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Rafaela Gomes Alfonso


Ana se encontra em um lugar que não conhece, onde ela pode lembrar de toda sua vida. Começa a escrever então desde de que nasceu ate se tornar a pessoa que ela era.


Ficção adolescente Todo o público.

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Em progresso - Novo capítulo Todas as Sextas-feiras
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Um lugar estranho

Eu não sei onde estou, ou porque estou aqui. Não sei se faz horas, ou minutos que cheguei. O que sei, e que este lugar traz emoções bizarras e estranhas. Me lembro perfeitamente de tudo da minha vida, desde o meu nascimento, até agora…

Aqui neste lugar, é muito escuro, ou talvez simplesmente não há nada para ver, pois posso enxergar uma escrivania, onde acima se encontra um caderno em branco, e uma caneta que escreve tudo o que eu digo. A princípio pensei em escrever sobre coisas aleatórias, como personagens de conto de fadas que viajam no tempo. Mas era como se o livro não aceitasse o que eu dizia, ai eu finalmente entendi, que não era qualquer história que deveria ser escrita, era a minha história. Desde que começou, há quinze anos atrás, até o seu fim, ou até eu vir para esse lugar estranho.

Sempre tive mania de colocar nome em tudo, então eu acho importante que este lugar, tenha um também. E considerando o que consigo ver, além do escuro infinito, decidi chamar de Escrivania.

Mas vamos para às apresentações, meu nome é Ana, filha de Maria e Fábio. Nasci no dia 08 de julho. E esse lugar estranho, ou melhor, a Escrivania, me permite lembrar do dia que eu nasci. Vejo tão claramente agora, que sinto falta desse tempo em que eu não tinha que me preocupar com nada.

Minha mãe fez parto normal, por isso logo recebeu alta. Lembro de gritos, e alguém que acredito ser o meu pai dizendo que ia ficar tudo bem. Minha avó dizendo que ia passar, que ia valer a pena. O médico dizendo que já podia ver minha cabecinha. E minutos depois um choro irritante transbordava na sala, junto com o choro de várias pessoas ao me redor me olhando.

Nessa época meus pais eram recém casados e moravam em uma cidade pequena, a empresa que um dia será conhecida por muitos, ainda era uma pequena lojinha da cidade. Minha casa não era grande, mas para mim, uma pequena bebezinha, inocente e fofa, era como um castelo.

Meu quarto era lindo, meu berço era de madeira clara, era simples, mas minha mãe, já nessa época, tinha o dom de deixar uma coisa sem graça, maravilhosa… Ela pegou cortinas, cortou e pregou no berço, depois com alguns tecidos cor-de-rosa, ela fez uma linda manta, a qual eu dormia todas as noites até meus seis anos. Ao lado da porta, tinha uma cômoda, onde ela colocou todas as minhas roupas organizadas. Em cima da cômoda, ela fez um espaço para o trocador, e acessórios. Num canto tinha também uma cadeira de balanço, que ela usava para me amamentar. Por último, em um espaço vazio no chão, um tapete feito também pela minha mãe, no qual ela colocou alguns brinquedos.

Vendo pelos meus olhinhos, aquele quarto, era absurdamente lindo, brilhoso, rosa e aconchegante.

Minha mãe estava maravilhosa nesse dia, e seus olhos, grandes perto dos meus, estavam brilhando como nunca. Não me lembro de vê-la tão radiante como estava mais uma vez. Percebo agora o quanto ela mudou. Seus cabelos castanhos, e grandes que chegavam às costas. Sua voz doce e adorável, simpática. Já de bem pequena, percebia o quanto ela era amorosa e amável com todos. Usava sempre roupas sérias pra sair, mas quando ficava em casas suas roupas eram alegres e floridas, erma nossos melhores momentos juntas. Saudade dessa época…

Já o meu pai, tinha cabelos negros como a noite. Seu sorriso era encantador, sempre que ele olhava para mim com aqueles olhos grandes e profundos, e aquele sorriso, eu também sorria. Gostava de vê-lo constantemente. Por isso sempre queria agradá-lo. Meu pai sempre estava com roupas sérias, nem quando íamos em festas a fantasia, ou na piscina ele usava roupas coloridas, sempre roupas com cores frias… Meu pai era um homem muito justo e não tolerava mentiras dentro de casa. Nossos melhores momentos eram quando jogávamos xadrez por horas, mesmo ele sempre ganhando...

A empresa de meus pais, vendia móveis, e como aprenderia falar mais tarde, móveis de luxo. E sempre gostei do nome: Mabio’s Móveis, que e a junção de Maria e Fábio.

E ainda nas horas extras, minha mãe tirava um tempo para o artesanato. Ela fazia coisas incríveis, como bolsas de tecidos, almofadas, e mais um monte de coisas úteis, que depois vendia.

Antes de entrar na escola, ficava bastante com a minha avó materna. Ela era como uma babá, mas um pouco melhor. Quando entrei na escola, também ficava com ela, mas não tinha muito tempo.

Mas Deus desejava mais para gente. A empresa cresceu absurdamente, e aos meus cinco anos, nos mudamos para uma cidade bem maior. A casa pra qual mudamos, era cinco vezes maior que a anterior. Era uma mansão que ali, parada nos portões, observando maravilhosamente toda aquela luxúria, achava desnecessária. Eu amava minha casa aconchegante.

Minha opinião mudou, depois de várias, cozinhas, salas, banheiros, e outros cômodos enormes, eu finalmente conheci o meu quarto. Ele ainda não estava com todas as minhas coisa, mas depois que chegaram e tudo foi colocado no lugar, pude analisar com mais calma. Meus pais tinham colocado uma cama, tão alta que mal conseguia subir, meus acessórios ficavam em uma linda penteadeira branca com 4 gavetas. Não tinha mais a velha cômoda, mas um closet enorme, com espaços de inúmeras roupas. Ao lado do closet um banheiro, com tapetes felpudos cor-de-rosas. Os meus brinquedos triplicaram rapidamente, e ficavam organizados em um espaço reservado no meu quarto. A única coisa normal para mim ali, era a velha manta cor-de-rosa.

E a coisa que eu mais gostava na casa nova, era que agora eu podia ter animais. Minha mãe permitiu um cachorro, um gato e outro animal de minha preferencia. Acho que eles sabiam que iam estar fora por muito tempo e eu precisava de companhias… Logo adotei um cachorro, na verdade acho que foi ele que me adotou, pois o encontrei na porta de casa, e ele abanou o rabo para mim. Como era um cachorro de rua, meu pai não queria que eu ficasse com ele, mas de tanto eu insistir ele acabou cedendo. Coloquei o nome do cachorro de James.

Comprei um gato Persa lindo, ele era amarelo e o batizei de Romeu.

Talvez se não tivesse mudado, se a empresa não tivesse crescido tanto, talvez, só talvez, eu poderia ter sido melhor… Talvez o acidente não teria acontecido.

31 de Julho de 2020 às 14:14 0 Denunciar Insira Seguir história
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