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Madrugada

No silêncio da madrugada os meus demônios vem me visitar

Primeiro vem a insônia, que afugenta qualquer vestígio de quietude

Então ela se senta à mesa como uma velha anfitriã

Abre a porta das minhas entranhas e convida a tristeza, a culpa, a ansiedade e
a solidão

Todas juntas tomam café e conversam como velhas amigas

Enquanto planejam como remexer com tudo que existe dentro de mim.

Em consequência do café quente o meu corpo fica febril

A tristeza vem primeiro, derruba todos os meus pensamentos positivos sobre tudo

Sussurra palavras amargas, tal qual o café na sua xícara

Fazem o meu ser sentir que a felicidade foi morar em outro lugar

Tão distante que os meus olhos já não podem mais enxergar.

A culpa me olha como juíza e soberana; me julga de nariz em pé

Faz acusações tão maldosas que me sinto culpada de coisas que nem compreendo

Me projeta memórias e lembranças distorcidas na qual eu sempre sou a vilã da história.

A ansiedade vem em seguida, me demostra como uma mestre do ar usa as suas habilidades

Abre a boca e suga bem devagar todo o ar dos meus pulmões

Me esqueço de como respirar

Busco oxigênio

Não o encontro

Só existe o vazio tão preto quanto o café em sua xícara

Então a solidão, como a última a convidada a fazer as honras,

Cutuca as feridas da minha alma

As feridas que nem o tempo conseguiu curar

Me faz sentir a garota solitária que sempre fui

Me faz chorar ouvindo músicas de artistas mortos que ninguém mais escuta

Então, depois de feitas as honras,

Me abandonam

Me deixam sem sono, sem felicidade, sem par, sem ar

Ao menos até a próxima visita.

27 de Janeiro de 2021 às 13:11 2 Denunciar Insira Seguir história
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Sabrina Ternura Sabrina Ternura
A madrugada parece carregar a atmosfera propícia para que esses sentimentos invadam nossos corações. A dor, a solidão e, principalmente, a ansiedade parecem se mesclar como se fossem uma avalanche assustadora, prontos para nos devorar. Olhar para si mesmo é um ato de coragem, pois nem sempre encontramos algo agradável na alma. É muito difícil lidar com tudo o que somos e com as visitas nada sutis dos nossos piores pesadelos. O eu lírico deste poema possui uma densidade quase palpável, beirando o real. A simbologia do café e da visita — que sempre traz um aspecto caloroso e acolhedor à qualquer cena —, neste poema, torna-se sombria, afinal o eu poético encontra-se em companhias sombrias, esquecendo até mesmo de respirar. Essa metáfora para descrever a dor e a si mesmo impacta o leitor e faz com que ele olhe para si, refletindo sobre como todos nós temos esse tipo de visita dolorosa no silêncio da madrugada, na quietude perturbadora da alma. Obrigada por compartilhar conosco essa poesia extraordinária! Tenho grandes expectativas para essa obra num todo. Parabéns ♥

  • Jordana   M Jordana M
    Muito obrigada pelo seu comentário na minha história, fiquei muito feliz pelo seu feedback não tenho nem palavras para descrever o quanto fiquei grata pelas suas palavras. 2 weeks ago
~

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