alexisrodrigues Alexis Rodrigues

Duskwood é uma pacata cidadezinha interiorana onde nada nunca acontece. Desde que se mudara para lá, Hana não teve do que reclamar, trabalhando como professora de espanhol e português com a tranquilidade que não conseguiu em cidades grandes. Sua rotina é abalada quando sua amiga, sua xará Hannah, subitamente desaparece sem maiores explicações, no que ela recebe a mensagem de um estranho que pede por sua ajuda para encontrá-la. Conseguirão eles unir forças para resgatar Hannah antes que seja tarde demais?



Fanfiction Jogos Para maiores de 18 apenas.

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Capítulo 1

Mais uma aula se encerrava naquela manhã e eu já sentia minha cabeça latejar de dor e meus ombros estavam rígidos de tanto escrever no quadro. Me despedi de meus alunos conforme eles saíam e comecei a limpar o quadro branco, então percebi, pelo canto do olho, que nem todos tinham saído.

Escorado à porta da sala estava Hawkins, de braços cruzados enquanto me observava. Franzi o cenho sem tirar a atenção do que eu estava fazendo.

— Algum problema, Phil? — arqueei uma sobrancelha em desconfiança.

— Nenhum, só gostaria de saber se quer uma carona para casa.

— Seria bom — mordi o lábio inferior. — Mas tenho que terminar algumas coisas antes de ir, então vou demorar.

— Eu ajudo — ele começou a reorganizar as cadeiras em seus devidos lugares.

Eu nem tive tempo de recusar, como em todas as outras vezes. Não me incomodava de forma alguma, mas eu sabia que cada vez que ele fazia aquilo, cada carona que me dava, me aproximava de uma possível demissão. Phil podia se dar ao luxo de fazer o que bem entendesse, ele estava em casa e não se importava de ser visto com maus olhos.

Mas eu era uma estrangeira e não podia abusar da sorte naquela terra estranha.

— Vou te esperar no carro — ele sorriu e se afastou quando terminou a organização das mesas.

Eu estava dando o meu melhor para não me deixar encantar com aquele rostinho, mas estava cada vez mais difícil. Eu sabia da fama dele de galinha, Hannah não poupou detalhes do que sabia do histórico dele. Segundo ela, estava "devolvendo o favor", já que ele mesmo era um fofoqueiro, um dos maiores fofoqueiros da cidade.

Desde que me mudei para Duskwood, por convite da minha xará, as coisas pareciam melhores pra mim. Eu não me sentia sobrecarregada com o trabalho, e não precisava me deslocar por longas distâncias em uma cidade relativamente maior, como era Colville. Duskwood era menor e mais tranquila e eu podia ir trabalhar a pé.

Phil geralmente aparecia no meio do caminho e me oferecia uma carona. Inicialmente eu aceitava por educação, mas, no fim das contas, acabei me acostumando a conversar com ele naquele meio tempo entre meu apartamento e o cursinho. Era nesse meio tempo, também, que ele treinava seu espanhol e português comigo, e eu achava seu sotaque muito fofo.

Mas aquelas caronas eram mal vistas pelos meus empregadores e algumas chamadas de atenção foram feitas para mim, só que não formalmente.

Porque quando alguém se queixasse formalmente, com certeza ficaria desempregada.

Duskwood era pequena e parcialmente conservadora, e essa parte conservadora consistia na população mais velha da cidade. Phil não era visto com bons olhos pelos mais velhos por causa de suas tatuagens todas à vista, piercings, brincos, cabelo longo, e seu hábito de fumar. Eu também fumava, mas em casa, e com todas as janelas abertas para que o cheiro não ficasse impregnado no apartamento todo e nas minhas roupas.

E eu recebia olhares ainda mais tortos quando algum rosto conhecido me via saindo do Aurora no fim de semana. Os moradores locais provavelmente pensavam que ser professor era uma função de tempo integral e que professor não tinha vida privada, que precisava constantemente ser um exemplo, seguindo as morais deles.

O que me fazia refletir sobre o problema que Phil Hawkins representava pra mim naquela situação. Eu odiava que meu coração batesse mais rápido sempre que ele me olhava, mas eu era do tipo de pessoa que se apaixonava muito rápido e intensamente. A única coisa que me mantinha com os pés no chão era saber que eu provavelmente não era do tipo de mulher que ele gostava.

Eu era baixinha, gorda, de cabelo curto com as pontas desbotadas, e usava óculos quadrado. Fora do trabalho, eu me vestia como tomboy porque era o estilo que me deixava confortável com o meu corpo e eu tinha perdido as contas de quantas vezes me confundiram com um homem, mas não me incomodava. Sendo a única brasileira em Duskwood, eu era vista como "exótica", o que era uma merda, eu não era nenhum animal.

Eu o encontrei minutos depois no pequeno estacionamento à céu aberto. Ele estava apoiado em seu carro, com os óculos escuros no rosto.

— Pronta?

— Sim.

Entramos no carro e eu logo me senti nervosa, sempre segurando minha mochila azul para me manter de boa. Toda carona com ele era um evento especial pro coração e eu estava de saco cheio daquilo tudo. O problema era que a única forma de eu me "desapaixonar" por alguém era se eu me apaixonasse por outra pessoa, e aquilo não dava indícios de acontecer tão cedo, para minha infelicidade.

— Então, o que vai fazer mais tarde? — perguntou enquanto dava a partida.

Minhas mãos começaram a suar frio. Não era a primeira vez que ele fazia aquela pergunta, mas sempre que eu a ouvia eu ficava receosa.

— Além de planejar as aulas de amanhã? Nada. Por quê?

— Quer sair comigo depois?

Me lembrei de que aquele era o dia de folga dos funcionários do Aurora. Me fiz de desentendida, não queria me arriscar.

— Como assim, "sair"?

— Sair, tipo, num encontro.

Ali estava Phil, com o meu coração nas mãos, com grandes chances de aprontar com ele e me deixar aos pedaços.

— Olha… — suspirei profundamente. — Não é uma boa ideia. Você é meu aluno.

— Sou três anos mais velho que você.

— Não é a idade que é o problema nessa situação. Sou sua professora, isso seria antiético. Além do mais, minha chefe só precisa de um motivo qualquer para me demitir, já que ela não pode me despachar por outros motivos.

— Se eu saísse do cursinho, ainda seria um problema pra você?

Eu o fitei por um momento enquanto ele dirigia.

— Por que quer sair do curso?

— Porque não quero te causar problemas.

— Quer desistir do curso de espanhol só pra me levar pra sair? — perguntei confusa.

— Sim — ele me olhou sorrindo por um momento.

— Por que isso agora, do nada?

— Não é "do nada". Se não me falha a memória, te chamei pra sair outras três vezes.

É, de fato, e eu não levei a sério as outras tentativas. Sendo aquela a quarta tentativa, eu precisava perguntar:

— Qual é o valor da aposta?

— Aposta? — ele franziu o cenho.

— Quanto estão apostando com você pra me levar pra sair? — o encarei, me esforçando para continuar séria e não embargar minha voz. — Com quem está apostando?

— Eu não estou apostando nada com ninguém — ele se ofendeu.

— Hm — assenti, sem me convencer com sua resposta. Assim que ele parou em frente ao meu prédio, não perdi tempo. — Obrigada pela carona — coloquei a alça da minha mochila no ombro e saí.

— Hana, espera!

Não quis ouvir mais nada. Eu era ingênua? Era. Mas se tinha uma coisa que eu era muito mais, era desconfiada, e eu já tinha lido fanfics o suficiente na vida pra saber que um cara como aqueles não olharia pra alguém como eu a troco de nada. Phil Hawkins tinha fama de galinha e não me enganava nem um pouco com aquele convite. Eu não seria uma aposta.

26 de Novembro de 2021 às 09:59 2 Denunciar Insira Seguir história
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JR Jhenifer Ribeiro
Baixei o aplicativo só por causa dessa história. A introdução da personagem e seu modo de escrita são incríveis! Ganhou meu ❤️✨
May 07, 2021, 20:54

  • Alexis Rodrigues Alexis Rodrigues
    <3 <3 <3 <3 <3 muito obrigada <3 espero que goste do ink, aqui tem muitas histórias maravilhosas :3 May 08, 2021, 00:31
~

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