Conto
0
596 VISUALIZAÇÕES
Em progresso
tempo de leitura
AA Compartilhar

A última noite do ano

Era o último dia do ano, pessoas animadas, promessas, contagem regressiva, fogos. Muitas fotos e bebedeiras estavam a espera. Alice botou isso na cabeça e se animou, afinal, não tinha conseguido viajar e teria que ir pra praia com os amigos, programa que não era do seu gosto. Mas era o que tinha, então lembrou daquele livro que comprou sobre o poder do pensamento positivo e ficou repetindo para si mesma: hoje vai dar tudo certo, hoje vai ser divertido.

Já se arrependeu no caminho de ida. Dentro do metrô, já lotado, pisaram no seu pé 2 vezes, e quando saiu do vagão, um grupo de garotos que certamente não tinha idade para beber, esbarrou com ela e um copo de vinho barato manchou o seu novo vestido branco. Os amigos consolaram, tentaram limpar, e por eles, só por eles, ela não voltou pra casa já naquela hora.

Enfim na praia, enfim bebendo, enfim nas fotos, teve que passar pela parte que mais odiava, que era a de achar um banheiro ou simplesmente um lugar descente para fazer xixi. Depois de dizer não para 3 caras criativos falando sobre darem o último beijo do ano, Alice achou um bar com um banheiro legal, e teve ali um momento de alegria. O problema foi que o bom momento durou pouco. Saindo do bar, percebeu que sua bolsa havia sumido. No caminho até ali, driblando a multidão e propostas de beijos, perdeu a bolsa ou foi furtada. Não sabia se chorava por perder seus últimos 150 reais do ano ou se sentia raiva pela burocracia de de que tirar novos documentos. E isso tudo ainda eram 23 h, parecia que o ano não acabava nunca.

Ano esse em que sua avó morreu, seus pais se separaram, seu contrato no estágio não foi renovado e seu namoro de 3 anos ruiu como um castelo de areia. Pensando nisso, voltou quase sem energia a seus amigos e os atualizou dos fatos, doida pro ano virar.

Na contagem regressiva dos últimos 10 segundos, viu seu ex com a nova namorada, e se perguntou quais as chances de estarem exatamente no mesmo lugar e na mesma hora, se nem moravam ali. Tomou coragem enfim para se deixar levar pelo tráfego de pessoas e se perdeu propositalmente, indo embora sem se despedir.

Sem dinheiro, iria começar o ano novo com uma boa caminhada e a decisão de jogar fora aquele livro de auto ajuda. Aprendeu que quando as coisas querem dar errado, simplesmente vão dar e não tem nada que possa impedir.

26 de Fevereiro de 2021 às 18:25 0 Denunciar Insira Seguir história
0
Continua…

Conheça o autor

Comente algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~

Histórias relacionadas