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[CHANBAEK | MUSIC!AU | +18] Chanyeol tem 3 noites para fazer Baekhyun, um cantor dando início a sua primeira turnê, apaixonar-se por ele até a data de hospedagem em seu hotel terminar. Ele não imaginava que a estadia de Baekhyun em Seul seria tão curta, e corre contra o tempo enquanto a viagem à primeira cidade de sua turnê não se aproxima.


Fanfiction Bandas/Cantores Para maiores de 18 apenas.

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Capítulo I – Under Streetlights

3 nights


Capítulo I – Under Streetlights


Por: Rockbebel


“Você não deveria se envolver com músicos, Baekhyun.”


“Não tem problema, porque eu também sou um.”


“Isso é pior ainda.”


...


Eram 3 horas da manhã, no dia 13 de agosto, quando Chanyeol encontrou Baekhyun pela primeira vez — a figura pública mais audaciosa que ele já conheceu — frequentando a lanchonete 24 horas próxima a seu apartamento, com roupas elegantes o suficiente para deduzir que sua noite tenha sido animada. E Chanyeol jamais esqueceria aquela jaqueta jeans com detalhes bordados de flores azuis, sobre uma blusa branca simples de botões desabotoada em seus dois primeiros, a calça preta e o item que mais atraiu sua atenção: uma gargantilha em volta do pescoço, preta. Mas, os cabelos vermelhos vivos tornaram-se a memória mais marcante para Chanyeol, aquele tom vibrante e quente... Vermelho definitivamente era a cor do Byun. Era impossível esquecer aquele cabelo.


Baekhyun era o que todos os cantores almejavam ser, mas não possuíam coragem. O Byun sempre foi sinônimo de liberdade e autonomia, audacioso o bastante para saber lidar com a mídia e não se importar com as “polêmicas” sobre sua vida pessoal. Era um livro aberto, sempre foi. Os paparazzis antigos já haviam desistido de procurar possíveis furos, pois deixava exposto tudo o que fazia. Não era segredo o charme carregado em seu olhar, junto à sua pose e gestos elegantes... Tudo em Baekhyun gritava flerte. Seu visual inconstante foi considerado pelas fãs um marco. Você nunca sabe quando Baekhyun mudará de cabelo novamente, até ele aparecer em público após dias longe das redes. Quando sumia, as fãs suspeitavam que estivesse aprontando ou produzindo músicas. Apesar de ser um livro aberto, suas ações eram imprevisíveis, e ninguém jamais conseguiu ler Baekhyun; ver através do cantor. Ele era uma caixinha de surpresas.


Chanyeol, ao contrário de Byun, era um compositor reservado que apreciava manter a vida estável, não possuía a mesma visibilidade e agradecia o fato de não precisar lidar com as mazelas da fama, os holofotes não foram feitos para si. Costumava tocar em pubs para públicos pequenos; pois se sentia confortável, apresentava músicas autorais — às vezes — e trabalhava com produção musical. O estilo de vida de Baekhyun era uma bagunça comparado ao de Chanyeol. Até a paleta de cores presente no dia a dia dos dois entrava em contraste, o guarda-roupa do Park era repleto de roupas escuras, ao contrário de Byun que apreciava vestes vibrantes. O cabelo preto longe de qualquer química era divergente do ruivo atual de Byun. Suas personalidades eram opostas demais e ninguém poderia imaginar a junção delas.


Chanyeol sempre apreciou vestes confortáveis, utilizava quase todos os dias moletons e toucas — o item indispensável — mas gostava de se arrumar nos dias de apresentação, por isso reservava as calças rasgadas nos joelhos e jaquetas pretas aos dias de trabalho. Sua paleta resumia-se a preto, branco e jeans. E claro, camisetas com estampa de banda. Ele era calmo, sua rotina era a mesma há anos, sua vida não sofria grandes alterações, resumia-se a música, o que pode ser considerado trabalho para quem não o conhece, mas o Park apreciava cada minuto do seu dia no estúdio. Mesmo em horários vagos, a mente de Chanyeol estava a trabalhar pensando em composições. Ele respirava música, e jamais consideraria monótona a sua paixão.


“Você parece um velho, Chanyeol.”


“Você gosta de mim exatamente assim.”


Baekhyun gostava de brincar com as cores. Gostava de combinar suas roupas com o tom de seu cabelo. Gostava de delinear os olhos e esfumar com sombra vermelha. Gostava de tudo que atraísse atenção para si. Sua presença era mística, considerava-se um enigma pronto para ser desvendado. Baekhyun adorava acessórios que valorizassem seu pomo de Adão, anéis que envolvessem seus dedos longos. A inconstância presente nas suas cores de cabelo era diferente em suas preferências. A capacidade de se adaptar a qualquer visual era o que mais agradava Baekhyun, na sexta-feira em uma boate ele poderia ser o Byun com roupas casuais, no sábado em cima do palco ele poderia ser o Byun ora bad boy, ora sensual. Baekhyun era uma nova versão de si mesmo a cada dia, e ele amava quando trazia isso para sua música ao incorporar personagens em seus shows, criar conceitos diferentes para cada álbum, contratar estilistas que estivessem dispostos a embarcar em suas ideias malucas. Baekhyun adorava a mudança e a sensação que ela trazia, ficar estagnado e viver uma rotina diária era maçante para si, então estava constantemente em movimento.


“Você tá tão chique... meio freak, anos 70.”


“Você acha?”


Foi por isso que tiveram um choque inicial na primeira vez em que se encontraram. Baekhyun estava agitado excessivamente, resmungando alto sobre Chen, que era seu empresário, ter interrompido uma das melhores fodas da sua vida. Estava bêbado, enrolando a língua em todas as palavras e a brigar com a atendente que não sabia se ria, ou chorava. Chanyeol bufava ao observar a cena e concluir que era o cúmulo do ridículo. Ninguém havia o dito que Byun Baekhyun bêbado era mais imprevisível que o Byun sóbrio, portanto não percebeu quando ele desistiu de debater com a atendente e direcionou seus olhos à figura impaciente parada na porta.


Chanyeol não imaginava que alguém além da atendente perceberia a sua presença, mas Baekhyun percebeu — no momento em que a porta de entrada fez seu barulho categórico anunciando sua chegada. — e não parou de observá-lo um momento sequer, direcionando o olhar a cada um de seus passos.

Foi rápido, mas Baekhyun conseguiu vislumbrar a surpresa presente em sua face, os olhos grandes e expressivos que se destacavam incapazes de disfarçar qualquer sentimento. A pose séria enquanto mantinha os braços cruzados ao redor do peito, a franja cacheada que teimava em cair e transformava o visual emburrado em algo fofo, tudo naquele homem gritava tensão. Não sabia se o nervosismo era por ter reconhecido sua imagem ou pelos olhares descarados. Baekhyun sempre foi intenso demais para as outras pessoas.


“É você que tem os olhos tão gigantes...”

Chanyeol engoliu a seco ao perceber que estava consciente, ao extremo, sobre todas as ações do homem parado à sua frente, o arquear das sobrancelhas, o repuxar dos lábios num sorriso de canto — é claro que ele apreciava situações desafiadoras — e aqueles olhos que se insinuavam. Nenhum dos dois ousou dizer algo, Baekhyun pensava quem diabos poderia ser tão alto e charmoso que ele nunca tenha visto; enquanto Chanyeol não sabia como agir, ele estava flertando? Byun Baekhyun possui um charme natural capaz de atrair qualquer pessoa. Havia algo sobre o Byun que atraía as pessoas, sua aura agia como um campo magnético, sua presença atraía todos os olhares.


“E a boca tão gostosa...”


Chanyeol ficou sem ar ao observar Baekhyun caminhar a passos lentos do caixa até a porta do estabelecimento. Havia algo sobre a maneira que suas pernas caminhavam capaz de atrair a atenção do Park. A franja vermelha caindo em seu rosto. O olhar fixado de Byun em si. A jaqueta jeans que aparentava ser um tamanho maior do que ele vestia. Mas nenhuma palavra precisou ser dita, pois Baekhyun bateu a porta da loja em seguida deixando um Chanyeol atônito para trás. E o cheiro de seu perfume impregnado no ar.


— Senhor? Deseja alguma ajuda?


“Eu não vou aguentar...”


...


É considerado comum uma pessoa observar alguém por tanto tempo e não dizer uma palavra? Não. Mas a presença de Baekhyun era enigmática o suficiente para deixar Chanyeol instigado a procurar sobre o cantor.


“Eu te acho misterioso, sabe.”


“Eu gosto de fazer charme.”


Ele passou o restante do dia pesquisando sobre seus cortes de cabelo, cores, sua cidade natal – que descobriu ser Bucheon — data de aniversário, signo, assistiu às entrevistas, mas nada era o suficiente. Chanyeol não queria conhecer esse Baekhyun. Ele queria o Baekhyun longe das câmeras, dos palcos, das entrevistas, fora da pose misteriosa e instigante. Ele queria o Baekhyun dentro do próprio Baekhyun. Não achava que a personalidade mostrada em shows e vídeos fosse falsa, mas havia algo além desse Byun que ninguém exceto as pessoas mais próximas conheciam, e Chanyeol gostaria muito de ser próximo nesse momento, ou apenas ter a possibilidade de desvendar essa personalidade imprevisível.


Park Chanyeol odiava a sensação de não saber o que pode acontecer. Odiava situações que o deixassem ansioso, odiava estar no escuro acerca de algo. As surpresas em sua vida nunca eram bem-vindas, pois não sabia o que esperar de algo novo, não gostava de criar expectativas, preferia situações confortáveis. Ele era acomodado em seu cotidiano, de fato. Nunca trocaria o usual pelo corriqueiro. Nunca faria alterações repentinas em seus planejamentos quando não fosse urgente. Mas Chanyeol gostou da sensação de não saber o que o Byun faria ao caminhar para perto de si. Gostou de não ter a mente cheia durante alguns segundos e focar toda sua atenção naquela postura imponente. Gostou de sentir aquele perfume. E tudo que ele desejava era sentir mais perto.

Park Chanyeol odiava o imprevisível, mas Byun Baekhyun era a personificação do inesperado, e ele gostaria de descobrir cada surpresa que o Byun escondia.


...


Byun Baekhyun não acreditava muito em primeiras impressões, pois quando criança sempre causou impressões ruins nas visitas de sua mãe. Era bagunceiro, agitado, agia sem pensar e falava o que viesse a sua mente. Quando se tornou uma figura pública relevante, era difícil policiar a própria vontade de ser sincero quando deveria apenas filtrar as próprias respostas. E Baekhyun odiava a sensação de estar pisando em terreno desconfortável, ele raramente ligava para o que iriam pensar a seu respeito — mas seu empresário, e melhor amigo, prezava muito pela sua imagem — então sua fuga durante o início da carreira foram os personagens de cada álbum, quando estivesse caracterizado suas respostas poderiam ser sinceras e sarcásticas o suficiente, afinal, não era o Byun, mas sim Noctis, seu primeiro alter ego. E Byun adorava a sensação de liberdade ao incorporar seu personagem no palco, a possibilidade de ser quem ele verdadeiramente era durante as entrevistas sem que desconfiassem. Baekhyun odiava mascarar as próprias ações, ser controlado pela mídia e não ter segurança sobre a própria personalidade. Encontrar a possibilidade de um alter ego foi uma fuga a si mesmo. Tertius foi um dos personagens preferidos de Baekhyun, pois era sobre o seu terceiro álbum, um dos mais especiais. Sua produção aconteceu num dos momentos mais virais de sua carreira, e Baekhyun era apaixonado pelo número 3, que esteve presente em diversos momentos importantes da sua vida. Toda a bagagem que esse número trazia e as datas as quais ele remetia estava cravada na pele de Baekhyun sobre sua nuca. Era uma tatuagem discreta que raramente estava à mostra, mas estava ali, e era especial. Esperava que algum dia recebesse um beijo capaz de arrepiar sua pele cravado sobre aquela tatuagem e trouxesse mais uma lembrança atrelada ao número.


“Quando te vi pela primeira vez, fiquei hipnotizado.”


“Amor à primeira vista?”


Baekhyun nunca pensou tanto sobre primeiras impressões desde o dia em que encontrou aquele homem alto numa lanchonete aleatória de Seul. Foi um encontro tão rápido, mas que ficou tão vivo em sua memória... Ele gostaria de ver a reação presente em seu rosto assim que deixou o estabelecimento. Não deveria se lembrar tanto de alguém que encontrou apenas uma vez na vida, porém havia algo sobre aquele homem que o intrigava. Como poderia nunca o ter visto antes? Caso houvessem se encontrado ele jamais esqueceria aquele olhar, aqueles olhos... e aquela boca. O moletom em seu corpo era um contraste a pose intimidadora. Céus, um homem alto daqueles é capaz de fazer as pernas do Byun fraquejarem. E foi um sacrifício para Baekhyun passar ao lado dele sem tremer de nervos. Não queria ter transparecido em seus passos o quão afetado estava por um olhar, mas ele percebeu, não seria possível que não percebesse quando tudo que o Byun queria era respirar. E sentir que não estava doido por ter tamanha atração por alguém pela primeira vez. Era tudo muito intenso. Mais que o costume.


Era possível que ele não tivesse o reconhecido? Era a primeira vez que alguém não esboçava alguma reação além da surpresa, mas o Byun já não sabia se era surpresa pela presença de outra pessoa no mesmo espaço, as olhadas indiscretas ou a percepção da sua identidade. Dificilmente o veria de novo com a vida agitada que levava, restava a memória daquele cabelo preto com cachos nas pontas e os olhos mais expressivos que ele já viu.


...


No dia 16 de agosto, toda a informação que Chanyeol conseguiu em suas pesquisas pelo Google martelava em sua cabeça. Byun Baekhyun, 25 anos, cresceu em Bucheon, signo de aquário, inspirava-se no David Bowie, criava conceitos para todos os seus álbuns, amava jogos online e tocava com a mesma banda desde o início de sua carreira. Descobriu que seu empresário era o próprio melhor amigo e que o Byun admitiu não saber lidar com relações sociais novas, por isso se sentia confortável em cultivar os mesmo ciclos. Chanyeol jamais imaginaria aquilo sobre a personalidade tempestuosa de Byun, imaginou que seu ciclo social era grande e que o Byun possuía contato com várias pessoas, mas se surpreendeu ao descobrir que Byun era reservado sobre suas relações. Chanyeol, apesar de reservado, possuía facilidade em criar vínculos, e essa característica era essencial em sua profissão, pois se comunicava com muita gente durante suas produções, seu estúdio recebia propostas todos os dias e Chanyeol agradecia pela identidade que criou em suas composições. Todos que conhecessem Chanyeol saberiam identificar quando alguma composição era dele. E saberiam identificar suas produções.


“Eu fiquei a semana inteira pesquisando sobre você.”


“Eu fiquei a semana inteira pensando em você.”


Foi difícil para Chanyeol erguer o próprio estúdio e dar seguimento ao próprio sonho, quando começou não tinha muito dinheiro e sua mãe trabalhava dobrado para dar uma criação boa para si e sua irmã. Sempre deu valor aos estudos, pois reconhecia todo o esforço de sua mãe investido em sua educação, e teve medo quando decidiu cursar música, não havia garantia de sucesso, todas as dificuldades pareciam maiores que o êxito, mas Chanyeol era apaixonado por música desde criança, ele respirava música, como poderia visar estabilidade se viveria uma vida infeliz? Escolheu arriscar, e foi a melhor decisão de sua vida, aos 19 anos Chanyeol iniciava suas aulas na Universidade Nacional de Seul, seu maior orgulho e um dos primeiros sonhos realizados. Sua mãe era o pilar que o mantinha focado em seus sonhos, todo o apoio que recebeu da mais velha transformava-se em força para enfrentar os exames difíceis até o fim da graduação. E conseguiu, aos 25 anos Chanyeol estava formado e dava início ao projeto do seu estúdio. A progenitora dispensava todas as quantias que Chanyeol separava para ajudar nas despesas mensais e dizia para o filho investir em si mesmo, quando decidiu abrir um estúdio sabia que não seria fácil, pois os equipamentos eram caros o suficiente para fazê-lo desistir assim que pensou na ideia. Tudo que Chanyeol tinha era sua guitarra, um violão e um teclado. Aprendeu a tocar bateria durante a faculdade, mas não seria possível ter uma bateria em casa, sua irmã o mataria com as baquetas quando fizesse barulho. Os instrumentos preferidos de Chanyeol eram os instrumentos de corda... Chanyeol amava sua guitarra.


“Não consigo parar de te olhar quando você faz isso.”


“Isso o que?”


“A forma como você toca guitarra.”


Durante o período de estágios Chanyeol conseguiu alguns remunerados, guardava todo o dinheiro que podia em sua conta poupança e presenteava sua mãe nas épocas festivas, pois era a única forma dela aceitar algo. Chanyeol daria o mundo a ela se pudesse. Trabalhou com aulas particulares de violão durante algum tempo, mas precisou parar quando o trabalho de conclusão de seu curso se aproximou. Chanyeol trabalhou muito durante 6 anos, além de dar aulas vendeu doces no campus, levava o cachorro das vizinhas para passear, foi garçom temporário em alguns restaurantes noturnos, vendeu pulseiras personalizadas, tudo que ele podia fazer em suas horas vagas, fazia. Chanyeol conseguiu abrir seu estúdio pequeno com 26 anos. Passou a vida estudando e trabalhando e finalmente conseguiu materializar o próprio sonho.


Depois disso, enfrentou a barreira do cenário atual de música. Seu estúdio era novo, além da formação de Chanyeol ele não possuía produções conhecidas ou composições, foi quando decidiu se apresentar em pubs. Ensaiava covers de suas músicas preferidas e apresentava trabalhos autorais após apresentações seguidas no mesmo lugar. Numa dessas apresentações ele conheceu Oh Sehun, um cantor que surgia no cenário contemporâneo da música, e seu empresário, Kim Jongin. Oh Sehun foi a moeda de ouro de Chanyeol, que apostou todas as suas fichas na produção do álbum do cantor. Tornaram-se melhores amigos com o tempo, e juntos conquistaram a visibilidade que a música não dava a artistas novos. Chanyeol e Sehun ajudaram um ao outro na busca pelo sucesso. O álbum de Sehun foi bem recebido pelo público, e acima da felicidade em finalmente receber conhecimento sobre seu trabalho, Chanyeol ficou feliz com a realização do sonho de um amigo. Ele jamais poderia imaginarque receberia tantas propostas após aquele álbum. E Chanyeol produziu muitos outros. Agora, ele podia viver de música.


Aos 27 anos Chanyeol tinha sua carreira consolidada. Vivia uma vida estável, seu estúdio que antes era pequeno e começou com poucos equipamentos evoluiu gradativamente. Chanyeol estava no clímax de sua profissão, possuía visibilidade, trabalhava com o que gostava. A maior surpresa de sua vida foi a mudança que viveu durante 1 ano relacionada a seu estúdio. Tinha uma equipe confiável, criava os próprios horários, era tudo que Chanyeol sempre sonhou.


Então por que pensava em Byun Baekhyun desde o dia em que o viu naquela lanchonete? Sua mente deveria estar ocupada pensando sobre as propostas que recebeu, sobre as músicas que ainda precisava produzir, sobre o cronograma que ainda tinha a cumprir, mas só conseguia pensar no cantor. Sua curiosidade voltava em momentos inoportunos que desfocavam sua atenção do próprio trabalho. Chanyeol sempre mantinha o foco durante as próprias atividades, odiava falta de atenção, mas sua cabeça simplesmente não parava de relembrá-lo do cabelo ruivo do cantor e seu sorriso de canto. Ah, se Chanyeol pudesse observar o rosto do cantor de pertinho... capaz de compor 100 músicas sobre ele.


“Maldito seja o seu cabelo vermelho.”


“Por que? Eu adoro ele.”


“Não saiu da minha cabeça um dia sequer.”


...


Baekhyun sonhava em ser cantor desde pequeno. Sua mãe dizia que essa vida era difícil demais e que conseguir visibilidade seria difícil, que o mundo da música escondia muito lixo embaixo dos panos, e que não estava preparada pra ver a opinião da mídia sobre Baekhyun. A mídia poderia ser muito cruel quando alguém não cumprisse às expectativas do público, e a personalidade de Baekhyun era tudo o que a mídia detestava, imprevisível demais, sem filtros nas respostas, palavras ácidas e sarcásticas quando não sabia lidar com os diálogos, e poderia facilmente xingar os paparazzis. Mas, a Senhora Byun sabia que o filho não desistiria do sonho enquanto não tentasse, por isso o matriculou em aulas de canto e piano desde pequeno. E o pequeno Byun cantava em todos os natais orgulhoso dos avanços em suas aulas.


Aos 3 anos Baekhyun foi matriculado em sua primeira escolinha de música. O começo de seu maior sonho.


Aos 5 anos Baekhyun expôs a sua mãe o desejo de ser cantor, disse que adorava a ideia de subir em cima de um palco e cantar para milhares de pessoas, criar a própria música e imaginar a plateia completando a letra. Ele encenava em suas brincadeiras, criava um palco pequeno e chamava seus primos para serem sua plateia.


Aos 8 anos Baekhyun pediu um microfone de presente, e disse que gostaria de ter o próprio karaokê em casa, para cantar sempre que quisesse; sua mãe atendeu ao seu pedido prontamente, além de presenteá-lo com um teclado.


Aos 10 anos Baekhyun roubava as maquiagens de sua mãe dizendo que precisava criar seu próprio figurino, e usava as sombras coloridas em seus olhos. Descobriu que a vermelha era sua preferida. Sua mãe ao ver o filho com a sombra — não esfumada — e o blush marcado, decidiu ensinar ao filho como usar e que deveria pedir permissão antes de pegar.


Aos 15 anos Baekhyun treinava seu canto todos os dias, ansioso pela temporada de testes de admissão nas empresas mais conhecidas de Seul. Acabou por desenvolver ansiedade com sua preocupação excessiva sobre o futuro. Era preocupado demais e pensava que se uma empresa o recusasse, nenhuma outra o aceitaria.


Aos 17 anos Baekhyun experimentou o amargo sabor da recusa sobre seus sonhos. Nenhuma empresa havia o contratado como trainee. Nenhuma empresa deu-lhe oportunidade para que tentasse. Restava apenas a ansiedade e seus desejos que seriam trancafiados.


Aos 18 anos Baekhyun aproximou-se de Jongdae, que viria a ser seu melhor amigo e companheiro de carreira, estudaram na mesma escola durante os 3 anos de ensino médio, mas só vieram a conversar no 3° ano. O final de tudo e também o inicio para o Byun.


Baekhyun era tagarela com as pessoas mais próximas, e não foi difícil se sentir confortável na presença de Jongdae, contou a ele todos os sonhos que jurou a si mesmo trancafiar e antes que desse conta o amigo se dispôs a ser seu empresário e disse que o deixaria rico. Era brincadeira de adolescente, e eles jamais imaginariam o peso daquelas palavras.


Aos 19 anos Baekhyun começou a compor as próprias músicas. Procurou trabalhos de meio período enquanto Jongdae cursava administração na faculdade. Já tinha desistido do próprio sonho quando Jongdae chegou numa sexta-feira, no dia 13 de fevereiro de 2014, dizendo que conheceu um garoto chamado Minseok que sabia tocar guitarra, e baixo, e que topava ser parte da banda de Baekhyun.


Um dos desejos de Baekhyun como cantor era ter sua própria banda — fixa — para suas apresentações. E que fossem pessoas próximas e confiáveis ao ponto dele se sentir confortável ao lado. Ele já havia desistido, mas Dae continuava tentando e dava importância aos mínimos detalhes de seu sonho. Era tão bom para Baekhyun ter alguém além de sua mãe por perto.


Quando conheceu Minseok, não imaginava a sucessão de acontecimentos que viriam a ocorrer em sua vida.


Após adicionar mais um integrante ao seu “grupo dos sonhos” conheceu Kang Seulgi — a baixista mais impressionante que ele teve a oportunidade de ouvir tocar — e seu jeito espontâneo. Conheceu-a durante seus trabalhos de meio período e ouviu murmúrios baixos da colega sobre querer chegar a casa logo para tocar sua belezinha. De início, desconfiou do duplo sentido presente na frase, mas Seulgi era tão espontânea que mostrava fotos do seu bebê para todos os colegas, assim ele descobriu que era um baixo.


Após 3 meses Baekhyun conheceu Yixing. Ele cursava música na mesma faculdade do Dae, frequentava a mesma loja de discos que o Byun descobriu no bairro, e não demorou muito para descobrir que ele gostava de tocar bateria e produzia algumas músicas sozinho.


Aos 19 anos Baekhyun tinha sua banda formada, uma equipe que se tornou sua melhor amiga durante todos os momentos, e que compartilhava o mesmo sonho: deixar uma parte deles eternizada em cada apresentação.


Foi Yixing quem produziu o primeiro álbum de Baekhyun intitulado Rebel. E Baekhyun gostou de como soava uma produção independente, gostou de não precisar se preocupar com as restrições de uma grande empresa. Foi um grandioso tiro no escuro. Precisou se promover em pequenos pubs durante o início cantando covers; firmar seu nome no público pequeno que já o conhecia, antes de divulgar seu trabalho.


Aos 21 anos Baekhyun experimentou a fama repentina quando seu disco foi resenhado por uma daquelas revistas de crítica famosas e foi intitulado como “promissor" e que soava muito como um disco dos anos 80. Sua escolha de alter ego foi um divisor de águas, mas não se importava. Estava feliz com o resultado. Estava feliz com sua própria criação. E podia finalmente eternizar suas apresentações junto à banda e concretizar o sonho de seus melhores amigos.


Durante o seu segundo álbum Baekhyun enfrentou a pior fase da fama. Os paparazzis seguiam todos os seus passos, sua privacidade era invadida em todos os âmbitos, desenvolveu o hábito de fumar cigarros para controlar a ansiedade e se afundava em canções melancólicas. A mídia sugava qualquer informação que pudesse e distorcia, Baekhyun odiava estar pressionado, odiava se sentir acusado, odiava pensar que sua personalidade estava sendo controlada. Por isso, entrou em uma pausa de 2 anos. Aos 24 anos lançou o seu terceiro álbum intitulado Red. Pintou os cabelos de vermelho, criou Tertius, e compôs músicas explicitas sobre o quão doente poderia ser a perseguição da mídia. Expôs tudo em palavras nuas e cruas. Seu maior medo era decepcionar a fanbase que conseguiu estabelecer, mas elas também já estavam fartas da situação e deram ainda mais força para o Byun durante as apresentações.


Aos 25 anos, Baekhyun organizava sua primeira turnê. O Byun de 3 anos que sonhava em ser cantor jamais imaginaria que pudesse chegar tão longe. Com 25 anos Baekhyun poderia escolher o produtor que quisesse. E não havia nada que Baekhyun mudaria em sua trajetória, pois seu futuro havia sido moldado através de todos os pequenos acontecimentos antes do seu sucesso. E Baekhyun era muito grato.


...


No dia 20 de agosto Baekhyun divulgou sua turnê. Sua vida se tornou uma correria desde então. Precisava apreciar a estadia que ainda tinha em Seul antes do primeiro show de seu cronograma. E tinha poucos dias para reencontrar o homem alto que não saía de seus pensamentos. Odiava a memória falha sobre a lanchonete em que se encontraram, não conseguia se lembrar do endereço, pois estava bêbado e só entrou no estabelecimento mais próximo. Odiava o fato de Seul ter tantos estabelecimentos parecidos e ruas semelhantes ao ponto de não saber distinguir onde já esteve. Gostaria de procurar sobre ele nas redes sociais, mas não sabia sequer o nome ou sobrenome. E não conseguiria ficar com alguém tendo a mente cheia sobre um homem que viu apenas uma vez. Decidiu, enfim, frequentar um pub qualquer. Precisava apenas distrair os pensamentos enquanto tinha tempo de folga. Não se vestiu com roupas tão chamativas quanto gostaria, mas a calça preta rasgada em seus joelhos estava presente, junto ao moletom vermelho que encontrou jogado em cima de sua mala. Vestiu uma touca preta para disfarçar as madeixas coloridas, e puxou a gola do moletom a fim de esconder os lábios. Era casual o suficiente e confortável o bastante para não chamar atenção.


Enquanto caminhava pelas ruas, tornou a pensar sobre a autoestima que desenvolveu conforme produzia seu terceiro álbum. Aquele álbum era tão importante para Baekhyun, dizia muito sobre seus sentimentos e tudo que passava em seus momentos solitários. Era a maior exposição que ele permitiu. Não se arrependia de nenhuma letra que expôs, a cada música finalizada durante o momento de produção sentia-se mais livre. E finalmente a liberdade corria em suas veias como antes. Se não estivesse sozinho, talvez Baekhyun corresse pelas ruas naquele momento enquanto o vento balançava seus cabelos. Se não fosse uma figura pública, gritaria bem alto o quanto se sentia vivo naquele momento. Mas se limitou a observar as ruas e seus pequenos detalhes, talvez pudesse escrever sobre aquele sentimento mais tarde.


Estava tão absorto nos próprios pensamentos que não percebeu quando chegou a El Dorado. Era um bar pequeno próximo ao hotel onde estava hospedado, mas parecia confortável. Percebeu que tinham seguranças na entrada e agradeceu aos céus. Caso precisasse de ajuda teria a quem recorrer.


Antes de entrar, procurou memorizar sua fachada e a rua onde se encontrava, pois se recordaria se quisesse voltar. Observou os estabelecimentos ao redor, também.


El Dorado era melhor do que o Byun havia imaginado quando viu as fotos pela Internet. Todos os detalhes do bar eram dourados, os móveis e bancadas eram pretos. A iluminação possuía leds vermelhos. E havia um palco centralizado. Gostou de saber que havia uma apresentação marcada. Apreciava música ao vivo, mas raramente podia frequentar lugares do tipo. E imaginava o quanto essas apresentações eram importantes para artistas pequenos.


Dirigiu-se ao bar, não faria mal pedir alguns drinks enquanto aguardava. Seu hotel era perto, poderia voltar caminhando, Chen não precisava se preocupar com exposições, estava tudo sob controle. A atendente sorria para ele, quando pediu uma gim tônica. Sentou-se na bancada, e decidiu ficar por ali mesmo, não queria ocupar uma das mesas sozinho.


Chen provavelmente o mataria se soubesse que estava em um pub cheio, bebendo mais uma vez, como se não bastasse o vexame passado. Mas Byun Baekhyun era incontrolável, todas as suas ações eram intensas.


Foi quando observou as luzes se apagarem e a iluminação do palco se sobrepor às outras. Foi quando viu aquele homem sentado, com o violão no colo enquanto ajeitava a altura do microfone, que decidiu pedir um uísque com gelo. Não estava delirando ao ponto de materializar seus pensamentos naquele palco, estava?


E no primeiro dedilhado os pelos de Baekhyun se arrepiaram ao focar o olhar naquelas mãos, tão grandes... Conhecia aqueles acordes. Conseguia adivinhar a música que ele tocaria. Quando Miracle Aligner deslizou pelos lábios de Chanyeol, Baekhyun estava encantado com aquela voz. Enquanto pensava “sim, eu quero te dizer o que desejo" estava hipnotizado pela voz grossa e rouca que cantava “Get down on your knees, get down on your knees again...” e Baekhyun ficaria de joelhos se ele pedisse. Aquela voz poderia pedir qualquer coisa que Baekhyun não conseguiria negar.


Despertou do próprio transe quando a atendente trouxe sua dose de uísque. Estava tão a flor da pele que virou o copo de uma vez. Precisava respirar. Não acreditava que ele realmente estava ali, em sua frente, cantando com aquela maldita voz. Era demais para o coração de Byun.


Não estava preparado para o boa noite de cumprimento dele quando encerrou a primeira música. Não estava preparado para aquela voz que era mais grossa ainda quando não estava cantando. Imaginou como seria ouvir perto de sua nuca, e arrepiou-se com a ideia. Apenas a voz era capaz de enlouquecer Baekhyun.


Chanyeol estava confortável aquela noite. Vestiu uma de suas melhores jaquetas, uma blusa branca estampada do David Bowie, e sua calça preta apertada característica. Parecia um rock star ao calçar aquele all star de cano alto vermelho. Mas estava feliz. Era um de seus dias preferidos da semana, ansiava pela sexta feira, pois era o dia da sua apresentação naquele pub especial. O mesmo onde conheceu Sehun e Jongin. Apresentava-se todas as sextas, conhecia todas as pessoas que frequentavam ali, e sabia reconhecer clientes novos. Por isso, estava surpreso ao ver aquele garoto de moletom vermelho encará-lo de forma tão intensa durante sua apresentação. Aqueles olhos pareciam... familiares. Aquele olhar parecia o olhar de Byun Baekhyun. Escolheu tocar uma música que não estava em seu repertório como a segunda da noite após pensar tanto se a mente estava lhe pregando uma peça.


Can't take my eyes of you se iniciava, calma, e Chanyeol entregava-se verdadeiramente a essa música. Era uma de suas preferidas, poderia dedicar a alguém especial quando tivesse oportunidade, mas naquele momento, era apenas bom demais pra ser verdade que Byun Baekhyun realmente estava ali, assistindo com os olhos arregalados, enquanto tentava disfarçar as olhadas descaradas.


Baekhyun morreu e foi substituído assim que a segunda música começou. Era demais para o pobre coração do Byun. “You're just too good to be true” saía dos lábios de Chanyeol e Baekhyun concordava, ele não conseguia tirar os olhos daquele homem, não conseguia parar de encarar os lábios que proferiam cada silaba da letra, não conseguia parar de umedecer os próprios lábios e passar as mãos suadas na calça, numa tentativa falha de se acalmar. Tocá-lo realmente seria como tocar o céu naquele momento. Todas as estrofes pareciam dizer sobre como Baekhyun estava se sentindo. Naquela noite, a imagem de Chanyeol apresentando essa música tornou-se a memória preferida de Baekhyun, ele era bom demais para ser verdade.


A forma como Chanyeol dedilhava o violão estava em looping na cabeça de Baekhyun quando a segunda música terminou. Respirou fundo, em busca de estabilizar os próprios pensamentos, e direcionou seu olhar para o palco. Surpreendeu-se ao encontrar aqueles olhos virados para si. Pareciam capazes de ver através de seu disfarce.


No palco, Chanyeol encarava o homem sentado no bar com o moletom vermelho chamativo. Poderia eternizar aquele moletom em sua memória, quando se lembrou de que vermelho era a cor preferida de Byun Baekhyun. Era coincidência demais. Se ao menos pudesse ver os cabelos escondidos embaixo daquela touca... Ele tinha quase certeza de que era Byun Baekhyun ali, mas parecia irreal. Seria um segundo encontro por acaso se fosse mesmo ele. Seria uma daquelas surpresas inesperadas.


Chanyeol precisava terminar a apresentação e encerrar a noite, tinha um repertório a cumprir antes de decidir se falava ou não com aquele garoto para sanar a própria dúvida. Escolheu seguir o repertório programado, conectando-se mais uma vez a musica.


Baekhyun estava fascinado. Conseguia perceber que o artista entrava num mundo próprio quando dava início às próximas musicas, e Baekhyun sempre apreciou apresentações originais. Aquela definitivamente era uma. Ele conseguia perceber a essência do cantor ainda que não soubesse nada sobre ele, nem mesmo seu nome. E o Byun estava admirado com a capacidade do artista de mergulhar em sua música, era algo que ele via acontecer apenas com pessoas que se entregavam verdadeiramente à performance. Acima de tudo, Chanyeol havia conquistado seu respeito naquela noite.


...


Chanyeol tremia dos pés a cabeça quando desceu do palco e encarou os olhos que o seguiam discretamente. Suspirou, cansado. Talvez não tivesse coragem de confrontar o garoto misterioso. Mas Baekhyun pensava diferente. Não se perdoaria se fosse embora aquela noite sem descobrir ao menos o sobrenome do cantor, por isso reuniu toda a sua coragem após fechar a conta, e seguiu o homem que se direcionava a saída do estabelecimento.


Chanyeol aspirou o ar frio da noite assim que pôs os pés na calçada fora do bar. Arrependeu-se por ter fugido, não conseguiria sanar a curiosidade que estava engasgada em sua garganta. E não passaria pela vergonha de entrar novamente no pub. Estava tão distraído que não percebeu que a razão das suas dúvidas estava ao seu lado.


— Ei... eu gostei da sua apresentação. — Baekhyun disse tímido, incerto, enquanto colocava as mão dentro do bolso e desviava o olhar.


O Byun pensou sobre o que falar, mas nada parecia adequado o suficiente. Não sabia puxar conversa, estava envergonhado, sua mente estava em branco. Ao perceber a confusão mental que Baekhyun se encontrava, Chanyeol tornou a rir, e pode observar mais de perto os detalhes de seu rosto que estavam à mostra. Definitivamente aqueles olhos eram do Byun.


— Obrigado, Baekhyun. — Um sorriso singelo adornava o rosto calmo.

Nada no mundo apagaria da memória de Chanyeol a surpresa estampada no rosto do Byun.


— Você me reconheceu? Como? Desde o início você sabia que era eu? — Desesperado e gesticulando a cada frase, Baekhyun remexia-se inquietamente.


— Eu desconfiava, não tinha certeza. Estava pensando que era apenas alguém parecido com você, mas pude observar seu rosto de perto agora e reconheci. Estou lisonjeado por receber elogio de alguém tão influente.


— E eu pensando que estava bem disfarçado... talvez até a atendente tenha me reconhecido. — Murmurou pensativo.


— Ela definitivamente reconheceu, mas sabia que você não queria ser reconhecido.


— Poxa, tão educada. Eu vou dar um autógrafo a próxima vez que vê-la, e irei propor uma foto, também.


— Yeri vai ficar tão feliz... ela é apaixonada por você.


— Você conhece todos os funcionários de lá? — Arqueou as sobrancelhas, surpreso.


— Sim, conheço a maioria. Conheço todas as pessoas que frequentam também, eu me apresento regularmente, por isso reconheço quando algum rosto novo nos visita. Aliás, acho que ninguém alem de você usaria um moletom vermelho para ir ao El Dorado numa sexta à noite. — Terminou a fala entre risos, fixando o olhar na peça grande que sobrepunha o corpo do Byun.


— Por que diz isso? Tem algo contra meu moletom? — Franziu a testa, indignado.


— É sua cor preferida, certo?


— Como sabe? — Indagou, desconfiado.


— Todo mundo sabe algo sobre Byun Baekhyun. — Chanyeol suspirou após dizer, triste por ser um conhecimento genérico sobre o cantor.


— É injusto que eu não saiba sequer o seu nome. — Baekhyun decidiu arriscar, talvez descobrisse finalmente o nome do homem que não saía de sua cabeça.


— Chanyeol. — Respondeu passando a mão pelos fio rebeldes do cabelo, enquanto tentava arrumar a própria franja.


— Só Chanyeol? — Arriscou mais uma vez, desejando ter uma informação completa no fim da noite, e tentou ignorar ao máximo o quanto achava sensual a imagem dele mexendo no próprio cabelo.


— Park Chanyeol.


— É bonito, soa bem. — Murmurou enquanto esfregava as mãos na calça, após descobrir a duvida que rondava sua mente. Tentou disfarçar a surpresa estampada na própria testa. Estava desconcertado, pois o nome de Chanyeol era tão bonito quanto ele, e se antes não poderia nomear os pensamentos recentes, agora sabia como chamá-los.


— Byun Baekhyun também.


E Baekhyun nunca esperaria por aquela resposta.


“Can I waste all your time here in the sidewalk?...”


Sob as luzes da rua, no dia 20 de agosto, numa sexta-feira, Chanyeol e Baekhyun se encontraram pela segunda vez. E tiveram a primeira conversa. Parecia coincidência demais se encontrarem pela segunda vez quando era o que mais desejavam. Ambos desejavam se beliscar para se certificarem de que era um sonho, mas não era. Estavam lado a lado, sanando as próprias duvidas, e criando expectativas sem perceber...


“Can I stand in your light just for a while?...”

26 de Setembro de 2020 às 22:11 0 Denunciar Insira Seguir história
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