north_king Silva

A sociedade que conhecíamos ruiu, e algo mais cinza tomou o seu lugar. Em 2020, uma pandemia fez os mortos saírem dos túmulos. Restam aos que ficaram sobreviverem aos mortos e aos vivos. No Recife, após oito anos de distopia, um jovem dialoga com um estranho sobre a brutal realidade em que se encontram.


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Post mortem

“Aí vinham a cobiça que devora, a cólera que inflama, a inveja que baba, e a enxada e a pena, úmidas de suor, e a ambição, a fome, a vaidade, a melancolia, a riqueza, o amor, e todos agitavam o homem, como um chocalho, até destruí-lo, como um farrapo. Eram as formas várias de um mal, que ora mordia a víscera, ora mordia o pensamento, e passeava eternamente as suas vestes de arlequim, em derredor da espécie humana.”

Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.


Recife Antigo, Pernambuco.

(2028)

A típica quentura da manhã caia-lhe sobre a pele morena. Como diziam os antigos: “O Recife tem dois sóis para cada um.” O suor já marcava as costas na regata vermelha, ainda que a brisa vinda do mar também lhe tocasse nos cabelos crespos. O sol refletia sobre a prótese metálica na perna esquerda, ainda prateada, embora tivesse alguns tons marrons de ferrugem aqui e ali. No ouvido direito posava-lhe um fone do encardido mp3 depositado no bolso da bermuda jeans. Rodrigo caminhava sem pressa sobre as rachadas calçadas da Praça Rio Branco, assobiando no embalo da melodia. Lembrando-se dos tempos em que ouvia a canção no carro do pai. (Com esse seu jeito faz o que quer de mim, domina o meu coração... Eu fico sem saber o que fazer...)

Aquelas antigas calçadas coloridas já desbotadas, que certo dia já nomearam a capital. Estas foram testemunhas de toda a desgraça causada pela Peste, da vida roubada e dos túmulos abertos. Aquelas ruas movimentadas, o trânsito terrível, pessoas no vai e vem do aperreio da vida. No carnaval, aquela mesma praça estaria tomada por milhares de foliões saudando o Galo da Madrugada. Agora só restava o silêncio do vazio, a visão dos veículos ao léu e a vegetação tomando os prédios abandonados. Para aquelas calçadas, tudo aquilo era uma sombra distante, um vulto do passado. Abriu o zíper da bermuda cantarolando o refrão enquanto mijava há poucos metros do Marco Zero.

Então me ajude a segurar... Essa barra que é gostar de você... ― Quando terminou, um outro som lhe chamou a atenção. Um grunhido distante que aos poucos se aproximava. Olhou rapidamente por cima do ombro. Uma mulher de pele cinza e carne apodrecida rosnava para ele. Tornou a assobiar enquanto puxava uma doze por baixo da camisa e quando virou-se para atirar, um disparo transpassou o crânio dela. A infectada caiu diante dele enquanto um cara montado num cavalo erguia uma semiautomática. O homem de cabelo preto era um pardo barbudo, embora não fosse velho. Um tapa olho cobria-lhe o ocular direito e o tal sujeito que atirou primeiro tinha cara de poucos amigos. Ainda que fosse compreensível, afinal era um mundo cão. Trajava um colete de couro remendado, com cartucheiras cruzando-se ao centro. E por algum motivo, havia um chicote com um aguilhão enrolado á sua cintura. Rodrigo sorriu. O estranho baixou a arma e indagou:

― Então... é você quem chamam de Saci?

...

Acendeu o cachimbo com um velho isqueiro azulado. O caboco deu um trago demorado, expelindo a fumaça dos lábios quase que solenemente. Seus olhos negros dirigiram-se ao homem sentado do outro lado da mesa. Quieto e sisudo, mãos entrelaçadas, disposto a escutar o que Rodrigo tinha a dizer.

— Sabe mano, quando tudo começou eu acordava pensando: Como as coisas chegaram nesse ponto? O que diabos deu tão errado? Mas agora... agora eu entendo. Você não pode plantar maconha e querer colher uvas. A Peste meu chapa, é só mais uma consequência da nossa bela natureza humana. A gente cavou a própria cova quando viramos reféns da ignorância. Um bando de besta com alguma esperança na ordem e no progresso... — Deu outro trago pouco antes de indagar: — Faz quanto tempo mesmo?

— Oito... oito anos dessa merda.

— Cacete, parece que foi ontem né? Pois é cara, 2020... O ano que lascou todo mundo, do burguês safado ao sem-teto, a Peste não teve preconceito. Naquela época fazia bico entregando almoço de bike e á noite tinha um curso técnico em mecânica. Bicho... eu era feliz e não sabia.

— Não parece tão ruim assim.

— Não? Vai trabalhar com fome pra tu ver, sentindo aquele cheirinho de feijoada, aquela carninha na brasa... Se bem que eu acabei perdendo o trabalho porque botava um pouquinho de cada na minha marmita. Aí já viu, os clientes começaram a reclamar e o resto é história. — Comentou com ar de riso. — Meu pai ficou tão puto comigo...

— Queria ter tido mais tempo com o meu, mais tempo de... sei lá, tudo.

— É foda quando tu percebe que aquilo que a gente achava besteira era tão importante. Rodar pelo centro com o coroa, tomar caldinho na praia, o churrasco com aquele pagode, bater uma pelada... Ah sim, eu jogava. E olha que o pessoal entrava valendo. — Estirou a perna esquerda, exibindo a prótese. — Chegou um tempo que eu mesmo passei a consertar ela. É... o curso de mecânica até que foi útil. A vida nunca foi fácil mano, mas com certeza era melhor antes. Sem os cinzentos e a porra das facções.

— Tem razão, mas isso não muda a merda em que nos atolamos Saci... A sociedade que conhecíamos ruiu, e algo mais cinza tomou o seu lugar. Não tem mais lei nem ordem, não temos escolha a não ser sobreviver nessa terra morta.

— Eu já quis puxar o gatilho e estourar o quengo pra não ter que viver nesse inferno. Mas sei que se fizer isso, as lembranças, tudo que eu vivi um dia, as músicas do meu pai... também vão morrer comigo. — Após um pouco de silêncio, o homem pareceu estudar seu rosto com o olho que lhe restava.

— Como sobreviveu até agora?

—Bom, eu dei meus pulos.


Casa Caiada, Olinda.

(2023)

“Ela partiu, partiu e nunca mais voltou. Ela sumiu, sumiu e nunca mais voltou.”

Ao som de Tim Maia, cruzava o asfalto esburacado atrás do volante num Palio prata. O estado do carro não era lá dos melhores, mas dada a situação, era o suficiente para percorrer maiores distâncias com rapidez. Apesar dos pneus carecas e da lataria amassada na porta do passageiro, era um modelo econômico e isso lhe servia ao propósito. Achar gasolina era como garimpar ouro. Pensou consigo mesmo que não demoraria muito até as carruagens voltarem de moda. Reduziu a velocidade até parar em frente ao antigo Bompreço, ou melhor, do que sobrara dele. Próximo ao Shopping Patteo e outrora um forte ponto comercial em Olinda, o sucateado supermercado sequer lembrava seus melhores dias quando permanecia lotado. Carros no estacionamento, embora não houvesse um pé de gente ali. Rodrigo desligou a ignição e pôs a chave no bolso. Olhando para os lados, abriu a porta sem fazer muito barulho, levando consigo uma mochila preta nas costas. Puxou a arma ao pôr os pés no chão de concreto, atento aos arredores pouco antes da porta do carro fechar-se com uma batida leve.

Na entrada, logo de cara haviam vidraças despedaçadas com tons de vermelho e as pedras lá dentro. Primeiro veio a inflação e os preços exorbitantes, a Peste foi o estopim para tudo virar um caos. Rodrigo nunca achou que sentiria falta das filas. Os saques aos mercados eram violentos, desordenados, frequentes. A perigosa combinação do medo da morte e o desespero da fome que ceifou a vida do seu pai... Esfaqueado por causa de um mísero quilo de feijão. Quando o perdeu, rapaz sabia que não teria jeito senão fazer o possível para sobreviver. Muitas certezas sobre certo e errado se perderam quando o mundo virou uma grande selva. Ou talvez apenas tenha revelado o verdadeiro lado primitivo de uma frágil sociedade, cuja hipocrisia de igualdade logo teve seu fatídico fim.

Adentrou no estabelecimento com cautela. Era até estranho lembrar que aquele piso empoeirado fosse um brinco anos atrás. As disputadas televisões smart de variadas marcas e polegadas, ainda se erguiam no mostruário, embora algumas telas estivessem quebradas. Lâmpadas queimadas, produtos danificados, prateleiras reviradas e salpicos de sangue seco adornavam a paisagem. Ao Leste ficava o setor de hortifrúti, de onde vinha o cheiro podre da decomposição de frutas e verduras. Com certeza a maioria dos produtos havia vencido, mas talvez teria menos problemas comendo um enlatado do que uma maçã cheia de tapurus. Seguiu com os passos atravessando o salão em busca de alguma comida. Seu café da manhã foram alguns amendoins e um gole de água. E se tinha algum lampejo de certeza era que aquela não poderia ser sua última refeição. Subitamente, Rodrigo ouviu um barulho e algo se mexeu nas prateleiras.

— Merda! — Um timbu saltou, fazendo Rodrigo puxar o gatilho no susto. Errou o tiro e o rato saiu correndo. O rapaz até pensou na possibilidade de fazer um churrasco com o mascote do Náutico, mas o miserável era rápido e já devia estar longe. Apressou os passos. Certamente os malditos cinzentos nas redondezas ouviram o tiro e ele não podia ficar ali muito tempo. Pegou as últimas unidades de miojo, por algum motivo só tinham sobrado os de galinha. Detestava aquele sabor, mas sentiu-se grato por aqueles poucos pacotes de macarrão instantâneo. Colocou-os rapidamente na bolsa, junto com biscoitos e salgadinhos restantes. Logo se pôs a arredar o pé dali correndo para a saída. Apesar do sucesso na busca, lá fora a coisa tava feia. Dois motoqueiros acabavam de entrar no estacionamento. Vestiam coletes pretos com uma cruz vermelha pintada ao centro. Rodrigo xingou. Eram os arrombados dos Cruzados, uma gangue barra pesada da capital que fazia o que bem entendesse com os mais fracos. Sua maior rival era a Utopia, que na maioria das vezes era tida como pacífica, embora Rodrigo preferisse não pagar pra ver. Era comum vagarem pela cidade fazendo patrulhas. Mas agora, não havia tempo para se preocupar com a outra facção. Desceram das motos um coroa e um cabra mais novo. Ambos empunhavam pistolas ponto 40 e logo apontaram na sua direção. Aproximaram-se até certa distância, quando Rodrigo ameaçou atirar.

— Quê que tu tá levando nessa bolsa? — Perguntou o coroa.

— Um monte de bosta! — Cuspiu-lhe a ríspida reposta ao passo que movia lentamente os pés para trás. O outro comparsa propôs:

— Só por essa eu te metia uma bala pivete, mas a gente tá de bom humor hoje. Abaixa o cano aí oh aleijado! Passa o que tu tem e a gente vaza! — Disfarçou a raiva com um sorriso ao ouvir aquele adjetivo.

— Caceta, quanta gentileza! Falam assim com todo mundo antes de cancelar o CPF?

— Passa a bolsa pra cá porra! — O coroa exigiu, levantando a voz.

— Oxe, tu não é o machão? Vem pegar então! — Rodrigo puxou o gatilho, recuando rapidamente para dentro. O disparo atingiu o joelho direito do maldito. Gritou de dor enquanto caia e sangrava. O coroa puto, logo reagiu respondendo na bala. No entanto, o colete preto do velhote não escondia aquela barriga de cachaceiro, e o rapaz usando de esperteza logo derrubou o mais rápido dos dois. Dentro do mercado, escondeu-se por entre as prateleiras. O velhote berrava insultos, tolamente revelando o quão próximo estava dele. Rodrigo concentrou-se no turvo reflexo que se movia nas telas das tvs. Deslizou, rolou, atirou. O coroa gritou, caindo como uma jaca ao ser baleado no saco, pouco antes de receber o tiro fatal no peito. Tomou a pistola que ele portava, achando que suas dores de cabeça do dia tinham terminado. Mas então ouviu os tiros, e logo depois, os gritos horrendos vindos de fora. Ergueu a cabeça.

— Puta merda... — Alguns cinzentos devoravam o outro cara. Abrindo o intestino, retirando órgãos... Rodrigo não ficaria ali para assistir aquela carnificina ou seria o próximo. Mais deles se aproximavam sentindo o sangue no interior do mercado. Foi-se para a esquerda contornando a saída. Correndo como nunca correu nas peladas que havia jogado.

O retrovisor denunciava a horda de mortos que vinha na direção do veículo. Dezenas de bocas podres famintas que ansiavam por sangue. Rodrigo soltou um palavrão enquanto tentava desesperadamente ligar o carro. Eles estavam perto demais para que tentasse correr, ou fizesse uma ignição em outro carro. Abandonar os alimentos que conseguira na última busca seria uma ideia tão estúpida quanto. Ser morto pelos cinzentos ou deixar a fome terminar o serviço? Ele preferia não escolher. Então vieram os tiros. Os mortos ao redor caiam com os miolos estourados diante de um grupo armado. Rodrigo viu-se diante de uma tropa vestida com coletes brancos, cujo símbolo destacavam-lhe no peito: Mãos negras rompendo correntes. Uma lança falciforme atravessou a cabeça de um morto que subia no capô do Palio. O homem que a arremessou era um negro alto, com dreads grisalhos sobre a cabeça e uma cicatriz no rosto. Rodrigo ouviu as histórias sobre ele, o líder da Utopia, um homem com um ideal de liberdade, Zumbi dos Palmares.

📷📷

...

— Daí o carro finalmente pegou e eu vazei. Fiquei assustado demais pra agradecer ao cara. Mano, ainda bem que foi a Utopia, se fossem os Cruzados eu tava muito lascado. — Rodrigo concluiu espreguiçando-se ao levar as mãos na cabeça, dando um bocejo. O homem ouviu o relato em silêncio, só o quebrando quando comentou:

—Típico, o Zumbi tem essa mania de bancar o herói. É garoto... tu passou por poucas e boas.

— Basicamente foi isso que rolou. Desde então eu fiquei na minha, longe das facções e tô vivinho da silva até agora.

— Foi inteligente. Eu devia ter feito isso invés de me meter em muita merda. — O homem cruzou os braços num semblante pensativo.

— Falando nisso, então diz aí, qual é a tua história... Lampião? — Rodrigo indagou, acendendo o cachimbo mais uma vez.


Notas Finais

*Arte por @mathpassos, personagens: Lampião e Zumbi.

Esse conto é uma história paralela à O Silêncio dos Túmulos onde o "Lampião" é o protagonista. Digamos que esse capítulo também se encaixa na cronologia principal e o Saci deve aparecer por lá. Em Silêncio dos Túmulos existe o foco no confronto entre as facções e outros "personagens históricos" como o Zumbi e alguns outros que são importantes na trama. Caso não tenham entendido a referência, *Náutico é um clube de futebol do Recife e seu mascote é um timbu.

1 de Março de 2021 às 23:50 28 Denunciar Insira Seguir história
17
Fim

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Silva Alguém que escreve para escapar das garras do tédio.

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Emilly Correa Emilly Correa
E aí, Silva. Sei que tô mais que atrasada (só uns meses kk) em ler o resto do Silêncio dos Túmulos, mas precisava tirar um tempo dps do desfecho do Guerras Profanas e o cmç do Tempo Perdido (ñ consegui engolir o q aconteceu com o Lampião. Até que eu fui procurar os escritores do desafio da Distopia de curiosidade e me deparo com esse conto aqui paralelo da sua história e resolvi dar uma olhada. Dá pra ver que não tinha o objetivo de ganhar concurso nenhum, foi bem desambicioso com um foco menor (sem todas aql cenas de ação e reviravolta e tals). Eu particularmente não gostei mt do saci, ele é um personagem bem "tanto faz" comparado com Zumbi, Lampião, Tiradentes e vários outros. Só um caboco que foi passear na lojinha do seu zé e matou dois cruzados, se for parar pra ver o geral da história (sendo mais um gancho pra história original, no final das contas). Fora isso a escrita e a ambientalização estão mt boas como sempre, e a cereja do bolo sem sombra de dúvidas são as conversas entre os personagens. Vou voltar a ler a história original e talvez comente logo na Guerras Profanas que li e fiquei de comentar. Nos vemos dps
March 12, 2021, 13:43
Afonso Luiz Pereira Afonso Luiz Pereira
Silva, quero agradecer a visita e comentário no meu conto. No momento, estou às voltas com concurso no Recanto das letras das quais preciso ler alguns contos para validar minha participação por lá, mas assim que terminar este compromisso, passo por aqui para ler o teu conto.
March 08, 2021, 01:21
Inkspired Brasil Inkspired Brasil
Olá, Silva! Primeiramente, gostaríamos de agradecer a sua participação no #DistopiaBr! Ter vocês, autores, nos apoiando com suas histórias incríveis e participando ativamente deste desafio nos deixou realmente felizes. Terra Morta chama nossa atenção desde a sinopse, nos mostrando a possibilidade de um Brasil infestado por mortos-vivos. Mas uma das coisas que mais impressiona são as várias referências de figuras históricas e folclóricas brasileiras. Além de ter colocado um sabor a mais do Brasil dentro da narrativa, isso agregou em muito na originalidade da obra e até apimentou as coisas com um tom de comicidade, o que fez com que devorássemos cada palavra do seu conto com avidez por mais. Com uma forte tendência ao pós-apocalíptico, Terra Morta trouxe uma breve parte distópica quando menciona os conflitos entre as gangues, onde há a opressão dos sobreviventes com os quais topam. Infelizmente, faltou uma dose a mais do que a sociedade em si passa para que a distopia, sobretudo, tivesse o destaque como proposto pelo tema do desafio — na sua história, o destaque foi para o apocalipse. Acerca dos personagens, apenas a mais plena satisfação! A forma como Roberto fala não poderia ser mais característica aqui da nossa terra e o estranho, que depois surpreendentemente descobrimos ser chamado de Lampião, também parece carregar muito em si da referência usada em sua criação. Os apelidos se encaixam perfeitamente na aparência deles, e a construção de cada um está esplêndida! Fala e comportamento condizentes, além de ter nosso folclore como um easter egg divertido! Quanto à ambientação, acreditamos que a simplicidade com que nos foram apresentadas as cenas e os cenários foi o que facilitou a imaginação. Não há detalhes complicados ou o excesso deles, temos o suficiente para mergulharmos na história. Apesar do ar sereno que as paisagens sugerem, o caos (ou melhor, os Cruzados) está lá fora à espreita e as atitudes tomadas por Roberto foram de fato muito boas (podemos dizer que alguém aqui aprendeu com os erros dos filmes, né?). Sua história possui uma escrita realmente interessante, principalmente quando os personagens dialogam: é possível distingui-los com facilidade e, além disso, a narração nos aproxima bastante dos personagens ao mostrar sempre as coisas como eles as veem. No entanto, devemos salientar que encontramos algumas coisas que poderiam ser sanadas com uma correção, como a falta de pontuação para separar vocativos. São erros que não atrapalham na compreensão da história, porém. Silva, queremos finalizar salientando que sua história ficará marcada em nós, em principal por mostrar personagens tão humanizados, uma ambientação tão bem-elaborada e o nosso país tão bem representado. Foi realmente uma honra tê-lo no #DistopiaBr. Obrigada pela sua participação, foi muito bom poder contar com você neste desafio e esperamos poder vê-lo em outros. Os resultados serão divulgados em breve nas nossas mídias sociais. Fique de olho e boa sorte!
March 06, 2021, 21:55

  •  Silva Silva
    Olá! Sinceramente? Eu não espero ficar entre os três primeiros até porque minha intenção ao escrever é me divertir e não competir, mas esse desafio foi incrível! Pude ler obras de muita qualidade e fico imensamente feliz em ver tanta afeição com essa história. Foi uma honra fazer parte do #DistopiaBR, então deixo aqui o meu muito obrigado <3 March 07, 2021, 00:22
Gabriel Amaro Gabriel Amaro
Antes de mais nada: eu sou MUITO viciado em histórias de zumbi. Quando li sobre o desafio pela primeira vez, achei que todos ou quase todos tentariam evitar escrever sobre zumbis por acharem batido demais. Até que li sua história e fiquei muito feliz por encontrar um conto sobre algo que eu gosto tanto e ainda por cima muito bem escrito. Eu já acho muito satisfatório ler sobre zumbis no Brasil, mas tudo fica mais especial quando o conteúdo é TÃO brasileiro assim. Parabéns pela história e parabéns por conseguir incorporar a essência do nosso país num cenário totalmente distante da nossa realidade. Boa sorte no desafio!!!
March 05, 2021, 20:37

  •  Silva Silva
    Oi Gabriel! Mano, muito obrigado! Dá um alívio saber que a ambientação funcionou kkkk Tenho escrito esse universo desde maio do anos passado e a história principal tá indo até mais longe do que eu esperava kkk Valeu ;) March 06, 2021, 00:11
Marianna Ramalho Marianna Ramalho
Histórias de apocalipse zumbi são sempre legais, aí vem uma no cenário BR. Ficou fantástico. Eu já vi outras tentativas de apocalipse zumbi o Brasil, mas na maioria das vezes mal dava para sentir alguma relação, parecia qualquer outra história de zumbi. Essa não, a gente reconhece muito bem o cenário. E preciso dizer, suas cenas de ação são muito bem escritas. Elas são bem rápidas, parece que a gente está assistindo em vez de ler. Perfeito, parabéns pelo texto <3
March 05, 2021, 18:28

  •  Silva Silva
    Respondendo depois de ler a sua historia... Muito obrigado Jupiter, ser elogiado por pessoas com escritas tão incríveis é surreal. Valeu mesmo <3 March 05, 2021, 23:59
Estella Monteiro Estella Monteiro
Aqui estou. Que obra maravilhosa e muito a altura do silêncio dos Túmulos. O Rodrigo é cativante, um sobrevivente nato, afinal ele já lidava com duras circunstâncias desde que o mundo estava normal. Ele tinha tantos motivos para ser revoltado, mas é totalmente na dele, vivendo um dia de cada vez, preso ao saudosismo carinhoso do que o mundo já foi um dia, sem lados, sem bandeiras, só sobrevivendo. É de cortaro coração as lembranças de como o mundo já foi e da perda de seu pai, mesmo assim não pesa no conto, não fica aquela coisa forçada de “estou te emocionado, se emocione”fica tão limpo, leve e realista, com uma nostalgia e melancolia aprazível. Apenas mais um dia sobrevivendo ao fim do mundo. Que medo que isso causa. Essa falta de comida, mercados saqueados, desertos e sem opções, com cheiro de podre, que agonia claustrofóbica! A vontade que dá é que ele acorde e seja só um pesadelo. Para cogitar fazer churrasco de rato, imagino que certos dias ele nem encontra comida. Eu adorei um dos escrotos recebendo o tiro no saco hahaha E a personalidade dele diante da eminente morte? Sensacional, sarcástico, troçador. A descrição do Lampião ficou maravilhosa, consegui imaginar perfeitamente. Agora vou repetir aquilo que muitos já falaram, mas coisa boa nunca é demais. Vocabulario rico, evitando repetições de palavras, que são bem colocadas. Descrições ricas e na medida e uma narrativa cativante, sutil e que se mescla com o palavreado informal e corriqueiro dos personagens, numa cadência perfeita. Parabéns por mais essa preciosidade, beijos!
March 05, 2021, 13:24

  •  Silva Silva
    O que posso dizer desse comentário? Poxa, uma honra ser elogiado por uma escritora tão brilhante! Sou suspeito pra falar, mas também curti muito o Rodrigo kkkk Inicialmente a apreensão dele seria na história principal mas o tema do desafio me deu a ideia de fazer um capítulo mais curto que servisse pra apresentar o universo ao mesmo do personagem. O Lampião ficou badass kkkk Muito obrigado Estella ❤️ March 05, 2021, 17:42
Alex Lorenzo Alex Lorenzo
Olá, Silva! Que história, hein? Vamos lá: referências de figuras históricas e folclóricas do Brasil, muito legal a combinação dos representantes desses dois universos. Agora, cá pra nós, assusta uma distopia tão próxima kkkk, sério, me deu um frio na barriga, é do tipo: o fim está próximo, ou melhor, já começou, kkkk. Também gostei dos personagens envolvidos nesse contexto de zumbis. Gosto bastante de histórias de autores que se preocupam com a ambientação, com a descrição de cenários e você desenvolveu muito bem dando a mim, como leitor, um panorama do ambiente que é o palco de desenvolvimento das emoções e ações dos seus personagens. Estou entusiasmado com sua história. Parabéns e boa sorte no desafio! Abraços!
March 04, 2021, 18:43

  •  Silva Silva
    Oi Alex! Poxa, você mencionou uma das coisas que eu particularmente acho mais difíceis numa história: descrições. É sempre um dilema achar um equilíbrio, nem raso demais, nem enfadonho, então fico feliz ela tenha funcionado aqui. Muito obrigado por comentar 😄 March 05, 2021, 17:36
amy ੭ amy ੭
Oi, Silva! Tudo bem? ( ˊᵕˋ ; ) Reconheço tanto você quanto a capa da sua história pelas postagens no grupo do Facebook, e agora que finalmente parei para ler sua obra me vejo sem palavras para descrevê-la! Mas acredito que, antes de mais nada, cabe a mim te parabenizar por todo seu empenho e dedicação em estar conosco no #DistopiaBR. Falando sobre sua história, gostaria de dar destaque, sobretudo, à todas as referências que você utilizou na construção do texto, seja de memes ou de figuras históricas brasileiras, que juntos construíram um tom único e perfeito para sua história. Todos as cidades e os locais são muitíssimo bem retratados, deixando mesmo um bom gostinho do nosso país. Até mesmo quando Saci revela sua condição de vida passada com a história da marmita, que deixa nosso coração apertado por detrás da tela, reconhecemos isso como nossa realidade, a realidade do nosso Brasil. Só espero que a realidade dele daqui há oito anos não seja nossa luta por sobrevivência entre os cinzentos e as facções! uahwdiuaf Agradeço pela sua participação, novamente te parabenizo pelo seu trabalho, e desejo boa sorte no desafio. ♡
March 03, 2021, 21:36

  •  Silva Silva
    Oi Amy! Eu já nem sei mais o que responder depois de tantos comentários incríveis kkkk Tô bestinha aqui com vocês, mas deixo o meu muito obrigado. Com certeza, que não tenhamos que lutar pela sobrevivência contra zumbis kkkk March 04, 2021, 19:38
Karimy Lubarino Karimy Lubarino
Oiê! Cara, como eu tô apaixonada pela linguagem que você escolheu usar na história. Sério, isso tá lindo demais. Quando os personagens falam, é muito fácil identificar quem é quem, pela marcação verbal e entonação. Parabéns de verdade, fiquei encantada e adorei a narrativa e o fato de você usar nomes de personagens históricos nos seus personagens.
March 03, 2021, 20:36

  •  Silva Silva
    Que honra ser elogiado por uma escritora dessas. Ainda quero a continuação de Geração Canarinho viu? Kkkkk Muito obrigado, eu tava preocupado com a linguagem, mas decidi deixar mais próximo da realidade, mesmo com uns errinhos :v Obrigado demais Karimy! ❤️ March 04, 2021, 03:07
A Louca dos Cavalos A Louca dos Cavalos
Oiee <3 Você sinalizou a sua obra tão bem, a minha tá só por misericórdia, kkk. Gostei de apocalipse zumbi, é nessas horas que a gente agradece ter portões e muros nas casas, chupa EUA! "Do Universo o silêncio dos túmulos." Pesada essa frase de efeito, combinou. 2028. Medo. Curiosa de como essa Peste surgiu e por que será eu não duvido que tenha sido obra do governo para acabar com a população e saiu pela culatra. E ler essa fala sobre o Galo da Madrugada, os foliões e Carnaval mêsmo tão distante lembra 2021 pois não teve nada disso nesse ano. Didididiê. Eu acho que aqui no Brasil, não deve ser fácil apocalipse zumbi, pois pense, num calor desse a propagação de mortos, de odor, de dificuldade, de água contaminada com morto dentro. NOSSA, MUITO DIFÍCIL. Obrigada por trazer essa ideia para a gente ambientar. MONTADO NUM CAVALO <3 Por favor diz aí que os zumbis não comem animal, só gente, seria tipo um sonho. Os bichinhos não merece sofrer e mostrei bem na minha história o que acontece quando bichinhos sofrem. Adorei o apelido dele, você tá assistindo muito Cidade Invisível. Gente, então essa Peste se deu da própria natureza? Será que foi mais um mecanismo de auto defesa da Terra como esse vírus pra aniquilar os seres humanos que lhe fazem mal? Gostei. Um vírus tão mortal capaz de matar o povo e pouco tempo depois eles retornarem a vida. Mds, imagino o inferno que não foi nos hospitais e principalmente, tão problemáticos quanto aqui no Brasil. Eu acho engraçado o termo "Eu era feliz e não sabia" por que sempre é acompanhado de momentos em que mesmo que estivesse difícil, eram momentos bons. O que eu to achando mais incrível nessa história é o português dele, a gramática, a ambientação, o linguajar, mds, tudo ambienta perfeitamente lindo. Parabéns! Eu até escrevo e tals, mas não uso um português tão bonito e dentro das regras como os que eu to vendo, infelizmente acho que é uma dificuldade minha. Sabe o que me lembrou essa parte do Pálio não muito conservado e a situação? De O Caçador de Pipas. Quando o Amir retorna para o Afeganistão para encontrar o Sohrab e vê a terra dele toda destruída, escombros, árvores derrubadas, tiros, fome, pobreza, morte e tendo que cuidar com a patrulha das forças que estavam no local, não vo lembrar o nome, e ele passa por esses lugar de carro com o afegão que levou ele pra lá. Muito incrível sua história por ter me feito lembrar de um livro tão incrível lendo ela. Aí mano, pqp. Falta de alimento, preços exorbitantes, peste, voltamos para a Europa Medieval. Nem mencione tapuru pra mim que eu já saio vomitando, é um nojo que eu tenho que misericórdia. Miojo tem que ser de galinha caipira e isso não se discute por que contra fatos não há argumentos. Adorei a referência as Cruzadas. Mas você mandou muito bem em referenciar e trazer pra gente num contexto de modernidade os atos da Europa Medieval, parabéns! Genial! UM TIRO NO SACO AMEI. DECRETO PARA ESTUPRADORES JA!!! Adoro essas descrições de tiros. E o que não faltou nesse desafio foram tiros, muito bom. Eu adorei demais essa história. Saci, Zumbi dos Palmares e Lampião. Precisava ter lido a outra para ler essa? Eu adorei demais essa. Mandou super bem, nossa! Bjss de cavalinhos <3
March 03, 2021, 15:54

  •  Silva Silva
    O quanto que amei esse comentário! 😍 E sim, ainda vou ler a sua história amanhã. E ei, não se preocupe com o "português perfeito" até porque escrever é um constante aprendizado 😉 Se eu fosse falar de cada detalhe aqui ia ficar maior que o capítulo kkkkk Acho que você pontuou praticamente tudo :v Muito, muito obrigado! Eu realmente não esperava que fosse ter tanto carinho com tantas obras maravilhosas nesse desafio. Obrigado :') <3 March 04, 2021, 02:53
CC C Clark Carbonera
A-D-O-R-E-I Ponto! A maneira que você usou pra narrar as histórias como se fosse uma espécie de obituário foi muito inteligente e criativa, Silva! (pelo menos que tipo isso que interpretei hahaha corrija se estiver errado) A narrativa me transportou pra Recife mesmo, amigo, me senti lá com o Saci, o Lampião (nomes apaixonantes já digo) A história ficou ótima, parabéns mesmo ^^
March 03, 2021, 14:55

  •  Silva Silva
    Oi Clark! Que emoção receber um elogio desse de você e de outros escritores talentosos 😳 Eu curti demais escrever o Rodrigo/Saci e a história dele nesse universo. Acho que me desafiei um pouco mais fazendo um personagem com essas nuances kkkk Obrigado! <3 March 04, 2021, 02:56
Alexis Rodrigues Alexis Rodrigues
NÃO CREIO QUE VOCÊ ENCERROU A HISTÓRIA SEM CONTAR A DELE! AAAAAAAAA eu fiquei tão imersa que quase chorei quando vi que não tinha mais o que ler ;-; poxa, cruel ;-; História bem feita, história formosa, história com tom de familiaridade que a gente gosta ♡ amei ♡
March 03, 2021, 07:35

  •  Silva Silva
    Haha! Essa era a ideia, deixar a curiosidade levar pra O Silêncio dos Túmulos (Eu que lute pra arrumar a cronologia depois kkkk) Silêncio ainda está em andamento mas se passa 3 anos antes de capítulo, pelo menos até agora :v Se quiser conferir a história do Lampião, pode ir sem medo Muito obrigado por comentar <3 March 04, 2021, 02:48
IH Izzy Hagamenon
Sua gramática e ambientação me impressionaram bastante. Adorei a história do Saci e como o personagem tem a essência do personagem do folclore. Seu conto está muito bem feito, li ele bem rápido, quase não senti. Espero ter pego todas as referências da nossa cultura, mas se eu não peguei, vou acabar relendo. : D
March 02, 2021, 22:00

  •  Silva Silva
    Oi Izzy, muito obrigado! Eu gostei muito de escrever o Saci, com certeza um personagem e tanto (muito estiloso kkkk) Valeu <3 March 04, 2021, 02:45
Jade Wu Jade Wu
Uau, não sei dizer o que gostei mais na sua história. Se foram os personagens com nomes tão importantes na nossa cultura, se foi todo o universo distópico que você criou, se foi o gostinho brasileiro no modo de falar dos personagens. Sua historia se encaixa 100 por cento no desafio de escrita desse mês. Você fez um trabalho incrível.
March 02, 2021, 21:36

  •  Silva Silva
    Oi Jade, nossa, valeu mesmo. Esse universo e esses personagens fizeram minha quarentena menos entediante e fico muito feliz que tenha gostado. Obrigado pelo comentário <3 March 04, 2021, 02:32
Arnaldo Zampieri Arnaldo Zampieri
Eu amei toda localização que foi criada nos diálogos e admiro demais teu capricho pra me transportar pra Recife. Tenho muito mais vontade de conhecer agora. Quando for vou ouvindo Cheia de Manias porque vou lembrar dessa história. =)
March 02, 2021, 19:01

  •  Silva Silva
    Vai ser um passeio e tanto em Hellcife kkkk Muito obrigado, fiquei muito feliz com o seu comentário mano. March 03, 2021, 01:33
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O Silêncio dos Túmulos
O Silêncio dos Túmulos

Neste universo, uma pandemia fez os mortos saírem dos túmulos ruindo toda organização política e social do Brasil. Enquanto mortos-vivos vagam pelas ruas, facções armadas lutam por sobrevivência e poder. A trama acompanha João da Silva, um sobrevivente que busca desesperadamente uma cura quando se vê envolvido pelos confrontos entre esses grupos. Leia mais sobre O Silêncio dos Túmulos.