wade Tu'er Shen

“... quando adormeci, eu ainda era um homem... mas quando acordei, haviam me transformado em uma maquina...” “...ninguém ajuda uma pessoa sem cobrar algo em troca...” sinopse temporária.


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#yaoi #mutilação #primeira-pessoa #blackwatch #genyatta
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Um

Havia contado meu passado a Gabriel. Diretamente para ele, e indiretamente aos outros comandantes; já que o próprio Reyes me poupou em ter que repetir para todas aquelas pessoas, fazendo questão em repassar no meu lugar. Eu queria que tivesse permanecido assim. Contudo, McCree infernizou tanto a minha vida, com sua insistência enlouquecedora, além do fato de ter me contado sua própria história, por mais que eu nem sequer tenha lhe pedido. Não tive outra escolha.

Já era tarde do dia, quando finalizamos mais uma missão e voltamos pra base da Blackwatch. Assim que botamos o pé em terra seguimos direto para o meu quarto. Chegando nele me jogo em minha cama... Ahh, como eu queria sentir melhor a maciez do colchão. Aquela sensação boa de quando o corpo relaxa depois de um dia corrido, logo o sono vinha pra te abater.

Só mais uma das diversas coisas que eu nunca mais sentiria na vida.

Cama… Porque eu tenho isso mesmo? Um cantinho no quarto já é o suficiente para uma máquina.

Meu plano era contar tudo a ele sem desgrudar meus olhos do teto. Odeio a ideia de ver as expressões de quem me ouviria. Talvez ele sinta nojo de mim, ou pena, não importa qual delas for, isso é humilhante. Mas eu odeio ainda mais essa porra de aperto no meu peito, o frio na barriga, o ardor em meus olhos. Minha destra chega a coçar pra socar minha cara. Depois de tanta merda, eu não deveria ser tão emotivo.

Ia começar a falar de uma vez, porém sou interrompido por movimentações estranhas de McCree pelo quarto.

— Boa tarde senhor, meu nome é Jesse McCree. — ele vestia um jaleco branco sob suas roupas, colocando óculos meia lua no rosto. Reconheceria esses pertences em qualquer lugar e, só em pensar que logo Jesse teve coragem de roubá-los da Doutora me deixou completamente pasmo.

Totalmente alheio, ele arrasta a cadeira da escrivaninha para perto da cama, sentando-se nela de pernas cruzadas. Puxou do bolso do jaleco um bloquinho e uma caneta. Prontamente, começou a encarar-me com um olhar compenetrante, como se fosse um verdadeiro psicólogo.

— Que porra é essa?! — questiono atônito.

— Vamos dar início a nossa primeira sessão. — continuou com seu teatrinho, até começou a escrever alguma coisa, mas, vendo daqui, o modo como ele mexe a caneta contra o papel, parece mais que ta desenhando ao em vez de anotar coisas realmente relevantes. — Por que não começamos com sua infância traumática?

— Você tem problemas cara! Sérios problemas!

— Ahh, vai dizer que não ficou legal? — soltou um muxoxo, olhando para as coisas que havia roubado com bastante orgulho, logo se voltou a mim com seu típico olhar divertido e sorriso travesso. — Me produzi todo pra entrar no personagem! Sem contar, que não foi nada fácil pegar essas coisas emprestadas da Moira. Aquela mulher é muito desconfiada!

— Jesse! — o repreendo, apesar do choque e da cara severa que faço, tenho de morder meu lábio evitando que um riso saísse. É tão estranho. Ele se empenhou para que esse momento não fosse difícil pra mim... Mesmo mau me conhecendo, muito menos sabendo as coisas que fiz.

— Desculpa, parei — disse guardando o bloquinho e a caneta, mas permanecendo com os óculos e o jaleco, fitando-me seriamente, sem sinal de brincadeira dessa vez.

Ignoro aquelas coisas nele, e volto a encarar o teto. De repente sinto sangue se acumular na minha face, meus olhos ardem ainda mais, a visão fica turva pelas lágrimas que ameaçam transbordar, um bolo se formar na minha garganta fazendo-me querer gritar. Não... Não posso chorar miseravelmente outra vez. Já fora humilhante chorar feito um bebê na frente de Reyes. Viro meu rosto para parede, puxo o ar profundamente, tentando fazer essas sensações passarem... Foram minutos tentando me estabilizar. McCree deve estar tão impaciente. Foi um erro tomar o tempo dele...

Sobressalto quando sinto minha mão esquerda ser envolvida por algo quente. Quando olho para McCree vejo aquele sorriso acolhedor, não o tédio, ou a impaciência que esperava encontrar.

— Não tenha pressa, pequeno gafanhoto. — ele diz, apertando minha mão gentilmente.

Retribuo com um ínfimo sorriso. Ele solta minha mão, voltando a se recostar na cadeira. Aguardando-me pacientemente. Fecho meus olhos, respiro fundo várias vezes, torcendo pra que minha voz não saia embargada.

— Acordar pela manhã, ver meu reflexo no espelho... É a pior merda do mundo... Toda vez desejo tanto ter morrido naquele chão...


O que Hanzo fez comigo.


O que eles fizeram comigo.


...

21 de Outubro de 2020 às 01:45 0 Denunciar Insira Seguir história
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