sophialoren Sophia Loren

Iracema, a dona Brasil, sofria com sua população um ano depois da tragédia de Tchernóbil em setembro de 1987. A sua própria tragédia com a radiação. Completamente inconsolável, é visitada pelo Kiku Honda, o senhor Japão. | Hetalia |


Fanfiction Anime/Mangá Todo o público.

#Acidente-Radioativo #drama #hetalia
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Capítulo Único: Césio 137

Era uma multidão no cemitério de Goiânia. As pessoas linchavam, com pedras e tijolos, o caixão revestido de chumbo da pequena menina que recebeu a maior dose de Césio 137. A população tinha medo de que o corpo da criança contaminasse o solo e queriam evitar seu enterro.

Tentando ficar o mais longe possível para não levar uma pedrada estava a personificação do país: Iracema. Fisicamente parecia uma moça com seus dezoito anos. Pele avelã, cabelos compridos negros e olhos castanhos escuros. Chorava copiosamente com as mãos no rosto.

O acidente aconteceu no dia 13 de setembro de 1987. Mais de um ano depois de Tchernóbil. Um aparelho de radioterapia foi encontrado por cidadãos locais que trabalhavam em um ferro velho e abriram o invólucro que protegia o elemento radioativo, o pó do Césio 137. Animaram-se quando perceberam que o pó era brilhante no escuro e azul, um deles deu um pouco de presente para a filha, que Iracema estava vendo o enterro.

Em resumo os homens apresentaram para amigos e o restante dos familiares, que ficaram doentes fazendo a esposa de um deles suspeitar do pó brilhoso, o levando para a Vigilância Sanitária, que deixou no escanteio em uma cadeira por dois dias. No meio tempo à contaminação se espalhou mais e mais.

Só foi descoberto que era radiação quando um físico usou dois tipos de detectores, que indicava altos níveis de radiação e ainda impedindo que um bombeiro jogasse o pó em um rio.

A série de medidas foram adotadas junto com o diagnóstico correto das vítimas, cujos médicos achavam ser um novo tipo de doença contagiosa.

Iracema ficou muito assustada quando soube o incidente. Na verdade sabia que tinha algo errado com seu país, pois estava passando mal nos dias depois do início da tragédia. A personificação e o país era como se fosse um conjunto interligado, se algo de errado acontecesse no território específico, à personificação de tal lugar sentiria mal de alguma forma.

Iracema foi depressa para a cidade do incidente e acompanhou todo o processo de... Quase nada, pois o governo escondeu o motivo real do acidente, dizendo ser apenas vazamento de gás, para não provocar pânico nos turistas que estavam lá para um evento. O povo de Goiânia estava apavorado, pois nos locais mais afetados já estavam isolando as pessoas.

Só dias depois foi revelado tudo para a população. E Iracema sofria, a noite chorava os sentimentos de seu povo, as mortes a deixavam atordoada, além dos sintomas da radiação em sua terra.

— Senhora? — um segurança de terno a chamou — É perigoso ficar aqui, devemos ir embora. O governador quer conversar com você-

— Me deixa em paz! — gritou a moça que ainda chorava — Eu não quero saber dele! Só o meu povo me interessa no momento e Goiânia sofre pelo acidente! — o segurança se afastou assustado, nunca tinha visto Iracema, a dona Brasil, tão fora de si. Somente assentiu e quase foi ao chão quando ela o empurrou e saiu correndo.

×

Iracema não sabia ao certo como tinha chegado ao seu quarto de primeira classe em um hotel local. Mas já estava em sua cama continuando a chorar. Passou um tempo e ela escutou a porta de seu quarto bater.

Iracema queria deixar para lá aquela pessoa do outro lado da porta, mas era muito insistentemente. Levantou-se amargurada e abriu o portal. Está bem, ela não esperava encontrar um japonês de terno, com olhos pretos penetrantes e bondosos indo contra sua postura aristocrata.

Kiku Honda, a personificação do país Japão.

Mas tão rápido quanto a surpresa veio ela foi embora e Iracema simplesmente abraçou aquele oriental que até então mal falava com ela, e molhou o terno fino dele. Em choque, pois não gostava muito de contato físico o japonês a abraçou de volta.

×

— Soube do que aconteceu, Brasil-san — afirmou Honda, agora sentado no pequeno sofá do quarto de Iracema — É muito triste saber que outro acidente envolvendo radiação ocorreu um ano depois de Tchernóbil e quarenta e dois anos dos bombardeios de Hiroshima e Nagasaki.

Em sua poltrona Iracema olhava sem graça para o oriental. Depois de um tempo falou:

— Sim, triste e... Terrível — enlaçou os dedos das mãos, mas sem deixar de fitar seu “convidado”. — Mesmo que as proporções de cada um sejam diferentes. — suspirou. — O senhor e as senhoras Ucrânia e Belarus sofreram mais do que eu. Quero dizer... Sofrem.

— A gravidade não importa. Todos são trágicos. E cada pessoa sofre de um jeito diferente. Não podemos comparar sofrimentos. — disse Japão — Me lembro de que Belarus-san disse quase a mesma coisa que Brasil-san falou agora — negou com a cabeça.

Iracema se remexeu sem graça.

— Mas o que veio fazer aqui, senhor Japão?

Agora foi a vez de Honda ficar tão sem graça que as bochechas avermelharam.

— Queria saber como estava. Sei que mal nos falamos nas reuniões entre os países, todavia, quero pelo menos dizer que não está sozinha nisso. Pode sempre contar comigo e Ucrânia-san e Belarus-san. Em um momento como esse ter alguém que lhe entende é muito gratificante.

Iracema assentiu, quase voltando a chorar novamente.

— Obrigada! Está tudo sobre controle... Eu acho... Mas... É tão doloroso — as lágrimas voltaram a cair — Me sinto impotente por não poder fazer nada para ajudar mais meu povo.

Japão tirou seu lenço do bolso e entregou a Iracema, que aceitou agradecida.

— Brasil-san fez o que pôde e ainda está fazendo. Infelizmente não somos Deus para fazermos mais do que podemos para nosso povo. — suspirou — Vai ser difícil, nunca mais voltará a ser como antes. Tanto a terra quanto o povo e a gente mudaram. Meu melhor conselho é seguirmos em frente e convivermos o melhor possível com essas novas cicatrizes.

A indígena fitou o oriental. Ela precisava admitir que ele tinha razão no que dizia.

25 de Outubro de 2020 às 17:44 2 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

Conheça o autor

Sophia Loren Só uma garota que gosta de escrever.

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Isís Marchetti Isís Marchetti
Olá. Sophia! Tudo bem com você? Faço parte do Sistema de Verificação e venho lhe parabenizar pela Verificação da sua história. É um prazer reve-lá por aqui. Pra falar a verdade eu ainda nem superei sua história e agora você me aparece aqui denovo com uma possível continuação e eu me sinto mais sem chão ainda, porque pra mim essa história é tão forte, elas tem carregando consigo tantas tristezas que eu consigo compreender e tomar pra mim cada coração dilacerado. De certa forma essa história já ganhou um espaço no meu coração e eu até marquei pra mim o anime porque eu quero muito ler e poder entender mais ainda sobre esse universo, apesar disso eu realmente espero que parte da história seja invenção porque eu não sei se saberia lidar com uma história sobre genocídio em massa. Mas não tô aqui pra falar sobre isso, né?! Bom, a coesão e a estrutura do seu texto estão, mais uma vez, muito agradáveis. É uma leitura emocionante e que dá, como posso dizer, descanso para os olhos, e olha que eu preciso muito disso pois estou lendo histórias sem parar desde cedo, haha. Então ler uma história assim, calma, bem escrita, bem desenvolvida e completamente estruturada é como pingar colírios para a vista cansada. A narrativa está linda e consegui pegar todo aquele sentimento que você colocou com palavras através da leitura. Quanto aos personagens eu confesso que ainda é um pouco estranho para mim entender, acredito que deve ser como se cada um fosse uma pessoa e tivesse seu estilo de vida, uma personalidade própria e tudo mais, mas que foram escolhidos para representar os países, mas queria saber se isso tem de fato alguma ligação com suas personalidades, sabe? Quanto à gramática seu texto está muito bem escrito e eu já elogiei tanto ele que eu nem tenho mais palavras novas para dizer! No entanto eu gostaria de aproveitar essa semana que estamos em desafios de escrita para te convidar para fazer parte (tem um edital no blog de desafios de escrita se quiser dar uma olhada) eu acho que seria interessante ver uma história sua concorrendo. Desejo a você tudo de bom e sucesso. Abraços.
October 26, 2020, 02:34

  • Sophia Loren Sophia Loren
    Olá novamente! Estou bem! Foiii, eu estou lendo muito sobre os acidentes nuclear. Inclusive o livro de Tchernóbil. E eu já estou planejando outra sobre a tragédia de Fukushima e o tsunami. Fico feliz que eu esteja entregando tanto sentimento nas minhas histórias. Realmente é um assunto muito pesado e triste. Mas todos nós devemos saber, para que não cometemos os mesmos erros novamente. Ah, não se preocupe. O animê e mangá é uma comédia histórica. Pode ver sem medo. É que nós do fandom exploramos muito as histórias do mundo. Deixando mais sério ou brincando com algum tipo de mania referente aos países. É um leque muito grande. Nossa, muito obrigada mesmo! Estou sem palavras. Fico mais feliz por você ter conseguido pelo menos descansar um pouco com minha fic. Olha, não são pessoas escolhidas não. Tipo, eles são as versões humanas dos países, que surgiram com o nascimento de cada nação. Vou dar um exemplo: Vovô Roma. Roma nasceu — o escritor ainda não disse como eles nascem, no mangá e anime eles aparecem do nada — quando o império romano foi fundado. E ele desapareceu quando Roma caíu, dando lugar para seus dois netos Itália do sul e a do norte. A mesma coisa com o Império Sacro-romano. As personalidades de cada um são estereótipos de cada país. Por exemplo, tem uma piada que espanhóis trabalham devagar e os gregos são preguiçosos. França é um tarado e Inglaterra vê criaturas mágicas. Ai, obrigada mesmo <3 Ok, vou dar uma olhada nos desafios! Obrigada! Beijos! October 26, 2020, 22:50
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