nathymaki Nathy Maki

Shouto um dia pensou que todas as paixões se desvaneciam em algum momento desde que lhes fosse dado tempo suficiente. Anos mais tarde, não consegue compreender por que parece ser uma exceção a essa regra. Após receber uma ligação no meio da noite vinda de um Midoriya muito bêbado e que precisa desesperadamente da sua ajuda, ele então entende: existem amores que nem mesmo o tempo consegue apagar.


Fanfiction Anime/Mangá Todo o público.

#romance #emocional #fluffy #bnha #tododeku #fofo #mha #boku-no-hero #my-hero-academia #carinho #beijo #abraço #tddk #confissão
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Capítulo Único

Baseada na música Intertwined - dodie. Eu só ela achei muito a cara desses dois e precisava tirar esse tempo presente da cabeça.
(https://www.youtube.com/watch?v=WaHrWLCUmfc)
Espero que gostem <3

***

Acontece no início do seu segundo ano.

Shouto reflete sobre isso enquanto bebe seu café e observa Midoriya tropeçar pela sala com os cabelos bagunçados e olheiras evidentes. Ele não aparenta ter dormido bem nos últimos dias e o jovem se pergunta qual problema o mantém acordado durante as madrugadas. Kaminari comenta no sofá sobre o susto que levou ao descer para pegar um copo de água e dar de cara com o colega sentado à mesa com olhos muito brilhantes e cara de maníaco. Todoroki pondera se deveria perguntar, eles são amigos agora afinal. Ele pode demonstrar sua preocupação com a saúde dele sem parecer interessado demais no fato.

— Isso é cafeína? — Midoriya enfim o encontra em seu canto silencioso, cheirando o ar de forma esperançosa. Shouto encara aqueles olhos verdes e implorativos e se sente perdendo. Ele rapidamente esquenta outra xícara e prepara um novo café para o colega.

— Muito obrigado, Todoroki-kun. — Ele sorri largo, levando a xícara aos lábios e suspirando ao provar a bebida. —, isso está perfeito! Você é um verdadeiro salva-vidas.

Shouto tenta não se preocupar demais, mas algo em seu peito lhe diz que não é capaz. Ele se flagra encarando Izuku com intensidade, apreciando o rubor nas bochechas e o agitar de mãos enquanto ele continua falando sobre os testes daquele dia e como espera se sair bem.

— Talvez se você descansar um pouco se saia melhor. — As palavras escorregam por sua língua antes que ele consiga impedi-las. Shouto nunca fora muito bom em contê-las.

Midoriya para, os olhos muito arregalados e então pisca várias vezes como se estivesse tentando processar o conteúdo de sua fala em busca de alguma piada. Shouto não costuma fazer piadas, mas, por algum motivo, os outros sempre o acham hilário. Em determinado momento, ele apenas decide parar de tentar entender e aceita que as pessoas são estranhas assim mesmo.

— Oh! Não! Eu estou bem — ele diz enfim, tão rápido que as palavras se atropelam umas nas outras e saem emboladas. — Não precisa se preocupar comigo, Todoroki-kun. — Rapidamente, termina o café e leva a xícara para a pia, virando-se para agradecer antes de sair com pressa. — Estava excelente, obrigado mais uma vez.

Shouto se pergunta se estragou tudo, mas sabe que Midoriya não é esse tipo de pessoa. Ele apenas se considera no papel de cuidador, sem nunca se permitir ser cuidado. Com um suspiro, Shouto termina o café e volta para o quarto para se trocar para a aula.

Uma vozinha interior lhe avisa de que aquele será um longo dia.

Durante os testes físicos, ele, Uraraka e Iida o observam cochilar enquanto faz uma barra. É impressionante e toda a turma tira fotos que são mostradas depois a um envergonhado Midoriya que se desculpa profusamente com Aizawa. No almoço, a cabeça dele cai contra o prato de katsudon e espalha comida por toda a mesa, manchando também o seu uniforme. Na volta para o dormitório, os passos de Izuku vacilam e suas pálpebras oscilam pesadamente. Todos se encolhem ao assistir o pé dele prender no degrau e ele se estatelar na entrada, erguendo-se depois com uma risada sem graça e uma mancha vermelha na testa que certamente viria a se tornar um galo. Apesar de ser uma cena que costuma induzir risadas, nenhum deles acha engraçado. Estão preocupados demais com Midoriya para isso.

No dia seguinte, tudo piora. Midoriya quase cai de um telhado no qual estava fazendo a vigilância e Iida enfim resolve tomar medidas drásticas. Shouto lhe dá a ideia e o representante arrasta um confuso Shinsou de sua aula com nada mais dito além de que se tratava de um assunto urgente. O garoto de cabelos roxos apenas os observa enquanto eles contam o que desejam e então suspira consigo mesmo, parecendo resignado.

Algumas palavras depois e Midoriya se encontra roncando suavemente no colo de Ochako, completamente apagado. Eles agradecem a Shinsou que volta a sua classe parecendo tão apreensivo com aquela situação quanto eles se sentem. Shouto estuda o rosto adormecido de Izuku e se pergunta, não pela primeira vez, o que pode estar acontecendo. Finalmente, Ochako, que parece saber algo sobre, tenta aliviar o peso de suas preocupações.

— Ele só está estressado, sabe — ela comenta, as sobrancelhas franzidas, enquanto passa os dedos pelos cachos esverdeados. Algo no peito de Shouto ferve com aquele gesto e suas chamas ameaçam explodir a qualquer instante. Ele não sabe o que é, mas tem um desejo súbito de estar no lugar da garota, tocando-o daquela maneira, provando a si mesmo que os cabelos dele são tão fofos quanto parecem ser. — O Dia dos Namorados está chegando e eu ouvi que ele quer se confessar para alguém especial.

É uma coisa boa Shouto ter aprendido a controlar suas expressões. Do contrário, teria deixado entrever o choque que sente ao ouvir aquela notícia. Um Midoriya com interesses românticos nunca havia passado por sua mente.

— A próxima aula já vai começar, mas acho melhor deixarmos ele dormir mais um pouco — Iida diz, consultando o relógio de pulso. Sob as lentes brilhantes dos óculos, Shouto pode ver que ele apenas deseja fazer o que for melhor para o amigo. — Todoroki-kun, você poderia levá-lo de volta para o dormitório? Uraraka e eu avisaremos a Aizawa o que aconteceu.

Ele concorda e o peso de Izuku em seus ombros lhe parece muito mais confortável do que deveria ser. A bochecha dele encosta em seu pescoço enquanto ele ressona baixinho. Shouto sente seus batimentos muito altos em seus ouvidos, o som ruge sobrepujando os próprios passos, e o caminho para os dormitórios de repente parece curto demais.

Ele toma cuidado para não o acordar ao subir as escadas e o deita na cama, parando alguns segundos a mais para observar. Ele mal repara nas dezenas de pôsteres do All Might que o observam, focado demais no modo como a mão dele se curva em direção ao rosto e os cílios tremem de leve em meio aos sonhos. Sua individualidade o faz suar, suar frio, o que de algum modo não deveria acontecer, e ele considerar fazer uma visita a Recovery Girl para averiguar uma possível doença. Nesse instante, porém, Midoriya agarra seu braço como se este fosse uma pelúcia muito querida, e o aperta contra o peito, puxando um Shouto desequilibrado para junto de si.

De repente, eles estão muito perto, perto demais, próximos o suficiente para Shouto sentir a respiração tranquila dele fazer cócegas em sua pele. Seu coração dispara como se houvesse sido dada a largada de uma grande corrida e suas chamas queimam parte do casaco do uniforme. Ele apenas permanece ali, paralisado, olhos muito arregalados enquanto sente seu corpo reagir de maneira estranha aquela proximidade inusitada. Apesar de tudo, Shouto gosta da sensação. Ele deseja ficar.

É nesse momento que ele entende.

E, oh, ele está muito, muito perdido.

De súbito, todas as peças se juntam em sua cabeça, os olhares, a preocupação excessiva, o batimento engraçado que seu coração executa sempre que recebe um daqueles sorrisos brilhantes. A emoção desconhecida contra Uraraka segundos atrás se torna clara: ciúmes.

Com delicadeza, Shouto solta o seu braço do agarre e estende a mão, hesitantemente, para afastar os cachos que lhe caíam sobre os olhos. São mesmo tão macios quanto havia imaginado. Seus dedos escorregam pela testa, traçando um caminho pela face, e permanecem lá, pele na pele quente de suas bochechas. Ele toca uma das sardas enquanto o mundo desaba ao seu redor com estrépito e a percepção se assenta sobre sua cabeça.

Ele está apaixonado. Apaixonado por Midoriya.

Nesse minuto, o outro se vira para o lado, murmurando incompreensivelmente durante o sono. Shouto percebe então o que está fazendo e se afasta. Com os dedos ardendo, ele deixa o quarto a uma velocidade impressionante.

***

Shouto tenta não pensar demais nisso, mas acaba obcecado pelo assunto, completamente focado nos dramas adolescentes que antes dizia não ter tempo para participar. Chega a ser ridículo, ele nem mesmo sabe para quem Izuku se confessaria. Ainda assim… ainda assim a pergunta ronda sua mente, tomando toda a sua atenção.

E se?

Essas duas palavras passam a assombrar seus pensamentos nos dias que se seguem. Ele as pesa com cuidado, tentando se convencer de que permanecer na dúvida eterna não é algo bom. Mas o que pode fazer? Ele está com medo. Um sentimento nem um pouco familiar, mas que arde no fundo de sua garganta sempre que contempla aquela possibilidade de Midoriya se declarar para um outro alguém desconhecido.

E se Shouto se confessar primeiro?

E se ele fizer tudo errado?

E se ele o afastar para sempre?

E se? E se? E se?

Embora saiba de que a maior parte de suas dúvidas não passam de uma bobagem nervosa, Shouto as mantém consigo ao longo das horas. É ridículo, tem consciência, mas de alguma maneira, ele não quer errar. Então monta um plano. Ele iria fazer aquilo do jeito certo, em um local adequado e se esforçaria para colocar para fora as palavras que tão comumente permanecem presas em seu interior. Ele diria: “Eu gosto de você, Midoriya. Gosto muito de você.” e não se importaria com o que aconteceria depois. (Ele se importa, na verdade. Muito.)

Shouto pode não ser bom com esse tipo de coisa, as pessoas costumam dizer que ele faz esse tipo de cara, bonitão e estoico, às vezes até mesmo frio e indiferente, e parece que nada o afeta, mas isso não é exatamente verdade. Ele tem sentimentos e emoções como todo mundo, apenas os mantém trancados para a própria proteção (no fim, pensa, talvez tudo aquilo seja culpa de seu pai), ou outras vezes elas passam despercebidas no momento por ele não saber como se expressar.

Pessoas são criaturas difíceis e confusas, elas exigem muitas nuances imperceptíveis e dão pouco retorno em troca. (Midoriya não, ele nunca critica Shouto por se recolher sempre que tudo parece demais para continuar levando). E mesmo que todas essas coisas sejam verdade e tudo venha a dar errado, de algo ele está convicto: Midoriya será gentil. Porque é isso que ele é acima de tudo. E Shouto confia nele como nunca confiara em ninguém.

Ele se convence de que está preparado.

É Dia dos Namorados afinal, qual outra data seria tão perfeita para isso senão aquela? Shouto já enfrentara vilões e havia vencido; enfrentara seu pai e, bem, isso ainda era algo em andamento, mas ele tem certeza que após todo o apoio de Midoriya ao saber da verdade, que essa seria uma questão que em breve deixaria de o assombrar; ele enfrentara seu passado com sua mãe e agora a relação deles está mais próxima do que nunca. Então, sim, ele pode dar conta de algo tão simples quanto uma confissão.

Isso é, se ele conseguisse encontrar Midoriya que parecia ter escolhido justo aquele dia em especial para desaparecer. Nenhum dos colegas o havia visto, nem mesmo Uraraka tivera notícias dele desde o início da manhã quando todos tomaram café da manhã juntos.

Shouto o procura por todas as salas do prédio e o encontra por fim no telhado, curvado na frente de uma garota, o rosto vermelho vivo. Algo em seu coração se quebra e ele foge da cena como se esta estivesse pegando fogo (ainda que esse fosse o caso, ele poderia apenas apagá-lo). O chocolate em seu bolso parece mais pesado quando Ochako o vê voltando para a sala e pergunta:

— Encontrou ele?

Shouto pensa na cena e ela queima em suas pálpebras. Ele dá de ombros, aparentando indiferença.

— Não.

As aulas parecem intermináveis e sua cabeça não consegue se concentrar em nada do que é dito naquele dia. Não há sinal de Midoriya em nenhuma das aulas, mas como os professores não parecem preocupados, os demais relaxam também, imaginando que o colega provavelmente deveria estar tirando outro cochilo à força. Shouto observa os demais garotos contarem sobre os chocolates que haviam ganhado, bem como os que planejam dar, e apenas vira o rosto para a janela pensando que talvez se manter afastado não seja tão ruim assim. Longe, ele não poderia se decepcionar. Longe, nada disso teria acontecido e o nó em sua garganta não existiria. No almoço, Yaoyorozu o pede para a esperar depois da aula e ele ainda está tão abalado que nem mesmo questiona o porquê.

Somente quando todos vão embora e ela se curva diante de si, estendendo-lhe uma caixa rosa amarrada com um laço vermelho, ele entende. Aparentemente, seu coração não seria o único a ser partido naquele dia.

— Eu sinto muito, mas não posso aceitar. Eu… já gosto de outra pessoa.

— Oh.

O rosto dela exibe choque e então vergonha. Será que essa havia sido sua expressão mais cedo ao flagrar Midoriya e a garota no telhado? Ele supõe que sim, mesmo agora não consegue deixar de se sentir tolo por alimentar suas esperanças daquela maneira. É claro que Izuku não gostaria dele. Como poderia? Tudo o que Shouto tem a oferecer não passa de um passado complicado e uma vida de cicatrizes e traumas. Pensando melhor agora, como ele poderia sequer ter pensado que aquilo poderia funcionar? Talvez fosse melhor assim, ele pensa conformado. Apesar disso, ainda dói.

— Lamento de verdade, agora sei que não é uma sensação muito boa.

— Não, está tudo bem, Todoroki-san. Apenas… — ela pausa, os olhos escuros se franzindo nos cantos como se só agora houvesse parado para analisar suas palavras. — Você também foi rejeitado?

Shouto se encolhe. Ela parece genuinamente preocupada agora.

— Não exatamente — diz por fim. — Acho que já não tinha chance desde o início.

Yaoyorozu balança a cabeça com vivacidade.

— Não desista, Todoroki-san. — Ela o abraça de forma gentil e Shouto fica tão espantado por aquela demonstração física de contato que não consegue reagir. — De algum modo, sei que tudo vai dar certo no final. Para nós dois.

— Obrigado, eu acho — ele responde, sem jeito, dando alguns tapinhas no ombro dela em agradecimento. É assim que se fazia, certo? Ele vira nos filmes.

Ambos se separam em um rompante ao ouvir um barulho alto do lado de fora da sala. Shouto tem quase certeza de ter ouvido a porta bater, mas não há ninguém lá quando saem para verificar.

Ele volta para o dormitório e cai exausto em seu futon, desejando poder afundar no chão e permanecer lá até toda essa bagunça passar.

Sentimentos, ele pensa, são ainda mais complicados de se lidar do que pessoas.

***

Anos se passam e todos se formam na U.A., começando de forma definitiva sua carreira como heróis. Ainda assim, Shouto não havia superado sua paixonite secreta por Midoriya. Ele deve ser bom em disfarçar, porque ninguém desconfia nem lhe diz nada e Izuku continua agindo para consigo da mesma maneira de sempre.

Eles se reúnem sempre que suas agendas permitem, vão a boliches e ao shopping para ver um filme, sentam em restaurantes de esquina e discutem sobre suas vidas adultas e as dificuldades do dia a dia. Eles choram juntos e consolam um ao outro nos momentos de dificuldade. Ele o vê seguindo em frente, tornando-se o herói o qual Shouto sempre soube que seria. Ainda assim, Todoroki não consegue desapegar daquele sentimento. Depois de todo esse tempo e tudo o que aprendeu, ele pensou que paixões de escola um dia se esgotavam. Não é o que acontece e ele não sabe como se sente a respeito.

É tarde da noite quando seu telefone toca, um número desconhecido aparecendo no visor. Shouto esfrega os olhos doloridos pela claridade repentina e pisca para afastar a nuvem pesada de sono que se instala em seu cérebro. Cansado como está após a última operação de resgate, ele pondera não atender. Nesses casos sempre existe a possibilidade de ser algum tipo de trote ou mesmo alguém insatisfeito com os heróis em geral; ou ainda pior: seu pai. Algum sexto sentido dormente lhe impulsiona a prosseguir e Shouto leva o aparelho ao ouvido, dizendo:

— Alô? — Sua voz está grave e rouca de sono, mas todos os seus sentidos despertam ao escutar as palavras seguintes.

— Shoutooo, meu salva-vidas, eu disse a eles que você atenderia.

É Midoriya, um Midoriya confuso que enrola as palavras e ri de um modo efusivo demais para aquela hora da noite.

— Midoriya? Está tudo bem?

Há música tocando alta e Shouto sente um tentáculo de medo cru e frio se enroscar em seu coração. Algo está errado.

— Shouto — Midoriya cochicha, ou pensa cochichar, sua voz ainda está muito aguda e várias oitava acima do que seria necessário uma vez que se encontram em uma ligação. Shouto ignora o salto em seus batimentos ao ouvi-lo dizer seu nome daquela maneira. — está tão quente aqui. Quente, entendeu? — ele ri, grogue. — Quente como você.

Agora Shouto está realmente preocupado. Ele agarra o aparelho com mais força como se isso pudesse deixá-lo mais próximo de Izuku de algum modo.

— Midoriya onde você está?

A ligação chia e fica silenciosa por vários segundos preocupantes. Shouto já está de pé, caminhando de um lado para o outro, agitado demais para sequer pensar em voltar a dormir. Ele precisa encontrar Midoriya agora mesmo.

— Alô? Você é amigo desse rapaz de cabelos verdes?

A respiração de Shouto engasga na garganta e ele se atrapalha ao dizer:

— Sim! Por favor, ele está bem? Que lugar é esse?

A garota no telefone é gentil. Ela lhe assegura que Midoriya está bem fisicamente (muito embora o mesmo não possa ser dito sobre o seu equilíbrio e funções cognitivas) e lhe passa o endereço de um estabelecimento do outro lado da cidade. No minuto seguinte, Shouto já se encontra na portaria do seu edifício, correndo pelo gramado em direção às ruas.

O trem leva tempo demais e ele batuca os dedos no assento em uma tentativa de se acalmar. Está tudo bem, garante a si mesmo, ela teria me dito se ele estivesse com algum problema. Porém, isso não o acalma. Shouto conhece Izuku bem o suficiente para saber que, mesmo que ele não esteja com problemas no momento, em algum ponto a encrenca o encontraria e bateria de frente. Ele suspira e deseja que o transporte vá mais rápido.

Passa da meia-noite quando Shouto enfim encontra o local do endereço. As ruas estão começando a se esvaziar e muitos letreiros em néon piscam para ele das esquinas. Shouto os ignora, seus olhos percorrendo a fachada do restaurante velho enquanto se pergunta mais uma vez como Midoriya teria ido parar ali. Sentindo o suor se acumular nas palmas das mãos, ele se curva para passar pela porta.

— Boa noite, mesa para um? — Uma garçonete o recebe com um largo sorriso. Shouto aperta os olhos, virando a cabeça para encarar o interior de aparência simples e gasta e encara cada um dos rostos que tem alcance. — Senhor?

— Ah, não, obrigado — ele recusa, obrigando-se a ser educado. — Eu estou aqui pelo meu amigo. Tem cabelos e olhos esverdeados, costuma falar muito quando está empolgado e pode estar levemente bêbado. Você o viu?

Seus olhos se grudam ao rosto dela, sem realmente perceber suas feições, enquanto ele aguarda com intensidade a resposta. A garçonete fica vermelha e baixa os olhos para as mãos, parecendo inquieta.

— Ah, bem, então você é o amigo do telefonema, certo? Ele está logo ali — diz, apontando para uma das mesas mais ao fundo, a qual ele não notara por estar oculta por outros clientes. — Talvez não tão levemente bêbado assim.

— Obrigado.

A passos largos, ele caminha até a referida mesa, ansioso por encontrá-lo e esclarecer toda aquela situação. Então ele o vê, bochechas sardentas e avermelhadas, cachos bagunçados e olhos brilhantes. Mesmo depois de todos esses anos, vê-lo sempre causa um revirar tremulante em seu estômago. Borboletas idiotas, ele pensa.

Midoriya está inclinado sobre a mesa, a mão direita fechada ao redor de uma caneca de cerveja enquanto ri de algo dito pelo grupo. É o braço jogado de forma casual sobre os ombros dele que faz Todoroki parar.

— Midoriya? — pergunta, a garganta de repente seca, e sua urgência sofre um forte abalo.

Os olhos verdes se viram, fixando-se em si e ele sorri daquela forma resplandecente que lhe garante ter todos os seus desejos atendidos.

— Todoroki-kuuun, você veio! — ele soluça e não consegue parar de rir. — Eu sabia que você viria. Você é o meu herói, não é?

— Quem é o seu amigo, Izuku? — O homem que o segura pelos ombros pergunta, próximo demais do rosto dele para o seu gosto. Ele tem cabelos e olhos escuros, e Shouto não gosta do olhar malicioso que identifica no rosto dele.

— Esse é o Shouto, o melhor herói desse mundo inteirinho.

Shouto respira fundo para impedir o rubor que tenta lhe subir ao rosto e retoma sua aproximação, tomando a mão de Midoriya e o puxando para ajudá-lo a ficar de pé.

— Estou aqui para buscá-lo — avisa, lançando o seu melhor olhar frio para o outro.

— Todoroki-kun — Midoriya agarra sua manga e tenta sussurrar em seu ouvido. —, o Shindou aqui disse que íamos nos divertir.

— Tenho certeza que disse. — O olhar passa de frio a ameaçador e Shouto já não se preocupa mais em esconder sua hostilidade. Todo o seu corpo está retesado, pronto para ensinar aquele cara uma lição sobre se aproveitar dos outros, mas Izuku ainda pende molemente em seus braços e ele é sua prioridade no momento. — Vamos, Midoriya, está tarde.

— Ei, cara qual é! — Shindou reclama audivelmente. — Estávamos nos divertindo aqui!

— Você e sua trupe podem procurar outro tipo de diversão — Shouto sibila, o braço se fechando de forma protetora ao redor de Izuku e o trazendo para mais perto. Ele sente o rosto dele enfiado em seu peito e as mãos frias emaranhadas em suas costas. — Eu estou levando ele agora, não precisa se incomodar mais.

— Ei, volte aqui! Não pode fazer isso! — Ele tem a audácia de agarrar sua manga e Shouto se vira de forma abrupta, encarando-o quase uma cabeça mais baixa. Ele sente as chamas aquecerem o lado esquerdo do seu rosto e vê o outro recuar, tropeçando de volta ao banco.

— E quem vai me impedir? — pergunta, queixo erguido, e não recebe resposta alguma. — Foi o que pensei. Vamos, Midoriya, vou te levar para casa.

Eles saem cambaleando do restaurante, Shouto carregando a maior parte do peso de Izuku. Juntos, tropeçam pelas ruas, desviando dos passantes remanescentes e sentam lado a lado em um banco próximo à estação para recuperar o fôlego e esperar o trem de volta chegar.

— Parece que você me salvou de novo — Midoriya murmura, os olhos pesados. A cabeça dele cai em seu ombro e Todoroki o segura antes que ele possa cair de cara no concreto sujo e frio.

— Você não pode simplesmente sair assim com pessoas que acaba de conhecer! — As palavras quase explodem de seus lábios em um rosnar frustrado. — Tem noção do quanto eu fiquei preocupado? Eu sei que você pensa que todas as pessoas lá no fundo são boas, mas existe gente ruim por aí, Midoriya. Você como um herói profissional precisa tomar mais cuidado.

— Sinto muito — ele diz, mas não consegue manter os olhos focados. — Eu só queria te ver… então precisei fugir de novo como um covarde. Por que será, eu me pergunto, que estamos sempre repetindo os mesmos padrões?

Shouto não entende o que ele quer dizer, mas acaba perdendo sua chance de perguntar. No minuto seguinte, Midoriya já se encontra roncando com suavidade, completamente apoiado em sua lateral. Ele fecha mais o casaco do outro e o observa com uma pontada daquela antiga preocupação.

— O que eu vou fazer com você? — pergunta para a estação vazia sem esperar realmente uma resposta.

Shouto decide levá-lo para o seu apartamento. É o lugar mais próximo e, de todo modo, ele não tiraria mais seus olhos de Midoriya naquela noite. Sabe-se lá em que tipo de problemas ele ainda conseguiria se meter. Não, era melhor para ele ficar seguro consigo. Todoroki compra uma garrafinha de água e tenta fazê-lo beber aos poucos. O trem chega ao seu destino e ele é obrigado a carregá-lo por todo o caminho, uma vez que fica com pena de o acordar novamente.

O corpo dele balança levemente em suas costas (é como assistir a uma repetição de um momento antigo) e ele se repreende por não ter pego o casaco antes de sair correndo de seu apartamento. Embora a brisa esteja fria e arranhe seu rosto com seus ventos gélidos, o corpo de Midoriya está quente. Shouto está acostumado ao calor e suas variáveis inconstantes, ele conhece a sensação ardente, a dor de uma queimadura, o alívio de ser preenchido pelas chamas quando tudo fica frio demais; porém, ele nunca havia sido alertado para aquele tipo de queimação, aquela que se inicia em seu âmago e preenche gentilmente, mas com intensidade, cada parte do seu ser. A respiração de Izuku roça seu pescoço e o queixo se apoia na curva do ombro, causando-lhe arrepios a cada passo. Controle-se, diz a si mesmo tentando conter o furacão de chamas que rugem em seu interior e ameaçam escapar por sua individualidade subitamente descontrolada.

A caminhada de volta parece menor e logo ele se vê abrindo a porta da frente e ajudando Izuku a descalçar os sapatos. Eles caem juntos no sofá, um amontoado de membros enlaçados, peles se tocando, calor compartilhado, pés tocando pés. Ah, sua mente embolada percebe a situação, a intimidade contida naquela pouca distância. Ele devia se afastar. Porém, naquele momento, Shouto sente como se estivessem em um outro lugar, completamente sozinhos e seguros do mundo. Ele está cansado de tentar fugir de Midoriya e deseja apenas poder ficar ali, aconchegado no calor gentil, e acompanhar de perto o ritmo dos batimentos dele. Eles flutuam em picos, soando com intensidade quando ergue a cabeça para o observar.

Shouto quer ficar ali e rir do medo que o paralisa até este sumir, até estar entorpecido o suficiente para nada mais importar. Midoriya lhe oferece um de seus sorrisos abertos e verdadeiros e ele sente que precisa respirar fundo para não se deixar desmoronar. Izuku o imita e ele se pergunta tolamente se ele é capaz de ler seus pensamentos. Saberia ele a verdade que lhe custava pôr em palavras todos esses anos? Poderiam eles permanecerem assim, entrelaçados, e libertar-se de todo o medo e das dúvidas? Porque Shouto não os suporta mais manter. Ele quer derramar-se, expor toda a esperança e adoração que guarda desde o instante que entendera o que estava acontecendo. Mas o temor e o velho sentimento de rejeição ao vê-lo naquele telhado o impedem de seguir em frente. Midoriya, porém, não parece sofrer desse problema. Ele já não está mais tão bêbado assim, mas ainda há álcool suficiente em suas veias para o puxar para mais perto. Ele se sente cheio de coragem. Coragem líquida.

— Vamos, Todoroki-kun, durma aqui comigo só por alguns minutos. Eu preciso de você…

Izuku não sabe o quanto daquilo são suas palavras e o quanto é a bebedeira falando. No momento, ele não se importa na verdade. Ele se sente quente e Shouto tem um cheiro tão bom e eles estão muito perto. Todoroki cede. Os lábios dele tocam a pele exposta do seu pescoço e Izuku precisa conter a vontade de choramingar. Alguma parte longínqua de sua consciência sabe que aquilo não é mais apenas o álcool agindo em seu sistema. Ele quer que Shouto continue, quer que os braços dele o envolvam e nunca o deixem novamente. Seus dedos partem para o ataque, enroscando-se na camisa amassada e o trazem para mais perto até que não haja distância alguma entre seus corpos e ele possa sentir cada pedacinho de pele que se toca bem como a temperatura incandescente que flui dele. Não há espaço suficiente para eles naquele sofá, então Shouto pressiona sua perna entre as de Izuku e entrelaça-os com mais força.

É tudo bom demais para ser verdade.

Porém, até onde Shouto entende, Izuku ainda está bêbado e não consciente de forma plena do que acontecia, então, relutantemente, ele se afasta. Sua boca deixa a pele dele por um momento para explicar, soando sem fôlego.

— Eu… Midoriya, espere. Eu não posso fazer isso. Você não pode fazer isso assim.

Shouto assiste a expressão dele desmoronar, o brilho reluzente em seus olhos se apaga e de repente ele se sente enfrentando uma nevasca, rodeado pelo branco gélido interminável sem qualquer chance de se sentir aquecido novamente. Idiota, repreende-se.

— Oh — É tudo o que sai dos lábios de Midoriya, a sensação de certeza se apagando de suas veias como uma vela soprada. —, entendo. Sinto muito, Todoroki-kun, eu não estou no meu melhor momento e… ai, por que o mundo está girando?

Com agilidade, Shouto se desenrosca do seu agarre grudento e coloca um travesseiro sob sua cabeça, deitando-o antes que ele tenha a chance de desabar no chão. O gesto derrete seu coração. Midoriya quer chorar, ou quem sabe gritar para ele que não o deixasse, mas não consegue articular as palavras. Ele sente os dedos dele passarem hesitantes pelos seus cabelos, como se não tivesse certeza de que a carícia seria bem-vinda. O gesto tem um quê de despedida que Izuku não pode suportar que se concretize.

— Shouto — ele chama, a língua embolada e as pálpebras pesadas demais para que as mantivesse abertas. Há um pequeno e imperceptível sorriso nos lábios dele ao indagar:

— O quê?

— Shouto — Izuku repete, sussurrando o nome dele como se este fosse um segredo precioso. Os cantos de seus lábios se erguem em um sorriso grogue e, embora as ondas de um doce sono o reivindiquem, ele não cede. Precisa dizer a ele. Shouto tem direito de saber a verdade. — Eu te amo.

— O quê? — ele ecoa, o corpo congelado na mesma posição enquanto os batimentos retumbam furiosamente em seus ouvidos. É possível que…? Será que ele escutou direito? Não, não é possível. Aquilo tem que ser um sonho. Mas Shouto se sente muito bem acordado para acreditar nessa hipótese.

A risada de Midoriya sai arrastada. Ele se apoia sem jeito no antebraço direito e estende a mão livre até o seu rosto, os dedos deslizando por sua bochecha de forma carinhosa, tocando gentilmente sua cicatriz — não como se ela fosse um defeito em sua aparência, e sim apenas uma parte dele que amava como todas as outras — e se perdendo pelo caminho, enroscando-se em seu cabelo agora comprido e o puxando para mais perto até que suas testas estivessem encostadas e os olhos conectados, presos profundamente um no outro.

— Eu te amo — ele diz novamente.

O coração de Shouto parece correr uma maratona em seu peito e ele se sente prestes a explodir. Não, ele não se enganou. É impossível que Izuku consiga forjar o brilho sincero no mar verde que são seus olhos. Ainda assim, ele não pode acreditar que aquilo esteja mesmo acontecendo.

— Poderia dizer isso outra vez?

Midoriya sorri suavemente ao erguer a cabeça para depositar um beijo leve em sua testa e repete com mais clareza:

— Eu te amo.

— Outra vez.

Os lábios dele agora beijam cada uma de suas pálpebras trêmulas.

— Eu te amo.

— Outra vez.

Os narizes se encostam como em um beijo de esquimós, as respirações tão próximas que se mesclam no pouco espaço que há entre suas bocas. Ainda assim, ele fala:

— Eu te amo.

Shouto sabe que está sendo um covarde fazendo-o repetir. Era ele quem deveria estar dizendo aquilo. E, ainda assim, ele continua se escondendo atrás daquelas palavras sussurradas. As palavras que deveria estar dizendo agora. Mas quando tenta colocá-las para fora, tudo o que sai no lugar é:

— Diga de novo.

Midoriya se empurra de vez para uma posição mais sentada. Ele está sorrindo mais amplamente agora enquanto toma seu rosto entre as mãos frias da brisa e fala devagar, mas com a mesma convicção infalível que o conquistara:

— Todoroki Shouto, eu te amo.

E então os lábios se tocam, macios e suaves. Um encostar leve e mais outro e outro, até que Shouto tome a iniciativa e o traga para junto de si, inclinando a cabeça de modo que possa beijá-lo da forma que há tempos vinha desejando. É doce e forte, arde no fundo de sua garganta e queima seus lábios, mas Izuku enrola seus fios compridos entre os dedos e todos os pensamentos evaporam de sua mente. Ele distribui pequenos beijos por seu pescoço, acompanhando a trilha estrelada que parte de suas bochechas, e sente as mãos dele em suas costas, os dedos abertos contornando os músculos e invadindo sua camisa.

Shouto só percebe que está chorando quando Midoriya esfrega o polegar com gentileza para limpar suas lágrimas. Ainda há algo a ser dito e ele sabe que não pode voltar a aproveitar o calor reconfortante do abraço dele sem antes saber a verdade.

— Como? Eu pensei… eu vi você naquele telhado no nosso segundo ano an U.A. se confessando para aquela garota.

É a vez de Midoriya se afastar, os olhos muito arregalados em surpresa. Ele passa os dedos pelo cabelo bagunçado e ri consigo mesmo, parecendo mais desperto agora.

— Você viu aquilo e pensou...? Ah, isso explica tudo. Eu não estava me declarando aquele dia, Shouto. Estava recusando a declaração dela. Por educação fomos para um lugar mais reservado, mas depois eu fui procurar você e então te vi com a Momo e pensei… bem, vocês formavam um bom par, todos da sala torciam para que se tornassem um…

— Oh, então você está dizendo… esse tempo todo… não havia ninguém?

Midoriya balançou a cabeça, um sorriso doce nos lábios.

— Desde o primeiro instante foi você, sempre foi você.

Shouto sente a gargalhada incrédula escapar de sua boca. Ele mal consegue acreditar. Todos esses anos sofrendo, pensando que suas chances eram mínimas, tudo por causa de um mal-entendido que nenhum dos dois procurara esclarecer. Ele abraça Midoriya novamente, e os dois balançam no sofá, ambos rindo da própria estupidez.

— Eu pensei uma vez que sentimentos se esvaiam com o tempo — Todoroki diz, a voz embargada pela emoção. —, mas nunca entendi porque isso não aconteceu comigo. A resposta agora parece óbvia: eu amo você, Midoriya Izuku. Você é o motivo do meu coração bater dia após dia, é o único que eu desejo para estar ao meu lado e sempre irei desejar.

Midoriya ri e pisca para afastar as próprias lágrimas que insistem em encher seus olhos.

— Se ao menos não tivéssemos sido tão estúpidos naquela época... todos esses anos perdidos…

Shouto beija suas bochechas e conta em voz alta as sardas ali acumuladas, o som da risada dele faz seu corpo vibrar. Ele para e encara fundo aqueles olhos verdes que por tantas noites haviam sido o plano principal de seus olhos.

— Não foram anos perdidos — diz finalmente. — Foram anos em que eu pude te conhecer melhor, estar ao seu lado nos momentos bons e ruins, compartilhar risadas e aprender sobre os sentimentos. Posso ainda ser ruim em se tratando deles, mas, em verdade, o que sinto por você nunca mudou nem desvaneceu, é o que dizem que acontece com os amores verdadeiros, não é?

— Nunca pensei que você fosse tão romântico, Shouto — ele ri, mas parece mais desperto, mas vivo. Como Shouto também se sente. O sentimento de amor correspondido é extasiante e o faz ter vontade de cantar.

— Foram todos aqueles filmes que você me fez assistir. — Os dedos se entrelaçam no pouco espaço e Shouto sabe que esse momento estará para sempre marcado em sua memória. — Além disso, podemos começar agora, temos todo o tempo do mundo pela frente. Afinal — sussurra no ouvido dele com intensidade. —, eu amo você.

11 de Novembro de 2020 às 13:18 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

Conheça o autor

Nathy Maki Perdida em um universo de ideias, escrevo para desenterrar os pensamentos nunca ditos em voz alta e para tornar mais vívidos os mundos e situações fantásticas que habitam minha imaginação. Nas palavras, a timidez não é um fardo a se carregar. Em cada frase, todos os sonhos se tornam reais. A cada parágrafo, mundos são refeitos. Em cada página, uma nova realidade se apresenta. Ao final, tudo o que resta é a saudade do que um dia se teve e a esperança do que ainda está por vir.

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