ageha_sakura Ageha Sakura

Desde a infância, Namjoon sempre sonhou em ser músico. Sua paixão pela música era tão bela, mas infelizmente para as pessoas ao seu redor não passava de um sonho bobo. Aos 20 anos ele decide reler todas as músicas escritas por si, em seus cadernos velhos ele percebe que tudo ali era vazio e sem cor, não havia sentimento em suas letras. Depois disso ele decide superar seus limites e ir em busca do sentido dos sentimentos, querendo entender como poderia demonstrar isso em suas letras tão vazias. Depois de tanto conhecer o mundo das artes ainda era tudo confuso, mas ao conhecer Jimin ele entende na delicadeza de seus movimentos o verdadeiro significado da música em sua vida e das pessoas ao redor.


Fanfiction Bandas/Cantores Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#namjoon #bts #jimin #rm #nammin #minjoon #jimindancer #namjoonsinger #namjoonrapper
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Único: As batidas do coração

Bom dia / Boa tarde / Boa noite


Sejam todos bem vindos a "The rise of heart"!


Oficialmente essa foi a primeira minjoon que escrevi na vida, especialmente para o projeto @/btsgallery do Spirit, que infelizmente não faço mais parte.


Espero que gostem e possam desfrutar de uma ótima leitura 💞


Selecionar era: "School Trilogy"
Selecionar álbum: "O!RUL8,2?"
Selecionar música: "The rise of bangtan"
Jogadores: "Jimin VS Namjoon"
- Start


______________________

"Depois que você ouvir o meu rap sensual, vai ficar sem ar

Você vai queimar por dentro, ninguém pode me segurar"

– The Rise Of Bangtan, BTS



Os dias sempre começavam com a mesma vibe repleta de monotonia. Namjoon repetia cada atividade como se estivesse programado para executar todos os movimentos. Acordava cedo, fazia suas higienes, vestia a velha farda já usada há três longos anos, tomava seu café da manhã e partia para a estação no intuito de pegar o próximo trem que o transportaria para a escola.


Sempre passava vários minutos à espera da locomotiva, observando outros alunos semelhantes a ele enquanto permanecia sozinho no seu canto. Namjoon não gostava de todo esse isolamento, apenas se via obrigado a continuar naquela mesma situação, esperando que um dia pudesse fazer amigos verdadeiros e laços que durassem por um bom tempo.


A solidão era a melhor forma de compor todas as suas letras, sempre pegando detalhes da sua rotina e das pessoas ao seu redor para poder descrever o que enxergava nelas. O mundo era sua inspiração, principalmente para mantê-lo com a mente totalmente distante nas aulas entediantes de matemática.


O vagão havia estacionado. A multidão logo começou a lotá-lo e o Kim fora arrastado sem a necessidade de usar suas pernas para se locomover. Ficou prensado contra a porta transparente, tendo a visão privilegiada dos raios de sol que iluminavam os prédios e as pequenas casas da cidade grande.


Não importava quantas vezes ele presenciasse aquela mesma cena, ela continuaria sendo deslumbrante para seus pobres olhos humanos. Era imensamente inspiradora a forma como tudo naquele lugar era capaz de motivá-lo a escrever diversas canções, todas tentando transmitir o que sentia ao vivenciar sua própria vida.


"Pelo visto outra aula de matemática será perdida, desculpa professor."


Sem perceber já estava na sua parada, sendo novamente arrastado para fora e podendo enfim caminhar tranquilamente para o antro escolar. Passos lentos, mente distraída, olhos perspicazes que captavam tudo e todos, sempre buscando por algo novo que fugisse de toda aquela imensa monotonia.


Observava os grupos de amizades interagirem entre si, sempre animados e planejando seus futuros encontros e metas de vida. Namjoon também era assim, desde o começo tinha algo em mente e não desistiria jamais de conquistar o seu sonho.


Suspirou ao estar novamente cara a cara com o prédio. Finalmente, era o seu último ano ali, faltando pouquíssimos meses para tudo acabar e poder seguir seus próprios passos. Entrou e seguiu para a sala onde estudava, bom, fingia que estudava.


[...]


Havia sobrevivido a duas aulas de química e duas de física, agora faltava apenas mais duas de matemática e estaria, finalmente, livre.


Em seu caderno, Namjoon rabiscava várias coisas, em sua maioria os trechos de sua nova música, sendo muito bem inspirado pela bela visão do nascer do sol esta manhã antes de ir para a escola.


Estava tão imerso na sua própria criação que não escutou a voz do seu professor, este que chegou falando coisas que para os outros era importante, mas não para si. Observou um papel ser balançado à sua frente, chamando sua atenção. Pegou na folha de imediato, lendo o conteúdo presente ali.


"Preencha o formulário com a carreira que deseja seguir após o término do Ensino Médio."


Soltou um suspiro. Sabia muito bem o que queria, contudo imaginava que não era algo aceitável e muito menos pensado pelos seus professores, todavia era o que desejava e ninguém o faria mudar de ideia a não ser ele mesmo, o que julgava impossível.


Decidiu escrever e esperar pela reação — futuramente desastrosa — do conselho estudantil.


"Eu, Kim Namjoon, desejo me tornar um músico capaz de tocar e encantar todas as pessoas do mundo."


Pronto. Já estava imaginando a reação de seus pais e da reitoria escolar, mas o que ele poderia fazer se este era o sonho desde que era um mero garotinho? Todos deveriam aceitá-lo com suas escolhas, muitas pessoas tornaram-se ídolos depois de muita luta e ele queria ser o próximo. Realmente, queria cantar suas músicas, fazer seus raps e viver daquilo que sempre amou.


Não importava o que os outros pensariam de si, este era o seu sonho e ele viveria apenas por si e ninguém mais.


Entregou seu formulário para a líder de sala e voltou ao que fazia, esperando ansiosamente pelo som do término do período estudantil.


[...]


O som estridente do alarme fora a deixa para guardar suas coisas e tentar partir sem que o seu professor visse, no entanto não funcionou.


— Kim Namjoon — escutou seu nome ser chamado e preparou-se para o sermão que estava prestes a escutar.


— Sim, professor Lee — virou-se na direção do mesmo, esperando pela sua sentença.


— Pode me explicar o que é isso!? — apontou para o formulário que Namjoon havia respondido. — Agora explica suas notas extremamente baixas na minha matéria! Você deve largar esse sonho inútil, um músico não passa de um morto de fome que não tem onde cair morto. Cresça!


Engoliu em seco, sua vontade sendo a de responder o mais velho, contudo sabia que não poderia fazer aquilo ou acarretaria em suspensão, e isso era o que ele menos precisava no momento. Acatou silenciosamente com as reclamações, abaixando a cabeça para ele enquanto seu pensamento permanecia o mesmo. Não iria desistir, NamJoon seria o melhor músico que este mundo viu.


— Você irá refazer este formulário e me entregar amanhã, nada de gracinhas — saiu, batendo a porta atrás de si e deixando NamJoon atordoado com tamanha arrogância.


O Kim, no entanto, jamais desistiria. Não importa o que o professor ou os outros dizem, ele não abaixaria a cabeça na próxima vez.


Depois de longos minutos tentando recuperar-se de toda a bronca, conseguiu sair daquele lugar infernal e seguiu seu percurso para casa, com a mente atordoada de pensamentos e medos do que ainda estaria por vir.


[...]


No dia seguinte, Namjoon não mudou o que estava escrito no formulário, o que irritou em demasia o professor Lee. Ele estava tão irado que o levou para a diretoria, fez um escândalo e ligou para os seus pais.


Ele levou tanta bronca. Ambos os lados estavam contra si e nem mesmo sua amorosa mãe o defendeu, alegando que não teria orgulho de um filho músico. No final, teve que escrever que seria contador ao invés de músico, apenas para encerrar com toda aquela perturbadora confusão.


Era realmente frustrante a forma como todos eram contra a sua escolha. Para eles, o Kim mais novo deveria seguir cargos normalmente chatos como os demais, escondendo sua paixão pela música para fingir amar números e cálculos, coisa que detestava.


Terminou o Ensino Médio carregando aquela frustração consigo, mas tendo a certeza de que iria seguir o seu sonho, custe o que custasse.


Apesar de sua família querer dominar tudo, sempre controlando a sua vida como se Namjoon fosse uma mera marionete, acorrentado e manuseado para o bel prazer de seus próprios familiares, não tendo escolha alguma para lutar e escapar dessas tenebrosas correntes. Tudo era tão angustiante e torturador, como se arrancassem um pedaço da sua alma e a levassem embora para o Tártaro. Estava preso naquela realidade, escondendo tudo que desejava lutar até o fim.


Fora assim que começou a duvidar de si quando fez vinte anos. Duvidava da sua capacidade de escrever boas músicas e de ser realmente um bom cantor.


"Será que minha música realmente toca alguém?"


"Eu sou capaz de cantar ou fazer rap?"


"Eu tenho chance de ser famoso e viver da minha música?".


Era um turbilhão de dúvidas e questionamentos internos, torturando a si mesmo com sua insegurança e com o que diziam sobre a área que tanto sonhou em trabalhar.


Em meio aquele oceano de desconforto, Namjoon resolveu pegar seus cadernos velhos, onde suas músicas foram escritas e leu cada uma com atenção, querendo sanar, por fim, aquele questionamento torturante.


Leu tudo com precisão, sem poupar um detalhe, e no fim percebeu que nada ali era de fato tocante. Suas palavras eram vazias, suas músicas não continham emoções ou sentimentos, ele não era um músico talentoso como sempre pensou.


No final quem era ele? Por que pensou tanto em ser um músico se nem músicas sabe escrever realmente? Como ele jurou que tocaria as pessoas se não conseguia nem tocar a si mesmo?


Era realmente uma piada. Namjoon não passava de um objeto vazio e sem valor, caindo nas profundezas da sua dor interior, tendo a perfeita consciência de que não era ninguém.


Todavia, conseguia enxergar uma luz no fim do túnel, decidindo por fim procurar novas formas de conseguir inspiração, almejando a tão sonhada capacidade de transmitir sentimentos profundos e leves em suas futuras músicas, pois como ele havia decidido desde o começo: iria seguir o seu sonho, custe o que custar.


[...]


Estava decidido começar a faculdade de música somente quando aprendesse a utilizar os sentimentos, quando conseguisse compor uma música real e tocante. Tinha um grande caminho a percorrer, o primeiro passo seria buscando em meio a arte o conhecimento que tanto ansiava.


Começou a procurar por teatros, estúdios de dança, ateliês de pintura e artesanato. Em cada lugar que visitava aproximava-se de todos, criava vínculos para mudar sua natureza solitária, aprendendo com cada um tudo o que podiam lhe ensinar.


Frequentava as famosas "Batalhas de Rappers", aprendendo tudo com os profissionais e a própria plateia, avaliando os sentimentos que a batida e as letras possuíam. Era realmente empolgante a forma como eles motivavam a galera, Namjoon desejava ser assim um dia.


— Então — chamou a atenção de um dos rappers, este que seria o próximo a se apresentar naquela roda. — Poderia me explicar qual é a sensação de subir ao palco e compartilhar sua paixão com o público?


— Cara, é realmente apaixonante, algo surreal e motivador — mostrou um largo sorriso para o Kim, demonstrando o quão boa era aquela sensação.


— Pode me dizer como você consegue dar vida à sua música? — perguntou curioso, esperando por uma forma concreta para conquistar o seu sonho.


— O lance é você ter em mente algo que te transmita inspiração, mas não qualquer uma, algo que toque tanto o seu coração como o de outra pessoa — usou o indicador para apontar para o coração de Namjoon. — Usamos o coração como uma arma, não o cérebro, boa sorte garoto — apontou para a sua cabeça, em seguida subindo do palco e animando mais ainda toda a galera.


Namjoon não havia captado realmente toda a mensagem, mesmo que as pessoas ao seu redor tenham aplaudido quando ele estava subindo no palco. Sentimentos fortes o suficiente para serem transcritos em uma canção ou duas não era fácil, pelo visto precisaria batalhar mais e usar o seu coração.


Mas como ele poderia usar o seu coração para escrever uma música? De fato, ele não sabia, mas faria o seu melhor para conseguir. Namjoon se tornaria o melhor rapper daquele país e do mundo.


[...]


Seu próximo destino era um dos teatros presentes em Seul, Jeong-dong, um lugar onde seu cenário abriga periodicamente diversos espetáculos relacionados à história e ao folclore da Coreia do Sul.


A coluna do jornal sempre elogiava a forma como os atores apresentavam com paixão, contando histórias inspiradoras e motivadoras o suficiente para levantar a autoestima de qualquer pessoa, e o Kim queria testar se era verdade ou apenas uma forma chamativa de divulgação.


O espetáculo que assistiria chamava-se Jang Nok-su, conhecida como a "Cinderela sul-coreana". Procurou pelo lugar onde iria ficar, praticamente de frente para o palco, dando-lhe oportunidade de uma bela visão de toda a peça.


Aos poucos, as luzes foram se apagando, uma por uma, anunciando silenciosamente que iria começar. Os atores foram entrando aos poucos, cada um de acordo com o seu papel e a sua função na história. Ele estava vidrado pela delicadeza das vestimentas e do cenário, prestando atenção nas falas e na história contada.


A Cinderela, nascida em meados do século XV como empregada na corte da Dinastia Joseon, se tornou a concubina favorita do rei Yeonsangun: um monarca que chegou a ter mais de 10 consortes. Mas trágicos acontecimentos marcaram para sempre a história da dinastia Joseon e, portanto, da Coréia, e acabaram truncando a história de Jang Nok-su e Yeonsangun.


Ao término da apresentação, Namjoon encontrava-se motivado, de fato, mas faltava algo para que conseguisse compreender toda aquela forma de se expressar ao público. Precisava encontrar uma chave para libertar esses sentimentos confusos e tão necessários para conseguir escrever uma bela e tocante música, além de descobrir o seu verdadeiro eu naquele mundo.


[...]


Havia passado meses conhecendo novos lugares e pessoas, todavia a sua busca pela compreensão dos sentimentos ainda não estava finalizada.


Todas as apresentações que visitou eram realmente fantásticas, sempre se surpreendia com a bela forma como todos os artistas expressavam sua paixão pela arte. Existia amor no que faziam, um sentimento forte e avassalador, porém desconhecido para si.


Seu próximo objetivo era visitar um famoso estúdio de dança. Sua fama não chegava aos pés da gloriosa 1MILLION, contudo era um lugar realmente elogiado por muitos. Desceu do ônibus bem em frente ao lugar, analisando os detalhes da fachada e os vidros transparentes que combinavam com a imagem delicada do ambiente.


Entrou indo direto para a recepção, em seguida sendo levado por um longo corredor, onde as salas estavam com as portas entreabertas, mostrando os dançarinos ensaiando com fervor. Enquanto olhava de relance não conseguiu parar de fitar um em especial. Ele estava sozinho na sala, uma música suave ecoando pelo lugar, as vibrações pareciam ativar o movimento do corpo, deixando-o se mover delicadamente de acordo com a sinfonia numa apresentação teatral e cheia de sentimentos.


Fincou os pés em frente àquela sala, totalmente hipnotizado pela beleza esplendorosa do homem, apreciando a forma majestosa como ele dançava, reparando nos seus traços delicados e finos que chamavam toda a sua atenção. Ele fazia piruetas e giros, jogava um fino tecido ao alto e num salto o pegava com tanta delicadeza. Sem perceber, estava sendo enfeitiçado pelo belo dançarino de cabelos rosados como um tom delicado pêssego.


— Senhor Kim? — A recepcionista chamou a sua atenção, fazendo-o desviar o foco do belo rapaz.


— Quem é ele? — questionou de repente, deixando a mulher atordoada até também olhar para dentro da sala e reconhecer o aluno.


— Ele se chama Park Jimin, Senhor. É o aluno prodígio da academia — retorquiu.


— Ele é realmente talentoso — sussurrou enquanto ainda fitava o rapaz.


— Precisamos ir, Senhor Kim — alertou a jovem. — A madame está à sua espera.


Lamentou mentalmente por não poder assistir a apresentação até o final, seguindo a mulher em direção a sala da dona do estúdio de dança.


[...]


— Acredito que o nosso aluno exemplar será capaz de lhe explicar tudo sobre a raiz dos sentimentos, pois nós dançarinos sentimos as músicas para poder performá-las — comentou a mais velha, tendo decidido sua proposta final. — Tenho certeza que irá conseguir quebrar as barreiras do seu coração e escrever lindas músicas.


— Muito obrigado, Madame Odette, nem sei como irei retribuir toda essa oportunidade — agradeceu timidamente, um pouco inseguro com a situação, mas motivado pela mais velha.


— Retribua sendo o maior músico desse mundo, não se prenda a um estilo e seja apenas você.


A forma como aquela desconhecida estava o ajudando era realmente incrível, nunca se sentiu tão acolhido e apoiado. Na verdade, nunca fora apoiado por ninguém, teve que deixar sua casa para correr atrás do seu sonho como cantor, e lutaria por isso até o fim.


— Agora vá atrás de Jimin, converse com ele e se ele aceitar, tudo bem, caso não procuraremos outro mentor — sorriu doce para Namjoon, que retribuiu de muito bom grado.


— Obrigado, muito obrigado — curvou-se várias vezes e saiu da sala em busca do Park.


Caminhou de volta pelo mesmo corredor, certificando-se de encontrar Jimin, contudo não o havia encontrado. Chegou na recepção e perguntou pelo rapaz, recebendo a confirmação de sua partida para casa. Isso o desanimou um pouco, mas não iria desistir.


Voltou para o lugar que chamava de lar e passou a noite em claro relembrando da beleza que era Park Jimin dançando, algo tão puro e perfeito, inigualável.


[...]


Na manhã seguinte, acordou bem cedo, fez todo o seu serviço rotineiro e foi para o trabalho, onde era garçom num pequeno restaurante. Trabalhou bastante e quando chegou ao final de seu horário, foi se arrumar para voltar à academia de dança. Passou todo o percurso ensaiando a forma como faria a proposta a Jimin, coração acelerado em puro nervosismo e adrenalina.


Perdido em seus devaneios, nem percebeu que havia passado da parada, tendo que descer duas depois e caminhar todo o percurso de volta, sofrendo no sol escaldante e escutando o som desesperado da sua barriga faminta. Era a desculpa perfeita para chamá-lo para almoçar.


Finalmente, havia chegado em frente ao prédio. Limpou o rastro de suor com a manga da camisa, entrando em seguida no estúdio e cumprimentando a recepcionista para então seguir pelo corredor à procura do Park. Olhou cada sala com atenção até reconhecer a bela cabeleira como pêssego, sorrindo em seguida e batendo educadamente na porta, esperando conseguir a atenção do rapaz.


O de cabelos rosados parou o que estava fazendo e olhou para trás, assustando-se com o moreno desengonçado que sorria pequeno para si, em gesto de gentileza. Caminhou até o rádio e parou a música, andando até o homem e abrindo mais a porta para recebê-lo.


— A madame Odette já me avisou sobre a sua proposta — comentou, de repente, vestindo a calça de moletom por cima da roupa de ballet e, então, voltando seu olhar para o moreno, perguntou: — Já almoçou? Se não, gostaria de comer comigo? Assim aproveitamos para conversar sobre a proposta.


— Certo, vamos sim — sorriu simplista, agradecendo pelo convite mentalmente e por seu plano estar dando, quase, certo.


Esperou Jimin terminar de se arrumar para irem ao restaurante próximo ao estúdio, a poucos metros de distância. Caminharam lado a lado, em um silêncio constrangedor por parte de Namjoon, este tímido demais para puxar algum assunto decente. Chegaram sem demora no lugar, fizeram seus pedidos e ficaram esperando ainda em silêncio, o que estava irritando o Park.


Decidindo por um fim ao clima estranho que se instalara, Jimin tomou a iniciativa do dia.


— Então — observou os olhos distraídos de Namjoon o fitarem pela primeira vez desde que saíram do estúdio — Pode me contar o porquê de me escolher para ser o seu mentor? Caso a resposta seja convincente, eu aceito.


O Kim piscou os olhos um pouco perdido, tentando raciocinar como chamaria a atenção do rapaz e o convenceria a ajudar em seu projeto pessoal para realizar o seu sonho.


— Sabe, desde criança eu sempre gostei de escrever músicas, mas nunca recebi o apoio de ninguém, e há uns meses atrás analisei tudo o que escrevi e percebi não ter sentimento algum, tudo era vazio e eu não tenho essência de músico, porém quero tentar novamente e aprender sobre sentimentos que só conheço por nome — fez uma pausa para recuperar o fôlego e prosseguiu. — Ver você dançando ontem, com tanta paixão e delicadeza, me fez perceber que era isso que eu sempre busquei nos lugares que frequentei nos últimos meses — olhou suplicante e decidiu transmitir seu pedido em palavras, fazendo sua última tentativa — Me ajude a entender sobre sentimentos e conseguir transmiti-los para outras pessoas! — exclamou não muito alto, mas o suficiente para o garoto ouvir.


Jimin ficou em silêncio por um bom tempo, não dizendo nada ao rapaz e aparentando pensar bastante em tudo que Namjoon lhe tinha dito. A dança é a única paixão que o Park tem, entregou-se de corpo e alma para aquela belíssima arte e usá-la para inspirar um irmão perdido na essência do que prezava era necessário. Pensou muito até tomar sua decisão, tendo consciência que muita coisa mudaria a partir daquele momento.


— Entendo seus motivos e aceito te ajudar, sem condições.


O sorriso estonteante do Kim veio a tona, colorindo a sua face e dando espaço para as lindas covinhas aparecerem, balançando levemente o coração de Jimin.


— Muito obrigado, Jimin, prometo não decepcioná-lo!


— Sei que não irá — sorriu doce, sem saber o efeito que isso resultou no rapaz à sua frente.


A partir dali, duas almas estavam unindo-se para embelezar a arte, valorizando seus talentos e aperfeiçoando-os para juntos alcançarem o sucesso, servindo também de base e apoio um ao outro.


[...]


Os dias de aula com o Park eram motivadoras, sempre repletas de energia e beleza.


Não existia um momento em que se sentisse desconfortável ou irritado com o rapaz. Era paciente, prestava atenção em tudo o que ele dizia ou fazia, seu foco era totalmente nele.


— Namjoon, preste atenção no que irei dizer — fez um breve momento de pausa, dando um ar dramático a sua fala. — "Um dançarino morre duas vezes - uma vez quando eles param de dançar, e essa primeira morte é a mais dolorosa." — fez outra breve pausa, voltando a falar no momento seguinte. — É uma citação de Martha Graham, um grande nome da dança contemporânea. Pode me dizer o que ela quis dizer com essa frase? — perguntou.


O Kim ficou em silêncio, relembrando o que Jimin havia dito para poder respondê-lo de forma consciente.


— Ela quis dizer que a dança é o bem mais precioso de um dançarino, perdendo a capacidade de dançar o sentimento é idêntico à dor da morte, como se perdessem a única razão de suas vidas.


Jimin estava impressionado com a evolução dele desde a sua primeira aula, já fazia semanas e ele estava amadurecendo cada vez mais, alegrando o coração do rosado.


— Muito bem! Que sentimento é esse?


— Tristeza profunda.


— Isso! Como você representaria esse sentimento na música?


Pensou por mais um momento, calculando o que iria responder ao Park.


— Usaria um ritmo um pouco melancólico e uma letra suave que descrevesse a dor dessa perda com precisão.


— Perfeito! Quero que escreva uma música assim, quando ela estiver concluída irei dançá-la p'ra você.


O coração do rapaz saltitava em ansiedade, imaginando como escreveria algo perfeito para Jimin dançar. Iria planejar tudo com muita delicadeza para o Park.


— Vou estar ansioso por isso.


— Eu também.


Ficaram se olhando por um longo período, analisando os detalhes e as expressões um do outro. Passaram tanto tempo presos nesse encanto que ao perceberem viraram os rostos de forma brusca, olhando o lado contrário e tentando esconder o nervosismo presente em ambos.


Nada mais foi dito em seguida, despediram-se e partiram para o conforto de seus lares, as mentes em um misto de sensações, muitas delas estranhas para o Kim.


Namjoon esteve pensando na música e não resistiu em escrever algo, depois de tanto tempo ele estava voltando a fazer o que sempre amou, dessa vez com a citação da Martha em mente e Jimin em seu coração.


Aos poucos, o Park ia libertando-o da prisão que abrigava-o junto de seus sentimentos, dando-lhe a oportunidade de escrever algo sincero e permitindo-o realizar seu sonho.


[...]


Quanto mais o tempo passava mais Namjoon evoluía.


Estava finalmente aprendendo mais sobre sentimentos, sentindo na pele muitos deles, o que acabou virando em tantas músicas que dava para fazer um álbum. Estava na hora do Kim subir aos palcos, com isso em mente Jimin reservou um lugar para ele se apresentar, um pequeno mas muito movimentado bar que ficava próximo a sua casa. Sabia que o rapaz iria amar a notícia, mais ainda quando assistisse ele dançar suas músicas para todos.


Estava tão nervoso que nem se deu conta da chegada do moreno, assustando-se com a voz rouca falando próximo ao seu ouvido.


— Jimin? — A voz levemente rouca chamando por si era como uma bela canção feita por anjos, algo tentador e viciante.


Virando-se assustado, com os olhos arregalados e um sorriso nervoso, o Park lhe respondeu.


— Oi... Desculpa, estava distraído — disse-lhe, sem graça.


— Tudo bem — riu ao observar toda a feição nervosa do rapaz — O que de tão importante você queria me contar? Saí correndo do trabalho só p'ra descobrir.


Jimin ficou em silêncio, lutando para normalizar sua expressão assustada misturada ao nervosismo, e quando se sentiu pronto, contou-lhe: — Eu marquei um show p'ra você, seja bem-vindo ao mundo das estrelas! — exclamou, agora com um sorriso presunçoso em seus lábios, rindo internamente da expressão totalmente chocada do outro.


Namjoon não estava acreditando, tudo aquilo só poderia um sonho, e no final era. Seu sonho estava finalmente tornando-se realidade. Sua emoção era tanta que não segurou as lágrimas e muito menos a vontade de abraçar Jimin, encantado com a forma como ele o ajudava a todo momento.


Comemoraram durante toda a noite, eles junto a todos os dançarinos e trabalhadores do estúdio, com quem criou laços fortes e que sempre seria eternamente grato.


Era o início de um lindo sonho, a realidade batendo na sua porta e dizendo-lhe que faltavam poucos degraus a subir.


[...]


O dia da apresentação havia finalmente chegado.


Estava tão nervoso que nem conseguia se reconhecer, apenas agradecia a todos que o ajudaram a chegar até ali e, até mesmo, àqueles que o rebaixaram. Se não fosse por eles, nada disso teria acontecido, sua voz e sua música não teriam mudado e muito menos conheceria seu próprio coração.


— É tão bom saber que você está conquistando seu sonho, meu querido. — Odette abre a porta dizendo, aproximando-se do Kim e o abraçando forte. — Tenho você como um filho, assim como tenho a todos na academia, em especial Jimin, meu anjinho.


— Obrigado por tudo, se não fosse pela senhora nada disso teria acontecido, você e Jimin me ajudaram muito — sorriu sincero, sentindo lágrimas brotando nos seus olhos. — Vocês são a minha família.


Odette o abraçou ainda mais forte, mostrando que sempre estaria apoiando o seu amado filho e isso nunca iria mudar. Desde a primeira vez que o viu em sua sala, sabia que aquele menino conquistaria o mundo, e ela estaria lá para ver tudo. Ele e Jimin mereciam o universo inteiro aos seus pés, não só pelo talento mas também por tudo o que passaram para chegarem até ali.


— Agora nada de choro! Precisa estar inteiro e sorridente para conquistar ainda mais os corações de todos hoje — sentiu ele beijando suas mãos e sorriu ainda mais. — O mundo é seu, seu e de Jimin.


— O mundo é nosso — afirmou, sentindo o coração esquentar só em pensar no rapaz de cabelos rosados.


Namjoonie? — ouviu a voz de Jimin, que apareceu pela brecha da porta, fitando-lhe sorridente. — Está na hora!


As batidas antes calmas agora davam lugar a aceleradas, seguindo o ritmo de uma bateria num show loucaço de Rock in Roll. Limpou o suor das mãos e o resto das lágrimas, que queriam fugir de seus olhos, para, então, acompanhar o Park junto de Odette, sua nova mãe.


Agora tão perto do palco, esperando seu nome ser chamado, nunca sentiu um nervosismo tão grande em toda a sua vida. Tentou o máximo aparentar calma e tranquilidade, mas não estava dando muito certo.


— Namjoon, eu sei que está muito nervoso, 'tá escrito na sua cara, por isso toma — entregou ao rapaz uma pequena bolinha de gude, em tom rosado como os de seus cabelos. — Aperte-a junto a si e lembre-se que vou estar ali com você, estando muito perto ou não.


A intensidade de suas batidas agora tinham um foco único, o estômago embrulhava de uma forma boa e ele não sabia como nomear todas aquelas sensações, contudo tentava ao máximo não transparecer como havia feito com o seu nervosismo.


— Obrigado por tudo, Jiminie, sou muito grato a você e todo o pessoal — segurou as mãos pequeninas do Park, sentindo o calor delas confortando o seu peito. — Vocês são a minha família.


— Você também é a nossa — sorriu largo, tendo seus olhinhos comprimidos pelas bochechas gordinhas, fazendo-os desaparecer. — Agora vai lá, o mundo é todo seu!


— Não, Jimin, o mundo é todo nosso — corrigiu sorridente, suas lindas covinhas mexendo com todo o interior do mais novo.


Soltaram as mãos e o rosado observou Namjoon sumir em meio às cortinas do palco. Era o momento em que iria brilhar e o Park o ajudaria mais ainda.


Caminhou na direção contrária, indo trocar suas roupas para dançar a coreografia que fez especialmente para a música que ele escreveu para si.


Namjoon estava realmente no palco, os olhos comprimidos pelo esforço que fazia em algumas afinações e o sorriso estonteante quando cantava as partes de rap existente nas músicas. Era tão boa a sensação de sentir o público e compartilhar do mesmo sentimento que ele.


Naquele momento, ele lembrou o que aquele rapper havia dito a si, sobre sentir o coração e escrever algo profundo baseado em sentimentos que você vai desvendando aos poucos. No início, Namjoon não havia entendido nada, tudo era tão confuso, mas agora ele podia compreender com firmeza toda aquela sensação gostosa e aquecedora.


Depois de um tempo, seu show estava chegando ao fim, era a hora da música final, justamente a primeira música que marcou o seu recomeço e a importância que Jimin tem em sua vida. Quando escutou a melodia ecoar pelo palco, sentiu a vibração em sua garganta e a voz ecoou com força, a rouquidão em perfeito equilíbrio com a sinfonia.


Ao abrir os olhos ele encontrou o rosado dançando em frente ao palco, coreografando de forma bela e singela, algo tão sublime e inexplicável. Suas vestes brancas davam destaque ao seu cabelo, o lenço da mesma cor era jogado para cima e depois pego de volta, numa delicadeza e precisão incomparáveis.


Os passos de Jimin entravam em sintonia com a sua voz, uma sincronia tão perfeita que Namjoon não era capaz de expressar em palavras, apenas libertava seu coração para cantar com emoção aquela música tão importante para os dois.


E quando o fim chegou o lenço fora jogado uma última vez, ele o pegou antes que caísse e ajudou o Park a subir no palco. Ambos se abraçaram, recebendo centenas de aplausos e gritos animados, todos extasiados com a emoção transmitida na apresentação. As respirações estavam desengonçadas devido ao cansaço enquanto o peito dançava a mil, eufóricos com o resultado da apresentação.


Aquele momento nunca seria esquecido em suas vidas. Ali Namjoon percebeu o significado do amor. O amor que sentiu ao subir pela primeira vez no palco, podendo cantar e tocar os corações de muitos e o amor que sentiu ao ter Jimin dançando a música deles.


Ele estava apaixonado mais ainda pela forma como Jimin dançava, mas também estava amando o rapaz de cabelos rosados como se não houvesse amanhã.


Estava decidido a tentar conquistar o coração daquele que o ajudou a entender os sentimentos, não somente os seus, mas das pessoas ao seu redor, sendo o principal motivo para escrever a mais bela canção e ainda receber de presente uma coreografia especialmente para ela.


Ele iria alcançar seus sonhos, iria conquistar cada um com a presença do Park ao seu lado, o apoiando e retribuindo tudo o que ele fez por si. Queria o sucesso do garoto, pois como ele mesmo dissera: o mundo era deles.


[...]


A vibração das vozes dos seus fãs era o motivo de toda a sua coragem para enfrentar o nervosismo e subir ao palco.


Ele estava sozinho no camarim, Jimin havia ido ver a movimentação nas arquibancadas do estádio. Era possível ouvir os gritos dos fãs chamando por si e pelo seu namorado, algo comovente e maravilhoso.


Quem diria que seus sonhos iriam se realizar? Todos duvidaram, disseram que era algo inútil e olha aonde ele chegou. Kim Namjoon conquistou o mundo, junto a Park Jimin. O mundo agora realmente pertencia a eles.


Não existe felicidade maior do que essa, algo tão contagiante e satisfatório. Ele tinha o amor de milhões de pessoas, recebia tanto apoio e se dedicava ainda mais por todos eles. Era grato à sua família e aos seus fãs, eles foram os pilares para alcançar o patamar onde estava.


Ouviu a voz de seu namorado ecoar no microfone, fazendo todas as fãs gritarem loucamente e não resistiu em levantar e partir para o seu show.


Era a hora de mostrar a todos do que era capaz. Mostrar ao mundo que ele e Jimin eram os reis que comandavam ali.


A equipe colocou o aparelho em seus ouvidos, entregaram seu microfone dourado e subiu ao palco para iniciar o show. Antes de aparecer realmente aproveitou a deixa para puxar Jimin e beijar-lhe com avidez, ganhando um sorriso grandioso do rapaz agora de madeixas ruivas.


— Vamos fazer um bom show, meu amor — disse-lhe com um sorriso lindo, recebendo outro selinho em troca pois sabia que seu sorriso era um ponto fraco de Namjoon.


— Vamos conquistar mais uma vez esse mundo — sussurrou rente os lábios do homem que amava, puxando-o para se posicionar junto a si no palco escuro.


A música começou a tocar, as luzes acenderem aos poucos e a multidão entrou em euforia. Todos gritavam os nomes de ambos, mas principalmente o de Namjoon, tratando-o como o rei que ele era.


E como uma deixa para começar com chave de ouro, cantou a música que marcava toda a reviravolta da sua vida e o auge do seu sucesso.



The Rise Of BangTan

Sou Rap Monster, varrendo ligeiramente todos os rappers aposentados, va va varrendo

Letras? Sou como um deus, 24/7, eu sou bom nisso

Os ninguém e nada cria uma cena de novo hoje

O momento que eu subo no palco

Eu sinto o som dos seus gritos

Fique assim para sempre

Porque mesmo se eu morrer assim, eu não vou me arrepender



Sentindo toda aquela energia, ele fechou com chave de ouro, sendo aclamado como o ídolo mais popular de todos os tempos.


*Notas Finais*


Primeiramente quero agradecer a blakebloom por essa capa belíssima, estou completamente apaixonada por ela e só tenho que exaltar o seu talento como forma de gratidão 💞💜💞💜 e também agradeço a Vânia (stigmathies) por ter feito a betagem da minha bebê quando estava no projeto.


Espero que tenham gostado, eu simplesmente amei escrever assim como reler me fez um bem danado, obrigada por tudo meus amores 💞💖


Twitter: @stephy_lilian

CuriousCat:
https://curiouscat.me/stephy_lilian


Nos vemos em uma próxima história 💕

4 de Agosto de 2020 às 23:15 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

Conheça o autor

Ageha Sakura >> why do you still wishing to fly? >> taekook is a cute world sope ; bwoo ; kaisoo ; markson ; hyudawn twitter: @stephy_lilian [Ficwriter]

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