juanpablo Juan Diskay

Ashley já estava a quase duas horas na sua corrida matinal. Acordara cedo, bem antes do dia clarear, como cometia todos dias, para fazer seus exercícios. Despreocupada com a alternativa inicial de uma fuga dos seus temores, vivenciou uma experiência de engrandecimento de sua maturidade como uma mulher ainda em formação, e que por mais sutil que fosse, acostumaria com os medos que, retornando, não viriam à tona novamente. Sorriu, discretamente, aspirando o renovado ar litorâneo, enchendo seus pulmões de felicidade e esperança. Plágio é crime. Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, factos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.”


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TEMORES OCULTOS

O crepúsculo pêssego alaranjado anunciava o início de mais um dia daquele verão. O tênis tocava em passadas largas e rápidas na areia ainda úmida, porém firme, da recente vazante do Oceano Pacífico. Ashley já estava a quase duas horas na sua corrida matinal. Acordara cedo, bem antes do dia clarear, como cometia nos últimos dias, para fazer seus exercícios. Local pacato e de natureza atípica, Crescent Beach fazia parte de muitas cidadelas no litoral norte da Califórnia. Uma rodovia alternativa, de ligação entre a Califórnia e Oregon, era uma das principais vias de acesso que cortava a pequena cidade. Poderia ir para o sul onde chegaria a Los Angeles ou para o norte onde chegaria a Portland e se estender um pouco mais, a Seattle. Sentou à praça, frente para o mar, descansando um pouco, pensava nos quantos dias que faltavam para retornar a sua vida cotidiana, pois temporariamente viveu e vive emoções antes nunca tido. Despreocupada com a alternativa inicial de uma fuga dos seus temores, vivenciou uma experiência de engrandecimento de sua maturidade como uma mulher, ainda em formação, e que por mais sutil que fosse, acostumaria com os medos que, retornando às suas origens, não viriam à tona novamente. Sorriu, discretamente, aspirando o renovado ar litorâneo, enchendo seus pulmões de felicidade e esperança.

— Ei! Cumprimentou um rapaz, ofegando, ao chegar alguns minutos depois dela.

— Oi, Tartaruga! Respondeu sorrindo.

— Tartaruga? Também já está mais acostumada! Daqui alguns meses irá ver quem vai ficar para trás! Retrucou Wille, seu “suposto” namorado.

Wille se tornou um grande amigo e uma ótima companhia desde que ela desembarcou a Crescent City, há dois meses atrás. Foi apresentado por outra amiga, Kate, Katherine. Sua primeira grande amiga.

— Não sei se dará tempo, meu amigo! Pensou sobre o suposto avanço da resistência física nas corridas do seu companheiro.

Ansiava o seu retorno para casa. Estava em um projeto de reconstrução, que também, terminado seus estudos do ensino secundário, foi aceita em uma universidade em Sacramento, sua morada.

Subiram nas suas bicicletas, e seguiam para suas casas. Crescent City é uma cidade pequena, com cerca de 8.000 habitantes. De frente para o mar, é exposta e vulnerável às inconstâncias da natureza. Há alguns anos, um terremoto atingiu o leste do Japão, e do outro lado do oceano, nos Estados Unidos, a cidade foi a que mais sofreu com o reflexo do incidente no oriente, com tsunamis e alta incomum nas ondas na região.

— As pessoas que foram atingidas aqui na cidade, foram resgatadas no Oregon, só para você ter uma idéia da força da natureza! Comentou alguém, em uma oportunidade.

Alheia a estes fenômenos, Ashley continuava com seus afazeres diários, na grande casa onde estava hospedada.

OITO MESES ATRÁS

Uma moça loira caminhava em retorno para sua casa. Estava apressada pois uma chuva fina e fria caía sobre a cidade de Sacramento. É típica para o período, pois a temperatura mais baixa predominava naquele mês de janeiro. Ela estava completando 17 anos naquele dia, e em um raro anseio, queria chegar em casa o mais rápido possível, pois sua mãe disse que lhe faria uma surpresa, fato que não ocorria a quatro anos, desde que seu pai e o seu irmão mais velho perderam as vidas em um trágico acidente de trânsito, quando retornavam do trabalho. Apesar do anseio, seus passos eram os próprios de sempre. Calmos e frequentes. Aquele horário sempre foi o mesmo no retorno do colégio. Uma rotina. Estava no último ano do secundário. Às vezes pensava qual carreira seguir. Sua mãe sempre foi dona de casa. Moravam distantes das famílias, onde ela até poderia seguir exemplo de algum tio ou tia, e talvez alguma opinião de uma prima. Não os via há anos. Nunca se importou com isto. Quando eram prósperos, estavam lá quase todo final de semana “puxando o saco”. Quando perdeu o pai, e as dificuldades apareceram, nem o número de telefone deixaram, caso ela e sua mãe carecessem de alguma necessidade. E precisavam, muito. Os problemas pareciam intermináveis. Sua mãe trabalhava em um restaurante do outro lado da cidade como garçonete. Os proventos nunca eram o suficiente. Sempre sobrava alguma conta para o próximo mês. A hipoteca da casa já estava atrasada a três meses. Mesmo assim, continuavam a luta para negociar e pagar as dívidas.

— Mom! Cheguei! Gritou Ashley ao entrar em casa.

— Mãe? Insistiu no chamado.

— Minha mãe já chegou? Perguntou ao namorado da mãe, Bob, que se espalhado no sofá, apoiava os pés na mesa de centro, assistindo tv.

— O que você acha, sua idiota! Chamou! Não respondeu…!!!

— O idiota aqui com certeza não sou eu! Disse ela.

— O que? O você disse? Gritou Bob.

— A IDIOTA AQUI NÃO SOU EU! Você quer que eu soletre?

— Me respeita, sua vadiazinha atrevida!

— Me respeita você! Você está na minha casa! E vadia deve ser a sua progenitora que teve a infelicidade de parir um lixo como você!

— Olha aqui, sua vagabunda! Você pensa que eu não sei o que você faz quando está na aula? Disse ele, segurando pelos braços e puxando com força para o quarto, jogando-a na cama.

— Me larga, seu covarde! Você é isto mesmo! Um lixo covarde! E me bata! Me bata! Você vai ver onde vou te colocar!

— Não me ameace! Você não me conhece! Você não sabe de que eu sou capaz!

— Ash! Ash? Já chegou, filha? Chamou Ellen, a mãe de Ashley, chegando em casa.

Ela deparou com Bob saindo do quarto da filha apressado, despistando, e indo para a sala.

— O que está acontecendo aqui? Gritou.

— Nada! Nada de mais! Disse Bob, retrucando.

— Como nada? Vi você saindo do quarto da Ashley!

Ellen chegou à porta e viu sua filha apavorada, chorando, encolhida na cama.

— O que foi, minha filha?

— Não é nada, mãe! Somente um covarde que me ameaçou, me chamando de vadia e vagabunda!

— Ela está mentindo! Foi ela quem começou! Gritou Bob.

— Fala a verdade, seu covarde! Seja homem pelo ao menos uma vez! Fala de que você me chamou e me acusou!

— Deixe de ser mentirosa! Sua filha está delirando, Ellen!

— Pára com isso, vocês dois! Ashley! Volte ao seu quarto! Parem com esta implicância!

— Não acredito, mãe! Você está acreditando neste sujeito! Disse Ashley, correndo para o seu quarto.

Ellen olhou para Bob, que fez um gesto de indiferença, encolhendo os ombros.

Ashley percebeu que estava no seu limite e que a presença daquele homem na sua casa já não era mais suportável. Percebeu também que a mãe dela, de alguma forma, ainda estava vinculada ao Bob, e que seu espaço estava ficando cada vez limitado. Chorou de tristeza e depressão.

Depois de alguns minutos, Ellen entrou no quarto, em silêncio. A olhou por alguns segundos, sentindo a dor da enorme distância para tentar alcançar as soluções dos problemas. Queria dar mais a sua filha. Mas, naquele momento, não conseguia. Sentiu inculta. Teve medo de perder as forças.

Tocou levemente nela, verificando se estava bem. Ashley virou e abraçou a mãe, com acalanto.

— Me desculpe, mãe! Estou muito nervosa e preocupada com a nossa situação! E ainda ouvir desaforos e mentiras do Bob, está me deixando acabada!

— Não sei exatamente o que aconteceu ou quem está com a razão! Disse Ellen.

— É isto que me revolta! Você ainda dá crédito a ele! Será que não enxerga? Ele está a meses aqui, sem fazer nada! Você está sustentando-o e seus vícios! E ainda está pensando que eu estou mentindo!

— Não disse que você está mentindo! Vou tomar decisões que vai impactar muito na nossa vida! Ele, apesar da situação, é uma segurança que nós duas temos! Uma casa sem um homem, vai nos deixar vulneráveis!

— Mãe! Eu prefiro assim! Só nós duas! Vou arrumar um emprego e vou ajudá-la! Mas se estiver apenas nós duas! E esta história que vamos ficar vulneráveis, é só um conto de fadas desse inútil! Ele quer mesmo é ficar aqui para sempre! Foi só o papai morrer, e ele entrou rapidinho aqui para dentro! E eu não consigo viver mais com ele aqui!

— Vamos conversar!

— Não temos muito o que falar!

— Eu trouxe um presente para você! Disse Ellen, entregando um embrulho para a filha.

— Obrigada, mãe! Disse ela deixando o presente sobre o criado.

— Não vai abrir?

— Depois! Preciso arrumar energia para estudar!

— Abra, filha!

Com a insistência da mãe, Ashley segurou o pacote e rasgou o embrulho.

— Nooooosssssaaa, mãe! Obrigada! Emocionou Ashley, ao ver que a sua mãe comprou um livro que a muito queria. (Whithout My Cloak – Kate O’Brien (1931)).

Ash abraçou a mãe, agradecendo.

Ellen se levantou para sair.

— Mon! Não me deixe sozinha com ele!

— Vamos fazer uma coisa! Quando vier da escola, me espere no ponto de ônibus até eu chegar! Aí nós duas chegamos juntas! Pode ser?

— Sim! Vai ser melhor assim! Vou sair cedo também com a senhora! Vou ficar na biblioteca estudando até dar o horário das aulas!

Ellen concordou com a cabeça, piscando e mandando um beijo no ar para a filha. Ashley retribuiu, foleou o livro por alguns minutos e depois deitou novamente, logo adormecendo.

Mais à noite, ela acordou com os gritos de uma briga de sua mãe com Bob. Pensou em levantar ou chamar as autoridades. Logo se acalmaram e foi tomar um banho, retornando para dormir.

Na escola de manhã, Ashley estranhamente estava sentindo mais leve. Observava o movimento do turno da manhã. No início da tarde, ela estava se preparando para ir para sua sala, observando as atitudes de alguns alunos que também a revoltava.

— O que você está olhando, aloprada? Perguntou um deles.

— Nada demais! Só pensando! Respondeu Ashley, com calma.

— Pensando o que, lesada?

— Na quantidade de sopa de idiotice e imbecilidade que você tomou hoje!

— Olha aqui, sua lerda! Você sabe com quem está falando? Aproximou o rapaz, ameaçando.

— Se tiver tempo, eu falo quem você é!

— Ora, sua...! Interrompeu o rapaz, vendo o supervisor aproximar.

— Ainda vou te encontrar!

— Me ligue antes, para ver se eu tenho um horário disponível para você! E tem outra coisa....

— O que é?

— Aloprada, Lesada e idiota você sabe muito bem quem é! Disse Ashley, saindo de perto e indo em direção ao supervisor.

Ela informou as ameaças que o grupo de rapazes fazem a todos os alunos, formalizando com os coordenadores.

No final do dia, ela retornava para casa, aguardando na parada de ônibus conforme o combinado com sua mãe. E seguiu assim todos os dias que se sucederam. Quando a mãe dela atrasava ou adiantava, mandava uma mensagem informando.

Em um determinado dia, ela aguardava sua mãe, quando assustou com alguém tocando no seu ombro.

— Mas o que......? O que você está fazendo aqui? Resmungou ela.

— Aguardando qual vai ser o seu parceiro de hoje? Disse Bob.

— Não toque em mim, seu nojento! Está me perseguindo agora?

— Eu sabia que você está aprontando, sua vadiazinha! Agora sei porque chega todo dia mais tarde em casa!

— Não lhe devo satisfações! E quem eu espero não é da sua conta!

— Olha só que atrevimento! Safada e atrevida! Do jeito que eu gosto!

Ashley, extremamente nervosa, afastou dele, ficando em silêncio, pensando que, em algum momento, Bob passaria dos limites e ela, como não tem como prever, teria que tomar uma atitude para evitar o pior.

Depois de alguns minutos, o ônibus chegou na parada, e Ellen desceu, indo ao encontro da filha.

— Oi, filha!

— Oi, mãe!

— Eis meu encontro, bonitão! Disse Ashley ao Bob.

— Bob? O que você está fazendo aqui? Perguntou Hellen.

— Estava fazendo companhia para Ashley até você chegar! Respondeu.

Ashley o olhou com uma raiva quase incontida e abraçada a mãe, não confrontou.

— É verdade, Ash?

— Se ele está dizendo….

Ashley passou o final de semana evitando o máximo possível ficar em contato com Bob, mesmo que, em alguns momentos, ele ousava a fazer algumas implicações. Percebeu que o nível da obsessão dele já havia ultrapassado o limite da consideração e do respeito pela Ellen. Estava pronto para fazer uma besteira.

No início da semana, ela procedeu como sempre, saiu junto com sua mãe, indo para a escola. Dia chuvoso. Estava muito frio.

No horário de sempre, Ellen desembarcou do ônibus e percebeu que Ashley não a esperava. Achou incomum, mas seguiu para casa. Observou no quarto dela e a cama continuava arrumada. Curiosamente os cadernos e livros da escola estavam sobre a mesa do quarto.

— Robert! Você viu Ashley?

— Eu deveria ver? Retrucou rispidamente.

— Só estou perguntando! Disse Ellen, saindo até a porta, olhando na vizinhança.

Onze horas da noite e Ashley não havia aparecido. O celular estava informando fora de área. A preocupação com a atitude anormal da filha, fez com que Ellen saísse nas redondezas para tentar encontrar sua filha ou identificar seu paradeiro. Retornou frustrada, sem resultados.

— Meu Deus! O que será que aconteceu? Ela não sairia sem me dizer! Me ajuda, Bob!

— Não se preocupe! Ela já é uma mocinha! Sabe muito bem o que está fazendo! Deve ter saído com algum namoradinho! É normal para a sua idade! Disse ele, com nenhuma intenção de confortar Ellen.

Ellen pegou sua bolsa e saiu naquela noite chuvosa e foi até a delegacia. Como de hábito, a polícia informou que só pode dar como desaparecida após 48 horas depois do último contato. Mas como Ellen era conhecida por todos, prometeram verificar se viam alguma coisa com as patrulhas noturnas. Mas não era a prioridade efetiva.

Ellen retornou aflita. Entrou no quarto da filha para ver se tinha algum indício de onde ela poderia estar. Bob ficou à porta, observando-a.

— Mais cedo ou mais tarde isto iria acontecer! Você sabe como ela é! Disse ele.

— Sim! Eu sei como ela é! Por isso não é normal! E vê se cala esta boca! Até o momento não pedi sua opinião! Resmungou Ellen.

— Estou vendo que as mulheres aqui desta casa estão mesmo contra mim! Disse ele saindo, sob o olhar irritado de Ellen.

Continuou a procurar, mas não achou nada que informasse o desaparecimento de sua filha.

Ashley não retornou naquele dia. No seguinte, depois de uma noite acordada, Ellen foi até a escola e descobriu também que ela não havia ido à aula no dia anterior. Retornou à delegacia e não obteve resposta. O dia transcorria com muita preocupação e já começou a imaginar que algo de muito ruim teria acontecido com sua filha. Imaginou dezenas de fatos que poderia levar o sumiço dela. O desespero já dominava.

Anoiteceu rápido naquele dia nublado e chuvoso. Para Ellen, as horas eram intermináveis.

— Meu Deus! Me ajude! Não deixe que algo ruim aconteça com minha filha! Orava sem parar.

Ashley caminhava apressadamente na chuva, tentando achar um local para se proteger. O pouco dinheiro que tinha já havia acabado. Estava faminta e com muito frio. Havia quase dois dias que não sabia o que era um banho. Na noite anterior dormiu debaixo de uma marquise junto com uma moradora de rua. Pensava que talvez seria uma loucura a sua atitude, deprimindo e deixando-a sem forças. A vida na sua casa estava em um nível insuportável. Sentiu tristeza em pensar na sua mãe. Um pequeno arrependimento emergiu no coração. Aproximou de uma cobertura provisória que protegia alguns clientes sentados às mesas de um fastfood. Segurava um choro contido, e pensou que se chorasse, seria por qual dos motivos??

Após algum tempo, começou a tentar planejar de como seria sua noite. Não tinha mais dinheiro para pegar sequer um transporte e nem para comer algum lanche. Observou que alguns clientes haviam deixado restos de lanches sobre as mesas. Se segurava para não ir lá e comer as sobras. Estava encharcada e sem tomar um banho. A aparência começava a ser de uma pedinte. O instinto de sobrevivência estava se esvaindo junto com as suas forças. Seus olhos fitavam as sobras e quando percebeu que um casal que a observava. Recuou, continuando a torcer para a chuva dar uma trégua e poder sair dali.

Não demorou e a mulher aproximou.

— Oi, moça! Precisa de ajuda? Perguntou educadamente.

Ashley ficou em silêncio, evitando o contato do olhar.

— Quer um lanche? Insistiu.

A menina moça continuou retraída e envergonhada com a sua situação. Depois de alguns segundos, aceitou a oferta daquela senhora.

— Venha! Sente-se conosco! Pode vir!

Ela acomodou na mesa, junto com o casal que apresentaram e lhe entregaram a carta dos produtos alimentares da rede.

— Pode pedir o que quiser! Ah! Me desculpe! Eu sou Damaris e este é meu marido Bruce!

— Olá! Disse o homem.

Ela segurava a cartilha, correndo os olhos para aproveitar aquela oportunidade, e voltando os olhos para o casal, balançou a cabeça ligeiramente indicando sua aprovação, com um leve sorriso, ainda em silêncio, apontou a sua escolha.

Damaris e Bruce escaneavam a moça, observando as condições precárias em que se encontrava.

— Quer nos dizer o que aconteceu? Uma moça tão bonita não fica por aí, perdida na rua! Perdoe minha observação, mas está péssima!

Sem conseguir segurar, Ashley desmoronou em um choro aflito, tentando esconder seu sofrimento e suas decisões, que naquele momento, começou a acreditar que agiu errada. Damaris levantou e sentou ao lado dela, tentando confortá-la. Deslizou a mão nos cabelos molhados da moça, percebendo o seu sofrimento profundo.

— Ashley! Disse ela.

— Seu nome?

— Sim!

— Quer nos falar o que aconteceu?

— Não! Desculpe a grosseria, mas não é um problema seus! Só estou passando por um momento difícil!

— Pode desabafar, se quiser! Estamos aqui para ajudar! Não é da nossa índole interferir nos problemas dos outros, mas sentimos que você está precisando e muito de ajuda! Disse Bruce.

— Eu sei! Mas acho que estou em um caminho sem volta, neste momento! Obrigada pelo lanche! Irei assim que terminar!

Ela comia o lanche vagarosamente, enquanto o casal a observava. Quando ela terminou e se preparou para levantar, Damaris interrompeu.

— Você tem para onde ir?

— Ainda não! Mas vou me arranjar! Obrigada!

— Você não tem casa? Família? Alguém?

— É uma longa história, Miss!

— Está chovendo muito! Está encharcada! Aceitaria ir lá para casa, tomar um banho, trocar sua roupa, e acho, se você quiser, pode descansar um pouco e depois pode seguir seu caminho. O que você acha?

— Não quero incomodar! Eu vou ficar bem!

— Não será incômodo algum, e eu e Bruce não ficaríamos em paz sabendo que você ficaria aí na rua, sem ter onde ficar! Por favor! Aceite! É de coração!

Ashley percebeu que além de sua mãe, havia no mundo outras pessoas preocupadas com ela. Sentiu um alívio no coração e na honestidade do casal. Olhou para ambiente e analisou seu comportamento rude e retraído não a levaria à lugar algum, naquele momento. Ali estava uma oportunidade divina de descansar um pouco e colocar seus pés no chão, retornando à realidade, que por mais dura que fosse, entendeu que ainda era uma pessoa dependente.

No carro, ela olhava as paisagens obscuras e tenebrosas, onde abrigavam muitos problemas e situações que poderiam colocar sua vida em risco. Causou um pânico nela. Percebeu a inocência de suas atitudes, e que não estava madura o suficiente para tomar algum rumo para sua vida. Usaria o casal para retornar para casa. Mas queria mesmo, e muito, descansar.

— Nós temos dois filhos, um casal! Ela, Mary, a mais nova, está na Europa, França, estudando artes! Sempre foi talentosa com artes! Não sei quem puxou! Eu e Bruce não sabemos bater um prego! Riu do comentário, olhando para trás, vendo um sorriso no olhar da moça.

— Karl, o mais velho mora em Nova York! Formou em Ciências Contábeis, no Canadá! Totalmente independente! Trabalha em uma empresa, na bolsa de valores! Eu e Bruce trabalhamos com compra e venda de imóveis, corretores! Atuamos daqui até São Francisco e no Norte do estado! Já estamos querendo aposentar! E você? Estuda? Trabalha?

— Só estudo! Moro com minha mãe! Somente ela trabalha! Meu pai e meu irmão faleceram em um acidente de carro! Tem quase cinco anos! Sempre moramos em Cordova Meadows!

— Puxa! Sinto muito! Cordova é do outro lado da cidade! Moramos aqui, em South Natomas!

Não demoraram e logo chegaram. Ashley percebeu a vida abastada do casal. Uma casa enorme e muito luxuosa.

— Este é o quarto de minha filha! Pode ficar aqui hoje! Tome um banho e descanse! Amanhã cedo você poderá ir, se quiser!

— Obrigada, Miss Damaris! Sussurrou Ashley, querendo chorar.

Damaris saiu, fechando a porta. Ashley, ainda um pouco envergonhada, sentou à cama, e depois foi tomar um banho demorado. Quando terminou, Damaris bateu à porta.

— Tenho este camisão, você pode dormir com ele! Me dê suas roupas usadas! Eu coloco na máquina e já saem secas! Amanhã cedo você já poderá vesti-las, se quiser!

— Eu não sei qual impressão causei a vocês para que façam o que estão fazendo! Estou muito envergonhada e também grata por tudo! Não gosto muito de incomodar as pessoas, para que as pessoas não me incomodem! Disse Ashley.

— Eu sei, meu bem! Eu e Bruce não temos este costume de sair procurando necessitados para trazer aqui para casa! Para dizer a verdade, esta é a primeira vez! Sentimos muito pela sua situação! Mas, jamais, poderíamos permitir que você ficasse sozinha na noite, principalmente pelas condições do clima que está! Senti no meu coração que você é um anjo perdido! Só precisava de uma pequena mão para ser atendida! Estou muito feliz que você aceitou ficar aqui hoje!

— Tomei uma decisão que acho que foi a errada! Você me tratando assim, vou me permitir analisar melhor minhas atitudes! Disse Ashley, já chorando.

— Venha cá, meu anjo! Você está segura aqui! O que fez você tomar esta decisão não nos diz respeito! Mas, sim! Faça isso! Pense melhor! Você à revelia nesta noite e por outras noites, com certeza acharia um caminho que não é da sua retidão!

Ashley, imobilizada pelo carinho da Damaris, desabafou o motivo pelo qual ela saiu de casa. Desabafou expondo seus problemas e as dificuldades que ela e sua mãe estão passando. Pensou que afastando dos seus problemas, resolveria a situação. Entendeu que acabou aproximando de outros problemas, que em alguns momentos, estavam com sinais que ficariam piores que os seus. Adormeceu tranquila, sem pensar no amanhã.

Logo cedo, assim que acordou, percebeu que a sua roupa suja já estava dobrada e passada em cima de uma cadeira. Se vestiu e desceu timidamente e em silêncio, com a mochila nas costas, tentando achar a saída da casa. Ainda chovia muito.

— Oi! Bom dia! Cumprimentou Bruce.

— Venha! Vamos tomar café! Damaris já te espera! Tirando a mochila dela.

Assustada, acompanhou Bruce até a cozinha. Pôde observar melhor o imóvel, com seus belos acabamentos e móveis de muito bom gosto.

— Oi, minha linda! Bom dia! Senta aqui! Convidou Damaris.

— Bom dia! Serei rápida!

— Está pensando ir para onde?

— Estava pensando ir para São Francisco!

— Tem onde ficar lá?

— Ainda não! Primeiro tenho que arrumar uma carona até lá, iria procurar um trabalho e depois veria um lugar para ficar!

— Eu e Damaris estivemos conversando e pensamos que talvez você possa trabalhar com conosco! Estamos precisando de uma pessoa que cuide de nossos documentos, organize um pouco as coisas, e seja uma secretária para atender nossos clientes, na nossa ausência! O que você acha? Esclareceu Bruce.

— Mas eu não tenho experiência alguma! Disse Ashley, depois de alguns minutos em silêncio.

— Este trabalho não precisa de experiência! Te ensino e rapidinho vai aprender! Disse Damaris.

— Porque vocês estão fazendo isto por mim?

— Aprendi muito que as pessoas às vezes saem à revelia para fugir dos problemas, acaba encontrando outros, mas as vezes encontram oportunidades! Nós estamos te dando a oportunidade, e não outros problemas! Você ainda é jovem, tem muita energia, e sua mãe precisa muito de você! Assim você poderá ajudá-la também! E não precisaria seguir o caminho para o desconhecido! Uma moça bonita como você, logo encontraria alguém que aproveitaria de sua insegurança e despreparo para a vida!

Muitos minutos depois, Ashley respirou fundo, e viu que, de alguma forma, sua atitude lhe proporcionou algum benefício. Damaris tinha razão. Esta aventura itinerante, sem planejamento, com certeza não teria como dar certo.

— Estou envergonhada!

— Não precisa ficar! O que pretende fazer agora?

— Não sei...! O que sugerem?

— Estive pensando você ir até sua mãe, conversar com ela, dizer os motivos porque fez isto, e principalmente pedir desculpas, e amanhã, se quiser, já pode ir lá no escritório para que eu te mostre os serviços! Sugeriu Damaris.

De cabeça baixa, pensativa, Ashley encontrou a esperança e um norte para o seu futuro a curto prazo. Acionou seu telefone e ligou para a mãe. Marcou no trabalho dela. O casal a acompanhou. Mãe e filha conversaram por horas. Ashley explicou e esclareceu tudo o que aconteceu e apresentou os novos amigos. Ellen agradeceu por tudo que fizeram.

— Mãe! Eu só voltarei para casa se ele não estiver mais lá! Caso contrário, ficarei com eles até você decidir!

— Ash! Vou tomar as providências ainda hoje!

Se despediram, e Ashley perguntou se poderia ficar na casa de Damaris e Bruce, até a mãe resolver os problemas em casa. Foi aceita prontamente.

À noite, Ellen chegou em casa e informou ao Bob que havia encontrado Ashley.

— Com certeza estava na casa de algum namoradinho por aí! Ela já está começando a mostrar suas faces ocultas de uma menina fingindo ser quietinha!

— Tem razão!

— Pois é! Eu estou avisando! Ela não é uma menina fácil de controlar!

— Não é você que tem razão! É ela! Realmente você apresenta sinais de aversão e ao mesmo tempo uma obsessão, sempre querendo criar nela uma imagem ruim para mim! Gaguejou Ellen, sentindo indefesa, sozinha com aquele homem na sua casa.

— Olha só! A mãe também contra mim! É um complô agora?

— Será que você não percebeu que está na minha casa? Que você é um dependente de drogas, cigarros e bebidas, e não tem um centavo para suprir seus vícios? Deixa de ser incoerente!

— Eu tenho meus vícios mesmo! E estou vendo que terei que tomar algumas providências para acabar com o atrevimento de vocês!

— Não adianta me ameaçar! Devido a sua situação, vou deixar você ficar aqui hoje! Amanhã vou sair para trabalhar e quando eu voltar, não quero você aqui! Procure seu rumo e sustente seus vícios fora daqui! Disse Ellen, firme nas suas decisões.

A mão dele chegou até o pescoço dela e a outra segurava o braço, apertando fortemente.

— Quem sair daqui desta casa vai ser você, e vai para o mesmo prostíbulo que sua filha está! Disse ele gritando ameaçando.

— Tira suas mãos sujas de mim, seu lixo humano! Você perdeu a oportunidade de ficar morando aqui conosco! Mas não soube aproveitar! Quando entrou aqui, eu realmente comecei a gostar de você! Mas optou por esta vida medíocre que tem e eu estava cega devido às minhas obrigações! Mas agora chega! Chega! E ainda serei boazinha com você permitindo que fique esta noite aqui! Ordenou Ellen, nervosa.

— Quando você chegar aqui amanhã, o que você vai ver será uma grande festa de comemoração com meus amigos e suas coisas nas ruas para você levar para onde quiser! Rosnou ele, debochando e rindo.

Ela jogou o telefone celular na frente dele e ele olhou desprezando o ato, questionando.

— O que que é isso, sua maluca? Vai me dar seu celular também?

— Não, seu esperto! É tão idiota que não percebeu que está ligado e os agentes da delegacia está ouvindo toda a nossa conversa!

— Além de vadia, é uma mentirosa! Não adianta me ameaçar pois receberão o que merecem, e aí sim, sentirão a minha ira e verão quem manda aqui!

— Podem entrar! Estou autorizando! Dizendo ela, indo para a porta, abrindo-a, permitindo a entrada de dois agentes, e dando voz de prisão ao delinquente.

— Seu idiota! Tinha tudo aqui! Você fala mais que age! Entenda que a partir de hoje você terá é que me proteger! Qualquer coisa que acontecer comigo ou com minha filha, ou com as minhas coisas a culpa será sua! Te dei a oportunidade de ainda se colocar no seu devido lugar, permitindo que dormisse aqui hoje! Agora terá outras companhias na cadeia! Disse Ellen, em voz alta e chorando, vendo a polícia levando-o.

Mais tarde ela juntou as coisas pessoais dele e levou para a delegacia, confirmando a queixa. Voltou para casa, aliviada, planejando e imaginando que amanhã à noite, ela e sua filha estariam juntas novamente.

O cotidiano mudou, e tanto Ashley como Ellen, agora sozinhas, podiam planejar melhor as suas vidas. Ash trabalhando também, agora poderia ajudar com as despesas. Damaris e Bruce foi um achado divino.

No final do ano letivo, confirmando a aprovação de Ashley, Damaris perguntou se nas férias ela poderia ir com eles em sua casa de campo, localizada ao norte da Califórnia. Passariam alguns dias e logo retornariam. Ficou de verificar com a sua mãe, pois não poderia deixa-la sozinha. Sonhou com o convite.

Como coisa boas atraem outras coisas boas, à noite Ellen perguntou à filha se ela aceitasse que uma amiga do trabalho poderia passar um período na casa. A amiga era novata e ainda procurava um local para ficar. Ellen ofereceu a ela sua casa.

Ashley não poderia ficar mais feliz com esta oportunidade e informou sobre o convite de ir à casa de campo dos patrões, autorizada sem restrições pela mãe.

Durante a viagem, ele pensava de como tudo havia transformado. Tranquila com a segurança da mãe e na expectativa de ser aceita na Universidade de Sacramento. Pensava em se profissionalizar em alguma extensão de Humanas, apesar que na área onde estava trabalhando a abasteceu de pomposas renumerações.

Horas de viagem, chegaram a uma pequena cidade chamada Crescent Beach, no litoral norte da Califórnia. Para a surpresa do casal, a propriedade estava toda sem manutenção, apresentando sinais de que a muito não se fazia uma limpeza. A surpresa seria porque eles contrataram um caseiro para manter a propriedade organizada e limpa.

— O que será que aconteceu, meu Deus? Amargurou Damaris.

— Vou verificar!

Acomodaram-se e Bruce vou tentar encontrar o caseiro e entender o que estava acontecendo.

Foi informado que o contratado havia adoecido e retornou há alguns dias para sua casa, em Sun Valley, Idaho. Conformado, retornou avisando a Damaris o ocorrido.

— Teremos que ficar mais alguns dias aqui para organizar tudo e tentar encontrar outra pessoa para o serviço! Reclamou Damaris, vendo o seu projeto de descansar sumindo nos problemas que repentinamente surgiram.

— Vou ver se encontro alguém de imediato! Depois veremos o que fazer!

— Damaris?

— Sim, Ashley!

— Estou pensando em uma possibilidade! Como eu devo retornar as aulas, se for aceita pela faculdade, daqui uns sessenta dias, eu não poderia ficar aqui este período, organizando e limpando tudo, enquanto eu mesmo verifico alguém para continuar com a manutenção?

— Não sei, minha linda! O que você acha, Bruce?

— A quantidade de serviços é muito grande! Não sei também se daria conta de tantos afazeres!

— Para mim não é problema!

— Vamos pensar!

— Garanto que darei conta! Se não conseguir, acredito que em pouco tempo localizo alguém para fazer os serviços! E tem outra coisa: Tudo o que fizeram por mim e por minha mãe, isto é o mínimo que posso fazer por vocês!

— Minha linda! Não querendo ser mal-educada com você, não fizemos o que fizemos com o intuito de sermos retribuídos!

— Jamais pensaria de outra forma! Não é necessário me explicarem o quanto são solidários e pessoas do bem! O que eu estou tentando dizer é que eu tenho formas de retribuir o carinho que vocês têm por mim! Sou grata para o resto da minha vida e agradeço a Deus todos os dias por terem cruzado no meu caminho! Vocês são a luz da minha vida! Eu amo muito vocês!

— Oh, minha querida! Também te amamos muito! Só não queremos trazer algum tipo de desconforto ou outro incômodo para você!

— Não se preocupem! Não é nenhum incômodo! Será até um prazer e uma “terapia” para mim! Isto se eu não fizer falta no escritório!

— Bruce! Vamos deixá-la aqui uma semana por experiência! Se não der certo ela retorna, ok?

— Tudo bem, amor!

Um sorriso estampou nos rostos dos três. Ashley sem imaginar havia realizado um antigo desejo de querer ficar só, desconectada de tudo e de todos. Carregava algumas dores das amarguras que a vida lhe reservou. O casal de anjos que adentraram na sua vida e a carregou nos seus braços, na verdade foi as respostas de suas constantes e íntimas súplicas de traçar livre o seu caminho. Poderá exercer o direito de ser reservada e introvertida como é, soltando finalmente o seu grito de liberdade, mesmo que tudo aquilo será temporário, mas o suficiente.

Três dias após chegarem, Damaris e Bruce se preparavam para retornar. Deixaram as providências necessárias para Ashley, mostrando todos os caminhos que deveria seguir no caso de alguma emergência.

Estava no período de férias escolares e Crescent Beach recebia muitos turistas e proprietários. O número populacional havia majorado substancialmente.

— Estou indo com o coração apertado, minha filha! Vi que tem habilidades para cuidar um pouco desta casa! Não deixe de nos avisar por qualquer coisa que precisar! Queremos notícias diariamente!

— Pode deixar, Mon! Estarei bem! Não se preocupe!

Um abraço emocionado foi compartilhado entre eles. Foi impossível conter as emoções.

— Beijo, Ash!

— Beijo, Dad! Vão com Deus!

Observava o carro saindo da propriedade, e retornou a sua atenção aos afazeres que não eram poucos.

— Ash já nos chama de mãe e pai! Penso que nunca mais sairá das nossas vidas!

— É uma menina linda e de coração bom! Sorte dela e nossa também!

A arrumação interna praticamente terminou. Ficou alguns detalhes que Ashley arranjaria no decorrer dos dias que ficaria. Concentrou na área externa, percebendo que era apenas uma boa limpeza e conservação para deixar tudo organizado. Estava se sentindo ótima, se perdendo em pensamentos e projetos para o seu futuro, que de alguma forma tinha uma pequena garantia com o carinho e dedicação que Damaris e Bruce lhe proporcionavam, tratando-a com muito carinho e preocupações maternais. Uma adoção, talvez.

Após dois dias de muito trabalho, planejou ir ao supermercado na manhã seguinte para comprar algumas providências. O pequeno estoque já havia terminando.

Dia de sol claro, céu praticamente limpo, temperatura alta, ia de bicicleta ao supermercado, aproveitando e observando o movimento agitado, logo cedo, das pessoas que na cidade estavam. Como ela, estavam despojados e usavam roupas simples e leves.

Quase encheu o carrinho com alimentos, comprando muita fruta, leite, sucos, comidas pré-preparadas e algumas guloseimas como biscoitos, cerais e achocolatados processados. A espera para o pagamento estava mais que o normal. Havia muito movimento e os invitáveis apressados estressando o ambiente.

— Não tenho muita paciência por este tipo de pessoa! Pensava.

Enfim sua vez chegou, e logo passou suas compras. Enquanto pagava, a caixa a olhava insistentemente. Ela percebeu e sorriu.

— Algum problema?

— Para mim, sim!

— Como assim?

— Já ouviu a expressão “o seu passarinho vai voar”?

— Já! Sim!

— Pois então...

— Mas só serve para meninos!

— Vamos dizer que neste caso “a perereca vai pular para fora”!

— Sinceramente não entendi!

A atendente correu os olhos até o zíper da bermuda jeans que usava, e retornou olhando para os olhos dela, levantando as sobrancelhas várias vezes.

Ashley olhou e percebeu que seu zíper estava aberto, mostrando discretamente seu púbis peludo, pois não estava usando calcinha.

Fechou a abertura rapidamente, sentindo sem chão e sem graça com a moça, que sorria, quase rindo.

— Me desculpe! Não havia percebido!

— Claro! E não precisa se desculpar!

Riram muito da situação. Ashley ajeitou as compras na bicicleta, e olhou para dentro da loja, percebendo a atendente acompanhando-a com o olhar, sorrindo.

— Que doideira! Que descuido! “A perereca vai pular para fora”! Esta foi ótima! Sussurrou, rindo.

— Será que alguém viu? Acho que não! Senão teriam falado ou algum rapaz teria me abordado! Pensou, retornando para casa.

Mais um dia e o final da semana chegou. Acostumada em a passar sábados e domingo trancada no seu quarto, lendo ou estudando, sentiu uma necessidade de aproveitar melhor sua liberdade e quebrar a costumeira solidão. Resolveu que mais à noite iria a algum lugar, um bar talvez, para sentir como estava o movimento e quem sabe, contemplar alguém interessante. Conhecia somente quem Bruce havia apresentado. Os policiais, o juiz, a dona da padaria, e outros tantos anciãos.

Curiosamente o clima mudou naquele início de noite, diminuindo a temperatura, proporcionando uma fina chuva. Optou por usar algo mais agasalhada, vestindo uma calça jeans e uma blusa justa com um moletom. De bicicleta, rodeou a praça principal, onde haviam poucas pessoas. O estranho clima não motivava alguém sair de casa. Verificou o local e percebeu um pequeno bar que nitidamente era o ponto de maior movimento na cidade.

Sentou no balcão, e pela primeira vez na sua vida, pediu uma cerveja. Sorriu com o momento. A primeira golada foi uma sensação horrível. O gosto amargo daquela bebida quase explodiu no seu estômago.

— Como podem gostam tanto disto? Sussurrou.

Já havia experimentado bebidas alcoólicas, mas bem mais suave. Apenas algumas doses de vinho.

Olhava pelo espelho da prateleira de bebidas o movimento atrás dela. A máquina tocava uma música chata. Calculou uns 40% a taxa de ocupação das mesas, frequentadas por alguns casais e uns dois grupos de amigos. Inclusive um deles pareciam que estavam aproveitando melhor a noite, com risadas altas e muito bate papo. Às vezes entrava um cliente e logo saía, após saborear alguma bebida destilada ou adquirir cigarros.

A primeira long neck desceu emperrada. Sentiu uma leve embriaguez, motivando a pedir mais uma.

— Somente esta! Depois vou embora! Pensou.

Não percebeu que uma moça sentou ao seu lado no balcão. Pensou na atitude dela, observando que havia outras dez banquetas livres para cada lado. Olhou no reflexo, compreendendo que a moça a olhava com insistência.

— Posso ajudar?

— Talvez!

— O que quer? Uma cerveja?

— Pode ser!

— E o que mais?

— Vou te dizer uma coisa, e poderá até ser ou não ser uma idiotice!

— Como assim?

— Hoje está usando a calça com o zíper fechado?

Ashley ficou olhando para a moça, e logo lembrou da atendente do supermercado.

— “A perereca vai pular para fora”!

— Isso mesmo!

Riram e se cumprimentaram.

— Não lembrava de você! Por isso fiquei olhando muito para depois perguntar!

— Aquele dia estava com o cabelo solto! E você sem o uniforme, jamais a reconheceria!

— Katherine, muito prazer!

— Ashley! O prazer é meu!

— Pode me chamar de Kate!

— E eu de Ash!

— Eu nunca a vi por aqui! Reconheceria!

— Não sou mesmo! Estou na casa dos Stalmons!

— Damaris e Bruce! Eu os conheço!

— Isso mesmo! Ficarei durante as férias por aqui!

— Eles estão na cidade?

— Não! Já retornaram para Sacramento!

— Então está só!

— Sim! Há algum problema?

— Não! Me perdoe! Foi só curiosidade! Sou do bem!

— Não precisa dizer! Percebi!

— É filha deles?

— Não! Trabalho como secretária para eles! Mora com a sua família aqui?

— Não! Moro em uma pensão alugada!

— De onde você é?

— Sou mexicana! De uma cidade chamada Hermosillo! Conhece?

— Nunca ouvi falar!

— É cerca de 900 quilômetros de San Diego!

— Nossa! Está longe, heim? Como veio parar aqui?

— É uma longa história!

— Deve ser! Está regular?

— Não! Falta pouco para o Greencard! A dona da pensão está olhando para mim! Está acabando com a minhas economias!

— Há quanto tempo está aqui?

— Aqui na América faz três anos! Completei no mês passado! Fiquei um ano e pouco em San Diego e estou aqui a quase dois!

— Desculpe a minha pergunta, Kate! Quantos anos tem?

— 20! E você?

— Psiu! Vou falar baixinho! 17!

— Puxa! É tão novinha!

— Fale baixo! Senão me expulsam daqui!

Ficaram mais um tempo ali, e beberam mais algumas garrafas. Conversaram muito e sobre tudo. Sem saberem, nascia ali uma amizade forte e verdadeira. Na saída, caminhavam empurrando suas bicicletas. Não chovia mais. Mas a temperatura havia caído bastante.

— Gostei muito de você, Ash! Apesar de falar muito pouco sobre sua vida!

— Você não deixou! Risos.

— Obrigada! Precisava conversar com alguém!

— Não tem amigos por aqui?

— Poucos! Na verdade, só uns três! Evito conviver com as pessoas! Poderia prejudicar o meu projeto do visto de permanência! Apenas um amigo sabe de toda a minha história! Agora você que sabe uma parte!

— Namorado?

— Uma amizade mais ou menos colorida! É nativo e os pais dele não aceitam a relação! Trabalha comigo no supermercado!

— Legal! Agradeço a confiança! Prometo contar um pouco da minha história para você! E também gostei da sua companhia! Vamos nos encontrar amanhã?

— Sim! Claro! Trabalho até às doze horas! Podemos nos ver à tarde! Pode ser?

— Para mim está ótimo! Onde poderia ser?

— Que tal na praça, em frente ao bar?

— Uma da tarde está bom?

— Está! Já vou!

— Também! Está tarde! O meu caminho é deserto!

— Não se preocupe! Aqui é muito tranquilo!

— Então tá! Foi um prazer te conhecer! Disse Ashley, abraçando Kate.

— O prazer foi meu! Kate retribuiu o carinho.

— Até mais, Kate!

— Até mais!

Ashley subiu na bicicleta, indo para casa. Sentiu o coração leve por ter conhecido alguém tão especial como Kate. Entendeu que seus problemas, que pareciam enormes e quase impossíveis de resolver, eram minúsculos diante dos outros que as pessoas passavam. Sentiu agradecida por tudo na sua vida.

Naquele domingo acordou um pouco mais tarde do que o de costume e com uma leve ressaca. Afinal tomou quatro long neck´s de cerveja, coisa que nunca fizera antes na vida. O dia, com suas alterações misteriosas, exibia um sol claro com poucas nuvens e temperatura elevada.

Após se ajeitar, foi para a praça encontrar com Kate, conforme o combinado. Nem precisou aguardar, pois ela já a aguardava.

— Ei!

— Oi, Ash! Tudo bem?

— Fora a ressaca, está tudo bem!

— Vamos ficar por aqui?

— Estava pensando irmos lá para casa! O dia está quente e tem uma pequena piscina lá! Ontem limpei-a! Podemos ficar tomando um banho de sol! O que acha?

— Adorei a idéia! Podemos passar lá em casa? Pegar um biquíni!

— Claro! Vamos!

— Comprei meia dúzia de cervejas!

— Lá tem vinho também!

— O que vamos comer? Sabe cozinhar?

— Kate! Eu faço uma lasanha no micro-ondas que você tem de ver! Faço um arroz “tio Ben” perfeito! E meus frangos empanados? São deliciosos!

— Há, há, há! Imagino...!

Riam das brincadeiras e logo chegaram. Vestiram seus biquínis e já davam mergulhos e logo se estiraram, com as costas viradas para um banho de sol. Se olhavam.

— Você me parece triste, Ash!

— Até a poucos meses atrás, passei uma fase muito ruim na minha vida. Parecia que nunca iria superar! Mas alguma força divina me colocou diante de Damaris e Bruce, que mudaram minha vida radicalmente! Da água para o vinho!

— Quer me contar?

— A quatro anos atrás, meu irmão e meu pai perderam suas vidas em um acidente fatal!

— Nossa! Que triste! Sinto muito!

— Retornavam do trabalho! Era uma sexta feira! Meu pai distraiu com alguma coisa e avançou um cruzamento! As câmeras de segurança mostraram! Um caminhão colidiu na lateral do carro! Foi o dia mais triste da minha vida!

— Deve ter sido mesmo!

— Eu e minha mãe ficamos sozinhas! Um sócio do meu pai nos deu assistência por um período e logo nos deixou, mudando para a costa leste! Um dos encarregados dele aproximou de nós e acabou ficando até pouco tempo morando com a gente! No início foi bom para minha mãe! Ela até gostou, mas ele não soube aproveitar a oportunidade!

— E sua mãe?

— Passou este tempo lutando para nos manter! Somente agora que eu pude ajudá-la com o meu trabalho! Antes era muito sofrimento!

— Ainda sente, não é?

— Estou um pouco assustada com tudo! Mas o futuro enxergo com mais lucidez!

— Você namora?

— Não! Nunca namorei! Já tive algumas paqueras! Mas nada sério! Eu sei que sou uma pessoa difícil! Tenho receios! Talvez agora eu pense em ter alguém! E você? Me conte mais um pouco!

— Não foi nada fácil para mim também! Sempre moramos em Hermosillo! A história diz que meus avós foram para lá, nos anos 50! Desde então todos os meus tios, maternos e paternos, estão lá!

— É a única aqui na América?

— Na minha família, sim! Sou a mais velha lá de casa! Tenho uma irmã de 17 e um irmão de 14! Estão com meus pais! Quantos a primos e tios, tenho vários espalhados em quase todo o território americano e no Canadá!

— Veio sozinha?

— Quando fui para San Diego, meu pai me acompanhou! Tivemos um problema de assédio e ele foi deportado! Consegui escapar, chegando até São Francisco! Planejava ir para Seattle! Tenho uma tia que mora lá! Então os anjos apareceram!

— Anjos?

— Sim! Damaris e Bruce Stalmons!

— Mentira!

— Verdade! Estava em uma parada de caminhões na estrada para cá, logo na saída de São Francisco! Os vi chegando e aproximei, quando ouvi para onde que estavam indo! Abordei e pedi carona e me trouxeram! Menti dizendo ter um conhecido aqui, inventando um nome qualquer! Cansada, quando cheguei na cidade procurei um lugar para ficar, e a dona do motel perguntou se eu estava interessada em uma vaga no supermercado, e acabei aceitando! É onde estou até hoje! Já encontrei com eles novamente, mas não me reconheceram! De certa forma, apareceram na hora certa, e sem saberem, me ajudaram muito!

— Sei exatamente como é! E seus pais? Sabem que está aqui?

— Sim! Minha esteve aqui no início do ano! Passou alguns dias comigo!

— Pensa em voltar?

— Acho que não! Lá tem poucas oportunidades! Ou você trabalha em algo ilícito ou vira dona de casa! Regularizando a minha situação, vou voltar a estudar! Penso em alguma área da medicina! Vou aguardar!

— Fiz minha solicitação para Educação Física! Sempre gostei de esportes! Praticava natação e voleibol na escola!

— Vai se dar bem! Você é muito bonita! Tem um corpo admirável!

— Você também é muito bonita! Parece uma sul americana! Uma brasileira! Acho elas maravilhosas!

— São mesmo! Cada bumbum....

— Se exibindo nas praias naqueles biquínis minúsculos! Não sei se teria coragem de usar em público!

— São acostumadas! E o que é bonito tem que mostrar mesmo!

Ficaram o resto da tarde curtindo o sol e a piscina. No início da noite Kate anunciou que já iria embora. Combinaram e se encontraram todos os dias da semana. Ashley conseguiu localizar uma pessoa que continuaria com a manutenção do sítio. Ele já atendia outras propriedades na região. Vivia daquele serviço. Foi prontamente aprovado por Bruce e Damaris, inclusive já o conhecia. Pediu para ficar o resto das férias por ali. Explicou que estava sendo uma excelente oportunidade para reorganizar a sua vida, lapidando algumas arestas que ainda a intrigava.

O tempo estabilizou. A notícia foi que uma pequena frente fria vinda do Alasca havia passado no último final de semana e dissipou no Pacífico. Dias quentes convidava para um banho de mar. Praias cheias de turistas impacientes e afoitos não atraía muito Ashley, que se sentia melhor em um ambiente mais reservado e aconchegante.

No sábado seguinte, passaram o dia inteiro juntas, aproveitando o dia de folga de Kate. Estavam mais amigas do que nunca.

— Perece que te conheço a muito tempo! Estou me sentindo muito bem ao seu lado! Exclamou Kate, que passara todo o seu tempo praticamente sozinha em Crescente Beach.

— É muito estranho tudo isso! Meditava Ashley.

— O que é estranho?

— Se eu não tivesse tomado uma decisão de sair de casa, não estaria aqui! Se ninguém assediasse você e seu pai em San Diego, não estaria aqui! Se nós não tivéssemos a oportunidade de encontrar com Bruce e Damaris, não estaríamos aqui! Jamais seríamos amigas!

— É um pouco estranho mesmo! Mas o destino não somos nós que controlamos!

— Por isso eu penso que há uma força misteriosa e divina que orienta para o que nos foi programado! Acredito muito em Deus! Agradeço a Ele cada momento de minha vida! Em um determinado momento, que para mim as minhas aflições e os meus sofrimentos eram impossíveis de superar, assumi uma decisão que realmente mudou completamente a minha vida e para melhor!

— Não estou exatamente como realmente eu gostaria de estar! Penso que para mim as coisas são um pouco mais lentas que para outras pessoas! Mas é a minha ansiedade de querer resolver tudo o mais rápido possível! Por diversas vezes pensei em ir embora, seguindo para o meu destino que inicialmente havia programado! Mas como você mesma disse, parece que há uma força que nos agarra e nos prende, pedindo para aguardarmos! Confesso que sua amizade foi a melhor coisa que aconteceu comigo nestes últimos anos!

­— Também adoro você! Não imagina com também estou feliz em te encontrar! Sorriu Ashley.

— Você me falou que tem uma paquera aqui na cidade! Quem é ele?

— Trabalha comigo na loja! De vez em quando nos encontramos! Mas é só um romance bobo!

— Vocês já se ......

— Claro! A maioria dos encontros foram justamente para isto!

— Ele foi o seu primeiro?

— Não!

— Como foi?

— “Como foi” o que?

— A sua primeira vez!

— Foi bizarro aos olhos da sociedade! Mas foi bom!

— Bizarro?

— Segredo nosso?

— Tudo entre nós é um segredo!

— Tenho uma prima que é quatro anos mais velha! Sempre me levava para sair! Me usava como desculpa para seus encontros amorosos! Em algumas oportunidades eu a via com seus parceiros! Na época eu tinha quatorze anos! Ela foi a primeira pessoa que eu beijei! No início eu estranhei, mas depois acostumei e já até gostava! Me tocava e me fez sentir pela primeira vez um orgasmo! Me apresentou um rapaz, Carlos Miguel, cinco anos mais velho, e foi o meu primeiro homem! Uma paixão incontrolável! Como amei aquele homem! Um ano após a nossa secreta relação, eu engravidei...

— Você tem um filho??????

— Na verdade é uma menina! A mocinha mais linda do mundo! Está com os meus pais! Minha mãe a trouxe quando veio me visitar! Quando foram embora, quase morri de tristeza e saudade! Tudo o que faço é por ela! Mando o máximo de dinheiro para ajudar com as despesas! Me envia cartas toda semana! Acompanho também pelas redes sociais! Meu Deus! Que saudade!

— Mas você era muito nova!

— Sim! Tinha quinze anos!

— E Carlos Miguel?

— Quando fiquei sabendo da gravidez, corri para contar a ele! Demonstrou uma felicidade que eu jamais havia visto em um homem! Foi a última vez que eu o vi!

— Nossa! Que canalha!

— Pois é! Fomos para San Diego pois soubemos que estava lá! Procuramos por dias e nunca o encontramos!

— E nunca tiveram mais notícias?

— Alguns boatos! Acho que está na Cidade do México! A maioria de seus parentes moram lá! Mas nunca tive certeza!

— Os pais deles moravam na sua cidade?

— Não! Morava com alguns amigos! Trabalhava em uma empreiteira que executava uma obra na região!

— Procurou na empresa?

— Procurei! Por várias vezes até eu saber que ele já havia sido demitido e não sabiam o seu paradeiro!

— Sinto tanta raiva disso! Se eu o encontrar sou capaz de quebrar a sua cara!

— Não quebraria!

— Ué? Por que não?

— Eu o mataria antes!

Gargalhadas ecoaram no ambiente.

— E depois?

— Contei para os meus pais! Ficaram chateados no início, mas depois entenderam de como eu precisava deles! Amam minha filha como se fosse deles! Fiquei na abstinência por muito tempo até encontrar este rapaz com quem eu saio aqui!

— Como ele chama?

— Willy! Fui a primeira vez dele!

— Puxa! De aprendiz para professora!

— É muito gostoso estar com ele! Aprendeu rápido! É muito carinhoso comigo! E me diga uma coisa! E você? Como foi?

— Como foi o quê?

— Ora! Sua primeira vez!

— Nunca fiz!

— O que? Como assim? Nunca fez? Você ainda é virgem?

— Pensa comigo! Se eu nunca fiz quer dizer o que? Lógico que sou virgem!

— Além de pura, é debochada!

— Há, há, há!

— Me conta o que houve! Ou o que não houve!

— Oportunidades não me faltaram! Mas eu sou pensativa demais! Tive apenas dois namorados! Namorados, não! Paqueras! Joe, um deles, na última vez que nos encontramos foi a minha derradeira vez! Estávamos sozinhos, e beijávamos por horas! Eu sentia uma vontade enorme de querer! Ele sempre tocava nos meus seios, mas era por cima da blusa! Neste dia ele deslizou a mão e tocou diretamente neles! Foi uma sensação deliciosa! Quase gozei! Então avançou um pouco mais e enfiou a mão no meu short e tocou na minha vulva! Gozei na hora! Expulsei-o dali e até então tenho tido relações, mas só que solitárias!

— Nunca mais quis?

— Não tive tempo e nem vontade para isto!

— É quase impossível imaginar isto! Você, uma moça linda como é, com certeza teria muitos interessados!

— Pois é! Mas só que não! Não os deixava aproximarem! Pensei por um momento que poderia até gostar de meninas! Mas não! Gosto mesmo é de meninos! Estou pensando em encontrar alguém que me tolere!

— Você não é tão ruim como pensa! Na verdade, é uma pessoa muito boa! Jamais aproximaria de você se não fosse de confiança, fiel e carinhosa!

— Está me elogiando demais! Apaixonou por mim?

— Quem sabe!

— Brincadeira, minha amiga! É bom ter alguém que goste de verdade de você!

— É verdade! Há muito não me sentia tão bem perto de alguém!

— E olha que a culpa desta nossa relação foi um zíper aberto!

— Foi mesmo! Me diga: Você estava sem calcinha aquele dia?

— Estava, Kate! Acredita? Estava arrumando as coisas aqui e fiquei “assada” nas juntas das minhas coxas e nas virilhas! Então não usei! Cheguei a vestir, mas incomodou muito! Então tirei! Foi onde esqueci de fechar o zíper!

— Ainda bem que eu vi!

­— Foi mesmo! Morri de vergonha de você! Lá fora até olhei para você!

— Eu percebi! Encontrar com você no bar foi uma ótima coincidência!

— É! Agora estamos aqui!

A noite chegou e depois de um bom banho, Ashley insistiu e convenceu Kate a dormir aquela noite com ela. As duas invadiram o quarto do casal, procurando uma programação na tv. Conversavam muito. Tinham muitas histórias para contarem. Nunca tiveram alguém para se abrirem tanto.

— Uma vez aconteceu uma coisa comigo! Foi hilário!

— Me conte! Pediu Kate.

— Sempre gostei de esporte! Ano passado eu estava em uma sequência forte de aulas de natação na escola! Haveria um torneio nacional e tentava uma vaga para participar! Um dia cheguei atrasada para os treinos, mas mesmo assim professor me deixou treinar! Depois de uns quarenta minutos, encerrei e saindo da piscina vi meu professor papeando com outros instrutores! Fui para o vestiário, tomei minha ducha! Nunca tive vergonha nestes eventos! Sempre ficava nua com ou sem a presença de outras meninas! Quando cheguei não havia ninguém!

— E aí?

— Quando me preparava para enxugar, ouvi um movimento próximo à sauna! Curiosa, aproximei devagarinho e ouvi alguns murmúrios e gemidos! Kate. Quando eu olhei, duas colegas da minha sala se pegando e outra observava, se manipulando! Estavam nuas, se beijavam e passavam as mãos em tudo quanto é lugar! Fiquei escondida observando até onde elas iriam!

— Gostou do que estava vendo?

— Confesso que sim! Era inédito para mim! De repente uma delas sentou a amiga e começou a chupá-la! Foi um susto para mim! Deixei cair minha mochila e elas me viram!

— Então?

— Saí correndo dali! Passei tão rápida que nem despedi do professor! No dia seguinte ficaram me olhando a aula inteira! Passou uns três dias, Karen, uma delas aproximou de mim no refeitório e me agradeceu!

— Agradeceu? Por que?

— Elas aguardaram para ver se iria repercutir! Viram que eu não disse nada, ficando na minha, então agradeceu! Me convidou para uma festinha na casa dela e fiquei de pensar! Nunca mais falei sobre isto! De vez em quando a via me olhando! Curioso que elas tinham namorados na escola! Não importei! Deixei para lá!

— Nossa! Que loucas! Na escola? Seriam expulsas!

— Já viu ou fez alguma coisa louca?

— Via minha prima fazendo as loucuras dela com seus namorados! Achava delicioso! Sonhava com uma relação forte como ela fazia! O resto da história você já sabe!

— Às vezes ouvia minha mãe com o namorado! Ela é escandalosa! Gemia e gritava como uma fêmea no cio! No outro dia, sempre me perguntava se eu tinha ouvido algo! Mentia dizendo não! Eu gostava! Ficava excitada! Foi bem no começo da relação dela, depois esfriou! Ouvi mais umas três raras vezes!

— Vou dormir! Amanhã bem cedo tenho que ir trabalhar! Boa noite!

— Vou aproveitar a carona e vou também! Boa noite, minha amiga!

Se abraçaram, ficando alguns minutos no aperto afetivo. Deitaram de costas uma para a outra e compartilhavam o mesmo edredom. Kate não conseguia dormir. Notou movimentos da amiga na cama. Sentia uma sensação de que Ashley a observava. Temia olhar para trás para verificar. O silêncio do ambiente a fazia notar a respiração de Ashley, que realmente a olhava. Percebeu a aproximação da amiga, e contraiu seus nervos ao sentir os dedos tocarem na sua nuca e deslizando no pescoço.

A respiração ofegante soprava seus cabelos. A mão carinhosa tocou no topo dos seus ombros, deslizou por debaixo dos seus braços, puxou a blusa, tocando na cintura, acariciando o ventre e delicadamente subiu até os seios, apertando suavemente os rígidos mamilos a acariciando as protuberâncias delicadas. Com os olhos fechados e imóvel, Kate saboreava os carinhos da inábil amiga, permitindo explorar seu corpo com os deslizar das suas mãos macias e inquietas. Um esforço lento permitiu que Ashley cingisse seu corpo nas costas da amiga. Apertou com o abraço. Kate apertou os braços, permitindo-a continuar.

— Kate?

— Oi!

— Vire!

Sem a necessidade da insistência, Kate virou e ficou face a face com Ashley. Apesar da penumbra do ambiente iluminado apenas por um abajur, os olhos fitavam, percebendo a dilatação das pupilas, informando e acompanhando os ofegantes desejos. Kate acariciou o rosto da amiga, sendo correspondida com o deslizar das pontas dos dedos, afastando os fios de cabelos que sequer atrapalhavam em nada a visão do singelo semblante da mexicana. Eternos minutos de paixão e simples seduções passaram despercebidos ao tempo de admiração entre as duas.

— Me beije! Sussurrou Ashley, quase como uma súplica.

Seus olhos fecharam, entreabrindo a boca, as mãos trêmulas querendo abusar do corpo da amante, sentiu os lábios macios tocando no dela, e logo as línguas se abraçaram, em uma transmissão de prazer e volição. Os corpos se encontraram no aperto de um abraço, com os seios se roçando e experimentando as pernas adentrando nas outras, esfregando nas coxas as vulvas quentes e molhadas de prazer.

O ato consumava o início para uma aprendiz curiosa e desejosa e a continuidade de uma instrutora permissiva que tentava repassar um pouco do que aprendeu com sua fogosa prima.

As mãos deslizavam nos corpos, tocando nos seios agora desnudos, nas coxas e nas bundas ainda protegidas pelas calcinhas. Ashley queria muito mais do que estava acontecendo, mas pensou e planejou sobre tudo antes daquela intimidade que poderia se preparando melhor para o seu novo mundo sexual. Kate afastou um pouco e deslizou sua mão por entre os corpos que se esfregavam, aproximando os dedos no púbis da parceira, tocando levemente no clitóris. Ashley deu um impulso, afastando um pouco.

— O que foi? Te machuquei?

— Não! Foi gostoso demais! Quase gozei!

Kate a beijou novamente, fluiu a boca até aos tenros e quase intocados seios, a beijou até chegar na virilha, afastando a calcinha, apresentando a vulva peluda, lançando com amor sua língua na fenda inocente, lambendo os pequenos lábios e chupando o clitóris que pulsava de prazer. Ashley gemia alto, saboreando aquela sensação deliciosa, e com sua inexperiência e desejos afoitos, curvou o corpo observando a amiga vibrando a língua e lambuzando sua vagina com uma salivação incomum, estagnou o corpo, apertando a cabeça da Kate na sua vagina, abriu mais as pernas e começou sentir a melhor sensação de sua vida. O orgasmo era tão intenso que sua fenda contraía e dilatava, como se quisesse segurar a língua lá dentro. Gritou com o gozo, girando o corpo para o lado, dando tímidos solavancos com as sensações de pulsar dentro da gruta. Chorou de prazer. Kate a abraçou, beijando-a, e afastando novamente, deitou ao lado da amiga, abriu suas pernas, afastando a calcinha, segurou a mão de Ashley e a conduziu até a sua gruta molhada. Incentivou a manipulação, indicando todos os pontos que ela queria ser tocada, e instintivamente, a loira começou a masturbá-la explorando pelo tato, cada milímetro da suculenta vagina. Introduziu os dedos, coletando o pegajoso creme, e untava até o clitóris rijo, e retornava buscando mais o caldo do saboroso manjar dos deuses, até Kate anunciar a aproximação do seu ápice do prazer. Urrou com a intensidade do orgasmo, saltitando seu quadril, apertando as mãos da amante dentro da sua vagina. Se abraçaram completando com um frenético beijo, sendo interrompido pelos dedos lambuzados de creme vaginal, permitindo as duas os chuparem, completando uma pequena parte dos insaciáveis desejos ali presente naquela relação.

Gestos de carinhos e olhares informavam agradecimentos das autorizações ofertadas durante aquele lacônico momento.

Sem dizerem uma só palavra, continuaram os abraços e selos labiais, até adormecerem completamente felizes. A noite prometia maravilhosos sonhos.

Kate despertou e percebeu a ausência de Ashley na cama. Após um banho, se aprontou para ir trabalhar naquele domingo ensolarado. Ao chegar na cozinha, o desjejum já estava pronto, aguardando-a. Logo Ashley entrou com algumas frutas na mão.

— Bom dia, amiga!

— Bom dia, Ashley!

Os olhares cruzaram, apresentando uma introversão nas duas, que lembraram da especial noite.

— Tudo bem?

— Estou! E você?

— Estou ótima também! Vamos tomar um café!

Sentadas, degustavam o lanche matinal! Ashley olhava para Kate com um sorriso de satisfação e agradecimento. Kate retribuía os mesmos gestos.

— Posso te falar algo?

— Claro! Respondeu Kate.

— Eu não sou gay!

— Eu também não!

— Desculpe se fui ousada ou intrometida em até querer algo que talvez você não ansiava!

— Nós nos aproximamos muito! Seria inevitável!!

— Vou te dizer que foi a melhor sensação que já senti!

— Apesar da minha pouca, mas efetiva experiência, também senti algo maravilhoso! Foi incrível!

Desprenderam a timidez, e conversaram muito sobre o ocorrido. Após o café, Ashley segurou Kate pela mão e a puxou até a sala, sentando-a. Aconchegou entre as pernas e iniciou um beijo de bom dia, não permitindo que Kate fizesse algo para impedir. Desabotoou a calça e a puxou juntamente com a peça íntima.

— O que está fazendo? Kate sussurrou.

— Retribuindo!

Ashley abriu as pernas da amiga e assim pode ver sua carnuda e peluda vagina, que já apresentava sinais nítidos de umidade. Ashley aproximou a boca e começou uma cunilíngua, tentando copiar a atitude sentida na noite anterior. Kate excitadíssima com a agressividade da introvertida amiga, apertou-a em sua vulva, remexendo e friccionando seu quadril na boca sedenta, abraçando as coxas na cabeça, que movimentava com os beijos na vagina e logo sentiu um delicioso orgasmo, proporcionando longos e pequenos espasmos com a sensação.

Puxou Ashley para cima e a beijou longamente, ainda excitada, delibando o delicioso sabor de sua vagina impregnado na boca da amiga.

— Que bom dia mais delicioso! Sussurrou com os lábios colados.

Vestiu-se novamente e em silêncio caminhou para o trabalho. Olhou rapidamente para trás e percebeu Ashley a olhando pela janela da cozinha, com um leve sorriso de satisfação. Se envolveu ao longo do dia em pensamentos afáveis da noite anterior.

A semana passou lenta com vários encontros das duas. Alguns momentos quentes e outros suaves, com apenas abraços e longas conversas. Cada vez mais, Ashley queria ser mulher.

— Tem visto Wille?

— Sim! Estou um pouco afastada! Sabe muito bem porquê!

— Porque não convida ele para vir aqui?

— Você aceitaria?

— Claro! Quero conhecê-lo!

— Vou falar com ele amanhã! Domingo, pode ser?

— Combinado! Pode ser!

Risadas e confidências continuaram naquela noite, com intensas intimidades, encerrando após vários orgasmos.

Ashley preparava o café da manhã naquele domingo ensolarado, aguardando ansiosa a chegada de sua amiga com o namorado. Observou vindo na estrada duas silhuetas em bicicletas aproximando da propriedade. Estranhamente sentiu uma queimação o peito e uma latejada na vagina, sequenciada com um sorriso largo, sinalizando uma alegria deliciosa.

— Ei, Ash!

— Oi, Kate!

Abraçaram como se tivesse muito tempo que não se viam.

— Este é Wille! Meu amigo que te falei!

Um rapaz claro de meia altura, cabelos grandes e mal penteados, com um lindo sorriso mostrando seus bem cuidados dentes, e os olhos negros a fitaram. A simpatia transbordava naquele tímido rapaz.

— Oi, Wille! Prazer!

— Oi, Ashley! O prazer é meu! Kate fala muito de você!

— Ela também fala muito de você!

— Espero que seja somente coisas boas...

— Jamais ela falaria algo ruim de você!

Risos e abraços confraternizaram com o encontro. Após um rápido lanche, decidiram ir para a piscina, aproveitar o ensolarado dia.

Mergulhos e incessantes doses de bebidas, alegrava o trio cada vez mais. Discretos contatos íntimos estimulavam seus sentidos de desejos. Ashley estava excitadíssima. Queria fazer amor com Kate. Mas Kate dedicava um tempo maior para Wille, que não tirava os olhos dos singelos e lindos corpos das amigas.

Por várias vezes, Ash e Wille rebatiam olhares desejosos, e Kate estava sempre aproximando fazendo assisados carinhos em suas partes íntimas. Wille saiu para ir ao banheiro. As duas aproveitaram e deliciaram um longo beijo e afoitas carícias em seus corpos.

— Nossa! Estou louquinha para gozar! Gemeu Ashley, com os dedos de Kate manipulando sua vagina.

— Porque você não faz amor com Wille, para que eu veja? Completou.

— Sua maluquinha! Ele não toparia!

— Então tente! Vou lá dentro e espero vocês começarem!

— Sua doida! Quase gozei só de imaginar!

— Pare! Ele está vindo! Vou fingir que não estou vendo e você comece! Depois vou lá dentro!

— Nossa! Que gostoso! Você está ficando muito safadinha!

— Só com você, meu amor!

— O que vocês duas estão cochichando???

— Coisas de meninas! Há, há, há... Retrucou Kate.

Ashley afastou e Kate abraçou o amigo amante, dando-lhe um beijo frenético, sendo retribuído com um abraço forte e deslizadas indiscretas das mãos em suas nádegas.

Ash deitou na cadeira de praia, colocou óculos escuros, e fingiu estar bronzeando, observando o casal motivado que não desgrudavam as bocas num sedento beijo. Ela mergulhou na piscina e ele logo atrás, ficando brincando na água até aquietarem em um canto, podendo perceber as mãos debaixo d’água procurando ocupar com carinhos em suas intimidades.

— Pare, Kate! Ash pode nos ver!

— Não se preocupe! Já deve estar quase dormindo! Está meio altinha! Mentiu.

— Olha só como você está me deixando! Logo vai ser difícil sair da piscina!

— É assim mesmo que eu quero que você fique! Já estou louquinha por você!

— E como vamos fazer?

— Deixe comigo!

Kate mergulhou a mão na água, segurando o avantajado membro, estimulando com uma suave masturbação.

O beijou e sussurrou.

— Você quer que eu te chupe?

— Você está louca?

— Você quer que eu te chupe?

— Quero! Mas só se você deixar eu te chupar também!

Kate mergulhou e enfiou na boca o máximo que conseguiu. Fez alguns movimentos até lhe faltar fôlego, emergindo novamente, colocando o mastro entre suas pernas.

Ficaram ali alguns minutos saboreando aquele sarro, agora mais quente que nunca. A cabeça deslizava entre as pernas dela, procurando acessar a fenda da gruta desejada, escondida na calcinha do biquíni.

— Começaram! Sussurrou Ash, vendo a cena dos amigos se esfregando na piscina.

Wille girou Kate e a sentou no beiral da piscina, beijando-a e esfregando as mãos nos seios e por sobre a calcinha deslizando na vagina, tentando afastar o pano impeditivo para introduzir os dedos. Ela gemia com os carinhos, tentando curtir o máximo as carícias. Ele chupou os seios, beijou o ventre, tirou a calcinha, lambeu a vulva hirsuta, encostou a ponta da língua no clitóris, apoiou-o na ponta da língua chupando-o, e enquanto enfiava os dedos na gruta quente e úmida.

— Aaaaiiiii, Wille! Exclamou sentindo o prazer da língua chupando seu grelo e os dedos penetrando.

Ashley levantou lentamente e entrou. Da janela da cozinha observava a cabeça do Wille entre as pernas da amiga que movimentava o quadril, com o corpo exposto e arcado pra trás, que institivamente, numa relação solitária, acariciava sua vagina e esfregava os seios, ofegando baixinho e esperando a sequência do coito na piscina. Se tocava, explorando seu corpo.

Wille encerrou os beijos na vulva, e levantou, e mesmo de costa, Ashley percebeu que ele havia penetrado na Kate. Os movimentos lentos, e a correspondências dos carinhos, percebia o prazer que o casal sentia naquele momento. Kate viu Ashley observando-os. Pendurou no pescoço do namorado, e com o queixo apoiado no ombro dele, apresentava as feições do prazer sentido.

— Querem beber alguma coisa? Gritou Ashley da cozinha, interrompendo o momento.

Desajeitados, se arrumaram, pensando estarem evitando que Ashley visse algo que ela já havia saboreado cada movimento.

Kate saiu da piscina, aproximando de Ashley, a abraçou e lhe deu um beijo molhado e apaixonado. Wille não acreditava no que estava vendo.

Elas entraram, desfizeram dos biquínis, e desnudas, se agarraram, deitando no tapete da sala. Kate chamou Wille, e aproximando, ela tirou o short do tímido rapaz, puxando-o para junto das duas. Ashley afastou um pouco, e o casal começou um ritual sensual, com beijos intensos e mãos explorando cada centímetro de seus corpos.

Wille enfiou a cabeça entre as pernas de Kate, beijando e chupando a vagina desejosa, como se quisesse entrar nela. Kate dava solavancos no corpo como se estivesse tendo um orgasmo contínuo, apertando a cabeça do amante na sua vulva. Ashley observava o ato, acariciando os seus e os seios da Kate. Sentiu os dedos nervosos da amiga acariciando a entrada da gruta virgem, e apertando o clitóris, masturbando-o. Cerrou os olhos com o prazer, abrindo as pernas para permitir as facilidades da manipulação. Deu um grito de susto quando, sentiu Wille avançando na sua buceta, iniciando uma cunilíngua vibrante e excitante. Deitou no chão, e abriu mais as pernas autorizando o carinho bucal. A língua afoita labuzava toda a região, ensopando a vulva deliciosa de Ashley com a mistura de saliva e líquido seminal.

Ela abriu os olhos e viu sua amiga saboreando o avantajado pênis, numa felação também melada de prazer. Interrompeu o carinho do amigo, e foi dividir a degustação sexual com a amiga, colocando pela primeira vez, um cacete duro na boca, atendendo os ensinamentos da já experiente Kate. Wille quase perdia os sentidos de tanto tesão. Jamais imaginou estar envolvido em uma situação semelhante. As duas disputavam o membro duro, quando, quase ao mesmo tempo, sentiu as mãos do namorado, alisando suas bundas e vaginas. Elas empinaram o máximo, oferecendo as grutas quentes e molhadas.

Kate, embriagada de luxúria, deitou no tapete, puxando carinhosamente Wille sobre ela, abrindo as pernas, ofertando novamente sua gruta para ser penetrada. Ashley afastou um pouco, mas acariciando a amiga, e Wille, carinhosamente apontou o mastro duro, pincelando na fenda ansiosa, e jogou o peso do corpo, penetrando suavemente na entorpecida amante.

Iniciou o movimento de enfiar e tirar de dentro de Kate, gerando nela gemidos altos de prazer. Ashley, sem aguentar segurar, ficou em transe sentindo um orgasmo intenso, quase desmaiando com o deleite. Kate continuava sentindo as socadas fortes de Wille, entrelaçando as pernas nas costas dele. Ashley recuperou o fôlego, aproximou do casal e iniciou um beijo molhado e apaixonado em Wille, enquanto massageava os seios da amiga. Kate a puxou, beijando-a enquanto seu corpo balançava com o coito, cochichou.

— Olha lá! Veja o pau dele entrando em mim......

Ashley aproximou do ato observando os movimentos vagaroso do pau duro sumindo e reaparecendo dentro da buceta de Kate. Sentiu sua vagina vibrar com a visão. Subiu sobre a amiga, colocando sua fenda na boca dela, quase sufocando-a, enquanto a masturbava. No seu limite, Kate gritou anunciando a intensidade de seu orgasmo, vibrando seu quadril, apertando sua vulva no púbis do namorado. Wille acelerou, e urrou, lançando na barriga e nos seios de Kate, seu quase interminável esperma.

— Queria dentro, seu taradinho! Reclamou Kate, esparramando o creme no seu ventre.

Levantou cambaleando e deu um mergulho na piscina, acompanhada por Ashley. Wille ficou paralisado, sentado no tapete, observando as duas beldades, se abraçando e beijando.

— Porque você não faz agora?

— Fazer o que, Kate?

— Fazer amor!

— Não sei!!!!

— Faça, meu amor! Experimente ele dentro de você!

— Estou muito excitada!

— Isso mesmo! Venha! Vou te ajudar!

As duas moças nuas aproximaram do felizardo rapaz, iniciando carícias e beijos intensos, e Kate segurou o rosto da amiga, levando até o membro semiadormecido, iniciando uma felação carinhosa, enquanto Kate beijava com paixão o amante. As mãos acariciavam suavemente os corpos delicados ali disponíveis exclusivamente para ele.

Não demorou e o mastro já estava pronto novamente, e Ashley aproveitava o máximo a felação, adorando a degustação sexual. Antes entregue aos domínios das amantes, Wille tomou a iniciativa de atacar Ashley após receber a mensagem de Kate.

A deitou no chão e novamente avançou sua boca na vagina sedenta de amor, provocando gemidos e rebolados sensuais da futura mulher.

Kate incentivava também, fazendo carinhos nos dois amigos. Tinha um carinho maior por Ashley, sabendo da ânsia que ela sentia por ceder sua inocência naquele momento lotado de vontades e amor.

Wille subiu sobre Ash, beijando todo o ventre até os seios que doíam de tesão. Ela o abraçava com carinho, já pronta para ser invadida pelo carinhoso e recém amigo.

Pincelava na entrada, simulando penetrações, escorregando o prepúcio na vulva peluda. Kate aproximou, segurou o mastro duro, chupou-o lubrificando-o todo, e conduziu a glande avermelhada na entrada da gruta rosada, que brilhava de umidade.

Ashley ajeitou o corpo, e sentiu a cabeça tentando invadir sua vagina, saindo um pouco e retornando arriscando entrar. Cada retorno, indicava que ele penetrava um pouco mais. A loira gemia de prazer, ofegando e transpirando com o prazer. Não sentiu o rompimento da membrana, e o desconforto da primeira vez foi substituído pelo deleite daquele momento mais os afagos que recebia de sua amiga. Cerrou os olhos e curtiu cada penetração na sua gruta virgem. Gemia e suspirava de tesão. Kate olhava a mancha de sangue no corpo do pau duro deslizando para dentro da amiga. Ashley paralisou seu corpo.

— Estou querendo gozaarr!! Rosnou sentindo um orgasmo incrível por um tempo que ela queria que nunca acabasse, e abraçada ao amante, sentiu as socadas mais fortes quando ele projetou o caldo na sua buceta, demonstrando ser um homem carinhoso e cuidadoso com o conforto e o carinho no ato com a sua amante.

Desabaram no chão sob muito beijos, carícias e abraços. Adormeceram ali por horas.

Ashley observava os amigos se afastando sumindo pelas curvas da estrada de acesso. Sentiu um vazio, talvez uma saudade, pois o dia foi totalmente de intensas entregas e paixões. Quisera ter a companhia dos dois, ou talvez só a Kate, ou somente Wille, para dormir com ela. Amou tudo o que aconteceu.

Segunda feira na expectativa, mas nenhum dos dois apareceram. Na terça, ansiosa com a saudade, alimentava pensamentos negativos e de possíveis abandonos, não esperando muito do amor dos dois. Estava apaixonada por eles.

Início da noite angustiada, ouviu baterem à porta, e os olhos emocionados viu que a sua espera não foi em vão. Kate a abraçou, e em silêncio, ficaram ali, curtindo o carinho.

— Como senti sua falta! Ashley soluçou.

— Eu também!

Adentraram e conversaram por horas sobre o acontecido e outras coisas. A amiga anunciou que Wille provavelmente passaria ali no dia seguinte. Kate ficou com ela naquela noite, adormeceram apenas abraçadas, ali mesmo no sofá, acalentando uma à outra.

Logo cedo Kate partiu, indo para o trabalho. O vazio novamente encheu seu coração. Padecia ainda de carências amorosas pois nunca tinha sentido tanto amor na sua vida. Teria somente alguns dias ali. Não estava obcecada por sexo. Deveras sentiria muita falta dos amigos.

No início da tarde, viu Wille aproximando. Quando abriu a porta, o forte abraço comunicava o afeto que os dois tinham um pelo outro. Inevitável desejo, logo já estavam nús e domados para mais um momento de muitas entregas. Fizeram amor até exaurir suas energias. À noite, após algumas horas de descanso, Wille se preparava para ir embora.

— Porque não fica aqui comigo hoje?

— Tenho pais muito rigorosos! Estão sempre me mapeando! Passar uma noite fora seria quase o fim do mundo!

— Sentirei sua falta!

— Eu faço caminhada diárias na praia! Só que é bem cedo! Saio de casa por volta das quatro da manhã! Não quer ir comigo?

— Claro que quero! Nos encontramos onde?

— Há um espaço de vivência bem em frente ao supermercado, mas é mais próximo da praia! Não tem erro!

Um abraço selou o reencontro naquela tarde.

— Até amanhã!

— Até!

Ashley pedalava até o local do encontro com Wille. Ruas deserta. Nenhum sinal de vida. Aguardou um pouco e logo ele chegou. Cumprimentaram com outro abraço e logo seguiram para a caminhada.

Fisicamente melhor, Ashley caminhava um pouco mais rápida, quase correndo.

— Venha! Vamos correr!

Wille se esforçou e logo corria por um tempo e depois caminhavam para recuperar o fôlego. Virou rotina.

O fim de semana chegou e os três novamente usufruíram da oportunidade e passaram quase o dia todo com intensos momentos de entregas.

— Esta próxima semana é a última que ficarei aqui! As férias terminaram! Preciso retornar para casa!

Era nítida a tristeza que bateu sobre o três. Se despediram quase em silêncio.

Ashley já estava a quase duas horas na sua corrida agora matinal. Sentou à praça, frente para o mar, descansando um pouco, pensando nos quantos dias que faltavam para retornar a sua vida cotidiana, pois temporariamente viveu e vive emoções antes nunca tido. Despreocupada com a alternativa inicial de uma fuga dos seus temores, vivenciou uma experiência de engrandecimento de sua maturidade como uma mulher, ainda em formação, e que por mais sutil que fosse, acostumaria com os medos que, retornando, não viriam à tona novamente. Sorriu, discretamente, aspirando o renovado ar litorâneo, enchendo seus pulmões de felicidade e esperança.

— Ei! Cumprimentou o rapaz ofegante, ao chegar alguns minutos depois dela.

— Oi, Tartaruga! Respondeu sorrindo.

— Tartaruga? Também já estava mais acostumada! Daqui alguns meses irá ver quem vai ficar para trás! Retrucou Wille.

— Não sei se dará tempo, meu amigo! Pensou sobre o suposto avanço da resistência física nas corridas do seu companheiro.

Foi um momento de sua vida de reconstrução, e que também foi aceita em uma universidade em Sacramento, sua morada.

Subiram nas suas bicicletas, e seguiam para suas casas.

Ashley aproximou da casa e logo reconheceu o carro dos seus pais adotivos. Largou a bicicleta e correu para um abraço em Damaris e Bruce.

— Que saudades de vocês! Disse já chorando de emoção.

Entraram ainda abraçados e logo Bruce exclamou.

— Meu Deus! O que você fez com a nossa casa????

— Fiz o quê???

— Nunca vi esta casa tão limpa e organizada!

— Pára com isso, Dad! Me assustou!

Riram muito da situação.

— Porque chegaram tão cedo?

— Viemos ontem! Teve algum problema na estrada cerca de uma hora daqui e ficamos horas aguardando! Resolvemos dormir num motel! Saímos ainda estava escuro! Ficamos preocupados quando não te vimos!

— Há alguns dias que estou indo correr na praia, de madrugada!

— Arrume sus coisas! Vamos retornar hoje ainda!

Ashley olhou para trás, com um aperto no coração, sentindo falta dos momentos especiais que passou ali.

No carro, observava distraída a paisagem, pensando que nem teve tempo de despedir de seus amigos.

Bruce parou em frente ao supermercado e ela buscava com os olhos se conseguia ver Kate ou Wille. Não conseguiu descer pois estava sendo bombardeada por Damaris com várias perguntas sobre a sua estadia.

— Como sou burra! Esqueci de passar o meu contato para eles! Pensava.

Três meses se passaram, e a única tristeza que Ashley sentia era a imensa saudade que tinha de Kate e Wille. Não era pela necessidade sexual, mas sim das pessoas que eles eram. Foram os pilares da sua mudança radical da forma de ver as coisas com mais maturidade na sua vida.

Naquele fim de tarde, retornava para casa, na paciência da velocidade do ônibus, que de alguma forma, estava mais lento que o normal. Encostou a cabeça no vidro da janela, olhando o movimento urbano, e como sempre, pensava em Kate, imaginando o que ela estaria fazendo naquele momento, e com certeza, Wille já estaria em casa, pressionado pelos pais.

Enfim, desceu do ônibus e caminhava lentamente em direção a sua casa. Assim que virou a esquina, seus olhos encharcaram de lágrimas, engasgou com os soluços de choro, e correu para os abraços a tanto aguardados. Ashley, Kate e Wille ficaram por vários minutos, ali na rua mesmo, trocando afagos que tanto vislumbraram. Os dois também a amavam.

12 de Fevereiro de 2021 às 19:00 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

Conheça o autor

Juan Diskay Imagino os segredos e desejos mais íntimos de um ser e alimento-os com histórias picantes.

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