u15514544731551454473 Luiz Fabrício Mendes

1944. A Segunda Guerra Mundial entra em sua última etapa. Após escapar por pouco de uma arriscada missão atrás das linhas inimigas, o agente Indiana Jones, unido ao novo amigo Mac, tem pela frente um mistério que o levará a uma eletrizante corrida contra os nazistas: a busca pela lendária cidade perdida de Vineta.


Fanfiction Filmes Impróprio para crianças menores de 13 anos.

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Prólogo

Indiana Jones

E o Mistério do Báltico


Prólogo


O logo da Paramount surge na tela... Transformando-se no verso da capa de um disco de vinil, a gravura representando justamente uma majestosa montanha. Na parte da frente vê-se a foto de uma radiante mulher loira com os braços abertos e o título do álbum, em letras chamativas: "Clássicos Inesquecíveis da América, por Willie Scott".

A mesma mão que apanhara a embalagem retira de dentro dela o disco preto, inserindo-o numa vitrola a poucos passos de distância. Em seguida empurra a fina agulha para baixo com o leve toque de um dos dedos e, usando a outra mão, gira a manivela do aparelho, ligando-o. Ele começa a reproduzir a música contida na primeira faixa, o som saindo através do cilindro dourado na parte superior que mais lembra uma concha.


Times have changed
(Os tempos mudaram)

And we've often rewound the clock
(E nós geralmente retrocedemos o relógio)

Since the Puritans got a shock
(Já que os Puritanos tiveram um choque)

When they landed on Plymouth Rock.
(Quando eles desceram em Plymouth Rock)

If today, any shock they should try to stem,
(Se hoje, algum choque eles tentassem suportar)

'Stead of landing on Plymouth Rock,
(Ao invés de descerem em Plymouth Rock)

Plymouth Rock would land on them.
(Plymouth Rock desceria neles)


A suave e melodiosa voz de Willie Scott agradava muito o major Dönitz. Sentando-se em sua cadeira de balanço perto da mesinha em cima da qual se encontrava a vitrola, lembrou-se do pouco que ouvira falar a respeito da intérprete da letra. Diziam que sobrevivera a uma série de aventuras na Ásia, desde a perseguição por um gangster chinês até a fuga de um perigoso templo Tugue na Índia, e, regressando aos Estados Unidos, iniciara uma promissora carreira em Hollywood como cantora e dançarina.


In olden days a glimpse of stocking
(Nos tempos antigos um relance de meia)

Was looked on as something shocking
(Era visto como algo chocante)

Now heaven knows, anything goes
(Agora só Deus sabe, tudo vale)


Ajeitando o quepe cinzento em sua cabeça e passando brevemente os dedos pelas insígnias em seu peito, o militar nazista sorriu, pensando que ao menos a aprovação dele ela possuía. Ironicamente um inimigo de seu país.

A canção ecoava por todo o ambiente vazio de presença humana. Ali outrora funcionara uma importante fábrica, os incansáveis operários suando dia e noite para abastecerem a máquina de guerra alemã. Agora não passava de uma construção praticamente abandonada, com as instalações inoperantes, vidros quebrados e paredes enegrecidas pelo calor do fogo.

Alguns metros acima da posição em que Dönitz tentava relaxar, um soldado da Wehrmacht montava guarda caminhando por uma passarela metálica, possuindo nas mãos um rifle Gewehr 43 de mira telescópica. Fumando um cigarro, tinha acima de seu capacete o céu cinzento daquela manhã, anunciando que em breve choveria. Odiava se molhar no período em que estava de guarda, e praticamente não havia onde se proteger da água ali, já que o telhado da fábrica fora destruído quase por completo durante o último bombardeio aliado.

Os demais sentinelas do perímetro ficavam visíveis com suas armas temporariamente para logo depois desaparecerem em meio aos corredores escuros, escadarias cauterizadas e focos de desmoronamento do prédio arruinado. Por que patrulhavam aqueles escombros? Bem, muitos ali não sabiam ao certo, apenas seguindo cegamente as ordens recebidas de seus superiores. Entretanto, existiam entre aqueles homens alguns que não faziam parte daquele exército, mas mesmo assim estavam mais bem informados do que muitos deles...


Alemanha, 1944.


Eram apenas dois. Apesar de trajarem uniformes alemães, todas as suas ações faziam com que contrastassem de seus supostos colegas. Desde a forma como andavam, preferindo se esgueirar pelas sombras da construção ao invés de se aterem a rotas de vigia, até o modo muito pouco natural como evitavam encarar qualquer outro combatente de perto. Num certo instante pararam junto a uma das linhas de montagem desativadas da indústria, recobrando o fôlego. Apesar de não terem corrido nem efetuado grande esforço físico nos últimos minutos, o nervosismo que sentiam por estarem sozinhos atrás das linhas inimigas parecia sufocá-los.

- Onde estará o maldito escritório? – um deles, de bigode e um pouco mais corpulento, indagou ao companheiro em voz baixa e inconfundível inglês.

- No térreo... Em algum lugar.

- Lembre-me de nunca mais sair com você sem um mapa, Jonesinho.

E, destemidos, voltaram a caminhar, um guarda que estava sentado sobre uma pilha de entulho não muito longe dali, rifle no colo, fitando-os com relativa desconfiança.

Eram na realidade dois agentes do OSS norte-americano e MI6 britânico, respectivamente. Henry Jones Junior, mais conhecido como "Indiana Jones", e George McHale, ou simplesmente "Mac", haviam sido enviados em missão com um objetivo bem definido: a "Pasta Dönitz". Um conjunto de documentos assim batizado por sempre ter estado sob os cuidados do major de mesmo nome e que os Aliados vinham tentando obter desde o início da guerra sem sucesso. A localização da pasta e do militar por ela responsável mudava constantemente, e há cerca de uma semana o último local onde se encontravam fora apontado como sendo aquela fábrica destroçada. Era preciso agora conferir e, caso a informação realmente procedesse, se apoderar dos papéis.

Desde o desembarque aliado na Normandia, o conflito parecia caminhar para seu final e cada movimento era extremamente importante para vencê-lo. Aqueles documentos tinham de ser obtidos a qualquer preço.


Good authors too who once knew better words
(Bons autores também, que conheciam melhores palavras)

Now only use four letter words writing prose
(Agora usam apenas palavras de quatro letras escrevendo prosa)

Anything goes
(Tudo vale)


A música continuava a se propagar pelo pitoresco cenário bombardeado.

A dupla de agentes venceu mais um corredor e por fim avistou, no final do que um dia fora o espaço central do prédio, um cubículo de teto baixo, intacto, sem janelas e fechado por uma porta. Só a pintura exterior estava um pouco descascada, com os tijolos à vista. Tal descoberta fez com que parassem, Jones efetuando um leve movimento com a cabeça apontando para a misteriosa sala enquanto afirmava:

- Acho que encontramos.

Depois olhou em volta. Três soldados alemães nas imediações, todos atentos à área. Se ele e Mac realizassem qualquer ação suspeita, já estariam no alcance de seus rifles. Precisavam de algum tipo de distração...

Era para isso que serviria a carga de dinamite que haviam instalado no setor oposto da fábrica.

Indy olhou discretamente para o relógio que trazia no pulso esquerdo. O ponteiro menor, que marcava os segundos, aproximava-se do número doze... Mesmo distante dos explosivos, o arqueólogo podia jurar ouvir os estalidos do mecanismo que os detonaria. Nos próximos instantes, com uma margem de erro muito pequena, o solo ia estremecer.

Dito e feito.


KAAABOOOOM!


A forte explosão deu-se no lugar desejado e no momento previsto, uma grande coluna de fogo se erguendo de onde ocorrera e o impacto abalando ainda mais a já bem comprometida estrutura ao redor. A atenção dos sentinelas foi roubada de imediato, seus olhos se voltando para o inusitado estrondo. E, aos gritos de "Alarm!", afastaram-se rapidamente na direção do aparente ataque. Haviam caído perfeitamente na armadilha dos espiões.


The world has gone mad today
(O mundo ficou louco hoje)

And good's bad today
(E o bem é mal hoje)

And black's white today
(E o preto é branco hoje)

And day's night today
(E o dia é noite hoje)

When most guys today that women prize today
(Quando a maioria dos caras hoje que as mulheres valorizam hoje)

Are just silly gigolos
(São apenas tolos gigolôs)


O caminho estava livre e seguro. Jones e Mac avançaram a passos ligeiros até a entrada do cubículo, o segundo tentando girar a maçaneta. Trancada, como já era de se esperar. Sendo certo que apenas o próprio Dönitz possuía a chave para abri-la, teriam de arrombá-la. Assim procedeu o inglês, destruindo a fechadura com um ousado chute. O golpe, porém, provavelmente não teria tido êxito se o alvo já não estivesse fragilizado assim como toda a construção em si. Ele não era tão forte assim.

A porta foi empurrada para frente com o ataque, revelando o interior do pequeno e empoeirado escritório. Possuía apenas um armário de metal com gavetas de arquivo, uma velha mesa de madeira diante de uma cadeira estofada e, mais ao fundo do recinto, num canto, um discreto cofre enferrujado. Os dois intrusos caminharam até ele, esperançosos. Tinham quase certeza de que a pasta que buscavam se encontrava em seu interior.

- Qual é mesmo a senha? – perguntou Indy ao parceiro enquanto se abaixava diante da nova tranca.

- Eu... – oscilou Mac, alternando os olhos entre o norte-americano e a saída da sala. – Pensei que você soubesse!

- Como assim? Foi você o encarregado de descobrir a senha nos documentos na casa de Dönitz em Munique!

- Pensei que fosse você, afinal foi quem ficou encarregado das senhas quando capturamos a Enigma!

- Sim, Mac, mas você se dispôs a cuidar disso em todas as outras vezes!

Enquanto discutiam, acabaram escutando mais berros dos alemães do lado de fora. Já deviam ter descoberto o ardil da dupla e agora retornavam para eliminá-la e proteger o cofre. Os dois invasores não tinham muito tempo e seria melhor se centrarem apenas na obtenção da pasta, deixando de lado as desavenças. Jones fitou de novo o mecanismo e tocou-o com os dedos. Depois virou o rosto para o amigo.

- Rápido, Mac – sua voz, apesar de tudo, aparentava calma.

Após passar um minuto coçando o bigode, ele finalmente lembrou-se da senha, repassando-a ao outro:

- Creio que seja três, sete... Nove, quatro!

Girando a tranca, lábios retraídos, Indy inseriu a combinação, suor pingando-lhe pelo rosto... Aquela seria a única tentativa que teriam, já que dentro de instantes um tiroteio começaria. Os gritos dos nazistas chegavam mais perto, seus passos já podiam ser ouvidos... Mas, felizmente, a seqüência estava mesmo correta e a porta do cofre, agora liberada, foi movida por Jones. Dentro dele, um conjunto de papéis presos por frágeis grampos. Examinou brevemente o que continham: plantas e esquemas de aviões, tanques de guerra, submarinos, foguetes... Alguns deles se assemelhando a invenções até então encontradas somente em contos de ficção científica.

Ignorando o que aqueles misteriosos planos poderiam representar, apesar de ter uma idéia, o professor guardou-os embaixo do uniforme e então sacou o rifle de assalto StG 44 que trazia consigo. Tanto o OSS quanto o MI6 nunca revelavam plenos detalhes sobre as operações em território inimigo, tampouco o real teor de seus objetivos. O importante era que haviam obtido a pasta e agora só teriam de fugir dali com ela.

Essa era, todavia, a parte mais difícil.


So though I'm not a great romancer
(Então apesar de eu não ser um grande romancista)

I know that you're bound to answer
(Eu sei que você estará inclinado a aceitar)

When I propose, anything goes
(Quando eu propor casamento, tudo vale)


O final da música se unia agora aos clamores raivosos dos soldados alemães:

Eindringling! Laufen, laufen!

Logo as balas começaram a vir, cravando-se nas paredes externas do escritório. Jones e Mac instintivamente se abaixaram, o britânico tendo em mãos uma submetralhadora Thompson. Cada um deles se posicionou de costas para um dos lados da porta, aguardando uma pausa nos disparos inimigos para revidarem. Não levou muito tempo para alguns deles terem de re-carregar, e então os acuados agentes agiram. Com um dos cotovelos apoiados na beirada da passagem, Indy, expondo-se brevemente, liquidou um dos nazistas com uma rajada no peito, o morto caindo sobre os destroços de um fogão. Outro foi eliminado pelo inglês, recebendo três balas ao longo do tronco e tombando desengonçado.

- Belos tiros, Jonesinho! – ele elogiou o colega enquanto reassumia seu flanco.

- Bem... Esta já é minha segunda guerra mundial!

Mais guardas se aproximavam, entre eles o major Dönitz que, munido de uma pistola Luger, também abria fogo contra os dois espiões. Houve nova brecha por parte dos nazistas e Indy atacou novamente, derrubando mais um com um disparo na cabeça, o capacete chegando a voar para trás. Mac também se preparava para aniquilar mais alguns inimigos quando tanto ele quanto o parceiro notaram um som que ouvidos pouco adaptados ao combate dificilmente captariam... Por sorte, no entanto, já tinham experiência suficiente no campo de batalha para saberem do que se tratava, e puderam se prevenir a tempo.

- Granada! – exclamou Jones.

Ao mesmo tempo, um artefato explosivo modelo 43 alemão, com seu pequeno cabo de madeira preso à carga numa das extremidades, foi atirado na direção da sala, voando através da porta e indo parar embaixo da mesa. Não haveria tempo suficiente para apanhá-lo e devolvê-lo aos oponentes: a única opção possível era a dupla de agentes abandonar o cubículo, mesmo com a quantidade de armas apontadas em sua direção do lado de fora.

- Vamos! – o britânico foi o primeiro a se movimentar.

Deu uma cambalhota através da passagem, escapando de algumas balas e logo depois apoiando um dos joelhos no solo para mirar com a Thompson e matar um nazista no alto de uma das passarelas suspensas que cortavam a fábrica, seu cadáver perdendo o equilíbrio e, depois de escorregar pelo parapeito, precipitando-se sobre algumas peças quebradas de maquinário metros abaixo. Desse modo Mac cobriu o amigo enquanto este também rolava para fora do refúgio, a explosão da granada já às suas costas destruindo todo o interior do escritório e lançando ao exterior uma nuvem de poeira. Indiana, atordoado pelos tiros e pelo estouro, acabou perdendo por um instante o equilíbrio e tropeçou... Bem aos pés de um outro soldado que desejava tirar-lhe a vida.

O arqueólogo, todavia, conseguiu reagir antes que o adversário pudesse apontar o rifle para baixo, pondo-se de pé e colocando-o para dormir com uma ágil coronhada no queixo. O alemão emitiu um gemido e caiu de bruços, os demais ao redor ainda tentando alvejar os fugitivos. Indy e Mac se aproximaram e não cessavam de disparar contra o contingente, fazendo mais vítimas a cada segundo.

- Angriff! – berrava Dönitz desesperado. – Feuer, feuer!

Mais dois nazistas tombaram ao mesmo tempo, cada um atingido por um dos intrusos. Vendo que sua vida estava em risco devido à drástica redução do número de seus homens, o major desapareceu por um amontoado de escombros, mais gritos denunciando que reforço estava a caminho. Colocando mais balas em seu rifle, Jones indagou ao colega:

- Lembra-se daqueles jipes que vimos estacionados aqui perto?

- Sim, até memorizei o local – respondeu Mac enquanto verificava rapidamente seu equipamento.

- Temos de chegar lá. É a nossa única chance de escapar.

- Mas para isso... Será preciso atravessar toda a fábrica!

- E o que estamos esperando?

O inglês fez uma careta; não encarava as coisas de modo tão otimista. Colocou outro pente de munição na submetralhadora e seguiu o norte-americano. Avançaram por um corredor tortuoso, repleto de paredes desabadas. Um combatente surgiu de súbito no alto de uma rampa criada pelos desmoronamentos: foi imediatamente metralhado por Indy, seu corpo desfalecido deslizando pela inclinação até se deter diante dos dois. Eles prosseguiram, subindo pela mesma e ganhando assim um ponto mais alto em relação aos arredores, de onde podiam visualizar boa parte do lugar. O panorama, entretanto, não era nada animador: dezenas de nazistas se aproximavam por todos os lados, trocando ordens entre si e com as armas prontas para darem cabo dos invasores.

- E agora, Jonesinho? – aturdido, Mac perguntou ao parceiro.

Jones olhou em volta o mais rápido que conseguiu, pensando numa maneira de escaparem daquela enrascada. Quase nunca elaborava planos prévios, contando com os benefícios do acaso, e naquela situação não foi diferente. Encontrou, bem próxima dos dois, uma longa corrente metálica presa a uma barra no teto que avançava por vários metros em linha reta, terminando exatamente do outro lado do prédio. Era por certo um antigo componente da linha de produção. Puxou o achado por um momento: era perfeitamente móvel. E foi sorrindo que, saltando, abraçou o suporte no ar, impelindo-o para frente.

- Cubra-me, Mac!

A corrente deslocou-se ganhando cada vez mais velocidade, faíscas sendo liberadas devido ao atrito com a barra e caindo sobre Indy. O britânico, enquanto isso, disparava contra os alemães que tentavam abater o amigo. Três ou quatro caíram antes do arqueólogo finalmente chegar ao outro lado, pousando em cima de um monte de concreto. E, aplicando o máximo de força que conseguiu, empurrou a corrente de volta para Mac.

- Sua vez! – bradou. – Eu te cubro!

Assim que a corrente chegou perto o bastante de si, o membro do MI6 também pulou para agarrá-la. Porém o fez de forma mais desajeitada e arriscada do que o primeiro, por pouco não se soltando conforme a impelia adiante. Mas também conseguiu deslizar através dela até o outro lado, Indiana atirando na direção dos nazistas em terra para que não o alvejassem. Assim que Mac se uniu a ele, desceram da pilha de destroços e se enveredaram por outro corredor, a saída já bem próxima.

Escapando de balas e mais balas, cruzaram uma abertura onde um dia existira uma porta, ganhando o exterior da construção. O céu estava ainda mais escuro e, além dos trovões que se impunham, os primeiros pingos de chuva já eram sentidos. De dentro da indústria arrasada continuavam vindo gritos e mais gritos em alemão, mas a dupla de fugitivos procurava ignorá-los ao máximo. Escapar agora era a única coisa que importava; todo o resto podia – e deveria – ficar para trás.

Indy e Mac dirigiram-se até a área onde haviam anteriormente avistado os jipes, perto de algumas árvores que, também vítimas dos bombardeios, pareciam agora carcaças nuas e sem cor. Não ficaram muito surpresos ao notarem o major Dönitz, esbaforido, correndo na direção de um dos veículos, as chaves já tilintando em uma de suas mãos. Não podiam deixar que fugisse: a chance de saírem dali também dependia disso.

Jones ergueu o StG 44 e abriu fogo, os projéteis atingindo o oficial em cheio. Este demorou algum tempo para cair, cambaleando e andando em círculos, dando tempo ao norte-americano de tirar as chaves de seus dedos quando ainda estava de pé e agradecer em alemão:

- Vielen dank!

O professor se acomodou no assento diante da direção, dando partida no jipe. Mac saltou para dentro dele e sentou-se no banco ao lado, ao mesmo tempo em que o motor roncava e Indy pisava no acelerador. Cantando pneus, o carro derrapou para fora dali, tomando uma estrada de terra que seguia pelas desgastadas áreas agrícolas da Alemanha. Depois de poucos quilômetros, já teriam cruzado a fronteira rumo à França.

Algum tempo se passou, as frustradas tropas nazistas tendo ficado para trás, quando o inglês se voltou para Jones e inquiriu, aliviado:

- Os papéis estão com você?

O motorista manteve uma mão no volante e com a outra revistou o uniforme, seu rosto ganhando uma expressão preocupada por um instante devido a não conseguir tatear nada em seu interior, porém logo sorriu quando identificou a pasta, retirando-a com cuidado de baixo do traje e entregando-a para Mac sem desviar a atenção do trajeto.

- Aqui estão!

O britânico examinou brevemente os documentos e então os guardou consigo, murmurando:

- Espero que isto ao menos seja importante para apressar o final desta guerra...

- Cumprimos missões como esta há uns dois anos, duvido que tenham o objetivo de interromper o derramamento de sangue... – Indy não estava nada otimista. – Tanto os nossos líderes quanto o Führer desejam apenas o que eu tanto busquei por boa parte da minha vida, Mac: fortuna e glória. Apenas fortuna e glória...


Glossário – Prólogo:


Gewehr 43: Rifle semi-automático de calibre Mauser 7.92x57mm, fabricado pela Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Alcance efetivo de 500 metros.


OSS: Office of Strategic Services – Escritório de Serviços Estratégicos. Agência de inteligência dos EUA operante de 1942 a 1945. Responsável por várias missões secretas na Europa e no Pacífico durante a Segunda Guerra Mundial, além do treinamento de movimentos de resistência locais contra os exércitos do Eixo. Após o conflito, transformou-se na Agência de Inteligência Central, mundialmente conhecida como CIA.


MI6: Ou Secret Intelligence Service (SIS) – Serviço Secreto de Inteligência. Agência de inteligência externa da Grã-Bretanha. Criado em 1907. Grande atividade durante a Segunda Guerra Mundial. O personagem fictício James Bond, o espião 007, é um agente do MI6.


Enigma: Família de máquinas eletro-mecânicas usadas para a transmissão de mensagens secretas por criptografia. A primeira surgiu no fim da Primeira Guerra Mundial, e a partir de então passaram a ser usadas por vários países, principalmente a Alemanha nazista na Segunda Guerra. Tornou-se conhecida devido ao esforço dos aliados de, durante o conflito, decifrarem os códigos utilizados através dela.


StG 44: Sturmgewehr 44, rifle de assalto alemão utilizado durante a Segunda Guerra Mundial. Alcance efetivo de 300 metros e capaz de disparar de 500 a 600 projéteis por minuto.


Thompson: Submetralhadora norte-americana inventada por John T. Thompson em 1919. Tornou-se muito usada durante o período da Lei Seca nos EUA, tanto por policiais quanto mafiosos. Poder de fogo médio de 600 a 1200 rotações por minuto.


Luger: Também conhecida como Parabellum-Pistole, pistola semi-automática cujo primeiro modelo foi patenteado em 1898. Utilizada pelas forças armadas alemãs durante praticamente toda a primeira metade do século XX.


Granada Modelo 43: Explosivo de mão introduzido ao armamento alemão na metade da Segunda Guerra em substituição ao modelo 24 anterior. Ao contrário dele, todos os componentes do explosivo encontram-se na parte superior, e não no cabo, este assim podendo ser destacado para que a granada possa ser utilizada em armadilhas.

6 de Outubro de 2020 às 12:46 0 Denunciar Insira Seguir história
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