vatrushka Vatrushka

O mundo rosa de Barbie sempre se destacou mais. Sempre foi considerada a mais bonita, a mais simpática, a mais talentosa, a mais estilosa, a mais...! Raquelle tem de conviver com esse complexo de inferioridade diariamente... Até resolver fazer terapia com Ben, o primo de Ken. *Fanfic do desenho Barbie Life in the Dreamhouse *Já postado nas minhas contas no Nyah!, Spirit e Wattpad


Fanfiction Desenhos animados Todo o público.

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Primeira Sessão

Ben encarava o grande porta retrato apoiado em sua bancada, de braços cruzados. Teria sido uma boa ideia ter comprado uma armação tão grande?

Sacudiu a cabeça. O que estava pensando? Claro que era uma boa ideia! Ele era perfeito em tudo que fazia! Porém, não conseguia parar de pensar no que podia ter acontecido se tivesse aceitado a ajuda de Barbie... Será que ela aprovaria um retrato gigante de Freud em seu escritório?

Não, era melhor assim. Se tivesse aceitado a ajuda de Barbie, tudo estaria rosa por agora.

Sua linha de raciocínio foi interrompida pela porta batendo bruscamente.

“Ah!” Se virou ao ouvir o grito agudo de Raquelle. “Então... É isso...?”

Ben sorriu, gentil. “Não correspondeu às suas expectativas...?”

“O quê? Não, não, não, não! Não é nada disso!” Falava, enquanto se acomodava na poltrona e deixava de lado sua bolsa Channel. “É só... Marrom demais, não?”

“Marrom ajuda em reflexões. É o mais recomendável na psicologia.” Respondeu, sentando-se em sua poltrona e conferindo sua prancheta. “Deixe-me ver... Pelo visto, as próximas 5 horas marcadas são suas...”

Raquelle riu. “Sabe como é! Se é para analisar mentes, vamos fazê-lo da forma mais intensa possível!” Ela piscou para Ben. Ele se perguntou se aquilo era alguma espécie de flerte.

Ben já tinha ouvido falar de Raquelle através de Ken, seu primo. Segundo ele, “Raquelle é um caso delicado. Tenta encobrir suas inseguranças emocionais através de um ego camuflado, e projeta suas expectativas na vida de Barbie. Naturalmente, quer ter tudo dela. Sua casa, sua família, seu sucesso, sua beleza, suas amigas, seus bichinhos, suas roupas e até mesmo seu namorado.”

Quando ouviu Ken falar aquilo tudo de forma tão séria, Ben riu e perguntou se o psicólogo era o parente ou ele próprio.

“Estou falando isso por que conheço Raquelle desde pequeno, Ben. Para ela, nunca importava o quanto ganhasse – se não fosse tanto quanto a Barbie, nunca era o suficiente. Ela sempre quis toda a atenção dela. Só estou dizendo que... Se ela dedicasse mais tempo a si mesma do que se projetando na Barbie...”

“Ken.” Ben interrompeu. “Não precisa falar mais nada. Eu sou o profissional ou não?”

Além disso, analisando a personalidade do primo, Ben sabia o quanto este tinha a capacidade de se cegar quando o assunto era a Barbie. Isso não só acontecia com Ken, mas também com toda a Malibu – se não com todo o mundo.

Todos se cegavam perante a Barbie.

A Barbie era perfeita.

Quem discordasse disso não era normal.

Lembrando-se disso, Ben revirou os olhos. O que não daria para ser psicólogo da Barbie, e descobrir todas as falhas, traumas e defeitos por trás daquele rosto plastificado?

Mas esta não era sua maior ambição. Preferia, mil vezes, analisar casos de pessoas “corrompidas”. O que, para sua sorte, era o caso de Raquelle.

“Pois bem, Raquelle.” Começou. “Deite-se e relaxe. Quando se sentir pronta, comece a ditar seu dia.”

Os pacientes normalmente levavam um tempo para se abrir. Mas Raquelle, elétrica, claramente era uma exceção.

“Eu acordei com o telefone tocando. Claro que eu fiquei de cara, afinal, quem ainda usa telefone quando se pode mandar mensagem? Enfim, eu atendi. Quando fui ver, era uma proposta para o papel de um filme.”

“Uau, Raquelle, e isso é ótimo!”

“Eu sei! Principalmente por que os diretores sempre se esquecem da minha existência e do meu talento, sempre por causa da Barbie!”

“Bem, e o que mais?”

“Olha, obviamente, no início eu fiquei super animada, até eles me falarem sobre o filme. É uma adaptação de o Lago dos Cisnes.” Raquelle deu uma pausa, frustrada.

“E...?”

“A personagem principal seria a Barbie. Eu seria a antagonista.”

“Outra? Mas a Barbie já não fez um filme de Lago dos Cisnes?”

“Exatamente!” Exclamou. “E eu já participei! Como antagonista! Nesse mesmo filme!”

Ben apoiou o rosto em sua mão. Qual o sentido de repetir um roteiro só para consagrar uma atriz?

“Então, eu me lembrei do que eu pensei quando me chamaram para fazer o filme pela primeira vez.‘ Ah, vai ser a minha chance. Exatamente por ser um filme da Barbie, vai haver um mercado muito grande. Pelo fato de ser antagonista, vou chamar muita atenção. Afinal, todos preferem um vilão corrompido e bem trabalhado do que um mocinho entediante e previsível.’ E lá fui eu, com muito pra dar, muito drama para acrescentar pro filme... Mas quem disse...?”

Ben concordava. Com cada palavra.

Raquelle suspirou, olhando para o vazio. “Os diretores não estavam interessados em uma produção que acrescentasse algo. Eles... Inventaram um papel completamente tapa-buraco. Um vilãzinha fraca. Ridícula. Sem significado algum. Que só existia para ser humilhada no final pela pressuposta personagem perfeita. Uma historinha tão clichê que nem sei como ainda faz sucesso...”

“E como você reagiu a isso, na época?”

“... Por incrível que pareça? Bem. Engoli o orgulho. Segui em frente. Me esforcei ao máximo para trabalhar o melhor que fosse possível no lado cômico da personagem. Mas... Qual a importância do talento do ator... quando o personagem é raso? Nunca identificaram meu talento. Eu lembro de ter morrido de ensaiar a dança do Cisne Negro com o príncipe, e a minha performance foi perfeita...!”

“Mas ainda sim, todos só olhavam para a Barbie?”

Raquelle não respondeu.

“Era o Ken que estava interpretando o príncipe. E-eu... Tinha dançado com a minha alma e um pouco mais, como eu sempre fiz com tudo relacionado a ele, mas...” Raquelle inspirou. “Pra ele sempre foi, é, e sempre será a Barbie.”

Ben coçou o queixo, pensativo.

“Na hora que eu estava dançando, lembrei das aulas de balé que tinha com a Barbie quando era criança... E cheguei a conclusão de que não importa o quanto o cenário mude, o quanto o tempo passe... A situação. É sempre. A mesma. Eu me esforço e quebro a cara. Ela consegue tudo.”

Ben poderia continuar passivamente profissional e continuar a sessão com repetitivos e insensíveis “como você se sente sobre isso”, mas acabou se deixando levar.

“... Eu lembro que você e o Ken eram muito amigos, Raquelle.”

Raquelle cruzou os braços. “É. Bons tempos.”

8 de Dezembro de 2020 às 14:04 0 Denunciar Insira Seguir história
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