nonna.ayanny Nonna Costa

Demorei muito para te encontrar, agora quero só você. Yaoi Contém menções a drogas. Contém conteúdo para maiores de 18 anos. Fala sobre a Pandemia. Se não gosta, não leia. Evite plágio, é crime e um atestado de babaquice.


Fanfiction Anime/Mangá Para maiores de 18 apenas.

#yaoi #sasunaru #pandemia #soft #romance #naruto
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Capítulo Único

Seu sorriso era meio bobo no rosto ao ler cada uma das mensagens enviadas para si por seus amigos, mas o sentimento em seu coração ainda era de pesar.

É o seu aniversário e tem alguns anos que ele comemora sozinho. Não por falta de amigos, ele tem os seus, mas moram longe demais ou estão ocupados com suas próprias vidas afinal são todos adultos, Naruto não é de fazer drama por essas coisas menores. Depois da faculdade, quando cada um tomou o próprio rumo, os velhos hábitos morreram.

As festinhas surpresas entre as aulas foram substituídas por vídeo-chamadas.

Os presentes montados em conjunto com todos agora são montagens de fotos antigas ou mimos frios vindos pelo correio.

Os abraços e os berros de Feliz Aniversários são audios de whatsapp agora.

De fato, não restou muita coisa daqueles tempos mais agitados e coloridos, mas Naruto Uzumaki não vai se reclamar com eles por este estranho buraco em seu peito porque ele é adulto, são todos adultos.

Sakura, depois de terminar o curso de enfermagem e começar a atuar nos cuidados específicos para crianças, casou-se com Hinata e elas adotaram "uma penca de crianças", bom, Hinata tem uma gorda herança, elas têm condições de criar tantos filhos - consequentemente, mal têm tempo para elas mesmas, inclusive uma das crianças faz aniversário no mesmo dia que Naruto.

Ino terminou seu curso de Digital Influencer e começou a trabalhar com Chouji, que tem um restaurante muito famoso em Paris. Os dois fazem tanto sucesso juntos que se apaixonaram - contra todas as expectativas porque sempre pensaram que Chouji não era o tipo de Ino - e agora são casados com um bebê a caminho. Naruto nunca viu uma grávida mais linda e mais feliz do que Ino Akimichi.

Rock Lee continua em seus campeonatos de MMA, "A Besta Verde" como se intitula. Segue treinando firme para o Mundial, mesmo depois do seu professor ter sofrido um acidente e perdido o pé - Maito Gai é como um pai para Rock Lee, então não foi à toa que o rapaz sofreu muito quando soube que seu professor não poderia treinar mais. Como se a falta de um pé fosse atrapalhar Gai. A última notícia que teve fora a de que Lee se apaixonou por uma lutadora que o venceu num treino, seu nome é Tenten e ele está tentando conquistá-la - força, Rock Lee!

A profecia de Shikamaru e Temari se cumpriu mesmo que eles estivessem com raiva dela: casaram-se e tiveram um filho. Eles são felizes do jeito deles. Um jeito engraçado, mas são. Shikamaru tem o próprio negócio de segurança digital e Temari é mais caseira, embora venda leques artesanais um mais lindo que o outro pela internet. Eles são uma família bem singular: se amam e se desafiam.

Sua prima Karin, com quem tem mais conversado ultimamente, depois de enfim perceber que sua paixonite de adolescente era uma obsessão, foi se tratar. Formou-se em enfermagem junto de Sakura, mas foi trabalhar na pesquisa de fármacos. Algo assim. Anos depois, num site de relacionamento, ela encontrou um sugar daddy - de fato, um sugar daddy - e passou a se relacionar com ele em diversos aspectos. Hoje em dia, Karin e Juugo estão juntos e casados, mas filhos ainda são incertos - ela quer terminar suas pesquisas primeiro e Juugo é muito paciente com ela.

Sai viveu suas confusões ao se envolver com um homem casado, mas ele tomou jeito e aceitou o fato de que sempre amou seu amigo de infância Shin e agora eles estão juntos planejando uma família e tocando o negócio de fotografia e publicidade.

Com exceção de Sakura e Hinata, todos eles vivem seus aperreios com suas profissões, nada fora do esperado para pessoas adultas que seguem seus rumos.

Ainda mais com essa pandemia que isolou a todos mais do nunca. Cada um deu seu jeito de adaptar os negócios, as famílias, a vida para essa nova realidade e saber disso sempre deixa Naruto orgulhoso. Seus amigos são incríveis porque superaram bem as adversidades e seguiram em frente.

Adversidades… Será que Sasuke Uchiha ainda está vivo? Ele é arqueólogo. E da pior espécie, "um caçador de tumbas" ou algo assim. Está sempre embrenhado em florestas, em montanhas, cavernas, prédios antigos, bibliotecas, debaixo do chão, no meio do deserto e se sobrevive, tempos depois Sasuke Uchiha lança um livro sobre suas impressões, sobre suas descobertas. Naruto tem todos os livros dele, mas não leu nenhum.

Ele tem porque foi o jeito que encontrou de estar perto do seu… existem palavras que possam definir quem é Sasuke Uchiha na sua vida? Não, não existem. Em cada livro, vem uma carta redigida a próprio punho e única somente para Naruto.

Quanto a si, depois de terminar a faculdade de Direito, Naruto dá consultoria online. Não é dos melhores e nem ganha muito, mas é o suficiente para manter seu apartamento, suas contas e comprar comida e roupas, as vezes se dar o luxo de um divertimento. Sua vida nunca foi grande coisa, vai ver foi esta a razão para ele ter se afundado em si mesmo na adolescência.

Ele usava drogas.

Foi para dois centros de reabilitação, mas sempre fugia, querendo fechar o oco em seu peito com drogas.

Óbvio que não adiantou. Naruto precisou perder tudo, até mesmo a amizade dos seus amigos - que perdiam a fé em sua recuperação a cada ano - para sair do buraco. E perder a virgindade. Um fato curioso, mas verdadeiro: nunca esqueceu.

Sasuke o achou. Se tem algo perdido, Sasuke sempre acha: seja a ossada de algum imperador de uma civilização antiga, seja o controle remoto da televisão ou, no caso, Naruto Uzumaki. Subornou alguns mendigos, segundo seu relato, e lhe reconheceu atrás de uma aparência que causaria dor e lágrimas na mãe de Naruto, caso fosse viva. Ele lhe achou.

-Você vem comigo. - disse sem alterar a voz, mas deixando claro que não seria contrariado. Sakura sempre disse a Naruto que quando todos os recursos falharem, eles usarão Sasuke Uchiha, a arma do Apocalipse. - Larga essa merda, se levanta e vem.

Naruto obedeceu igual criança. Sasuke não teve nojo de si. Fazia meses que não tomava banho, ajeitava o cabelo ou escovava os dentes. Semanas que não comia algo decente. Anos que não dormia bem. Mas ele segurou firme em sua mão, cobriu-o com um cobertor e o levou para o carro. Foi o começo.

Com Sasuke, o tratamento era oito e oitenta: se Naruto o obedecesse, ele era mais delicado que um enfermeiro para idosos, mas se não, um carrasco de manicômio era mais gentil e nessa de doce e fel, Naruto viveu.

Teve uma recaída e comprou drogas. Tentou fumar antes que Sasuke visse, mas ele o descobriu e aconteceu a última sentença. Deu-lhe duas opções: fumar e sair daquela casa ou abraçá-lo e deixar Sasuke cuidar de si. Bom, Naruto perdeu a virgindade naquele dia.

Foi o último argumento de que precisou. Não trepou consigo por alguns minutos, não. Sasuke faz praticamente terapia de choque: Naruto precisava entender que era amado e que havia outros caminhos além da droga, então ele mostraria do único jeito que Naruto entendia. Na pele. Eles sempre foram assim: quando palavras não serviam, as peles entravam em contato, geralmente de forma violenta. Inclusive, eles usam próteses dentárias, mas não vem ao caso.

Sasuke provou por A mais B que alguém não desistiu dele, que alguém o ama tão violentamente que é capaz de ir até o inferno para salvá-lo, que Naruto é precioso demais para ser perdido tão facilmente.

Foi a melhor semana da sua vida.

Foi difícil se livrar do vício, mas Naruto trabalhou para pagar suas dívidas e se limpar. Fez faculdade. Se formou com dificuldade, mas se formou. Conseguiu a autorização para advogar e agora dá consultoria usando sua história de vida.

Quanto a Sasuke… Seu Sasuke, seu cavaleiro das trevas, seu guardião… Bom, ele voltou ao seu estado de distância costumeira quando percebeu que Naruto seguiu em frente sozinho e até conseguiu namoradas. Levou um tempo para Naruto entender que aquele homem o amava muito além do sentimento fraterno.

Quando entendeu, já era tarde.

Sasuke estava perdido no "oco do mundo", com suas incursões arqueológicas e o único contato entre eles eram os livros enviados de presente "ao seu mais nobre guerreiro, inspiração nas horas difíceis".

Ninguém sabe do que os dois viveram naquela semana, ninguém sabe o que Sasuke fez por si e Naruto não quis partilhar com ninguém porque era o seu segredo especial, sua chama que fortalece o seu ser, aquela memória continuava viva, recente.

Os dois só comemoraram aniversários juntos uma única vez. No ano em que Naruto morou em sua casa e iniciou o tratamento contra as drogas - hoje a casa foi vendida e o vício é apenas um fundamento para discursos acalorados sobre superação. Mas nem por isso, Naruto perdeu o hábito anual.

-Por favor, um bolo pequeno de morango com doce de leite. - pediu o bolo na padaria. Era a combinação favorita dos dois. Sasuke gosta de morango e Naruto de doce de leite. - E 50 salgadinhos diversos. - apontou na vitrine. - Cones de frango, pasteizinhos de queijo e… coxinhas.

-Claro. Fica pronto em uma hora.

-Eu espero.

Na distância correta ele permaneceu, afinal houve uma flexibilização da pandemia, mas ainda é pandemia. Está de máscara correta no rosto, luvas, álcool em gel no bolso e cumpre com o distanciamento. Ele ficou observando a rua e com isso foi longe.

Pensou em Sasuke.

Pensou naquela semana.

Pensou naqueles aniversários.

Pensou nas dedicatórias.

-Que saudade… - murmurou. O pedido ficou pronto e ele voltou para casa. Morava perto da padaria, então foi andando. Quando chegou, fez a higienização certa, tomou um banho e deixou as coisas na geladeira e no forno. Comemoraria mais tarde.

Enquanto lia as mensagens no celular enviadas por seus amigos, pensou mais um pouco em Sasuke. Decidiu lhe mandar outra mensagem, como fez ontem, mencionando o seu aniversário, a saudade, seus votos de que esteja com saúde e em paz e perguntando por notícias - onde está, com quem está, se volta algum dia ou uma foto de si mesmo. Não daria em nada, mas ninguém pode dizer que não tentou, portanto, não era culpa sua.

As horas se arrastaram devagar e logo era chegada a hora do seu aniversário. Apagou as luzes, acendeu as velinhas - um 3 e um 2 -, colocou o presente que comprou para si mesmo sobre a mesa de centro, veio embrulhado pelos correios, e organizou aquela superfície para parecer uma festinha. Só para não passar em branco. Mais uma vez comemorando sozinho, mas estava tudo bem porque seus amigos se lembraram pela manhã de si.

Antes de bater palmas, a campainha tocou. Será que alguém lhe mandou um presente? Naruto foi abrir a porta e quase não acreditou no que estava diante dos seus olhos.

Um ramalhete de rosas vermelhas.

Aos pés dele, uma caixa grande de presente.

E atrás dele estava Sasuke Uchiha.

-Estou atrasado para a festa?

-Chegou na hora. - disse emocionado. Fez a higienização correta nele. Os dois tiraram as máscaras e por fim se cumprimentaram. Havia um certo cuidado ou constrangimento, mas não era em vista da doença, estavam longe disso. Era outra coisa.

Rosas e presentes. Tão Sasuke Uchiha.

Em todos os seus aniversários, ele lhe manda uma rosa vermelha ou lhe dá - na época em que conviviam, depois daquele ano em que morou com ele - e Naruto se sente amado.

-Obrigado. - colocou o ramalhete num vaso e colocou perto do bolo.

A caixa era tão grande que os dois precisaram carregar juntos. Quando Naruto abriu, se espantou ao ver a quantidade de embrulhos lá dentro. Os dois se olharam quando tudo foi higienizado e espalhado sobre a cama. O apartamento mais parece um quarto de hotel, então tem pouco espaço, poucos móveis, mas o suficiente para Naruto.

-Eu passei na casa de todo mundo e todo mundo te mandou alguma coisa. E uma carta. - explicou aquela quantidade. O loiro apertou os lábios para não chorar e começou a organizar tudo ao redor da mesa.

Acendeu as velas de novo e os dois se sentaram perto para começar a cantar. Podia se sentir mais feliz do que agora? Não podia. Ele abriu os presentes, adorando cada um e as cartinhas enviadas por seus "sobrinhos". Era o melhor dia daquele ano horrível.

Enquanto comiam do bolo e dos salgadinhos, Naruto enchia Sasuke de perguntas sobre suas viagens. E outro tinha uma satisfação particular em responder. Geralmente, para onde ia, não tinha sinal convencional de celular, então poucas vezes dispunha de chance de conversar.

-E aí? Casou? Namorando? Tico-tico-no-fubá? - indagou o moreno ao se inclinar sobre a cama e usá-la como apoio para as costas. Depois de quase uma hora de interrogatório e presentes sendo abertos, Naruto lhe deixou comer do bolo.

-Sozinho como sempre. Tem um gato que me visita de vez em quando, mas eu acho que ele tem dono. E só. - deu de ombros. - E você? Se arranjou com alguém?

-Eu não. - aquele era o melhor bolo do mundo. - Não dá para ter ninguém fixo na minha profissão. - observou o loiro engatinhar até a televisão e colocar um filme para os dois assistirem. Ele estava mais encorpado.

No começo, ele viajava para se afastar de Naruto. Depois de tudo o que fez, depois de tudo o que os dois viveram, como ele era incapaz de enxergar o quanto o ama? Aquilo o irritou - principalmente com a presença de namoradas. Era melhor se afastar do que descontar nele um problema só seu.

Quando deu-se por conta, apaixonou-se pela aventura e pela profissão. Sasuke passou a vida inteira tentando ocupar o espaço do seu coração que pertence a Naruto com outras coisas, mas de nada adiantou. Era o seu primeiro e grande amor, começado na infância, meio platonicamente.

Sasuke era uma criança de saúde frágil quando pequeno e assistia a vida pela janela do seu quarto. Foi quando viu Naruto pela primeira vez, passando de bicicleta. Lindo. Olhos azuis, fios loiros, sorriso de ouro. Foi o primeiro tesouro que achou e por ele, Sasuke se esforçou para ser mais forte para brincar.

Levou um tempo até que pudesse. Naruto tinha muitos amigos de rua e mal notou aquele moleque franzino de cabelos pretos, mas quando foi notado, Sasuke fez o que pôde para não ser esquecido. E de todas aquelas amizades de rua, a única que permaneceu até a adolescência foi Sasuke Uchiha. Eles eram amigos e confidentes.

Naruto lhe confiava tudo e tudo a ele Sasuke confiava.

Na adolescência, descobriu suas grandes paixões: História, Geografia e Naruto. Mas ele não percebia mais além daquele sentimento cálido de amizade. Estava bem assim para Sasuke, pois era melhor que nada.

O término do namoro de dois anos com uma garota fez Naruto entrar para o mundo das drogas e sua vida deslanchou de tal forma que poucos puderam suportar. Mal completou o ensino médio e quando o fez, virou um fugitivo constante de casa para usar drogas. Um viciado. Os pais dele faleceram de forma trágica e esta foi a âncora que puxou Naruto para as profundezas do abismo, de onde seus amigos juraram que ele só sairia morto.

Só por cima do cadáver de Sasuke que aquilo aconteceria.

Na força e na raça, arrancou Naruto daquele poço de desespero e de morte, trouxe- para dentro de sua casa - mesmo que outros lhe alertassem sobre roubos para conseguir drogas -, parou completamente sua vida de pesquisa e quase reprovou no Mestrado para cuidar exclusivamente do seu tesouro precioso.

No entanto, os sofrimentos eram densos, Naruto beirou a loucura. Queria se matar a ter que conviver com as dores e as perdas e num acesso de fúria, brigou com Sasuke como antes - quando moleques - ao ponto de um tirar sangue do outro. Mas ele não deixou que fugisse.

Agarrou-o e ficou com ele, por dois dias, ouvindo-o chorar e dizer que não merecia viver, que sua vida não tinha sentido, que ele não tinha objetivos para o futuro.

Foi quando fez aquilo que o fez acreditar que sua grande chance apareceu: beijou e fez amor com Naruto. Mostrou que ele seria forte pelos dois, que o ajudaria até o fim, que continuaria ao lado dele. Depois de um ano, ele se fortaleceu: foi para uma clínica, se tratou e começou uma faculdade.

Sasuke sentia que agora tudo ficaria bem. E ficou. Só para Naruto. Ele tornou a viver como antes das drogas, estava feliz, estava mais agradecido, seus amigos voltaram e ele tinha seus romances. E Sasuke foi embora para outro país, outra dimensão.

Era doloroso demais ver o amor da sua vida cego aos seus sentimentos nos braços de outra pessoa e para não magoá-lo, embarcou de cabeça nos estudos, nas pesquisas, nas viagens, nas aventuras, desaparecendo do radar.

Ele nunca superaria Naruto, era certo em seu coração, mas era melhor apegar-se àquelas memórias de quando era amado de volta e usar um placebo para abrandar a dor.

Só que os ventos sopraram em outra direção na semana anterior. Sasuke foi assolado por dezenas de emails dos amigos de Naruto lembrando do aniversário - essa data nunca foi esquecida - e pedidos de "Mande um oi. Nessa pandemia, tudo fica mais difícil". Eles ainda duvidam da força de vontade de Naruto. Dessa vez estava em casa, trabalhando em seu novo livro, porque a pandemia colocou todos os projetos em espera.

Naruto estava sozinho em sua casa e nenhum dos amigos iria visitá-lo mesmo sendo possível - ele próprio contou por mensagens que não responde para não sofrer.

Talvez fosse sua chance de novo.

Ninguém sabia do que eles viveram.

Talvez pudesse tocá-lo de novo e lembrá-lo de alguém o ama.

Agora que o vê, depois de tantos anos, tem certeza de que Naruto está perfeitamente bem e saudável. Encorpado, bem vestido, sem nenhum sinal de que a droga uma vez andou por seu corpo, ele parece tão vivo quanto nunca. Embora note uma sombra de tristeza em seus olhos azuis tão lindos e vívidos, talvez tenha chegado em boa hora.

-Está tudo bem, Naruto?

-Sim. Faz uns três anos que não tenho recaídas e eu me testei, confesso. Não sinto falta da droga sob nenhuma circunstância que eu pense. - suspirou ao sentar-se ao lado dele de novo e comer do bolo. - Sinto-me bem.

-Tem ido à terapia ainda?

-Sim. Uma vez a cada 15 dias, mas online por causa da pandemia. - Sasuke balançou a cabeça concordando. Tão lindo.

Os dois terminaram de comer.

Era hora de dizer adeus? Não, não queria, Naruto queria passar mais tempo com Sasuke. Colocou a cabeça para funcionar.

-Obrigado por trazer os presentes de todo mundo.

-De… Ah! - ele foi até a mochila que trouxe, abriu-a e tirou uma caixa pequena dali. - Quase esqueci o meu. - Naruto corou ao pegar. - Espero que goste. Bom, eu já vou.

Naruto observou o embrulho e o homem o esperando na porta. Colocou o presente junto dos outros, em cima do móvel da televisão, e foi até ele. Dane-se. Dane-se. Dane-se! Abraçou-o e o beijou sem pensar em mais nada que não fosse naquela saudade e naquela paixão explodindo dentro de si por ele.

Não havia hesitação naquela boca. Os dois se abraçaram e foram para a cama, logo ali. Só apartaram os lábios pelos segundos que Sasuke precisou para trazer Naruto para o seu colo quando se ajoelhou sobre a cama. Conforme iam se despindo, eles se beijavam com mais calma, um ajudando o outro a estar livre dos obstáculos que os impedem de se sentir melhor, pele na pele. Uma vez nus, continuaram abraçados, beijando-se, trocando carinhos mútuos e apaixonados.

Quase não quebrando o contato visual, Sasuke deitou o homem sobre a cama e arfou forte ao se deleitar com a visão daquela bunda exposta para si. Quantas noites ele sonhou com aquele momento? Incontáveis. Sem demorar mais, curvou-se para beijá-lo com demora, quase devoção, acariciando todo o corpo masculino se arrepiando sob seus dedos.

Tão doce, tão quente, sentiu tanta falta daquele corpo, daquela voz sussurrando seu nome, por isso esticou sua mão para ele entrelaçando-a com a sua e enfiou a língua mais fundo, ainda ciente do corpo na sua frente, de onde sabia que causava prazer.

Não demorou para que estivesse confortável em sua língua e depois em seus dedos. Naruto sentou-se um pouco ofegante e observou a intimidade de Sasuke. Tomou-a em suas mãos ao se aproximar bem, entrelaçando suas pernas com as dele, e uniu-a com a sua numa carícia conjunta num ritmo brando, mas pressão deliciosa. Sasuke beijou-o com ardor, fazendo Naruto gemer baixinho enquanto igualmente recebia carinhos pelo corpo.

Deitaram-se na cama depois de alguns segundos naquele ritmo, os corpos se aquecendo e as bocas ansiosas por mais. Naruto sorriu ao afagar o rosto acima do seu. Sasuke saiu de cima para ir até a sua mochila buscar por preservativo, o que causou certa curiosidade no parceiro esperando na cama.

-Você é sempre prevenido. Ou veio na intenção? - comentou ao vê-lo subir na cama e rasgar o pacotinho. Sasuke enrubesceu de leve, mais do que já estava.

-Eu tinha alguma esperança. Sempre tive. Sempre tenho. - admitiu ao se sentar ao lado dele com os braços sobre os joelhos flexionados. Naruto chegou-se mais perto e deu um jeito de passar por baixo de um dos braços, causando risos ao derrubar o outro sobre os travesseiros. - Eu te amo mais do que posso suportar, Naruto. Então… Eu tenho sempre a esperança de que me dará uma oportunidade, a menor que seja.

O loiro arregalou os olhos e esmoreceu sobre o peito alheio, resmungando palavras abafadas e desconexas.

-Que foi?

-Eu que estou querendo uma chance contigo! - devolveu. Foi a vez de Sasuke em ficar muito surpreso. - Fico rezando para que responda as minhas mensagens. Eu que te amo mais do que posso suportar. - sentou de lado sobre o colo alheio para beijá-lo com ardor.

-Num brinca comigo, Naruto.

-Acha que eu estaria assim se não te quisesse muito? - apontou para o meio de suas pernas ao afastá-las e mordeu o lábio quando o arqueólogo pegou-a entre os dedos e fez uma sedutora massagem ali. - Eu demorei para perceber o quanto eu te amo, mas eu estou certo de que é verdade.

Sasuke nem soube o que dizer, apenas o beijou e manteve o ritmo em sua mão por alguns segundos para descer devagar os seus dedos para baixo, tocando-o onde sabe que Naruto aprecia e espera ser tocado.

Naruto também o afagou por cima da camisinha, olhando intensamente nos olhos para que entendesse de uma vez o quanto o ama. Os dois se beijaram e decidiram que não demorariam mais. Por si mesmo, montando-o, encaixou a ponta pulsante em si e desceu devagar, abraçado ao corpo forte na sua frente - de anos se aventurando em toda sorte de coisa.

O Uchiha beijou e lambeu os mamilos entumescidos para deixá-lo mais confortável antes de dedicar-se ao pescoço conforme Naruto balançava sobre seu colo, mexendo os quadris no ritmo que achasse melhor.

Era delicioso e quente. O ritmo ditado pelo gingado necessitado fazia os corpos suarem, as respirações sincronizarem e os homens ansiarem por mais. Era a realização de um sonho, a consumação de um desejo guardado nos corações pacientes, aquilo que as palavras não puderam traduzir. Acontecia, real.

-Eu quase esqueci o quanto é gostoso estar assim contigo. - Sasuke murmurou rouco entre arfares e gemidos, segurando firme os quadris largos para acompanhar o ritmo dele. Naruto começou a desacelerar, mas seus olhos ainda imploram por mais.

-Tão quente… - ofegou. - Desculpa… -riu ao pentear os cabelos com charme. - Não estou com tanto fôlego quanto eu queria.

-Ora, não seja por isso. Deita. - pediu ao bater uma mão ao seu lado.

Naruto foi para lá, de lado, e mordeu o lábio quando viu as pernas pálidas se enroscarem nas suas ao passo que sentia a penetração de novo, devagar e fundo em si, fazendo-o revirar os olhos e se arquear.

Sasuke o abraçou com intimidade, massageando o peito com uma mão e mantendo o corpo junto ao seu com a outra, enquanto se deleitava com a expressão quase chorosa de puro prazer. Naruto fechou os olhos quando a cadência começou. Haveria momento mais sensual que aquele? A forma como os dedos deslizam por sua pele a aquecendo, a forma como os olhos negros acompanham suas reações, a forma como a boca busca a sua, tudo era afrodisíaco para Naruto.

Apoiou uma mão no rosto masculino acima do seu ao entrelaçar a outra na dele e acabou se contraindo com os golpes mais fundos dentro de si e gemeu um pouco mais.

-Eu te amo… - sussurrou contra a boca de Sasuke quando ele encostou a testa na sua. - Você é tudo para mim, Sasuke.

-Você é perfeito, Naruto, eu te amo tanto. Eu te quero tanto. - devolveu apertando-o num abraço mais íntimo. Os dois se beijaram quando as estocadas ficaram mais intensas. - Me deixa ser teu, Naruto, me deixa ter para onde voltar, eu te amo!

-Minha casa é sua! Eu sou teu! - beijou-o com urgência, rebolando com mais força contra ele, querendo-o mais do que podia. A mão dele veio para sua intimidade e aliviou o quase desespero que tomou Naruto. - Sasuke… Você…! Quente! Mais, por favor, mais! - foi beijado com fome.

A cama rangia e balançava com os movimentos dos dois, suando sobre os lençóis, apertando os lençóis, os corpos eram um só, tal como as mentes e os corações. Eles só conseguiam se beijar de tão tomados pelo ardor do momento, encolhendo-se naquele abraço íntimo, os toques acertando em pontos cada vez mais erógenos, mais sensíveis. Não tardou para que alcançassem o clímax, o ápice daquela noite e fossem incapazes de traduzir o que sentiam além do olhar trocado.

Sasuke observou suja da essência do seu amor e sorriu de lado, tentando controlar sua respiração, mas era difícil. Naruto atiça dentro de si uma fome insaciável reprimida por anos de dúvida e de espera. Eles se acomodaram melhor na cama, um sobre o outro, transmitindo carinho e paixão.

-Feliz aniversário, Naruto. - o loiro corou e se aferrou ao homem sobre si, sem controlar suas lágrimas.

Ele soltou-se de Sasuke e mesmo com as pernas bambas, foi até o resto do bolo, reacendeu as velas e fez o seu pedido. O arqueólogo achou aquela atitude fofa, então buscou uma coberta e lançou sobre os ombros alheios depois de vestir uma cueca e de se sentar atrás de Naruto. Este sorriu em agradecimento a apagou a velinha com muito orgulho de si mesmo.

-O que você pediu?

-Que todos os anos você venha pessoalmente me desejar Feliz Aniversário. - Sasuke está argumentos, é oficial. Só lhe resta cumprir religiosamente com aquela missão. - E que você seja meu namorado. - murmurou.

-Devia ter pedido a mim e não à vela.

-Bom… eu pedindo à vela, as chances são maiores de realizar. - e de alguma forma faz sentido. Sasuke o abraçou com mais intimidade, aconchegando-se para apreciar o cheiro pós-sexo e o calor alheio. - Quer namorar comigo? - pediu oferecendo bolo.

Sasuke pegou uma fita de um dos embrulhos, deixada ali no chão, envolveu sua cabeça e fez um laço no topo, prendendo boa parte da cabeleira negra.

Naruto desatou a rir ao entender que ele, seu namorado agora, era o seu presente. Encheu-lhe de beijos enquanto soltava o laço e se aninhou para comer do bolo junto dele. Ao fim, foram tomar banho e trocaram mais carícias íntimas sob a água morna.

-Posso ficar aqui na quarentena? - Sasuke indagou. Estavam deitados na cama, sob as cobertas, abraçados e vendo um filme na televisão. Naruto o observou. - Eu vou só buscar umas coisas em casa amanhã.

-Claro. Eu vou adorar te ter por perto. - admitiu sem parar de trançar o cabelo. A cabeça dele estava sobre seu peito. - Você vem amanhã ainda?

-Venho. Arruma um cantinho para mim. - pediu antes de bocejar.

-Pode deixar.

Naruto despertou no susto no dia seguinte, meio sem saber onde estava. Preocupou-se de que tudo fora um sonho, mas ao se ver nu e sentir os braços fortes do Uchiha ao redor de sua cintura, tranquilizou-se. Principalmente depois de ser puxado de volta às cobertas e suspirar apaixonado. Sasuke resmungou algo incompreensível e só parou quando afundou o nariz no pescoço do outro.

Eles fizeram amor depois do filme e adormeceram assim, abraçados. Minutos depois do café da manhã, Sasuke foi buscar o que precisaria para estar de quarentena com Naruto enquanto este limpava seu apartamento e arrumava um cantinho para Sasuke. Lembrou-se do presente que ganhou dele, nesse meio tempo e foi buscá-lo.

Com tudo limpo e organizado, Naruto pôde relaxar para saber o que ganhou, além de um namorado, do arqueólogo. Era um portarretrato com a foto dois dentro de uma moldura linda com as palavras "Só Você". Ele praticamente se derreteu ao avaliar a foto, os dois juntos na cerimônia de premiação de Naruto por passar um ano sem usar drogas e sem recaídas. O arqueólogo fora o único a ir lhe felicitar de tamanha conquista. Tão sorridentes, pensou enquanto afagava os detalhes fofos, eram uma dupla e tanto. Era o presente perfeito para iniciar uma nova vida.

23 de Agosto de 2020 às 16:47 0 Denunciar Insira Seguir história
6
Fim

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