gr Gabrieli Rodrigues

Três dimensões interligadas por um acontecimento: Acompanhe a trajetória da anjo Yumi que caiu no mundo humano devido à traição de suas irmãs e foi acolhida pelo humano Hiro.


Fantasia Épico Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#manga #Drive #ação #rpg #aventura #angel
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Um Anjo no Lixo

Nossa história se inicia com a vida de Hiro Kotaka, um estudante do ensino médio do colégio Vancourt, nos Estados Unidos. Tinha seus dezessete anos de idade, pele branca, cabelo preto e curto com algumas ramificações laterais, seus olhos da mesma cor e relativamente puxados; herança de seus avós orientais. Seu porte físico era bastante normal para os garotos de sua idade e seu traje usual era composto de uma camiseta branca ou preta com uma calça geralmente jeans azul e tênis também pretos.

Era um garoto maduro e inteligente. Seus pais haviam morrido em um acidente de carro e devido a isso fora criado com seus avós japoneses. Aprendeu, desta forma, a se virar muito cedo e vivia sozinho em uma casa cujos custos eram bancados por eles lá do Japão, assim como seus estudos. Seu sonho era se tornar um famoso Mangaká e viver dos desenhos e histórias que desenhava desde criança. Planejava concluir os estudos e ir para uma escola de desenho.

Acordava cedo, tomava um banho e logo em seguida preparava seu café da manhã. Após a alimentação ia a pé para a escola, localizada algumas pequenas quadras de distância de sua casa. Permanecia até o período da tarde quando voltava para casa a fim de terminar suas tarefas e elaborar desenhos novos.

Porém neste dia seu trajeto sofreria mudanças.

Enquanto caminhava normalmente de volta para casa, ouviu um barulho estranho vindo de um beco por perto. Munido de curiosidade, resolveu investigar. A caçamba de lixo começava a se mover de forma intensa, chamando atenção do garoto. Depois de tanto movimento, o objeto finalmente tombou.

-Ah, deve ser só um gatinho de rua, eles geralmente usam o lixo. -Murmura Hiro.

Para a surpresa do estudante havia algo semelhante a um corpo humano ao chão, coberto de sujeira e restos de alimentos. Era uma garota com a estatura um tanto quanto menor que ele, aparentando ter dezesseis anos. Seus cabelos eram longos, cor de rosa e estava trajando vestes relativamente rasgadas, como se tivesse acabado de sair de uma guerra. Era possível notar que suas roupas eram brancas com um pouco de rosa e pertenciam à algum conjunto feito para uma espécie de filme mitológico.

-Moça? -Indagou Hiro.

A garota levemente se levantava, recobrando sua consciência.

-Ai, minha cabeça… Aonde estou?

A menina limpava seu rosto com as mãos, revelando uma face que de imediato deixava Hiro sem qualquer palavra. Olhos roxos que brilhavam de uma forma que nenhuma lente de contato seria capaz de emular e uma feição que o garoto só havia visto nos seus mais delirantes sonhos. Era literalmente um anjo que havia caído do céu.

-Consegue me ouvir? Como você está? -Pergunta Hiro, sendo cortês.

-Ahn…Um pouco suja, como dá pra ver, mas não tão machucada. -Responde a menina com uma voz um pouco fraca.

-Como assim não está tão machucada? -Questiona o garoto, interessado.

- Eu tive uma queda lá de cima até este lugar. Meu corpo dói um pouco pelo impacto.

-Queda? O que é você? Uma paraquedista?

- Eu sou uma deusa.

-Ok, acho que a pancada foi meio forte mesmo.

-Você não acredita em mim?

-Honestamente? Não. Mas não se preocupe, não é do meu feitio deixar uma dama desamparada assim.- Diz o garoto enquanto erguia sua mão para ela.

-No que está pensando? -Pergunta a menina um pouco acanhada.

-Vou te oferecer um bom banho e algumas roupas velhas da minha irmã e assim você pode me contar melhor o que houve.

Ainda um pouco hesitante, a deusa aceita a oferta e agarra a mão de Hiro, sendo conduzida, a seguir, para a casa do rapaz.

Chegando no devido aposento, Hiro apresenta o banheiro para que ela possa se banhar e se encarrega de jogar fora os trapos que usava, isto é, obviamente, feito com extremo sigilo para que não revelasse sua privacidade. Apesar de tê-la achado extremamente bonita, o garoto sempre foi muito respeitoso com questões de espaço pessoal e jamais invadiria a vida alheia.

A garota comunicava que já havia se lavado. Hiro abre a porta com uma de suas mãos tampando a face e a outra com uma toalha e as roupas que havia prometido. A garota, envergonhada, as pega e tranca novamente a porta. Hiro destampa sua visão e começa a refletir se ela pudesse estar envolvida com algum tipo de droga ilícita, julgando o que a menina havia dito como parte de uma alucinação.

A deusa finalmente sai do banheiro, trajando o uniforme cedido por Hiro: Uma camiseta de malha rosa bem solta com estampa de coelho e calça branca de moletom e meias rosas com coelhinhos estampados.

-Quando você disse roupa velha eu não imaginava algo tão infantil. -Ria a garota com um pouco de vergonha.

-Bom, minha irmã sempre foi bem careta. Então independente da época você teria as meias e a blusa de coelho. -Acrescenta Hiro, rindo também.

-Quantos anos ela tem?

-Vinte e cinco, mas parece uma criança de dez em termos de vestimenta.

-Isso é perceptível… -Comentava enquanto olhava as estampas na meia.

-Mas então, pode me contar a sua história com mais calma agora, prometo não rir.

Os dois sentam em um sofá.

-Eu entendo que um humano não compreenderia o que eu disse, então não se preocupe.

-Você parece que está falando um roteiro com essa de humano o tempo todo.

-O que seria um roteiro?

-Basicamente é quando alguém personifica um personagem e se veste e age como ele.

-Por que alguém faria isso?

-Sei lá, entretenimento.

-Bom, meu nome é Yumi e eu sou uma das quatro deusas-irmãs de Divius, nossa terra natal.

-Divius? Aonde é isso?

-É uma terra divina que está além da sua compreensão. Ela é uma ligação entre o reino humano e o reino da morte.

-Reinos? Como assim?

-Basicamente a existência que você conhece hoje é composta por três reinos: O seu atual, o reino divino e o reino da morte. Estamos no que é conhecido como Humus, o plano humano onde habitam vocês. Divius é o plano divino feito por deuses e espíritos. E o reino da morte, conhecido como Daevius se encontram os demônios e a Noise.

-Noise? O que é uma Noise?

-Noise é como nós chamamos a energia negativa latente na alma, uma manifestação que pode transformar um ser normal em um ser insano em questão de instantes.

-Caraca. Você parece saber demais para alguém que está inventando uma história.

-Como eu falei anteriormente, eu pertenço à ordem divina de Divius, sou uma das irmãs mais novas das nossas já falecidas deusas.

-Então você não é deusa porcaria nenhuma! Você é só uma candidata! -Hiro tirava sarro.

-E-Ei! Eu sou quase uma deusa! -A garota gritava, vermelha, enquanto retrucava.

-Eu só estou enchendo o saco. Pode prosseguir.

-Como eu estava dizendo, cada uma de nós somos candidatas a assumir o lugar de nossas irmãs mais velhas que morreram protegendo Divius.

-Deixa eu adivinhar. Elas usaram seus poderes para selar os demônios na outra dimensão lá.

-Exatamente… Como sabia?

-Ah, só intuição. E também porque sua história se parece muito com um mangá que já li -Pensou consigo mesmo.

-E agora por algum motivo as minhas outras três irmãs se rebelaram contra mim e me expulsaram do paraíso.

-Eu imagino que tenha sido na base da porrada, baseado em como você chegou.

-É, se juntaram e lutaram contra mim, as três ao mesmo tempo. Como eu sou a mais forte, nenhuma delas seria capaz de me destronar sozinha.

-Então isso explica como você literalmente caiu aqui. Você é uma espécie de anjo, né?

-É, acho que você pode colocar assim.

-Posso te pedir algo meio estranho?

-Acho que pode?

-Me mostra suas asas! Eu sempre quis ver esse tipo de coisa.

-Eu até gostaria, mas eu não posso.

Ela mostra uma espécie de pulseira em seu pulso.

-O combate com minhas irmãs quebrou a minha pulseira e é através dela que cada uma de nós consegue se transformar na forma ascendida.

-Forma… ascendida?

-Essa forma que está me vendo é apenas um corpo humano. Cada uma de nós consegue elevar o patamar de poder ao usar a energia divina nestas pulseiras, chamadas Drives. Mas quando eu caí aqui no mundo humano, eu perdi a capacidade de usá-la.

-Ah sim. E o que você planeja fazer agora?

-Eu realmente não sei. Algo de muito errado está acontecendo com Divius, mas neste exato momento eu não sou nada além de uma humana, assim como você. E nesta forma eu não consigo fazer nada.

-Como você normalmente conseguiria esse poder?

-Não faço a menor ideia. Eu nunca havia passado por uma situação parecida com essa antes.

-Entendi. Sua situação é mesmo complicada.

-Eu precisaria de um tempo para organizar minhas ideias e planos. Eu posso ficar aqui enquanto isso?

-A-Ah...? Na minha casa? Bom, não vejo problema.

-Talvez eu consiga mais informações se eu explorar como os humanos vivem, assim eu posso me situar sobre aonde estou e como farei para retornar ao meu plano.

-Eu não vejo como isso pode ser possível, mas considerando que eu não sei nada sobre o seu mundo, não vou questionar.

-Obrigada. Você é um humano bem gentil. -Ela ria, um pouco envergonhada-.

-Mas deve ser muito impensável isso. Ser traída pelas próprias irmãs e tal.

-Eu ainda estou em choque, mas não posso deixar essas emoções me dominarem. Preciso estar centrada em busca de soluções.

-Ela parece bem madura, deve ser a mais velha delas -Pensou Hiro.

-Eu só me pergunto ainda qual seria o motivo de terem feito o que fizeram.

-Talvez elas quisessem o poder das deusas só para elas ou algo do gênero. Existe um sentimento humano chamado Egoísmo que descreve bem essa situação.

-Uma vez ouvi dizer que as criaturas divinas são, também, espelhos da humanidade.

-Isso faria bastante sentido, pra ser sincero. Posso até não compreender uma vírgula do que você está tentando dizer, mas de problemas humanos eu entendo.

No meio da conversa o estômago de Yumi ronca.

-O que é isso? -A garota questionava, assustada.

-Isso se chama fome. Humanos precisam se alimentar para continuar a viver.

-Fome?

-As divindades não se alimentam?

-Não exatamente. Nós absorvemos energia e nos sustentamos assim.

-Então eu vou te ensinar a ser uma humana, senhorita Yumi.

-Tudo bem, eu acho - Diz a garota, um pouco apreensiva.

Assim Hiro preparou uma janta para os dois e de sobremesa fez seu famoso pudim de chocolate.

Yumi comeu como nunca, literalmente, havia comido antes e achou tudo extremamente saboroso, principalmente o pudim de chocolate.

-Como é nome dessa iguaria escura que tem um sabor tão frondoso?

-Se chama Pudim de Chocolate.

Ela comia como se fosse o prato mais delicioso que já havia aparecido em sua frente.

-Se a culinária humana for toda composta de pratos assim, acho que vou adorar ser humana! - Gritou em empolgação.

-Mesmo madura ela pode parecer apenas uma pequena criança também-Hiro raciocinou.

-O que mais de gostoso assim você tem?

-Bom, eu sempre cozinhei para mim mesmo, então tenho um repertório bem interessante de pratos.

-E o que mais fará hoje?

-Por hoje nada. Doces assim não são para consumir em tanta quantidade, pois podem fazer mal.

A noite caía e Hiro aprontava a soneca dos dois.

-Pronto. Você pode dormir na cama da minha irmã. Eu vou dormir no quarto ao lado.

-O que houve com a sua irmã?

-Ah, ela se mudou para o Japão junto com meus avós e eu fiquei aqui sozinho.

-Japão? É uma região do mundo humano?

-Sim, o mundo humano tem várias e várias regiões.

-Ah sim, Divius também tem várias partes.

-Então, aí você pode ficar no quarto dela o quanto precisar. Qualquer coisa é só passar lá no meu quarto. Boa noite, Yumi. -Disse, enquanto fechava a porta.

-Bom, pelo menos eu fui acolhida por um humano gentil, mas devo me focar no meu objetivo. -Reitera para si.

Yumi se preparava para deitar na cama quando se deparava com vários bichinhos de pelúcia. Se encantou com um em especial, um panda.

-Devo confessar que esse aqui é bem fofinho. Ele também guarda uma energia boa dentro de si. -Dizia enquanto abraçava a pelúcia para dormir.

Antes de efetivamente pegar no sono, Yumi deixa algumas pequenas lágrimas escorrerem de seu rosto, revelando a preocupação que estava sentindo e camuflando para o humano, até então, desconhecido.

15 de Julho de 2020 às 19:52 2 Denunciar Insira Seguir história
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