esternw Ester Cabral

Elise Davies é a típica dama da burguesia vitoriana: educada, pacífica, recatada, elegante, bem nascida e prendada. Para qualquer um, a jovem Davies é uma perfeita opção para um bom casamento. Ao menos à primeira vista. Em verdade, Elise não poderia se sentir em maior desarmonia das notas que ditam as convenções sociais, as quais é obrigada a passar pela boa imagem da própria família, aprisionada a interações mecânicas e vazias. Presa no tédio de mais um evento social, a dama depara-se com William Edwards, um ator de brilho irônico no olhar e único que parece achar graça de uma sociedade tão maçante. Nos passos tão marcados do bailar da sociedade, Elise encontra alguém disposto a tirá-la para dançar a música que seu coração deseja seguir.


De Época Impróprio para crianças menores de 13 anos.

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Passos mecânicos

Ao som agudo e penetrante dos violinos, acompanhados pela melodia graciosa dos instrumentos de sopro, a pista de dança do suntuoso salão dos Jones era tomada por uma mistura de cores, desde o branco das jovens inocentes em seus primeiros bailes em sociedade, passando pelo carmim das mais experientes senhoras, findando no preto do traje dos cavalheiros de braços dados com suas respectivas parceiras de dança. Para os olhares dos presentes no segundo andar, as cores pareciam misturar-se vagarosas, conforme os casais seguiam a roda da mazurca em um sentido anti-horário.

O primeiro andar do salão era tomado pelos convidados, cada um mais aprumado do que o outro em seus trajes de festa, tendo como intenção causar uma boa impressão, imersos em conversas baixas, embaladas pela canção do pequeno conjunto de músicos que regia a animação daquele evento que reunia parte da burguesia londrina.

Os lustres de cristal iluminavam o salão dourado com um brilho artificial, tingindo com cores claras os tecidos de vestes tão ricas. Para os mais próximos às enormes portas de vidro à direita, a luz lunar penetrava e dava um tom leve de naturalidade.

Elise Davies, iluminada pela luz artificial de um dos lustres cristalinos, observava em um silêncio contemplativo o desenrolar do baile. Ao seu lado, sua mãe e acompanhante no evento, Gillian Davies, esposa do tão famoso doutor Davies, tagarelava sobre as novas damas apresentadas à sociedade na semana anterior. Apesar de seus lábios não cessarem de falar em nenhuma das ocasiões, seus olhos de águia escrutinavam o salão, analisando e ponderando qual das jovens damas presentes encaixaria-se no perfil de pretendente para seu primogênito, Daniel Davies. O jovem rapaz, único irmão de Elise, estava fora havia meses em uma das melhores universidades de medicina do país, tendo como objetivo seguir os passos do pai como médico. Enquanto o herdeiro dos Davies encontrava-se longe, Gillian preocupava-se em arranjar-lhe logo uma noiva para quando seu amado filho retornasse para casa.

Com Elise a matriarca dos Davies não se preocupava tanto, afinal, caso tudo ocorresse bem, sua querida menina estaria casada no próximo verão com o filho mais velho dos Jones, Charles, para agrado das duas famílias que davam-se tão bem em uma amizade de décadas.

Quase completamente alheia à conversa da mãe, os olhos castanhos de Elise miravam o findar da mazurca executada no centro do salão dourado. Ela aplaudiu graciosamente, tendo suas palmas abafadas por suas luvas brancas, enquanto os casais se dispersavam da pista de dança, com os cavalheiros conduzindo suas damas de braços dados para seus devidos lugares, como exigia o decoro.

Logo, Elise visualizou sua melhor amiga, Caroline Jones — uma das filhas dos anfitriões — vir com o rosto corado em sua direção, junto de um rapaz baixinho que ela não deveria ter visto mais do que algumas vezes. O casal despediu-se com uma reverência e Caroline sentou-se novamente ao lado da amiga, ajeitando o tecido verde-ervilha de seu caro vestido de baile.

— Sinto ter feito uma má escolha ao optar por esses novos sapatos de baile — a loira lamentou com um suspiro, sentindo seus dedos do pé serem pressionados dentro do calçado.

— Eu adverti-lhe que esses sapatos com bico tão arredondado seriam uma péssima escolha para a noite — a fala de Elise teve apenas um revirar de olhos da amiga como réplica. Teimosa como sempre, Caroline dificilmente ouvia os conselhos de outrem, crente de que sempre sabia o que era melhor.

— Acredito que algumas bolhas a mais ou a menos nos meus pés valham a pena nessa noite, não? — As duas jovens deram uma risada baixa após a afirmação da loira. Com a pista vazia, os músicos executavam uma das peças de Vivaldi enquanto aguardavam os dançarinos daquela noite descansarem para a próxima dança a ser executada na pista. — E você? Alguém cavalheiro colocou o nome no seu cartão de baile? — Caroline questionou, referindo-se ao pequeno cartão que as jovens da festa traziam atado em um dos pulsos.

— Até este presente o momento, apenas seu irmão, Charles, convidou-me para o próximo minueto — Elise respondeu.

— Bem, creio ser hora de preparar os seus pés, pois meu irmão está se encaminhando em nossa direção — Caroline aconselhou, vendo de longe os cabelos loiros do irmão mais velho cobertos de brilhantina e a casaca vermelha do exército, contrastando com as vestes negras de boa parte dos homens ao redor. A jovem Jones deu um sorriso para sua melhor amiga, que apenas balançou a cabeça.

Apesar de não manifestar publicamente, Elise sentia-se incomodada com todos a tentarem empurrá-la para os braços do filho mais velho da família Jones. A jovem morena via o militar apenas como um amigo, o mesmo que entretinha a ela e Caroline quando todos eram crianças.

— Srta. Elise— Charles Jones cumprimentou-a com uma mesura ao aproximar-se da mesa das mulheres. Elise levantou-se e colocou sua mão enluvada sobre a mão coberta por uma luva branca que o militar estendia-lhe.

O casal caminhou até o centro do salão e Elise ousou olhar para trás uma vez, visualizando um sorriso encorajador de sua amiga e um comedido vindo de sua mãe. A morena voltou o rosto para frente, esboçando um sorriso amarelo na face de traços firmes e delicados.

Ambos Jones e Davies permaneceram em silêncio enquanto colocavam-se frente a frente, mantendo alguns pés de distância. Os outros casais de dançarinos logo posicionaram-se da mesma forma, compondo uma fileira apenas de damas e outra de cavalheiros.

As notas vindas do violino marcaram o início da dança no centro do salão e o primeiro dos casais seguiu os passos marcados, cada um rodopiando com passadas pequenas ao redor da pessoa ao lado. O restante dos dançarinos acompanhava a coreografia, seguindo a ordem com as pessoas pares paradas em seus devidos lugares e as pessoas ímpares rodopiando ao redor delas e se encaminhando para o centro do salão, onde seguravam a mão de seu respectivo par, caminhando juntos para o próximo lugar vago, onde os movimentos repetiam-se.

Elise e Charles faziam parte dos casais que permaneciam parados, observando o rodopiar gracioso dos outros e esperando a vez de mostrar suas habilidades com o minueto. Os casais a se moverem trocavam de lugar entre si, parando na diagonal de onde estavam previamente. Em poucos passos era o momento da roda, com cada dois pares de casais dando as mãos aos outros e executando um rodar leve e elegante.

Apesar de apreciadora de danças, Elise entediava-se com passos tão marcados e mecânicos, vendo tudo aquilo com monotonia. Ao contrário dela, Charles sorria-lhe do outro lado da roda, adorando ser uma pequena parte de algo tão belo visto de fora.

A roda desfez-se e cada um segurou a mão de seu par para então formar as duas fileiras de anteriormente.

Seguindo a mesma mecânica, foi a vez de Elise rodopiar em volta de sua vizinha, para então segurar a mão de Charles ao centro e ambos darem pequenos passos até ocuparem o próximo espaço vazio nas fileiras formadas no salão. Não ficaram parados no mesmo lugar por mais do que alguns segundos, sendo hora de rodarem até o centro e trocarem de lugar com o vizinho da diagonal.

Antes de parar em seu lugar, Elise encontrou-se frente a frente com um par de olhos escuros que a encaravam com diversão. A jovem não teve tempo de observar o sorriso nos lábios do rapaz que parecia achar graça de toda aquela dança tão pontuada, pois logo ocupou o espaço ao lado de Charles, dando as mãos para o rapaz e rodando lentamente junto do outro casal que repetia o gesto de mãos dadas com os dois.

Nesse curto espaço de tempo, ela reparou novamente no rapaz de olhos castanhos com um brilho irônico, pois o desconhecido estava à sua frente naquela roda. O moreno ainda mantinha a mesma expressão enquanto encarava Davies, sem ser incisivo demais, contudo, era um pouco além do que o decoro permitia.

Um sorriso formou-se nos lábios de Elise, achando graça de como alguém poderia encontrar certa diversão em algo tão maçante.

Os olhos desencontraram-se quando a roda se desfez e cada um segurou a mão de seu devido par, parando em seu lugar. Entretanto, a inércia não lhes foi permitida, pois logo foram ao centro com o par que encontrava-se à diagonal.

Elise sentiu a mão esquerda do cavalheiro de olhos castanhos sobre a sua. Mesmo sob as luvas elas eram quentes. Bem como a mão direita do jovem rapaz que foi posta em suas costas, seguindo os passos tão comedidos do minueto. Os olhos castanhos de ambos encontraram-se mais uma vez e Elise permitiu que a diversão ali contida alcançasse seus próprios olhos e lábios, que se curvaram para cima em um sorriso pequeno, assim como ela.

Sua atenção foi tomada pelas mãos mornas de Charles que segurou-lhe a mão livre com sua canhota e passou a destra por suas costas, imitando os gestos do cavalheiro à direita de Elise. Ambos os olhares dos rapazes encontraram-se e eles deram um aceno de cabeça, fazendo com que Elise concluísse que os dois eram conhecidos.

O trio seguiu a fila, que imitava os gestos dos três conforme a dança, e todos os dançarinos seguiram pelo espaço da pista de dança com passos leves e minuciosos, precisos. Quando todos haviam percorrido a extensão reservada a eles, os trios desfizeram-se, retornando para a mesma fila que tomou o salão no início daquela dança.

Com uma mesura dos dançarinos e uma última nota dos violinos, os casais cumprimentaram seus respectivos pares à sua frente, marcando o fim do minueto.

Charles tomou Elise pelo braço e ambos desvencilharam-se dos outros dançarinos, deslizando para a mesa onde Caroline esperava-os sorridente e Sra. Davies ainda tagarelava com sua vizinha, contudo, sempre atenta aos movimentos da filha.

— Vocês formam um par tão belo! — Caroline exclamou com as mãos unidas em frente ao rosto.

Charles sorriu agraciado com o elogio da irmã e Elise forçou-se a sorrir, soando educada.

— Gostaria de uma bebida, Srta. Elise? Caroline? — o militar ofereceu solícito para as duas, recebendo uma afirmativa de ambas. Após uma breve reverência, misturou-se com os demais presentes no baile, buscando algum empregado com suas bandejas.

— Os olhos dele brilham apenas ao olhar para você — Caroline cochichou para a amiga, que encarou-a como se a afirmação da outra fosse completamente estapafúrdia.

— Minha cara Caroline, acredito que seus olhos estejam enxergando verdades inexistentes.

— Conheço muito bem meus irmãos, querida Elise. — Tendo apenas o silêncio e um crispar de lábios como resposta, Caroline permitiu-se dar um sorriso vitorioso, que permaneceu enquanto admirava o baile organizado pela própria família transcorrer com sucesso. — Os Wellington estão entrando em crise, mamãe comentou. Hoje vejo que ela estava certa. É a terceira vez que Rebeca faz uso do mesmo vestido de baile — ela fofocou para Elise, que optou por apenas ouvir as opiniões da amiga acerca dos presentes conhecidos.

— Seu irmão deveria ter retornado com as bebidas — Elise afirmou, referindo-se à demora de Charles e ocultando o aborrecimento de ouvir sobre os mesmos assuntos.

— Clint! — Caroline exclamou em um sussurro engasgado.

Elise seguiu o olhar da amiga e suas mãos tamparam-lhe os lábios ao visualizar a figura de Clinton Jones, gêmeo de Caroline, ser sutilmente arrastado pelo irmão mais velho. O mesmo rapaz de olhos irônicos durante o minueto escoltava os dois irmãos, mantendo as mãos atrás das costas e um sorriso contido no canto dos lábios. Ao alcançar a mesa, Charles jogou o irmão na cadeira vaga ao lado de Elise.

— Comporte-se daqui em diante — Charles soltou entredentes, com as faces coradas de raiva e vergonha.

Clinton apenas riu, olhando para o irmão com zombaria.

— Não possuo uma babá há anos, Charles. Deseja ocupar o cargo após tanto tempo? — provocou-o, fazendo com que o militar ficasse ainda mais vermelho.

— Eu tomarei conta dele daqui em diante, Charles — assegurou o cavalheiro que acompanhava os dois, colocando uma mão sobre o ombro do filho mais velho dos Jones. — Creio que Clint não criará problemas em companhia de belas damas — soltou sem perder a oportunidade de oferecer um elogio às mulheres em volta da mesa.

— Obrigado, William — Charles dirigiu-se para o rapaz. — Perdoem-me, voltarei em breve com as bebidas — adereçou-se a Caroline e Elise e logo misturou-se novamente com os convidados, tendo o objetivo de cumprir sua palavra.

— O que aprontou desta vez, Clint? — Caroline questionou dura para o gêmeo, atraindo a atenção velada de Sra. Davies e a vizinha para a conversa.

— Nos breves minutos em que estive longe, participando do minueto, Clint, por alguma razão, desentendeu-se com um cavalheiro do baile e ambos exaltaram-se mais do que o devido — o amigo de Clint Jones adiantou-se e respondeu em seu lugar, conseguindo um olhar azedo do rapaz.

— Sou grato pela sua sinceridade, William — devolveu cheio de sarcasmo para o amigo, que apenas limitou-se a sorrir, habituado à personalidade de Clinton.

Caroline suspirou e censurou o irmão com o olhar.

— Obrigada pela atenção para com o meu irmão, Sr. Edwards — agradeceu para William, que limitou-se a um aceno de cabeça como resposta.

A mesa onde encontrava-se o grupo caiu em silêncio por certo tempo.

— Suponho que ainda não conheça o Sr. Edwards, Elise — Caroline iniciou um novo assunto, na tentativa de ser cordial.

— Creio que não tenhamos sido apresentados ainda — William afirmou, tirando as mãos das costas e sorrindo com simpatia para Elise.

— Sr. Edwards, essa é a minha melhor amiga, Elise Davies. Elise, este é o Sr. Edwards, amigo de Clint e Charles — Caroline formalmente apresentou os dois.

— Encantado em conhecê-la, Srta. Davies — William cumprimentou-a com uma mesura, abaixando-se um pouco e logo tomando uma das mãos enluvadas de Elise e depositando um beijo breve sobre ela, o suficiente, porém, para que as bochechas de Elise ardessem. Nunca um cavalheiro a cumprimentara desta forma, brincando na linha fina do decoro.

— Prazer o meu, Sr. Edwards. — Ela recompôs-se rápido, mesmo que seu rosto permanecesse corado.

Ainda mantendo o olhar divertido sobre a moça, William soltou a mão da dama e levantou-se, aprumando a postura. Percebendo o sorriso que o rapaz dirigia a ela, os cantos dos lábios de Elise involuntariamente curvaram-se em um sorriso e desviou o olhar para baixo, quebrando o contato visual entre os dois.

— Vejam, os casais estão aproximando-se da pista de dança para a primeira valsa da noite — Caroline comentou, observando as duplas e suas roupas coloridas espalharam-se pelo centro do salão. — É uma pena que meus pés estejam tão incômodos nesses sapatos — lamentou, sabendo que não poderia aproveitar a noite como gostaria, apesar de seu comentário de outrora.

— Concederia-me sua mão para a próxima dança, Srta. Davies? — William convidou, estendendo a mão enluvada para Elise. — Espero que seus pés não estejam sendo castigados pelos sapatos como os da senhorita Jones —permitiu-se brincar com seu ar leve, presente durante o tempo inteiro naquela festa. A jovem Davies sorriu discretamente, contagiada pelo bom humor.

— Com prazer, Sr. Edwards. — Elise colocou sua mão sobre a que lhe era estendida, aceitando o convite para a valsa.

William guiou-a com calmaria e gentileza para o centro do salão, acompanhando o pequeno fluxo de casais que dirigia-se para o mesmo local.

O coro de violinos acompanhado pelo piano regeu o início da primeira valsa da noite no baile dos Jones. Elise e William posicionaram-se frente a frente, com o rapaz colocando sua mão espalmada às costas do vestido rosa-salmão da dama e ela apoiando sua mão direita sobre o ombro do seu par, conforme as demais damas na pista de dança faziam o mesmo.

William olhava-a com seus olhos castanhos profundos e os lábios tomados por um sorriso enquanto conduzia-a em pequenos passos pelo salão, deslizando ao soar de notas agudíssimas da valsa executada.

—Ao que parece, está a divertir-se muito nesse baile, Sr. Edwards — Elise iniciou um dialogo, afirmando o que parecia óbvio para ela até aquele momento. William era uma das únicas pessoas que parecia trazer um sorriso sincero naquela noite, não somente apenas uma mera formalidade, mas algo real.

— E a senhorita não está? — ele devolveu com uma pergunta.

— Creio que esta noite não seja o que eu chamaria de diversão — Elise retrucou, surpreendendo-se ao permitir que um leve tom irônico passasse por sua voz. William ergueu uma sobrancelha, surpreso pela forma da qual Elise decidira levar a conversa.

— E o que a senhorita chamaria de diversão?

— Uma saída à ópera, ao teatro... Uma noite sozinha junto de meus livros também parece-me atrativo. — Elise ergueu o olhar, mirando diretamente os olhos de seu par, não se intimidando.

— Tenho que convidar com a senhorita, são opções deveras atrativas. Porém, não é possível divertir-se em um baile como este? — A dama percebeu o mesmo brilho de ironia passar pelos olhos escuros de William. A cada momento de interação, Elise intrigava-se mais por descobrir o que passava pela mente do rapaz.

— Sendo obrigada a expressar uma cordialidade fingida o tempo inteiro e passar boa parte da noite com atitudes tão mecânicas, acredito que seja difícil divertir-me — ela respondeu sincera e William riu com gosto, atraindo a atenção e os olhares repreensivos dos demais casais próximos que valsavam aos cochichos ou em silêncio. Elise sentiu as bochechas corarem, acreditando ter dito algo tolo em sua afirmação.

— A senhorita é uma dama surpreendente, Srta. Davies — William afirmou sem medo e Elise sentiu o rosto ainda mais quente, entretanto, apenas sorriu como disfarce. — Sou obrigado a discordar sobre bailes serem extremamente tediosos, afinal, apesar do decoro, algumas pessoas ainda são capazes de nos surpreender. — Na intenção de provar sua fala, William fez com que Elise rodopiasse, para, em seguida, voltar a espalmar a mão nas costas da dama, fingindo que nada tinha acontecido. O rapaz mantinha um sorriso travesso enquanto os casais próximos os censuravam em murmúrios.

A boca de Elise escancarou-se em um ‘o’ perfeito, e, para a surpresa de Edwards, a garota pôs-se a rir.

— Acredito que tenha conseguido provar seu ponto, Sr. Edwards. — William apenas respondeu-a com um sorriso e um meneio de cabeça, caindo para o silêncio em seguida.

Na ausência do piano, um violino solitário tocou as últimas notas da melodia, dando a primeira valsa da noite por encerrada.

Os casais se separam, com os cavalheiros seguindo o decoro e tomando suas damas pelo braço, prontos para levarem-nas a seus devidos lugares. Ambos Davies e Edwards separaram-se, contudo, o rapaz realizou uma mesura exagerada para a moça, recebendo um riso suave em troca. William tomou a pequenina mão enluvada na sua, depositando um beijo sobre a seda branca.

— Acredito que tenha tido êxito em diverti-la um pouco em uma noite tão tediosa, Srta. Davies? — William questionou com seus olhos irônicos, audacioso o suficiente para manter contato visual com a dama por um tempo tão longo.

— Acredito que serei obrigada a admitir que estava errada desta vez, Sr. Edwards — Elise devolveu junto de um sorriso.

William ergueu-se de volta. Aos sorrisos, o casal foi o último a deixar a pista de dança.

13 de Agosto de 2020 às 23:50 2 Denunciar Insira Seguir história
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Isís Marchetti Isís Marchetti
Olá, Ester! Tudo bem com você? Faço parte do Sistema de Verificação e venho lhe parabenizar pela Verificação da sua história. Mulher, eu amo, amo de paixão mesmo histórias de época assim, juro que a primeira coisa que eu fui ver depois que eu acabei o capítulo foi o progresso da história e para minha felicidade ela está completa e eu já vou por na lista para poder ler assim que tiver um tempo! Eu realmente amo esses clichês de “ela é prometida a um, mas seu coração já é de outro” e eu consigo até imaginar a inimizade entre William e Charles crescendo, porque está na cara que Charles é a favor do casamento entre ele e Elise. Enfim, eu já consigo imaginar todo o rolo e eu realmente estou louca para ler o desenrolar da história. Bom, a coesão e a estrutura estão incríveis. A narrativa está encantadora e juntamente com a descrições do cenário eu consigo ir muito fácil para aquele tempo e imaginar tudo muito pomposo, do jeito que eram os bailes de antigamente. Graças aos Bridgertons eu estou com a cabeça bem fresca referente as danças então ficou bem fácil de imaginar os paços e os movimentos. Quanto à sinopse, que sinopse perfeita! A premissa da história já fica ali e realmente me deixou muito animada para ler o que estava por vir. Quanto aos personagens, apesar de falar o que eu acho que vai acontecer entre Charles e Willian ali em cima, eu também consigo imaginar outros desenrolares da trama, como Charles morrendo, hahaha. Apesar de casamentos sem amor ser super comum naquela época, existiam os privilegiados que faziam tudo em nome dele e eu espero que Elise e William sejam desses. Quanto à gramática, ela está incrivelmente perfeita e é um colírio para os olhos, ainda mais pra mim que adora essa temática. Porém, tem um pequeno apontamento na frase “— Tenho que convidar com a senhorita” acredito que a palavra correta seria “— Tenho que concordar com a senhorita, suas opções são deveras atrativas”. Desejo a você sucesso e tudo de bom. Obrigada por escrever essa trama maravilhosa. Abraços.
February 18, 2021, 13:04

  • Ester Cabral Ester Cabral
    Olá! Eu vou bem, e você? Eu também amo de paixão histórias na era vitoriana e era uma das maiores vontades escrever algo sobre essa época. São 6 capítulos só, então é só pra dar um gostinho mesmo xD O Charles eu não sei se seria muito a favor de um casamento entre o William e a Elise, agora o irmão dele, o Clint... É um clichêzinho, mas quem não gosta de um, né? Muito obrigada de verdade pelos elogios, espero que goste dos capítulos futuros. E obrigada também por avisar do erro, eu nem devo ter visto isso até hoje xD Eu que agradeço por um comentário tão lindo ♥️ Kisses e até o/ April 06, 2021, 19:14
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