gu-winds1585016159 Gu Winds

Rudá achou seu companheiro destinado tão sonhado com a ajuda do seu irmão, mas Rudá o achou ferido, e têm medo de não poder proteger seu companheiro de mais dores e agressões. Principalmente, se a distância territorial e a bagagem de Osvaldo, seu companheiro for tão pesada. Osvaldo acha que seu comportamento e seu jeito de ser só causam-lhe problemas, até encontrar Rudá e bons amigos na aldeia que mostram que ele tem direito de ser quem é, sem julgamentos. Agora, a unica coisa que falta pra ser feliz é se livrar das amarras do passado, e de seu companheiro receoso finalmente o alcançar no amor mais puro.


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Capitulo 1

Numa tarde arrastada, Osvaldo, um aluno do terceiro ano do ensino médio, estava no último semestre, ou seja, era quase final de ano. E foi oferecido como cortesia pelo colégio numa tentativa de aula de história nacional, uma excursão de 4 dias e 3 noites para uma aldeia indígena que tinha um resort tímido com umas cabanas charmosas. Mas Osvaldo odiava multidões, ele deixara seu irmão, Rosimar, o convencer a ir nessa excursão.

Seu irmão estava preocupado com ele no meio da favela no momento, em que os tiroteios entre comandos rivais estava ocorrendo semanalmente. Osvaldo entendeu a preocupação de seu irmão, mas e as preocupações dele de deixar seu irmão para trás naquele lugar.

O azar pelo qual é atingido a todo momento naquele lugar, com a sua ausência podia atingir facilmente Rosimar. Será que ele achava que Osvaldo queria ver seu irmão morrer num tiroteio sem nenhuma proteção devida, ele corria pra cima e pra baixo, querendo saber alguma informação vital do seu irmão, ele já estava a um dia naquela merda de excursão e não conseguira uma forma de entrar em contato com ele.

Ele sentia tanta raiva de não ter um celular como todo mundo para poder ligar e verificar seu irmão, mesmo com o esforço dos dois irmãos, as contas e as despesas sempre viviam no limite de suas finanças. As facilidades e oportunidades não surgiam para os dois. Porque eles tinham que ser tão pobres? As vezes Osvaldo não conseguia racionalizar isso, sem pensar nas coisas ruins, que pareciam atingir só os dois diretamente. Qual era o mal de desejar tranquilidade para a vida dos dois?

Desejar instabilidade no meio de uma periferia violenta era complicado. Eles e o resto da população ficam a mercê da violência do embate constante do estado contra as organizações do tráfico de drogas. Eles eram órfãos, seus pais tinham morrido de bala perdida na volta ao trabalho em meio um tiroteio numa favela próxima. Seu irmão cuidava dele e Osvaldo cuidava de seu irmão. Foi assim durante 5 anos e esperava que alguma coisa lhes aparecesse para lhes dar esperança de um futuro melhor, mas não conseguia imaginar nada em frente.

A excursão estava chata como o inferno, o que ele não fazia para agradar seu irmão, para dar-lhe um pouco de tranquilidade; ele olhou o papel A4 que tinha toda a programação de férias escritas, e também instruções para o trabalho prático e escrito que devia ser feito após todas as anotações que ele não via ninguém fazendo.

A maioria estava usando aquilo como ferias realmente, um tempo longe dos pais, um lugar onde eles ficavam mexendo no celular, tablet ou notebook sem a supervisão dos pais, para eles era libertador. Enquanto alguns outros jovens se distanciavam dos passeios pelas trilhas para namorar ou transar nas arvores robustas da floresta, achando que ninguém vai ver. Ele já previa os vídeos íntimos vazados se tornando escândalo na escola como todo ano.

Alunos de ensino médio, ou melhor, adolescentes no geral eram um porre, com tantos hormônios a flor da pele, Osvaldo enrugava o nariz ao sentir o clima de excitação que partiam tanto de meninas como de meninos, se ele odiava multidões, ele odiava mais ainda multidões de adolescentes.

Às vezes, os invejava, porque sua rotina diária tornava sua vida social entediante, apesar de ter algumas pessoas na periferia que ele podia chamar de amigos. Seu tato social era horrível, o medo de sofrer bullying ou assédio era enorme, porque seu histórico de ocorrências do que foi citado, era extenso.

Os incidentes terríveis minaram sua autoconfiança, enquanto alguns jovens tinham vida social, ou afetiva, ou sexual em alta. Em seus 17 anos de idade, ele não sabia o que era um beijo, ou um toque amável e carinhoso de um garoto. Porque sim, outra coisa que limita sua vida afetiva a zero por cento é o fato de ser gay. Os bons espíritos o colocaram com a pior das características no mundo.

Osvaldo tinha 1,65 de altura, pesava 90 quilos e tinha uma cabelereira de cor castanho escuro que batia abaixo dos seus ombros. Sim, apesar de crespo, seu cabelo não era armado como um black, era espalhado. Sua recente hidratação o fez diminuir o volume, agora seus cabelos estavam penteados e presos por uma piranha vermelha muito usada. Ele era negro, sua pele era marrom escura com um tom acinzentado que dava aparência mais clara quando não estava sob o sol.

Seu corpo era gordo, seus quadris eram grossos, mas sua bunda era pequena soando um pouco desproporcional ao corpo. Sua barriga era acentuada, marcando as laterais com rolos de massa, em compensação seus braços eram pequenos também soando um pouco desproporcionais ao tronco cheio. Suas mãos gordinhas, Rosimar as elogiava dizendo serem macias apesar de exercerem trabalhos pesados ocasionalmente. Seus olhos eram de um castanho um pouco mais claro que o normal os tornando com aparência de mel. Seu nariz era redondo, pequeno nada pontudo, pouco marcante no rosto, suas bochechas eram um pouco cheias dando um ar mais infantil. Sua aparência tinha um ar andrógino apesar das roupas bem comuns ao vestuário masculino.

Osvaldo para tentar evitar retaliações ou assédio dos alunos, ele sempre andava mais a frente perto dos professores, com o pessoal que a turma chamada de perdedores pois eles não faziam nada do que os jovens sociáveis faziam, exceto os eletrônicos, só que claro eles usavam para fins diferentes, não para preencher o ócio com redes sociais ou vídeos materialistas e sim eles usavam seus eletrônicos para tomar notas, pesquisar sobre alguns assuntos que os professores falavam durante a excursão.

Enfim eles eram todos estudiosos e se dependesse de suas vontades seriam futuros pesquisadores e fazedores de dinheiro, pena que os perdedores e o restante da turma tinham algo em comum a ver com Osvaldo, por mais que ele tentasse evitar, sempre tinha um...

— E aí gordão, resolveu sair da cama? E aí teve que rolar para vim para cá? Disse Moacir para ele em voz alta e zombeteira, olhando por cima do notebook, com um sorrisinho que deixava Osvaldo nos nervos, os outros começaram a entrar na onda de zombaria que Moacir iniciou.

Sim. Ele era gordo, ele tinha engordado a uns dois anos atrás, e hoje estava 30 quilos a mais do que o seu fudido peso ideal do qual ele tinha que estar. Ele, na maioria das vezes não se preocupava com seu peso, mas outras vezes ouvindo a chacota constante das pessoas no geral que não era pouco, ele se envergonhava do seu corpo, ele sentia que ninguém podia gostar dele naquela forma como estava.

Porque ele não podia ser controlado igual o irmão dele, seu irmão também havia engordado, mas diferente dele, seu irmão sabia controlar seu peso na balança. Tanto que seu irmão se via bonito com aquele peso extra que ele conseguiu ao longo dos anos, aparecia mulheres interessadas nele, mesmo com ele não tendo nem de longe a barriga trincada musculosa. Mas tudo isso era seu irmão, que Osvaldo não negava, ficara mais bonito com o peso extra.

Seu corpo o traia, seus colegas mal-intencionados viam como os insultos tinham efeito nele, e isso os alimentava toda vez. Seu corpo era fraco e ele devia tentar ser mais forte e não deixar transparecer o tanto que aquelas palavras o atingiam.

Até que os meninos do fundo começaram a zoar com ele também só que eles eram piores de certa forma, pois eles começaram a empurrar Osvaldo um para o outro com tanta forca que ele perdera o equilíbrio e caíra no chão. Parecia que seu corpo não suportava nada e os professores nem sequer olhavam para atrás apesar do barulho absurdo que faziam atrás dele. Até que distraído demais, ele não tinha visto o pé que tinha vindo por atrás dele, ele gemeu de dor...

— Além de um gordo fedorento, é um viadinho de merda, que geme feito uma puta perto de um macho de verdade!!

E os chutes agora vinham de toda direção e seu corpo explodia de dor e por mais que ele tentasse conter os gritos, ele não conseguia disfarçar a dor, seu rosto se enrugava e se partia de medo e desespero de que ninguém os parasse logo...

— Geme putinha gorda!! Geme putinha gorda!!

E começaram todos a gritar isso como se fosse uma piada de mal gosto, mas todos riam cruelmente. E a vergonha e a humilhação pareceram anestesiar um pouco da dor física para dar lugar aquele dor no peito que o sufocava. Ele tentava olhar por entre os alunos para ver se conseguia chamar a atenção de algum professor.

Mas agora os professores estavam longe de ser encontrados, então ele viu que foi deixado a própria sorte até mesmo por quem devia estar ali por ele, os murros eram mais rápidos e inconstantes, resumindo em sua mente maldita, eles já estavam cansando do seu entretenimento.

Os chutes estavam mais fracos, mas ainda dolorosos como o inferno e ele foi deixado ali perto da arvore estreita que não escondia sua vergonha de ter sido espancado por um pouco menos da metade daquela sala. E ele viu quando a dor quase o subjugou, quase o levou a desmaiar ali mesmo no chão áspero que o mantiveram refém minutos atrás.

Ele tentou relaxar e aliviar a pressão na sua cabeça que se focava na dor, mas isso parecia o estar levando a inconsciência assim como das outras vezes, mas dessa vez os jovens que o atacaram haviam sido mais violentos, com certeza pela sensação de liberdade por estar fora sem supervisão adequada.

E a inconsciência o chamava e ele aos poucos deixava porque a cada passo a inconsciência, ele sentia menos dor, mas quando a escuridão quase o tomou , ele ouviu o rosnado alto e grosseiro no ar , vindo da floresta que circulava as cabanas onde eles estavam dormindo, e sua cabeça chegou a registrar um conjunto de risos abafados de duas garotas que estudavam na mesma escola que ele mas em outra sala e as ouviu dizer...

— Talvez uma onça acabe finalmente com o viadinho do terceiro ano!!

E tentavam abafar mais risos para ninguém as ver em sua crueldade. Ele nunca entendera como adolescentes como ele podiam ser tão preconceituosos e violentos, de onde vinha tanto raiva e desprezo. Tanta vontade de agredir e humilhar.

Já se passara mais de meia hora que ele estava no chão, e ele não ouvira ninguém vir ajuda-lo com qualquer coisa, nem mesmo a merda de um professor responsável pela turma.

E a dor de se ver sempre sozinho subjugou todas as dores que ainda ardiam dentro dele. E ele ouviu novamente o rosnado alto e claro, mais alto que trovões ou mesmo uma metralhadora carregada. Então, ele sabia que o lobo, sim, um lobo, não uma onça como aquelas imbecis haviam dito, estava perto dele e a inconsciência que tinha planejado de o levar pra longe não estava mais lá, os rosnados o despertara como um banho de água fria, mas ele não podia se mover suas pernas estavam dando câimbras como uma reação adversa a dor então ele nem se incomodara em mexer...


Notas finais do capítulo
O preconceito é uma merda, né? A juventude nem sempre progride de um jeito bom. Fica parecendo que na maioria das vezes repete os erros de gerações passadas. Talvez no outro capítulo tudo fique melhor, ou pior? Quem sabe, né? Obrigado por sua leitura, deixe um comentário, um like ou recomendação ao sair. Compartilhe com os amigos essa história se você gostou. Até o próximo capitulo.

12 de Setembro de 2020 às 16:23 0 Denunciar Insira Seguir história
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