Contagem regressiva para a Copa dos Autores 2020. Registre-se agora e tenha a chance de ganhar prêmios!. Leia mais.
alanmattosanjos Alan Anjos

“Concordo, somos monstros, mas não para nós ou a nossos iguais _o sibilar de um predador era tudo que chegava aos ouvidos do homem, seus cabelos emaranhados parecia um ninho construído às pressas, onde logo o pássaro o abandonou _estamos acima da cadeia alimentar, somos os altruístas de um novo mundo, deuses de um novo rei, senhores de um novo povo _as mãos se afrouxaram sobre o pescoço, mas ainda permaneciam atreladas a ele, como se fosse a garantia de algo _Gabriel; somos fugitivos, adventos de um mundo largado, você sabe de tudo que estou lhe dizendo, porque eu sou você _a luz de um raio rasgou e aqueceu o ar, queimando os átomos; a penumbra se desfez por míseros segundos, o suficiente para revelar a faceta que sorria em dentes amarelados, era como fitar o espelho _somos... como e que eles dizem... _a língua estalava subindo e descendo o céu de uma boca seca.”


Suspense/Mistério Todo o público.

#escuro #morte #dialogo #sonhos #trevas #noite #conto #conversa #dilemas #suspense #misterio
0
1.1mil VISUALIZAÇÕES
Completa
tempo de leitura
AA Compartilhar

Uma conversa no escuro

-Ainda está escuro por aqui _a silhueta na penumbra não se mexia, parecia recortada no próprio tecido da noite _você, não está com frio? _o silencio foi constrangedor, mas logo o vento soprou, dobrando sua direção na parede além daquilo que se pode observar, o ruído lhe despertou para seu monologo _eu... eu estou, devíamos entrar e nos cobrir...

“Você... _o vento sibilava para ganhar forma e timbre_ quer dizer apenas você _a voz que se ouvira, carregava rouquidão de alguém velho e doente, sendo grossa e áspera, parecia arranhar a parede com garras finas e fortes, criando o desconforto de uma gastura _se cobrindo com o manto de mentiras como eu lhe ensinei, se escondendo na casa de falsos deuses _a silhueta ganhava contraste, o desenho tornava-se mais fino, logo se via olhos brilhantes como joias, dois rubis de intensidades variáveis _suas mãos ainda tremem, sinto o medo despedaçando suas entranhas, seu coração no ritmo de uma dança, uma que você nunca imaginou existir _tremia como um capuz deixado a esmo, a silhueta dançante no soprar dos ventos _uma que jamais poderá acompanhar, aquele barulho de tambor ressoante, vibrante, como batidas de um martelo; bate na pele, carne e ossos...”

-Nos dois sabemos que não sei dançar _ambos gargalharam, mas a que veio da sombra era como pisar em um copo quebrado.

“Eu lhe pergunto, o que pode ser pior, mentiras ou a dadiva do ocultar, esconder?”

-Acredito, que possa... _pensar era a única coisa que lhe franzia a testa, e foi notado pela sombra, mesmo a esmo ainda se ouvia a respiração enfurecida _ser as mentiras.

Um longo suspiro foi se ouvido da outra parte da conversa, mas conforme se distanciava, o som se tornava um apito, como se estivesse arbitrando uma partida de futebol, e aquele homem tivesse acabado de cometer um pênalti.

“Como sempre está errado, eu me pergunto o que seria de você, sem a minha presença?”

-Talvez, eu seria normal _a gargalhada se repetiu, um pouco mais contida _ até mesmo poderia passar mais tempo com minha mãe.

“Admito, teria sido melhor, e você realmente deveria ter aproveitado, cada momento ao lado dela, mas o seu tempo se passou, todos temos prazo de validade, como um bom presunto _o cenho daquele que ouvia as palavras da noite, se agruparam, duas linhas se desenharam em sua faceta, seus olhos marejados gostariam de se esvaziar, os conteve levando uma das mãos ao rosto _agora, ficara um pouco mais complicado para a encontra-la, nada que algumas velas brancas e a posição de penitencia não resolva, de praxe, será absorvido de seus pecados, como os outros antes de você e os outros antes deles.”

-No fim tudo e muito simples... _sua voz estava se esvaindo em uma tristeza que não se permitia ter.

“Eu faço ser.”

-Então me diga, por que estou errado?

“Mentir e algo que todos os dias e feito, seja pela sociedade, enganando a todos, por incontáveis propagandas, _ouvia-se o gotejar distante de algum cano que não fora muito bem vedado, incomodava os ouvidos e as vezes o fazia perder parte da conversa _você precisa disso para ser feliz, precisa daquilo para que sua vida faça algum sentido _o silencio era a pausa dramática, a pausa necessária para assimilar as palavras, mas o silencio não e duradouro _isso e tão chato e perturbador, diga-se de passagem.”

-Sou obrigado a concordar, incontáveis vezes em um mesmo dia, pelo televisor, celular ou até mesmo pelo rádio, fui bombardeado com propagandas, todas me dizendo para que eu trocasse de celular, fora quando... _o apito fora assoado, incomodando, não pelo som agudo mas sim pela sensação de constrangimento _me desculpa, prossiga por favor.

“Como eu ia dizendo _as palavras foram seguradas para se situar do momento de sua interrupção _mentir... _uma única palavra que parecia adocicar a boca, um doce entregue para a criança permanecer calada, mas ali apenas um, se deleitava com os princípios açucarados _e como se já estivesse em nosso sangue, cada partícula e cada mancha, principalmente aquela, desenhada na parede _as costas o desenho de uma arvore brilha em escarlate, o seu quadro era de tijolos, adornada por um círculo esculpido em prata, desempenha o papel de luz dentro da bruma _pintada com um pincel fora dos padrões, peculiar diga-se de passagem _talvez se a sombra tivesse um rosto, ela estaria sorrindo igual ao homem, que não parara um segundo se quer de fitar a penumbra _o próprio sopro da vida... voa-la, agora seja um parasita que caminha e se instala nos demais, propagando de cunho duvidoso, como se fosse lei; não estou aqui para julgar o domo de ninguém _o frio se intensificou, quando gotículas de uma chuva grossa, ganhou prontidão e o paladar se tornou metálico _vamos, melhor entrarmos, antes que eu me sinta resfriado.”

-Antes de irmos _os dedos se mexiam de maneira fantasmagórica, não respeitando a própria matéria que os forma, sem possuir nenhum controle de seus movimentos, braços enrijecidos pelo frio, tocavam com os dedos uma música, escrita e orquestrada por sua cabeça, um show à parte _preciso que me diga, o que significa, esconder?

“Escondemos nossos demônios Gabriel, atrás da porta, de baixo do tapete, dentro de envelopes pardos ou no mais profundo e difuso lugar de nossas mentes... _deram um tempo na conversa, mesmo com a chuva o som de cano pingando ainda era presente, o vento não ousava, manifestar sua cantiga; mãos espalmadas, percorrendo cada centímetro da matéria, roupas totalmente encharcadas, em um grande casaco verde, calças curtas do velho moletom cinza, cobria apenas o limiar de suas canelas deixando o tornozelo exposto, uma única meia branca do lado esquerdo, estava suja, manchas vermelhas maculando o algodão _geralmente sempre chove quando nos embrenhamos em uma mata após um dia produtivo nos ermos da consciência.”

-Tem razão _ao erguer sua cabeça, sentiu a chuva cair diretamente sobre seus olhos, misturou uma maresia de sensações no solvente natural, o banho que tomava, limpava-o de seus pecados, infelizmente as marcas tatuadas na mente eram, e sempre a de ser, o seu açoite _eu sei o que somos.

“E o que somos?”

Era como ouvir uma cobra embrenhada em meio a palha seca, pronta para dar seu bote, cravar suas presas, na carne e despejar seu veneno, coagulando o sangue.

-Monstros...

As palavras doíam quando as mãos se fecharam entorno de seu pescoço, o som se repetia em todas as direções, enquanto a chuva silenciava qualquer que seja os pedidos de socorro ou talvez seria a pressão dos dedos lhe tomando o ar da vida.

“Concordo, somos monstros, mas não para nós ou a nossos iguais _o sibilar de um predador era tudo que chegava aos ouvidos do homem, seus cabelos emaranhados parecia um ninho construído às pressas, onde logo o pássaro o abandonou _estamos acima da cadeia alimentar, somos os altruístas de um novo mundo, deuses de um novo rei, senhores de um novo povo _as mãos se afrouxaram sobre o pescoço, mas ainda permaneciam atreladas a ele, como se fosse a garantia de algo _Gabriel; somos fugitivos, adventos de um mundo largado, você sabe de tudo que estou lhe dizendo, porque eu sou você _a luz de um raio rasgou e aqueceu o ar, queimando os átomos; a penumbra se desfez por míseros segundos, o suficiente para revelar a faceta que sorria em dentes amarelados, era como fitar o espelho _somos... como e que eles dizem... _a língua estalava subindo e descendo o céu de uma boca seca.”

-Almas gêmeas _ a voz que vinha da boca de Gabriel falhava em continuidade, mas até certo ponto mantinha as conotações firmes; o ar preenchia novamente seus pulmões enquanto seus braços pendiam impotentes de seu tronco _ou algo assim...

“Melancólico mas assertivo de certa forma _o cano ressoando ao longe com sua música dramática, um verdadeiro tambor de guerra, sem ritmo algum, mesmo com o vozeiro das incontáveis gotas de chuva aquele barulho era insuportável para Gabriel _vamos, logo o show deverá começar, antes que nós partamos _passos eclodia do negrume, o som de um dançarino a sapatear no piso de madeira _limpe-se _ao fim das palavras, as mãos se ergueram aos olhos, revelando a coloração, avermelhas como sangue, até que se tornaram negras como a noite sem luar.”

23 de Julho de 2020 às 12:54 0 Denunciar Insira Seguir história
0
Leia o próximo capítulo O Interrogador

Comentar algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~

Você está gostando da leitura?

Ei! Ainda faltam 6 capítulos restantes nesta história.
Para continuar lendo, por favor, faça login ou cadastre-se. É grátis!

Histórias relacionadas

Mais histórias