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papironauta Rodrigo Borges

Que poder tem o Homem? A liberdade de amar e odiar. Crota de Crotona jura vingança contra seu dito Deus, Zeus, após este tirar-lhe tudo e todos. Dividido entre Deuses Gregos e Nórdicos, Crota de Crotona decide ser o Homem que Deus algum ousa enfrentar.


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Crota de Crotona: deuses e Homens


"Os céus não temem a mim porque sou um Deus, temem porque sou apenas um Homem!"


- Pantheon, meu antigo main.





Que poder tem o Homem?


Foi nos dias finais de Crotona que Crota conheceu o ódio.


Crota, apesar de ser o garoto mais bondoso da vila, era também o mais alto e forte. Seu corpo atlético seria digno de reverência provinda da grande Grécia, não fosse seu estado maltrapilho e esfomeado. Ainda dizem que, na época, se banhado e de trajes brancos, Crota poderia ser confundido com um Deus, mesmo em tenra idade.


Contudo, Crota, por conta de sua linhagem e das escassas posses de sua família, era apenas um menino de rua ignorado por escultores, enojado por hedonistas e mau-dito pelos tantos filósofos que diziam ser adeptos à vida. Talvez essa repugnância também se estabelecesse sobre o fato de Crota ser pobre, mas muito mais sobre o fato da constituição de sua família.


A mãe de Crota, grávida, ao contrário do que muitos dizem por aí, era grega sim. Corriam rumores de que ela já havia sido uma das concubinas de Zeus, uma de suas preferidas, e que, pelas as demais concubinas ciumarem-na, sua expulsão de Olimpo teve de ocorrer, resguardando Zeus, contudo, às suas noites mundanas com a sua amada, o que, claro, justificaria a barriga da mulher. Era de beleza excruciante, mesmo por baixo de toda a sujeira da pobreza mortal. A mãe de Crota era cortejada nas ruas, mas não importava, a certos olhos, uma concubina sempre é uma concubina.


Agora o pai de Crota, a sina da família, uma afronta aos Deuses que habitavam Olimpo. Um troglodita peludo e cheio de marcas de tinta na pele; um demônio bruto que jamais ascenderia nos domínios da Grécia. O pai de Crota não era grego nem romano, sequer espartano, mas um bárbaro!, um daqueles bárbaros medonhos que não podia ver uma muralha esburacada que já iria querer entrar gritando profanidades. Ele, por algum motivo entranhado em sua cultura fugaz, não ligava se sua mulher já tinha sido uma concubina, apesar de que, se ouvisse esses rumores saírem das bocas aveludadas dos gregos, agora seus vizinhos, coisas que só mãos parrudas e voz de fera podiam fazer aconteceriam.


E, apesar de haver entre mãe e pai um amor inusitado, aquela terra não era para nenhum dos dois, principalmente para o bárbaro, que ainda cultuava os Deuses de sua antiga casa. Sozinho entre Deuses gregos, os quais julgava fracos, sua maior esperança era Crota; o filho que, não esperava, tinha certeza, o levaria orgulho, o mesmo orgulho que Odin sentia por Thor.


Contudo, para o desgosto do pai, Crota nasceu e cresceu com a desenvoltura de um grego em toda a sua essência: esguio mas forte, quase afeminado. Desprovido de qualquer pêlo que pudesse validar sua masculinidade ao pai selvagem. Civilizado como nenhum outro rei-filósofo, bom como uma mecenas. Sedento por conhecimento e não por sangue.


Mas ainda sim era filho de um bárbaro. Encontrava-se latente em seu sangue o mesmo gélido das terras Jötunheimr, a mesma sede de Thor, quando este bebeu do oceano através do chifre de gigantes. A mesma ambição de um nórdico sobre Valhala quando em batalha. Uma raiva selvagem e desolada e inóspita que, a cada soco do pai e cuspe da sociedade, marcava sua expressão num franzir de nariz e testa até não mais sobrar a inocência de um verdadeiro Deus, até não mais restar o sorriso, mas um rosnado bestial. Crota enfim se transformava em Homem; tomado pela clareza de haver o ódio e amor, de ser capaz de praticar os dois, sem, contudo, mascarar-se atrás de títulos de nobreza ou honrarias; a liberdade que gozava um ser humano.


Foi quando Zeus desceu do Monte Olimpo, possuindo o pai bárbaro, como ato de zombaria para com os outros deuses, para então fazer amor com a mãe de Crota, que este cedeu por completo à loucura e vingança.


A verdade era que Zeus não suportou a verdadeira reciprocidade que sua amante tinha com aquele bárbaro, ela sequer o conheceu possuindo aquele corpo bruto e profano. Machucou-lhe mais ainda saber que grávida estava mais uma vez de mais uma besta do norte. Então Zeus se fez mais presente; fez brilhar os olhos do bárbaro num azul cristalino que só seu poder recendia. Arrancou a filha não nascida da barriga da amante e a puniu com a morte como única maneira de ninguém mais possuir aquela beleza.


Alguns dizem que logo após esse duro sacrifício - eu chamo de assassinato -, Crota apareceu e avançou contra seu Deus na esperança de vingar a mãe e irmãzinha. Zeus, limitado por um corpo humano, e Crota, agora só dentes e saliva. Crota fez com o corpo do pai o mesmo que Zeus fez com o corpo da mãe: cortou-lhe o bucho e arrancou-lhe as vísceras. Foi quando Zeus saiu do corpo do bárbaro que Crota entendeu o porquê dos olhos azuis; Zeus saiu sem nenhum machucado, sequer manchado de sangue humano, e prometeu que Crota seria a próxima besta que ele enjaularia para servir aos Deuses do Olimpo.


Crota, numa fúria que rasgava sua educação ao meio, prometeu que cresceria suficientemente para jogar o Monte Olimpo na Midgårdsormen, para que não somente ele pagasse pela morte de sua mãe, mas seus filhos e filhas e irmãos e irmãs.


- Você matou minha mãe e possuiu meu pai pois sente medo de outros Deuses. A mim você temerá não porque sou um Deus, mas porque sou apenas um Homem.


Então Crota correu para planejar sua vingança. Fugiu de Crotona, nada mais haveria ele de ter ali. Viveu nas ruas de Grécia e fomentou sua marginalidade, sendo o mais temido dentro os maltrapilhos. Aquele que antes era o mais alto e também o mais bondoso, agora era ainda maior e musculoso e justo consigo mesmo, tomando tudo aquilo que pensava ter direito. Soldados espartanos tão logo perceberam a sua braveza e convicção; tomando-o para Esparta como cidadão, já que Grécia não o considerava homem político. Foi em Esparta que Crota conquistou o direito de ser chamado Atlas, logo após persistir e sobressair no Agogê. Em diante ele lutou muitas batalhas e também se feriu, mas a todas sobreviveu; um instinto impulsionado pela efervescência que sentia dominar seu sangue a cada outro Homem que conseguiu subjugar.


Crota de Crotona então passou a ser chamado Atlas, o gigante de Esparta. Atlas não temia Homem algum, mas todo homem temia Atlas. E a Atlas corrente alguma conseguiria suportá-lo, então partiu em direção à sua vingança, abandonando sem remorso seus irmãos espartanos, que de nada poderiam fazer para contê-lo.


Foi em Fenicides, uma vilazinha atormentada por bandidos, que decidiu se estabelecer. Lá guarneceu os camponeses de Fenicides, impedindo que os bandidos sobrepujassem suas parcas terras. Ganhou casa, pequenas provisões e um bezerro; animal este que os habitantes insistiam em nomear com o mesmo nome da vila, pois Atlas nunca saia de casa sem que o bezerro estivesse montado em suas costas. E à medida que Fenicides, o bezerro, crescia, Atlas crescia junto. De bezerro passou a boi, de Atlas passou a uma fera sem pêlos que não mais cabia em casas convencionais. Atlas persistiu em carregar Fenicides nas costas até a morte do animal. Atlas disse algumas palavras a Fenicides, palavras de respeito, mas nunca palavras que o faziam esquecer-se de sua vingança; não tardou em devorar o grande boi, rasgando a carne com mãos agora maiores que a do seu pai. Comeu toda a carne em uma noite só, marchando ao Monte Olimpo no primeiro filete de luz.


Pouco se sabe após esta marcha, mas adianto que Atlas não consumou a sua vingança. Ganhou, me arrisco a dizer, uma coisa muito melhor: ver medo nos olhos de Deuses ditos seus autores.


- Pode me aprisionar como besta que sou, como Homem que diz ter criado. Aprisiona-me, pois força para me submeter não há. Zeus, eu sou o Homem que conquistou o medo de seus Deuses. Zeus, eu sou o Homem que nem você, sequer sua prole, conseguiu matar.


Então Zeus, tomado pelo peso da verdade, condenou Atlas a carregar o mundo nas costas. Atlas gargalhou.


- Zeus, que infâmia! A última coisa que carreguei nas costas morreu antes de me cansar. Tente! Testa-me a força, me condene a carregar seu reino, mas lembre-se que, se um dia você sucumbir, eu estarei aqui para devorar tudo o que é seu.

25 de Novembro de 2020 às 20:39 12 Denunciar Insira Seguir história
8
Fim

Conheça o autor

Rodrigo Borges Conto histórias e as vivo. Bebo cerveja e fumo, mas também como legumes e me exercito. Tenho um canal no Youtube (Rodrigo Borges - Papironauta) sobre a escrita, mas você não vai gostar dos vídeos. Também tenho um Instagram (@papironauta) voltado para o mesmo tema.

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Olá, Rodriguinho! Gostaríamos, primeiramente, de te agradecer por ter abraçado um de nossos desafios. Fizemos o #ZeusPaiDeTodos com muito carinho, pensando especialmente em vocês, e receber esse retorno com contos perfeitos como o seu nos motiva cada vez mais. Agora, deixamos outro desafio para você: repetir o título da sua história pelo menos quatro vezes, bem rápido. E aí, vai encarar? 👀 Crota de Crotona é uma obra para ninguém botar defeito: a narrativa bem construída não deixa pontas soltas em seu final, e cada trecho do conto é bem utilizado na trama, tendo seu significado e importância consolidados. Além do que, cada mísero elemento nos instiga, do título à sinopse, da sinopse à citação no início do texto: estamos acostumados a ter os deuses em destaque nas obras, enquanto seu conto deixa claro que não há espaço para eles ali, mas, sim, o enaltecimento dos Homens, sobretudo de Crota, aquele que foi capaz de inspirar temor no soberano dos deuses. A ideia de mostrar a dualidade representada entre deuses e seres humanos ao mesmo tempo que os colocava em pé de igualdade mostrando na integra a força e a determinação de Crota fez com que a narrativa se tornasse ainda mais atraente. E, seguindo isso, é interessante apontar a relação de Crota com o pai, um bárbaro que confiava plenamente em seu filho, apesar de ele se mostrar tão diferente — desde no que diz respeito à forma de ser quanto no físico, trazendo os traços de um povo pelo qual nutria desprezo. Ver a relação dos dois e o ódio que Crota nutriu por Zeus, nos mostrou a realidade de dois tipos de pais: um bárbaro que ama, confia e respeita seu filho versus um deus do Olimpo, que negligencia os seus e guia suas ações partindo do egoísmo. Crota então tem uma motivação mais do que justa: vingar a morte violenta de seus pais e irmã, causada pelo ego de Zeus. A partir de então, o lado grego de sua fisionomia se esvai enquanto toma as formas de um bárbaro e enfrenta diversos embates que evidenciam o quão determinado está, ao ponto de inspirar temor nos gregos e ser abrigado por espartanos; conhecidos como uns dos maiores guerreiros do mundo. Cada detalhe da jornada de Crota é importante, até alcançarmos o momento em que ele defende a pequena vila e toma a decisão de carregar o bezerro em suas costas, onde pudemos imaginar toda a cena se desenrolando — desde o momento em que isso começou até o momento em que a hora de o animal ser abatido para que Crota dele se alimentasse chegou. A descrição ajudou muito a criar a cena em nossas cabeças, como se víssemos tudo através de uma televisão. Em seguida, temos o ponto alto: a ida de Crota, também chamado Atlas, para o Olimpo. A frase que encerra o conto nos causa arrepios, fazendo paralelo ao titã Atlas; condenado por Zeus a carregar o mundo em suas costas. Mas, tratando-se de Crota, vemos o quanto ele continua convicto de seus princípios: não lhe bastou ver o temor nos olhos de Zeus, e sua ameaça paira e nos deixa estupefatos, absorvendo e saboreando o impacto desse diálogo. No mais, os resultados estarão disponíveis nas mídias sociais oficiais do Inkspired Brasil logo mais, dia 26/11. Fique de olho e boa sorte! 🤍
November 26, 2020, 19:46

  • Rodrigo Borges Rodrigo Borges
    kkkkkkkkkkkk esse trava língua não foi intencional, juro. muito obrigado pelo tempo de leitura e por conceder esse desafio maravilhoso. essa história estava na minha cabeça durante um tempo em que eu não podia sequer pensar em sentar pra escrever. vendo o desafio e percebendo se adequar bem ao que eu queria escrever... poxa, foi algo que me ajudou bastante, sério. bom, um comentário desse não merecia demora para ser respondido, mas eu não deixaria de prestar a mesma gentileza se não houvesse explicação. muuuchas gracias por todas essas palavras! November 28, 2020, 01:37
amy ੭ amy ੭
Oi, Rodriguinho. Eu não falei que ia voltar para a sua mais pura felicidade? E bom... que conto mais incrível! Todo o desenvolvimento do início ao fim foi impecável, a trajetória de Crota e sua frase final foram de arrepiar. Mesmo que não tenha matado Zeus, só o gostinho de ver esse deus tão pomposo tomado pelo medo já fez valer a viagem. KJDSAKFJ Admito que, de início, fiquei pensativa quanto à mistura de duas mitologias distintas, mas a cada linha de sua história ficava cada vez mais imersa no conto, ansiando por mais. Você trouxe as referências na medida certa, um texto coerente e uma história sem pontas soltas... você merece nota dez, viu? Mas não se acha muito não. Fez por merecer. Obrigada por ter aparecido pra participar. No próximo desafio, que fica por sua conta, eu vou estar ali torcendo de pompom; e quero um comentário lindo de bonito na história que eu escrever, taokei? Um abraço. 💛
November 26, 2020, 16:44

  • Rodrigo Borges Rodrigo Borges
    hehehehe, que coisa rara, a amy me elogiando kkkkkk mas brincadeiras à parte, eu não falei isso nas reuniões, e até demorei um tanto para responder aqui, mas vocês me receberam mt bem de volta e ainda lendo minha historinha e deixando esses comentários maravilhosos. no próximo desafio, que será por minha conta, quero ver tu torcer mesmo, dar cambalhota e os caô, e no final deixo um comentário dahora, MAS DAHORA MESMO! na sua história kkkkk November 28, 2020, 01:43
Delvan Sales Delvan Sales
Parabéns pelo conto, Rodrigo. Já estava pra te cobrar algo novo, felizmente não precisei fazer isso. Sobre o conto: cara, eu gostei demais! Temática show, desenvolvimento fluido e final nada clichê, tá de parabéns, meu amigo!
November 26, 2020, 03:21

  • Rodrigo Borges Rodrigo Borges
    pô, Delvan, valeu aí. consegui me livrar de uns pesos, q tu sabe bem quais foram kkk, e tô tentando voltar ao eixo. tenho muito coisa pra ler ainda, inclusive escritos seus, aos poucos vou deixando as coisas em dia. quanto ao meu conto, valeu pelo tempo para lê-lo e por suas palavras, e vamos beber umas cervejas depois e falar sobre nossas histórias. November 28, 2020, 01:49
PI Priscilla Inácia
Adorei a história. O crossover nórdicos x gregos ficou show. Seu conto me prendeu do início ao fim, a origem de Atlas foi muito bem contada. Gosto do fato de que não importa quantas maldades os deuses façam com os humanos, isso acaba sendo uma motivação para supera-los. Parabéns.
November 25, 2020, 23:38

  • Rodrigo Borges Rodrigo Borges
    siiim, isso sempre me fascinou. por mais que não soltamos raios pelas mãos, são tantos meandros que tomamos em nossas cabeças e corações que acabam por nos tornar fortes contra o que quer q seja. isso sempre me fascinou, e o tipo de atenção que você me destina só deixa o assunto mais interessante ainda. nossa kkkk eu apaguei bastante coisa nesse comentário, tu me incentivou a falar de algo que gosto, mas não vou me prolongar. se tu chegar a ler esse comentário, me ensina a deixar a primeira letra como a da sua história, INCLUSIVE, eu vou ler seu escrito participante do desafio a tempo, é que eu sou muito lento e tem muitas histórias para ler hehe. ademais, mt obrigado, priscilla!! November 28, 2020, 01:53
Karimy Lubarino Karimy Lubarino
Ah, cara, que história deliciosa! Eu realmente gostei demais de ver essa disputa entre crenças no conto, fez com que eu conseguisse enxergar o pai de Atlas realmente como um bárbaro nórdico com sangue quente correndo pelas veias. Imagino a felicidade dele no sSalão dos Mortos ao ver o desenvolvimento do filho e que estava certo ao pensar que Crota lhe traria orgulho. Eu achei bem interessante a ideia de um humano tão feroz a ponto de encarar o deus dos deuses do Olimpo com as próprias mãos. Melhor ainda foi o final, quando ele viu a punição de Zeus como um desafio que não poderia ser recusado e retribuiu isso com uma ameaça equivalente - ou até pior. Parabéns pela história. Tá um arraso!
November 25, 2020, 21:24

  • Rodrigo Borges Rodrigo Borges
    vei kkkkk dá vontade de filosofar nesses comentários, mas eu vou te poupar, karimy kkkkk. bom, desculpa a demora para ler os comentários e responder :x. primeiro, muito obrigado por me receber com todo o entusiasmo do time, assim como já disse pra amy, isso com certeza me motivou mt a terminar essas 1300 e pouquinhas palavras (pra vc ver como estou enferrujado). não consigo escrever um parágrafo sem inicia-lo com algumas palavras de costume de tcc, mds, tira isso de mim!!!!. enfim, tão logo você correu pra ler minha historinha e deixar esse comentário lindo, cê sabe, quer deixar um escritor feliz, elogie suas palavras. pois bem, seu comentário foi o primeiro a me deixar feliz desse jeito ^^. November 28, 2020, 01:59
amy ੭ amy ੭
parabéns Rodrigo nota 0 ok brincadeiras à parte prometo fazer um comentário descente e já agradeço por participar, queridíssimo ♡
November 25, 2020, 20:43

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