autorajamille Jamille Sousa

Júlia terminou um noivado e está profundamente arrasada. Porém, nem tudo está perdido, e Gabriel aparecerá em sua vida justamente para lhe provar que a vida sempre oferece uma segunda chance.


Conto Todo o público.

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Capítulo único

Aquele dia não estava sendo nada fácil para Júlia, que acabara de terminar um noivado. Devido a isso, podia-se imaginar o quão arrasada e sem norte a garota encontrava-se. Júlia não tinha a mínima ideia do que fazer a partir dali, todos os planos traçados para sua vida envolvia o homem que, há poucas horas, havia declarado não amá-la mais.

Portanto, ela precisaria rebobinar tudo o que decidira para sua vida até então. Havia o apartamento totalmente mobiliado, um carro e um gato de estimação. Tudo isso entrelaçado a milhares de lembranças dos dois partilhando momentos importantes juntos, lembranças que Júlia custaria a esquecer.

Afinal, como toda mulher apaixonada, ela achava que teria o seu para sempre. Porém, o para sempre de Júlia acabara rápido demais e agora, ela estava completamente sem chão. Não houve lágrimas e nem arrependimentos da parte dele, o tiro foi certeiro. Como se Rafael fosse um sniper treinado e, o coração de Júlia, um alvo muito fácil a ser abatido. Rápido, sem misericórdia e sem direito a ultimo desejo, ele já estava retirando suas coisas do apartamento que dividiam, não haveria um pedido de desculpas.

Eu conheci outra pessoa, sinto muito., essas foram as palavras finais, a sentença, a cereja estragada daquele bolo amargo que Júlia precisaria digerir.

Quatro anos, Rafael jogara tudo fora por uma mulher que acabara de conhecer. Ele mesmo, que sempre pedia para ela não se preocupar porque seu amor era eterno.

Eterno?, Júlia enxugou várias lágrimas que insistiam em escorrer livremente por seu rosto.

Estava indo para a casa de uma amiga de infância, pois não conseguiria passar a noite sozinha naquele lugar, com tantas lembranças assombrando sua mente, com cada pedacinho daquele apartamento gritando que Júlia não fora capaz de segurá-lo.

Porque ela não era capaz, não era boa o bastante, a outra era melhor. Esses eram os pensamentos que a assolavam, como se fossem adagas afiadas sendo cravadas uma a uma em seu coração, já extremamente ferido e debilitado.

Agora não havia mais volta, assim como nos jogos que eles costumavam disputar juntos, estes que por sinal Rafael sempre ganhava, Júlia acabara de receber seu maior game over. Só que, neste caso, ela não poderia apertar o botão restart e iniciar novamente.

Idiota, como eu sou idiota!, repreendia-se em pensamento, enquanto permanecia andando sem ao menos saber se estava no caminho certo.

Júlia achava que estava, mas nem prestava atenção no que fazia. Até que, sem querer, por estar desatenta, tropeçou em um relevo na ponte que atravessava. E, finalmente, deu-se conta da esplendorosa beleza que o céu ostentava naquele fim de tarde. Havia chovido há pouco tempo e, consequentemente, um imenso arco-íris coloria o céu.

Júlia parou por um momento, admirada e sorriu, aquela imagem era maravilhosa. Porquanto, questionou em pensamento se não admirava um quadro pintado à mão. Teria sido o céu, esculpido por Monet?, divagou.

Naquele momento, o Sol estava querendo se pôr e todas aquelas cores misturadas atingiram-na como um bom presságio. Um arco-íris, o que será que ele representa?, Julia aspirou o ar e apoiou os cotovelos sobre a proteção da ponte.

Aquela cena realmente era digna de ser vista e, por mais que estivesse deprimida, não poderia ser indiferente à uma paisagem tão magnífica. Suspirou e, mais uma vez, desejou que seu coração estivesse limpo, livre daquela dor. Entretanto, como não era possível mudar seus sentimentos de uma hora para outra. Júlia apenas fitou o horizonte. Até que conseguiu espiar, pelo canto dos olhos, uma silhueta aproximando-se.

Imediatamente enrijeceu, não passava mais ninguém por àquela ponte. Por conseguinte, Júlia sentiu muito medo, medo de lhe acontecer algo ali, seria trágico ser assaltada no dia que levara um pé na bunda.

Contudo, o estranho logo demonstrou que sua intenção não era assustá-la.

— O céu realmente está lindo, não? — indagou ele e parou ao seu lado.

Júlia o encarou por longos segundos, analisando sua postura e tentando adivinhar se o tal rapaz poderia lhe oferecer algum risco.

Já o estranho, vendo sua inquietude, sorriu e tratou de tranquilizá-la:

— Você está segura, não farei nada para machucá-la.

Júlia refletiu por alguns instantes e baixou um pouco a guarda. Afinal, se àquele homem quisesse lhe fazer algum mal, provavelmente já teria feito.

— O céu está maravilhoso sim. — finalmente relaxou a postura.

— Qual o seu nome? — o desconhecido demorou-se olhando para a moça da ponte.

— Júlia e o seu?

— Gabriel. — ele sorriu ao constatar que Júlia estava mais calma.

— Bonito nome. — Júlia retribuiu o sorriso ao notar que Miguel era muito bonito e tinha a voz extremamente suave.

— Obrigado, o seu também. — Gabriel girou o corpo para ficar de frente para a moça misteriosa. — O que faz sozinha aqui?

— Bom, só estou de passagem. — Júlia deu de ombros, ainda reticente quanto a aproximação de Gabriel.

— Mas a vida não tem sido muito gentil comigo, acho que a culpa deve ser minha, por ser tão idiota. — despejou, falando mais consigo mesma, do que qualquer outra coisa.

— Não diga isso, nem sempre o que acontece conosco depende somente das nossas atitudes. — Gabriel a encarou um pouco mais sério e Júlia apenas assentiu. — Dias difíceis acontecem para darmos mais valor aos dias bons.

— Pode ser... — Júlia abriu um sorriso diminuto em seu rosto, outrora entristecido. — De qualquer forma, obrigada.

— Eu não fiz nada. — devolveu Gabriel, fazendo Júlia sentir algumas lágrimas molharem novamente seu rosto. Estava sensível e poder desabafar minimamente, ainda que com um desconhecido, causou um reboliço enorme dentro de si. — Se quiser, podemos tomar um café aqui perto, se ignorar que nos conhecemos há — ele olhou no relógio de pulso — menos de cinco minutos.

Júlia gargalhou alto, enxugando às lágrimas teimosas que escorriam sem consentimento por seu rosto.

— Acho que eu aceito. — respondeu de pronto. — Não tinha nada a perder, Aline nem estava em casa ainda e se ficasse sozinha, na certa surtaria.

Ou pior, ligaria para Rafael.

— Não gosto de ver garotas chorando. — Gabriel protestou e aproximou a mão do rosto de Júlia, para se livrar de uma lágrima que passara despercebido.

Júlia, apesar de tudo, não o afastou, pelo contrário. Apenas relaxou em meio ao toque e o encarou nos olhos, sentindo, de repente, que seu coração estava completamente aquecido. Forçou um sorriso e baixou os olhos, para ocultar o olhar triste.

— Meu dia não foi lá essas coisas. — desconversou, um pouco envergonhada por ser tão transparente e chorona ao ponto de derramar lágrimas em frente a um estranho.

— Não precisa se esconder. — Gabriel contrapôs. — Se quiser desabafar, sabe. Não tenho nada pra fazer. — deu a ideia como quem não queria nada.

Seu objetivo não era assustá-la, mas também não a perderia de vista. Enquanto isso, uma sensação indescritível de calmaria inundava a alma de Julia. Que, por fim, virou-se novamente em direção ao arco-íris e sorriu para si mesma. Gabriel fez o mesmo e ambos passaram a admirar às cores desaparecendo aos poucos no horizonte.

— Eu gosto com chantilly. — Júlia finalmente quebrou o silêncio confortável que fazia.

Gabriel apenas sorriu em resposta, entendendo do que se tratava. E, imediatamente agradeceu em pensamento, por ter decidido caminhar pela ponte naquele restinho de tarde.

Fim.

12 de Setembro de 2020 às 18:13 0 Denunciar Insira Seguir história
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Jamille Sousa Leitora e escritora <3

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