katsuoyuuki 勝男 結城

Keiha Mishima é um jovem estudante universitário apaixonado pela arte da fotografia. Ao meio de uma misteriosa crise global de surtos emocionais, Keiha é surpreendido por uma oculta face da realidade conhecida como "O Katathorium", que passa a se manifestar para ele. Junto de seu leal mentor, Satou Umegaki, Keiha abraça o chamado do Katathorium para destruir de uma vez por todas a origem do grande colapso emocional, utilizando-se do poder de suas próprias emoções.


Aventura Impróprio para crianças menores de 13 anos.

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Fronteira

As emoções humanas são, até hoje, um grande mistério para todos nós. Tratam-se de verdadeiros impulsos comportamentais que transcendem o pensamento racional, os quais nos levam a novos patamares de percepção do “viver”.

O sentir e contagiar do que conhecemos como emoção vai muito além do que podemos imaginar.

Está presente nos mares, nos céus, na terra e nos montes, assim como nas mais poderosas tempestades e erupções vulcânicas, nas gélidas montanhas e nos cânions mais extensos, até as fendas mais profundas do planeta...

Finalmente, em nós.

A energia que tudo circunda, tudo toca e tudo conecta, em sua grandiosa origem, oculta dos olhos nus, permanece em constante manutenção, sem pausas para descansar.

Posso assegurá-los que já senti, literalmente, o que é a mais pura emoção aflorar e queimar na pele.

Porque eu sei como a verdadeira face da emoção se parece.

Porque eu já estive lá.


“FLASH!”


Um flash de luz era disparado de uma câmera fotográfica. Em um único instante de tempo, um fragmento do mundo era eternizado em um display digital; a imagem singela de uma borboleta branca, a descansar sobre uma folha verde ao meio de um mato de flores claras, era capturada.


Por trás da câmera, estava um rapaz de cabelos castanhos curtos, rentes à nuca, ainda que volumosos, com suas pontas sutilmente espetadas, formando um penteado bonito e moderno. Seus olhos azuis claros apresentavam-se sempre bem focados ao que o rapaz punha-se a fazer, como se por conta própria, estes tivessem um mecanismo próprio de ‘zoom’: suas pupilas dilatavam, igual fazia o diafragma de sua câmera.


Com seu dedo indicador, o garoto clicou mais uma vez, agora sem disparar o flash. Registrava os detalhes do inseto em repouso com cautela e paixão. Clicou mais, movido por sua intrínseca curiosidade.


Não demorou muito para que a tão delicada borboleta branca levantasse voo. O jovem fotógrafo amador surpreendeu-se com o bater de asas de sua musa, arregalando levemente seus olhos que a seguiam por toda a sua elegante trajetória.


Keiha sorriu.

O rapaz, então, caminhou em direção ao prédio universitário: encontrava-se no campus da universidade Kyokanjo. Podia ouvir as pessoas conversando, mas não as escutava; prestava atenção naquilo o que lhe interessava.


Era mais um dia de estudos.


Ele se aproximou de um dos elevadores que ali haviam, o único disponível, cujas portas abriam-se:


“Subindo!” disse a funcionária dentro da cabine.


Keiha entrou, sem pressa:


“Subindo..!” ele repetiu, em murmúrios.


Magro e alto, o rapaz vestia uma camisa social branca, impecável, abotoada até o último botão, por baixo de um suéter quadriculado, cinza e azul, com suas mangas cumpridas em tons mais escuros. Parecia bastante confortável.


Suas calças combinavam com suas mangas e seus sapatos, polidos e castanhos, combinavam com seus cabelos. Ele carregava uma bolsa tiracolo transversal ao estilo mensageiro nas cores azul e marrom em seu ombro esquerdo.


Keiha não olhava para as pessoas. Mantinha seus encantadores olhos aéreos a flutuar por qualquer vislumbre que passasse por sua mente.


“DING!” fez o elevador ao chegar ao seu destino.


“Quarto andar!” disse a funcionária.


O rapaz deixou a cabine de metal, agradecido:


“Muito obrigado.”


Seguindo seu caminho, foi chamado a atenção por um brevíssimo momento, por uma garota qualquer que cruzava seu caminho, vindo pela direção contrária:


“Oi, Keiha!” ela acenava, ao passar por ele, risonha. O achava fofo.


O garoto apenas acenou de volta com a cabeça, reafirmando sua presença.


Sem parar de caminhar, era chamado mais uma vez:


“Qualé, Mishima!!” passou correndo ao seu lado, outro rapaz, em disparada, todo atrapalhado: certamente atrasado para a aula.


O aspirante a fotógrafo apenas sorriu, assistindo.


Minutos depois, Keiha finalmente chegava à seção de lockers. Os armários enfileirados apresentavam-se em tons de prata, bastante neutros. Naquele momento, o corredor encontrava-se mais vazio, e com isso, o silêncio era predominante.


Ao deparar-se com seu armário, no entanto, o garoto travou por um momento. Em seu rosto, estabeleceu-se dúvida. Ele observou:


Havia uma fresta na porta, que estava amassada, com marcas de punhos.


Isso era ruim.


Num susto, o rapaz de cabelos castanhos apressou-se um pouco, abrindo seu locker.


E espantou-se.


収差

(ABERRAÇÃO)


Escrito violentamente na cor de sangue ao fundo do armário, a tinta escorria.

Espalhados por todos os cantos, estavam seus cadernos; normalmente organizados por cor, do mais escuro ao mais claro, todos em tons de azul. Haviam também bolas feitas de papel amassado, simplesmente jogadas dentro do locker do rapaz. Estava um caos.


Os olhos sempre tão brilhantes de Keiha perdiam sua luz, em aceitação. Seu rosto desmanchava em uma característica tristeza, quase apática. Olhava para tudo aquilo com desânimo, passado o susto.


Parado em frente ao seu armário por mais um pouco, resolveu partir para a solução: pegou todos os seus cadernos e os guardou em sua bolsa, um por um, antes de recolher as bolas de papel e as desamassar.


Feito isso, pôde ver que, nessas, estavam desenhos satíricos feitos contra sua pessoa, contando com caricaturas mal feitas e mensagens maldosas e hostis, as quais ignorou com um suspiro.


Passou a limpar o fundo do armário, apoiando-se ao lado de fora com uma das mãos encostadas à porta do locker ao lado, indo até o fundo com o papel, para esfregá-lo contra a tinta com a força que podia: fazia as folhas sangrarem.


Visivelmente chateado, fechou os olhos ao terminar. Amassou o papel em suas mãos para jogar fora, antes de encostar a porta de seu locker, uma vez que arrombada, era inútil.


“Estão pegando no seu pé de novo, não estão?” ouvia-se uma voz: um outro rapaz.


Pego de surpresa, o garoto de olhos azuis claros virou a cabeça rapidamente, em mais um susto.


Com as costas e um dos pés apoiados sobre a seção de armários e mãos nos bolsos do casaco, estava o outro, um pouco mais alto que Keiha: tinha cabelos lisos e descolados, com bastante estilo, que iam até a nuca, com uma franja mais à vontade. Eram mais claros do que os do fotógrafo amador, ainda que castanhos. Seus olhos, também azuis, eram mais escuros e menos brilhantes. Ele tinha o nariz mais alongado e levemente mais pontudo, além de sobrancelhas um pouco mais grossas. Usava como acessórios um brinco preto pendurado em sua orelha esquerda, além de um colar metálico: metade preto, metade prata.


Como roupas, vestia uma camisa escura com desenhos em branco em linhas tão sutis que, em certos pontos, pareciam esvair ao meio da escuridão da roupa. Formavam desenhos de flores, muito delicados. Por cima desta, estava no corpo seu largo casaco de capuz em um bonito tom de azul escuro, pouco saturado. Ele o vestia aberto. Olhava bem fundo nos olhos de Keiha:


“Olá, querido.”


Satou sorriu.


“Satou-senpai...” disse Keiha, ainda recompondo-se. Com um sorriso triste, baixou sutilmente a cabeça, desviando seus olhos para os cantos, como de costume. “Não se preocupe com isso, está tudo bem.” afirmou.


“Quantas vezes vai deixar fazerem algo assim com você?” indagou, o veterano, sem abandonar seu tom de voz calmo e paciente. Sua voz suave e carinhosa era confortante, mesmo falando sério.


Keiha calou-se, mais uma vez, em alguma negação ou teimosia, senão, ingenuidade. Custou um pouco, mas voltou os olhos ao encontro dos de Satou, à sua frente:


“Sinto muito, Satou-senpai... Simplesmente não desejo ainda mais problemas com esses meninos..”


Ambos puseram-se a caminhar juntos. O mais alto fazia questão de ficar sempre ao lado de Keiha, o encostando nas costas sutilmente ao acompanhá-lo em seu passo.


“Eu entendo, querido. Mas essa sua atitude parece ser uma solução estranha, não acha?”


Não houve resposta. O garoto de olhos azuis tão brilhantes, agora tinha olhos inquietos.


Satou prosseguia:


“Sabe.. Vai ficar ignorando até fazerem o pior com você? Eu me preocupo.”


Keiha o respondeu de prontidão:


“Tenho medo de que, sendo feita uma denúncia ao departamento ou à prefeitura, venham atrás de mim em retaliação, com ainda mais violência..”


Satou suspirou, ajeitando seus cabelos com uma das mãos:


“E eu tenho medo de que você, também, perca a cabeça algum dia...”


Keiha olhou na direção de seu acompanhante com toda sua doçura natural, somente para o responder:


“Hm? Ao que se refere com ‘perder a cabeça’, Satou-senpai? Enquanto eu tiver um pescoço, não há nada que eu possa perder aqui!” ele sorria, bastante adorável.


Deixando escapar um riso singelo, Satou tentava se explicar:


“Não foi isso o que eu quis dizer, Keiha...”


Atravessando o corredor, os meninos seguiam seu caminho pelo prédio universitário, assim como todos os outros estudantes faziam. Por onde haviam passado, estava tudo sob os conformes, tudo em seu devido lugar: o bebedouro ao lado das escadas, e o lixo em seu canto habitual. Na parede, uma televisão.


Até as notícias eram parecidas com as que vinham sendo ditas há meses.


“Paris decreta estado de emergência.”


“Nos Estados Unidos, demanda por serviços psiquiátricos aumenta em 350%”


“Número de casos aumenta em Tokyo.”


“Ah..! Sim, eu vi as notícias também.” disse Keiha, Já em sua carteira rotineira: adorava sentar ao lado da janela daquela sala em particular, uma vez que gostava de sentir o sol tocar seu rosto durante o horário da manhã e aquela era sua melhor oportunidade.


Satou puxava uma carteira vazia para sentar-se bem ao lado de Keiha, diferenciando-se da organização do resto da sala, que sentava-se individualmente:


“Alguns já chamam de ‘fenômeno do ano’. É como uma reação em cadeia.” comentou, Satou. “Também não existe nenhum causador comum, pelo que já se sabe...”


Mesmo que não fosse aparente, o aspirante a fotógrafo seguia ouvindo com atenção. Olhava para as coisas, não para pessoas. Explorava até mesmo os detalhes da janela com os olhos.


“Além do mais, é muito estranha a forma de como se espalha tão rápido, surgindo de novos cantos a todo momento, é simplesmente assustador..! Não acha?” questionou, Satou.


Após um momento de silêncio, Keiha pronunciou-se, em voz baixa, tão pensativo quanto o outro. Tentava chegar a alguma conclusão junto a ele:


“É o cataclismo perfeito...”


Satou sorria apreensivo em direção a Keiha, enquanto deixando-se cair por cima de sua carteira, de bruços, com uma das mãos em sua cabeça. Com ela, o veterano jogava suas madeixas para trás, permitindo-as deslizar contra os dedos.

Foi então que, ao ouvirem o som do abrir da porta da sala de aula, os olhos dos garotos acompanharam o caminhar do professor, uma figura baixinha, já calvo, que se fazia presente. No mesmo instante de sua chegada, os estudantes que encontravam-se de pé, conversando ou à toa até o momento, tratavam de dirigirem-se aos seus assentos com disciplina.


“Satou-senpai, podemos continuar falando sobre isso mais tarde?” disse Keiha, olhando de canto para seu acompanhante. Sequer podia esconder seu entusiasmo: os olhos do garoto apertavam-se por baixo, tamanha sua alegria. Afinal, era mais um dia para mergulhar de cabeça em seus assuntos prediletos.


“É claro, querido...” respondeu, Satou, que agora apoiava o rosto com uma das mãos. Sorria sutilmente para o melhor amigo, admirando, com seus olhos lânguidos, o sentimento apaixonado evidente em seu olhar.


A apaixonante felicidade tão gentil que estava em Keiha tocou e conectou-se a quem estivesse por perto.


Horas se passaram.


As disciplinas duravam por extensos períodos de tempo, algumas mais que outras. Aquela aula durara quatro horas.


Chegou, enfim, o meio dia.


Os estudantes deixavam a sala aos poucos, após a saída do professor. Keiha levantava-se de sua carteira. Satou, já de pé, apoiava-se com as mãos em um outra, tendo liberado a passagem para que o companheiro pudesse deixar seu assento sem dificuldades.


Dirigindo-se para fora da sala, os garotos mantinham-se próximos um do outro:


“É hoje que você tem um intervalo, não é?” perguntou, o veterano.


“Isso mesmo..! Tenho aula às 15:00 horas.” respondeu, o mais novo.


“Certo... Eu já devo ir, tenho horários a cumprir...”


Satou sorria de canto. Ele bufou sutilmente:


“Até lá...”


O jovem de olhar cansado levou sua mão esquerda ao rosto de seu amigo. Tocava a bochecha de Keiha suavemente. Em seu semblante; um sorriso:


“... Fique bem, querido.”


Com seus olhos sempre tão expressivos, grandes e inundados pela mais genuína pureza, em um sorriso acolhido, Keiha relaxou sua face, com os olhos nos de seu mentor:


Mesclavam-se tons de azul.


Os rapazes divergiram seus caminhos após a despedida. Durante suas horas de possível descanso, Keiha Mishima foi ao banheiro.


Em um dos toaletes, com a porta fechada e trancada, sentava-se ele em cima do vaso sanitário tampado. Maior privacidade, não havia.


Com sua câmera fotográfica em mãos novamente, o rapaz sorria gentilmente enquanto navegando pelas bonitas fotos as quais tirara mais cedo. Podia ver, enfim, mais uma vez, sua delicada musa pintada de branco em toda sua graça.


Em silêncio, apertava o botão de avançar e retroceder do dispositivo para passar e voltar, admirando as imagens que havia capturado.


Por um segundo, podia ouvir o som de alguém entrar no banheiro, mas, novamente, não o escutou.


Até que não pudesse mais o ignorar.


“AAAHH!!”


“CRASH!!”


Um grito, seguido do som de vidro quebrando proveniente de um impacto fez Keiha estremecer, o tirando de seu lugar de conforto. Assustado, ele ficou quieto, olhando para sua frente, suando frio. Tremia.


Olhou ao seu redor dentro da estreita cabine, pensando em alguma ação que poderia tomar. Sem ação por um momento, resolveu destrancar a porta e a empurrar bem devagar, sem fazer barulho.


E então o viu.


Um garoto alto e forte, de cabelos pretos bem curtos e espetados à frente do espelho do banheiro, com seu punho firme encravado no vidro, bem no centro. Ele sangrava. O impacto havia sido tão forte que fora capaz de rachar toda a extensão do espelho. O rapaz vestia apenas uma camisa preta sem mangas. Em suas costas; uma estampa de um kanji:


(PODER)


“Takeda?!” pensou Keiha, arregalando sutilmente os olhos ao deparar-se com a figura:


O sangue pingava de sua mão direita. Sem aviso prévio, apoiou a esquerda no espelho rachado, para que assim conseguisse empurrar-se na direção contrária, arrancando sua mão para fora do espelho. Estava toda cortada.


Empático, ainda que com medo, Keiha levantou-se com sua câmera em mãos, apanhando sua bolsa — que deixara ao seu lado — para então ir até o rapaz, falando baixo:


“Takeda-san, está tudo bem?”


O menino de olhos claros levava sua mão confortante até o ombro esquerdo do rapaz.


E cometeu um grande erro.


Em uma fração de segundo, antes mesmo que Keiha pudesse encostar em seu ombro, Takeda o agarrou pelo antebraço.


Muito assustado, o rosto de Keiha era o primeiro a reagir. Sua expressão doce, ainda que sutilmente amedrontada, transformava-se em dor. Seus dentes rangiam e um de seus olhos apertavam com força. Sentia a mão de Takeda esmagar sua carne.


“Não toque em mim... Mishima.”


“Gh!!” Keiha gemia de dor.


Num único movimento coordenado e de força súbita, o rapaz mais forte não hesitou: torceu o braço de Keiha sem piedade, fazendo o garoto gritar e se contorcer, deixando sua câmera cair no chão.


Takeda continuava a forçar o braço de Keiha, o fazendo agonizar.


“Você.. É você quem tá atormentando a minha mente!!”


Keiha não conseguia revidar de forma alguma. De tanta dor, chorava, continuando a gritar, até que seu braço não suportasse mais.


Seu ombro havia sido luxado.


De repente, em mais um movimento brutal, Takeda agarrou o garoto indefeso pelo pescoço, o prensando contra a parede com força, como se o sufocasse. Keiha cuspiu, com a boca aberta e olhos arregalados e trêmulos por conta do impacto.


“Por que não some logo desse mundo, aberração?! Por que insiste em tirar a minha paz?!” aos prantos, Takeda gritava, forçando as mãos contra o pescoço de Keiha.


Sem forças para conseguir falar, a voz da vítima saía fraca, sem vida. Ele tinha dificuldades para respirar:


“Takeda.. Acorde.. Esse não é você..”


“Errado. Essa é a minha verdadeira face.”


E tudo se tornou escuro.


Por algum tempo.


Não se sabe por quanto.


...


Keiha Mishima encontrava-se caído no banheiro do quarto andar. A porta estava semi-aberta. Som, não havia mais.


A câmera do rapaz tinha a lente quebrada, com rachaduras e um fragmento solto, ao chão.


Ainda que sem forças, conseguia abrir os olhos, muito devagar. Não havia mais brilho. Sua visão; embaçada.


Vindo de longe; um zumbido. Junto dele, o som finalmente tornava a surgir. Gritos. Desespero. Pela porta semiaberta, podia ver — muito mal — os pés apressados de muitos estudantes. Corriam. Alguns, tropeçavam e caíam em desespero, apenas para engatarem a correr de novo: o caos. Um por um, cada vez mais alunos perdiam o controle de suas emoções, tornando-se, então, verdadeiros monstros humanos: perdidos e desgovernados, eram agentes da destruição.


A visão de Keiha pulsava.


Ali ficou, imóvel, sem poder sequer fechar completamente a boca. Em seu rosto, vazio e morto, uma lágrima escorreu de seu olho...


... Que ao tocar o chão, foi prontamente atendida.


“KEIHA!!”


Escancarando a porta do banheiro, vinha Satou Umegaki.


Vendo o estado no qual o outro se encontrava, o acompanhante fechou a porta, horrorizado.


O fiel escudeiro correu para perto de seu querido amigo, em certo desespero. Tocou-lhe no punho para sentir sua pulsação. Logo em seguida, levantou-se, trazendo o outro consigo com toda sua força de vontade.


“Vamos, querido..!! Temos que sair daqui!!” Satou exclamava, sério e forte, ajudando Keiha a andar, uma vez que ele não possuía forças.


O veterano, mais do que preocupado, levou o rapaz até a pia, ligando a torneira. Satou jogou água no rosto de Keiha para além de limpa-lo, tentar desperta-lo.


“Keiha, vamos.. Por favor, me dê algum sinal!!”


“Satou... Obrigado...”


O garoto de cabelos lisos arregalou os olhos antes de sentir-se profundamente tocado e um tanto choroso.


“Você vai ficar bem. Só temos que ir!!”


“Os estudantes.. Vão ficar bem?” perguntou, Mishima.


Satou não soube o responder.


Mais que depressa, sem deixar de dar apoio para o mais novo, ambos seguiram em direção da porta:


“Teremos que correr, depressa!!”


Satou abriu a porta, para enfrentar o caos eminente que havia se instalado.


E atravessou junto a Keiha.


Houve silêncio.


O mais absoluto silêncio.


E no mais absoluto silêncio, arregalaram os olhos,


catatônicos.


O céu era escuro. Escuro como a noite. A noite mais enfeitada, para acabar com qualquer açoite.

Recheado de estrelas, via-se a aurora boreal. Tais quais os livraram de todo mal.

Em solo, havia grama, havia o campo. Uma planície para cessar qualquer pranto.

Azuis eram as flores que pela grama se espalhavam, por todo canto.

Banhada com uma eterna luz de um luar, era a planície daquele lugar.


“O que é esse lugar?” perguntou, Satou.


“Esse lugar é lindo.” respondeu, Keiha.

13 de Setembro de 2020 às 20:23 0 Denunciar Insira Seguir história
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