myazurck Mya Zurck

Certo dia, Catharina recebe a solicitação de amizade de uma pessoa que se nomeia de Morte. Ela decide aceitar, mas após algumas trocas de palavras, a Morte afirma que agora a sua alma lhe pertence. Irritada com a brincadeira de mau gosto, Catharina desfaz a amizade e a bloqueia. Contudo, após esse contato, ela é atormentada por um pesadelo terrível e várias situações macabras. ..................。。✖。。。。。。✖。。........................


Horror Histórias de fantasmas Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#conto #morte #horror #terror #internet #redes-sociais
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Capítulo único

Assim que ouviu o grito vindo da casa ao lado, a mulher correu, bateu no portão, notou que estava somente encostado, empurrou-o, seguiu em passos receosos e ofegantes até à porta da frente e, com a mesma cautela, pôs a cabeça para dentro.

Bastou vaguear os olhos pela sala para encontrar sua vizinha caída no piso.

Recompôs-se moderadamente do susto e solicitou por telefone a ambulância. Quando esta chegou, os enfermeiros sentiram a pulsação inativa da paciente, fizeram compressões em seu peito e logo constataram o pior.

— Está morta. — anunciou o enfermeiro mais moço.

A mulher, espantada, colocou a mão sobre a boca.

— Morta?! Mas como? — quis compreender.

— Tudo indica que foi infarto. — explicou o outro, que era mais velho.

— Oh Deus! Era tão jovem ainda! — Ela relutou em acreditar.

— Às vezes basta uma propensão genética, infelizmente. — O senhor exibiu um olhar de lamento.

A mulher meneou a cabeça em concordância, igualmente lamentou o ocorrido e recordou como a vizinha era reservada e de expressão sempre um pouco tristonha. Olhou para a falecida percebendo que havia sofrido o ataque cardíaco enquanto acessava o computador, pois ele estava ligado e ela, estatelada no chão, perto dele e da cadeira à sua frente. De novo se compadeceu do evento funesto e repentino.

。。✖。。

Catharina olhou para a tela do notebook sobre a mesinha diante de si e ficou intrigada ao ver que tinha recebido uma solicitação de amizade de alguém que se nomeava de Morte. A princípio, pensou em somente desconsiderar a solicitação, mas, curiosa, resolveu ir à conta da pessoa. Ficou mais intrigada quando notou que não havia amigos para visualizar, local de moradia, nem outras informações adicionais, e que a imagem usada no perfil se repetia em sequências intermináveis na página, referia-se a uma caveira humana com a dentição exposta configurando um sorriso medonho, todas acompanhando mensagens arrepiantes, tais como:

Todo aquele que acolhe a Morte, será acolhido por ela e dela beberá o sabor amargo da purificação sem igual. Em uma alma enferma, a Morte se deleita. No fim, a dor e o sofrimento são bálsamos, mas prevalecerá a escuridão.

Catharina estava tão absorta, lendo e analisando a conta daquela figura incomum, que nem notou uma presença, que tinha entrado em seu quarto e se achegava por trás.

Súbito, uma mão se postou em seu ombro e ela deu um grito por conta do assombro.

— Ai, credo! Que susto! — liberou, ao compreender que era Miranda, amiga com quem dividia as despesas da casa.

— Credo digo eu, Cath. Você tava fora do planeta, é? Só pode ser isso porque nem me viu entrar. — Miranda torceu a boca em menção de escárnio.

Sutilmente, Catharina baixou a parte de cima do notebook para a outra não saber para onde a sua atenção estava concentrada.

— Ah... Bem... Eu só estava vendo as bizarrices que as pessoas põem na internet... Acho que algumas gostam de chamar atenção de qualquer jeito, né? — abriu um sorriso anêmico.

— Uhum... sei! Aposto como na verdade estava de papo com um novo amiguinho virtual e, por isso, tratou de fechar rápido o note pra eu não ver a conversa de vocês. — brincou, enquanto via Catharina arregalar um pouco os olhos.

— Não! Nada disso. — afirmou e notou o sorriso malicioso da outra crescer. — Ok, eu acabei de receber uma solicitação de amizade estranha, porém, como eu disse, não é nada do que você está pensando.

— Tudo bem... Mas eu até ficaria contente se, por acaso, você arranjasse um namorado, nem que fosse virtual, já que quando não está trabalhando fica horas presa nesse quarto, vendo o mundo mais pela tela do computador. Talvez curtindo um cara legal poderia depois marcar um encontro para se verem pessoalmente. Assim você seria feliz de verdade.

Catharina revirou os olhos, entediada.

— Miranda, eu agradeço a sua preocupação, mas você sabe que caras legais não caem do céu, muito menos aparecem de repente na internet, em redes sociais.

— Tanto sei que prefiro ir à caça no mundo real. Você deveria tentar de vez em quando. — ironizou ajustando a alça fina da blusa e oscilando seu olhar entre seus seios fartos e o rosto desanimado de Catharina.

— E eu prefiro ler bons livros, estudar para melhorar de vida, ao invés de caçar namorados. — A crítica saiu parecendo uma demonstração de rebeldia misturada com amargura.

— Ok! Faça como achar melhor, Cath, eu só falo assim porque sinto que você às vezes parece pra baixo, com o humor tristinho demais... Mas esquece, tá? Não vim aqui te incomodar e sim para te perguntar se me emprestaria aquela calça jeans preta que já me deixou usar uma vez, sabe qual é? — mordeu o lábio inferior, manhosa e expectante.

— Sei sim. — admitiu, ergueu-se da cadeira, foi ao guarda-roupa, buscou a peça escura e a entregou a Miranda.

— Oba! Valeu, Cath. Vai combinar perfeitamente com a blusa nova que eu comprei e com a minha sandália vermelha de salto alto. Eu vou sair com um carinha do curso, provavelmente passarei a noite toda fora, então... — sorriu maliciosamente de novo. — A casa hoje à noite será toda sua. Se quiser trazer alguém ou ficar brincando na net, poderá fazer isso mais à vontade... Se joga, amiga, a vida é curta e só uma!

Sorridente e espevitada, Miranda saiu do quarto sem esperar para ver o revirar de olhos de Catharina. Esta, por sua vez, voltou a acessar o notebook e, numa atitude impulsiva, aceitou a solicitação de amizade do ser misterioso.

Não demorou e sua caixa de mensagem privada foi acionada.

“A Morte a acolhe”

Ela leu as palavras e terminou soltando um leve riso de escárnio.

“Obrigada, Morte, mas gostaria de saber qual é o seu interesse em nossa amizade”

“Sua alma”

“Minha alma?”

“Você me acolheu, eu a acolhi, não tem volta. Agora sua alma me pertence”

Catharina franziu o cenho começando a se incomodar.

“Pode parar com a brincadeira e me dizer quem é e o que quer?”

“Sou a foice descarnada que irá retalhar a sua alma pela eternidade”

Irritada e considerando de péssimo gosto aquele joguinho fúnebre, ela desfez a amizade e bloqueou a pessoa estranha, que agora supunha ser apenas alguém doente e sádico.

A seguir, pôs-se a navegar meio aleatoriamente, porém, no fundo, querendo ver algo alegre na internet.

Subitamente, um odor fétido adentrou por suas narinas, enquanto um vento forte soprou pela janela para dentro do quarto uma fumaça negra.

Catharina sentiu um calafrio subindo por sua espinha e uma inusitada sonolência tomando conta do seu corpo. As imagens na tela se tornaram nevoentas. No estreito espaço à frente do notebook, apoiou seus braços e pendeu a cabeça sobre estes.

Quando Miranda veio ao seu encontro outra vez para exibir o visual arrumado, recuou em silêncio ao ver Catharina imersa em seu cochilo.

Catharina abriu os olhos e observou que a noite havia chegado, o quarto estava escuro, o computador, igualmente sem luz na tela, ajudando a tornar o ambiente mais sombrio. A calmaria era tamanha que não se ouvia um mínimo ruído. Aliás, o único som que ela escutava era da própria respiração, que notou ofegante.

Seu coração estava agitado, tinha medo de algo e não sabia o que era.

Suas pernas tremularam quando se levantou tencionando ir ao interruptor para ligar a luz. Deu um passo e sentiu como se o quarto a fechasse num crescente negrume. Deu outro passo e mais uma vez pressentiu a escuridão comprimindo seu corpo.

Estancou, arquejando e suando frio.

Estava agora submersa no escuro total, como se estivesse cega de repente.

O pior veio a seguir, ao experimentar as paredes do quarto rentes a si, a sensação era a de estar aprisionada numa caixa sem abertura alguma, de ter sido enterrada viva.

Quis gritar, o ar lhe falhou, o sufoco aumentou.

Entretanto, avistou uma pequena névoa disforme que foi evoluindo e tracejando uma imagem.

O sangue em suas veias gelou mais intensamente ao enxergar a forma de uma caveira sorrindo e sussurrando algo tenebroso.

Sabia que chamava por ela, queria a sua alma.

Esperneou, forçou o grito a sair.

De mesmo modo repentino e inexplicável, tudo se tornou normal no quarto.

Ela estava novamente sentada em frente ao computador com a tela apagada e, embora estivesse escuro, a luz da noite vinda da janela aberta clareava naturalmente o quarto.

“Que pesadelo horrível!” Sentiu algum alívio, passou as mãos nos olhos, espremendo-os de leve.

Porém, o alívio deu lugar a novo espanto, pois quando olhou outra vez para o notebook, ele estava iluminado e as teclas se ativavam automaticamente.

As mensagens macabras da Morte eram digitadas e ressurgiam ante seus olhos assustados. Todo aquele que acolhe a Morte, será acolhido por ela e dela beberá o sabor amargo da purificação sem igual.... Sua alma me pertence... Sou a foice descarnada que irá retalhar a sua alma pela eternidade...

Do nada, a tela se escureceu completamente.

— Não!!! Me deixa em paz!!! — exigiu aos berros, tapando os olhos, que vazavam lágrimas agoniadas.

Engessada pelo medo, Catharina não conseguia erguer-se da cadeira para sair do cômodo ou para acender a luz.

Ao reabrir lentamente os olhos e retirar as mãos deles em movimentos trêmulos, viu na tela a coisa mais aterradora.

Os olhos saltaram das órbitas de tão arregalados, em completo pânico. O que viu foi nada menos do que a caveira assombrosa ao lado de uma foto dela mesma sorrindo sinistramente.

Catharina sentiu uma friagem mortal dominá-la.

Ainda buscou uma lógica para aquilo, mas ela se perdeu no mesmo segundo em que o ápice do seu pavor sobreveio, quando o áudio do notebook se ativou sem comandos e a obrigou a escutar e identificar a própria voz reverberando as mensagens da Morte.

Ela liberava gritos esganiçados, sentindo como se muitas facas rasgassem sua pele, enquanto as imagens iam crescendo e saindo da tela do computador para virarem sombras escuras, que foram para cima dela e a arrastaram para tormentos sem fim.

Súbito, seu grito cessou, sua vida também; a Morte a levou.

。。✖。。

Ao regressar para casa, Miranda achou tudo num silêncio esquisito. Resolveu ir ver como Catharina estava. Tomou um imenso susto ao encontrá-la caída no chão do quarto.

Por ser estudante do curso de enfermagem, ela mesma constatou a morte absurdamente repentina.

Dias depois, ainda em luto e com o coração entristecido pela amiga, Miranda acessava a internet quando notou algo curioso. Havia uma solicitação de amizade para ela de alguém denominado Morte.

。。 F i m 。。

7 de Setembro de 2020 às 20:59 2 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

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Mya Zurck "Vencer a si próprio é a maior das vitórias." (Platão)

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Eduardo Miranda Eduardo Miranda
Olá Mya, tudo bem? Puxa que surpresa legal este conto, a ún8ica decepção foi descobrir que era um conto ...rs pensei que fosse um tomance de terror. As histórias de terror hi-tec precisam de uma dedicação redobrada do autor para não deixar o senso de horror tornar-se um humor negro, e você conduziu a história de forma brilhante. Manteve o suspense do inicio ao fim e eu criei uma enorme simpatia pela Catharina, torcendo para que no final de alguma ela escapasse da morte ou qur houvesse uma troca dela por Miranda. Isso é muito legal em histórias de terror, fazer o leitor se apegar ao personagem principal, esta empatia prende o leitor do inicio ao fim. A escrita está ótima, muito articulada. Mya, você tem muito talento, continue escrevendo e quem sabe um dia se renda a escrever um romance, (caso já tenha um romance no currículo me avise....vou querer ler) parabéns! 😊
September 18, 2020, 20:05

  • Mya  Zurck Mya Zurck
    Oi, Eduardo! ⊱✿(❁ ⁀ ‿ ⁀❁)✿⊰ Em primeiríssimo lugar, por favor, desculpe-me pela demora para responder ao seu comentário, que amei demais. Muito obrigada por ler e deixar o seu parecer sobre o conto, foi algo que me alegrou imenso. ♥ Oh, se a única decepção que obteve foi saber que era um conto, eu fico mais radiante ainda. Vou confessar-lhe uma coisa. Eu sou uma leitora super empolgada de narrativas curtas e longas de gênero suspense/horror/terror (aprecio, sobretudo, as que se voltam mais à trama psicológica e menos ao gore, trash). No entanto, como escritora amadora, quando me dispus à produção de algo assim, eu me vi com uma série de dificuldades: Como impor adequadamente um clima aterrorizante que não caia no mero clichê enfadonho? Como equilibrar os momentos tensos, ultra tensos intercalando-os com os de calmaria? Enfim, o que quero dizer é que criar narrativas de terror e similares, como deve saber bem melhor do que eu, é uma tarefa mais complicada do que parece! Assim, o seu comentário provocou em mim uma sensação boa, de que produzi um conto com as qualidades que eu gostaria. ;) Oh, sim, se há uma coisa em que me ative com cuidado foi descrever a personagem central como alguém agradável, que gerasse sentimentos de piedade quando ela estivesse em apuros, coitadinha. Hahahah... É isso aí, eu acho que deu certo ;) Muito obrigada mesmo por investir um pouco do seu tempo para vir conferir a minha história, isso foi de um incentivo enorme para mim. Um super beijinho para você! ♥ OBS.: Pus em meus acompanhamentos a sua história, “A Estrada Escura” e, por certo, pretendo seguir com a leitura assim que conseguir resolver uns probleminhas. 1 week ago
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