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Sempre ouvimos histórias a respeito do folclore de nossa nação. Para algumas pessoas, elas não passam de histórias infantis, mas para outras, a verdade é tão sombria que chega a ser apavorante imaginar como seria o mundo se elas de fato existissem. Essas mesmas pessoas que conhecem essa verdade, infelizmente, são aquelas que precisam lidar com os problemas causados pelas criaturas baseadas nessas histórias. Entre elas estão: o Vagabundo, a Dona de Casa, o Sabichão, o Quatro-Olhos, o Perneta e a Criança. Juntos, eles são os Folclóricos: um grupo que tem como objetivo manter o equilíbrio entre o Mundo Visível e o Mundo Oculto ao mesmo tempo que vivem uma vida dupla na cidade de Araés, e quando esse equilíbrio é quebrado, eles entram em ação para caçar aqueles que saem da linha.


Horror Literatura monstro Para maiores de 18 apenas.

#horror #terror #magia #poderes #Brasil #brasileiro #sobrenatural #mitologia #Monstros
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Memórias Familiares

Noite chuvosa, sem energia e com uma ventania que fazia sons semelhantes a vozes ecoarem por todo a cidade. Passos lentos podiam ser escutados pelos corredores de uma escola, onde uma pessoa se mantém de pé enquanto se apoiava pela parede, deixando gotas de sangue cair sobre o chão.


- Ugh... Que droga... Se aquilo me alcançar... Definitivamente v-


Infelizmente para ele, sua fala é cortada ao sentir seu corpo sendo perfurado por uma coisa que parecia ser um tipo de cauda, sendo jogado pela parede e caindo no chão, espalhando sangue e carne pra todo o lado.

- Ugh... Ugh... Dr- - o jovem tentava dizer algo enquanto se agonizava de dor, mas seu estado fazia com que ele vomitasse muito sangue a ponto de não conseguir falar. Logo, ele olha para silhueta de olhos amarelos brilhantes e a última coisa que ele vê é a figura se aproximando de sua face, abrindo a boca mostrando enormes dentes afiados com baba pelo queixo, e assim tudo fica completamente escuro.

...

No outro dia, um cenário totalmente diferente chamava atenção dos moradores. Várias viaturas estavam em frente ao Colégio Estadual Profº André Lopes, conhecido por ser localizado no Bairro Unido. Os policiais procuravam afastar as pessoas que queriam entrar para ver o que estava acontecendo. Em meio a essas pessoas, um jovem de cabelos loiros segurando um caderninho se aproxima, ultrapassando a fita zebrada.

- Ei, moleque! Já falei pra não se aproximar! Circulando! - dizia um dos policiais, empurrando o loiro para trás.

- Se acalma, seu guarda! Eu só quero falar com meu tio. Se puder me fazer esse favor, eu agradeceria muito! - diz com um sorriso nervoso.

- Ah, você deve ser o sobrinho do capitão. Ouvi dizer que tava fazendo estágio para entrar pra polícia como investigador policial. - comentou.

- Sim, sou eu mesmo! Meu nome é Iori Fernandes, sobrinho de Ronaldo Fernandes e também o mais novo funcionário do Departamento de Polícia de Araés! - disse alto e claro, com bastante animação.

- Capitão! Tem um moleque aqui querendo falar contigo! Ele disse ser aquele novato que vinha trabalhar aqui com a gente! - gritou, chamado a atenção de um homem robusto, grande, careca e com um bigode loiro bastante peculiar.


Ele vai em direção a Iori, que sorriu orgulhosamente para ele.

- Há quanto tempo, curumim! Você cresceu muito desde a última vez que eu te vi! Hahahaha!!! - disse o homem, rindo e abraçando o sobrinho.

- Digo! O mesmo! Tio! Arf... - respondeu Iori, sendo espremido pelo forte abraço a ponto de se sentir sufocado.

- Então você vai ficar por aqui e trabalhar com a gente? Isso é uma ótima notícia! - disse Ronaldo, animado.

- Isso mesmo. E a propósito, qual foi o problema aqui? - perguntou curiosamente.

- Uma coisa horrível. Parece que um garoto foi achado aos pedaços dentro da escola. Os pais desse garoto vão ficar muito chocados quando souberem da notícia. - respondeu, cruzando os braços com um olhar de preocupação.

- Já identificaram a causa da morte? - perguntou novamente.

- Ainda não temos total certeza. Chegamos aqui tem uns vinte minutos. O faxineiro e diretor que acharam o corpo. - respondeu.

- Quando o corpo for parar no necrotério, eu vou poder dar uma olhada? - perguntou.

- Você aguenta ver esse tipo de coisa? - perguntou espantado.

- Eu aguento o que for necessário para resolver qualquer problema, até mesmo se for um caso de assassinato como esse! E seja lá quem for o culpado por trás dessa atrocidade, se por um acaso ele tentar resistir quando eu o encontrar, não vou exitar em matá-lo! - respondeu, com certo ódio e seriedade em seus olhos, deixando seu tio abalado, sem palavras para refutar.

Então, ambos vão em direção a uma viatura, entrando um no motorista e outro no passageiro. Logo, Ronaldo começa a fumar com a janela aberta enquanto Iori olha para fora. O jovem parecia pensativo e de certa forma preocupado com alguma coisa. Ele estava de certa forma tendo uma sensação de algo ainda pior estava por vir, embora isso fosse somente coisa da sua cabeça.

- Ei, Iori? - perguntou o bigodudo.

- Pode falar, coroa! - respondeu.

- Tem certeza que está querendo ajudar essas pessoas pela justiça? Ou está aqui porque acha que com suas habilidades, é capaz de descobrir quem matou seus pais? - perguntou seriamente.

O loiro vira o rosto e fica em silêncio, olhando apenas para fora da janela, com um olhar de desgosto.

- É, seu silêncio já diz tudo. - dito isto, joga o cigarro pela janela e começa a dirigir.

...

Do outro lado da cidade, especificamente no Centro, o som de rodinhas podia ser escutado. Nada mais era do que uma mala sendo puxada por um garoto vestido todo de preto, cujos cabelos eram escuros e lisos, além de estar usando fones de ouvido, sem muita noção da movimentação de pessoas a sua volta.

Ele vai subindo uma rua, até um lugar onde há várias lojas uma ao lado da outra, parando assim que vê uma loja chamada "Cafeteria Choco-Ghost".

- Deve ser aqui. É umas 07:15 da manhã e está com a placa de "aberto". Ai ai, nunca pensei que ia entrar num lugar como esse. - diz bocejando.

Ao entrar, ele se depara com um lugar bem organizado, com cardápios sobre as mesas e plantas em vasos decorando o ambiente. Vendo isso, ele decide ir até o balcão e dali, uma mulher de cabelos castanhos escuros vestida com uma camisa branca de manga comprida e uma grande saia jardineira azul surge, assustando-o.

- Ora ora, finalmente meu filhote chegou ao meu humilde lar! Seja muito bem-vindo a Choco-Ghost, o lugar que te faz se sentir assombrado com a variedade de sabores que tem em nosso cardápio! Vai querer pra agora ou pra viagem? Hihihi!! - disse a mulher, rindo do garoto que não estava mentalmente preparado para essa situação.

- Éeeee!!! Oi pra você também, Margareth! Faz muito que não vejo você. - respondeu grosseiramente enquanto se levantava do chão.

- Poxa, assim você me magoa. Não vai nem me chamar de mamãe como você fazia quando era pequeno? - perguntou, brincando.

- Tá bom, mãe. É o seguinte: o meu velho me expulsou de casa porque eu estraguei o projeto de ciências da minha meia-irmã que iria subir nossa renda e nos tirar daquele buraco alugado da capital, me dizendo também pra nunca mais voltar até que eu tenha ficado milionário. - disse impaciente.

- Seu pai é um homem muito cruel! Ao contrário de mim, que sou uma mulher super divertida! - comentou, sorrindo e piscando para o filho.

- Tá, agora me digamãe super divertida,onde fica meu quarto? - perguntou, de forma grosseira.

- Eu hein, que curumim afobado! Já que insiste tanto em se isolar do mundo, me siga! - e tendo dito isso, ela segue por uma escada atrás do balcão, com o garoto indo atrás. Logo, ela mostra o quarto para o mesmo.

- Aí está, vossa alteza! Já que não quer conversar, eu vou voltar ao trabalho aqui emba- - sem tempo de responder, o garoto bate a porta na cara da mesma.

A mulher se vira e vai descendo as escadas, sentido-se magoada com a recepção do seu filho. É nesse momento em que seu celular começa a tocar, fazendo ela atender o celular rapidamente com bastante entusiasmo.

- Bom dia! Aqui é Margareth Guent, do Café Choco-Ghost! Fazemos entrega em delivery e aceitamos cartão de crédito! Diga, qual seu pedido, querido ou querida cliente?

- Meu pedido é que a "Dona de Casa" e eu precisamos conversar. Temos trabalho a fazer. Já ficou sabendo da notícia? - respondeu a voz misteriosa.

- Hm, não. Ainda não chegou nem aos meus olhos e nem aos meus ouvidos. Por que? - perguntou intrigada.

- Então é um bom dia para falarmos do assunto. Às 12:15, me encontre no Alto da Colina, naquele mesmo endereço de sempre.

- Ok, mas tem o meu filho que acabou de chegar. Eu queria passar um pouco mais de tempo com ele e-

- O seu filho sabe de nós? Sabe quem nós somos? - perguntou, interrompendo-a no processo.

- Não, mas-

- Isso seria um problema se ele soubesse. Não podemos deixar que mais ninguém saiba o que estamos fazendo. Você sabe como as leis desse mundo não se aplicam as daquele mundo. O medo e a crença no sobrenatural os fortalece. Por isso, eu peço total sigilo. Entendeu, Dona de Casa?

- Sim... Sábio.

- Ótimo! Não conte nada ao garoto até que algo desse tipo aconteça com ele também. Deixe que ele viva seus dias como um adolescente normal e ignorante até que ele descubra a verdade por conta própria. Mas até lá, isso fica só entre nós. Tenha um bom dia, minha cara amiga. - disse a voz, encerrando a ligação.


[Fim doCapítulo]

18 de Janeiro de 2021 às 15:09 0 Denunciar Insira Seguir história
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