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rainhadogelo Rainha Do

Kiara Mitchell tem uma reputação ruim. Talvez seja a jaqueta de couro, as tatuagens, sua moto ou o fato de que quase foi expulsa várias vezes. Para todos em Season High School e na cidade pacata de Newstill, Mitchell é uma encrenqueira sem futuro. Porém as coisas nem sempre são o que parecem ser. Em uma tarde de sexta feira, no final de sua primeira semana no terceiro ano do ensino médio, seu problemático irmão mais velho aparece na sua porta, com uma criança que ele diz ser seu filho. Gabriel é um energético menino de 7 anos estava que extremamente animado em finalmente conhecer a sua tia. Mas Kiara sente que algo não parece tão certo com a suposta família perfeita de pai e filho dos dois. Suas suspeitas são confirmadas de maneira inesperada e de repente o garoto não tem mais lugar para ficar. Decidindo tomar responsabilidade, Gabriel e Kiara se tornam do dia para noite uma família. Os dois vão contar com a várias ajudas inesperadas, sendo uma delas Emma Standifer, a nova parceira de laboratório de Kiara e estrela da equipe da corrida. O que esperar de uma delinquente cuidando de um verdadeiro raio de sol?


Humor Todo o público.

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A Rotina Da Garota Sem Futuro

Nada no mundo faz Kiara Mitchell se sentir tão bem como o vento batendo nos seus cabelos enquanto ela pilota sua moto.


Tem algo tão atrativo, reconfortante e emocionante sobre a velocidade que ela alcança em uma estrada em linha reta, o barulho do motor, a paisagem distorcida pela rapidez que magicamente não perde sua beleza.


Tudo isso lhe dá uma sensação de liberdade.


Era uma sexta - feira. Finalmente sexta. E Kiara havia saído cedo para andar de moto, pois sabia que as ruas estariam vazias, mais vazias do que o normal, Newstill não é uma cidade movimentada. Isso tinha suas vantagens, como estradas livres e pastos de trigo dourados onde ela poderia se esconder caso fizesse algo de errado ou simplesmente ficar sozinha por um tempo.


Ela observava o posto de gasolina de onde tinha acabado de sair, encostada em sua moto, tomando uma lata de coca-cola, com os fones de ouvido tocando uma música de sua playlist aleatória, que para sua infelicidade foi interrompido por uma notificação, bem na hora do refrão, puxou o celular com o cenho franzido e viu as mensagens de Luther.


"Cadê você? Vai me forçar a ver a aula sozinho?!"


Faltar não era um opção, não com seu recorde impressionante.


"Tô indo. Dramático."


Ela desligou o celular e subiu na moto novamente, colocando seu capacete encarando o céu com um suspiro, é hora de ir para o inferno, ela pisou no acelerador e saiu em direção ao bairro do colégio.


Em três anos de ensino médio, Kiara perdeu completamente o luxo de faltar a aula. Conseguiu estourar o limite no primeiro ano e acabou com a tolerância no segundo, faltar um dia sequer no terceiro significaria expulsão e por mais tentador que parecesse ficar sem professores gritando em seu ouvido não podia arriscar sair da escola.


Os pneus derraparam quando ela estacionou na frente de Season High School atraindo olhares dos poucos alunos que ainda adentravam o colégio, ela bufou, começando a montar um roteiro em sua cabeça do que falar quando for pega atrasada.


Passou pelo corredor quase vazio e espiou o professor já na sala gesticulando para o quadro. Ruim. Ela abriu a porta da sala o mais devagar possível, os que a a viram ou reviraram os olhos ou riram baixo.


— Mitchell. — O professor chamou e ela parou de andar, o homem se virou. — Está atrasada.


— É, eu percebi. Meia hora, melhorei não acha? — Disse com um sorriso.


— Isso não é engraçado.


— Foi mal.


— Sente-se. — Falou severo.


Ela deu um aceno de cabeça para o professor que apenas se cansou de lidar com ela e se voltou para o quadro.


— Como eu estava dizendo, a evolução dos seres humanos...


Kiara se sentou na cadeira e viu Luther do outro da sala sorrindo para ela, a garota usou a jaqueta que usava como travesseiro e apoiou a cabeça na mesa, a voz do professor tão arrastada com uma matéria que ela não entende que ela jurou que poderia dormir a qualquer minuto.


📷


Ela jogou os livros no armário sem muito cuidado, como aquilo estava bagunçado, até embalagens de doces estavam jogadas ali, não que ela tivesse vontade de tirar tempo para arrumar.


— E aí? Dormiu demais? — Luther Bachmann, seu amigo com cabelos loiros espetados se aproximou. Kiara sempre pensou que o penteado o fazia parecer um personagem de série do Disney Channel.


— Fui passear de moto antes da aula começar e perdi o horário. Pelo menos foram trinta minutos a menos do falatório insuportável do professor Burkes. — Falou e Luther riu.


— Hoje é sexta, quer fazer alguma coisa?


— Vamos até a Pista do O'Haley.

— Dessa vez que vai pagar é você. — Kiara deu uma cotovelada no ombro dele. — Hey!

— Eu paguei da última vez, me recuso a pagar lanche de novo essa semana. Eu tenho cara de rica para você?


— Mas eu não quero gastar dinheiro! Minha avó está ameaçando cortar minha mesada se minhas notas não melhorarem e eu quero economizar o que eu já tenho!


— E eu com isso?


— Você sabe que eu quero um skate novo. — Ele se virou desajeitadamente e puxou o skate de sua mochila, já estava gasto além da conta, uma das rodas havia caído a pouco tempo e Luther teve que dar um jeito de por de volta. Uma fissura era visível na superfície do skate.


— Uma hora ou outra isso vai quebrar no meio com você em cima. — Riu.


— E eu não sei? Eu preciso de um novo, mas se minha vó cortar minha mesada vai ficar difícil, por isso tenho que cuidar do que eu já tenho. Não posso pagar o lanche. — Choramingou.


— Bem, nem eu... — Suspirou e deu de ombros. — Vamos ver se o Malcom é legal dessa vez e descola comida grátis. Sobras de fritura Luther!


Luther abriu um sorriso pensando na comida, nesse exato momento um copo de slushie foi de encontro ao armário entre eles dois e se esparramou no chão. Seguido por uma risada irritante.


E ali estava Jaxon Talling. Rindo feito uma hiena mesmo sendo um fracassado que não consegue acertar dois alvos óbvios.


— Você errou e nem terminou de beber, idiota. — Kiara disse com desinteresse.


— Sempre existem próximas vezes. — Passou as mão pelos cabelos castanhos, expondo o relógio caro em seu pulso. Um aluno mais baixo passou na frente dele, Jaxon o empurrou com força, o pobre garoto tropeçou para frente e quase caiu no chão. Kiara rangeu os dentes.


— Jaxon, toda vez que você abre a boca para fazer uma impressão de bad boy você chega cada vez mais perto de todos no colégio perceberem que você é um garoto mimado que tem tara em delinquentes.


O sorriso no rosto de Jaxon sumiu e o de Kiara aumentou.


— Por que você não cuida da sua vida?


— Porque você jogou um copo na minha direção e na direção do meu amigo. Agora se você não quer que eu chute a sua bunda até a esquina some da minha frente.


Jaxon cerrou os punhos e os amigos dele, Logan e Martin, o olharam hesitantes, Luther se colocou ao lado da garota.


— Cai fora, o sinal vai bater. — Ele argumentou.


— Beleza. Como se eu fosse perder meu tempo com vocês. — O projeto de delinquente se virou e saiu andando pelo corredor.


Jaxon talvez seja a única pessoa na escola tão ferrada quanto Kiara, um número de suspensões alto, várias detenções, mas a diferença é que ele não chega a ter uma reputação. A impressão que se tem de Jaxon Talling é que ele é apenas um adolescente revoltado, rico e burro que viu filmes dos anos 80 demais e acha que sabe lutar. E não sabe. Ele não é nem tão ameaçador quanto Kiara, quem sabe até como Luther.


Já Kiara era diferente, se lembrou disso assim que encontrou o olhar de um garoto que passava por ali enquanto ela recolhia o copo de slushie, o mesmo apertou os livros junto do corpo e saiu correndo como se ela fosse ataca-lo por simplesmente fazer contato visual. As pessoas fofocavam alto sobre ela, que irritante. Kiara ia fechar a porta de seu armário com força para ver se eles sumiam, mas viu algo que a interessou.


— Não vai ficar barato. — Kiara puxou um pacote de chiclete do meio da bagunça. — Eu tive uma ideia.


Kiara e Luther entraram na sala de aula vazia, faltavam alguns minutos para o sinal bater então ela tinha que ser rápida, abriu o pacote de chiclete e colocou vários na cadeira de Jaxon, exceto pelo último que ela pôs na boca.


— Eu vou gravar.


— Me manda depois. — Se endireitou olhando orgulhosa para sua obra de arte. — Eu precisava de algo para completar a semana.


Quando o sinal bateu meia hora depois, Kiara entrou na sala com um sorriso no rosto e mãos no bolso de sua jaqueta, se sentou em sua cadeira de sempre no fundo da sala, e como planejou Jaxon foi burro demais e nem olhou para sua cadeira antes de se sentar nela, ocupado demais conversando com seus amigos. Ela mordeu os lábios para não cair na risada ali mesmo.


Passou aula ansiosa para ver a reação do garoto e desenhando em seu caderno, a professora de vez em quando passava pelas fileiras e quando a via suspirava e então ia dar atenção a outro aluno que valia a pena ensinar. Desenhar em seu caderno ou dormir eram duas maneiras de não morrer de tédio durante a lição, infelizmente isso não era apreciado por grande parte do corpo docente.


Isso se repetiu várias vezes, ela estava rabiscando o final do desenho quando concentração foi atrapalhada por uma folha de papel sendo jogada em sua mesa.


Kiara levantou a cabeça irritada e encontrou a professora ajeitando os óculos fazendo um som de desaprovação.


— Ei!


— O que você esperava?


Não entendeu a interação até olhar para o que a professora lhe entregou.


Ela esqueceu completamente que hoje era o dia de entrega das provas de história.


F.


Passou pelas paginas da prova que tinha apenas marcações em vermelho, ela apertou o papel em mãos, o amassando, acabando com um questão sobre um tratado entre dois países e enfiou a prova na mochila sem nenhuma delicadeza, voltando a desenhar. Tanto faz.


— Bem, aqueles que tiverem dúvidas sobre suas notas podem vir falar comigo na secretaria. Não esqueçam de ler as paginas 45 e 46 para a próxima aula. — A professora falou arrumando sua pasta para sair da sala.


Imediatamente começaram as conversas sobre "quanto você tirou?" e "qual era resposta dessa questão?".


E antes mesmo de Kiara fechar seu caderno ouviu um barulho alto ecoar pela sala, admirou entre risadas Jaxon com o traseiro preso na cadeira completamente sem saber o que fazer, e riu ainda mais quando ele tropeçou e caiu com a cadeira grudada nele.


— Que inferno?! — Gritou enquanto se debatia, tentando se levantar sem sucesso já que na posição que estava tudo que ele conseguia fazer era cair de na cara no chão repetida vezes.


Ela estava se curvando de tanto rir, alguém bateu em sua mesa e ela encarou a professora, sem deixar as risadas pararem.


— Kiara Mitchell! Você fez isso?!


Kiara recuperou o fôlego.


— Eu? Como pode desconfiar de mim querida professora? Eu apenas fiquei quieta a aula inteira, nem saí do meu lugar!


A professora franziu o cenho.


— Está mascando chiclete?


Kiara parou de rir, o chiclete, ela ainda estava com ele na boca. Droga. Deveria ter posto embaixo na mesa, nem tinha mais sabor!


— Impressão sua. — Respondeu rapidamente para que ela não visse além disso.


— Tinha que ser....Ora, em plena sexta-feira garota! Vá para a diretoria agora! — Esbravejou a mulher apontando para a porta, Kiara revirou os olhos e se levantou para sair, a professora pisou firme atrás dela. — Você não pode entrar na sala do diretor com esse doce na boca.


Kiara se virou, fazendo uma bolha com o chiclete pela ultima vez antes de pegar uma das mãos da professora antes dela ter tempo de reagir, tirar o chiclete da boca e entregar diretamente na palma dela. O rosto da mulher se retorceu em nojo.


— SAIA DAQUI AGORA MESMO!


Ela deu ultima uma olhada em Jaxon que foi puxado por seus amigos para fora da cadeira, Luther balançando o celular e as pessoas que a encaravam com expressões mistas, incômodo ou sorrisos pela pegadinha. Então rumou para a diretoria, o lado bom é que iria perder a aula de química, o lado ruim é o sermão que vai levar.


📷


O ar condicionado da coordenação sempre estava com defeito, o que tornava suas idas lá mais tortuosas, quando era um dia quente aquele lugar se tornava um inferno na terra ao ponto onde a secretária tinha duas jarras grandes de água para suportar horas de trabalho, ela nunca dividia. Sobrevivência do mais preparado nesse caso.


Kiara mexia no seu celular passando pelas notícias do jogo do basquete que houve ontem, quando alguém se sentou ao seu lado.


Olhou de canto para garota de cabelos pretos que revirava sua mochila de esportes, tirando lá de dentro uma garrafa de água. Ela usava o uniforme da equipe de corrida. Seu olhar se encontrou com o de Kiara e então ela finalmente percebeu que estava sentada ao lado de uma delinquente juvenil.


Kiara quase riu da expressão de surpresa que se formou no rosto da garota.


— Olá. — Cumprimentou formalmente e Kiara notou que ela se envergonhou da reação que teve agora a pouco.


— E aí?


Voltou sua atenção para o telefone e pensou que a cômica interação iria acabar naquele pequeno diálogo, iria, se a garota não ficasse a encarando descaradamente. Kiara começou a ficar incomodada, não gostava de pessoas olhando por muito tempo e a pessoa ao seu lado não era nem um pouco discreta.


— Algum problema? — Disse em voz alta.


A garota empalideceu e balançou a cabeça negativamente.


— Não, problema nenhum!


— Eu não vou te morder sabia?


— O que? Eu...Não estava pensando nisso...É que...


— Fale logo. — Apressou.


— Sua jaqueta é legal.


Kiara piscou, não esperava isso. Não está acostumada a receber elogios e não sabe como reagir agora, se antes estava rindo da reação da garota se pudesse se ver agora daria uma risada ainda mais alta. Surpresa e elogio, combo.


— Huh, É...Obrigada. — Mordeu a língua, isso foi horrível. Não tinha prática nisso. — Por que você está aqui?


— Minha ficha do time de corrida, preciso ajeitar...E você? — Ela guardou a garrafa de água.


— Colei a bunda de Jaxon Talling na cadeira.


Um silêncio se instalou entre as duas, essa menina não era boa em esconder suas reações, a incredulidade estampada em seu rosto. Ambas estavam ali por razões completamente diferentes.


— Jaxon Talling? O filho do dono da linha de supermercados? Talling?


— Ele mesmo, é o que merece por sair jogando copos de slushie nos outros. — Disse brincalhona relembrando a cena com um sorriso.


A garota da equipe de corrida deu uma risada pequena.


— Eu queria ter visto isso, ele é irritante.


— Total, cara chato.


Outro silêncio se formou, não durou tanto tempo dessa vez, a porta da diretoria se abriu e o diretor bufou.


— De novo?


— Yep.


— Entra logo Mitchell.


Kiara se levantou e passou as mãos pelos cabelos, a garota a observava e ela imaginou a cabeça da integrante da equipe de corrida repassando a conversa. A imaginou dizendo para seus amigos: Conversei com Kiara Mitchell e ela não me jogou em uma lata de lixo. Ou talvez não.


Talvez ela só esteja sendo crítica demais.


— Tchau, boa sorte com a ficha defeituosa.


Fechou a porta atrás dela sem esperar a garota falar alguma coisa de volta, o diretor Henderson estava sentado em sua cadeira atrás de sua mesa, em sua sala cheia de quadros e livros. O homem tomou um gole de café de sua caneca com os dizeres em letra de forma melhor diretor do mundo e gesticulou para a garrafa cheia da bebida.


— Aceita?


— Venho tentando cortar a cafeína.


— A substituindo por refrigerante?


Ela relaxou a postura, Diretor Henderson a fazia se sentir um tanto mais confortável em comparação com os outros adultos, ele não gritava, não tratava com frieza e a ignorava. Claro, ele tinha que manter o pulso firme, afinal ela não é uma boa estudante seguindo o conceito. E ele ainda tinha sermões clichês e chatos, não se pode ter tudo na vida, mas um adulto que pelo menos a escuta já é grande coisa.


— Cada um com seus vícios.


— Kiara. — Diretor Henderson começou. — A senhorita Tosher veio aqui dizendo que você a humilhou publicamente causando uma mancha no histórico profissional dela e que grudou um aluno na cadeira. Isso é verdade?


— Ora por favor ela consegue a mancha no histórico dela sozinha! — Viu a repreensão do diretor e parou. — Ela disse que não podia entrar com chiclete na sua sala então eu dei para ela. Sim, eu colei Jaxon na cadeira.


— Mitchell!


— Ele fica por aí jogando coisas nos outros!


— Isso não significa que você tem o direito de buscar vingança. Kiara, o seu histórico não é o dos melhores, eu vi as suas notas....


— Lá vem. — Jogou a cabeça para trás.


— Sim, lá vem. Você está falhando em quase tudo, desse jeito não vai conseguir se formar.


— E? — Cutucava o estofado azul, arrancando a costura e o algodão.


— Kiara, você tem 18 anos, tem muitas faltas e não está indo bem na escola. Ainda faz essas pegadinhas o que te colocam em uma situação ainda mais complicada...Você precisa começar a pensar no quer fazer no futuro.


Ela não estava mais relaxada. Seus músculos tensionaram, a garota cruzou os braços virou a cabeça para o lado, estalando a língua fazendo um barulho de "tsc".


— Irei pensar em algo.


Diretor Henderson tirou os óculos e a fitou, dessa vez ela foi obrigada a encarar de volta.


— Eu vejo grandeza em você Kiara Mitchell, eu sei que você pode conseguir se colocar sua mente no lugar, sei que é assustador mas está chegando a hora de decidir o que fazer daqui para frente.


Ela odiava esse tipo de conversa. Queria apenas pegar sua advertência e sair dali.


— Que isso não se repita semana que vem. — Anotou sua assinatura no papel e entregou o aviso de mau comportamento para a garota que se levantou com mais pressa do que queria, ela tinha uma expressão compreensiva, isso fez ela engolir em seco.


— Posso ir? — Colocou o papel no bolso, o perna batendo com ansiedade.


— Pode...E Mitchell. — Chamou quando a mão da garota segurava a maçaneta. — Comporte-se.


— Vou tentar. — Saiu da sala a passos largos.


Existia momentos onde mesmo que o diretor Henderson fosse o único adulto na escola que ela gostasse, ela queria que ele agisse como os outros e parasse de esperar algo dela.


Como os professores, houve um tempo onde ela costumava pedir ajuda a eles. Quanto mais séries ela avançava isso se tornava raro. Eventualmente, eles pararem de se importar e ela também.


Mas Henderson não faz isso, ou ela acha que ele não faz. Não o culparia se ele parasse de esperar. Deve ser algo que diretores fazem, um código de conduta pelo qual diretor Octavian Henderson era apegado demais para deixar admitir se cansava dos seus alunos.


Saiu da coordenação, entrando no corredor vazio e indo em direção a próxima aula, só faltavam dois períodos.


📷


Quando o último sinal bateu, Kiara saiu em disparada pela porta, Luther logo atrás, ele encostou nela de leve com um sorriso bobo no rosto. Segurava o celular em uma das mãos e a mochila com a outra a arrastando pelo chão sem cuidado.


— Como foi?


— O mesmo de sempre, ganhei uma advertência. — Mostrou o documento para o garoto que pegou e leu rapidamente.


— Zoado, mas não liga para isso. — Ele devolveu o papel e puxou Kiara para perto, mostrando o seu celular com um vídeo na galeria, nele Jaxon tentava sair de sua cadeira e caia no chão preso por chiclete. Isso melhorou seu humor e ela soltou um risada alta.


— Comédia de primeira categoria.


Luther sabia como anima-lá, eles se conheciam desde o ensino fundamental quando os dois acabaram sentando juntos em uma aula de artes e um desafiou o outro a beber o pote de tinta, Luther bebeu o verde e Kiara o azul, suas bocas queimaram e a professora quase teve um aneurisma, mas as crianças não conseguiam para de rir entre as lagrimas e apontar um para o outro como se aquilo fosse a coisa mais engraçado do mundo.


Foi a primeira vez que os dois foram mandados para a coordenação juntos, a primeira de muitas pois depois daquele dia Luther e Kiara se tornaram "Parceiros No Crime".


— Vamos enquanto ainda está vazio.


Kiara subiu na moto e Luther na garupa, ela dirigiu para fora da escola. Enfim, paz.


Passando pelos bairros, várias pessoas já estavam indo para o trabalho e lojas já estavam abertas, as mesmas pessoas, no mesmo horário, sempre igual, na mesma paz. Newstill é uma cidade pequena, do tipo que se você não prestar atenção vai acabar passando direto por ela no mapa, isso tem suas vantagens, mas também o oposto, em especial o tédio. Nada muda, tudo é sempre igual. Com o tempo, Kiara aprendeu a rotina de cada um dos moradores.


O padeiro abria para o turno da tarde as 16:10, a borracharia no mesmo horário, e os donos, senhor Scottland e Wayard vão começar a brigar. Enquanto isso acontece 10 minutos depois um banqueiro vai passar pela rua olhando para o relógio segurando sua maleta e vai balançar a cabeça vendo os dois senhores brigarem. Então pequena Susie vai sair para andar com seu triciclo cor de rosa sendo seguida por sua mãe que a observava cautelosa. Pequenas coisas assim que se repetem diariamente.


Cansativo. Tedioso.


A Pista de O'Haley era diferente disso.


Ela deixou sua moto no estacionamento e entrou no estabelecimento, a Pista de O'Haley era uma pista de skate e um restaurante, suas luzes brilhantes, músicas de rock, comida gordurosa e decoração amarelo descascado juntava o público de várias pessoas com tatuagens, cabelos de cores diferentes e histórico questionável.


Kiara se sentou em uma das mesas a frente do balcão, Luther deixou a mochila com ela e saiu correndo para a pista segurando seu skate.


— Fala aí pessoal! — Gritando para os outros skatistas ali os cumprimentando com soquinhos e tapas nas costas.


Começou com uma manobra básica, o ollie, a partir dai começou a evoluir para manobras mais ousadas e dinâmicas. Os colegas de pista gritavam palavras de apoio a cada giro e salto bem sucedido. Kiara dava o mesmo apoio de sua mesa.


Depois de um tempo vendo seu amigo, lembrou-se que precisava achar um jeito de conseguir comida de graça, se preparou para encarar o cozinheiro que fritava batatas com um cheiro que a deixava com água na boca.


— Hey Malcom...


— Veja só se não é Kiara Mitchell.


— Euzinha, sabe Malcom...Somos amigos não é? — Malcom arqueou as sobrancelhas. — Conhecidos.


— Você quer sobras não é?


— Estamos zerados hoje cara.


Malcom pegou um prato e colocou nele tudo que sobrou das frituras que havia feito naquele dia. Entregou para a garota com um saquinho de ketchup e duas latas de refrigerante.


— O refri é por conta da casa, só dessa vez. Semana que vem quero pago entendeu?


— Relaxa cara, eu não sou bagunça com esses assuntos. — Disse se sentando de volta em sua mesa com as sobras e os refrigerantes.


Agora sim ela pode matar a fome de leão que tinha, o almoço da escola não era o suficiente. Uma música do Guns N' Roses começou a tocar no momento que ela abriu o refrigerante, porém antes que ela pudesse beber duas pessoas se aproximaram com cara de poucos amigos, ela sabia exatamente quem era e quem havia mandado.


— Logan e Martin, boa tarde. — Esticou o pescoço para ver entre eles e achou Jaxon atrás dos dois, afastado da cena com uma garota segurando seu braço, namorada nova. — Jaxon! Cara, como vai!


— Achou que não ia ter volta? — Falou com um sorriso de canto.


— Eu esperava que sim, só que infelizmente você é um mala.


— Ugh, pessoal mostrem para ela. Já passou da hora de você aprender quem é o mais forte de Season High School! — Jaxon exclamou.


Logan derrubou uma das cadeiras da mesa, Kiara continuou sentada vendo o móvel cair no chão sem largar o refri.


— Eu não quero brigar rapazes, só quero comer meu lanche em paz.


— Ninguém liga para o que você quer fazer! — Martin a puxou pela gola da camisa, ela o encarou de volta, suas mãos estavam no bolso.


Kiara suspirou.


— Vocês são insistentes... — Disse em um tom de desdém e tédio.


Em uma velocidade impressionante seu punho atingiu o rosto de Martin que a soltou e cambaleou para trás com a mão no rosto. Logan gritou avançando nela como um touro, tudo que ela fez foi sair do caminho rápido, ficando atrás dele e dando um chute em suas costas o fazendo cair em cima de uma mesa. O refrão da música do Guns N' Roses tocava.


In the jungle, welcome to the jungle

Feel my, my, my, my serpentine

I, I wanna hear you scream


Martin se recuperou do soco e voltou para retribuir o gesto, Kiara se abaixou e o jovem acabou socando o ar, se aproveitou da brecha e socou o queixo de Martin e antes de cair para trás o segurou pela camisa e o arremessou em direção a Logan que estava prestes a se por de pé.


No final, os dois permaneceram no chão gemendo de dor.


Kiara tornou a fitar Jaxon que engasgou tentando formar uma frase diante da situação, todos os trejeitos de superioridade sumindo e dando lugar a raiva com uma mistura de nervosismo. Ela caminhou até ele, a garota que segurava seu braço parou de sorrir e se afastou.


— Não mande seus amigos irem lutar por você Jaxon, isso é algo bem merda de se fazer, da próxima vez que quiser comprar briga venha você mesmo.


Ele não respondeu nada.


— Ei, eu ouvi uma confusão e acho que você não viu minha manobra.... — Luther viu os dois capangas se levantarem do chão e saírem correndo de volta para Jaxon. — Hum...Eu perdi alguma coisa?


— Kiara! Pare de jogar adolescentes nas mesas do estabelecimento! Se quebrar você vai ter que pagar! — Malcom gritou balançando freneticamente um pano de limpeza.


— Que saco, não dá nem mais para tomar um refrigerante em paz. — Reclamou finalmente tomando um gole da bebida.


O resto do tempo que passou lá se passou sem grandes problemas, Luther comeu suas tão esperadas sobras, eles conversaram sobre diversos assuntos, riram e lancharam. Em certo momento o celular de Luther tocou e ele atendeu, assim que a ligação acabou ele arrumou sua mochila.


— Preciso ir para casa, a vó quer que eu ajude ela arrumar os catálogos das revistas de cosméticos.


— Quantos ela já tem? Mais de 100?


— Por aí, ela mandou um beijo para você.


— Diz que eu vou passar lá amanhã para comer bolinhos.


— Vou avisar. — Eles se despediram dando com soquinhos de punho. — Até amanhã!


Kiara passou mais meia hora na Pista Do O'Haley, por fim decidiu ir embora pegando sua moto no estacionamento. Era de tarde, pilotava sua moto sem pressa de voltar para casa, passou pelo parque municipal onde famílias passeavam, namorados comiam hot dogs e pessoas se exercitavam, mesmo com tudo isso havia uma calma naquele lugar.


Não faria mal descansar ali por um tempo.


Passeou por um tempo sem vontade de correr como os outros, era boa em exercícios físicos mas correr com uma jaqueta de couro é pedir para morrer de insolação. Não tinha dinheiro para comprar comida e nem queria, já estava cheia das sobras de fritura.


Se sentou em baixo de uma árvore. Puxou um maço de cigarros que mantinha escondido e um isqueiro, acendeu, pendendo entre os lábios e se recostou no tronco. A paisagem do parque e da cidade tranquila em sua frente.


"Você precisa começar a pensar no quer fazer no futuro."


O futuro...


O futuro sempre foi uma pedra no sapato de Kiara.


Desde que entrou no ensino médio ela só escutava sobre isso. Mas como ela pode ser capaz de decidir? Como é que eles esperam que ela reflita sobre?


Ela não pensou nisso porque sabe que não iria conseguir de qualquer maneira.


Suas notas são horríveis, ela não consegue aprender nada, que tipo de lugar iria querer ela trabalhando com eles? Que tipo de trabalho ela quer ter em primeiro lugar? No final qualquer coisa que não a faça querer morrer já é o bastante. Porque ela sequer sabe se vai fazer uma faculdade.


Ela nunca teve um sonho de carreira, uma profissão que ela sempre quis seguir desde de pequena como as outras crianças que diziam que iriam ser médicos, bombeiros e advogados. Ocupada demais lidando com sua família e se jogando de balanços para ver se conseguia cair em pé.


Simplesmente pensar no futuro a deixa ansiosa e ela tenta se dizer que não é tão importante assim, ela não tem o que fazer, o que quer fazer, ninguém espera isso dela e os que esperam vão apenas se decepcionar.



Sem expectativas, sem perspectiva, sem altas esperanças, sem nada.


Analisando o espaço vazio onde deveriam estar as opções, ela tem a possibilidade de surtar e fazer uma viagem de moto pelo mundo, voltar falando 3 línguas diferentes e com uma coleção impressionante de artefatos e fotos de cada ponto turístico.


O pensamento a fez sorrir.


Kiara sentiu algo caindo em sua cabeça, mexeu nos cabelos e tirou um folha de lá. Deu mais uma tragada em seu cigarro, soltando a fumaça lentamente.


De novo, algo caiu em seu cabelo e em seu ombro. Mais folhas. Ela tirou elas de sua cabeça e roupa.


Apenas para mais folhas caírem.


Ok, isso não é normal.


Olhou para cima e viu os galhos se mexendo com uma silhueta estranha em cima deles, um pássaro? Não. Um esquilo? Não. Um esquilo gordo? Quem sabe? Esses animais comem tanto porcaria que encontram no parque que devem dobrado de tamanho.


Kiara semicerrou os olhos e se afastou um pouco da árvore para ver melhor, para sua surpresa, a sombra misteriosa que fazia folhas caírem nela, não era um roedor mutante e sim...Uma criança.


O garoto tinha cabelos castanhos encaracolados e uma camiseta azul marinha suja, se segurava no galho se movimentando devagar para frente. Kiara tirou o cigarro da boca, colocando no bolso.


— Hey! Menino aranha!


A criança levou um susto e procurou pela fonte da voz, enfim vendo a garota embaixo da árvore.


— Oi moça! Sou eu?


— Tem outro garoto preso em uma árvore?


O garoto pareceu pensativo.


— Eu acho que sim, aqui tem muitas árvores e então eu posso não estar sozinho. Não sei...


— O que você está fazendo aí em cima?


— Eu...Quero pegar a minha bola! — Apontou para o brinquedo preso entre as folhas e madeira. — Tava brincando e chutei ela alto demais! Vai ser fácil, só preciso chegar um pouquinho mais perto!


— Você não fazer nada disso, desce daí que eu vou pegar para-


O som da madeira se partindo encheu seus ouvidos e ela de repente correu desesperada com os braços abertos para interromper a queda do garoto que despencou levando o galho quebrado junto com ele.


A criança caiu em seus braços, as mãos dele coladas junto ao peito. Fitou o menino ainda sentindo a adrenalina se esvair, dando um pequeno suspiro de alívio vendo o garoto são e salvo, ele abriu os olhos antes fechados e analisou o redor, boquiaberto.


— Moça você é rápida! — Exclamou animado. — Eu pensei que ia cair com tudo no chão e...Ah! A minha bola! Ela veio junto também!


O garoto se desvencilhou dos seus braços, Kiara o ajudou a ficar de pé na grama, ele correu para pegar a sua bola.


— Obrigada moça!


— Que "obrigada" pirralho! Já pensou se você cai daquela altura e se machuca feio!? — Era uma árvore alta, se ele fosse escalar que escolhesse uma mais baixa. Imagina se não ela tivesse bons reflexos?


O garoto encolheu os ombros, dando pequenos chutes na grama, não esperava levar uma bronca de uma estranha completa.


Kiara pegou a bola do menino e desmanchou a faceta séria, ela jogou a bola e começou a fazer embaixadinhas, o rosto da criança se iluminou e ele admirou as jogadas da jovem. Ela se sentiu orgulhosa, não perdeu a pose de palhaça e ainda tinha habilidades em futebol.


Quando terminou arremessou a o brinquedo para ele, que deu um salto para pegar a bola e impedir que ela saísse voando.


— Boa defesa. — Elogiou. — Onde estão seus pais?


— Meu pai tá no carrinho de cachorro quente. — Kiara viu um homem de camisa cinza no carrinho que o garoto apontou.


— Então vá ficar do lado dele ok? Pare de subir em lugares altos.


— Okay! Tchau moça! — Acenou com a bola em baixo do braço correndo de volta para seu pai.


Kiara o observou indo embora e se espreguiçou, muita emoção para ela que queria somente descansar em baixo de uma sombra. Ainda tem que fazer compras para casa, melhor se apressar antes que todos os salgadinhos sumam das prateleiras.


Subiu em sua moto se afastando do parque, 17:30 da tarde, o padeiro e o borracheiro não brigavam mais pelo resto do dia. Uma notícia boa para todos os vizinhos querendo ler o jornal em paz. Estacionou na frente do supermercado, pouco movimento dentro do local, Kiara sempre faz compras nesse horário para evitar pular no pescoço de alguém por causa de um saco de Doritos.


Mas nem só de aperitivos gordurosos e nada saudáveis ela pode viver, colocou macarrão instantâneo e frango para cozinhar pela semana.


Não pode extrapolar o valor que sua mãe lhe estipulou para compras, pagar lanches na Pista Do O'Haley e pegar salgadinhos são ganhos que foram permitidos a ela se soubesse economizar direito, surpresa para a maioria do público, mas Kiara é boa em salvar dinheiro. Gosta de pensar que se uma crise mundial acontecer depois do apocalipse zumbi ela vai ser o 10% do que sobrou da raça humana com dinheiro para comprar enlatados.


Enquanto a caixa colocava suas compras em sacolas ela lia uma revista em quadrinhos da prateleira, não ia comprar, não sabia que personagem era aquele mas ficou interessada na sua jornada por um diamante azul mágico.


A mulher do caixa chamou sua atenção, ela deixou a revista de volta no lugar e pagou as compras. Saiu da loja, mantimentos em dia, missão semanal cumprida.


Dirigiu de volta para sua casa escura e ligou as luzes da sala quando entrou, tinha uma caixa de pizza deixada em cima do sofá. Agitou o embrulho, nada dentro. Abriu a lata de lixo e jogou a caixa vazia fora.


Deixou a mochila na cama e tomou um banho demorado para tirar o cheiro de escola, voltou para a cozinha já vestida com roupas mais confortáveis e colocou o macarrão no microondas e se sentou no balcão da cozinha, pondo uma música para tocar para passar tempo enquanto espera. Sua playlist decidiu ir com Taylor Swift.


Kiara sabia muito como se virar sozinha em casa, pois acontecia com frequência. Confia em si mesma o bastante para saber que não vai tacar fogo na casa sem querer.


Se esparramou no sofá, assoprou o macarrão para esfria-lo. Trocava os canais da tv em busca uma programação interessante, um filme de romance clichê captou sua atenção, não era apaixonada pelo gênero mas era a única coisa interessante que ela encontrou.


Comeu o macarrão prestando atenção na trama do filme, conhecia o título de um livro popular, popular o bastante para ganhar uma adaptação cinematográfica. Houve uma época onde ela se lembra de toda semana sair um desses. Trailers e entrevistas com os autores eram a única coisa que passava nos canais, em conjunto com fãs dizendo que tal cena era diferente no livro.


Esse contava sobre uma adolescente que desapareceu de propósito, premissa interessante. Se ela fizesse isso no que daria?


Luther, a avó dele e diretor Henderson ficariam preocupados. Sua mãe iria pirar. Jaxon iria achar maravilhoso e o resto da escola faria uma festa. Os professores trariam o champane. As músicas seriam bregas e com o tempo as coisas voltariam ao normal.


Será? Meh, muito chato. Se o filme estiver falando a verdade, desaparecer é muito trabalho.


Parece que Newstill vai ter que aguentar ela. Newstill e sua tediosa rotina, com uma delinquente sem futuro. Certas coisas nunca mudam. A vida é assim.


Os personagens debatiam entrar em uma cidade quando a campainha bateu, com o macarrão na boca a cabeça dela se virou para a porta. É final de tarde, quem é a essa hora? Escoteiros e sua venda de biscoitos, esses campos precisam de limites.


Engoliu a comida e abriu a porta pronta para fazer conversa curta e expulsar o visitante.


Kiara reage bem a ataques surpresas, um soco, pontapé ou chute. Observa bem o ambiente em que está e reage de acordo com rapidez. Tem um jeito de contornar essas situações com maestria. O mesmo se aplica em fazer uma surpresa para ela, Kiara descobre, ela sente quee está a pessoa está escondendo algo. Fazer um ataque surpresa é quase improvável, no geral uma surpresa é impossível quando falamos de Kiara Mitchell.


Mas assim que abriu a porta e encarou a pessoa ali parada ela entrou em choque. A boca meio aberta e os olhos arregalados, ela não sabia como reagir, se o socava, fechava a porta ou o convidava para entrar.


Por que quando se tratava de David, seu irmão mais velho, ela nunca sabia o que fazer.


— Oi maninha. — Disse com um sorriso nervoso.


Kiara soltou a primeira coisa que veio a sua cabeça.


— O que você está fazendo aqui David?


O homem se mexeu desconfortável, enfim Kiara percebeu que ele não estava sozinho.


Do lado dele, uma criança de cabelos encaracolados.


— Kiara, eu vim fazer uma visita para te apresentar alguém. — Segurou os ombros do garoto. — Esse aqui é o Gabriel...


O menino aranha.


— O meu filho e o seu sobrinho.


Kiara reagia bem a ataques surpresas.


Mas não tinha a menor ideia de como contra-atacar essa notícia.

4 de Julho de 2020 às 21:58 0 Denunciar Insira Seguir história
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Rainha Do UOUOUOUOU

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