inial_lekim Inial Lekim

Pessoas são seres de hábitos, alguns bem estranhos e incomuns, outros que não surpreendem ninguém. E é por isso que, todos os dias, ao se aproximar das duas da manhã, uma nova leva de batatas era levada a fritadeira... E Gai não deixava de se questionar sobre a condição das veias daquele rapaz.


Fanfiction Anime/Mangá Impróprio para crianças menores de 13 anos. © Os personagens são do kishimoto.

#batatas-fritas #vampiro #mcdonalds #maito-gai #kakashi-hatake #cliches-as-avessas #kakagai #naruto
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02:00 a.m.

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Dois hambúrgueres

Alface, queijo, molho especial,

Cebola, Picles

Num pão com gergelim


É o Big Mac (Big Mac)




Gai gostava de seu trabalho. Verdadeiramente gostava! Especialmente agora que finalmente havia conseguido fazer com que Hiruzen o mudasse para o turno da madrugada e, assim, conseguisse conciliar o emprego de atendente com as aulas de karatê que dava no Centro Sócio Educativo que frequentou quando criança... e o salário era bem melhor.

Claro, não era perfeito. Às vezes era entediante ou extremamente estressante, o cheiro do hambúrguer na chapa já perdera todo o apelo do início e a oleosidade em sua pele e em seu cabelo eram frequentemente um grande incomodo. Mas ele gostava das pessoas e das relações que havia construído nos dois últimos anos.

E ele gostava de trabalhar com pessoas, e tinha um apreço especial por aqueles que via quase que diariamente.

Ele havia trabalhado no turno da manhã e acompanhado os vários clientes regulares iniciarem seus dias com um copo de café ou um croissant; passou alguns meses no turno da noite, vendo vários outros clientes em seus encontros com sundaes e milk shakes e, agora, no turno da madrugada, se surpreendia com os que passavam quase todos os dias para jantar os lanches que ofereciam.

E Gai se via preocupado com a total falta de alimentos saudáveis nas refeições dessas pessoas. Afinal, de que adianta comer salada quando ela vem no meio de hambúrgueres e queijo?

E isso o fazia lembrar quase que instantaneamente de um cliente específico que conheceu em seu primeiro dia no turno da madrugada.

Era uma sexta-feira e, como haviam o informado anteriormente, era o dias dos bêbados. O gerente responsável, que já o conhecia da época em que trabalhou no turno da manhã, o colocou no caixa, devido seu ótimo atendimento e facilidade de se lembrar de vários pedidos feitos simultaneamente, sem perder a agilidade e a cordialidade que tanto presavam.

E essa foi a primeira vez que o viu.

Não foram as roupas, a máscara no rosto ou o cabelo branco que chamaram sua atenção e tornaram mais fácil lembrar-se dele, afinal, Gai tinha uma certa dificuldade em se recordar do rosto de pessoas que viu poucas vezes, mas sim o fato do rapaz aparentar ter se assustado com seu cumprimento um tanto animado as duas da manhã.

“Olá! Que bom que você veio!”, havia dito, logo que viu o mais recente cliente passar pela porta, fazendo-o pular para trás.

Ele logo se recompôs e se aproximou, apenas estendendo-lhe um cartão, ao mesmo tempo em que Gai lhe ofereceu a mais nova promoção de combo que haviam pedido que fosse sugerido a todos.

O rapaz o encarou por exatos três segundos.

“Você é novo”, declarou, enquanto Genma vinha do fundo da restaurante, colocava mais batatas para fritar e se aproximava, cumprimentando-o e dizendo a Gai que ele era um cliente regular, logo se desculpando com o rapaz e fazendo ele mesmo o registro do pedido.

Quatro batatas grandes sem sal, um cheeseburguer sem queijo ou qualquer condimento, apenas com o hambúrguer bem mal passado e um milk shake de baunilha médio, mas com menos da metade do copo preenchido.

E uma das tampas de sundae.

Essa foi a bandeja que Gai viu todas as madrugadas em que trabalhou, sempre as duas da manhã, durante toda uma semana até finalmente conseguir lembrar-se do cliente e seu pedido.

E, é claro, seu nome. Graças ao uso diário do cartão de crédito.

Kakashi Hatake.

Ou, como Gai descobriu ser seu apelido entre os funcionários, o cara das batatas (ou o horário do mini break, para aqueles que sempre esperavam que ele chegasse para se situar no horário e se revesarem para saírem para fumar no estacionamento).

Ele chegava, pagava e pegava seu pedido já pronto no minuto em que atravessava a porta, indo para a última mesa, colocando um molho trazido por ele na tampa de sundae e preenchendo o restante do copo de milk shake com um tipo de vitamina vermelha. Comia devagar, de costas para o balcão, de forma que ninguém conseguia ver seu rosto (e mal sabia ele das apostas que rolavam entre os funcionários sobre sua aparência). Ficava ali por uma hora mais ou menos, então se levantava, jogava fora as batatas restantes, o resto de cheeseburguer e levava consigo seu molho e o milk shake, sem falar qualquer palavra de despedida.

Isso mudava um pouco nos dias em que a restaurante estava fechada e apenas o drive thru continuava em funcionamento. Não muito, é claro. Ainda começavam a preparar o pedido as 01:34 a.m. e, as 02:00 a.m., ele aparecia com um belo carro azul marinho no drive thru, pegava seu pedido, estacionava do outro lado da rua, sentava-se na mureta do estacionamento e fazia a mesma coisa que quando estava dentro da restaurante.

Tudo isso poderia se tornar apenas uma rotina, como era para todos, se não fosse um pequeno detalhe... Gai começou a sonhar com ele.

Cerca de dois meses depois de começar no turno da madrugada, após ter centenas de pensamentos sobre a saúde de Kakashi e seu consumo excessivo de batatas fritas, ele falou consigo.

“Boa noite, Gai”, cumprimentou, ao passar pela porta. Dizendo o mesmo ao sair.

E, aparentemente, isso foi o bastante para desencadear uma miríade de pensamentos e sonhos inquietantes.

Havia um sonho em particular que envolvia Kakashi vestido em uma fantasia de Ronald McDonald com um desfecho de calda de chocolate que fazia com que Gai corasse sempre que o relógio se aproximava do horário em que Kakashi chegaria.

E então seus cumprimentos e despedidas se tornaram um acontecimento corriqueiro, assim como a piada entre os funcionários sobre Gai ser ‘do tipo’ do cara das batatas.

Foi a partir desse momento que Gai percebeu que havia começado a prestar mais atenção a detalhes que antes haviam lhe passado despercebido. A cicatriz em seu olho direito que parecia mais vermelha do que em outros dias, mas que aparentava nunca se curar totalmente, o início de olheiras que poderiam facilmente passarem despercebidas pela máscara que Kakashi usava diariamente, algumas manchas sutis que escureciam suas camisas em alguns pontos e o fato dele não piscar com muita regularidade, o que Gai acreditava que deveria prejudicá-lo, já que Kakashi parecia ter o hábito estranho de usar uma única lente de contato vermelha, como um cosplay.

Entretanto, ao mesmo tempo em que havia um desejo profundo de querer conversar com Kakashi e conhecê-lo além do que ele gostava de pedir diariamente, havia uma voz interna lhe avisando que talvez essa não fosse a melhor das decisões e, assim, ele deveria ter controle de seus impulsos absurdamente extrovertidos.

Então suas férias chegaram e, com elas, a ideia de que acabaria por esquecer Kakashi, já que não mais o veria com regularidade.

Ah... o engano. Porque ai ele percebeu, foi como se a distância aumentasse tudo, desde os pensamentos até os sonhos.

E assim, Gai se viu acordando repetidamente no início da madrugada, até decidir, em uma segunda-feira, pegar seu carro e dirigir até seu trabalho. E lá o viu, como o esperado, sentado na mureta, de costas para o restaurante.

“Você demorou bastante”, escutou Kakashi dizer, logo que saiu de seu carro.

E, pela primeira vez, viu seu rosto a plena luz da lua e, ao contrário do que rodava pelos grupos de aposta dos funcionário, não havia nada de estranho ou anormal. Pelo contrário, ele era bonito. Muito, muito bonito.

Então Gai viu.

Os dentes anormalmente longos, manchados pelo estranho molho vermelho. E sentiu um arrepio pelo corpo e uma sensação de emoção que o levou a dar os últimos passos e sentar-se ao seu lado.

“Me desculpe por isso”, se ouviu dizendo, e virou para trás, vendo a expressão surpresa de seus colegas de trabalho agrupados na pequena janela do drive thru.

Se alguém o perguntasse tempos depois como foi que ele acabou em um relacionamento com Kakashi, Gai não saberia como responder. Não havia mistério. Eles conversaram.

Conversaram sobre absolutamente tudo, e Gai se viu aceitando um passei, as 04:00 a.m. pela praça que havia logo ali perto e, quando se deu por si, já não falavam mais sobre suas séries favoritas e ele estava preso entre o tronco de uma velha árvore e o corpo de Kakashi, com suas mãos dentro de sua calça e a boca em seu pescoço.

... e os dentes afundando em sua carne.

E isso deveria ter sido o bastante para levá-lo correndo para a igreja mais próxima, atrás da benção de um padre ou de conselhos sobre a melhor forma de usar uma estaca de madeira e água benta (embora Kakashi tenha rido quando lhe falou sobre o uso desse último elemento). Mas ele se viu voltando madrugada após madrugada, até que suas férias acabaram e ele voltou ao trabalho (fazendo com que Kurenai ganhasse a grande aposta sobre a fisionomia de Kakashi). Então se surpreendeu, por ver Kakashi começar a chegar horas mais cedo e ficar até o horário mais próximo do nascer do sol, já que eles tinham tempo de ficar juntos apenas nos dias alternados no qual Gai não trabalhava.

Isso durou por mais alguns meses até Gai ser convidado para dar aulas diariamente no Centro que frequentava, além de finalmente ter conseguido uma bolsa na faculdade que tando almejava.

E assim acabou por largar as madrugadas de Mc, e trocá-las por noites de ver um vampiro (e essa ainda uma ideia pensava sobre diariamente) comendo batatas com sangue em sua sala de estar, um milk shake de baunilha e sangue e um cheeseburguer com a carne quase crua (e, como descobriu, Kakashi ainda colocava mais sangue no pão), sendo ele próprio frequentemente a sobremesa favorita.

Muitas vezes pensava que isso beirava o absurdo da existência e que claramente ele estava enlouquecendo. Porém, no final das costas, Gai tinha uma única pergunta.

Como um vampiro come tanto McDonald’s?

19 de Julho de 2020 às 02:29 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

Conheça o autor

Inial Lekim 22 anos. Pisciana. Escritora. Sonhadora. Fotógrafa e Desenhista quando surge inspiração. Vocês já ouviram a palavra de KakaGai hoje?

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