eliander_gomes Eliander Gomes da Silveira

Há muitas eras, seres das sombras que habitam em segredo no mundo estavam se preparando para destruir tudo que há e criar o caos; um novo mundo regido pelos monstros. Foi então que sete amuletos místicos foram criados com o intuito de proteger o mundo humano. Esses amuletos concediam poderes e habilidades para seus portadores jamais antes vistas. Neste tempo, uma ordem foi criada para a proteção e manipulação destes amuletos. Formada apenas por mulheres, essa organização era conhecida como Lirou Lader.


Ação Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#light-novel #258 #381 #332 #341 #328 #217 #326 #402 #7 #32818 #lirou #lader
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O Brilho Singelo de uma Flor que Cessou

Há muitas eras, seres das sombras que habitam em segredo no mundo estavam se preparando para destruir tudo que há e criar o caos; um novo mundo regido pelos monstros. Foi então que sete amuletos místicos foram criados com o intuito de proteger o mundo humano. Esses amuletos concediam poderes e habilidades para seus portadores jamais antes vistas. Neste tempo, uma ordem foi criada para a proteção e manipulação destes amuletos. Formada apenas por mulheres, essa organização era conhecida como Lirou Lader.

1995 Nova Mork — Praça central

Eras depois, uma jovem combatia em sigilo um desses seres.

— Aqui é Aqua, qual sua localização, Volcano?

— Praça central! — Gritou a garota com certo desespero. A fadiga preenchia suas palavras, enquanto o suor percorria seu rosto, no embalo de suas esquivas.

— Estamos a caminho, resista!

As palavras de Aqua quase não foram ouvidas pela garota, que batia contra o chão, fazendo-o rachar.

— Volcano!

As garras da disforme criatura prenderam-na, sufocando-a.

— Ga... Garotas... Me... Perdoem...

— Aguente firme! Volcano!

A menina fechou seus olhos e abriu seus lábios, sugando o máximo de ar que conseguia naquele momento.

Kala... Lirou Lader! — Sua voz soou como um vento, leve e suave

— Não!

Após dizer estas palavras, o amuleto de Volcano emergiu em um brilho rosa, envolvendo toda a garota e sugando seus trajes de batalha; logo em seguida, esse mesmo brilho subiu ao céu noturno, causando uma enorme explosão em tons avermelhados e criando um enorme raio rosa, que percorreu o céu em questão de segundos, sumindo em algum lugar dele. A criatura das sombras tartamudeou um grito desesperado, largou a garota e voou com suas enormes asas em direção ao brilho. Nesse mesmo instante, uma flecha de luz amarela atingiu o monstro disforme, fazendo-o guinchar de forma alta e aguda.

Kui Ryukudey! — Junto ao som dessas palavras, uma luz acinzentada perfurou o monstro, partindo-o em dois

— Volcano! Volcano! Fale comigo!

A garota loira vestida de amarelo se ajoelha ao lado do corpo de sua amiga ensanguentada.

— Eu... Estou bem...

— Volcano...

— Não me chame assim... Já não sou mais uma Lirou Lader...

— Por que, Volcano? Você era uma das melhores...

A garota faz silêncio por um breve momento, encarando o céu noturno.

— Eu não nasci para isso...

— Mas o amuleto te escolheu...

— Eu... — em meio as lagrimas ela hesitou, — Tenho medo... Não quero mais viver... Dessa forma...

As outras meninas fizeram silêncio, enquanto se aproximavam dela.

— Foi a primeira vez, depois de anos, que uma Lirou Lader recusou seu amuleto.

— Ninguém nunca tinha feito isso em eras. Por causa disso, nós não temos como saber o que vai acontecer agora...

— E Volcano nem sequer tinha uma aprendiz...

— Garotas! — Gritou a menina de amarelo, com um tom de repreensão.

— Não... Elas estão certas... Eu fui tola... Não mereço mesmo o amuleto... Foi um erro ele ter me escolhido.

— Os amuletos não cometem erros.

— Este cometeu.

Depois de dizer essas palavras, a garota se levanta com dificuldade, e começa a cambalear para longe de suas amigas.

— Volcano...

— Não me sigam... E não falem mais comigo...

— Mas... Você está muito ferida... — Após ouvir o comentário da garota loira, a antiga Volcano parou, — deixe-nos pelo menos te tratar.

Ela hesitou e suspirou aflita, porém, muito relutante, ela aceitou a proposta.

— Será a última vez que vou ouvir essas palavras...

A garota de azul se aproximou dela e colocou as mãos, gentilmente, sobre suas costas. Sem olhar diretamente para ela, a garota pronunciou, em meio à lagrimas...

Mey Maer...

Volcano foi coberta, pela última vez, pelo brilho azul, suave e doce, que fechava suas feridas gradativamente, enquanto as lagrimas percorriam seu rosto.

Essa foi a última vez que Volcano foi vista.

2017 — Mitsury, escola secundária

Os passos de Kate estavam cada vez mais acelerados; em pouco tempo, ela se encontrou correndo. A garota de cabelos suavemente ondulados e escuros, pele clara, olhos azuis, carregava um pedaço de torrada com os lábios, uma bolsa escolar sobre os ombros e seu celular em suas mãos; ela corria em direção a sua escola, com um rosto culpado.

Em pouquíssimo tempo ela alcançou os portões da escola, dando de cara com uma enorme mulher loira; um metro e noventa de pura beleza, olhos azuis atrás de um belo par de óculos. Ela vestia seu típico uniforme marrom formal de diretora, e um ar de maturidade esplêndido.

— Vinte minutos, Kate! Você não tem vergonha nessa sua cara não?! — Gritou a mulher loira de óculos parada em frente ao portão.

— Me perdoa! Tive uns imprevistos... — Disse a garota, ainda mastigando a torrada.

— Sem desculpas! Eu esperava mais da líder do conselho estudantil! E justo hoje que tínhamos a reunião sobre o festival escolar.

A garota juntou as mãos acima da cabeça, se curvando.

— Diretora Lightning, depois você pode me dar o castigo que a senhora quiser, mas me deixa entrar, por favor!

— Para de me chamar assim! Você quer pegar uma suspensão?!

— Desculpa, é a força do hábito...

— Hábito?! Quer dizer que está acostumada a me chamar assim quando eu não estou por perto?!

— É... não! As garotas te chamam assim o tempo todo e...

— Ah, já chega, antes que eu fique mais irritada com você! Agora entra logo! O professor Ostin deve estar quase acabando a aula dele.

— Eu não me atrasei tanto assim! Você mesma disse que foi só vinte min- — Antes que ela pudesse terminar a frase, a diretora olhou para ela com fúria, fazendo-a parar sua sentença na metade — Digo, eu estou indo!

Sem olhar para trás, a garota começa a correr para dentro do prédio da escola. A diretora, com um longo suspiro estressado, coloca sua mão direita no rosto ajeitando os óculos.

— Essa garota... e por que diabos eles me chamam de “Lightning”?

Kate freou na frente da porta corrediça, colocando sua mão sobre a maçaneta da mesma e puxando-a com força o suficiente para assustar todos de dentro da sala.

— Eu cheguei!

Recebida com silêncio dos seus colegas pasmos, ela encara o professor, que segurava o giz, imóvel como uma estátua.

— Ah... percebemos.

A garota então se dirige até sua mesa, colocando sua bolsa em cima dela e se curvando para o professor logo em sequência.

— Mil desculpas, senhor Ostin, é a primeira vez que me atraso, não sei nem o que dizer!

— Só se sentar e fazer silêncio já vai ser o suficiente...

Ela o obedece e, logo em seguida, ele limpa sua garganta, voltando seus olhos para o quadro.

— Então... como eu estava dizendo antes de ser interrompido... esse tipo de equação vai cair na próxima prova de vocês, então preciso que prestem bastante atenção na explicação dela... Alguém está disposto a tentar? Kate?

— Eu?!

— Que eu saiba você é a única Kate da sala...

— Mas eu já pedi desculpas!

— Não tem nada a ver com o fato de você ter chegado atrasada... eu só fiquei incomodado com a forma que você interrompeu a aula! Além disso—

— 27x³!

— O que?

— A resposta.

Ele olhou para o quadro pasmo, ajeitando seu par de óculos.

— Está... certo. Mas ainda quero saber o porquê a presidente do conselho chegaria atrasada justo hoje.

Em meio as suas palavras, uma jovem de cabelos curtos e um par de óculos se levanta e interrompe a discussão.

— Senhor Ostin, se me der licença, sei que está chateado com Kate pelo ocorrido, e devido a situação, como um membro ativo do conselho estudantil, também me sinto deveras irritada com a presidente por ter se atrasado para nossa reunião, mas peço, por favor, que voltemos à matéria. Os assuntos do conselho podem esperar, tal como a devida punição de Kate.

“Você me salvou, Amanda!” pensava Kate, enquanto olhava com um rosto agradecido para a amiga.

— Tudo bem, você tem razão. Eu não sei onde estava com a cabeça de me exaltar dessa forma..., mas quero falar com você depois da aula, Kate!

— Na verdade, ela vai ter que faltar a próxima aula, senhor Ostin. Devido a situação pedi para que o conselho se reunisse depois que Kate chegasse para que discutíssemos sobre o festival.

— Arg, tudo bem... só vamos continuar a aula então.

Depois disso, a aula seguiu normalmente. Após o sinal tocar, Kate fora puxada para fora da sala, enquanto Amanda guiava seus passos em direção a sala do conselho estudantil.

— Caramba, Amanda, como é que você não se tornou a nova presidente?

— Não sirvo para o cargo, prefiro servir como auxiliar da presidente atual.

— Mas eu não levo jeito nenhum para essas coisas. Olha a forma que você agiu lá atrás, você é incrível.

Amanda parou, obrigando Kate a parar também. Ela olhou em seus olhos com um rosto sério.

— Eu não vou perguntar o motivo pelo qual você se atrasou, mas tendo em mente o quão sério e importante é o evento, você não teria nenhuma desculpa boa que pudesse convencer o conselho. Em outras palavras, a menos que envolva morte ou doença, seu álibi será inválido... exceto se eu, como a vice-presidente, me responsabilizasse por seu erro e criasse uma desculpa boa o suficiente para te livrar dessa situação.

— Me desculpe...

— E antes que eu me esqueça, a diretora Lucy me pediu explicitamente para que te mantivesse na linha durante a reunião e que, se por acaso você se exaltasse, eu teria liberdade para assumir o controle do plenário e seguir com a reunião mesmo sem você.

— Você está sendo muito dura comigo...

Amanda dá um leve peteleco na testa da amiga.

— Você é uma boa líder, Kate. Só precisa de mais confiança. E tente agir de forma mais madura. Sabe o porquê estou te dizendo tudo isso, não sabe?

— Sim...

— O festival da nossa escola é especial. Não é só um evento qualquer, você sabe disso. E a reunião jamais poderia ocorrer sem você.

— Mas eu ainda preferia que você assumisse a liderança da reunião...

Amanda suspira, frustrada.

— Não vamos discutir isso, e está quase na hora dos outros membros chegarem, vamos nos apressar.

Nesse momento um pequeno bipe é ouvido vindo do bolso de Amanda. A garota pega o celular e dá uma leve olhada no que se trata. Seu rosto fica levemente sério e Kate percebe a inquietação na garota.

— É seu irmão?

— Sim.

— Droga... eu preferia que você estivesse lá comigo..., mas tudo bem, pode ir...

Amanda suspira aliviada.

— Obrigada, Kate. Escute, eu sei que é sua primeira vez na frente de algo tão importante quanto o evento, mas eu sei também que você é capaz.

— Eu não teria tanta certeza.

— Pode parar! Quer outro peteleco?

Kate levanta as mãos, protegendo o rosto.

— Não! Eu to bem, sério. Vou dar o meu melhor lá dentro!

A amiga balança a cabeça positivamente, com um leve sorriso. Ela então segura no ombro da garota e sorri para ela.

— Apenas faça o seu trabalho. Eu tenho que ir.

Ela solta os ombros de Kate e se vira.

— Mas... está tudo bem mesmo? Vocês adiaram a reunião por minha causa, mas agora é você que não vai poder aparecer... e pelo que você disse, suponho que a diretora não vai poder estar também...

— A presidente é mais importante do que a vice. E eu tenho uma desculpa descente para dar ao conselho, você não. Quanto a Senhorita Lucy, creio que sua confiança em você é maior que a minha, e acredito que os motivos dela sejam válidos para isso.

Ela se despede e vai embora. Kate a encara se distanciando com certo aperto no coração.

— Só espero que ela esteja certa.

Amanda para no portão da escola, pegando mais uma vez seu celular. Após checar à mensagem mais uma vez, ela o guarda. Nesse momento a diretora se aproxima dela.

— Rua Vanguarda, prédio 302. É um grupo de corruptores leves.

— Eles têm aumentado a atividade nos últimos meses, não acha? Perdi minhas férias combatendo essas coisas.

— É natural, já que só sobraram você e eu nessa região. Flora e Lux tiveram que partir para Oriana, já que acharam um foco lá também.

Amanda suspira. Ela começa a andar, acompanhada por Lucy.

— Se nós pelo menos soubéssemos onde o amuleto da Volcano foi parar.

— Não adianta ficar se lamentando. Temos trabalho a fazer. E além do mais, eu sei que na hora certa ele vai aparecer novamente.

— Tem certeza, Lucy? Você acredita mesmo que o amuleto vai achar outra Lader sozinho? Quer dizer, já faz anos desde que a antiga Volcano desertou.

— Na hora certa, Aqua, ela vai aparecer.

— Se é o que você diz, mas mudando de assunto, não seria melhor uma de nós duas ficar aqui na escola? E a reunião do conselho?

— Você é inexperiente ainda, não posso te deixar ir nessa missão sozinha, e as garotas da Lux estão ocupadas com outras coisas. Além disso, eu estou velha demais para ir sozinha também. E não poderia levar a Lily comigo, ela ainda está em treinamento.

— Como assim? Você está em sua melhor idade. — Disse a garota de forma jocosa.

— Isso foi uma piada?

— E além do mais, a Lily já é boa o suficiente para lutar com a gente, ela luta melhor que eu.

— A propósito, por que as garotas da escola me chamam de Lightning?

— Por causa do seu cabelo loiro, eu acho.

— Han?! Eu não sou a única loira da escola!

— Mas é a que tem o cabelo mais brilhante, e a única loira cem por cento natural. E além do mais, sua personalidade é notável.

— Notável vai ser minha mão na cara delas se não pararem com isso!

— Viu o que eu disse? É essa personalidade. Além do mais, eu e o pessoal da base te chamamos de Lightning o tempo todo, por que não se importa?

— É diferente, esse é o meu codinome de Lader.

— Na verdade o seu codinome seria Ray ou Fulgur...

— Eu ainda prefiro Lightning.

— Então por que se importa das meninas te chamarem assim na escola?

A mulher começa a bagunçar o próprio cabelo em descontrole.

— Aaah, cala boca, Aqua! Isso me irrita!

A garota ri sem graça.

— Sempre energética... oh veja, parece que você já sincronizou com seu amuleto.

— Culpa sua isso!

...

Kate segurava a maçaneta da porta de forma hesitante. Depois de alguns segundos, ela suspirou profundamente e, tomando coragem, adentrou no local. Parecia haver mais duas pessoas esperando-a dentro da sala.

O garoto sentado próximo a janela tinha cabelos lisos e um ar sério. Ele a encarou, cumprimentando-a levemente com a cabeça. Ela responde ao aceno com o mesmo gesto. Também tinha uma garota que estava sentada em cima de uma das carteiras, balançando seus pés alegremente enquanto encarava Kate entrando na sala.

— Qual a temperatura do sol?

— 5.778K — Respondeu Kate, de forma pacata e sem esquivas.

— Quanto tempo vive uma tartaruga?

— Depende da espécie, existem algumas que podem viver até 150 anos.

— Quem veio primeiro, o ovo ou a galinha?

O garoto se levanta e bate na mesa, chamando a atenção das duas.

— Chega, Lily! Todo dia isso! Não cansa não? — Ele se vira para Kate. — E por que você ainda a responde?

— Mas a Kate é tão inteligente! É um desperdício não extrair ouro dessa mina de diamantes brutos!

— Se ela é uma mina de diamantes, como você consegue extrair ouro?!

A garota coloca a língua ao lado da boca com um sorriso sapeca.

— Sou uma boa garimpeira!

— Mentirosa!

— Ei, tudo bem, já deu. — Diz Kate, abanando suavemente as mãos e com um sorriso no rosto. — Eu não me importo com as perguntas da Lily.

O garoto suspira e se senta novamente, se ajeitando na cadeira e voltando ao seu ar sério.

— Ei Kate.

— Diga Lily.

Ela abre um leve sorriso sapeca e se aproxima da garota, sussurrando.

— De onde veem os bebês?

— Lily! — Grita o garoto, batendo as duas mãos sobre a mesa.

Eles são surpreendidos com uma voz suave e meiga que entra pela porta.

— Ei, vocês estão muito animados hoje! Só porque estão matando aula não significa que têm que ficar fazendo barulho desse jeito!

A garota que entrara tinha uma pele morena, cabelos castanhos e ondulados, um sorriso simpático e segurava uma pequena bolsa.

— Ah, olá Mikaela.

— Loreley, a mesa não é lugar para se sentar.

Ela abaixa a cabeça levemente, ainda com seu sorriso travesso.

— Desculpa...

— Tsuhiko, não brigue com a Loreley por causa da curiosidade dela.

— Ela só está me provocando, como sempre!

— Tsuhiko!

Ele hesita e abaixa a cabeça.

— Desculpa...

“Ela é tipo uma irmã mais velha!” Pensou Kate.

— Kate, onde está Amanda?

— Ela teve que visitar o irmão. Parece que ele teve outra crise.

— Entendo. Nesse caso, vamos ter que fazer sem ela. Esperamos demais.

— Er... me desculpe por esse detalhe...

...

— Qual a situação? — Perguntava Amanda enquanto se aproximava do rapaz parado em frente ao prédio.

— Nós conseguimos erguer uma barreira a tempo, mas não sei se vai aguentar muito.

O lugar era um antigo prédio abandonado, cercado por vegetação. A destruição do lugar era uma mistura de desgastes por causas naturais e não naturais, ali parecia ter sido uma zona de guerra.

O rapaz tinha um uniforme branco e azul, seus cabelos eram castanhos claros e lisos, ele segurava um aparelho que emitia um leve holograma, no qual ele passava o dedo para lá e para cá.

Lucy se aproxima do rapaz com os olhos cerrados.

— Eu te conheço, você não é da sede de Amarin?

— Ah, sim... sou sim.

— O que está fazendo aqui?

— Bom, estamos com falta de pessoal...

— Como assim? Eram para ter pelo menos doze pessoas de prontidão hoje.

— Vocês não ficaram sabendo? Flora e Lux tiveram problemas em Oriana. Tivemos que mobilizar um grupo de apoio.

Lucy franze a testa, preocupada.

— Está falando sério?

— Sim. Mas vamos deixar isso de lado por enquanto. Identificamos cerca de quinze indivíduos lá dentro.

— Que tipo de corruptores? — Pergunta Amanda.

— Panteras e Agarradores. Provavelmente pode haver mais tipos também. Tenham cuidado, por favor.

...

Todos os membros já haviam chegado. Eles fizeram um círculo com as cadeiras e cada um se sentou em um lugar; eram nove no total. Dois professores acompanhavam a reunião, um destes era Ostin. Kate se manteve de pé e começou a falar.

— Bom, como sabem, em breve nossa escola vai completar trinta anos. E como de costume, faremos nosso festival anual. Essa reunião tem por objetivo organizarmos os primeiros passos para o evento. Como sabem, não é um evento comum, não é apenas um festival escolar...

...

Lucy e Amanda se aproximam do prédio com cuidado, mas antes de entrar elas param e analisam o ambiente novamente.

— A nossa sorte é que esse lugar é inabitado. — Diz Lucy.

— Essa foi uma das zonas de guerra, não foi?

— Sim, essa área inteira foi parte do grupo de revolução.

— Você chegou a ver? A guerra com seus olhos?

— Eu participei dela... de uma forma ou de outra.

...

— Para manter nossas mentes frescas do que ocorreu, todos os anos nossa cidade faz isso: o Grande Festival Anual. É um lembrete, e um aviso, para que nunca façamos novamente o que fizemos naquela época. E apesar das cicatrizes em sua maior parte já terem fechado, ainda precisamos manter-nos cientes de nossa responsabilidade, para com aqueles que se foram, de manter a paz que eles nos trouxeram...

...

— Você já era uma Lader na época?

— Mais ou menos. Eu ainda era aprendiz da Lader relâmpago da época. Mas tive que assumir cedo, logo em seguida.

— Ela... morreu?

— Sim. Ela era mais jovem do que eu sou agora.

— Deve ter sido difícil, aqueles tempos.

— Sim, foram. Mas é por isso que estamos aqui, — Lucy sorri e dá um passo à frente, — para manter essa paz.

Elas entraram no prédio com sua guarda levantada. Elas falavam mais baixo do que antes, e andavam com calma pelo ambiente.

— E no fim das contas vocês nunca descobriram o que aconteceu, não é? Sobre como eles conseguiram controlar aqueles corruptores.

— Não. Infelizmente nenhuma de nós conseguiu achar qualquer pista do responsável.

— Mudando um pouco de assunto, por que não se transformou ainda?

— Não quero ter que gastar energia atoa. Não é só porque meu amuleto sincronizou que eu tenho que usá-lo, ainda.

Amanda suspira.

— Você diz “gastar energia atoa”, mesmo sabendo as habilidades específicas do seu amuleto... Eu ainda tenho dificuldades em fazer a sincronização. As vezes demoro demais.

— Você pega o jeito. De qualquer forma, você não deve ficar dependente demais dos poderes das Laders. Extrair o poder dos amuletos é desgastante para qualquer Lader, até mesmo para mim.

— Mesmo quando eu era aprendiz, eu mal conseguia usar magias de ataque direito.

Lucy olha de relance para a parceira, abaixando as pupilas em um leve hesitar. “É verdade”, pensou ela, “Você também teve que assumir rápido o papel de Lader”.

...

— Então? — Dizia o rapaz enquanto batia a pilha de papeis sobre a mesa, alinhando-os. — Está decidido? Cada um já sabe o seu papel dentro da organização do evento?

— Bem, acho que sim.

A jovem Lily se debruça sobre a mesa, em um longo suspiro desanimado.

— Só estou inconformada de ter que ficar com a organização das barracas este ano!

— Vai dar tudo certo, eu confio em você.

Ela rapidamente se levanta e coloca uma das mãos sobre a testa, em sinal de continência.

— Não vou desapontá-la, presidente!

Enquanto isso, Tsuhiko apoia sua cabeça em uma das mãos, enquanto escorava o cotovelo sobre a mesa.

“Foi um belo discurso o dela, considerando que a Vice-presidente não estava presente. Será que ela decorou as palavras? Não, foi bem mais que isso. Ela realmente fez de tudo para fazer dessa reunião um sucesso. Foi a primeira vez que não teve discussões em algo desse tipo esse ano. Acho que foi uma boa escolha dar o título de presidente para ela no fim das contas.”

— Ah, esquecemos de algo importante, presidente.

— Sério? O que foi, Mikaela?

— Os fogos de artifício! O evento vai terminar com um show de exibição! Mas esquecemos de colocar alguém responsável, não é?

— Droga, sabia que ia acabar esquecendo algo...

— Não tem por que entrar em pânico agora, isso é o de menos. Podemos deixar para a Amanda, já que ela acabou ficando de fora da reunião.

— Eu não sei se é uma boa ideia deixar nas mãos dela. Ela tem todo o problema com o irmão e tudo mais... se acontecer um imprevisto ela não vai poder estar lá para os fogos.

— Geralmente o trabalho de fiscalização já fica por conta dela, de qualquer forma, então não é como se ela estivesse livre o tempo todo.

— Nesse caso, — diz Kate se levantando, — podem deixar comigo!

— Ei, tem certeza? Você já mexeu com esse tipo de equipamento? É meio perigoso, sabe?

— Eu não sou nenhuma idiota! Eu dou conta de acender um fósforo!

— Então está decidido! — Mikaela bate as mãos com um sorriso. — Acho que acabamos por hoje, certo?

...

Lucy faz um sinal para que Amanda segurasse seus passos.

— Consegue sentir?

— Sim... fede à corrupção.

Amanda se coloca rapidamente ao lado direito de Lucy e aponta suas duas mãos para frente, fazendo um campo de força azul aparecer repentinamente; juntamente com ele, faíscas e uma explosão.

— Uma barreira estrutural? E sem usar o amuleto, meus parabéns.

— Tem outro!

— Eu já vi. — Antes que terminasse a frase, Lucy gira seu corpo, desferindo um chute na altura dos olhos. Seu pé colide contra um rosto negro similar à de um felino gigantesco; a criatura voa na direção de uma parede próxima, colidindo e sendo coberta pela poeira.

— Incrível...

— Não abaixe a guarda ainda! — A mulher loira aponta sua mão direita na direção de onde veio o primeiro ataque. — Kaiter Hoi!

Junto a suas palavras, vários raios amarelos dançaram pelo chão saindo das mãos de Lucy, e seguiram em direção a uma segunda criatura negra similar a um polvo.

— Nossa... então isso é uma magia daryana.

— Você não sabe usar magias daryanas ainda?

— Eu sei alguns comandos, mas é complicado aplicá-los.

— Consegue pelo menos usar o Mey Maer?

Ela ri sem graça.

— É uma magia básica de cura. Minha mestra dizia que toda Lader Aqua devia aprender essa magia e se aperfeiçoar nela.

— Bom, dois já foram. Se entrarmos mais fundo conseguiremos achar o foco. Como está sua sincronização?

— 30% ainda...

— Vai demorar um pouco, pelo visto. Mas não tem jeito, no fim das contas você só consegue se transformar quando realmente precisa.

— O que quer dizer?

— A sincronização depende muito do estado mental do usuário. Você sabe, não é? As Laders extraem energia dos sentimentos. Então até que uma Lader seja capaz de controlar suas emoções, não é possível se sincronizar na hora que quiser.

— Sim, eu sei disso. É o básico sobre a transformação.

— E alguns dizem que é exatamente por isso que somente mulheres são escolhidas como Laders. Os homens costumam ser mais racionais, enquanto as mulheres mais empáticas. Mas no fim das contas acaba sendo uma faca de dois gumes, independente do sexo do usuário, já que nenhum de nós conseguimos controlar tão facilmente nossos sentimentos em alguns casos.

— O coração do ser humano é misterioso. — Amanda dá um leve sorriso ao dizer isso.

Lucy solta uma interjeição sutil de riso, em deboche.

— Não temos tempo para perder aqui, vamos indo.

Elas avançam dentro do prédio. A iluminação começa a ficar mais fraca; as sombras eram quebradas por pequenos feixes de luzes que entravam pelas janelas e frestas das paredes. Conforme andavam pelos corredores, as duas permaneciam alertas a qualquer mínimo movimento.

Subitamente Lucy soca a parede, derrubando parte dela.

— Você é mesmo incrível, eu nem tinha sentido esse...

— Minha visão é pelo menos três vezes mais apurada que a de humanos comuns sem me transformar, quando uso o amuleto ela chega a mais de trinta vezes. E isso inclui enxergar coisas que se movem rápido... tipo isso daqui!

Ela agarra algo no ar que estava prestes a acertar Amanda, era uma criatura similar a uma pantera.

Ertei Saer! — Logo após dizer as palavras daryanas, ambos foram cobertos por raios que iluminaram o local, tanto Lucy quanto o monstro. Ela então dá um giro e atira a criatura na direção do corredor. — Val Kaiter Hoi!

O monstro se chocou contra uma outra criatura, explodindo ambos em raios. Assim que os monstros começaram a sumir, se desfazendo como poeiras, as duas garotas começam a ser cercadas por um grupo de corruptores.

— Oh, eles acham que podem nos pegar assim.

— Vamos mostrar para eles que estão errados então, certo?

Lucy ergue sua mão esquerda apontada para um grupo de três criaturas, ela então puxa o nada com sua mão direita em direção do próprio corpo. Ao fazer isso, um arco disforme de raios aparece entre suas mãos. Ela olha de relance para Amanda e abre um meio sorriso jocoso.

— Magia destruidora de... mosquitos!

Ao gritar isso, ela solta sua mão direita, disparando uma sequência de raios similares a flechas na direção dos monstros.

— Para de brincar! Não existe uma magia com esse nome!

— Agora existe. — Diz ela com um sorriso.

— Esse é realmente o tipo de piada que uma velha faria...

— Ei, quem você tá chamando de velha?!

— Tá bem, eu também tenho que mostrar alguma utilidade aqui, certo?

Aqua se abaixa, levando sua mão esquerda para atrás do corpo e colocando sua mão direita à frente do rosto, como se estivesse mirando em uma das criaturas. Um brilho azulado se forma em sua mão esquerda, tomando a forma de um disco.

— Eu chamo essa de onda destrutiva.

Ela então lança com sua mão esquerda o disco na direção dos monstros. Conforme o objeto de luz voava, ele foi desaparecendo no ar, até que sumiu completamente.

— Acho que você errou...

— Será? — Dizia ela com um sorriso confiante.

De repente, os monstros começaram a se desintegrar.

— Oh, entendi. Você criou uma nuvem de umidade baixa, e usou ela para destruir partículas por partículas deles através das vibrações. Onde aprendeu isso?

— Eu inventei.

— Fale a verdade, você não conseguiu dominar o disco de água e criou uma variante usando-a como base, não foi isso que aconteceu?

Amanda hesita ao ouvir o comentário.

— Em minha defesa, esta magia acabou se tornando mais eficiente.

— Se usada em uma distância curta, pode até ser.

Enquanto falavam, três dos monstros avançaram, atacando-as. Lucy e Amanda se esquivam da sequência de golpes, até serem levadas para uma parede.

— Eles nos encurralaram!

— Calma, tá tudo tranquilo. Só mais um pouco.

— Ei, isso atrás da gente... não me diga que.

— Sim! Uma caixa de fusíveis! — Lucy encosta na estrutura metálica presa a parede e ela começa a brilhar, envolta a raios.

— Usar o ambiente como arma, conceito básico de batalha. Mas quem diria que esse prédio ainda teria energia.

Lucy aponta sua mão para as criaturas, soltando uma rajada intensa de energia. Os monstros são todos derrotados, e as garotas suspiram aliviadas.

— Esses prédios eram usados como base durante a guerra, então acabou que eles fizeram sistemas de energia renováveis com geradores próprios.

— Bom, acho que agora você pode ter uma noção melhor do porquê do seu apelido.

— Calada!

Nesse instante, dois tentáculos saem da parede atrás das garotas. Elas, assustadas e em resposta ao barulho, tentam se afastar, mas são ambas chicoteadas e lançadas para além do corredor em que estavam. Seus corpos batem contra as paredes do prédio, abrindo um buraco atrás do outro, e levando-as para os andares mais abaixo do lugar.

Lucy se levanta com certa dificuldade em meio aos destroços.

— Ei, tá tudo bem?

— De alguma forma... — Diz Amanda, cambaleante, — que droga foi essa?

— O foco. Parece que ele já tomou forma.

Os tentáculos começam a abrir mais os buracos do prédio, causando um desmoronamento.

— Temos que sair daqui!

— Não precisa falar duas vezes!

Elas começam a correr para fora do prédio em ruínas, até que com um pulo elas alcançam a saída. Logo atrás delas, em meio aos destroços, uma criatura similar a um tiranossauro negro com quatro caudas surge. Em suas costas uma grande flor negra completa, com vinhas que lembravam tentáculos e uma espécie de pólen negro voando. Naquele ponto, o céu começara a escurecer, graças a pequenas nuvens.

— Essa é nova pra mim...

— É um corrupto Tirano, essas coisas são chatas...

Três homens se aproximam com coisas parecidas com armas.

— Reforços? Não que vá ajudar muito.

— Ei, sejam mais gentis! A gente também dá duro aqui!

— E onde vocês estavam antes? Ah, deixa para lá. Distraiam aquela coisa!

— Sim senhora!

— Amanda, quanto até sincronizar?

— Estou com 67%!

— Não vou te esperar mais, desculpa. — A mulher pega seu par de óculos e o objeto começa a brilhar, ela então o leva para a frente do corpo, enquanto ele tomava a forma de um amuleto circular amarelo. Lucy o segura com as duas mãos e o aponta para frente. — Jay! Lirou Lader!

Seu corpo é coberto por um brilho amarelo e vários raios.

Uma explosão de luz sai de seu corpo, e suas roupas são desintegradas. Sobre os braços de Lucy aparecem luvas interligadas a braceletes que cobriam todo seu antebraço, e deixavam a ponta dos dedos a mostra. Seus pés foram cobertos por um par de botas de cano longo brancas, com detalhes amarelos, que iam até seu joelho formando uma ponta. No lugar de suas roupas surgiu um belo vestido curto branco com detalhes amarelos, e uma meia armadura que cobria seu peitoral, seu abdômen e parte de seus ombros. Sobre sua cabeça um capacete que cobria apenas a lateral de seu rosto, deixando seus cabelos, que estavam presos em um rabo de cavalo, balançando com o vento gerado pela transformação. Em sua mão esquerda um arco começa a se formar, com três pontas em cada lado e uma corda feita de energia e eletricidade.

— Eu nunca me canso de ver sua transformação...

O monstro ataca os soldados com um balançar de seus tentáculos, jogando-os para longe.

— Eu vou cuidar dele, me dê cobertura.

— Vou tentar...

Lucy se impulsiona, desaparecendo em meio a raios, como um flash de luz. Ela desfere um chute certeiro do rosto da criatura, fazendo-a se desequilibrar e cambalear para trás.

— Uau, essa coisa é forte... ela resistiu a um chute da Lucy.

A mulher loira se afasta rapidamente, enquanto a criatura desfere vários ataques com seus tentáculos. Lucy dá várias cambalhotas para trás, se desviando dos ataques com maestria, até que se afasta o suficiente do monstro para ficar fora do alcance dele.

O monstro ruge feroz, ele então começa a tremer, abaixando sua cabeça, e em suas costas a flor começa a se mexer freneticamente.

— Acho que irritei ele...

— Ele está criando mais corruptores.

— Não vou deixar! — Lucy mira com seu arco nas costas da criatura, desferindo um tiro certeiro na flor. A flecha elétrica corta o ar como um tiro de laser, atingindo-a e despedaçando-a. O monstro grita mais uma vez, mas em meio ao seu rugido, as garotas percebem algo. Em meio a explosão, o pó negro começa a se dispersar em volta do monstro.

— A flor... ela era o foco?

— Sim, mas ainda não acabou!

Quando a fumaça negra começa a sumir, as garotas veem a criatura ressurgindo diferente de antes. Agora suas patas dianteiras estavam maiores, e ele se movia como um quadrupede. No local onde a flor estava, agora surgiam vários tentáculos negros, cobertos de espinhos.

“A energia contida no foco agora está se espalhando pelo corpo dele... droga, eu acho que fiz merda. Eu não deveria ter destruído a flor desse jeito.”

Amanda segura seu amuleto em mãos, um pequeno medalhão azul. Ela o encara, com um rosto inseguro.

“Eu estou sendo um peso morto aqui...”

Lucy faz um movimento com o arco, como se estivesse quebrando-o no meio. O objeto se divide em dois; agora ele parecia com duas adagas. Ela avança para cima do monstro, desferindo golpes rápidos em seu couro, inutilmente. “É duro, como uma armadura. Então esses poros negros de antes se grudaram a carne dele e formaram uma armadura natural”.

A criatura de repente a agarra com um dos tentáculos, prendendo-a. Lucy grita com dor, sendo esmagada pelos tentáculos e perfurada com seus espinhos.

— Lucy!

— Filho da... Aaaahh!

A mulher começa a brilhar, sendo envolta em raios e luz, cobrindo a criatura com eletricidade. Mas o monstro parecia não sentir o ataque.

“Ela não está gerando voltagem o suficiente para transpassar o couro dele... droga, o que eu faço?!”

— Amanda! — Ela parecia estar com dificuldades para falar. — Ainda... não sincronizou?!

— Depois dessa cena, acho que estou pronta!

— Tá... esperando o que?!

Ela segura o amuleto com as duas mãos e grita as palavras.

Jay! Lirou Lader!

Uma luz azul cobre todo o corpo de Amanda, juntamente com um pequeno tufão.

Em seus antebraços aparece um par de braceletes prateados com bordas azuis acoplados em um par de luvas completas, com pedaços de metal segmentado em seu entorno, e em seu braço direito uma faixa azulada com o símbolo da Lirou Lader Aqua. Seus pés são cobertos por uma bota marrom, com detalhes azulados em seu contorno. Diferente de Lucy, no corpo de Amanda aparece não uma meia armadura, mas uma armadura segmentada completa que começa a contornar todo seu corpo; por baixo dos braceletes e do restante do corpo, um conjunto de pano azulado, que completava o visual da armadura. Sua cabeça é coberta por um capacete que deixa apenas seu rosto a mostra, com um visor azul que se fecha logo à frente de seus olhos e nariz, e em seu braço direito um círculo começa a se formar, grande o suficiente para cobrir metade do seu corpo; este círculo toma a forma de um escudo de corpo azul com o símbolo da Lirou Lader Aqua no centro.

— Mas eu não posso fazer muito, mesmo vestindo essa coisa!

— Pensa em algo, rápido!

Amanda começa a olhar em volta, em busca de alguma resposta, ela então olha para o céu nublado.

— É isso...

— Parece que teve... alguma ideia... anda logo!

Ela segura seu escudo em direção ao monstro e leva o braço esquerdo para trás, fazendo um pequeno círculo de luz aparecer nele.

— Essa técnica...

— Isso mesmo! Onda destrutiva!

A luz azulada toma a forma de um enorme disco de luz, pelo menos cinco vezes maior que o usado anteriormente. Ela lança o disco na direção do monstro, mas ele passa longe da criatura e sobe aos céus.

— Onde pensa que está mirando?!

— Calma, Lucy, você é muito apressada! Não é à toa que te chamam de Lightning!

— Me respeita, garota! Sou mais velha... que você!

O céu começa a fechar mais ainda. As nuvens começam a escurecer e a formar pequenos focos de chuva.

“Uma nimbos?” Pensou Lucy. “Entendi, então é isso!”

— Entendeu?

— Sim!

Lucy começa a brilhar enquanto solta um grito ensurdecedor.

— Cai pra dentro! Sua nimbos de merda! — Relâmpagos começam a aparecer no céu, até que um grande trovão é ouvido e um raio cai em cima da criatura, com o epicentro em Lucy.

Violous Ertei! — Uma grande explosão de luz sai de Lucy, obrigando a todos no lugar cobrirem seus olhos. Logo após a luz sumir, Amanda vê os tentáculos que seguravam Lucy desaparecerem, e a mulher cai no chão, fraca. Amanda mais que rápida se impulsiona e pega a amiga, a afastando da criatura. A garota coloca suas mãos sobre o ferimento da amiga e um brilho azul aparece em volta dele. Nesse meio tempo os soldados tomam a frente e começam a segurar o monstro da forma que conseguiam.

Mey Maer! — Ela repetia as palavras com certo desespero. — Lucy, você está muito ferida!

— Não se preocupe comigo, acaba com aquela coisa!

— Mas, se eu não tratar esse ferimento agora...

— Você se esqueceu de com quem tá falando? Presta a atenção!

Ela olha para o ferimento na barriga da amiga, e percebe que não está sangrando; ao redor dele vários pequenos raios circulavam.

— Você contraiu os seus vasos sanguíneos para parar o sangramento?

— Enquanto eu mantiver eletricidade neles, não vai sangrar. Enquanto a energia correr pelo meu corpo o sangue não vai sair dele. Agora vai lá e acaba com ele! Eu aguento até lá!

Ela se levanta e vira de volta para o dinossauro, mas com um rosto preocupado.

— Você diz isso, mas... se você impedir o sangue de circular desse jeito, vai acabar perdendo a consciência rápido, com falta de oxigênio no cérebro. E além do mais, o que eu posso fazer com esse escudo?

— Amanda... você é uma Lader! Sei que vai pensar em alguma coisa.

Ela franze a testa enquanto encarava a criatura, que se levantava com dificuldade. Nesse instante, as poucas gotas de chuva caiam com força sobre o chão, molhando todo o lugar.

— Acha que consegue usar outro daqueles?

— Tá brincando? Esqueceu da minha habilidade específica?

— Então se prepara.

— O que pretende fazer?

— Só use aquele seu trunfo quando eu pedir. Enquanto isso, teria como me emprestar um pouco de energia?

Lucy acena com a cabeça, com certa dificuldade. Ela segura a canela direita de Amanda.

Amanda estica seus braços para os lados, concentrando energia em sua volta. As gotas de chuva mais próximas dela de repente param no ar, em um raio de dez metros. Elas então começam a circular Amanda, acelerando o movimento, enquanto mais e mais gotas se juntavam. Em poucos segundos, um pequeno tufão começou a se formar.

— Isso... é legal... — Diz Lucy, com um sorriso jocoso.

Amanda bate as mãos, fazendo o tufão parar. Um aglomerado de água se junta a sua frente.

— Se prepara!

— Ok!

Amanda aponta seu escudo para o monstro, com o aglomerado de água que se movia à sua frente.

Gigas... Keras... — Ela parecia ter certa dificuldade para pronunciar as palavras, — Fri!

A água a sua frente começa a girar como uma broca, brilhando em um azul celeste intenso, enquanto acelerava em direção ao monstro.

Altery Desu!

Antes que chegasse até ele, a água se dissipou em vários segmentos, vários tentáculos brilhantes como pequenos rios.

Lucy fez uma cara de surpresa. “Ela está indo bem, quem diria que conseguiria usar magia daryana assim...” pensou a mulher loira.

Os rios formaram uma pequena prisão, que envolveu o monstro e o imobilizou.

— Por que o prender? Aquela lança poderia ter perfurado ele!

— Não, não poderia. Eu ainda não dominei o controle de gelo tão bem. Mas ainda não acabei!

Amanda mais uma vez cria um disco com sua mão esquerda e lança-o acima do monstro, em direção as nuvens. A chuva que já estava grossa nesse momento, começa a engrossar mais ainda, ficando tão intensa quanto uma chuva de verão de um país tropical. Ela então bate à frente de seu escudo contra o chão.

“Essa quantidade massiva de água... não me diga que a Amanda conseguiu gerar tudo isso com aquele disco... mesmo usando minha habilidade específica como suporte... é absurdo!”

— Pode me soltar, Lucy! Se afasta um pouco!

— Ok!

— Escudo corrompido!

Toda a água presente no chão e no ar de repente sobem, formando quatro tentáculos pontudos e espinhosos, atacando o monstro e perfurando-o. Lucy percebera que um quinto tentáculo menor se formara a sua frente; havia ainda um pequeno caminho de água entre Lucy e o conjunto de tentáculos ligado por esse quinto tentáculo.

— Agora, Lucy!

A mulher loira mergulha sua mão na pequena bolha de água que iniciava o caminho até os tentáculos de água de Amanda.

Violous Ertei!

O enorme raio acertou Lucy e percorreu todo o caminho, atingindo a criatura e criando uma enorme explosão.

Amanda suspira aliviada, enquanto o céu se abria e as nuvens desapareciam. O monstro começa a se desintegrar, em meio a grunhidos de dor. A garota cai de joelhos no chão, enquanto sua armadura se dissolve e suas roupas aparecem no lugar. Amanda se senta sobre suas pernas, fraca.

— Amanda! Não me diga que te acertei com meu ataque!

— Não... eu só to... cansada mesmo...

— Ei, seus inúteis! Façam seu trabalho!

Os soldados, que até então só assistiam a cena, começam a se mover na direção das duas.

— Olha só para isso... você tá mais ferida que eu e ainda se preocupa com meu bem-estar... — logo após dizer isso, ela desmaia, caindo de bruços no chão.

— Amanda!

Os três soldados socorrem a garota, posicionando-a de dorso.

— Ei, o que aconteceu?!

— Acalme-se, ela só se desgastou por causa do uso excessivo do amuleto. Eu me preocuparia mais com você do que com ela.

Lucy estende sua visão e vê o rapaz de cabelos castanhos se aproximando.

— Vocês duas estão bem?

— Sim, de alguma forma...

O uniforme de Lucy começa a desaparecer, e um dos soldados começa a tratar de seus ferimentos.

— Escuta, precisamos conversar...

A mulher franze os olhos, preocupada.

— O que aconteceu?

— Acabei de receber notícias da nossa equipe de apoio em Oriana.

Lucy hesita ao ouvir as palavras do rapaz.

— O que eles disseram?

O rapaz faz uma pequena pausa, suspira, e volta a falar.

— Eles encontraram o corpo de Flora. Ela está morta.

— O... que...?

— Lux ainda se encontra desaparecida..., mas devido a situação do local... parece que elas lutaram contra algo grande. As nossas suspeitas são de que...

— Espera... está dizendo que a nossa Lader mais poderosa...

O rapaz fica em silêncio, enquanto apertava os dedos contra sua mão.

Enquanto isso, uma figura observava a cena ao longe, de um dos prédios destruídos do local. Seus trajes escuros pareciam com trajes de um mágico.

— A flor murchou, e a luz se apagou... agora falta pouco para as últimas Laders se renderem ao meu plano também.

30 de Outubro de 2020 às 00:00 2 Denunciar Insira Seguir história
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Isís Marchetti Isís Marchetti
Olá, Eliander! Tudo bem com você? Faço parte do Sistema de Verificação e venho lhe parabenizar pela Verificação da sua história. Que história maravilhosa é essa? Confesso que eu procrastinei um pouco para poder lê-la devido a minha falta de tempo. Mas depois que iniciei a leitura foi deveras agradável. Tanto que eu juro que estou meia sem palavras para poder dizer tudo que eu gostaria de falar sobre tudo o que aconteceu. Eu adorei a técnica que você usou na metade do texto para expressar o que acontecia no mesmo momento, mas em duas situações diferentes, como na reunião do conselho e a invasão das Lades no prédio. Ficou incrível demais e deu um diferencial especial na narração. Também gostei muito do tema escolhido para escrever essa história, eu não sabia que gostava tanto assim do tema, até terminar esse capítulo e me encontrar, completamente, hipnotizada por tudo que aconteceu. Bom, a coesão e a estrutura do texto estão ótimas. Como eu disse antes, a narrativa do texto está muito boa. Quanto à ambientação, eu achei incrível o quanto eu me senti bem habituada com as informações e descrições que você passou ao longo do texto. Quanto aos personagens, eu ainda não sei o que faz da Kate um fator especial, mas acredito que deve ser algo relacionado a Vulcano, talvez?! Também acho que Amanda não confia muito em si mesma, mesmo sabendo o quão forte pode ser e isso provavelmente deve ser algo relacionado a sua própria personalidade, infelizmente. Agora que outra Lade se foi, me pergunto como isso vai ascender no próximo capítulo e quem vai se revelar sendo o vilão que estava do outro lado vendo tudo que acontecia. Quanto à gramática, a história está bem desenvolvida e escrita, porém tem uns apontamentos como por exemplo: uso de dois tempos verbais na narração. E virgulas obrigatórias que estão faltando em muitas frases, as que mais estão faltando são as de vocativos. Por exemplo: “Aaah cala a boca Aqua!” em vez de “Aaah, cala a boca, Aqua!”, “Caramba Amanda” em vez de “Caramba, Amanda” em muitas frases a virgula obrigatória se faz presente, dando a entender que algumas só passaram por causa de falta de atenção ao revisar o texto. Apesar de isso não interferir no contexto da história e não dificultar o entendimento, reforço mais uma vez que são virgulas obrigatórias então seria importante se você tirasse um tempinho para uma revisão. No geral foi uma história simplesmente incrível que eu gostei muito de ter tido a oportunidade de ler. Vou, com certeza, por em minha biblioteca para ler assim que eu tiver um tempinho extra sobrando. Desejo a você sucesso e tudo de bom. Abraços.
November 30, 2020, 13:24

  • Eliander Gomes da Silveira Eliander Gomes da Silveira
    Caramba, o primeiro comentário e, meu Deus, que comentário! Muito obrigado li tudo com um grande sorriso no rosto! Você fez o meu dia muito mais alegre! Quanto as colocações sobre a gramática, eu realmente devo ter deixado passar na hora de revisar. Bom, eu estou fazendo tudo sozinho, de forma independente, não sou nenhum perito em português, nem mesmo um escritor famoso. Mas se soubesse o tanto que revisei esse capítulo em específico, (''>w< ) hehehe, ficaria surpresa! Mesmo assim sempre acaba passando alguma coisa... É engraçado, pois esse tipo de situação com as vírgulas que você citou não é o tipo de coisa que eu costumo deixar passar, por isso vou tirar um tempo para revisar tudo de novo. Já o uso de dois tempos verbais... acaba acontecendo mesmo (>,<). De qualquer forma, muito obrigado pelo comentário, estou bastante feliz que alguém tenha gostado! November 30, 2020, 19:26
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Lirou Lader
Lirou Lader

Há muitas eras, seres das sombras que habitam em segredo no mundo estavam se preparando para destruir tudo que há e criar o caos; um novo mundo regido pelos monstros. Foi então que sete amuletos místicos foram criados com o intuito de proteger o mundo humano. Esses amuletos concediam poderes e habilidades para seus portadores jamais antes vistas. Neste tempo, uma ordem foi criada para a proteção e manipulação destes amuletos. Formada apenas por mulheres, essa organização era conhecida como Lirou Lader. Leia mais sobre Lirou Lader.