akayoshi Akayoshi _

{¿Tianshan?} He Tian, o infortúnio que a vida teve o desprazer de me proporcionar. Tudo nele me irritava; até mesmo seu sorriso barato, que sutilmente rasgava aqueles lábios finos para me caçoar – afinal, eles nunca perdiam a oportunidade ideal para trazer à tona toda a minha vergonha camuflada.


Fanfiction Anime/Mangá Para maiores de 18 apenas.

#Tianshan #19-days #He-Tian #Mo-Guan-Shan #Zhan-Zheng-Xi #Jian-Yi #Xiao-Tutou
Conto
0
860 VISUALIZAÇÕES
Completa
tempo de leitura
AA Compartilhar

Capítulo único

Éramos

Capítulo único


Modéstia à parte, aquele rostinho bonito não me tremia o corpo com alvorecer de borboletas no estômago, mas sim, sem sutileza alguma, provocava no fundo da minha garganta uma cólera desgraçada, que colava em minha traqueia como sevandijas [1] – comendo lentamente todas as palavras bonitas que um dia poderiam vir a se desprender dos meus lábios, restando apenas a podridão do meu espírito, que se refletia em tudo que eu falava ou fazia.

He Tian, o infeliz infortúnio que a vida teve o desprazer de me proporcionar. Tudo nele me irritava, até mesmo seu sorriso barato, que sutilmente rasgava aqueles lábios finos para me caçoar – eles nunca perdiam a oportunidade ideal para trazer à tona toda a minha vergonha. Logo eu, ser de ego inflado, ensinado a ter a força de espírito elevada e a cabeça erguida para qualquer um, tinha que suportar ao meu lado uma pessoa que diferia de tudo aquilo que um dia acreditei escolher tolerar.

Não éramos amigos; tão pouco conhecidos – pelo contrário, sua vida oculta se vendava completamente para qualquer um; e ao contrário daquele passado pelo qual meus ouvidos nunca escutaram um fio, He Tian continuava metendo seu fuço na minha vida, espreitando aqueles olhos de gato em cima de tudo que se referia a mim, querendo ter posse, ter conhecimento de tudo que dispunha meu nome.

Em momento algum dessa minha origem ominosa pedi por amigos.

Pedi por meu pai, apesar de minhas preces frustradas não terem me levado a lugar algum.

Pedi por minha mãe, aquela a quem eu realmente devo alguma coisa nessa vida.

Porém, nunca achei que a vida – em toda sua implicância de me fazer de tolo – me traria amigos; olhem bem, a palavra “subordinados” não se encaixava para nenhum daqueles idiotas, apesar de que ultimamente nem mesmo Tutou [2] estava se encaixando nessa definição. As coisas simplesmente acontecem sem o nosso olhar estar preso ao desenvolvimento da vida, temos, simplesmente, que lidar com isso.

Apesar de saber que nada é justo, e que o correto é termos que nos adaptar as incertezas do futuro, eu não consigo lidar com nada que envolva He Tian, porque o marginal me aborrece como nada no mundo e com o tempo começo a duvidar que essa seja realmente a missão dele na terra: fazer minha vida um inferno. Odeio quando ele sorri; quando me toca com aquelas mãos geladas – me empurrando como uma boneca de pano para o lugar que ele quer; não gosto quando me conforta, nem quando vê através de mim, enxugando minha tristeza invisível com aqueles dedos longos; não suporto quando me protege ou até mesmo quando faz algo por mim sem eu ter pedido.

Não suporto toda essa gentileza disfarçada.

Não suporto esse carinho comedido, que me é oferecido todos os dias como se fosse algo que eu deveria estar acostumado a receber.

Eu não sei lidar com nada disso, com as risadas escandalosas de Jian Yi, com a passividade de Zhan Zheng Xi, muitos menos com o companheirismo leal de He Tian. Eu, que me acostumei com a solidão da vida, começo a me estranhar por rir com eles, por me irritar com coisas tão triviais e fazer disso um motivo para voar em cima de Tian, querendo esganar aquele pescoço fino. Me estranho por criar monólogos sobre esse assunto, sempre enfiando o maldito boçal arrogante em todos os meus pensamentos e conhecimentos sobre laços.

He Tian não era meu amigo, tão pouco meu conhecido. Eu não sabia o que éramos, mas não poderia nos definir como estranhos. Ele não me causava borboletas no estômago, mas sim um furacão na cabeça. Vê-lo me irritava, mas ficar sem vê-lo me causava desconforto; estar com ele era um martírio, mas não tê-lo ao meu lado fazia meu peito afundar em um abismo de emoções que nunca me dei o prazer de sentir, e apesar de que toda vez que ele me falava alguma coisa minha maior vontade era de socar aquele rosto arrogante, quando ele estava de boca fechada eu podia apreciar a sintonia que nossos corações haviam formado ao longo daquele tempo em que ele encheu meu saco até poder estar ao meu lado sem levar um murro.

Eu não sabia o que éramos, mas gosto de como estamos.


Notas Finais

[1] parasita; verme.

[2] amigo do Mo Guan Shan, Xiao Tutou ou Baldie (para os próximos, hahahah).

2 de Agosto de 2020 às 22:39 0 Denunciar Insira Seguir história
0
Fim

Conheça o autor

Akayoshi _ Escrever: um dos meus únicos segredos pessoais do qual nunca abri mão. Dessa vida, já me foi tirado muito, mas o gosto pelas palavras sempre ficou comigo, no âmago, sendo cultivado para não ser mostrado a ninguém. Decidi compartilhá-lo através dos universos que me apeguei nesse meu caminho da vida, e espero sinceramente que minha jornada nunca seja solitária. Prazer, aqui é a Akayoshi.

Comentar algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~

Histórias relacionadas