inial_lekim Inial Lekim

A noite, depois que as crianças finalmente dormiram, ele podia se permitir sentir.


Fanfiction Anime/Mangá Todo o público.

#naruto #angst #morte-de-personagem #ts4 #kakagai
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Essa história veio diretamente do the sims. Não ia fanficar, porém deu vontade, então aqui está uma versão escrita do que imaginava enquanto estava jogando.


De um modo geral, a sensação era estranha.

Quase como um sonho, cuja sensação de torpor era sentida mesmo que estivesse acordado. E, sendo sincero consigo próprio, uma grande parte de si continuava à espera de que tudo que havia acontecido nas últimas horas não passasse de minutos de um sonho ruim, e logo ele despertaria na quietude sombria a qual estava habituado, prepararia o café da manhã e uma a uma as crianças se levantariam, dando início a uma profusão de diferentes sons que afastariam qualquer resquício de sono que ainda restasse em seu corpo. Então Kakashi também se levantaria. Ainda sonolento, muito provavelmente com fome e forçando-se a pensar nos problemas de seu mais recente projeto da faculdade.

Talvez ele o beijasse, como em quase todas as manhãs, ou apenas lhe desse uma xícara de café. Definitivamente não era isso que importava, porque Kakashi estaria lá e as opções seriam infinitas.

… exceto que ele não estava.

A voz em sua mente, aquela irritante vozinha que não o deixava dormir, repetia sem parar tudo que havia ocorrido naquele dia. O frio pelo espaço vazio na cama lhe era desconfortável, e o fazia se remexer por baixo dos lençóis em busca de uma posição de conforto que não conseguia encontrar.

E havia o som do choro de seus filhos.

E isso o devastava ainda mais… e o assustava. Porque agora ele estava sozinho. Sozinho para viver a vida que eles haviam planejado juntos.

Mas como ele poderia fazer isso quando sua vontade era se enfiar no buraco mais fundo que encontrasse e ficasse lá para sempre? Ele se sentia tão perdido sobre o que fazer a seguir…

Então lutava contra as lágrimas que ardiam em seus olhos e a dor sufocante em seu peito, repetia para si mesmo as coisas que havia dito ao longo do dia para seus filhos e tentava tão fortemente se convencer de que tudo ficaria bem. Porque ele precisava acreditar nisso para continuar em frente. Para olhar nos olhos dos seus filhos e não desmoronar pela tristeza ali presente.

Jogando as cobertas para o lado, ele desistiu de esperar pelo sono que não viria. A sua volta, iluminado pela claridade que atravessava as janelas, o quarto não mostrava nenhuma mudança significativa. A porta entreaberta do guarda-roupa mostrava que a bagunça organizada de Kakashi permanecia da forma como ele havia deixado pela manhã, os livros ainda empilhados na escrivaninha, a pilha de papéis de anotações e xerox amontoadas no canto. Até mesmo o cheiro do ambiente era o mesmo e ele não sabia dizer se isso era bom ou não.

Ele queria chamá-lo, mas a voz não saia. Queria tirar todas as suas coisas e trancá-las longe de sua visão, mas sequer ousava pensar demais nessa opção.

O relógio marcava três e meia, mas ele se levantou mesmo assim. Foi até o banheiro e o homem que o olhava do espelho o assustaria se houvesse lhe restado qualquer energia para isso. Seu rosto estava marcado por lágrimas, os olhos vermelhos, inchados e tão pequenos que mal se reconhecia. Sua expressão refletia uma tristeza e um cansaço tão profundo que não se recordava de ter se sentido assim em qualquer outro momento de sua vida.

A água fria não foi de muita ajuda e ele quase podia ouvir a risada disfarçada de Kakashi lhe dizendo “Oras Gai, se continuar assim logo vamos ter que colocar creme anti envelhecimento na lista de comprar”.

E ele quase riu pelo pensamento.

No relógio, acabava de passar das quatro.

A casa estava escura, silenciosa. Ele sabia então que as crianças estavam dormindo profundamente, cansadas pelas emoções do dia. Os cachorros, os que Kakashi tanto queria após a morte de Haley e terem finalmente se mudado do apartamento minúsculo no qual moravam logo após o casamento, dormiam próximos a pilha bagunçada de caixas dos presentes abertos.

Ele queria tirar todas aquelas decorações, fazer algo comum como café da manhã, mas acabou no sofá, com o abajur ligado e um velho álbum de fotografias em mãos.

Kakashi sorria nas fotos, nas raras em que não usava uma máscara, mas também nas que usava. Gai sabia disso pela expressão em seus olhos. Ele passou pelas poucas fotos da infância de ambos, as vergonhosas da adolescência, a única de seu casamento e as várias das crianças.

Pela primeira vez desde o ocorrido, Gai ficou com raiva.

Kakashi não estaria nas próximas fotos, não veria seus filhos crescer… não estaria ao seu lado na velhice como havia prometido anos atrás. Ele se fora, de repente, sem qualquer chance de um mísero adeus sequer

Não era justo.

Não deveria ser assim.

Ele não deveria sentir essa dor. As crianças não deveriam.

Ainda estava escuro lá fora e as crianças dormiam. Então ele chorou, agarrando-se a velhas fotos e lembranças de um tempo que não voltaria mais, de planos destruídos e sonhos perdidos.

Mas apesar da dor e do sentimento desesperador que sentia, ele sabia que apesar de perder muito, não havia perdido tudo.

E por isso, quando o sol finalmente surgiu e os sons de crianças despertar tiveram início, ele estava em frente ao fogão, terminando a última panqueca.

Porque era um novo dia e ele continuava a tentar se convencer de que tudo ficaria bem.


28 de Setembro de 2020 às 06:28 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

Conheça o autor

Inial Lekim 22 anos. Pisciana. Escritora. Sonhadora. Fotógrafa e Desenhista quando surge inspiração. Vocês já ouviram a palavra de KakaGai hoje?

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