, os olhos do conde buscaram em agonia os meus. Estejas certo disso, pela primeira e única vez na vida pude testemunhar o que era o horror em estado puro manifestado pelo olhar humano! Os olhos de lorde Edward estavam escancarados como se inflassem, como se quisessem sair das órbitas molhadas pelo choro convulsivo. Ela o abraçava forte, decidida, por debaixo do corpo dele retornando àquele estado pútrido.


— Pregue a tampa do caixão, Edgar – exigiu Elizabeth, sem disposições no tom de voz para se discutir.


O ódio sobrepujou meus outros sentimentos humanos distanciando-me dos gritos, do choro, dos apelos de misericórdia, do barulho do arranhar das unhas nas paredes internas do caixão e, sem dar muito com a razão, o lacrei com os velhos pregos enferrujados, resgatados por ali perto. Feito o serviço, empurrei o precário esquife de lado para dentro da cova, que emborcou e caiu com a tampa virada para baixo.


Eis aí a ignomínia de minha conduta a me transformar no arremedo do homem que fui durante décadas. Eu a ajudei e, se não fosse minha intervenção, provavelmente o conde teria escapado de ultrajante sofrimento! Envergonho-me, sim, de minha postura desprezível, entretanto, mesmo que isso não legitime o meu ato vil, por influência doentia de perder um grande amor, quero registrar não ter passado incólume pelo acontecido.


Muito tempo se passou, como já o disse, mas ainda hoje, não raro, em noites em que o sono custa a me envolver, ouço nitidamente entre o barulhar peculiar dos montículos de terra jogadas no caixão, o lamento desesperado de lorde Edward e a risada discreta, abafada, rouca, e vitoriosa de Elizabeth!




9 de Março de 2021 às 21:44 1 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

Conheça o autor

Afonso Luiz Pereira Sou professor de inglês do ensino fundamental e entusiasta de Literatura Fantástica (Ficção Científica / Terror / Fantasia / Insólitos). Isto não quer dizer que não leio os clássicos. Sim, leio e gosto de Graciliano Ramos, Jorge Amado, Machado de Assis, Rubens Fonseca e outros internacionais do mesmo calibre da literatura mainstream, mas meu xodó mesmo é a escrita mais popular da Litfan.

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Max Rocha Max Rocha
A necromancia talvez seja uma das artes ocultistas mais carregadas de pavor e infelicidade. A aura mística que você consegue criar traz um crescente de apreensão que envolve o leitor e não dá espaço para desatenção. Uma descrição cruel de uma macabra vingança. "Quem ama o feio bonito lhe parece". O provérbio aqui levado ao extremo de insanidade. Linguagem erudita, belas construções frasais. Texto elegante caro Affonso. O Fantasma lhe rende homenagem...
March 12, 2021, 15:15
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