leh_castruh Leticia Castro

Uma jovem professora com um passado difícil é transferia para uma cidadezinha na ilha do Príncipe Edward, entre problemas, obstáculos e dificuldades nasce um romance. Será que esse amor vai superar tudo? Será que uma jovem mulher professora vai aguentar a pressão da sociedade por muito tempo?


De Época Todo o público.
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Novo mundo Nova vida

Era uma bela manhã de primavera quando embarquei no trem rumo a Avonlea, uma pequena cidade localizada na ilha do príncipe Edward, os campos cobertos de vários tipos de flores silvestres e belas e frondosas árvores, foi uma encantadora viagem de aproximadamente três horas, foi um alívio para minhas pernas quando desembarquei na humilde ferroviária da pequena cidade. Ah! Como é bom mudar a rotina de vez em quando, chegar em um lugar diferente, cada coisa é nova e especial, uma nova fase da minha vida começa agora!

Sou recém formada em pedagogia, antes mesmo de inventarem esse nome, fui encaminhada para esta adorável cidadezinha para lecionar na única escola da região, com certeza será um desafio me acostumar com a simplicidade e o ar fresco, fui criada em Toronto, uma cidade movimentada em relação ao resto do Canadá. Meus amigos ainda não entendem como eu troquei as lojas, os restaurantes e as ruas movimentadas por crianças e velhos agricultores, mas é só olhar em volta e será fácil explicar, a tranquilidade e a beleza deste lugar o tornam o lar perfeito.

Olhei em volta e só vi mato e roças cheias de plantas, mas, onde estava a cidade? Ela não poderia ser tão pequena que mal coubessem duas casas, então perguntei a uma moça que estava ao meu lado:

— Onde está Avonlea? — Ela respondeu entre um leve riso

— Está a meia hora daqui. — Um senhor rechonchudo e seu cavalo cansado estavam parados do lado de fora da pequena ferroviária, onde só cabiam a bilheteria e alguns bancos, eu me aproximei do senhor e perguntei:

— Por gentileza, o senhor poderia me levar até Avonlea? — ele respondeu comicamente:

— Por gentileza não, mas por algumas moedas, ficaria feliz em leva-la — então coloquei minhas malas na bagageira da humilde carruagem e embarquei.

Era um caminho encantador, cada arvore esbelta ou bosque florido que via me deixava cada vez mais convicta de que aquele era o lugar perfeito para mim, o senhor que guiava o cavalo vendo meu encanto, começou a puxar assunto:
— Avonlea é uma cidade ótima para se criar uma família, a senhorita tem família?

— Meu parentesco mais próximo é uma tia que me acolheu e me criou, após a morte de meus pais.

— Perdão a intromissão, mas o que trás uma bela senhorita para longe de sua única família à uma humilde cidade como Avonlea?

— Sou professora, Srta. Muriel Stacy Spencer e vou lecionar para as adoráveis crianças dessa adorável cidadezinha

— Ah! Você está dando o que falar na cidade, e nem chegou ainda, todos aguardam ansiosos a meses por sua chegada Srta. Muriel, você será a primeira professora, mulher em Avonlea.

— Espero ser a primeira de muitas! — Entramos em um lindo caminho repleto de árvores cheias de flores brancas que caiam sobre a estrada, logo o bom senhor exclamou

— Bom, então seja muito bem vinda a Avonlea! — Neste momento atravessamos um velho e alto portal com uma pequena placa de madeira entalhada “ Bem vindo a Avonlea”, logo o cenário foi preenchido por casas simples e charmosas de madeira, uma fonte, uma estátua e alguns canteiros eram a praça, vários prédios de no máximo dois andares com um estilo antigo porém elegante, mais a frente uma ponte branca permitia a passagem sobre um belo rio com águas cristalinas, de repente a carruagem parou e o simpático senhor despejou minhas malas em frente à uma charmosa casinha com um adorável jardim e uma plaquinha com a pintura levemente descascada que tinha os seguintes dizeres “ Hospedaria aqui”, tudo era muito lindo, contente segurei minhas bagagens e virei, rumo a hospedaria mas eu estava distraída e sem querer esbarrei em um moço alto de cabelos castanhos e um sorriso suave

— Me desculpe senhor... — Eu estava tão distraída que nem notei minhas malas caídas e entreabertas no chão

— Está tudo bem, deixe-me ajuda-la. — Ele se abaixou para pegar minhas malas as malas, mas eu também abaixei e comecei a juntar algumas roupas caídas, ao levantarmos ao mesmo tempo nossas cabeças se chocaram, resultando em uma desagradável dor

— Ai! — exclamei passando a mão em minha cabeça

— Dessa vez foi culpa minha, perdoe-me senhorita...

— Stacy... Muriel Stacy Spencer

— Stacy Spencer... — ele refletiu por alguns segundos ate que eu quebrei o silêncio

— Algum problema senhor...?

— Ah quanta indelicadeza a minha, sou John... John Blythe, sinto que já lhe conheço.

— Certamente não, esta é minha primeira vez em Avonlea, vim para lecionar, sou a nova professora — O semblante dele mudou, como se tivesse desvendado um mistério, então disse

— Ah! Agora me recordo, seu nome foi muito citado durante as últimas reuniões da cidade.

— Reuniões da cidade? Isso realmente existe?

— Sim, existe, não fazem isso na sua cidade?

— Nem que eu quisesse seria possível, Toronto é muito grande para reunir todos os habitantes em um só lugar.

— Então a senhorita é de Toronto?...

— Sim, certamente sou, perdoe-me, mas preciso me acomodar no quarto que reservei nessa adorável hospedaria.

— Oh sim! Você quer ajuda com as malas?

— Gentileza a sua, mas não há necessidade, eu consigo sozinha.

— Não é conveniente para uma dama carregar tantas malas pesadas, eu insisto! — Ele pegou minhas malas e entrou na hospedaria, rapidamente uma senhora baixinha e rechonchuda apareceu:

— Ah Xerife! Que prazer vê-lo por aqui! — Ela se esticou para o lado esquerdo e me olhou com curiosidade:

— Senhora Lynde, esta é Stacy, a nova professora.

— Muito prazer em conhece-la! Venha comigo vou lhe mostrar seu quarto.

A simpática senhora me acompanhou, então me acomodei em meu quarto, antes mesmo de desfazer as malas me deitei em minha cama e com o cansaço da viagem, sem perceber peguei no sono. Não sei quanto tempo dormi, mas já estava escurecendo quando levantei, minha barriga protestava de fome, desci até a cozinha da hospedaria e encontrei várias pessoas reunidas a mesa jantando:

— Oh! Senhorita Stacy, chegou bem a tempo do jantar, sente-se! — Exclamou a senhora Rachel Lynde. Me sentei á mesa e todos ficaram em silêncio, uma moça de cabelos loiros e semblante cansado me serviu um prato de sopa, então eu disse — Obrigado — Antes de começar a comer, rezei agradecendo pelo alimento. Percebi que os outros hóspedes ali presente me encaravam com curiosidade, até que uma senhora me perguntou

— Você é a nova professora?

— Sim, sou eu...

Então um senhor me indagou

— Me perdoe, mas eu preciso ser franco, não acredito que uma mulher tenha capacidade o suficiente para lecionar.

— Martinho Lutero foi considerado louco por muitos! E hoje vemos que ele estava certo. — Disse entre um leve suspiro, então eles se entreolharam desconfiados, o jantar foi meio tenso, pude perceber que para alguns eu não era bem vinda ali.

18 de Setembro de 2020 às 15:31 2 Denunciar Insira Seguir história
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yeyeluvv yeyeluvv
AMEI???? QUERO O CAPÍTULO 2 NA MINHA MESA HOJE
September 18, 2020, 16:18
yeyeluvv yeyeluvv
AMEI???? QUERO O CAPÍTULO 2 NA MINHA MESA HOJE
September 18, 2020, 16:18
~

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