juanpablo Juan Diskay

Esta é uma história que narra o paralelo na vida de três mulheres distintas, três Marias, que em situações acidentais e um movimento celestial incrível, conheceram um homem, José (Rigel), um ser humano discreto, envolvente e carismático que de alguma forma procurava um amor para sua equilibrar sua inconstante e intensa vida profissional, criando ligações profundas e expondo as indigências de cada uma delas e de uma forma única, íntima e apaixonante.


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MARIA EUGÊNIA – UMA FLOR NO SERTÃO

Os olhos sonolentos tentavam abrir após mais de 40 horas de viagem de ônibus do interior do Ceará até o seu destino naquela grande cidade no Sudeste. Percebia que a excursão já estava no final pois a luz discreta do crepúsculo destacava a paisagem urbana e o grande movimento dos transeuntes apressados, talvez tentando ir para mais um dia de trabalho.

O anseio acelerou as batidas de seu coração, levando-a à casa de seus pais, sabendo da preocupação e aflições ao saberem que a primogênita, a dois dias não lhe dava notícias, resultado de uma fuga maluca para um encontro com o seu grande amor.

— Será que fiz o certo? Pensou ao recalcular os seus movimentos e seu planejamento para encarar esta longa viagem.

— Jamais permitiriam que eu viesse! Sussurrou.

Desceu do ônibus e segurando sua pequena mala, varreu com os olhos o grande ambiente da rodoviária, procurando a saída mais próxima e com grande excitação de ligar para o seu amado ir buscá-la.

Tinha a sensação que todos olhavam para ela, alguns condenando, outros admirando. O amado não sabia da sua chegada na cidade. Ela buscava na bolsa o número do telefone para comunicar a surpresa.

Sem rumo, parada em frente ao embarque dos táxis, e diversas vezes abordada por vários deles, agradecia e continuava a ligar para um número que não atendia e informava que o número estava fora de área ou desligado.

A inevitável angústia a abraçou, e sem transparecer seu nervosismo, tentava seguidamente o contato. Seu dinheiro foi a conta da regrada e longa viagem. Sentada em um banco, suspirou fundo e sentiu uma solidão e um sofrimento profundo ao ponto de quase querer chorar.

Cabisbaixa, ergueu os olhos tentando achar uma solução, percebeu do outro lado da pista de acesso, a silhueta de um homem esguio que a observava incessantemente. Tentava desviar o olhar, mas não conseguia. Seu coração acelerou ao vê-lo aproximar.

— Olá! Bom dia! Ressoou a voz firme e educada do estranho.

— Oi! Bom dia! Respondeu desviando o olhar.

— Me perdoe o incômodo! Está precisando de alguma ajuda?

— Não! Obrigada! Estou aguardando me buscarem!

— Então tá! Com licença!

O estranho afastou e logo depois o viu atravessando a rua, com outras duas pessoas. O acompanhou entrando em um carro e logo sumiu das suas vistas, se dissolvendo no intenso trânsito.

Desviou novamente o pensamento para o que deveria ser um momento de felicidade que se tornava uma aflição e grande tristeza. Resolveu entrar no frenético ambiente de chegadas e partidas, e aconchegou num espaço de espera. Pessoas chegavam e saíam alheios a sua presença ou existência. A manhã passou quase num piscar de olhos. Outras dezenas de tentativas de ligar foram feitas. Sempre a mesma resposta. Refletiu novamente tudo o que aconteceu até chegar aquele momento.

O sol escaldante do interior de Ceará, no pequeno município de Catunda, cerca de 250 quilômetros de Fortaleza, predominava a maioria dos dias no decorrer da vida difícil e sofrida dos sertanejos na região. A vizinhança era distante. Maria Eugênia nasceu de uma família muito simples e com poucos confortos modernos. Os pais lutaram para educá-la onde diariamente a levava como os outros seis irmãos para Santa Quitéria, tentando dar um futuro digno para a prole. Não foi em vão. Todos se dedicaram e tornaram pessoas educadas e com alguma profissão, situação rara naquela região a não ser que fossem morar na capital, onde os recursos e acessos são melhores.

Se tornou professora e circulava a região alfabetizando as crianças e algumas vezes até os pais das mesmas. Ficou conhecida na região e sua beleza singela e única, chamava bastante a atenção dos regionais, sendo que nenhum foi alvo de seu interesse.

Mas a força do destino fez cruzar no seu caminho um simpático rapaz chamado Getúlio, cria da região, mas que morava no Rio de Janeiro desde os quinze anos e visitava os parentes duas a três vezes por ano.

Paixão arrebatadora os uniu em encontros às escondidas, até apresentá-lo aos seus pais, reprimidamente aceito, com as ressalvas do ciúme maternal.

Único amor. Único homem. Se entregou aos caprichos da experiência daquele rapaz urbano e cedeu facilmente a sua inocência, imaginando a festa de casamento que planejavam para um futuro próximo. As idas e vindas do amado a tornara uma pessoa diferente e feliz. Era nítido nas suas expressões a paixão que tinha no coração.

Por quatro anos seguiu esta convivência, recusando vários convites para morar com ele no Sudeste do país, apertada com a saudade que a distância proporcionaria.

Há um ano, Getúlio não apareceu na frequência que era esperada. Maria Eugênia nem recebia respostas das apaixonadas cartas que enviava quase diariamente.

Procurou os parentes e teve a notícia de que haviam mudado para outro estado e já não tinha outras referências. A tristeza abateu sobre aquela bela moça simples e dedicada. Começou a faltar nos seus afazeres de professora e naturalmente se isolou, mantendo um silêncio até com seus pais. Fazia o necessário. Milhares de coisas passou pela sua confusa cabeça.

Quatro meses atrás, uma poeira incomum destacava no cerrado, podendo ouvir a quilômetros o barulho do motor do carro que aproximava. A curiosidade levou todos daquela pequena casa para área externa que misturava com os animais domésticos e pequenas hortas de legumes e frutas.

Um grito a muito contido foi expressado dos lábios de Maria Eugênia ao ver seu quase perdido amor saindo do veículo, correndo para o acreditado abraço. O choro inevitável tomou conta de todos.

— Sabia que ele retornaria! Um amor deste nunca acaba! Refletiu o pai carrancudo e feliz.

Depois de várias explicações, Getúlio disse que o objetivo de estar ali seria para buscá-la.

— Irei sim, mas com o consentimento dos meus pais!

Depois de algumas horas, observavam a camionete desaparecer no meio da intensa poeira.

Com a mão encostada na testa, e os olhos espremidos por causa da claridade solar, Maria Eugênia observou o veículo desaparecer, sob a condição de refletir sobre a sua ida para a capital. Getúlio prometeu retornar no dia seguinte para conhecer a decisão.

Ela olhou para os deprimidos pais, sorriu e esperou a decisão e os conselhos para sua futura vida. Entendia que já tinha idade para tomar suas próprias decisões, mas o respeito e o carinho pelos pais não a permitiam.

Decididos pelo sim, ela pensativa e feliz arrumava as suas escassas roupas numa pequena mala, e em pequenas crises, chorava pelo afastamento abrupto.

Na manhã seguinte, se arrumou e ficou na espera do seu amor buscá-la. Desistiu por várias vezes e depois retomava sua coragem, sabendo que lá, poderia proporcionar uma vida melhor para sua ascendência aqui no sertão.

O dia passava numa lentidão incomum, e no final da tarde, a angústia tomava conta de Maria Eugênia, que esperava ansiosa a chegada de Getúlio.

Sua mãe acordou de madrugada e viu sua triste filha sentada no banco do lado de fora, ainda aguardando o milagre.

— Venha, minha filha! Entre e descanse! Deve ter acontecido algum imprevisto!

Deitou, mas não conseguiu dormir. Continuou deitada durante dois dias. Adoeceu de paixão. Mais três dias de cama numa febre interminável. Mal alimentou. Resolveu seguir em frente, pois seu sofrimento e decepção estavam sendo repassados para sua mãe e seu pai.

Continuou sua vida, mas como uma mulher diferente. Não acreditava em mais nada e ninguém. Guardou no seu coração aquele amor inesquecível e tentava entender o porquê da impossibilidade daquele amor acontecer.

Mas a paixão a corroía e planejou, ao seu tempo, buscar aquilo que ela não queria perder. Juntou o máximo para se aventurar em procurar aquela paixão que achava que não tinha perdido.

— Não acredito que ele não me ame! Pensava diariamente.

Numa manhã comum, despediu dos pais que não perceberam que ela saiu com a pequena mala, e que estava com uma determinação sem volta de encontrar seu grande amor.

Conseguiu chegar até Fortaleza e entrou no ônibus para uma longa viagem.

Era quase meio-dia e Maria Eugênia juntava as últimas reservas para comer alguma coisa.

Após um rápido lanche, passeou pela rodoviária, tentando desparecer sua agonia. A tarde era engolida pela ansiedade da singela moça que desistiu de tentar falar com Getúlio e começar a preocupar onde ficaria naquela noite e como conseguiria recursos para sua fome e sede.

A noite abraçou a cidade, o movimento do pico de retorno estressava o ambiente. Ela ficou sentada, completamente desanimada, imaginado como faria para resolver seus problemas. Tentou mais uma vez falar com Getúlio e mais uma vez não conseguiu. Nunca sentiu tanta vontade de chorar. Arrependimento, angústia, tristeza, emoção. Tudo tomou conta.

— Boa noite!

Ela olhou assustada para o lado e reconheceu o rapaz que a abordou de manhã. Quis reprimir, mas a educação e simpatia daquele homem a fez recuar.

— Boa noite!

— Posso sentar?

— Sim!

— Me perdoe novamente! A vi de manhã, não sei se você lembra!

— Sim. Me lembro!

— Não quero ser intransigente, mas a vi de manhã, no horário de almoço tornei a vê-la aqui e agora que estava indo para minha casa, tornei a vê-la! Pode parecer comum para os outros, mas achei estranho! Acho, por mais que não confie, que está precisando, e muito, de ajuda!

— Obrigada pela preocupação, mas estou bem!

— Tudo bem!

O rapaz ficou alguns minutos ao lado e Maria Eugênia não conseguiu segurar e desabou num choro incontido.

Ele aproximou e tentou segurar a mão dela.

— José Antônio!

— O quê?

— José Antônio! Meu nome! Disse mostrando um documento a ela.

— Maria Eugênia! Soluçou.

— Prazer, Maria Eugênia!

— Porquê?

— Por que o quê?

— Você aproximou....

— De manhã destacou à minhas vistas! Aproximei porque percebi que ansiava por uma resposta de insistentes ligações e meu instinto foi automático para ver se precisava de algo! Quando fui almoçar a vi novamente! Quando retornei do almoço, tornei a vê-la! Passei a tarde intrigado! Agora retornando do trabalho, a vi de novo! Não pude evitar! Uma moça bonita como você não fica assim o dia inteiro na rodoviária! E também é muito perigoso! E por mais que diga que está tudo bem, não está!

— Obrigada! Estou mesmo com um pequeno problema!

— Se quiser pode ir ali no Posto Policial e verificar que sou uma pessoa do bem!

— Não precisa! É nítida sua índole!

— Quer ir jantar comigo? Depois pode seguir o seu destino!

Maria Eugênia ficou vários minutos em silêncio, pensando e refletindo sobre aquele momento. Olhou nos olhos de José Antônio e percebeu que de alguma forma, algo ou alguém atendeu suas orações. Nada poderia ser pior se ficasse ali sozinha e sem ter como achar uma saída. Sem dinheiro, com fome e louca por um banho, precisava achar uma forma de descansar.

— Tudo bem! Obrigada!

José Antônio a levou para um restaurante e conforme a confiança entre os dois foi incorporando, desabafou tudo o que tinha acontecido. Ficaram horas conversando.

— Tenho duas alternativas para você! Uma seria levá-la e deixá-la em um hotel, mas amanhã seria outro dia difícil, principalmente por estar sozinha nesta cidade e eu ficaria muito preocupado! Outra é que moro num apartamento de dois quartos, um condomínio totalmente familiar, e você descansa, fica o dia lá descansando enquanto vou ao meu trabalho e mais tarde podemos tentar localizar o rapaz que procura! Insisto dizer que sou do bem e não tenho a menor intensão de prejudicá-la!

— Eu sei!

Ela novamente começou a chorar, mas as lágrimas já não eram de sofrimento. Eram de alívio. Sentiu que José Antônio tem a melhor das intenções. Nada, naquele momento seria melhor.

— Então?

— Vou com você!

— Está tudo bem para você?

— Está! Está tudo bem! E sua esposa? Não vai achar ruim?

— Se eu fosse casado, a minha “esposa” já teria me ligado umas duzentas vezes! Risos.

— Não vou atrapalhar?

— Não preocupe com isto! Vai ficar bem!

O carro aproximou de um conjunto de edifícios e José Antônio informou sobre Maria Eugênia e que ficaria no seu apartamento.

— Cadastrei você para a sua segurança!

Ficou admirada com a estranha estrutura, sendo que nem elevador haveria um dia usado.

Assim que entraram, um grito alertou a atitude de José Antônio.

— Por favor! Segura para mim!

A loira que morava no mesmo andar que ele, entrou apressada, com várias sacolas e embrulhos.

— Obrigada! Agradeceu percebendo que o seu andar já estava marcado.

Maria Eugênia ficou envergonhada com a presença da bela mulher, que tratou com indiferença a presença dos dois.

José Antônio ajudou a loira com a sacolas e apresentou o apartamento para Maria Eugênia, que ficou fascinada com a estrutura do pequeno ambiente, sentindo um pouco de medo e curiosidade.

— Quero que fique à vontade! Nas próximas horas esta casa também é sua!

Ele trouxe toalhas e a deixou no seu quarto, a suíte. Mostrou como tudo funcionava e saiu deixando-a à vontade.

Um banho de quase uma hora foi concluído e ela com poucas peças de troca, recebeu dele um pijama e a deitou. Fez um carinho no úmido cabelo, e ela o olhou emocionada.

— Obrigada! Fechou os olhos e adormeceu profundamente ao perceber que apesar dos dias mais difíceis da sua vida, ainda conseguiu superar e que a escolha de seguir José Antônio foi a melhor naquele momento.

Acordou cedo e ouviu o movimento na cozinha.

— Bom dia! Pensei estar sonhando!

— Bom dia, Maria Eugênia! Sente-se! Vamos tomar café!

— Acho que estou incomodando!

— Absolutamente! Incômodo algum!

— Você é um anjo?

— Se fosse não diria! Sou José Antônio!

— O que fez e está fazendo por mim é estranho!

— Jamais questiono, por pior ou melhor que seja, o que o destino me proporciona!

— O meu é bem esquisito! Tomei decisões erradas!

— Não. Tomou a decisão certa! Se você não tivesse tomado as suas decisões e cumprindo-as, jamais te conheceria! Desta forma, este também é o meu destino!

— Mas continua tudo estranho!

Após o desjejum, deixou o contato caso ela precisasse de alguma coisa. Passou o nome e o endereço para ele, que tentaria localizar Getúlio. Despediu com um beijo na testa e desapareceu detrás da porta, sob o olhar admirado de Maria Eugênia.

Voltou a deitar e seguiu o dia tentando adaptar naquele pequeno ambiente.

No meio do dia, ele apareceu para almoçar e logo retornou ao trabalho, informando que um amigo estava tentando localizar o paradeiro de Getúlio, conforme o endereço das cartas que recebia.

A tarde passou lenta e sonolenta para a sertaneja. Por várias vezes cochilou com o cansaço do stress dos últimos acontecimentos. Pensava e repensava em tudo que havia incidido nas últimas horas e a grande sorte de achar uma pessoa como José Antônio. Sentiu uma saudade imensa dos pais e da vida simples que sempre teve. Achava que não conseguiria viver neste mundo de correria e afobação das grandes cidades. Pensava porque Getúlio a havia abandonado.

— Será que ainda me ama? Sonhava.

A porta da sala abriu e José entrou sorrindo, demonstrando felicidade ao vê-la. Compartilharam os acontecimentos do dia.

— Apronte-se! Vamos passear um pouco! Disse à tímida moça, que retraiu ao pensar que não possuía uma roupa ideal para sair.

— Vamos deixar para amanhã! Estou um pouco cansada!

— Negativo! Vamos hoje! Vamos ao um shopping! Assim você fica mais à vontade!

— É... é que não tenho uma roupa adequada....

— Então vamos lá comprar uma! Deixe me ver...

Espalhou as poucas peças e ele a ajudou a escolher. Alguns minutos depois apareceu moldada em vestido um pouco acima dos joelhos, apertado no seu lindo corpo, expondo seus pés em uma sandália artesanal. A simplicidade daquela moça a deixava bela e singela, mesmo sem um toque de maquiagem ou adornos. Os olhos amendoados e os cabelos negros não lembravam em nada de uma mulher nordestina de origem de extrema humildade, nascida e criada no sertão. A natureza tratou de cuidar daquele ser, transformando-a.

— Puxa!!!!!!

— O que foi?

— Como você é bonita!

— Fala isso porque estou aqui!

— Jamais falaria de você às escondidas! Mesmo conhecendo-a tão pouco! E deixe de ser modesta! É mesmo uma mulher muito bonita!

— Obrigada! Não entendo porque é tão bom para mim!

— Sou assim! E você realmente, naquele primeiro momento que a vi, estranhamente senti que nós aproximaríamos!

— Não sei como agradecer!

— Não precisa! Agora levante este olhar, coloque um sorriso e vamos passear!

Maria Eugênia aproximou, fez um carinho e deu-lhe um beijo no rosto. Retribuiu com um abraço afetuoso, deixando-a segura. Mais uma inevitável lágrima percorreu o rosto dela.

O grande movimento das pessoas, correria de crianças, vendedores afoitos assustaram um pouco a moça do interior. Demorou acostumar com tanta gente e milhares de coisas bonitas e coloridas expostas para venda.

José entrou em uma loja exclusiva de roupas femininas, cochichou com a vendedora e chamou Maria.

— Esta é Fernanda! Vai te ajudar a escolher algumas roupas para você!

Maria puxou José Antônio.

— Eu não tenho dinheiro para comprar roupas!

— Não se preocupe! Apenas escolha!

Maria saiu da presença de José, guiada por Fernanda.

José sentou num canto e às vezes via Maria experimentando várias roupas. Difícil saber com qual ficava mais bela. Depois de quase duas horas, Maria aproximou, com um raro sorriso no rosto.

­— É muito difícil escolher! Falei com a Fernanda que depois passaria aqui novamente!

— Tudo bem! Vamos?

— Vamos!

José olhou para trás e piscou para Fernanda que retribuiu o carinho, sorrindo. O casal desapareceu na multidão.

Depois de mais algum tempo, José entrou em uma loja de artigos para viagens. Foi abordado por uma bela e simpática vendedora, que atendeu a solicitação dele, mostrando algumas malas e bolsas. Maria Eugênia alheia às negociações, apreciava outros produtos. Distraiu com tudo e quando voltou à realidade, José já aproximava com uma mala nas mãos. Percebeu o explícito flerte entre ele e a vendedora que enrubesceu com algum gesto do carismático do rapaz.

— Vai viajar?

— Não! Comprei para você! Um presente! Sua mala é pequena demais!

— Você não tem jeito! Tem vinte e quatro horas que te conheço e não sei por qual motivo está tentando fazer o máximo por mim! Obrigada!

— É por nada, moça!

O sorriso de Maria Eugênia ainda era triste. Milhares de coisas continuavam ocupando seus atribulados pensamentos.

— Estou querendo fazer uma coisa, mas preciso que queira! Quero dizer que tudo isto é de coração! Não há outro interesse neste momento a não ser vê-la bem!

— Não sei se devo! Não quero causar nenhum transtorno ou desconforto para você!

— Olhe para mim! Não tenho muitos amigos! Minha família mora mais ao sul do país! Vivo da dedicação ao meu trabalho! Gosto muito do que faço! Viajo a trabalho quase o ano todo para algum lugar! Não sou e nem fui casado, não tenho namorada, não tenho interesse em me firmar com alguém e nem tenho tempo para isto. Quando encontro uma pessoa como você, entendo tudo que fez, os sacrifícios da sua vida pessoal, da sua vida profissional, percebo que estou em trajeto na vida que por mais que eu faça, sempre terá outras pessoas que fazem mais por si! Estive pensando durante o dia de como você é corajosa e persistente!

— Porque, José?

— Os limites de seus recursos, as poucas opções e ainda assim, teve a coragem de correr atrás do seu sonho, colocando a sua própria vida em risco! São valores diferentes de uma mala que lhe dou de presente, meu esforço para deixa-la mais tranquila, segura e feliz! Nada disso supera o valor da nossa própria vida!

— É um homem muito bom! Não imagina o valor humano que tem! É fácil perceber que transforma a vida das pessoas que aproxima de você! Vi como as vendedoras ficaram felizes com você! É um ser humano especial! Por isso agradeço à Deus por estar aqui, hoje, ao meu lado me protegendo e cedendo tanto carinho!

— Vamos parar senão não vamos aguentar!

Pela primeira vez, José viu um sorriso sincero e afortunado na expressão daquela bela moça.

— Então? O que estaria querendo fazer também por mim?

— Não consegui evitar de perceber que tem poucas roupas íntimas! Quero que entre em uma loja e escolha algumas peças!

— Está bem! Quero sim!

— Ótimo! Venha!

A deixou na loja de peças íntimas, pedindo que só saísse quando ele retornasse pois iria ao banheiro. Evidente que conversou com a vendedora e deixou-as à vontade.

Maria Eugênia escolheu algumas peças a seu gosto e outras pela indicação da vendedora.

­— Vai ficar muito caro tudo isso!

­— Não se preocupe! Seu namorado deixou liberado!

— Ele não é... Tudo bem!

Ele reapareceu e juntou a elas.

— Já escolheu?

— Sim! Estou envergonhada! Cochichou.

José sorriu. Pagou a conta e despediu da vendedora, agradecendo. Maria carregava orgulhosa suas sacolas de compras. Depois de lancharem, retornaram para casa.

Ao entrarem no elevador, a mesma loira do dia anterior fez companhia a eles, com um gesto sinalizando a coincidência.

Quando chegaram no andar, a loira saiu alheia à presença dos dois.

— Mal-educada!

— O que? Quem?

— A moça! Nem boa noite ela deu!

— Não se importe com isso! Deve ter seus motivos! Talvez esteja com algum problema, que não é nosso!

Entraram e quando Maria abriu a mala, lá estavam a roupas que escolheu na primeira loja que passaram. Ainda tinha um pijama e um roupão.

— Nossa, José Antônio! Não devia fazer isto!

— Já fiz! Tudo agora é seu!

— Obrigada! Obrigada mesmo! Não sei como agradecer! Adoro tudo que está fazendo por mim!

Feliz, abraçou e despediu dela, indo para o seu quarto.

Maria ficou horas olhando e experimentando as roupas. Adormeceu sobre elas.

Quando acordou, percebeu que José já havia saído, deixando o café pronto na mesa. Um bilhete saudava o dia e que estaria de volta para almoçar.

Era tantas coisas boas que fazia por ela, que por um bom tempo tinha até esquecido o motivo da sua insólita viagem.

Após o café e um bom banho, arrumou seus presentes e deitou no sofá, sentido uma pessoa diferente e transformada por um estranho que a acolheu. Sorriu. Fez questão de preparar o almoço e aguardava a chegada do amigo. Logo a porta abriu e foi inevitável expressar a felicidade ao vê-lo. Um abraço longo e apertado sinalizou a aproximação e carinhos entre os dois. Conversaram algo e logo ele deu uma notícia.

— Maria! Conseguimos localizar Getúlio! Não mora mais no endereço das cartas! A situação é delicada e gostaria da saber se realmente quer ir vê-lo?

— Delicada? Como assim?

— Ele tem uma vida aqui! É obvio que não espera você aparecer, assim, de repente! Pode ser ruim para os dois!

— Como pode ser ruim ele encontrar comigo? Como pode ser ruim ele me ver?

— Como eu disse, ele tem uma vida aqui! Não está te aguardando!

Olhou para José e entrou em um pranto incontido. Tinha vários motivos. Um deles era perder a amizade de José. Outro motivo era Getúlio não ser mais aquele rapaz que conheceu e amou um dia. Levantou e foi para o quarto, deitando, chorando, pensando outras milhares de coisas.

— Vou retornar ao trabalho agora! Disse José, sentando ao lado dela. — Reflita se quer mesmo ir vê-lo! A noite nos vemos! Me desculpe!

Levantou o olhar acompanhando José fechando a porta.

Voltou no mesmo instante aos pensamentos de como seria ver Getúlio novamente.

Maria Eugênia estava nervosa dentro do carro. O silêncio era dominante. José guiava calmamente para um bairro na periferia da cidade. Ela não conseguia controlar sua emoção. Chorava baixinho e orava pedindo discernimento nas suas atitudes. Às vezes pensava esbofetear Getúlio. Às vezes pensava abraça-lo e beijá-lo pela saudade. Minutos intermináveis. Caminhos estranhos como a sua própria vida. Nunca imaginou estar ali, naquele momento, inverso a tudo que havia pensado acontecer.

José parou o carro em uma rua, onde as casas apresentavam moradores de condições mais abastadas. Se virou para Maria.

— Maria! Olhe para mim!

Lentamente conseguiu ver os olhos lacrimejados de um homem dedicado e carinhoso, um ser do bem.

— Ele mora em uma das casas aqui! Não direi ainda! Mas quero que me ouça! Vai me ouvir?

— Sim! Respondeu balançando a cabeça, engasgada de emoção.

— Getúlio tem uma empresa próspera, que gera vários empregos e muitas vidas depende dele! Principalmente a vida da família dele!

— A família dele veio morar com ele?

— Claro! A família tem e deve morar com ele!

— Será como está a mãe dele? Ela gostava muito de mim! Acho que vai dar tudo certo!

— A sua esperança é bem quista! Mas a mãe dele não mora aqui! Nem a mãe, nem o pai e nem seus irmãos!

— Não entendo! Como ele pode estar morando com a família se a família não mora com ele?

— Não será fácil para mim dizer e nem será fácil para você ouvir! Getúlio é casado e tem dois filhos!

— Como assim? Casado? É claro que não! Ele me amava muito! Não tinha como ter outra pessoa na sua vida! Com certeza este Getúlio que você localizou não é o mesmo Getúlio que conheci! Não é possível!

José abriu um envelope e mostrou várias fotos. Maria cessou seu pranto, folheou as fotos, repassando várias vezes, por vários minutos.

— É este o Getúlio que procura?

Não respondeu e continuou a folhear as fotos várias vezes.

— Porque ele fez isto comigo?

— Não sei! Quer perguntar a ele? Está próximo daqui! Posso chamá-lo e pergunte a ele!

Maria olhou para José com um semblante de quem queria respostas e explicações. Tornou a ver as fotos e voltou o olhar para José.

— Sim! Quero perguntar a ele!

— Promete que não vai fazer alguma besteira?

— Por você, eu prometo!

— Aguarde aqui!

José saiu do carro, atravessou a rua, e chegando a uma casa de muro alto, tocando o interfone.

Maria tentava evitar olhar, mas estava hipnotizada com a situação.

Alguns segundos depois, seu coração disparou quando a sua procura estava chegando ao fim. Getúlio apareceu no portão, conversou um pouco com José e retornou para dentro. José olhou para o carro verificando a atitude de Maria. Mais alguns segundos, Getúlio reapareceu, e acompanhando José, aproximou do carro. Maria perdia o fôlego. Seu coração estava quase explodindo. Seu corpo doía. Eles pararam próximo ao carro. José aproximou e tirou Maria do carro. Getúlio tapou a boca, admirado com o que via. Maria caminhou até ele, o olhou de cima abaixo, olhou nos olhos, segurou a sua mão, fez um carinho no rosto.

— Por que, Getúlio?

— Sinto muito!

— Sente muito? Sente muito? Sente o que?

— Amei você!

— Também acreditei neste amor! Muito mais que possa imaginar! Mas vou deixá-lo em paz! Quero vê-lo nunca mais! Acabou com a vida de uma pessoa neste momento, mesmo sem matá-la! Poderia acabar com a sua também, agora! Mas não sou como você!

— Deixe-me explicar!

— Explicar o quê? Seu crédito comigo acabou! Tudo que disser, jamais acreditarei! Vá lá! Olhe lá! Sua esposa está lá no portão te esperando! Vá! Suma da minha frente! Suma da minha vida!

José puxou Getúlio, conversou algo com ele e em alguns minutos retornou ao carro, já ocupado por Maria. Olhou no retrovisor e não o viu mais. Já havia entrado.

José dirigiu por vários minutos. Chegou até a praia, abraçou Maria e a conduziu até a orla, sentando em um muro. Não disseram uma palavra por horas. Ficou ali ao lado dela, até decidirem ir embora. Em nenhum momento ela chorou ou reclamou. Ficou meditando sobre tudo. Olhou para o solidário José, que distraía com alguns bichinhos na areia.

— José!

Correu até ela.

— Oi?

— Vamos?

— Quer ir mesmo?

— Quero! Preciso descansar!

— Certo! Então vamos!

O silêncio continuava até chegarem em casa. A coincidência de encontrar com a vizinha loira aconteceu novamente, proporcionando sorrisos em todos.

Conversaram um pouco e foram dormir. José abriu lentamente a porta para ver como Maria Eugênia estava. Parecia tranquila. O percebeu observando-a. Durante a noite, virou para um lado, virou para o outro, a cabeça borbulhando pensamentos e reflexões. Queria gritar. Levantou, tomou um copo com água, voltou a deitar. Continuava inquieta. Levantou novamente e bateu à porta do quarto de José.

— O que foi? Aconteceu alguma coisa?

— Não! Queria saber se deixa eu ficar aqui!

— O tempo que lhe for necessário!

— Não! Não é isso! Se posso dormir aqui com você!

— Aqui? Comigo? Quer mesmo?

— Sim! Quero! Eu preciso! Preciso muito de você!

José a segurou pela mão e a deitou, aconchegando ao seu lado. A angústia engasgada no peito, fez Maria chorar por vários minutos sobre os afagos de José.

— Fique calma! Está tudo bem! Sussurrava.

O abraçou, enquanto recebia os carinhos rosto e nos cabelos. Os afagos aproximaram os rostos e os olhares fixos foram interrompidos com um beijo longo e suave. Como tudo naquele momento de sua vida, foi o melhor beijo que dera, e os corpos numa sensação inevitável, se esfregaram acompanhando os contínuos beijos. Deitou no peito dele, sentindo seus seios espremendo as costelas, percebendo o volume da excitação do amigo, ouvindo seu disparado coração, e notando as mãos deslizando nas suas costas e nos seus belos cabelos. Sentiu uma vontade de fazer amor, mas o cansaço físico e mental predominaram e adormeceu ali mesmo, com o coração agora aliviado.

Eram nove horas da manhã quando acordou. A mensagem de bom dia e textos carinhosos escritos no pedaço de papel a fez sorrir. Parecia estar flutuando, mas entendeu que era um alívio das imensas preocupações que tinha descarregados nas soluções, e corria na sua alma a inquietação com os pais e de como seria sua vida dali para frente. Já não sentia mais a falta de Getúlio. Pensou em José e de como seria se apaixonasse por ele. De alguma forma, naquele pequeno espaço de tempo, conseguiu gostar e muito dele. Nunca esteve tão segura e aliviada.

Pontualmente ele chegou para almoçar, recebendo um merecido abraço da nova amiga. Conversaram sobre quase tudo nos poucos minutos que estiveram juntos. Na saída, uma atitude atrevida dela, o beijou como se fosse uma namorada. Satisfeito saiu para o retorno ao trabalho.

Quando chegou no início da noite, a convidou novamente para sair. O dia seguinte seria o fim de semana, e poderiam ficar até mais tarde no passeio. A levou à praia novamente, andavam, corriam e brincavam como dois velhos amigos.

O telefone dele tocou. Ele afastou um pouco sob o olhar curioso e ciumento de Maria. Retornou dizendo que a ligação era para ela.

— Para mim?

— Sim! Para você!

— Quem é?

— Atenda e saberá!

Maria pegou o telefone, e logo começou a falar embolando a voz com o choro emocionado. José conseguia ouvir as bênçãos e declarações de amor, comovendo com o pranto da moça. Conseguiu um contato em Santa Quitéria, que levou um telefone celular até a casa dos pais de Maria Eugênia.

Muito tempo depois, Maria apareceu entregando o aparelho a José. Olhou ternamente para ele.

— O que mais está fazendo para acabar comigo?

— Acredito que estou fazendo o melhor!

— Está proporcionando mudanças profundas na minha vida! Tenho medo de me apaixonar por você!

— Não sou um bom homem para uma pessoa como você! Tem uma vida longe daqui! A minha é oposta! É uma pessoa muito linda e tem uma família mais linda ainda! Se quer me ver feliz com você, e não sei o que faço para evitar isto, o melhor agora seria estar com eles! Mas creia que a sua amizade eu jamais perderia! Estarei sempre por perto! E com certeza, não seria o homem ideal para você! Merece muito mais!

— É muito rígido consigo mesmo! E é realmente um homem diferente! Concordo que é melhor assim! Mas não vá me esquecer!

— Não tenho como!

— Ajeitou tudo, em silêncio e colocou minha vida no eixo novamente!

— Só fiz o que me permitiu fazer!

— Estou muito feliz agora! Agradeço mesmo por tudo!

— Por nada, Maria Eugênia!

Aproximou e lhe deu um longo e apaixonado beijo.

— Me leva embora!

Retornaram para casa, ansiosos pela expectativa do que estava para acontecer. Era recíproco as vontades.

A loira estava lá no elevador, novamente, participando do destino dos dois amigos.

— Esta sua vizinha parece que marca horário com a gente!

— É mesmo estranho!

Ela tomou um demorado banho, colocou o pijama e deitou de lado, com os olhos abertos, ofegava uma ansiedade, com medo de que alguma coisa desse errado.

Ouviu a porta abrir, o colchão movimentou com a presença de José. Sentiu as mãos deslizando no seu braço e nos seus cabelos. Os corações disparados exigiam o ar necessário para manter os corpos em estado normal. Ela sentia como se fosse a primeira vez. Pouco conhecia das coisas íntimas a não ser os breves e deliciosos momentos com Getúlio. Nunca ficou totalmente nua na frente de alguém. Tinha medo de falhar e não sentir o que sentia. Deixaria José controlar tudo. Sabia no seu âmago que seria bom com ela.

— Está tudo bem? Cochichou.

— Está! Estou ótima! Sussurrou.

— Quer fazer amor comigo?

— Quero! Quero muito!

Ao virar recebeu um demorado beijo, sentindo pela primeira vez mãos deslizando e acariciando seus firmes seios. Uma nova sensação foi descoberta. Nunca imaginou alguém tocá-la assim. Os carinhos contínuos motivaram-no a tirar sua camisa e seu short de dormir. Envergonhada, podia sentir o volume da ereção de seu amado que encostava nas suas coxas com os movimentos incontroláveis dos corpos. Segurou e conduziu a mão fazendo-a segurar seu rijo membro, ensinando-a a mover para cima e para baixo apertando o prepúcio, como uma pequena masturbação. Paralisou ao perceber que a mão dele deslizou no ventre e embutiu dentro de sua calcinha, acariciando a vulva peluda, chegando suavemente no clitóris que ela nem conhecia. Não conseguiu beijar mais, onde, com os olhos fechados, sentia uma deliciosa sensação com os carinhos. Seu corpo exalava adrenalina quando ele acariciou os pequenos lábios, e introduziu o dedo na gruta supostamente intacta, lambuzando-o com a umidade intensa expelida na vontade de ser penetrada. Maria entrou em um mundo completamente desconhecido. José controlava tudo, tentando dá-lhe o máximo de prazer. Parecia a primeira vez de uma noiva em uma lua de mel. Interrompendo o carinho, José tirou delicadamente toda roupa de Maria, deixando à mostra uma mulher maravilhosa, com um corpo quase perfeito, uma cor morena única, sem alguma marca de tempo ou feridas. O olhava como uma súplica, ofegando e gemendo baixinho, autorizando a exploração.

José tirou a cueca e expôs também seu corpo e o grande membro, sendo admirado de forma hipnótica por Maria. Também nunca havia visto um assim.

Subiu sobre ela, ajudando a abrir as pernas, encaixando entre elas. Deslizou o corpo, beijando os seios, a barriga, o umbigo, o ventre, a vulva, o clitóris e ela saltou e gritou ao sentir a língua deslizando nos pequenos lábios, vindo do períneo até o clitóris. Poucos minutos foram o suficiente para que ela paralisasse seu corpo, e sentir, pela primeira vez, um orgasmo intenso.

— Ahh! O que é isso? Aaaiiiiiiii! O que é isso? Contorcia o corpo, sentindo solavancos dos espasmos do gozo.

José deslizou o corpo para cima, beijando-a, feliz por proporcionar aquele momento único à Maria.

— O que foi isso, José?

— Teve um orgasmo, minha linda! É a sensação máxima do prazer!

— Quero sentir de novo!

— Irá sentir!

O abraço apertando os corpos, consumava o prosseguimento do ato. Ela pendurou no pescoço, dando-lhe beijos, com os olhos abertos, enquanto ele esfregava o quadril, deslizando o corpo duro do seu enorme membro na fenda sedenta, enquanto retribuía os beijos, também olhando para ela, que curvou o corpo, tentando ver o que acontecia na porta de sua vagina, vendo a glande sumindo e reaparecendo vagarosamente entre os pêlos da sua vulva.

— Vai ser carinhoso?

— Serei!

— Então me penetre! Quero você dentro de mim! Com carinho!

José segurou seu membro, encostou na fenda dos pequenos lábios, e apertou com suavidade, e a glande rompeu a entrada penetrando bem devagar. Aliviava tirando e encostava penetrando mais um pouco. Maria gemia e respirava ofegando, olhando para o amante e tentando ver o músculo rijo desaparecendo dentro dela. José penetrava e tirava quase tudo e enterrava novamente. Maria dava pequenos gritos de prazer, levando a mão para sentir o mastro entrando e saindo. Sua gruta babava de umidade, e ele tentava ocupar todos os espaços do belo corpo, alisando as coxas, acariciando os seios, apertando e mordiscando os mamilos, provocando sensações maravilhosas na parceira.

Ela insistia em manter os olhos abertos, mesmo nos longos beijos, para ver e sentir as penetrações. Seu instinto feminino a fazia comportar como uma perfeita amante, remexendo seu quadril e facilitando as socadas que recebia. Levou a mão no seu clitóris, manipulando-o, querendo sentir novamente a sensação do gozo, principalmente agora que estava sendo penetrada gostosamente. Suspiros, transpiração, gemidos, gritos, barulho do coito, mãos afoitas alisando os corpos úmidos, declarações de prazer motivaram a bela moça sentir novamente o melhor do ato, gemendo e gritando um gozo vibrante, tentando sair debaixo do amante, que insistia em continuar penetrando. Quase desfalecendo, agarrou-o pelas costas, rebolou o quadril socando sua vagina do púbis dele, e ele anunciou a chegada incontida.

— Vou gozar! Vou gozar!

Ela travou as pernas nas costas dele, e paralisado pelo êxtase, jorrou intensamente dentro da gruta desejosa daquela mulher linda e sedenta. Ela dava solavancos no corpo como se estivesse gozando de novo.

Com o membro que insistia em não querer amolecer dentro dela, continuou os movimentos de penetração, agora passando e recebendo afagos de carinho e satisfação daquela linda moça que acabou de ser transformada numa mulher de verdade.

— E agora?

— Venha! Vamos tomar um banho!

José apreciou aquela mulher nua, com uma bunda maravilhosa, moldada nas curvas assimétricas do cós.

Beijavam debaixo da refrescante ducha, enquanto ela passava a mão na vagina úmida, tirando os excessos de seu esperma. Logo começou a sentir vontade novamente e permitiu que ele continuasse o carinho na sua vagina, enquanto e percebeu que a motivação fez o membro encher sua mão com uma nova ereção. Masturbava sem sincronia. Gostou de tatear aquela carne rija. Ele acariciava o clitóris e os seios molhados, enquanto iniciou um novo e longo beijo. A encostou no azulejo do box, enfiou o mastro entre as pernas e logo achou a entrada, deslizando novamente dentro dela. Maria gemeu gostosamente.

Ele a segurou pela bunda, a puxou para si, e penetrou várias vezes até enchê-la novamente com um gozo vibrante.

Maria sentiu várias sensações novas e deliciosas. Após alguns minutos, a toalha deslizava no seu corpo, enxugando cada gota do maravilhoso banho.

Em silêncio, os dois deitaram de frente para o outro, e faziam carinhos nos rostos, recompensados com pequenos e apaixonantes beijos. Ela deitou no peito do amante. Abriu os olhos e viu um mundo diferente.

— Nunca tinha feito assim! Foi maravilhoso!

— Você também é maravilhosa! Foi realmente muito bom!

Fechou os olhos, e nua, dormiu como nunca nos braços do melhor homem que conheceu.

Quase dez da manhã daquele sábado ensolarado, sentiu envergonhada quando percebeu sua nudez.

Monitorou o ambiente e ouviu barulhos na cozinha. Enrolada no lençol, foi até a sala e viu, que estava de costas, o homem que provavelmente amaria pelo resto de sua vida. Queria gritar aquele amor, mas preferiu ser moderada porque acreditava que nunca mais sairia de sua vida. Acordou dos pensamentos com José aproximando e dando-lhe um abraço. Aconchegou no ombro dele, e percebeu que nada foi um sonho. Em poucas horas, não seria difícil amar um homem como José

Informou que no dia seguinte ela voltaria para casa. Explicou que não poderia tê-la ali naquele momento, pois daqui alguns dias mudaria novamente de cidade, começando outro projeto. Entendeu e realmente seu coração pedia para ir estar com seus pais, que necessitavam a sua presença segura. O amor materno falou alto nesta decisão.

Enquanto a manicure tratava de seus pés e suas mãos, também outra novidade, observava o sonolento José folheando uma revista. Pensou na noite passada, quando ficou totalmente nua diante dele, se entregando a um homem que seria difícil tê-lo. Não conseguiria se entregar a outro com a mesma paixão.

— “Não consegui evitar”! Pensou.

Continuou olhando-o, com uma ternura diferente. Estava mais madura e já nem lembrava mais de Getúlio. Sentiu a magia dos gestos e palavras que ele usava para confortá-la e deixá-la mais tranquila. Ardeu o coração quando imaginou quando o veria novamente, após retornar para seu lar. Ardeu também sentindo uma saudade infinita dos pais.

Passaram o dia fora retornando no fim da tarde.

Mais à noite, ela deitou pensando se eles fariam amor novamente. Estava excitada. Continuava pensando na noite anterior e a sensação do orgasmo foi algo extraordinário para ela. E aconteceu duas vezes.

Ele entrou no quarto, e a abraçou. Em silêncio, trocaram carinhos e carícias. Lentamente ele foi tirando as roupas, e nus, se abraçavam e beijavam sem parar. Adorava as carícias nos seios. Ele adorava quando ela ofertava a vagina, abrindo as pernas, sedenta de desejos. Novamente a fez gozar na sua boca, com uma chupada deliciosa. A virou de quatro, e por trás a penetrou, fazendo um amor mais selvagem e intenso. Ela delirava com as penetrações.

— Quero sentir você para sempre dentro de mim! Sussurrava enquanto ele segurava sua virilha, puxando e emperrando o corpo frágil da amante.

Completamente entregue, rebolava tentando fazer que o mastro duro entrasse cada vez mais. Gemia e dava gritinhos de prazer, até sentir o cacete penetrado inchar e ele, firmando sua bunda, jorrou seu amor dentro dela. Foi tanto que transbordou nas laterais dos pequenos lábios, escorrendo por entre as coxas.

Ela quis mais e ele continuando ereto, e no tradicional, a penetrou por vários minutos até ela sentir outro orgasmo, quase desfalecendo com o tesão. Ele socava mais até enchê-la novamente com sua inacabável porra, lambuzando suas virilhas daquela mistura de amor e paixão.

Desmaiaram de cansaço e na madrugada ele a acordou para um banho. Nus, abraçados, voltaram a dormir.

Acordaram cedo, arrumaram a mala, e sem perceberem quanto tempo levou, hipnotizados um pelo outro, sem dizer uma só palavra, abraçaram e beijaram por um longo tempo na entrada do check-in.

— Seus pais estarão te esperando no aeroporto! Irei lá assim que puder!

— Estarei te esperando!

Pegou a mala e seguiu para o embarque. Olhou para trás e lá estava ele, triste, observando-a. Trocaram um sorriso e ela adentrou no saguão, se misturando entre as pessoas.

José reservou a viagem com atendimento VIP para Maria. Não teve dificuldades para embarcar. Admirou o conforto e os espaços dentro da nave.

Acomodou e logo estava voando de volta para sua terra. Recapitulou todos os momentos que esteve com José, sentindo no final uma contração na vagina, lembrando dos momentos que ele a amou.

Algumas horas depois, o avião pousava em Fortaleza, e sem pressa, Maria desembarcou, o atendimento lhe trouxe sua mala, e ela, esticava o pescoço tentando localizar seus pais. Uma alegria única tomou conta do seu coração quando correu afoita para abraçá-los. Beijos e carinhos foram trocados como nunca antes. Na viagem até à sua casa, contou como tudo aconteceu e por qual motivo ela partiu. Perdões foram aceitos. Em casa falou sobre José, o anjo que a protegeu e cuidou até o momento que o deixou no aeroporto.

Os pais perceberam o amor que ela sentia e a diferença das duas moças que uma um dia saiu de casa e quando a outra retornou. O brilho nos olhos estava mais intenso. Ela mudou. Para melhor.

Ajeitando suas coisas, percebeu um pacote com um bilhete enrolados nas roupas.

“Um dia conheci por insistência do destino, uma mulher linda e amorosa, apaixonada com suas origens e persistente com os seus sonhos! Ela jamais sairá do meu coração! No momento certo, retornarei! Adorei ter você! José.”

— Eu também, meu anjo! Sussurrou.

Abriu o pacote e tinha o suficiente para cuidar de tudo e todos por pelo menos dois anos. Chorou de alegria e agradeceu a Deus pela existência de José.

Montou uma escola na região e continuou com seus afazeres de Professora, e investiu na propriedade dos pais, gerando renda e prosperidade a eles.

Quase três meses se passaram e Maria lembrava e orava por José todos os dias. Não se sentia bem. Corria para o fundo da casa para que os pais não percebessem seus insistentes e intermináveis enjoos. Não conseguiu. A mãe a acompanhou até uma médica em Santa Quitéria. Horas de espera, rápidos minutos de atendimento. A sorridente médica pediu para aguardarem lá fora. Após outros vários minutos de espera, as chamou para apresentar o diagnóstico.

— Maria! Você não está doente! Pelo contrário! Está até muito bem! Uma saúde invejável!

— Mas o que está acontecendo? Comi algo estragado?

— Não! Insisto em dizer que está tudo bem! Mas tem uma novidade para você!

— Novidade? Que novidade?

— Sua família vai crescer! Você está grávida!

— Grávida? Como Assim? Grávida?

— É! Você gera uma criança! E ela está muito bem!

Maria ficou paralisada, não sabia se ria ou chorava. Sua mãe, serena, a confortava.

Remarcaram um retorno para o pré-natal, e na saída, Maria intrigada, perguntou a mãe a tamanha calma que apresentava.

— Tive sete filhos, minhas irmãs tiveram outros tantos! Sei exatamente quando uma mulher está esperando um filho! Observei você nestes últimos dias e logo percebi! Só vim para confirmar! Estou muito feliz, minha filha!

— Obrigada, mãe! Te amo!

— É do Anjo José, não é?

— É! Ele foi meu único homem, de verdade! Eu quem quis! Ele não forçou em nenhum momento!

— Eu sei, minha filha! Eu sei!

Aos seis meses de gestação, voltava para casa sob o sol escaldante, amando mais que nunca José e o fruto no seu ventre. Apesar das poucas notícias que recebia dele, guardava o segredo da paternidade.

Cansada, sentou à sombra da varanda de sua casa, observava os vapores da terra sendo castigada pelo calor, ouvia de longe um barulho incomum de motor de carro, que aproximava na região. Mais alguns minutos e o veículo aproximou parando a alguns metros. Continuou sentada, sem curiosidade de saber quem seria a visita. O motorista desceu e aproximou.

— Boa tarde, Senhorita!

— Boa tarde!

— Conhece, aqui na região, uma moça chamada Maria Eugênia?

— Conheço sim! Sou eu!

— Puxa! Que sorte! Tenho uma encomenda para a senhorita! Veio lá do sul do país!

— O que é?

— Venha a senhorita mesmo ver!

O acompanhou até o carro. Seu pai e sua mãe observavam a cena de longe. O estranho abriu a porta, e sem controlar, seus olhos encheram de água, e um silêncio misterioso e apaixonado, fez José aproximar da emocionada mãe, Olhando para o ventre protuberante, sorriu expondo seus lindos e brancos dentes, segurou a mão da futura mãe que chorava compulsivamente, ajoelhou e encostou o rosto na saliente barriga e a beijou. Até o motorista emocionou.

José levantou, olhou para o familiar rosto, e colou seus lábios no dela. Com ternura exclamou:

— Agora vou mesmo amá-la por toda a minha vida!

1 de Fevereiro de 2021 às 15:24 0 Denunciar Insira Seguir história
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