hordahor Paloma Nunes

Este é um mundo cruel. Quem possui força absoluta é considerado superior àqueles desprovidos dela. A razão é esquecida e não pode suprir o poder dos cultivadores; e maior parte das pessoas age como animais selvagens, esperando o momento certo para ter sua presa. Cansados dessa sociedade, dois jovens, um dotado de talento e outro indicado como um inútil, lutam para sobreviver no meio da brutalidade do mundo. Ambos se encontram em sua pior fase e apoiam um no outro para conquistar o tão sonhado livre arbítrio. E assim, enquanto os desejos concretizam-se lentamente, um sentimento nasce entre eles. “Vão ao topo do mundo, minhas crianças!”


Fantasia Medieval Impróprio para crianças menores de 13 anos.

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Wang Ming

Este é um mundo cruel. Quem possui força absoluta é considerado superior àqueles desprovidos dela. A razão é esquecida e não pode suprir o poder dos cultivadores. A maior parte das pessoas age como animais selvagens. Os classificados como fracos e inúteis, em sua maior parte, é expulso de suas famílias e de seus respectivos clãs.

Sobreviver neste mundo sendo julgado como incapaz é torturante, assim como ser considerado um talento nato na arte da cultivação. São dois polos opostos na hierarquia, a frustração é eminente neles e assim muitos acabam se isolando. A expectativa em sempre ter o topo em seus pés, a desolação por possuir o necessário e ser incapaz de dar uma opinião.

Wang Ming, por sua vez, desistiu de esperar para que o mundo mudasse. Inexistia razões para continuar até a viver. Desejos, amor, vingança, nem a loucura tinha mais. Estava vivendo como uma casca vazia nos arredores da Cidade Imperial.

Depois de ter passado quatro anos vivendo como um escravo nas minas de jade, conseguiu escapar. Mas, por quê? Por que tinha saído de lá, como se ao menos possuísse alguma serventia a alguém, em algum lugar?

Não havia nada realmente que o impedisse de abraçar a morte. A satisfação de olhar para o céu, perdeu-se ao ver a miséria em que se tornou. E o espelho de sua consciência sempre o agredia, instigando-o acabar com tudo de vez..., entretanto, toda vez que a lâmina alcançava o ponto fatal não conseguia findar suas ações.

Sempre se perguntava se era o instinto de sobrevivência, nunca soube dizer também. E mais uma vez, a única lâmina que carregava consigo estava próxima ao pescoço.

Wang Ming dizia para si mesmo:

“Você consegue, você consegue. Só mais um pouquinho. ”

Nunca a faca ia. Era tão inútil que também não conseguia tirar sua própria vida. Continuar a insistir para quê? Servir de útil a quem? A inteligência que todos invejavam, qual era seu propósito afinal?

Wang Ming riu alto. As pessoas andando próximo a ele, olharam-no com olhar penoso. Achavam que o pobre jovem sucumbia à loucura. De fato, ele mesmo desconhecia isto. Outros riam e afastavam-se com medo do que poderia fazer. Os olhares direcionados a ele sequer mais faziam efeito.

A visão das pessoas ao redor estava disforme e sem foco. Sequer conseguia notar um grupo de cultivadores mal-intencionados aproximando-se. Estavam em torno de seis, provavelmente tinham a mesma idade que Wang Ming e tinham alturas semelhantes.

“Jovem mestre Fan, esse era o lixo ao qual mencionou?” Um dos jovens cultivadores lembrou-se da conversa que tiveram no dia anterior. “Realmente… foi como disse! Que patético, sequer possui meridianos!”

Todos os seis riram. O líder dentre eles, Fan Guan, aproximou-se de Wang Ming e o agarrou pelos cabelos. Ficou encarando a figura patética e sem forças, sentada a sua frente, com uma expressão de nojo em seu rosto.

“Se não fosse um aleijado, provavelmente seria cobiçado pelas garotas. Ele tem traços bonitos, não acham?” O elogio veio mascarado de zombaria, Ming os achava repugnantes. “Será que o velho Fang vai gostar dele?”

“Não tenho dúvidas, jovem mestre. Por que não o levamos até ele?” O garoto sugeriu. “Mas, acho que até aquele velho nojento não iria querer um aleijado.”

Mais uma vez riram como se fosse uma piada engraçada. Wang Ming decidiu não refutar, nada podia ser pior que ser escravo dos Tang, nas minas de jade. Se deixou levar pelas mãos insolentes dos cultivadores.

Os aldeões ali por perto, assim como militares trataram a cena indiferente. Infelizmente, não era atípico aqueles cultivadores levarem pessoas ao velho Fang.

“Primo Guan, ele não fala? Será que além de inútil, ainda é mudo?” Fan Mo, primo de Fan Guan pronunciou-se

“Ele só não quer falar, outro dia estava alucinando em frente à mansão dos Zhen.” Os garotos chegaram em frente à uma casa velha, mais parecida com um lugar assombrado. Quase ninguém ousava aproximar-se daquele lugar. Muitos falavam que o espírito de um ancestral dos Fang cuidava do lugar e expulsava quem tentava pisar em suas terras. Os garotos só viram os olhos brilhantes que se esgueiravam atrás da porta todas as vezes que deixavam pessoas como Wang Ming por ali. “O que será que ganharemos desta vez?” E em troca, o "espírito" dava ervas e materiais de alto rank, preciosos para cultivação.

“Ainda tenho ervas da última vez.” Fan Guan, se vangloriava da economia dessas ervas, logo que sua família tinha um bom status no estado Weixiao.

“Haha, como é bom ser rico.” Um dos jovens, chamado de Huo Ming, disse baixinho para si mesmo. "Jovem mestre, eu preciso ir embora. Tenho toque de recolher hoje.”

“Ah… Não tem problema… quem sabe da próxima vez, não seja você o escolhido para o ancestral Fang!”

As vozes ficavam cada vez mais distantes e sem nexo. Wang Ming aguardava por tal momento glorioso de liberdade. Deixou seu corpo cair depressa e aceitou uma expressão de alegria em seu rosto.

“Ele enlouqueceu.” Fan Guan deu um tapa no rosto do jovem Wang, foi o estopim para que finalmente pudesse encontrar a escuridão diante de seus olhos.

Ao acordar novamente Wang Ming esperou enfim estar morto, no entanto, para seu desgosto, ainda sentia a dor da fome e a dor física que latejava atrás do corpo. Suas roupas estavam banhadas em sangue. Isso provava sua vida. tEle chorou ao tentar levantar-se com a dor excruciante no seu corpo. Tudo parecia enrijecido, os joelhos dobraram-se e ele caiu no chão, com as mãos tentando segurar-se para não se machucar mais.

“Oh, deuses… permitam-me…” Wang Ming ergueu sua cabeça. Ainda com a visão nublada, não pôde distinguir quem poderia ser. Apenas alguém montado em um cavalo…

15 de Setembro de 2020 às 20:38 0 Denunciar Insira Seguir história
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