Contagem regressiva para a Copa dos Autores 2020. Registre-se agora e tenha a chance de ganhar prêmios!. Leia mais.
gabyometto Gaby Ometto

Era o último ano do ensino médio, um ano para grandes mudanças, mas Liliane não estava muito animada com isso, ela só queria que acabasse de uma vez. Era um fantasma na escola, tirava apenas notas boas, mas nunca sua voz era ouvida nas aulas, também não tinha amigos, nunca teve, tinha muito medo de se aproximar das pessoas. Para ela, esse seria apenas mais um ano de tortura silenciosa e recreios escondida na biblioteca, mas o que ele não esperava é que uma nova aluna, Ana Lis fosse lhe mostrar através da amizade que ela pode alcançar sonhos que nunca imaginou conseguir.


Ficção adolescente Todo o público.

#ensinomédio #escola #primeiroamor #playboy #desenhista #autoestima #amor #amizade
0
1.0mil VISUALIZAÇÕES
Em progresso - Novo capítulo Todas as Sextas-feiras
tempo de leitura
AA Compartilhar

PRÓLOGO

Os cabelos loiros como trigo grudavam em meu rosto molhado com a mistura de lágrimas e suor. Fazia uma semana que eu e minha família havíamos nos mudado para a cidade Sorriso dos Anjos, no interior de São Paulo, e ainda não tinha feito nenhum amigo.

Nesse dia minha mãe havia me deixado brincar na rua de baixo, onde sua amiga de infância morava e havia prometido cuidar de mim, fui toda feliz, usava duas tranças amarradas com fitas de cetim rosa, nas pontas haviam pingentes de prata em forma de rosas. As trancinhas balançavam conforme corria animadamente ansiosa por finalmente fazer amigos.

As crianças brincavam de taco, corri alegremente pela rua sem saída, não havia nenhuma mãe por perto, de acordo com a amiga da mamãe, aquela era a rua mais segura de toda a cidade, não sabia se é verdade, acho que um policial morava lá, mas parecia que as crianças não se importavam com aquele detalhe.

— Olá! — Eu disse toda animada. — Posso brincar com vocês?

— Sim, precisamos de mais um para ser parceiro Pietro. — Disse uma garotinha negra de olhos brilhantes, muito linda.

— Não, não pode! — Disse uma garota com voz muito estridente, ela era um pouco alta para a idade, branquela de cabelos cor de ferrugem todo cacheado na altura do ombro.

— Não posso? — Perguntei hesitante de forma triste.

— Não! Eu não "blinco" com alguém tão medíocre, sem sal. — Ela fez uma pausa, talvez pensando se tinha pronunciado as palavras corretamente. — Vá embora.

Na época não sabia o que significava a palavra medíocre, nem como uma garota de cinco anos poderia saber, mas doeu. De alguma forma sabia que não era uma palavra boa.

— Mas... — Disse tentando fazê-la mudar de ideia.

— Essa rua é minha, eu mando nela, não "quelo" você, "loilinha" na minha rua. Você é feia com esse cabelo "loilo" apagado, esses olhos feios parecem não ter cor, sua gorda. Saí daqui agora!

Essas palavras me machucaram muito, de fato, eu era um pouco gordinha, mas ninguém nunca havia visto como um problema, e meus cabelos loiros todos diziam que eram lindos, que queriam ter um igual, mas nesse momento, toda a minha segurança caiu. Naqueles segundos que demoravam a passar, eu era apenas uma garota gorda de cabelos e olhos sem graça, que não foi permitido brincar.

— Saia daqui sua feia, não "quelo" ver você aqui nunca mais. — Ela gritou, um grito agudo que fez meus ouvidos arderem.

Dei alguns passos vacilantes para trás antes de começar a correr de volta para a casa que não era o meu.

Durante a corrida me perguntei por que ninguém havia me defendido, como a menina de olhos brilhantes que parecia sempre falar o que pesou ou outras crianças deixaram que essa garota fizesse aquilo comigo.

Na época eu não sabia, mas Luiza, a garota que me ofendera, fazia aulas de boxe, sendo mais forte que as outras crianças, que para não apanhar, faziam o que lhes era mandado sem reclamar. Mas isso nunca justificou seu comportamento.

Quando cheguei na casa meus olhos transbordavam lágrimas, meus pais estavam na cozinha, silenciosamente fui para meu quarto, sentei na cama, encostando na cabeceira e levei meus joelhos ao queixo, abaixei a cabeça e chorei como nunca havia chorado na vida.

— Não chore, serei sua amiga! — Disse uma voz parecida com a minha, porém aquela parecia ser mais madura, um tom mais grave, sem aquele tom agudo infantil.

Em meio as lágrimas levantei a cabeça, havia uma garota parecida comigo, porém havia algumas diferenças entre nós. Sorri para ela, que devolveu o gesto com sorriso ainda maior, ela se jogou na minha cama, ficando com a cabeça perto dos meus pés.

— Aquela garotinha que brigou com você é uma feia! — Disse e menina rindo.

— É. — Falei timidamente. Mas sorri, agora tinha uma amiga.

16 de Julho de 2020 às 01:26 0 Denunciar Insira Seguir história
0
Leia o próximo capítulo 1. - AMIGAS INSEPARÁVEIS

Comentar algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~

Você está gostando da leitura?

Ei! Ainda faltam 11 capítulos restantes nesta história.
Para continuar lendo, por favor, faça login ou cadastre-se. É grátis!