nathymaki Nathy Maki

Ao longo dos anos, Izuku aprendeu alguns segredos importantes sobre as pessoas. Agora, é o momento de compartilhá-los com Eri e Kota que parecem precisar saber deles mais do que nunca. OU Onde Izuku é um irmão atencioso e superprotetor e as crianças o adoram por isso.


Fanfiction Anime/Mangá Todo o público.

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Capítulo Único

Oláa!

Então, essa fic é apenas uma desculpa para saciar minha vontade de ler Izuku sendo um irmão mais velho para Eri e Kota. Todos os projetos em que eu estava trabalhando empacaram enquanto ela não saiu, então estamos aqui para fazê-los voltar, yey! Sim, eu enchi a cara de fanart e tô entupida de fofura aqui. Espero que vocês também fiquem depois disso! Tem uma insinuaçãozinha leve de Todoshindeku porque um dia ainda farei algo para eles, espero.

No mais, boa leitura!

***


Izuku se pergunta quando as coisas começaram a transcorrer daquele jeito.

Ele tem consciência do olhar cansado de Aizawa-sensei posto sobre si, os cabelos uma bagunça despenteada e, por algum motivo, cobertos de glitter fosforescente. Ao seu lado, uma pequena Eri aperta os dedos nas alças de sua nova bolsa enfeitada por patas de gato, o cabelo branco preso de um modo confuso no que deveria ser a tentativa de uma trança.

— Oh, Aizawa-sensei, outra missão?

O professor suspira, ombros caídos como se lutasse com um peso invisível e apenas aponta para a garotinha que se balança na ponta dos pés de forma ansiosa, seus grandes olhos vermelhos fixos no rosto de Izuku que sorri alegremente de volta. Izuku adora as visitas de Eri.

— Ela insistiu em passar a noite aqui hoje. Você se importaria, criança-problema?

Seus olhos se suavizam e ele estende a mão para ela, cicatrizes iguais se encontrando que contam suas histórias de dor e superação. Ela a agarra sem hesitar e lança um último olhar brilhante para o professor que assiste a cena com um pequeno sorriso de canto — ele nunca admitiria isso, não importa o quanto Mic o perturbasse por esse fato.

— Obrigada, Papazawa!

Izuku aperta os lábios para conter o riso e a expressão divertida que certamente está estampada em seu rosto ao sentir o olhar afiado do professor desafiando-o a comentar. Mas, felizmente, Izuku tem uma cabeça muito boa e pensa rápido, então, nops!, ele não ouviu nada, nadinha!

— Venha, Eri-chan. Vamos arrumar o seu cabelo, sim?

E, fácil assim, Izuku consegue um trabalho permanente como babá.

Ele não se importa com isso. Gosta de estar na companhia das crianças que o haviam salvado tanto quando ele as ajudara – ou tentara ajudar. Ele escutou Iida falando sobre isso anteriormente, como alguém em um momento auspicioso pode causar um grande impacto na vida de outra pessoa e mudá-la por completo. E ele entende, havia vivido isso desde o instante que All Might o salvara daquele vilão. Ainda assim, há algo de especial e mágico em saber que ele próprio pode ser o causador de tal diferença. Torna o seu sonho infantil de se tornar um herói mais real, algo quase palpável e que lhe enche com mais impulso para lutar.

A garotinha assente, satisfeita, e o segue para dentro enquanto a porta se fecha às suas costas. O dormitório está relativamente quieto, a maioria dos seus colegas se encontram em seus quartos, e os únicos gritos que atravessam as paredes vem do andar de cima provenientes do insistente grupo de estudos que havia se auto convidado para o quarto de Bakugou. Midoriya sente pena deles, Kacchan não era exatamente um professor dedicado e agradável, mas os colegas parecem se divertir, revezando-se para provocá-lo e auto intitulando-se Bakusquad. Izuku tem certeza que um derrame por parte de Kacchan se encontra mais próximo a cada dia e, francamente, não consegue entender como eles podem se divertir tanto com isso. Se fosse com ele que Kacchan estivesse gritando, já teria saído correndo há tempos. Mas, é como dizem: existe um louco para tudo.

Portanto, querendo evitar traumatizar a pequena Eri, eles permanecem no andar de baixo, esparramados no chão da sala comunal, um laço colorido preso entre seus lábios enquanto Midoriya franze a testa para as mechas bem divididas que se entrelaçam em suas mãos. Ele conserta as tranças no cabelo dela e elas agora descem nas laterais do seu rosto. A garota balança a cabeça de um lado para o outro, testando, e ri ao ver o ondular que as fitas com as quais estavam amarradas provocam. Aquele som afrouxa algo em seu peito, aquela parte constante que lhe lembra que, apesar de tudo, ela ainda é capaz de sorrir. Os bracinhos dela o envolvem segundos depois e Izuku ri suavemente do "Obrigada!" sussurrado em seu ouvido.

— Sempre que o Aizawa-sensei não acertar o seu cabelo, pode correr para cá que eu dou um jeito — ele pisca, devolvendo o sussurro como quem conta um segredo.

Eri olha em volta, assegurando-se de que eles estavam sozinhos e se inclina mais para contar:

— Às vezes quando Papazawa dorme, eu amarro o cabelo dele como o Mic-san me ensinou.

— Bom trabalho — ele elogia e assiste ao rostinho dela se inflar de orgulho.

Midoriya sorri ao imaginar a cena. Soa tão doce que ele quase tem dificuldades para imaginar o professor permitindo que acontecesse, mas, dado o estado em que ele o viu naquela noite, não tem dúvidas quanto a veracidade dela.

— Midoriya — a voz de um Shouto muito sonolento os alcança e Midoriya segura Eri no colo antes de se virar para olhar. O amigo desce a escada com os olhos desfocados e os cabelos espalhados em várias direções, uma visão verdadeiramente rara. Izuku deseja estar com seu celular para poder tirar uma foto e capturar aquele momento, mas se contenta em apenas observá-lo e registrar aquilo na memória. —, o que está acontecendo?

— Desculpe se te acordamos, Todoroki-kun. Eri e eu estávamos indo fazer biscoitos para comer com leite. — Ele sabe que é uma boa ideia quando os olhos da garota brilham animados. — Você quer alguns?

— Claro — ele aceita, como Midoriya sabia que faria, e caminha até a cozinha como um zumbi.

Izuku devolve Eri para o chão e diz baixinho para ela:

— Eu vou precisar da sua ajuda com isso, Eri-chan. Você acha que consegue?

A garotinha junta os punhos em uma pose confiante e devolve com um grande sorriso:

— Eu quero ajudar o Deku-san!

Midoriya guarda o ataque de fofura que explode em seu interior e estendeu a mão para ela.

— Vamos começar?


_____________________


Eri está se divertindo.

Ela sente as bochechas doloridas de tanto dar risada e um sentimento quente e acolhedor enche o seu peito. Então isso é o que chamam de felicidade? A sensação de se sentir segura e aquecida perto de outras pessoas, de não precisar se preocupar com dor ou com as sombras que visitavam seu quarto ao cair da noite. Com eles, ela não precisa segurar as lágrimas e baixar os olhos para que não vejam seu rosto triste. Não, ali ela tem Izuku, com seu sorriso alegre e suas mãos gentis que a envolvem de forma protetora. Ela tem Papazawa, que a deixa dormir em sua cama quando seus pesadelos a acordam no meio da noite. Ela tem Lemillion-san, que sempre lhe traz sorvete e a leva em passeios. E agora também tem Toshi-nii e os gatinhos que sempre o seguem em seu caminho até sua casa, os quais se enroscam nela, macios e ronronantes. E, mesmo que não soubesse ainda, ela tem todos os alunos da 1-A prontos para apoiá-la no que for necessário.

Então Eri se sente feliz enquanto observa Izuku misturar a massa e conversar com ela sobre como a individualidade do outro garoto pode ajudá-los a assar os biscoitos mais rápido. Eri gosta do modo como os olhos dele parecem derreter nas beiradas, em como há farinha nas constelações em suas bochechas e ele não se importa com isso.

Izuku lhe entrega diversos moldes de metal e abre a massa dizendo a ela que cortasse os biscoitos como quisesse. Eri obedece com um sorriso no rosto. Há tantos formatos interessantes a sua escolha! Ela enfileira os que mais lhe chamam a atenção e os pressiona contra a massa, apertando bem antes de retirá-lo. Logo a mesa está coberta por diversos biscoitos moles em formatos de gatos, unicórnios e maçãs, porque Eri ama maçãs.

O cheiro dos biscoitos atrai uma esfomeada Ochako e uma prestativa Momo que procurava petiscos para o grupo de estudos que continuam a quebrar a cabeça no quarto de Bakugou. A garota de bochechas redondas os faz flutuar enquanto o garoto com o cabelo de duas cores estende a mão em chamas para assá-los. Eri observa Izuku sorrir para ela e puxar rapidamente um caderno do bolso no qual ele rabisca furiosamente enquanto assiste a cena.

Os biscoitos acabam assados demais, mas nenhum deles se importa, estão ocupados demais rindo do acontecimento para se preocupar. Eri ri com eles e ajuda a cortar mais da massa para que a garota de cabelo preto possa assá-los da maneira correta agora. Ela é preenchida por aquele sentimento estranho de pertencer a algum lugar e seus dedos se fecham na barra do casaco de Izuku que pousa a mão em sua cabeça gentilmente como se entendesse. Izuku sabia algo sobre ser abençoado com bons amigos.

Eles comem os biscoitos — agora perfeitamente assados — e a garota do cabelo escuro os ajuda a montar uma barraca na sala que a menina de bochechas redondas enche de travesseiros e cobertores macios. Há uma lanterna no canto e Eri se acomoda com a cabeça nas pernas de Izuku como vê o outro garoto fazer, enquanto os ouve conversar e trocar histórias de sua infância.

Quando o silêncio enfim recai sobre o cômodo, os outros três estão dormindo e ela vê Izuku rolar pelo chão até o verde dos seus olhos a alcançar. Eri gosta deles, Deku-san tem olhos bonitos, eles brilham de um jeito bom sempre que olham para ela.

— Você se divertiu hoje? — Ele pergunta, colocando um cobertor macio sobre ela do mesmo jeito que fez com os outros. Eri também gosta daquilo, aquela gentileza e os pequenos gestos atenciosos, tinha sido assim quando ele a salvara.

— Muito — ela responde. Mas Izuku nota que ainda há algo a incomodando e Eri não sabe como esconder aquilo.

— Quer me contar por que quis dormir aqui hoje, Eri?

Ele aguarda e Eri morde o lábio em dúvida, os olhos distantes e fixos nas estrelas fluorescentes feitas por Momo-san presas ao teto por Ochako-san. Ela tem medo de falar, então fecha os olhos e aperta mais o cobertor ao seu redor. Uma mão pousa gentilmente em sua testa. Não dói, apenas fica lá, quente e macia, e ela tenta não chorar. A essa altura, Eri sabe que não deveria mais ter medo, os monstros que a mantinham presa tinham ido embora, mas as garras deles ainda estão cravadas em sua mente e tendem a aparecer nos piores momentos.

— Eri? — a voz dele a chama suavemente. Ela sabe que Izuku não a machucaria. — Está tudo bem, não precisa me contar agora. — Os braços dele a envolvem, seguros e protetores. Ela se sente melhor. — Está tudo bem — ele repete e Eri acredita nele. Deku-san nunca mentiria para ela. Os dedos dele se movem suavemente por sua cabeça e ela deixa o rosto afundar no peito dele e não diz nada. O cabelo dele, verde e fofo, faz cócegas em sua bochecha e ela sente o seu peito subir e descer enquanto ele respira compassadamente. Aquilo ajuda.

— Eles vão me levar embora — ela se vê murmurando para ele, a voz baixa demais, mas Izuku escuta. Ele sempre escuta.

— O quê?

— Os outros garotos mais velhos do parque disseram que eles vão me levar embora porque o Papazawa não é o meu pai de verdade.

As lágrimas com as quais lutou escorrem agora livres por suas bochechas. Eri não quer chorar, mas não consegue parar como costumava fazer. Izuku limpa suas lágrimas com suavidade e os dedos dele são cuidadosos e não machucam. Ela vai sentir falta dele.

Eri não quer ir, mas também não quer ficar se isso significa causar problemas para eles. Seu coração bate acelerado em seu peito e ela se esconde mais no casaco de Izuku. Ele acaricia sua cabeça gentilmente e deixa que ela se acalme.

— Você gosta daqui, Eri? — ele pergunta baixinho. — Gosta de ficar comigo, com o Mirio-senpai e o Aizawa-sensei?

Ela assente, a garganta ainda engasgada demais para que pudesse falar. Izuku sorri e ela não entende como isso pode ser um motivo para sorrir. Não faz muito tempo que ela descobriu como se fazia, mas Eri sabe que sorrisos são para coisas boas e não vê como ela gostar dali poderia impedi-la de ir embora. Mas Izuku está sorrindo e é... bom.

— Então nada de ruim vai acontecer — ele diz.

— Como você sabe? — Eri pergunta porque Izuku parece tão certo e ela quer que seja verdade.

— Porque eu conheço o segredo. Quer que eu te conte?

Ela quer saber. Eri não gosta de segredos porque segredos são coisas que se escondem de todos e coisas escondidas costumam ser maus. Mas é Izuku quem lhe diz ter um segredo e ela sabe que ele nunca seria mau, então apenas acena com a cabeça, os olhos refletindo a curiosidade que sente. Izuku ri baixinho. Seu sorriso ainda é o mesmo, bonito e caloroso, mas está ainda mais brilhante. Os dedos dele seguram o seu rosto, os olhos verdes bem fixos nos seus.

— Nós amamos você — ele sussurra e Eri sente novamente aquela onda de calor que pulsa por seu corpo. Ela está sorrindo agora, não sabe porquê, mas aquelas palavras a deixam muito feliz. — Nós amamos você e por isso nunca vamos deixar que nada te aconteça e nunca, nunca mesmo vamos te abandonar. É isso que ser uma família significa, Eri. Não tem a ver com o sangue ou com parentes de verdade, mas com aquelas pessoas que amamos e queremos proteger, aquelas pessoas que estão lá quando precisamos e sentimos que ficar com elas nos deixa feliz. Então não precisa se preocupar, porque famílias assim nunca te deixariam ir, tudo bem?

— Tudo bem — Eri diz a ele, sentindo-se muito melhor. O ar fica leve novamente e respirar é fácil. Eles ficam quietos então, não há nada além do silêncio e do ressoar baixo da respiração dos outros que continuam dormindo. Não é um silêncio ruim, nem frio ou assustador, como o que ela costumava temer. É quente e confortável. O silêncio de Izuku é diferente do silêncio de Chisaki.

— Deku-san — ela chama baixinho. Izuku olha para ela, mas ele não está zangado por ela ter rompido o silêncio. Não, Izuku nunca fica zangado com ela. — Eu quero ficar com você. E com o Papazawa. E com o Toshi-nii. Promete que eu posso ficar?

Izuku ri com leveza e estende o dedo mindinho para ela. Lemillion-san a ensinou a fazer juramentos de dedinho, então ela estende o seu e os dois se encontram, balançando para cima e para baixo.

— É uma promessa.

Eri sorri. Ela sorri porque no fundo está aliviada e sabe que uma promessa de mindinho nunca pode ser quebrada. Então ela se enrosca mais no cobertor, a mão ainda segura na de Izuku e finalmente dorme.


***


Quando a campainha toca naquela manhã, Izuku não lhe dá atenção, pensando que pode ser um dos colegas do dormitório que havia esquecido a chave novamente, mas quando Todoroki abre a porta vindo da cozinha com uma expressão sonolenta e o chama, o garoto começa a desconfiar que aquele dia está apenas começando.

— Midoriya, você está abrindo uma creche?

Izuku para a meio caminho da porta com os olhos arregalados em surpresa.

— Do que está falando, Todoroki-kun? Você não é de fazer piadas.

Mas Todoroki apenas balança a cabeça e aponta para a porta, convidando-o a vir e ver por si mesmo.

— Midoriya-kun! — uma mulher de cabelos castanhos curtos fala de maneira animada.

— Mandalay-san! — Izuku arfa. — Que surpresa! O que faz aqui?

— Na verdade… — ela sorri com uma piscadela conspiratória e se afasta para mostrar quem está escondido as suas costas.

Para sua surpresa, Kota o encara com um semblante fechado e olhos dispersos e não pela primeira vez Izuku se pergunta se aquilo não havia sido de alguma forma combinado. Mas depois de vários meses sem se ver, Midoriya está feliz por tê-lo ali, então se agacha nos joelhos e sorri para ele ao dizer:

— Kota-kun! Que bom te ver!

A mulher franze a testa, rindo baixinho para si mesma ao ver o rosto do sobrinho se avermelhar.

— Pela sua cara, acho que não sabe. Pensei que Eraser tivesse te avisado do encontro marcado para hoje à tarde.

— Encontro? — Izuku piscou, confuso.

A heroína profissional gesticula para que ele se levante e sussurra o mais baixo possível.

— Hoje é o aniversário dos pais dele, entende. Kota disse que queria que você fosse com a gente visitar o monumento. Também ajuda o fato de que ele estava ansioso para te ver de novo.

Kota, que aparentemente havia escutado tudo, salta para trás, apontando para a heroína com constrangimento.

— Eu não estava! É mentira!

Mandalay ri.

— Ele não parava de perguntar quando íamos chegar.

— Não, eu não fiz isso!

— Até mesmo limpou os tênis favoritos para isso.

— Eu não limpei nada! — ele insiste, a voz subindo algumas oitavas. Kota a essa altura parece uma pequena bolinha de vergonha. Ele tem certeza que não estava tão animado assim.

Um clique distante soa na mente de Izuku. Ele lembra do olhar de medo no rosto de Eri por pensar que seria separada deles, e do seu eu infantil perguntando a mãe por que o pai nunca tinha aparecido. Para Izuku está tudo bem não saber, afinal, você não pode sentir falta daquilo que não conhece, mas, ainda assim, ele sabe que, para aqueles cuja convivência foi frequente e intensa, certas coisas são difíceis de esquecer, e enfrentá-las sozinho não é o que Izuku deseja para Kota. Ele coloca seu melhor sorriso no rosto e fala:

— Oh, entendo. É uma boa oportunidade de fato!

— Mas se ele não te falou nada, podemos marcar outro dia. — Mandalay continua. — Não quero sobrecarregar você nem nada.

— Não, está tudo bem! Seria uma honra acompanhar vocês. Mas decisão é sua, Kota-kun. Quer que eu vá?

Midoriya o vê segurar com força a barra da camisa e baixar os olhos para chão como se temesse sua resposta. Ele acena de forma tensa, os ombrinhos curvados esperando a negativa, mas, ela não vem. Então, fácil assim, Izuku vai.


_____________________


O monumento é grande, feito de mármore branco e reluz com os raios fortes do sol de fim da tarde. Kota não sabe para onde olhar. Pensando bem, ele não sabe se quer olhar. Ele agarra a barra da camisa de Izuku e se sente melhor por saber que ele está ali, alguma parte de sua mente sabe que ele não vai julgar ou zombar dele no futuro por aquela demonstração de fragilidade. Além de toda a pose que assume de indiferente e mal-humorado, seu coração dói. Os dedos de Izuku envolvem os seus e ele sente as bordas ásperas das cicatrizes marcadas nas palmas, porém, o toque é suave e o ajuda a engolir o choro que sobre por sua garganta. Kota puxa o ar com força e, enchendo-se de coragem, ergue o rosto para vê-los.

Ele encara o rosto da mãe e lembra de como os olhos dela enrugavam em meio as risadas enquanto o perseguia pela casa e o enchia de cócegas. Ele olha para o pai e sente as mãos largas dele o erguerem para o alto até que ele estivesse sobre os seus ombros. Kota lembrava de segurar firme enquanto o pai corria, a voz da mãe gritando ao fundo para que eles tomassem cuidado, preocupada, mas sorrindo. A cena é feliz, mas aperta seu coração com aquela mão invisível que sente alojada lá desde os três anos.

As mãos de Mandalay em seus ombros tremem e Kota sente as lágrimas vindo. Por quê? Por quê? Sua mente ecoa. Ele sabe o porquê, mas, ainda assim, ainda assim, por que tinha de acontecer? Por que com ele? Antes que ele pudesse puxar o boné para cobrir seus olhos e esconder o choro, os braços de Izuku o envolvem. Os dedos dele estão em seus cabelos e uma das mãos acaricia suas costas de forma ritmada.

— Vai ficar tudo bem — ele murmura suavemente. — Não têm problema você chorar.

Kota vê de relance que os olhos dele também estão marejados e lágrimas caem por suas bochechas em um espelho seu. Então, ele cede. Se deixa levar para o arranjo seguro que são os braços dele e esconde a cabeça na curva de seu ombro, deixando os soluços escaparem baixinho. Ele quer mandar Izuku soltá-lo, mas também quer permanecer ali até que todo esse dia acabe. A sensação de conforto ganha e ele fica.

Por meio dos seus olhos embaçados, ele encara o monumento tão parecido, mas tão distante, e o aperto na forma de saudade se intensifica. Ele deseja ardentemente que os pais estivessem ali, mas eles não estão e tudo que lhe resta é a segurança oferecida por Izuku e o entendimento de Madalay que se junta ao abraço, sem se importar com os joelhos arranhados pelo chão ou com as pessoas que passam por ali e os olham com curiosidade.

— Seus pais foram grandes heróis, Kota-kun — Izuku diz baixinho. As palavras não fazem a dor passar, mas de alguma forma ajudam. — Eu sei que você os culpa por terem te abandonado, mas sabe de um segredo? Eles te amavam e fizeram de tudo para transformar esse mundo em um lugar melhor para você. Não deixe os sentimentos ruins superarem as boas memórias que você tem deles.

Kota entende isso. Ele entende desde o momento em que Izuku o salvou no Acampamento mesmo que Kota tivesse tentado de tudo afastá-lo. Izuku não se importara com isso, com o fato de ele não passar de um desconhecido, com toda a sua raiva e rancor acumulado contra o que ele treinava para ser, com as palavras duras e o chute do primeiro dia, e o salvara mesmo assim. Por isso ele era o seu herói. Um herói que salva os outros porque é a coisa certa a se fazer.

— Eu estou bem, já podem me soltar — ele funga, limpando o nariz na manga da camisa de forma não muito digna.

Izuku obedece, mas não se distancia muito. O verde dos olhos dele parece manchado pela preocupação, então Kota segura sua mão e os leva para mais perto. Na base do monumento, diversos bilhetes e post-its estão colados. Ele os abre, curioso com o que eles fazem ali, e então entende. São mensagens de agradecimento das pessoas — todas elas — que seus pais haviam salvo com o seu sacrifício. Izuku as lê para ele, e há tantas! Tantas palavras diferentes para dizer o que ele pensava ser simples. Mas, às vezes, um mero “obrigado” não é suficiente para expressar o que uma mão estendida e um gesto de esperança significam.

Kota sente as lágrimas lutando para deixar seus olhos, mas as segura. Ele não quer chorar por isso, por essa coisa boa, esse legado de luta que seus pais haviam deixado. Não, ele não quer envergonhá-los assim. Então decide o que quer fazer, o que quer se tornar, e a dor amaina em notas mais suaves de esperança e determinação. Um dia vou deixar vocês orgulhosos, promete. Com a mão bem firme na de Izuku, ele olha uma última vez para os pais e diz:

— Sinto falta de vocês, todos os dias. Feliz aniversário, mãe, pai.

Kota sabe que aquilo vai doer, talvez ele nunca supere essa dor, mas pode aprender a conviver com ela. Afinal, ele tem mais em comum com seus pais do que pensava. Algum dia, ele também será um grande herói como eles foram para aquelas pessoas, como Izuku tinha sido para si. Algum dia, ele também salvará alguém e se tornará um herói especial para ela. Ele teria ajuda em seu caminho, teria Madalay para apoiá-lo e Izuku com suas mãos gentis para guiá-lo. Por isso, ele sabia que um dia conseguiria.

Com esse novo sentimento ardendo em seu peito, Kota se deixa levar de volta para o carro e então eles vão embora.


***


Naquele fim de semana, eles vão ao parque.

Aizawa convence Shinshou (lê-se: suborna ele com cachecóis para gatos) a acompanhá-los. É uma experiência que há muito vem sendo planejada: apresentar Eri a Kota e tentar fazer com que ela se adapte a conviver com crianças da sua idade. Afinal eles estão tentando dar a ela uma infância e vida o mais normal possível. Depois de tudo o que ela passou, parece certo deixá-la sentir como é ser uma criança de verdade. E isso inclui piqueniques no parque e visita a festivais locais.

Shinsou não reclama porque ele gosta de Eri, gosta do modo que ela o chama de Toshi-nii e o ajuda a alimentar os gatos que vivem na aparecendo na escola. Não é ruim também que Midoriya esteja indo com eles. Francamente, depois do seu desafio lançado a todos os alunos no dia da atividade em conjunto, o garoto parece ter feito sua meta de vida provar que um dia ele se arrependeria daquelas palavras. É impossível de se escapar, mas Hitoshi fica secretamente feliz por tê-lo ao seu lado. Quanto à Todoroki, que insistiu em acompanhá-los, bem, Shinsou ainda não sabe o que pensar do garoto calado e distante, mas se Midoriya sorri para ele com tanta frequência quanto para si, ele se convence de que pode fazer um esforço para aturá-lo.

— Deku-niisan? — Eri chama ao vê-lo estender a mão para cumprimentar a outra criança que os alcançava naquele momento. O cabelo dela está preso em uma série de tranças intrincadas e ele lembra das horas mais cedo em que Aizawa passou fazendo-as de acordo com um tutorial em vídeo. Quando eles saíram, o professor parecia muito orgulhoso de si mesmo.

Falando nele.

Aizawa sorri para a sua careta que escapa antes que ele possa contê-la. Até a semana anterior, Hitoshi era o único a ser chamado de niisan por ela. Mas claro que Izuku conseguiria isso também. Ela para a alguns passos, observando cautelosamente as pessoas ali reunidas, os olhos grudados nos de Midoriya enquanto as mãos se fecham em punhos. Ele assiste Izuku olhar do rostinho ansioso de uma criança para o seu exato par curioso que espreita a outra e então abrir os braços para chamá-las até onde havia se ajoelhado na grama.

— Está tudo bem — Midoriya diz e sorri para o garoto que cutuca o chão com os tênis — uma réplica dos de Izuku, Sinsou nota. Mais um membro para o fã-clube. Com uma certeza maior do que sentia antes, ele sabe que os dois vão se entender muito bem. — Viemos aqui hoje para um passeio em grupo, então vamos nos divertir bastante juntos!

Os dois assentem timidamente e então, de repente, ele tem duas crianças a sua frente com olhos em iguais partes de admiração e nervosismo. Izuku respira feliz e Hitoshi se pergunta se esta não é uma das individualidades dele: aproximar as pessoas e fazê-las se sentir confortáveis consigo mesmas e com os outros. Seus olhos encontram os de Todoroki e por um segundo ele pode jurar que o outro está pensando o mesmo.

— Eri-chan, esse é o Kota-kun. — Izuku os apresenta, a mão pousada na cabeça da garota que se esconde timidamente atrás de seu corpo. — Kota-kun, diga olá para a Eri-chan.

Os adultos presentes sentem aqueles segundos de silêncio como um alarme em seus cérebros, uma vozinha minúscula que se pergunta se tudo daria mesmo dar certo. Pelo que eles sabem, esse é o primeiro contato que Eri tem com outra criança da idade dela e é crucial que tudo ocorra em termos tranquilos de modo que a incentive a fazer novas amizades.

— Oi — o garoto diz, os olhos estreitos de suspeita. Izuku lhe contou que temia que Eri se assustasse com a expressão firme que a outra criança mantinha, mas isso não acontece. A convivência com ele e Aizawa a tinha preparado bem para pessoas assim. Talvez por isso Todoroki estivesse ali, ele pertence ao grupo de deslocados tanto quanto ele próprio.

— Você também tem chifres? — a garotinha pergunta de forma hesitante, apontando para o boné na cabeça dele.

— Não, é só um acessório, mas eu gosto bastante dele. Chifres são muito legais!

Eri saltita para a frente, abandonando o seu esconderijo e toca o próprio chifre como se pensasse no assunto.

— Você acha?

Kota assente com firmeza.

— Tenho certeza.

— Seus tênis são iguais aos do Deku-niisan. Você gosta dele?

É difícil não rir do garoto e suas bochechas adoravelmente vermelhas, mas Shinsou de algum modo consegue. Com um ar mais defensivo do que o esperado e as mãos bem apertadas ao lado do corpo, ele responde:

— Ele é meu herói!

O rostinho de Eri se ilumina ainda mais e ela sorri, dizendo:

— O meu também!

E, rápido assim, é Izuku quem está escondendo o rosto nos braços em seu típico gesto envergonhado, mas que alguma forma também é adorável. O que eu estou pensando?, Shinsou se pergunta, mas não tem tempo de pensar no que isso significa, pois o garotinho parece enfim ter sido conquistado. Há menos suspeita em seus olhos e o ar de expectativa recai sobre o ambiente. Izuku sorri porque tudo corre bem e se vira para Shinshou e Todoroki, lançando em um tom de quase desafio:

— Vamos para o parque agora, nos sigam se puderem.

E então ele estende os braços, enlaçando uma criança em cada e logo está saltando pelo gramado verde em direção a aglomeração colorida de barracas na outra extremidade. O som das risadas de Eri e Kota permanece no ar enquanto Aizawa, a expressão sofrida de quem já aceitou que alguma confusão é inevitável, grita:

— Tente não causar nenhuma bagunça, ouviu criança-problema?

Shinsou e Todoroki se entreolham e então correm atrás dele. O passeio é agitado e recheado de pedidos enquanto eles andam de barraca em barraca ganhando prêmios e cumprindo desafios. Midoriya perde uma aposta de equilíbrio para um palhaço que oferece tinta as crianças para pintarem algo no rosto dele. Minutos depois, ele desfila pelo festival com algo que lembra uma borboleta e um dinossauro nas bochechas sardentas e parece encantado pelos desenhos.

As crianças gravitam ao redor dele, as vozes animadas e incessantes, puxando-o pela mão sempre que veem algo que as interessa. Em algum momento, ambas acabam sendo carregadas nos ombros de Izuku enquanto eles procuram um lugar na grama para que possam almoçar. Eles se juntam aos adultos para comer e Shinsou se vê diante de uma bizarra competição de quem seria o primeiro a oferecer um pedaço de sua comida a Midoriya. Eri ganha e Izuku morde o bolo que ela lhe estende de forma obediente, a cobertura manchando seus lábios de vermelho. Shinsou desvia os olhos a tempo de ver Todoroki fazer o mesmo. O outro encontra seu olhar, o brilho afiado em seus olhos desafiando-o a comentar, mas Shinsou não diz nada. Há um sentimento quente e efervescente em seu peito e ele suspeita que Todoroki sinta o mesmo. Naquele minuto, uma estranha camaradagem surge entre eles, um trato não verbal de cuidar e proteger Izuku e aquelas crianças com a própria vida.

Depois do almoço, Shinsou se escora na árvore para observá-los caminhar em volta do local, colhendo as pequenas flores silvestres que manchavam o verde da grama com seu rosado suave. Kota ganha a dianteira dessa vez e corre sem jeito para estender o pequeno buquê a um sorridente Izuku que quase flutua de alegria no mesmo lugar ao receber o presente.

Eri se encontra sentada em um canto, a expressão concentrada enquanto trabalha em algo que Shinsou não consegue ver, mas que logo descobre ser uma corrente de flores entrelaçadas que é entregue para si com um pequeno e tímido sorriso. Ele não consegue conter o próprio sorriso em resposta e aceita as flores porque seria rude recusar, além desse ser o primeiro presente que ela lhe dá e por isso só é mais precioso do que qualquer outro que já recebeu antes. Os olhos verdes e perspicazes de Midoriya estão pousados em si, enquanto ele observa a cena com uma atenção dedicada. Francamente, Izuku é tão superprotetor com aqueles dois que ele quase tem vontade de rir.

Todoroki é o primeiro a ceder e deitar na grama, o rosto erguido para o céu. Midoriya não tarda a imitá-lo e as crianças o acompanham prontamente. Shinsou é o último a deitar e sente a brisa fresca do verão acariciar seu rosto de forma suave. Ele escuta Izuku ensinar a todos como procurar desenhos nas nuvens e logo o ar é preenchido pelos murmúrios de “Aquela não parece um coelho?”, “Eu vi uma baleia!”, “Não, é um golfinho!”. Tudo é tão tranquilo e aconchegante que Shinsou sente o sono espiralar preguiçosamente por seu corpo relaxado. Ele o deixa vencer e fecha os olhos.

Minutos — ou horas — mais tarde, eles acordam e se reúnem para apreciar a visão de um Izuku ainda adormecido com as duas crianças deitadas, uma de cada lado, o agarrando feito dois filhotes de coala enquanto ressonam baixinho. Chega a ser uma pena precisar acordá-los, mas é o que tem de ser feito. Shinsou se junta para ajudá-los a arrumar as coisas para que possam ir embora e pensa que ele não acharia tão ruim repetir aquele dia no futuro.


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Silenciosamente, Aizawa os observa do seu lugar de vigia no galho da árvore.

Ele vê Shinsou se abrir e um sorriso raro romper a barreira indiferente que costuma ser a expressão de Tododoki. Ele vê Kota se esforçar — e falhar — para não rir e a criança-problema erguer o Eri no alto como se ela não pesasse nada. Sem querer, ele pensa que fez algo certo reunindo todos ali. Shouta não costuma pensar no tempo que ainda lhe resta ou no que gostaria de fazer com ele, mas agora ele deseja que aquela pequena parte perdure ainda por muitos anos.

— Você os criou bem, Eraser. — Mandalay se aproxima com seu passo silencioso, a expressão de contemplação bem evidente no rosto.

— Não sei do que está falando — ele responde, desviando o rosto dos alunos e crianças para lançar um olhar frio a mulher.

— Não me olhe assim, você não me assusta como pensa que assusta. — Ela ri, aparentemente despreocupada e aponta de volta para os ruídos de risadas que ecoam da grama. — Sabe exatamente do que estou falando, sem você nenhum deles estaria aqui hoje. — Shouta não consegue evitar, ao voltar a fitá-los seu olhar se suaviza. — Viu só, você amoleceu.

Aizawa não rosna para ela, claro, porque isso seria humilhante para um homem adulto. Ele culpa o vento pelo som.

— Mas talvez amolecer seja bom — ela reflete. — Talvez seja exatamente o que eles precisam no momento para continuar vivendo.

Ela não está errada, Aizawa sabe, mas admitir isso já é outra história e ele considera que já teve sua cota de conversas sensíveis preenchida por um dia.

— Vamos embora em dez minutos — ele grita para o gramado e pode ouvir resmungos em resposta. Por isso acrescenta: — E quem reclamar vai me pagar mil flexões.

As coisas andam mais rápido depois disso e ele sorri satisfeito consigo mesmo.

Talvez não haja mesmo problema em amolecer.


***


É aniversário de Izuku e ele está sozinho no dormitório. Ele não entende o que aconteceu ou por que todos os seus amigos saíram sem lhe dar mais explicações, então pensa se não fez algo de errado. O sentimento que embarga sua garganta é familiar e amargo. Depois de entrar na U.A. ele jamais pensou que voltaria a senti-lo algum dia. Mas sente e não gosta nada disso. Talvez seus amigos não fossem tão amigos quanto ele considerava. Não, Izuku se repreende imediatamente. Ele agarra esse pensamento e o atira para longe. Infelizmente, não é tão fácil quanto gostaria e sua mente se perde em espirais de tristeza e mágoas não superadas. Ele checa o celular, torcendo por alguma mensagem, mas não há nada. Com certeza, deve haver uma explicação lógica.

— Só preciso de um pouco de água — diz para si mesmo, sua voz soando no ambiente silencioso trêmula e entrecortada. Ele sente as lágrimas queimarem os cantos de seus olhos, mas não as permite cair. Ele está cansado de chorar por coisas frustrantes e que não pode controlar. — Vai ficar tudo bem — repete para si mesmo o mantra que usa desde o dia que um osso a mais derrubou por terra seus sonhos de heroísmo. Ao menos, por um tempo. Porque se há algo que Izuku não sabe fazer é desistir das coisas antes de tentar. — Tudo vai ficar bem, eles só devem estar ocupados com os estágios. É, deve ser isso.

Mais confiante, ele abandona o quarto e o ar pesado que parece afundá-lo e ruma para a cozinha. Todas as luzes do andar inferior estão apagadas e Izuku franze a testa em confusão porque se lembra bem de tê-las aceso antes de subir. Não importa, ele decide e as acende.

— SURPRESA!

O grito ecoa pela sala e Midoriya congela no mesmo lugar, os olhos verdes muito arregalados e a boca aberta em choque. Seu coração ressoa forte em seus ouvidos, o batimento é frenético e exaltado, e nem mesmo todo o seu murmurar em alta velocidade é suficiente para fazer seu cérebro acompanhar a cena que seus olhos enxergam. Todos os seus amigos estão ali, Iida e Uraraka flutuam a vários centímetros do chão segurando uma faixa na qual ele lê: “Feliz Aniversário, Deku!”. Há um bolo nas mãos de Todoroki e Shinsou acena para ele com os braços cheios de presentes.

Mas, antes que ele possa fazer qualquer coisa, duas pequenas figuras pulam sobre si e ele cambaleia para trás antes de recuperar o equilíbrio. Tudo que Midoriya vê é um monte de tecido verde, antes da imagem se solidificar na figura de duas crianças vestindo uniformes exatamente iguais ao seu. Izuku se pergunta se tudo aquilo não é um sonho. Parece muito distante da realidade que minutos atrás ele estivesse trancado em seu quarto se sentindo miserável e magoado por seus amigos terem esquecido seu aniversário, mas eles estão aqui, sorrindo e o parabenizando, e tudo parece uma grande festa. Izuku está tão feliz que poderia chorar. Ele baixa os olhos para as crianças e precisa piscar com o brilho que parece emanar delas. Tão preciosas, ele pensa, sorrindo bobamente ante a visão da fantasia deles de ‘Deku’.

— Feliz aniversário, Deku-niisan! — Eri diz com um largo sorriso.

— Feliz aniversário... — Kota murmura, emburrado por não ter sido o primeiro a falar, então acrescenta: — Tudo isso foi ideia minha!

Eri o cutuca de leve e ele fica vermelho na hora quando ela o repreende:

— Foi ideia nossa. E todo mundo ajudou!

— Tanto faz! — ele devolve, bochechas infladas de contrariedade, e se vira para Izuku que ainda está absorvendo a enormidade de tudo. — Você gostou?

— Vê se não deixa isso subir à cabeça, criança-problema — Aizawa diz enquanto ele engasga ao procurar as palavras certas e que fossem suficientes para expressar tudo o que sente no momento.

A percepção do quanto ele é sortudo o atinge como um raio. Izuku sorri e puxa as crianças para um abraço, suas lágrimas caindo nas fantasias deles. Eri acaricia seu cabelo como ele costuma fazer com ela e Kota lhe dá tapinhas sem jeito no ombro, mas tudo é tão cheio de afeto que ele não consegue parar chorar.

— Se eu gostei? Eu amei — ele assegura, a voz embargada, para que eles não se preocupem. — Não poderia estar mais feliz do que estou agora.

O rosto delas se ilumina de felicidade e logo os três estão rodeados pelos outros em um grande e barulhento abraço em grupo.

— Nós te amamos, Deku-niisan — Eri sussurra e todos ecoam o sentimento com murmúrios que ele não pode entender, apenas sentir, porque seu corpo parece flutuar.

Naquele instante, Izuku aprende mais um segredo: ele também é amado pelas pessoas que mais lhe importam no mundo na mesma intensidade que as ama de volta.

E esse, ele vai guardar para o resto da vida.

25 de Setembro de 2020 às 00:44 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

Conheça o autor

Nathy Maki Ficwritter / PT-BR/ ace 💜 / ♐ / Leitora voraz Amo um clichê bem escrito e um suspense que te prende, mas fantasias e ligações são especialidade. Sou fã daqueles finais inusitados. Até mesmo os tristes! Escritora de Fanfics que às vezes se arrisca em originais e sonha em publicar um livro um dia. Apenas um esboço do que pode vir a ser.

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