antonio-stegues-batista Antonio Batista

Honório sai do sertão e vai para São paulo em busca de trabalho. Lá ele conhece uma mulher e os dois passam a morar juntos. Mas mulher o trai e ele volta para casa do mesmo jeito que partiu.. Cinco anos já haviam se passado. A casa está abandonada, Tudo deserto. Um lagarto corre pelo pátio. A fome aperta. Uma galinha canta alegremente, destruindo um ninho de formigas. Sozinho naquele lugar, Honório conversa com o fantasma de um cangaceiro chamado Asa Negra


Drama Impróprio para crianças menores de 13 anos.
Conto
0
437 VISUALIZAÇÕES
Completa
tempo de leitura
AA Compartilhar

PANELA DE FERRO

Honório olhava a panela de ferro sobre a mesa. Lembrava-se do dia em que o pai foi na vila comprar mantimentos e trouxe aquela panela embrulhada em jornal. A mãe, Marta, ficou radiante com o presente inesperado, pois as panelas que ela tinha eram todas de alumínio.

O marido sorria orgulhoso por proporcionar um pouco de alegria àquela mulher tão dedicada a ele e aos filhos. Honório não se interessou pela panela naquela ocasião, mas sim pelas folhas de jornal que ele desamassou e se pôs a ler.

Recém tinha aprendido a ler e lia de tudo, embalagens, bulas, anúncios e tudo que tivesse letras. Na escola era tão dedicado aos estudos que a professora dizia que ele seria um doutor quando ficasse adulto.

Olhando a panela de ferro, Honório esboçou um sorriso de amargura. Sua vida era tão vazia e inútil quanto aquela panela vazia.

Estava com 28 anos quando resolveu deixar o sitio e ir para a capital, em busca de trabalho e progresso pessoal. Queria dar um conforto melhor para os pais.

Mas ele não tinha qualificação profissional. Começou a trabalhar como auxiliar de pedreiro. Tinha trabalhado na roça capinando com a enxada, na cidade continuou usando a enxada, mas para sovar a argamassa. Quatro anos depois, resolveu voltar para casa. Sentia solidão na cidade grande. Estava com saudades de ver o pai levando as cabras para o pasto, a mãe cozinhando feijão na panela de ferro, das lidas no campo...

Mas quando ele desceu do ônibus na encruzilhada, e seguiu pela trilha que levava ao sítio, foi percebendo que as terras estavam secas pela estiagem.

Havia só desolação, vazio e silencio.

Avistou a casa ao longe, uma imagem branca, melancólica na paisagem ocre. Seguiu caminho, atravessando um terreno socado onde antes havia uma plantação de milho. Ervas daninhas cresciam no pátio. Não havia nenhum animal doméstico ao redor da casa. O galinheiro e o curral estavam vazios. Um pedaço de arame trancava a porta da casa que ele tirou e empurrou a folha, entrando.

A casa era de dois cômodos, o quarto dos pais e a cozinha um pouco mais espaçosa. A cama dele ficava atrás de biombos num canto. O leito estava ali, tarimba sem colchão, o fogão de pedra com a chapa de ferro, um pequeno armário desconjuntado, uma cadeira, um mocho e a velha mesa.

Onde estava a família? Para onde foram? Teriam ido embora por causa da seca? A casa estava abandonada há dias! Eles levaram pouca coisa. A panela estava no chão, talvez esquecida quando partiram. Era a panela preferida da mãe.

O pai não deixou nenhum bilhete. Pudera! Eles não sabiam que ele viria. Talvez até pensassem que ele os tinha abandonado de vez, pois não mandou mais nenhuma carta. No princípio ficou encantado com a cidade grande, com as lojas alumiadas, os anúncios luminosos e coloridos, que ele lia e muitas vezes não entendia o que diziam. Aprendeu novas palavras.

Foi difícil encontrar o endereço do primo de seu pai, o pedreiro Genésio, que o levaria a trabalhar como ajudante na construção de prédios. O primo cedeu-lhe um quartinho no sobrado onde morava. O aluguel e a comida eram descontados de seu salário e muitas vezes sobrava muito pouco. Lá ele ficou por quatro anos e não conseguiu progredir.

Honório enfiou os dedos no bolso da camisa, pegou uma carteira de cigarro e a caixa de fósforos. Tirou um cigarro, colocou entre os lábios e acendeu. Aspirou com força, enchendo os pulmões com a fumaça. O vício do cigarro foi-lhe proporcionado por um colega de trabalho que lhe ofereceu uma guimba. Ele aceitou, achando que um cigarro entre os dedos lhe daria uma imagem de homem civilizado, extrovertido. Expirou a fumaça, sentindo-se relaxado.

Ao olhar para fora, viu uma mulher no pátio. Era uma mulata bonita, de cabelos cheios, encrespados. Ela estava meio inclinada para o lado, carregando uma criança sobre a anca. O menino, usando apenas um calçãozinho, devia ter uns quatro ou cinco anos. Ela recuou um passo quando ele parou sob o umbral.

─ Quem é você? Não vou lhe fazer mal. Meu nome é Honório, meus pais moram nessa casa.

A expressão no rosto dela suavizou-se. Largou a criança no chão, cansada de carregá-lo.

─ Me chamo Jandira. Moro nos fundos com Sebastião, meu marido. Seu pai deu o terreno lá prá nóis construir um barraco, pois a gente não tinha onde morar. O Sebastião, meu marido, ajudava o teu pai na horta. Agora ele tá doente, acamado.

─ E meus pais, onde estão?

─ Eles foram embora, por causa da seca. Seu pai disse que se o senhor aparecesse, era para dizer que eles estão na casa de parentes em Arco Verde. Nóis também já ía embora, mas Bastião adoeceu!

Jandira calou-se, olhando em volta à procura da criança. Voltou-se para Honório. ─ O senhor tem alguma coisa para dar de comer ao menino? A comida terminou, não tem mais nenhuma verdura na horta pra fazer uma sopa. O sol queimou tudo.

─ Não sei, acho que não, mas vou dar uma olhada.

Ele foi olhar no armário. Quando abriu, a porta desprendeu-se de uma dobradiça enferrujada. No interior havia uma embalagem de farinha de trigo vazia, uma caneca de louça com a borda trincada, um enxergão velho cheio de mofo, uma faca de folha larga, e três quixabas secas. Ao sair para dizer que não havia nada, não encontrou a mulher.

Foi caminhando para os fundos, ver onde morava, quando ouviu os gritos dela. Logo chegou diante da casa de Jandira e Sebastião, um barraco caindo aos pedaços. A mulher estava diante da porta, encurvada, com uma mão na boca e com a outra apontou para dentro da casa. Ela tentou dizer alguma coisa, mas se contorceu com náuseas.

Hesitante, Honório entrou no cômodo de chão batido onde havia um fogão de pedra junto a parede, uma mesa e duas cadeiras. O homem estava num canto, acocorado. Honório viu primeiro as costas negras, largas, brilhante de suor, depois, quando o homem virou o rosto para ele, Honório recuou horrorizado.

Sebastião estava com o rosto coberto de sangue, um pedaço de carne vermelha pendia de seus dentes. Os olhos raiados de vermelho tinham o brilho da loucura.

Naqueles breves segundos, Honório viu o que ele estava comendo. A criança.

O menino jazia aos pés dele, com a barriga estraçalhada. Sebastião deu um salto e pegou Honório pelo pescoço. As unhas compridas arrancaram-lhe a pele. O gigante de ébano rosnou como um animal selvagem. Honório achou que seria seu fim, tentou respirar, mas não conseguiu. Então, ele viu a espingarda pendurada na parede. Se pudesse alcança-la...

Jandira atirou-se sobre o marido batendo nas costas com os punhos cerrados. Era como bater numa muralha. Então ela pegou uma acha de lenha e bateu-lhe no quadril. Aquele era seu marido, mas ela estava com raiva dele pela morte do menino e por isso não poupou esforço para machucá-lo.

Uma das mãos se afastou do pescoço de Honório para empurrar a mulher, e isso bastou para que Honório reunisse o resto de suas forças para se livrar da outra. Livre, ele cambaleou em direção à parede. Pegou a espingarda com a esperança de que estivesse carregada. Apontou o cano para Sebastião e apertou o gatilho.

Nada aconteceu.

Sebastião escorregou no sangue, espalhado pelo chão e isso deu tempo para Honório pegar a arma pelo cano e desferir um golpe na cabeça do homem raivoso e só então, a arma disparou. Honório recuou abalado pelo estrondo. Sebastião cambaleou, mas não caiu. Sacudiu a cabeça, como que para clarear a vista embaçada e deu um passo na direção de Honório.

Mas parou em seguida, virou-se ao mesmo tempo em que batia com o antebraço na mulher, jogando-a longe. Jandira tinha cravado uma faca de cozinha nas costas dele. Sebastião cambaleou, deu dois passos e caiu como um tronco de árvore.

Honório sentiu uma ardência debaixo do braço e quando olhou, viu a camisa chamuscada. Um pouco mais para o lado, o chumbo teria pegado em seu tórax. Ele aproximou-se da mulher caída junto ao fogão. Ela estava morta, tinha batido a cabeça nas pedras. O sangue se espalhava debaixo de seu corpo.

Para Honório não restava fazer nada. Apenas enterrar os corpos.

****

Logo que amanheceu, Honório levantou-se e saiu. Andou ao redor da casa procurando algo para comer. Antigamente havia muitas galinhas pelo pátio, porcos, cabras e agora o lugar estava vazio, deserto, silencioso. Lá estava o galinheiro, o curral, o chiqueiro, ao lado um solitário mandacaru. Mais adiante um pé de jaborandi seco, um pouco atrás um angico, uma quixabeira, tudo seco, sem frutos. Além, a caatinga, mata nua, como ossos ressequidos sobre a terra.

Um movimento chamou a atenção de Honório. Um calango correu pelos pedregulhos em direção ao cercado das galinhas. Aí está o meu almoço! Pensou ele.

Quando se preparou para pegar o lagarto, viu um vulto na orla da mata. A figura fantasmagórica de um sujeito vestido como os cangaceiros. Trazia na cabeça o chapéu de abas viradas para cima enfeitadas com medalhas, um punhal enfiado na cinta e uma cartucheira de peito. Será mesmo um cangaceiro? Já não existem mais. O homem olhou Honório por alguns instantes e depois, como um fantasma, sumiu entre a galhada esbranquiçada.

Honório voltou a se concentrar no lagarto, mas este, já tinha sumido através de um vão do cercado. Ele voltou para casa, sentou-se na cadeira e fumou um cigarro. De repente viu o mesmo homem escorado na cerca. Honório ergueu-se, jogou o cigarro no chão, esmagou com o sapato e saiu para o pátio. Olhou ao redor e não viu ninguém. Porém, ouviu algo.

Seria uma risada atrás da casa?

Não, era um cacarejar. Correu para os fundos e deparou-se com uma galinha ciscando o chão. Ele se imaginou comendo galinha frita. Como podia pegá-la? Só correndo atrás e foi o que ele fez. Mas a galinha se esgueirava, escapando. Ele caiu enquanto ela pulava por cima dele. Ficou deitado, olhando um pequeno formigueiro.

Formigas miúdas saiam de um buraquinho no solo, carregando minúsculos grãos de terra que elas iam depositando ao redor. O montículo de terra tinha o formato de um prato, uma pequena cratera.

Depois de algum tempo de perseguição inútil, Honório parou. Correr atrás da galinha sob o sol quente não era uma boa ideia. Uma armadilha talvez desse resultado. Foi até o galpão e vasculhou o fundo do paiol até que encontrou três grãos de milho, que ele guardou no bolso. Em seguida fez uma arapuca com gravetos e embira. Armou a arapuca no pátio, colocou o milho ao redor do gatilho e dirigiu-se para a casa. Deparou-se com o cangaceiro na entrada, limpando as unhas com a ponta do punhal. Honório passou por ele e sentou-se na cadeira, de modo que pudesse vigiar a armadilha. O homem entrou e sentou-se no mocho.

A voz dele era roufenha. ─ A galinha não vai aparecer.

─ Claro que vai! Vai ver o milho e vai comer, ela pisa na vareta e a armação cai prendendo ela. Galinhas são bichos bobos.

Honório se surpreendeu conversando com alguém que poderia ser um fantasma. Teria ele um apelido? Todo cangaceiro tem um apelido.

─ Pode me chamar de Asa Negra.

Honório olhou para ele por um momento e voltou a vigiar o pátio. Asa Negra! Lembrou-se de quando era menino pensava em ser cangaceiro, pois, naquele tempo, Lampião para ele era um herói. Tinha até escolhido um apelido; Asa Negra.

─ Nesse momento ela está comendo formigas. − disse o cangaceiro. ─ Como a terra tá seca, não tem minhocas, mas tem formigas.

Honório ergueu-se com brusquidão, pegou um pedaço de pau e foi a procura da galinha. Ela estava destruindo o formigueiro com as patas. Honório atirou o pau contra ela. Atingida na cabeça, a galinha caiu em convulsão. Honório pegou-a, acabou de matá-la, levou para a cozinha, tirou-lhe as penas, cortou-a em pedaços e colocou na panela. Recolheu gravetos e colocou na boca do fogão.

─ Precisa colocar água na panela.- Avisou Asa Negra.

Honório pegou a caneca e saiu. O riacho devia estar seco, mas talvez ainda houvesse água no poço. Quando transpôs a porta, ele viu o lagarto apressado, atravessando o pátio em direção ao galinheiro. Decerto ele tinha o costume de ir ao galinheiro comer ovos. Agora não havia nada lá, mas ele não cansava de investigar.

Honório correu atrás dele e se esqueceu de baixar a cabeça ao passar pelo galpão. Havia a ponta de um caibro que saia da beira do telhado. Quando bateu a cabeça, caiu de costas e perdeu os sentidos. Ao acordar, sentou-se, apalpando a testa com a ponta dos dedos. Sentiu um calombo dolorido acima do olho direito.

Erguendo-se, pegou a caneca e desceu o terreno até o poço. Ainda restava um pouco de água no fundo da bacia. Encheu a caneca com a água turva e voltou para casa. Quando foi colocar a água na panela, recuou, enojado. Os pedaços da galinha estavam cheios de vermes!

Vermes brancos, viscosos, centenas deles contorcendo-se, devorando a carne. Honório pegou a panela pelo cabo e jogou fora a carne repugnante.

─ Você demorou a voltar. - Disse Asa Negra.

Como, demorou? Foi ainda há pouco que ele saiu! Ou não? Já não sabia mais nada. Tudo era estranho. Sentia saudades dos pais, seus únicos amigos. Sentou-se na cadeira, puxou a carteira de cigarros do bolso e encontrou-a vazia. Esmagou-a e atirou num canto. Sentia fome e sede, solidão. Debruçou-se sobre a mesa e descansou a cabeça sobre os braços. Ficou assim algum tempo, até que ouviu uma voz.

─ Honório!

Ergueu o rosto e olhou para Asa Negra do outro lado da mesa. O cangaceiro olhava para ele com um sorriso irônico. Havia alguma coisa que se contorcia no canto da boca dele.

─ Honório, seu bobo!

Desta vez ele reconheceu a voz. Lembrou-se do dia em que conheceu Nicole. Ele começou a procurar o endereço do primo quando chegou na cidade. Perguntou para aquela mulher que estava parada na esquina, onde ficava a rua Sete de Setembro. Ela disse como chegar lá, e propôs irem os dois a um hotel namorar, e mencionou um preço. Ele agradeceu, dizendo que não tinha dinheiro e perguntou-lhe como se chamava.

- Nicole. - respondeu ela, fazendo carinho na virilha dele.

Ele agradeceu pela informação e prometeu que voltaria a procurá-la logo que recebesse o primeiro salário. E foi o que ele fez. Passou a se encontrar com ela sempre que podia, ou tinha condições de lhe dar dinheiro. Um dia ela sumiu.

Nicole nunca quis lhe dizer onde morava. Ele não conseguiu descobrir, mesmo perguntando para as colegas dela. Elas diziam para ele a esquecer. E foi o que ele fez. Passou-se algumas semanas até que certa noite. ela bateu na porta do quarto dele. Estava toda machucada, disse que tinha sido atropelada, mas ele não acreditou. Naquela ocasião ela usava o nome verdadeiro, Mariana. Tinha sido expulsa de onde morava. Claro, ele ainda a amava. Acolheu Mariana e cuidou dela. Eles passaram a morar juntos.

Nicole/Sibele/Mariana, jurou que mudaria de vida. Até arranjou trabalho num supermercado. Tudo ia bem, até que um dia ele chegou em casa mais cedo e a encontrou com outro homem na cama. Louco de raiva e ciúme, ele deu uma surra no homem e jogou-o na rua. Depois descarregou toda a sua dor e frustração sobre a mulher. Naquele mesmo dia ele voltou para a casa dos pais.

Ali está ele agora. E lá está Nicole, parada no vão da porta.

Estava vestida com a mesma roupa que ele a encontrou pela primeira vez. Usava os mesmos sapatos vermelhos, a saia vermelha com a blusinha branca, o casaquinho rendado e o cachecol cor-de-rosa enrolado no pescoço.

Asa Negra ergueu-se, aproximou-se dela e a beijou. Ela retribuiu os carinhos do cangaceiro. Os dois riram. Louco de ciúmes, Honório investiu contra os dois. Segurou o homem pelo pescoço e começou a estrangula-lo. Quando Asa Negra caiu no chão, inerte, ele se virou, segurou Nicole pela cintura e a beijou. Mas ela escorregou para o chão, para junto do cangaceiro.

Honório olhou para as mãos. Elas estavam cheias de vermes, vermes na palma das mãos, entre os dedos, procurando uma abertura para entrar em seu corpo.

Ele agitou as mãos, os braços, tropeçou em alguma coisa, tentou se equilibrar, deu um passo com a perna esquerda, a outra ainda estava no ar e acabou desabando no chão.

Na queda, o braço bateu no cabo da panela que deu uma cambalhota e despencou de cima da mesa. Soou um ruído de osso se partindo.

Crack!

****

Quando os policiais chegaram para prender Honório pelo assassinato de Mariana, de longe já sentiram o cheiro horrível da morte. Ao entrarem na casa, encontraram Honório caído no chão ao lado de uma panela de ferro, com uma poça de sangue sob a cabeça. Sobre a mesa estavam um chapéu de cangaceiro e um cachecol cor-de-rosa. Do outro lado jaziam três cadáveres em decomposição, um deles era o de uma criança...

16 de Setembro de 2020 às 19:29 0 Denunciar Insira Seguir história
0
Fim

Conheça o autor

Comentar algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~

Mais histórias

Noite Escura Noite Escura
Skull Skull
Os protetores de Hayashi Os protetores de Hay...