summerthundercloud Lucas W.L.

Um cão e uma dama, uma organização mundial e o desejo por liberdade. Seja contra lei ou ao lado dela, muitos conflitos guiarão as emoções destes prisioneiros.


Ação Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#romance #fantasia #aventura #poderes #381 #ação #super #prisão
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Cão Sangrento

Instituto Corretivo Stigma, Nova Londres.

Sala de comando do Simulador Estrutural Catastrófico N° 7 : Cenário Savannah.

14 de Julho de 2157.

Uma mulher, vestida em um elegante traje social vinho sobreposto com um jaleco branco, observava diversas telas a sua frente. O brilho dos monitores projetados a sua frente iluminava seu rosto um tanto empalidecido por sua rotina. Seus óculos de haste fina dourados com lentes circulares a protegiam da luz e davam definição ao seu enxergar.

Ela, diferente daquele que observava, era uma humana sem grandes alterações. Ainda que fosse uma aberrante, um humano com super habilidades, ou como os figurões do governo nomearam, aberrações, ela tinha empenhado seus esforços em conseguir prestigio e poder, usando sua habilidade em prol do regime ao invés de se rebelar, tal como aquele que ela analisava nos monitores.

Isto, com os anos, a recompensou com uma posição proeminente em um dos lugares mais importantes da federação planetária cujo propósito era “adequar” estes super-humanos as leis e comandos do regime.

Nesta sala de comando, onde ficavam os diversos dispositivos de controle climático, geológico e ofensivo do simulador, a mulher de olhos castanhos e leves olheiras trabalhava incansável, numerosas canecas de café espalhadas pelas varias mesas ao seu redor. Claro que, como aberrante que era, ela continuamente usava sua habilidade.

Quem adentrasse a sala já estaria acostumado com a visão, contudo, qualquer desavisado ou novato na instituição se depararia com a confusa paisagem de não apenas uma mulher, mas treze. Todas idênticas, vestidas da mesma exata maneira com o crachá metálico ao lado esquerdo de seu peito, contendo os dizeres “Diretora Institucional Ângela Weiss”.

Sons explosivos e destrutivos ecoavam por todo o local, meras transmissões do impacto real que ocorria dentro do simulador. Flashes luminosos ocasionalmente eram emitidos pelos diversos monitores, alumiando o ambiente, porém, a mulher com seus óculos fotossensíveis estava perfeitamente protegida destes estímulos mais extremos.

A observação dos monitores durou cerca de uma hora até que a mulher apertasse um botão vermelho a sua frente. Um alarme ecoou no ambiente dos monitores e então, os mesmos se desfizeram, a sala escurecendo por um momento antes ser iluminada pela luz natural que adentrou o lugar quando uma porta se abriu logo atrás da diretora com um som de pressão.

Erguendo-se de sua cadeira almofadada em cor vinho similar a sua roupa, a mulher passou a mão em seu cabelo castanho, estilizado em um corte curto, o organizando antes de tomar um último gole de sua caneca e estalar seus dedos, fechando seus olhos por um momento. As várias mulheres na sala subitamente se transformaram em névoa que prontamente se fundiu com ela. A diretora ergueu uma mão a sua têmpora direita, massageando-a por alguns momentos.

Lentamente, a diretora caminhou em direção a porta, tomando alguns fôlegos para se estabilizar e comandou:

— Luna, gerar bio-relatório do experimento 3113.

Uma voz artificial e feminina, um tanto musical prontamente respondeu.

— Comando executado, Madame Diretora.

Um flash de luz reluziu no teto antes de disparar uma esfera luminosa que rapidamente aterrissou em suas mãos pálidas. No segundo seguinte, a orbe expandiu e se transformou num quadro cristalino levemente azulado que a mulher logo encostou em seu torso antes de sair do local, deixando um comando:

— Luna, encerrar operações do S.E.C N°7 e sele sala de comando, acione os mecanismos e a equipe de reparos estruturais.

— Ordens recebidas e acionadas, Madame Diretora.

A voz artificial assentiu a ordem no instante em que a mulher saiu. Agora, diante dela, se estendia um longo corredor. A sua direita, mais três portas metálicas numeradas de 8 a 10 enquanto a sua esquerda outras seis portas identificadas de 1 a 6. No final do corredor, ao lado da porta número 1, existia uma entrada para o elevador.

Em passos rotineiros, a mulher caminhou, a colisão de seus pés contra o solo de mármore branco divido em blocos por linhas negras ecoava alto no lugar vazio. Grandes janelas a sua direita mostrando o horizonte alaranjado, decorado com grandes nuvens cinzentas. A luz do sol poente fazia suas roupas reluzirem com tons intensos. Ao chegar a porta do elevador, tirou seus óculos e aproximou os olhos a um ponto especifico da estrutura metálica.

Uma luz esverdeada momentaneamente brilhou, passando sobre as orbes de íris castanhas antes de um som de sino ecoar, acompanhado da voz de Luna, a IA responsável por auxiliar nas operações do instituto.

— Identidade confirmada, passagem liberada.

A mulher outra vez pois os óculos em sua face. As portas da estrutura se abriram silenciosamente. Diante de seus olhos se revelou uma câmara de metal escovado com barras para apoio, espelhos nas paredes, minúsculas câmeras no teto com seus luzires vermelhos e um piso carpetado em vinho com luzes azuladas nas frestas. Adentrando o elevador, ordenou:

— Luna, 3° subsolo, ala médica, sala N°7 por favor.

— Certamente, Madame Diretora.

Fechando seus olhos, as portas se fecharam e, em silêncio, a estrutura viajou velozmente até o destino escolhido. Sem qualquer vibração ou solavanco, cortesia dos excelentes estabilizadores instalados no elevador, em questão de alguns minutos a mulher se vê parada, diante das portas metálicas abertas.

A sua frente, um curto corredor alumiado por três círculos luminosos no teto. Ao fim dele, uma entrada de metal branco com os dizeres “A.M. #7” sobre o símbolo de uma cruz vermelha. O chão era de mármore branco, as paredes partilhavam a mesma cor. Ela caminhou enquanto sons pressurizados ecoavam, ar gelado a atingindo.

Após ter sua silhueta bombardeada por centenas de luzes multicoloridas, a voz artificial de Luna ecoou uma vez mais.

— Descontaminação realizada com sucesso, Bem vinda a ala médica Madame Diretora.

Um som pressurizado ecoou e a passagem branca deslizou silenciosamente, revelando dez camas das quais nove estavam desocupadas. A última, mais próxima a parede e distante da entrada estava ocupada por um rapaz, diversos cortes marcando sua pele e uniforme cinzento, agora manchado de sangue ressecado.

Contudo, era possível ver que os ferimentos já estavam praticamente fechados enquanto ele ali jazia, um braço sobre os olhos, cobrindo parte do rosto e outro sobre o abdômen, tampando um rasgo particularmente grande em suas roupas. Seu cabelo de cor castanha com traços de grisalho ainda carregava alguns traços de pó e fragmentos de concreto, junto com uns dois galhos finos, um deles ainda contendo uma folha. Ao redor de seu pescoço, um colar preto com três luzes verdes.

— Experimento #3113 — A mulher anunciou — Levante-se, hora do seu check-up diário e avaliação.

Uma voz, grave e meio rosnada, preguiçosa e com alguma dificuldade em fala respondeu um tanto arrastada, entrelaçada de um suspiro:

— De novo isso? — ele resmungou — Vocês fazem essa merda todo santo dia, não cansam?

A mulher concordava com isso, tanto que um breve e raro sorriso decorou seu rosto. Contudo, suas feições retornaram a neutralidade no instante seguinte e ela disse:

— É protocolo, sabe disso. — ela então encostou um dedo no display cristalino em suas mãos e começou a relatar.


Bio relatório do Experimento #3113


Nome: Wolf * (* Nome real desconhecido, atribuição cedida pelo instituto).


Idade: 22 anos.


Espécie: Aberrante Manifesto.


Tipo Sanguíneo: AB+.


Altura: 1,85 metros.


Peso: 90 kilos.


Coloração Ocular: Esclera Negra, Iris Amarela.


Aberração*: Força levemente sobrehumana. Reflexos moderadamente sobre-humanos. Durabilidade levemente sobrehumana. Velocidade moderadamente sobrehumana. Forte Amplificação Sensorial, Visão em penumbra confirmada. Estruturas a base de queratina retráteis nas extremidades superiores e inferiores. Dentição predatorial, caninos levemente avantajados. Traços de habilidade psíquica detectada, natureza específica ainda não confirmada.


Limites:


Força Máxima: O experimento ergueu com grande esforço 1 tonelada acima de sua cabeça.


Velocidade máxima: 100 km/h.


Durabilidade: Capaz de resistir a cortes não-energéticos, munição não-energética até o calibre 38 e trauma cinético de até 50000 libras de força antes de dano perceptível.


Percepção Sensorial: Capaz de distinguir sons com precisão de localização e espécie em até 10 quilômetros de distância. Capacidade de visualizar detalhes mínimos e localizar alvos em até 50 metros de distância com grande acuidade. Possui a habilidade de detectar aromas em até 2 quilômetros de distância, essa capacidade é aumentada para até 5 quilômetros quando o alvo de detecção é sangue. Existência de algum fator de cura confirmada, limites do mesmo ainda não explorado.


Classe de perigo: Beta +


Desempenho atual: 8,0/10.


Comentários relevantes da sessão: Habilidades ainda podem ser refinadas com prática e técnica. Tempo de reação necessita de maior trabalho. Fator de cura ainda sob estudo, necessário maiores testes e exposição direta a dano. Atividade coletiva para explorar habilidade psíquica ainda requerido.

21 de Janeiro de 2021 às 23:34 0 Denunciar Insira Seguir história
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