hellicamiranda Hellica Miranda

Ele sempre teve tudo que quis. Ela sempre viveu à sombra de filha da empregada. Quando um baile se aproxima e somente um pode ajudar o outro, a amizade pode florescer e indicar novos caminhos.


Romance Romance adulto jovem Todo o público.

#bestfriendstolovers #bailedeformatura #baile #melhoresamigos
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I wanna hold on to you

Find us a corner for two


MATT —


Eu era o bebê de azul. Ela era o bebê de rosa. As convenções sociais importavam um pouco mais naquela época do que importam hoje. Felizmente.


Eu nasci no hospital. Ela nasceu em casa. No mesmo dia.


Nossas famílias se conheceram cinco anos antes do nosso nascimento.


A mãe dela trabalhava na minha casa antes e hoje, dezessete anos depois, ainda trabalha.


Isso significa que Lizzie e eu crescemos juntos, apesar da distância social entre nós. A casa toda em que ela vive com os pais é do tamanho do meu quarto, mas eu nunca a ouvi reclamar. Depois que minha mãe permitiu que ela adotasse um cachorro, sete anos atrás, ela nunca reclamou de nada na vida.


Wednesday, a cachorrinha dela, e Bruce, o meu cachorro, cresceram juntos no mesmo quintal, assim como ela e eu.


Por seis anos não frequentamos a mesma escola, até que ela conseguiu, com o mérito próprio da inteligência, uma bolsa integral no colégio particular onde eu estudo.


Eu nunca fui muito popular, apesar das tentativas e rios de dinheiro que meus pais gastaram tentando me dar festas de aniversário lendárias, roupas e tênis da moda e um carro sensacional.


Para ser sincero, isso nunca adiantou de nada. Todo ano, no meu aniversário, os mesmos babacas que me humilham na escola aparecem na minha casa, comem e bebem e brigam no quintal como animais selvagens.


E meu incrível carro, um BMW vermelho e elegante, conheceu a vida como é a de Matt Rowan logo em seu primeiro dia na escola. O órgão genital brutalmente cravado contra a lataria chamava mais atenção que o próprio carro no caminho de volta para casa.


No banco do carona, Lizzie parecia não dar a mínima. Ela nunca parece ligar para nada. Talvez por isso seja inatingível, a ponto de não ser ridicularizada na escola, e até bem respeitada, mesmo fazendo parte do grupo dos bolsistas.


Nesse exato momento, Lizzie está no quintal, bem de frente à minha janela, jogando frisbee com Wednesday e Bruce.


Há muitas coisas sobre Lizzie que as pessoas na escola não sabem, porque não conseguem ver através de sua fachada imaculada. Como o fato de que, apesar de não combinar nada com o exterior dela, ela dança balé perfeitamente, o que também foi um de seus pontos extras na prova para a bolsa na escola. Ela também se diverte genuinamente brincando com os cachorros no quintal.


Ela finalmente percebe que a estou observando, e corre até minha janela, prontamente sacando um dedo do meio para me oferecer. Ofereço outro como resposta, e ela ironicamente sorri.


Em alguns segundos ela está invadindo meu quarto, se jogando na cama com Bruce e Wednesday.


— O que está fazendo aí? — ela pergunta, apontando para mim, sentado em frente ao computador. Eu imediatamente fecho a janela do navegador. — Pornô? — Lizzie quer saber.


Faço uma careta em resposta e ela começa a rir.


— É sério. — ela pergunta. — O que está fazendo que te estressou tanto? — Lizzie aponta meus dedos ensanguentados.


Dizer que roo a unha é um belo eufemismo.


— O baile de formatura. — respondo. Ela arqueia uma sobrancelha, em sua expressão natural de curiosidade e surpresa. Como ela continua me encarando, respiro fundo antes de continuar. — Eu só... meio que estou pensando em convidar a Melanie. — eu não ouso olhar para a cara dela por alguns bons segundos até achar que é seguro. Não é. Quando a encaro, ela sustenta uma expressão exagerada de choque. — Pare com isso.


— U-A-U. — Lizzie responde, jogando em mim meu pato de pelúcia, Ziggy. Eu o coloco gentilmente em cima da mesa, dando uma bronca nela com o olhar. — Bom, você e mais uns vinte caras. — ela diz. — Estão pensando em convidá-la.


Eu assinto, voltando a olhar pela janela.


Bruce e Wednesday já perderam o interesse em nós e estão de volta correndo no quintal. A vida é mais fácil quando se é um cachorro.


— Eu sei. É um dos motivos pelos quais estou tão nervoso. — respondo, reabrindo a página do navegador no meu computador.


Logo à minha frente, uma foto em que Melanie foi marcada no Facebook, com as outras meninas da equipe de líderes de torcida.


Ela é simplesmente tão bonita que chega a doer. É uma beleza comum, um padrão americano esperado, mas Melanie consegue ser original. E incrível. E ela é a única entre os adolescentes mais populares da escola que nunca me fez uma vítima de bullying. Na verdade, ela nunca fez ninguém uma vítima de bullying.


— Qual é o outro motivo? — Lizzie pergunta. Olho para ela com curiosidade. Não sei do que está falando. — Para você estar tão nervoso. — ela explica, gesticulando para eu desenvolver o assunto.


— Eu não sei dançar, Lizzie.


Ela fica em silêncio por alguns segundos, depois começa a rir.


— Eu te ajudo, idiota.

29 de Junho de 2020 às 09:12 0 Denunciar Insira Seguir história
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