leo-souza Leo Souza

Byun Baekhyun é apenas um jovem sem ambições e desejos, quase um frasco vazio que todos pensam que precisa ser preenchido, e após uma tragédia paira uma dúvida que acaba sendo sua motivação pra tentar preencher seu interior. "O que é a felicidade?". Felicidade seria encontrar o verdadeiro amor? Seria ter todos os bens materiais que sempre sonhou? Conhecer uma religião libertadora? Trabalhar na profissão dos sonhos? Ou algo a mais? Talvez nenhum deles?


Fanfiction Bandas/Cantores Para maiores de 21 anos apenas (adultos).

#amizade #niilismo #Suicidio
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Adolescência

Ele olhava para aquelas pessoas ao seu redor, entre amigos conversando, jogando, rindo e as vezes namorando. Tudo o que ele supostamente não sabia o que era, já que tinha uma breve noção, teoria do que poderia ser. Olhou para os dedos e para o caderno entre eles, um desenho simples feito a lápis, um símbolo antigo e que ele sabia pertencer a algum tipo de religião ou filosofia, algo que apenas ele teve interesse em pesquisar com a escassez de informações que tinha naquele ambiente. Lembrava brevemente de sua infância, também solitária e dedicada exclusivamente aos estudos, sua mãe realmente ficava preocupada por ele não ter amigos com quem brincar e preferir ler dentro de casa ou na biblioteca da escola, isso lhe rendeu apelidos nada agradáveis no início, mas com o tempo como tudo que é insignificante, ele foi esquecido.

— Me mandaram te dar isso. - ouviu uma voz ao seu lado estender o papel, era uma garota inteligente do segundo ano assim como ele, mas como todos não falava com ele, exceto naquele momento.

— Obrigado. - ela se assustou em ouvir a voz dele, não que fosse assustadora, mas ele nunca falou em nenhum momento naqueles anos todos, até haviam rumores dele ser mudo.

Ela saiu assim como apareceu, rapidamente e sem ruído, era um bilhete da secretaria avisando que devia ir pra diretoria imediatamente. De início pensou ser alguma pegadinha sem graça, mas pela letra notou que era sério, então decidiu ir até lá, guardando o desenho na mochila. Seus passos pareciam mais lentos do que ele queria que fossem, todos os ruídos ao redor se tornando nulos, quase como se estivesse em um vácuo no espaço, e a respiração se tornando difícil, sua ansiedade... Mas assim que sentiu a porta sua frente, ele respirou fundo e contou até 3 entrando de uma vez, encontrando a diretora ao telefone com alguém.

— Ah, ele chegou. - ela suspirou aliviada e abaixou o telefone. — Sua mãe passou mal, então achamos melhor você sair mais cedo hoje.

— Certo. - assentiu e lhe deu a carteirinha de estudante, a que usavam pra entrar.

Já até sabia onde ela estava, e seu pai com certeza estava lá também, pegou a bicicleta e pedalou até o hospital daquela pequena cidade. Se fosse em outro momento ele estaria feliz, de estar ao ar livre, pedalando em meio ao Rio ali perto ou as árvores, mas naquele momento nada disso o acalmava ou transmitia qualquer outro sentimento, pedalou mais rapidamente e conseguiu ver o hospital ao longe, descendo da bicicleta aos tropeços e correndo até o hospital, por sorte as enfermeiras já o conheciam de ocorridos anteriores e por isso o deixaram entrar, indicando o quarto. Assim que subiu as escadas e entrou no quarto, viu que sua mãe estava melhor mas ainda permanecia preocupado.

— Mãe... - ficou ao lado dela e de seu pai.

— Estou bem filho, apenas desmaiei. - ela sorriu fraco e ele assentiu.

— Os médicos disseram que amanhã mesmo ela pode voltar pra casa. - avisou o pai segurando a mão dela. — Mas prefiro ficar aqui ao lado dela.

— Também irei ficar.

— Não, é melhor ir pra casa e cuidar de tudo, hum? - assentiu mesmo discordando.

— Te amamos muito filho. - ela beijou a testa dele e o pai apertou de leve seu ombro.

Assim que ele saiu do quarto, ele respirou fundo, suas crises estavam se tornando controláveis por enquanto, mas ele tinha medo, já que quando elas se tornaram insuportáveis ele foi para aquele mesmo hospital, inúmeras vezes, então odiava estar lá de novo pelo motivo que fosse, apesar disso ficaria para cuidar da mãe. Não esperou muito e apenas saiu, descendo as escadas e indo até a bicicleta, vendo seus colegas ali perto atentos, sempre sabiam de tudo, já que algumas mães eram enfermeiras. Ignorou o grupo e subiu na bicicleta, pedalando mais lentamente até chegar em casa, tinha sido apenas um susto e ele esperava que assim permanecesse, apenas isso. Fechou os olhos e decidiu parar um pouco no rio, descendo da bicicleta e sentando na pedra em frente à árvore. Ninguém ia pra lá naquele horário, e ele aproveitava exatamente por isso pra relaxar enquanto podia, não lhe trazia felicidade nem paz, mas o deixava calmo. Na verdade ele não sabia o que era paz ou felicidade, apenas vazio, tristeza e as vezes medo por conta da ansiedade. Tudo estava silencioso como sempre, ele olhou rapidamente o pequeno celular atento às horas para que não chegasse muito tarde em casa. Ouviu então uma dupla de colegas correndo e rindo, parando ao lado da árvore e pelos sons estavam aos beijos, estava na hora de padiscretamente ele levantou e foi até sua bicicleta pedalando de volta. Ele já tinha se interessado brevemente por uma pessoa uma vez, mas passou assim como surgiu, já que essa pessoa logo começou a namorar outra e ele não pretendia se declarar de qualquer forma.

— Lar doce... Lar. - olhou ao redor, apesar do ocorrido parecia que nada tinha acontecido, tudo no seu devido lugar.

Seguiu para o seu quarto e deitou na cama pegando seu caderno outra vez, encarando os rabiscos que fez naquele dia, nada de muito importante, apenas desenhos aleatórios da natureza que via todos os dias, assim como todos os outros desenhos daquela semana, daquele mês, mas quanto mais fazia, melhor seus traços ficavam, isso atraiu a atenção de seu pai que disse que ele tinha dom para números e desenho, então podia ser engenheiro ou arquiteto. Ele nunca teve um sonho, e não era agora que começaria a ter, por isso achou que ser arquiteto ou engenheiro não era uma ideia tão ruim, suspirou largando o caderno em um canto qualquer e olhou para a pequena TV que passava o noticiário local.

— Mais uma galinha foi roubada do terreno da Senhora Kang, quem tiver informações sobre isso ligue para a polícia...

— Se ela ficasse mais atenta a vizinhança, ia saber que foram adolescentes desocupados que roubaram as galinhas. - disse sem humor e olhou para o teto, aquele lugar era pacato demais para grandes acontecimentos e ele não desejava nem esperava por tais.

Decidiu tomar um banho e depois preparou o jantar, em seguida deitou no sofá pensando se a mãe estava mesmo bem, mas sabia que notícias ruins chegavam como tempestades, iria ficar sabendo o quanto antes de alguma forma. Ligou o videogame e jogou um pouco, sozinho como sempre, mesmo que o jogo tivesse modo cooperativo, já que seu pai não entendia muito de tais tecnologias e preferia o bom e velho carteado.



Naquela semana, quando todos estavam em uma aula qualquer, Baekhyun distraiu-se olhando para a janela, era um dia chuvoso e ele tinha esquecido o guarda-chuva, pensava em como faria pra voltar sem ensopar sua mochila, quando viu algo caindo tão rápido e estrondoso quanto um raio, a sala inteira ficou em silêncio e todos correram até a janela, até mesmo ele. A cena que viu ficaria marcada em sua mente para o resto da vida, uma aluna que parecia ser do primeiro ano estava jogada no meio do pátio, em cima de uma poça, ela era gordinha mas aquela distância não dava pra ver o seu rosto.

— É a Ah-Ri!! - gritou uma voz da sala ao lado, ele demorou um pouco pra ligar os pontos, e logo entendeu, ela era a irmã da moça que lhe deu o bilhete na semana passada.

Todos foram liberados mais cedo, e segundo os boatos que se seguiam nos corredores, ela tinha cometido suicídio por conta do peso e seu último bilhete deixado em seu celular dizia que ela apenas queria ser feliz, ele sabia muito bem o que tinha acontecido, e o quanto os alunos eram cruéis, e pela primeira vez ele sentiu compaixão por alguém sem ser a sua família. Como esperado Ah-Reum estava em prantos, não saía de perto do corpo da irmã, algumas pessoas cochichavam, outras pessoas debochavam, mas a maioria apenas olhava. Aquele foi o primeiro e único acontecimento naquela pacata cidadezinha, e foi o suficiente para paralisa-la.



Sua mãe o cercou de perguntas e temia que ele fizesse o mesmo, quase o sufocando não o deixando um segundo sequer sozinho, sempre perguntando se estava bem, até mesmo lhe fazendo as refeições que mais gostava, mas sua mente estava focada em apenas uma coisa, "o que era felicidade e como ele encontraria?". E se pudesse acha-la, talvez pudesse dividir ela com a Ah-Ri. Comeu silenciosamente sua sopa de algas, enquanto sua mãe o olhava quase sem piscar se esforçando pra sorrir e seu pai fazia o mesmo.

— Eu estou bem. - garantiu ele terminando sua sopa.

— Mesmo filho? - perguntou o pai.

— Hum. - respondeu e levantou. — Vou ver como está a Ah-Reum.

— Vocês são amigos? - perguntou a mãe esperançosa.

— Não, mas ela me avisou quando a Senhora passou mal. - ela assentiu.

— Posso te levar lá filho.

— Obrigado pai, mas não precisa.

Pegou o celular e saiu da casa, sabia onde era a casa dela, todos sabiam na verdade, ela era a filha de uma faxineira do hospital e o pai era falecido, viviam bem longe das outras casas. Subiu na bicicleta e pedalou até a casa dela, sem saber exatamente o que dizer, mas sentia que devia isso a ela, e naquele momento pensava que ele era tão observador, mas tinha deixado aquilo passar, não tinha percebido nada e nem o pedido de socorro ela pode ter dado. Pedalou mais rapidamente sentindo a chuva começar, ele quase caiu mas conseguiu pedalar até o fim do caminho, notando a porta aberta e a Senhora Ah junto a sua filha abraçadas chorando, ao que parecia ela tinha acabado de chegar e ninguém tinha aparecido. Seu olhar encontrou o da Ah-Reum e ele não soube o que dizer, apenas obedeceu quando a mais velha o pediu para entrar.

— Conhecia a minha filha? - perguntou a mais velha secando as lágrimas e oferecendo um chá, que ele recusou educadamente.

— Só a Ah-Reum. - disse e coçou o pulso.

— Ah-Reum não costuma ter muitos amigos, sempre focada nos livros, ao contrário da Ah-Ri que tinha muitos amigos. - disse ela com um tom de alegria apesar das lágrimas que insistiam em sair, a mais nova negou com a cabeça para Baekhyun e ele não precisou de muito pra entender. — Não entendo porquê ela fez aquilo...

— Mãe, melhor você se deitar. - pediu a mais nova levantando-se e a mãe mesmo discordando, acabou acatando.

Quando ela voltou sentou -se seria e desconfiada.

— Por quê veio aqui?

— Eu... Sinto muito. - ela olhou pra ele procurando algum sinal de mentira, mas logo notou que ele estava sendo sincero e mordeu o inferior. — Não a conhecia, mas...

— Ela tinha um ótimo coração, sempre disposta a ajudar todo mundo, e era mais apegada a nosso pai do que eu, sonhava em ser médica. - disse ela já sentindo as lágrimas descerem, encarando os dedos. — Mas ela tinha dificuldade com números, mesmo assim se esforçava bastante, tinha uma empatia que nunca vi antes. - ele apenas ficava quieto ouvindo tudo. — Se a conhecesse acredito que iria gostar muito dela. - ele assentiu e acabou lembrando do que o pai tinha dito para si, sobre seus desenhos e os números, então decidiu fazer algo.

— Você tem um lápis e um papel, além de uma foto dela? - ela franziu o cenho mas assentiu, saiu por um estante e depois voltou com uma moldura, um lápis e um papel, o encontrando em seguida.

Ela era linda, com os olhos alegres, um sorriso branquinho e quase infantil, a foto parecia ter sido tirada em Seoul. Ele então respirou fundo e começou a rabiscar, o mundo ao seu redor se tornando apenas um borrão, ela o olhava curiosa, sem saber exatamente o que pensar, sequer entendia porquê ele estava lá. Assim que ele terminou entregou os três itens, e ela sorriu de uma forma que lembrou a da irmã, ele tinha desenhado Ah-Ri como médica com aquele mesmo sorriso da moldura, Ah-Reum era um misto de sorriso e lágrimas, e logo o abraçou apertado agradecendo tantas vezes que ele apenas retribuiu sem saber o que dizer. Ele pensou que se fizesse aquilo poderia sentir alguma coisa, ou que poderia ao menos dar a falecida o que ela tanto buscava, mas o que sentiu foi apenas um sentimento bom que ele não sabia explicar, mas nada tão forte quanto ele imaginou que seria. Elas ficaram tão gratas pelo desenho, que até o emoldurararam na sala, e quando anoiteceu Ah-Reum o levou em casa. Ele imaginou que ela continuaria falando da irmã, mas na verdade falou de si, permitiu que ele a conhecesse, e ele se sentiu no dever de fazer o mesmo, e pela primeira vez ele se sentiu compreendido mesmo que um pouco. Até poderia dizer que tinha ganhado uma amiga.

— Tudo bem você voltar sozinha?

— Sim, não se preocupe. - ele assentiu e ela o abraçou, ele retribuiu. — Tchau, Baek-Hyun. - e ele sorriu fraco.

— Tchau, Ah-Reum. - ela acenou e pedalou até em casa.




Seus dias se tornaram mais alegres e movimentados ao lado da Ah-Reum, passavam o dia todo juntos conversando sobre tudo, estudando e conversando, e logo vieram rumores que estavam namorando, mas a verdade era que eram apenas amigos muito próximos, melhores amigos. As mães também acabaram se tornando amigas, e um dormia na casa do outro aos finais de semana, cada vez mais Ah-Reum parecia conseguia superar o luto da irmã, mesmo quando olhava o desenho do que a mesma poderia se tornado se ainda estivesse viva.

— Baek, ainda está pensando naquilo?

— Na verdade não.

— Não tem nenhum sonho?

— Nenhum, estou bem em como tudo está. - respondeu e desenhou a casa da Ah-Reum. — E você?

— Meu sonho é morar bem longe daqui, em Seoul, te contei que fomos pra lá ano passado, certo? - ele concordou. — É um lugar incrível, você deveria ir pra lá um dia com a sua família.

— Quem sabe um dia. - continuou a desenhar.

— Vai ter muito o que desenhar, ver, sentir, Ah-Ri se encantou e por isso quis ser médica, queria trabalhar em um hospital de lá.

— As pessoas são diferentes também?

— As poucas que conheci pareciam meio apressadas, sabe? Ocupadas demais pra pensar em alguma outra coisa, ou num trio de caipiras na cidade grande. - ela riu nostálgica. — Mas eram muito bonitos, saídos de uma revista.

Ele ficou pensativo, ocupados demais pra pensar em qualquer outra coisa, talvez fosse disso que ele precisasse, ocupação.

— Você ainda quer ser bioquímica?

— Com certeza, sou fascinada.

Ele sorriu.

— Tenho certeza que vai conseguir.

— E você vai conseguir, o que quer que seja que você queira.

22 de Janeiro de 2021 às 08:10 0 Denunciar Insira Seguir história
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