amanda-jandrey8085 Amanda Jandrey

Era uma vez uma história bonita sobre contos de fadas. O começo parecia triste, o meio dela se arrastava sobre as intempéries às quais seus personagens estavam sujeitos e o fim era repleto de amor. A superação do último ato fazia o sofrimento do percurso parecer valer a pena, embora não se estivesse tão certo sobre o final de alguns personagens. Era bonito, ainda que doloroso, ainda que um pedaço lhe faltasse quando os créditos sobem. A magia era, justamente, as possibilidades. Parecia impossível um final feliz? Há sempre uma forma de reescrever um conto de fadas para que ele atenda às suas expectativas. O desespero se torna força, a morte se torna o ressurgimento, o final é só mais um começo. Então… não é bem isso o que eu vim contar aqui.


Fanfiction Todo o público.

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Noite Sem Dormir

TONKS


A batalha começou no entardecer do dia 1º de maio. Ela acabou na madrugada do dia 2. Seus destroços perduraram por uma vida.


Eu estava no estacionamento do Holliday Inn, em Illinois, olhando o céu e desejando uma cerveja. Meus pulsos estavam doendo, grandes marcas azuladas se estendiam em direção aos antebraços, formigando como se tivessem vida própria. Meus olhos ardiam das duas horas que dormi durante à noite. Sentia o suor escorrendo pela espinha, a dor se espalhando lentamente pelo meu estômago. Aquela sensação constante de solidão e desamparo vinha do meu profundo pesar de ser quem era.

Segui pelo corredor lateral, sentindo o vento morno bater no rosto. Umedeci os lábios e empurrei a porta entreaberta. Sam estava deitado no chão, parte do lábio partido e um filete fino de sangue escorrendo pelo canto da boca. Puxei o ar, estendendo a mão contra Dean e empurrando-o pelo quarto até a cadeira. Ele praguejou, mas não poderia se levantar. Deixei a mochila no chão, sentando sobre a cama. Meu corpo estava tremendo, lentos vergões avermelhados se espalhando pelos pulsos.

Eu não sabia dizer o que aquilo significava.

— Você não devia ter vindo aqui, Potter — rangeu Dean pela boca entreaberta.

Engoli em seco.

— Eu não tenho poder sobre onde e por que eu vou aparecer. — Sequei ligeiramente o suor da testa e encarei Sam. — Mas, acredito, que foi uma boa hora ou vocês dois iam se matar.

Dean grunhiu.

— Isso não diz respeito a você.

— Diz mais do que você pode imaginar.

Levantei, e uma pontada atingiu com força minha cabeça. Um vislumbre de uma Hogwarts em chamas apareceu diante de mim e se dissipou com a mesma velocidade. Fechei os olhos, esperando que isso não significasse o que eu imaginei que poderia significar. Sam limpou o lábio com a testa franzida.

— Você não parece bem.

— Não há como ficar bem tendo que cuidar de vocês dois — Abri o pequeno frigobar e peguei uma garrafa de água. Não achei que álcool pudesse ser a resposta. — Então… vamos aos fatos. — Bebi. — Por que as duas madames estão brigando dessa vez?

Dean se remexeu na cadeira e eu o deixei se levantar. Atiçar o ódio dele mantendo-o preso seria pior que lidar com sua violência.

— Os Anjos não te contaram?

— Por alto — gesticulei com a mão e pude ver os vergões nos pulsos cada vez mais escuros. — Merda — cochichei baixinho, puxando a manga do casaco.

Existia uma maldição na vida dos Potter. Harry, Harry Potter, tinha aquela maldita ligação com Voldemort. E eu, Tonks Potter, compartilhava desse telefone sem fio. Se houvesse algo de errado com Harry, era provavelmente o que essas coisas estavam querendo me dizer.

— Vamos ser mais rápidos, então, porque eu acho que todo mundo aqui tem o que fazer. — Apertei os dentes sobre os lábios, encarando a água como a única coisa que eu poderia fazer naquele momento. — Por que a briga?

Dean jogou a mala sobre a cama.

— Isso é um problema nosso.

Fechei os olhos, apoiando a mãos na mesa. Hogwarts em chama, Voldemort. Sadler. Era uma guerra? Sam andou alguns passos na minha direção, apertando meu braço.

— Está tudo bem?

Assenti, mas foi por pouco tempo. A visão de McGonagall e Amico me atravessou como um raio, fazendo com que meus braços entrassem em um estado de chama. Dean soltou um grunhido abafado e abri os olhos para encarar Hermione parada no meio do quarto.

— Granger — exclamei.

— A guerra… — disse, numa voz distante, como se estivesse do outro lado de um vidro. — A guerra chegou a Hogwarts… nós… nós precisamos de você, Tonks.

Estremeci devagar, sentindo o peso de suas palavras recaírem sobre meus ombros. Era esse o momento, o momento onde eu encararia Lord Voldemort e enfrentaria Lord Sadler, restituindo minha própria alma enquanto eu a perderia. Houve, eu tenho certeza que sim, uma profecia sobre isso, cuja verdade estava guardada a sete palmos junto com Dumbledore. Por um segundo, permiti que a dor irradiasse de meus pulsos enegrecidos e feridos para o cento do meu corpo, desejando copiosamente que a culpa da ânsia pela morte não me consumisse antes que eu cumprisse meu papel. Ergui o queixo.

Accio Mochila. Rapazes, não se matem enquanto eu estiver fora.

— Tonks, o que está acontecendo?

Sorri, apertando os olhos para que os vislumbres da morte me deixassem pensar.

— Meu irmão precisa de mim. Não é isso o que você faz por aqueles que ama?

— Vamos com você. — disse Dean após alguns segundos de silêncio.

— É uma guerra bruxa — sibilei. — O que vocês acham que podem fazer?

— Alguma coisa — reiterou o Winchester, enquanto segurava a manga de meu casaco. — Você não quer se atrasar, certo?

Suspirei. Eu iria me arrepender em algum momento.



DEAN


Eu quase vomitei. É claro que nem Sam e muito menos Potter saberiam sobre isso. Limpei as mãos na camisa, olhando em volta, para as paredes de pedra polida e as pessoas se apinhando em torno da gente como se fossemos celebridades. Puta merda, pensei, eu tô em Hogwarts. E aquela era definitivamente Hermione, parada no centro, perto da passagem na parede, entre, se eu deduzo corretamente, Rony Weasley e o Harry fucking Potter.

Mas foi a menina loira magricela quem abraçou Tonks com desespero, metendo o rosto no cabelo escuro. Sam bateu de leve no meu braço e demos alguns passos atrás. O gritinho de felicidade ecoou pela sala em silêncio enquanto Tonks retribuía o abraço.

— Você veio! — disse a menina.

Tonks curvou os ombros, parecendo envergonhada. Então endireitou o corpo até que Harry atravessou o espaço entre eles e a abraçou. Sam soltou um suspiro baixo, um sorriso amigável. Todos ali pareciam destruídos, perdidos e abandonados. Maltrapilhos, usavam roupas furadas e ousava dizer que alguns estavam magricelos demais.

— Eu senti sua falta. — disse Harry. Engoli em seco, observando-o enxugar as lágrimas de Potter com cuidado. — Fico feliz que esteja bem.

— Eu não os abandonaria.

Era estranho compartilhar de um momento tão íntimo entre eles. Desde que Tonks apareceu, sentia como se tudo na minha vida tivesse saído dos trilhos. E agora, eu podia dizer o mesmo sobre ela. Ela limpou os olhos e estremeceu, encarando os demais.

— O que vocês têm em mente?

Harry nos encarou por pouco tempo, mas Tonks inclinou a cabeça, sacudindo-a levemente.

— Eles podem nos ajudar. — A voz dela soava distante e cansada, como se cada palavra fosse muito difícil de pronunciar. — Mas me conte seu plano.

— Precisamos libertar Hogwarts primeiro. — Ele se virou, pegando algo com a menina ruiva tinha em mãos. — Conseguimos a penúltima Horcrux.

Eu nunca tinha lido os livros sobre Harry Potter, mas sabia que Sam tinha. Eu podia sentir a intensidade do olhar dele, assim como podia sentir a tensão e o medo. Dei uns passos à frente, observando Tonks erguer cuidadosamente as mangas do casaco, expondo manchas escuro-avermelhadas nos pulsos, que pareciam se estender aos antebraços. Embora Harry falasse, eu duvido que ela estivesse ouvindo. Havia a sensação de desemparo e aquele soco na boca do estômago, indicando que nem mesmo Tonks podia resolver isso. Harry tomou-lhe a mão com gentileza, algo que eu não pude fazer. Ou me recusei, porque continuo a me questionar o que papai viu nela. O abuso físico e psicológico era reservado só pra gente ou ela também vivenciou isso? Sacudi a cabeça, imaginando que esse não era o momento adequado para o drama familiar.

— Nada. Qual o plano de vocês? — disse ela a algo que Harry perguntou.

— Eu preciso de você aqui. — Eu entendia a urgência na voz de Harry, queimando feito brasa, ansiando para que o resultado final fosse aquele que ele tinha imaginado. — Não pode deixar que ele chegue até você.

Ela se afastou, como se repelida pelo sentimento ou pela preocupação. O que havia além daquela sala que a estava paralisando? O que aguardava a gente se não só mais uma batalha de monstros? Do que exatamente ela tinha medo? O menino alto, com o colete de lã, falou sobre o plano deles. Sam amparou Tonks quando ela quase caiu. O que eu deveria fazer por ela? Meus sentimentos estão aqui, mas eu devo pôr de lado todas as minhas dúvidas por isso? Desconfiava que ninguém teria essa resposta.

— Temos apenas um problema. — disse Tonks, cambaleando ligeiramente e secando o suor da testa. — Os Carrow. Eu conheço os dois e isso pode ser um problema, porque eles são bons com feitiços de ilusão.

— Não temos muitas opções e nosso tempo é curto. — disse a menina ruiva, cujo nome era Gina.

— Eu tenho. Vistam os uniformes e se juntem ao pessoal nas escadas. Eu vou ser a distração dos dois. Snape muito provavelmente está esperando vocês três e não a mim.

O garoto do colete negou veementemente.

— Eles vão torturar você, Tonks.

Sorri, sem muito entusiasmo.

— Como você acha que eu aprendi a lidar com eles?

— Não é hora para isso. Se você se machucar... — prosseguiu Harry.

Ela os calou com um aceno da mão. Parecia que se partiria, como vidro aquecido resfriando rápido demais. A pele marmórea e o olhar perdido, os pulsos sobressaltavam aos meus olhos como um aviso luminoso de perigo. Aquilo era uma maldição? Aquilo era ela ou qualquer coisa além destas paredes?

— Leve-os ao salão comunal. Eu vou descer pelas escadas que Filch usa. Os Carrow devem estar esperando os alunos no saguão.

— Estão perto da fonte — disse timidamente e menina oriental escondida logo atrás do Weasley.

Tonks assentiu, deixando a mochila no chão e retirando o casaco com cautela. Meu estômago se revirou ao observar os antebraços marcados. Ela parecia fazer muito esforço para se manter lúcida. Acocorei-me ao seu lado e empurrei o restante do casaco, fechando o zíper da mochila de lona. Ela não me olhou, algo mais que comum na relação conturbada que nós possuímos.

— Este é o plano. Não saiam da posição até estarem no salão comunal.

— E eles? — Harry gesticulou a mim e a Sam.

— Vamos com ela. — falei.

Ela negou, balançando a cabeça lentamente.

— Eu não posso proteger dois humanos das maldições. Eu preciso que vocês ajudem Harry a levar todos em segurança ao salão. — Sam agarrou sua mão com gentileza, pondo-a de pé. — Vocês vão ficar seguros entre os demais.

Toquei seu braço com cuidado, tentando evitar a parte ferida.

— Não está em condições de ir sozinha.

— Eu vou — A ruiva estendeu a mão para Harry e sorriu para Tonks. — Eu vou com você. É o mais seguro.

— Gina.… — Harry protestou.

— Eu vou proteger você — assegurou Tonks.

Questionei-me sobre quem tomaria conta dela.

5 de Março de 2021 às 21:15 0 Denunciar Insira Seguir história
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Conheça o autor

Amanda Jandrey "Estou numa confusão absoluta, não sei o que ler, não sei o que escrever, o que fazer. Só sei que sinto falta de alguma coisa." Anne Frank

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