nathy-loussop Nathy Loussop

Preso em um corpo humano, o Espírito da Morte Dark Rai procura uma forma de recuperar seus poderes e memórias perdidos na esperança de que isso o ajude a retornar para o Mundo dos Mortos, porém, nem tudo são flores. Ao iniciar o ensino médio em uma nova escola as coisas tendem a piorar quando sua irmã descobre seu segredo e decide querer fazer parte dos acontecimentos sobrenaturais que rondam a cidade, o que começa a se tornar perigoso quando um estranho demônio roxo aparece.


Paranormal Lúcido Impróprio para crianças menores de 13 anos.

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Em progresso - Novo capítulo Todas as Segundas-feiras
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Prólogo

AVISO

Essa história contêm gatilhos emocionais e algumas representações gráficas de violência. Os devidos capítulos serão sinalizados e caso se sinta desconfortável, abandone a leitura.


💀 💀 💀


A chuva intensa golpeava as frágeis folhas das árvores, batia contra o vidro das janelas de carros e casas, jogava-se contra o chão e escorria seguindo o desenho das ruas da cidade.

Seu barulho relaxante logo pela manhã tornava as aulas tranquilas como também desanimava aqueles esperando a sagrada aula de educação física. Ajudava os recém-chegados em casa a adormecer e era o pesadelo para aqueles que tinham de se aventurar pelas calçadas molhadas.

A mesma chuva também dividia seu barulho com as sirenes de bombeiros e ambulâncias bem como gritos de medo e curiosidades das pessoas ao redor de um terrível acidente.

Segundo o relatório inicial o primeiro carro, um Palio vermelho aparentava ter perdido o controle da direção, atravessou para a segunda faixa da pista e bateu de frente com um poste. O segundo, um Uno antigo, foi arrastado pelo Palio, amassando toda sua lataria direita com o impacto. Já o terceiro carro, uma Hilux preta, segundo as testemunhas, não conseguiu desviar a tempo do que estava acontecendo e esmagou a traseira do Uno. O pequeno carro estava tão deformado, que se tornara irreconhecível.

Sangue escorria por suas ferragens, sendo arrastado pela água que escorria pelo asfalto. Um retrovisor quebrado foi chutado por um dos bombeiros enquanto se dirigia de forma apressada em direção ao que havia restado do veículo.

Os dois adultos no banco da frente estavam mortos. Os esforços dos homens se concentravam no pequeno garoto que havia voado contra o para-brisa com tanta força que o atravessara e agora jazia no que sobrara do capô.

Sua cabeça estava ensanguentada. Uma barra metálica atravessava seu peito. No momento ninguém se incomodava em explicar ou querer saber como ele ainda estava vivo, apenas que precisava ser retirado o mais depressa possível.

Foi difícil, mas com cuidado, ele foi retirado, ainda recusando-se em entregar sua vida. Foi posto em uma maca, sendo amarrado com cuidado. Uma bomba de ar manual fora encaixada em seu rosto e os movimentos eram intensos e constantes.

No pequeno percurso até a ambulância, era possível ver o casal da Hilux sendo tratados, os ferimentos leves não necessitando de uma remoção. A mulher que se encontrava no Palio chorava por seu marido e filho que já haviam sido levados enquanto cuidavam de seu machucado na cabeça.

Água era espirrada quando as botas pesadas tocavam o chão. Enquanto era ajeitado dentro da ambulância, uma energia negra se aproximava do menino, ignorando os adultos ao seu redor e também sendo ignorada por eles.

O pequeno corpo foi envolvido por ela, sendo absorvida por sua pele e o fazendo tossir um pouco de sangue ao desaparecer por completo. As portas foram fechadas, a sirene ligada, não poderiam demorar para chegar no hospital.

O percurso era relativamente curto, os demais motoristas ajudavam liberando passagem. O veículo foi estacionado na porta da UTI infantil, um pedido para a preparação da sala cirúrgica já havia sido feito. Faltava profissionais e esperavam que o chamado de urgência surtisse efeito.

O sangramento em sua cabeça conseguiu ser controlado durante o caminho. Fragmentos de vidro eram retirados de seu corpo. Havia perdido muito sangue, seu coração parecia não aguentar mais bater, o médico responsável se recusava a deixar tamanho “esforço” ser em vão.

Nesse meio tempo, os policiais responsáveis em comunicar o ocorrido com a família logo perceberam que o casal que acompanhava o garoto não eram seus pais.

As agendas de ambos os telefones foram analisadas com cuidado e nenhum contato com marcação especial foi localizado, as mensagens também não ajudavam muito. Alguém precisava ser avisado e todos os envolvidos entraram no consenso de ligar para o número mais recente no registro de chamadas.

Elisa estava no trabalho quando recebeu uma estranha ligação em seu celular. Deixando o aparelho tocar mais tempo do que deveria ao encarar o visor e tentar se lembrar do número, torceu um pouco os lábios ao perceber que sua memória não estava querendo lhe ajudar no momento.

— Alô, quem fala? — a voz era despreocupada, apoiando o telefone no ombro e continuando seu trabalho.

Falo com a senhora Elisa? — a voz do outro lado da linha era grossa e bem inflexível.

— Sim... Quem está falando? — segurou o telefone com a mão.

Senhora, aqui é o oficial Dumas, poderia me dizer qual sua relação com um homem chamado Gustavo Moura de Aquino?

— Ele... — engoliu em seco, sentindo seus dedos tremularem um pouco — Ele é meu irmão, por quê? Aconteceu algo?

Senhora, preciso que fique calma e, se possível, sentada. Seu irmão se envolveu em um acidente, ele e os demais passageiros do veículo se encontram no Hospital de Santa Rita de Cássia. Há alguma possibilidade da senhora vir nos encontrar ou há algum outro número que possa ser chamado?

Seu rosto perdeu a cor. Era um trote, certo? Tinha de ser. Infelizmente acabou falando aquilo em voz alta o que fez o oficial dar alguns detalhes, coisas como a cor e placa do carro, quem estava presente e o que estavam trajando. Seu coração falhou uma batida ao ouvir sobre a criança. Encarou o relógio de parede. Não era para ter uma criança com ele.

— Tem certeza sobre a última parte? — tentou ser firme.

Afirmativo, senhora. Como disse, a senhora poderá vir?

— Estou a caminho.

A voz mal saiu, fechando o flip do celular de forma automática ainda encarando o relógio. Voltou para sua mesa, onde pegou a larga bolsa e tirou dela um par de sapatilhas que serviram para substituir o salto que usava, saindo sem dar muitas explicações e levando apenas o telefone consigo.

A chuva ou a falta de um guarda-chuva não a impediram. O hospital não ficava próximo, mesmo assim, não se deu ao luxo de pegar um ônibus, correndo pelas ruas o mais rápido que sua saia permitia.

A recepção do hospital estava cheia. Todos olharam espantados quando as portas se abriram e a mulher entrou correndo, encharcando o chão por onde passava. Indo para a atendente, quase não conseguiu falar por estar sem fôlego. Uma enfermeira próxima foi chamada para lhe dar assistência. Foi-lhe cedida uma cadeira e uma toalha de rosto para se secar um pouco.

Conseguiu falar palavras-chave o que fez a enfermeira entender ao que ela estava se referindo. Entregando um copo de água, a mulher se retirou pedindo para ela tentar se acalmar enquanto chamaria o médico responsável.

O tempo parecia se arrastar. Cada vez que olhava para o relógio preso na parede, era como se os ponteiros nem tivessem se mexido. Prendeu seu cabelo em um coque mal feito, ainda estava muito molhado. Usou a toalha para limpar o rosto um pouco mais.

Estava distante, não sabia direito o que pensar. Culpava-se pelo ocorrido. O que poderia ter feito para evitar aquilo? Se ela tivesse percebido algo, as coisas poderiam ser diferentes agora? Aquilo era uma situação que não era difícil de ver acontecer, mas ninguém imagina acontecer consigo.

Perdeu a noção das coisas que aconteciam ao seu redor até alguém aparecer e após chamá-la algumas vezes, conseguiu sua atenção.

O médico se apresentou esticando o braço para cumprimentá-la ao mesmo tempo em que pedia desculpas pela demora. Ajeitou seus óculos, sua voz parecia um pouco tensa, olhando algo na prancheta em que carregava.

Procurou explicar a situação da melhor maneira possível, focando na situação do garoto e procurando deixar de lado os dois corpos que agora se encontravam no necrotério. A voz era calma e paciente, as palavras usadas de forma delicada. Fazia algumas perguntas ao acompanhá-la pelos corredores cheios, se surpreendendo com a idade do menino.

Ver a placa da UTI não a ajudou a se acalmar, contudo, procurava se focar apenas na voz daquele senhor já de idade, acompanhando seus passos lentos até eles pararem de frente para uma porta de madeira com uma pequena janela quadrada.

— Antes que veja seu filho, quero que entenda algo muito importante — olhava diretamente no fundo dos olhos dela — Ele recém saiu de uma cirurgia.

Bastou aquelas palavras para a mulher levar ambas as mãos ao rosto, cobrindo a boca ao tentar controlar as lágrimas querendo sair.

— Ele está bem, a cirurgia foi tranquila, porém há outro detalhe mais importante. Ele está num estado delicado, chamado coma e infelizmente não sabemos quando ou se ele irá acordar novamente.

O chão pareceu sumir de seus pés diante aquela notícia. Não saberia dizer como ainda se mantinha de pé, apenas que não se importava mais em conter as lágrimas.

O homem ofereceu, de forma calma, se ela queria ver o filho. Ela só conseguiu assentir de forma rápida e desesperada, o vendo abrir a porta segundos depois. Seus olhos logo focaram no pequeno corpo repousando na primeira cama da sala e ligado a diversos aparelhos.

Elisa caminhou de forma automática, indo na direção dele e puxando uma banqueta de ferro que estava ao lado da cama. Mesmo com a cabeça enfaixada, o tubo em seu rosto e alguns curativos espalhados por sua pele, possuía uma expressão tão serena que quase não acreditava.

Segurou em sua pequena mão. Sabia que não poderia fazer barulho por conta dos demais pacientes, mas sempre fora um pouco escandalosa ao chorar. Afundou o rosto no lençol branco, esperando que isso pudesse abafar o som enquanto gritava o nome dele várias e várias vezes.


💀 💀 💀


Estava escuro. A névoa branca era a única coisa que poderia ser vista ao redor. Uma criança chorava, sentada nas próprias pernas, tendo uma pequena luminescência ao seu redor. Gritava por sua mãe, queria sair dali.

Demorou até o pequeno perceber não estar sozinho. Uma criatura se aproximava da escuridão, tendo o mesmo brilho discreto envolvendo seu corpo, se revelando ser uma figura inteiramente preta.

Estranhamente, não sentiu medo e o observava se aproximar, as lágrimas deixando de escorrer.

— Quem é você? — perguntou quando o estranho ser parou a certa distância.

— Eu? — fez uma pausa — Eu sou você… Agora… Descanse...

2 de Setembro de 2020 às 11:15 0 Denunciar Insira Seguir história
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