leticiablack Letícia Black

Não é necessária a leitura do livro 1 (embora seja recomendado) ... Letícia deixou tudo na Inglaterra para trás em busca do que nem lembrava o que tinha perdido: ela mesma. No Brasil, ela se desfez de seus traumas, se reconectou com ela mesma e prosperou como uma jovem simpática, muito talentosa e esforçada. Com a vida organizada, um bom emprego e bons amigos, Leticia tem a oportunidade de se reencontrar com seu irmão depois de anos sem falar com ele. Só que isso significa também encontrar-se com seu primeiro amor, Christopher, de quem ela não consegue deixar de pensar e com Hope, sua irmã, que lhe magoou tantas vezes. Será que Letícia está pronta para revisitar essa parte de sua vida? . A segunda parte da trilogia Baladas de Sucesso conta a história da jovem Letícia, dos 21 aos 23 anos, contando a história do florescer de sua vida profissional e de tentar consertar erros do passado.


Romance Contemporâneo Todo o público.

#adolescente #banda #canto #famoso #fofoca #jovem #jovemadulto #musica #nerd #pop #rock #rockstar #dança #romance #drama #sucesso
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Morada

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Sandy - Morada


Aviso inicial: Esse livro é o segundo volume da série Baladas de Sucesso.

Não é necessária a leitura do primeiro livro para compreensão deste, porém é recomendado. O livro 1 é uma espécie de "prequel" e não está disponível aqui no inkspired porque está em processo de publicação para físico/ebook.

Dito isso, estou inaugurando com o primeiro capítulo para que vocês já tenham o gostinho dessa história que eu mal conheço, mas ja amo (mentira, conheço bem demais e amo ainda mais hahaha), porém preciso tomar uns dias para organizar minhas ideias, o roteiro e também relaxar um pouquinho o livro 1, então pode ser que eu demore um pouco para voltar. Não será muito, prometo. Uns cinco dias serão o suficiente e há uma possibilidade real de eu acabar aparecendo antes porque estou empolgadíssima para escrever hahaha.
Fiquem agora com o primeiro capítulo de Topo do Mundo. Beijos e até mais!
Ps: Deem atenção para essa música INCRÍVEL da Sandy que é a mais perfeita exemplificação do que é esse capítulo. Não percam a oportunidade de ouvir e sentir a emoção exata.

— Vamos de novo do começo — exigi. — Luana, preciso de um pouco mais de você, por favor.

Luana estava no máximo do seu cansaço, mas concordou com a cabeça, esforçada. As outras meninas reviraram os olhos, nem tão felizes assim com a dificuldade da garota. Ela era a mais nova de nós na equipe, mas era boa Só tinha dado azar de entrar poucas semanas antes das minhas férias e, com tantas coreografias para aprender, estava um pouco lenta. Um último ensaio e talvez funcionasse.

Natália colocou a música para tocar mais uma vez e seguimos na movimentação. Desta vez, me poupei; já tinha cansado de repassar a coreografia e, apesar de gostar demais, precisava prestar a atenção em Luana.

— A perna tem que subir mais, Lu — alertei. — Isso — concordei, assim que repetiu o mesmo passo, alcançando o ponto exato. — Agora vira. Cinco, seis, sete e oito, braço, bunda, braço e vira. Isso! Muito bom!

Deixei-as repetirem toda a coreografia mais uma vez, concordando com a cabeça. Não estava perfeito, mas achava que elas conseguiriam se virar sem mim por um mês.

Se pensasse em retrospectiva, jamais pensaria que acabaria ali, na frente das coreografias de Capitu, a maior cantora pop do Brasil na atualidade. Não era uma unanimidade, se eu tivesse que falar, mas era talentosa e era uma ótima pessoa.

O caminho não tinha sido fácil, mas tivera ajuda. Depois de me mudar da Inglaterra para o Brasil com um pouco de dinheiro que tinha guardado e mais bastante dinheiro que meu irmão, o rockstar, me dera, acabei cortando contato com a minha família por bobeira de adolescente. Minha e de nossa irmã. Quando me arrependi, já era tarde demais, não sabia mais como entrar em contato. E fui seguindo a vida, com medo de mexer naquela ferida porque, quando mexesse... Tinha tanta coisa inacabada, tanta mágoa, fosse com Hope ou com meu ex-namorado e companheiro de banda do meu irmão que eu fui só deixando para depois. Depois que me formasse, talvez, voltasse para a Inglaterra e tentasse descobrir se ainda moravam no mesmo lugar. Quase seis anos já tinham se passado sem que eu tomasse qualquer providência.

A verdade era que eu não tentei procurar muito. Preferia a saudade a mexer com aquilo.

Fui tocando a vida, então. Matriculei-me em dois cursos assim que cheguei ao Brasil; o primeiro tinha o intuito de me fazer aprender as matérias que não existiam no currículo britânico para poder fazer o vestibular e, enquanto isso, me matriculei em uma escola de dança porque queria saber se era capaz. A vida inteira fugindo de me expressar e, assim que pisei no Brasil, era exatamente isso que queria fazer. Demorei algum tempo para entrar no tranco, mas havia um talento inegável e forte nos meus movimentos; quando a diretora da escola viu, me convidou a fazer a graduação com bolsa. Aceitei.

Foi mais ou menos por aí que resolvi deixar de vez o prédio que morava e compraruma kitnet super barata que um colega das aulas de dança me indicou. Já estava parcialmente mobiliada ficava realmente próximo da faculdade, então nem pensei muito depois de fazer os calcular e perceber que pagaria menos por ela do que em 4 anos de aluguel. Só em pensar que teria uma cozinha ao invés dos espaços imundos de coliving do prédio, já valia a pena.

Quando passei no vestibular cursar canto, tive que me virar nos 30 para fazer as duas faculdades ao mesmo tempo.

Dei meu jeito. Ganhei alguns quilos por causa da má alimentação, apesar dos exercícios, mas, por algum motivo, só me senti melhor daquele jeito. Depois que ajeitei minha alimentação, o novo formato do meu corpo pareceu se arrumar; curvas mais desenvoltas em um corpo bem trabalhado pelas horas que passava dançando.

Foi ali, quase no final da faculdade de dança, que a escola anunciou que estavam escolhendo dançarinos para uma cantora nova e eu fui com a cara e a coragem; Capitu gostou do meu trabalho e eu fui contratada como dançarina de apoio. Uma espécie de estágio, por conta das minhas duas faculdades. O salário era baixo, mas foi quase suficiente para que eu conseguisse me manter sem mexer nos rendimentos da poupança que fizera com meu dinheiro e de Michael, meu irmão. Depois que me formei em dança e ocupei o lugar principal dentre as dançarinas, o salário triplicou e comecei a juntar para um dia tentar devolver para ele. Quase um ano depois, Capitu já confiava em mim para me dar um generoso bônus e me deixar responsável em montar as coreografias das músicas novas, ao mesmo tempo que me dava férias para que eu pudesse me concentrar na reta final da faculdade de canto.

Isso era muito para alguém tão exigente. Eu também era muito exigente e talvez fosse por isso que ela confiava tanto em mim.

— Muito bom, gente, vocês estão quase lá — declarei, ao vê-las terminar. — É só continuarem ensaindo. Marcela vaivigiar vocês, não vai?

Houveram alguns múrmurios de chateação e algumas risadas.

— Vou tocar o terror, chefe — Marcela declarou.

Ri. Era uma ótima garota. Entrara quase ao mesmo tempo que eu e tinha muito talento e experiência, só era um pouco mais... Relaxada. Mas confiava que daria conta.

— Então ótimo. Continuem ensaiando e me esqueçam por um mês, por favor.

Entre risadas e desejos de boas férias, elas se retiraram uma a uma da sala, enquanto eu recolhia o meu material e procurava o pendrive que tinha deixado com as coreografias gravadas, caso houvessem dúvidas sobre.

Olhei o relógio. Tinha só dez minutos até a hora marcada com Capitu para entregar-lhe tudo sobre os ensaios antes de me ausentar por um mês. Tempo insuficiente para que as garotas desocupassem o vestiário para eu poder tomar um banho; meu TOC tinha quase se extinguido, quase. Era uma lembrança de um passado estranho. Algumas manias, porém, persistiam, outras reservas também. As meninas sempre deixavam um chuveiro sem uso para mim durante os ensaios, tinha até meu nome da porta, o que garantia que não iria compartilhar com outras sujeiras, mas ainda era desconfortável me despir e tomar banho enquanto as conversas ultrapassavam os pequenos compartimentos — eu preferia esperar até que elas acabassem para ter um momento só meu. De resto, apesar de pequenas neuras, meus TOCs só tinham se transformado em um perfeccionismo acentuado, o que me ajudava tanto na dança quanto no canto e eu resolvi que estava ótimo assim, parando com o tratamento que retomara quando cortei laços com a minha família.

Era um pouco mais fácil desde que Capitu tinha assumido sua própria assessoria. Havia uma vasta gama de funcionários, mas eu me reportava diretamente a ela e, como gostava de mim, normalmente conseguia algumas regalias.

Olhei para o relógio. Cinco minutos. Terminei de guardar as coisas, separei o pendrive e tranquei a sala de ensaio. Conseguia ouvir as meninas rindo e conversando no vestiário e sorri, sabendo que sentiria saudades daquela bagunça. Pendurei a chave na porta na saída e caminhei pelo gramado bem cuidado.

O complexo ficava no mesmo quintal da mansão de Capitu. Eram algumas salas, de dança, para fotografias, um estúdio de música, uma academia e um escritório. Era de lá que a maioria dos funcionários diretamente contratados por ela trabalhava — perto dela, mesmo quando estava em descanso. Isso nos dava proximidade, ao mesmo passo que fazia com que ela nos controlasse um pouco melhor porque via praticamente tudo que acontecia. Com uma equipe de maioria feminina, funcionava muito bem.

Pedro, o jardineiro acenou quando eu passei. Acenei de volta, animada. Apesar das minhas férias só significarem mais estudo e mais ensaios, estava contente em ter umas folguinhas do trabalho.

Toquei a campainha e Marta atendeu. Trocamos algumas palavras animadas enquanto ela me encaminhava até o escritório de Capitu.

A casa dela era tão grande e tão chique que eu pensava se conseguiria morar em um lugar daquele; gostava tanto do meu cantinho...

Capitu estava com um monte de creme verde na cara quando coloquei a cabeça para dentro do seu escritório, mas abriu um sorriso animado ao me ver.

Ela era estonteantemente bonita, mesmo assim. Não tinha muito mais idade que eu, mas conseguira uma fama absurda em tão pouco tempo.

— Oi, Lelê, vem, chega aqui — chamou com um aceno. — Desculpa por isso, querida. Perdi a noção do horário com a esteticista. Vamos ter que fazer rápido, está bem?

Eu não me importava. Sentei-me diante dela e comecei a passar um relatório do que tinha feito e de quem ainda não estava no ponto. Deixei o nome das responsáveis por cada coreografia, Natália e Marcela eram as principais na maioria delas, enquanto Luana ainda tinha que trabalhar um pouco mais.

— Ela tem pouco tempo com a gente, mas vai conseguir — pontuei, só para que ela não acabasse prejudicando a menina por esquecimento. Eram muitas pessoas na sua lista de pagamento.

Entreguei-lhe o pendrive com os vídeos das coreografias caso houvessem dúvidas, apesar de Capitu já conhecê-las de cor e com perfeição, já que era sempre a primeira que trabalhava elas junto comigo até que estivesse satisfeita e aprovasse todos os movimentos.

Era muito trabalho para uma pessoa só, eu achava, mas Capitu parecia fazer tudo aquilo com uma mão amarrada nas costas e um sorriso que não se cansava em seu rosto.

Ao término do meu relatório, ela suspirou e se jogou contra a poltrona que estava sentada.

— O que eu vou fazer sem você por um mês? — Choramingou.

Peguei-me rindo da brincadeira, sabendo que a reunião tinha acabado e agora erámos só duas amigas conversando. Amigas. Eventualmente tinha acontecido, assim como com Marcela, do balé, e algumas outras pessoas das minhas duas faculdades. Ser amiga de Capitu, porém, era uma coisa diferente. Um pouco como andar com Michael e Christopher quando eles fizeram muito sucesso com sua banda, mas um pouco a mais, eu achava. Talvez porque eu estivesse quase sempre com Capitu em público, quando que com eles eram momentos pontuais.

Quanta vezes pensem em pedir para Capitu tentar contato com os assessores da banda do meu irmão e falar de mim? Toda vez, porém, descartava, não querendo incomodar nenhum dos dois.

— Você vai se virar — dei de ombros. — E eu vou tirar algumas sonecas.

— Não vai nada, acha que eu não te conheço? — resmungou. — Vai ficar que nem uma louca obcecada com seu trabalho final, depois vai surtar e me mandar mensagem perguntando onde é a festa, vai beber, conhecer alguém, dar um pé na bunda de alguém no dia seguinte e chorar por um dia inteiro porque ficou rouca e não consegue cantar — tentei retrucar, mas a maior parte daquele roteiro era verdade e tudo era baseado em fatos reais. — O que você faz, meu amor, para ficar rouca toda vez é que eu ainda vou descobrir.

Dei-lhe língua.

— Me deixa em paz, vai? — resmunguei, me levantando. — Eu vou indo e você só me envie mensagem se não for de trabalho.

Capitu riu, mas seu olhar mudou por um instante, uma suspeita brilhando no pequeno sulco que desenvolvia abaixo de seus olhos; um dia comentei que viraria uma ruga em breve e ela desenvolvera uma tara por skincare logo a seguir.

— Falta pouca agora, não? — perguntou-me. Minha expressão de confusão lhe fez continuar quando eu já tinha chegado até a porta do escritório. — Pra você meter o pé me me deixar.

— Ah, para de ciúmes, viu? — reclamei. Ela sempre estava falando que eu ia abandonar ela por um salário maior ou uma chefe mais legal.

No geral, suas reclamações eram ciúmes com um pouco de insegurança. Tinha estabilizado-se no topo das paradas e estava tentando algumas coisas alternativas, o que aumentavam as críticas. E surgiram algumas ameaças ao seu posto no último ano, o que a deixava cerrando os olhos em minha direção, como se eu fosse pegar carona com a primeira estrela que cruzasse no meu caminho. E era por isso que ficaria cheia de rugas antes dos 30.

— Eu sei — ela deu de ombros, voltando a relaxar na cara. Sua despreocupação era diferente das suspeitas que tinha toda vez que achava que eu tinha conhecido alguém famoso em uma festa. — Você sempre foi boa demais pra se esconder atrás de mim. Só preferiu tomar o caminho mais longo estudando, sei lá porquê. Falta pouco agora.

Para isso, não tinha resposta. Só engoli a seco, arrisquei o melhor dos meus sorrisos e mandei ela à merda antes de sair do escritório ouvindo sua gargalhada.

Eu tinha me acostumado com o transporte público no Rio de Janeiro. Era um pouco mais caótico que em Londres, mas era menos assustador (ou eu só achava isso porque tia Liah costumava me colocar tanto medo em Londres que eu não conseguia relaxar?) e por conta disso acabei nunca tomando coragem para tirar minha habilitação e comprar um carro. Quando necessário, eu pedia um carro de aplicativo, mas, no geral, andava para baixo e para cima de metrô e ônibus.

Da casa de Capitu para a minha era uma viagem um pouco extensa, mas podia pegar um único metrô desde a expansão da linha. Coloquei meus fones de ouvido, distraída, e peguei meu caminho.

Demorou cerca de quarenta minutos até que eu estivesse subindo a rua que dava acesso à ladeira onde eu morava. Bocejando de cansaço com o dia já no fim, aproveitei que o jornaleiro ainda estava aberto para comprar alguns quitutes para me encher de porcaria no fim de semana que tinha escolhido descansar antes de pegar com tudo nos ensaios para apresentação final da faculdade de canto.

— Tá chegando muito tarde, dona moça — seu Zé brincou comigo. Eu costumava chegar muito mais tarde, fosse quando ainda estudava dança à noite ou porque estava em algum show com Capitu, mas ele sempre fazia o mesmo comentário quando eu entrava em sua banca e eu sempre ria.

— Ai, seu Zé, nem acredito que tô de férias da megera — brinquei.

Capitu estava longe de ser megera, mas seu Zé conhecia nossas implicâncias. Não tinha muito tempo que tinha entregado alguns produtos autografados para a netinha dele, no aniversário dela.

— Que vida boa, dona moça — ele riu quando joguei alguns dos biscoitos, doces e refrigerantes que planejava comer. Meu sorriso estava aberto com a perspectiva do descanso, por menos que fossem apenas dois dias.

Ele começou a fazer os cálculos da minha compra e eu passei o olho pela banca, lendo os títulos. Não era comum, mas as vezes comprava alguns livros ali mesmo. Mais raro ainda que comprasse jornais em revistas, mas naquele dia...

Naquele dia meu olhar cruzou com algumas palavras escritas em uma capa de revista adolescente e meu sorriso vacilou um pouco, incerto.

Joguei a revista na pilha.

— Vou levar ela também — anunciei.

Assim que saí da banca, parada esperando o sinal para atravessar para a ladeira, tirei a revista da sacola e encarei as palavras pequenas, brancas em um balão dourado na capa:

"Primeiro show da DeLorean no Brasil esse mês" e logo abaixo "Fique sabendo de tuuuuudo sobre as datas, locais e se prepare para esse show imperdível".

Sem me conter, abracei a revista, em um misto de alívio e desespero. Na miha cabeça, só havia um nome se passando.

Michael.

16 de Setembro de 2020 às 02:07 0 Denunciar Insira Seguir história
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