u15514544731551454473 Luiz Fabrício Mendes

Um rico mercador do Cairo perde tudo com as Cruzadas. Desesperado para sustentar a família, coloca-se a serviço de um misterioso homem de mãos enfaixadas... partindo numa jornada para encontrar a mística cidade perdida de Chedad ben-Aad, a Arã-das-Colunas. Uma soturna e sanguinolenta viagem na companhia da própria Morte, baseada num dos contos das Mil e Uma Noites.


Horror Para maiores de 18 apenas.

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Capítulo Único

As Chaves do Destino


Contam os beduínos a viajar pelo deserto – suas histórias, sussurradas entre as caravanas, correndo tão rápidas quanto o próprio vento – que existia no Cairo próspero mercador chamado Hassan Abdala. Esse comerciante, nascido pelas graças de Alá em berço dourado, nadou num oásis de riquezas durante praticamente toda sua vida, sendo dono da maioria dos navios mercantes que singram os mares deste mundo; e possuindo tantos camelos que nem mesmo a grande Kaaba seria capaz de abrigá-los. Cedo se casou com uma moça virgem de sublime beleza e meigos encantos, com ela compondo invejável família. Hassan, a esposa e os filhos viviam, assim, no mais abundante luxo, nada lhes faltando que os tesouros acumulados pelo marido através do comércio não pudessem suprir.

O destino, todavia, é traiçoeiro; e, assim como não existe penúria que para sempre se arraste, a bonança também se mostra limitada: vieram os Cruzados ao Egito, pilhando o Nilo e saqueando o povo do Profeta, em anos e anos de penosas invasões. Abrigado no Cairo com a família, Hassan soube por mensageiros que seus barcos haviam sido incendiados e os camelos, assim como os comerciantes com eles viajando, passados todos a fio de espada. As ricas sedas e abundantes especiarias que vendia acabaram surrupiadas, não restando ao infeliz mercador pouco mais que a casa em que vivia, sua esposa, os filhos e os trajes que vestiam.

Vieram tempos de tortura, o sofrimento batendo à porta de Hassan e se instalando em seu convívio. A família abriu mão do que podia em troca de poucas moedas que garantissem seu sustento, fosse ao menos um pouco de pão para as crianças. E, para que não tivessem de mendigar, Hassan tomou uma manhã nos braços os últimos mantos que vestiam, partindo para vendê-los no mercado em troca de comida. Se não conseguisse penhorá-los, por certo morreriam de fome nos dias seguintes, sem qualquer alma bondosa que lhes velasse.

Chegando ao tumulto do mercado, uma confusão de turbantes e tecidos coloridos, Hassan acabou se deparando – por coincidência ou destino – com um homem coberto por panos negros da cabeça aos pés, mãos envolvidas por faixas brancas e tendo no rosto mascarado somente uma abertura para seus inquisidores olhos escuros, montado sobre um camelo vermelho como sangue. Deteve-se sobre o animal diante do desafortunado comerciante e, parecendo-lhe simpático, perguntou sem pretensão:

"Salam sobre ti, meu irmão. Sabe onde posso encontrar o famoso mercador Hassan Abdala?".

O pobre homem estremeceu diante da pergunta, fingindo não ouvir e seguindo seu caminho por entre as tendas. O estranho, no entanto, permaneceu onde estava, exclamando para aquele que se afastava, quando este já tinha a esperança de tê-lo despistado:

"Não és tu Hassan Abdala, dono de todos os navios e camelos de Cádiz a Meca?".

Tremendo, Hassan prostrou-se no solo, aos prantos. Flagelado pela própria desgraça, contou ao estranho o que lhe acontecera, sobre como seus conhecidos barcos eram agora meras tábuas chamuscadas nas ondas e seus resistentes camelos carcaças esqueléticas na areia. Revelou também viver agora em contínua desolação para conseguir sustentar a amada e os filhos, tendo de se privar de refeição por três dias para que pudessem se saciar em apenas um.

Findo seu relato, o sofrido comerciante imaginou que seria alvo – se não de uma generosa esmola, como mandou o Profeta – ao menos de sincera compaixão. Para seu espanto, entretanto, ouviu o estranho dizer, num tom que denunciava um sorriso por trás dos panos:

"Ora, hospede-me então em sua casa, Hassan Abdala. Seria grande privilégio dividir o teto com alguém que já foi capaz de acumular tanta riqueza".

O mercador sentiu as pernas bambearem, por pouco não caindo. Como aquele homem, depois de ouvir a respeito de sua miserável situação, ainda tinha coragem de lhe cobrar os sagrados deveres da hospitalidade? Como poderia Hassan e os seus cuidarem daquele estranho em seu teto, se nem tinham o que comer para si próprios?

Ao perceber o desespero do homem, o desconhecido beduíno arremessou-lhe um pequeno saco contendo moedas de ouro, dizendo-lhe:

"Guarda já essas vestes que pretendia vender, toma estes trinta dinares e compre o que for preciso para que tanto você e sua família quanto seu hóspede sintam-se confortáveis. E não se preocupe em pagar a dívida; cobrá-la-ei em momento oportuno".

Sem outra opção e movido pela fome, Hassan aceitou o presente sem questionar. Com ele adquiriu comida, bebida e até mesmo artistas para divertirem seu lar; a família e o misterioso beduíno, aquela noite, desfrutando de uma alegria que há muito abandonara a casa de Abdala. O comerciante, porém, mal conseguiu dormir após o término do banquete, certo de que na manhã seguinte a penúria retornaria àquele lugar, com a partida do estrangeiro. Mas se surpreendeu quando, ao despertar para o desjejum, o beduíno lhe entregou novo saco com trinta moedas, pedindo que providenciasse o mesmo conforto da noite anterior para todos naquele lar. E a mesma situação se repetiu por quinze dias, sem que o hóspede jamais cobrasse algo por seu auxílio além de comida e um leito.

Até que, na manhã do décimo sexto dia, o visitante anunciou, enquanto desjejuavam com as sobras do jantar anterior:

"Chega o momento de eu partir. Agradeço a hospitalidade, Hassan Abdala, e rogo para que Alá tenha a ti e aos teus em boas graças".

A esposa e os filhos do mercador possuíam a tristeza viva em suas faces; e o pai, pensando no sofrimento de suas crianças, não conseguiu manter seu pesar em silêncio: movido mais uma vez pelo desespero, inquiriu ao hóspede, sem conseguir pensar em nada a não ser nos seus e na dívida que tinha para com aquele estranho:

"Beduíno que tenho em tão boa conta, não estaria disposto a me comprar como escravo? Quanto estaria disposto a pagar?"

A mulher de Hassan empalideceu como se houvesse se tornado um fantasma. Os filhos começaram a chorar, negando-se a acreditar no que ouviam. Mas o mercador, resoluto, estava disposto a abrir mão da própria liberdade para garantir que sobrevivessem.

Muito ponderado, o beduíno respondeu:

"Ora, Hassan, é sabido que nesta terra a escravidão foi proibida pelo Califa. Sendo assim, eu não poderia comprar-te a liberdade; apenas o corpo, se estivesse desprovido de vida. Desse modo, caso seja morto com somente um golpe e se mantenha inteiro, o preço a ser pago é o de mil dinares. Mas, caso o corpo receba mais golpes e, assim, necessite de mais trabalho para ser extirpado de vida, o preço subiria para mil e quinhentos dinares".

Incapaz de continuar ouvindo tais barbaridades, a esposa de Hassan desfaleceu junto à mesa. Os filhos continuaram a chorar, já certos de que se tornariam órfãos. O comerciante teve grande trabalho em tranqüilizá-los; mas não desistiu de seu intento. Aquela quantia seria suficiente para que seus queridos se sustentassem por considerável tempo, e realmente se via disposto a entregar a vida por eles. Mais tarde, e em segredo, Hassan ofereceu-se à morte em troca de mil e quinhentas moedas. O beduíno assentiu, disposto a cumprir com a vontade daquele que tão bem o acolhera em sua casa.

Os dois homens saíram na noite seguinte, sem que a família de Hassan soubesse, em direção a um cômodo anteriormente arranjado onde o acordo seria de fato selado. O beduíno deitou o comerciante confortavelmente num conjunto de almofadas e tapetes que trouxera no dorso de seu camelo, para que a situação não se mostrasse tão penosa. Muniu-se com as mãos enfaixadas de uma cimitarra e, a julgar por seu olhar sereno, o mercador acreditou que não teria coragem de cumprir seu pedido, talvez passando por cima das leis do Califado e tomando-o como cativo sem que soubessem...

Mas a esperança de um homem na iminência do fim é às vezes tão penosa quanto o próprio fim. O primeiro golpe da lâmina cortou-lhe o braço direito na altura do ombro, fazendo sangue jorrar sobre o leito macio que não conseguiu suavizar em nada a dor de Hassan. O segundo corte privou-lhe do outro braço, o aço da espada tão afiado que lhe rompia os ossos de uma só vez. Depois, aos berros, perdeu ambas as pernas; e, quando lhe restava somente o torço, teve a cabeça separada do pescoço num movimento preciso. O beduíno em seguida embrulhou o corpo dividido de Abdala numa manta, colocou-a sobre seu camelo e deixou o Cairo – sem antes atirar um grande saco contendo mil e quinhentos dinares dentro da casa da família do morto, antes que o sol raiasse.

Após vagar algumas luas pelo deserto, o beduíno ergueu modesto acampamento junto a um oásis de água fresca, numa manhã que se iniciava. Foi quando desembrulhou o tecido encharcado em sangue contendo os restos de Hassan, dispondo o corpo de modo a juntar novamente os membros decepados, tentando assim deixar o cadáver da mesma forma como fora em vida. Logo depois desenhou na areia, usando minúsculos cristais negros que trazia num saco, um círculo em torno dos despojos. Terminando, passou a pronunciar palavras numa língua estranha e timbre ameaçador.

Ocorria que aquele intrigante beduíno era, na verdade, um mago necromante das terras distantes do Extremo Oriente, onde se erguem vastas muralhas contra os invasores tártaros e os pagãos adoram estátuas de ouro. Usando sua magia, o comprador de Hassan conseguiu emendar seu corpo e trazê-lo de volta à vida num grande clarão vermelho; o comerciante logo se erguendo da areia e olhando em volta sem compreender o que lhe acontecera.

"De uma maneira ou de outra, és agora meu escravo, Hassan Abdala. Trouxe-o do mundo dos mortos para que me sirva fielmente. E não se preocupe, pois remeti aos seus queridos o pagamento combinado. Pagará, agora, a dívida que criou para comigo".

Consternado pelas palavras do beduíno, o mercador sentou-se e chorou. Logo concluiu poder se mover e falar como em vida, mas o corpo ainda apresentava as marcas de sua dilaceração, além de não ter cessado de apodrecer. Por dias o mago obrigou-o a acompanhá-lo pelo árido deserto rumo a um destino desconhecido, o sol escaldante contribuindo para deixar Hassan em ainda pior estado. A pele esturricada fragmentava-se rápido, desprendendo-se em grandes tiras de sua carne e deixando até os ossos à mostra. Orelhas e nariz despencaram de seu semblante como se fosse um leproso castigado por Alá; e quando raramente se detinham por uma noite em alguma cidade, Hassan, ainda que envolvido em mantas, era atacado por centenas de moscas e formigas, que devoravam ainda mais suas entranhas malcheirosas.

Que sina cruel a imposta por aquele beduíno de negro ao lhe devolver a vida de maneira tão atroz, prendendo-o à sua vontade! Ainda pior era saber que Abdala, por escolha própria, jamais retornaria à sua família, a qual o dava como morto, visto que nunca poderia se apresentar a ela naquela condição!

Por meses o mercador ressurgido dos mortos acompanhou seu cruel mestre pelas dunas e oásis, até que, revoltado com sua situação, quis cobrar dele explicações:

"Para onde vamos afinal, infiel?"

De cima de seu camelo, o mago necromante respondeu:

"Tens o direito de saber, servo, então lhe contarei: busco a cidade perdida de Chedad ben-Aad, a Arã-das-Colunas. Um local perdido nas areias de um deserto longínquo que outrora agregou os mais maravilhosos conhecimentos já descobertos pelo homem. Lar de alquimistas e magos cujos feitos desafiam a imaginação! É para lá que nos dirigimos. Desejo desvendar todos os seus segredos".

Enquanto a areia em brasa devido ao sol lhe queimava as solas dos rotos pés conforme caminhavam, Hassan insultava o novo amo em seus pensamentos por arrastá-lo naquela busca sem sentido pela tal cidade, onde imaginava só poderem encontrar mais bruxarias como aquela que lhe tornara um morto andante.

Dias e mais dias se passaram para o necromante e seu cativo putrefato, quando finalmente avistaram uma cidade em ruínas, engolida pelas dunas. Abdala, esperançoso, acreditou ser a Arã-das-Colunas, e alegrou-se em pensar que sua infame penitência pelo deserto chegara ao fim. O beduíno, no entanto, agitou o pó do manto negro e desceu do camelo com a notícia infame:

"Essa não é ainda Chedad ben-Aad, meu servo Hassan. Trata-se de Visakhapatnam, a Cidade do Destino".

Fustigados pela poeira, os olhos dos viajantes vislumbraram ruínas de palácios, templos e casas consumidas pela areia, vestígios de um grande povo que um dia ali se erguera para depois ser engolido pela sina – razão de a antiga cidade receber a alcunha que lhe era dada. Chamava atenção, no centro das velhas moradas, uma coluna de pedra que aparentava ter a pretensão de atingir o céu, tamanha era sua altura. O mago guiou Abdala até os pés do pilar e apontou-o, dizendo:

"Olhai bem, Hassan, com esses olhos que os vermes não tardarão a devorar, e contemple o topo da coluna!".

Assim o cativo o fez, forçando a visão para enxergar a parte superior do pilar. Nela viu uma estátua de cobre tão vermelha quanto o camelo do necromante, possuindo asas nos calcanhares e por isso representando o deus pagão chamado Mercúrio. Tinha um braço estendido para adiante, a mão aberta sobre suas cabeças, e de cada um de seus dedos pendia uma pequena chave. Bonitas e bem-talhadas, eram feitas cada uma de diferente material: ouro, prata, cobre, ferro e chumbo – compondo miríade de cores que reluzia ao sol intenso.

"Aquelas, Hassan, são as Chaves do Destino. Cada uma pode trazer diferentes alegrias ou sofrimentos à vida de um homem".

Ao ouvir a explicação do amo, Abdala imaginou se um daqueles talismãs não poderia livrá-lo de sua miséria, ou ao menos atenuá-la. Viu então o beduíno munir-se de arco e flecha e, apontando para o alto da coluna, disparou uma seta contra a estátua escarlate. A flecha passou por cima da cabeça de Mercúrio, indo perder-se no firmamento anil e depois na vastidão do deserto.

"Perdi a prática no manejo desta arma, meu servo. Não pode tentar derrubar as chaves para mim? Caso consiga, deixarei com que fique com as melhores. Assim poderá até recuperar plenamente a vida e, tendo o corpo reconstituído, regressar para junto dos seus".

Diante da proposta, Abdala tomou rapidamente o arco em mãos, mirando o melhor que pôde a estátua rubra. Muito treinara com aquela arma para defender suas caravanas no passado, e conseguia ainda portá-la bem mesmo com os dedos podres e os sentidos prejudicados. Lançou uma seta com perfeição, derrubando logo na primeira tentativa uma das chaves, feita de ouro, sobre a areia.

Rindo de satisfação como há muito não o fazia, Hassan correu até o talismã e apanhou-o, trazendo-o de volta ao mestre. Este, todavia, não demonstrou qualquer interesse pela chave dourada, permitindo que o cativo ficasse com ela. Sem entender o porquê – já que, devido ao nobre material de que era feito, o artefato devia ser o oferecedor de melhor destino – Abdala pendurou-a ao cinto, esperando que o achado lhe trouxesse melhores tempos.

Mas, como sabem os de bom coração, a verdadeira bonança está na humildade, e não na ostentação. Assim, a chave de ouro, apesar de esculpida no mais sublime metal, era a Chave das Misérias. O beduíno disso sabia; mas permaneceu calado perante o escravo.

O necromante, insatisfeito, pediu que Hassan derrubasse mais uma chave. Ele o fez, novamente atingindo o alvo, e a chave de prata, tilintando, despencou do pilar e encontrou o solo.

Mas o amo também não quis saber dela, estranhamente; Abdala por isso também a pendurando ao cinto. Acreditava na compaixão do mago, que o deixava com a melhor parte do tesouro como compensação pela situação que vivia. Mal sabia, entretanto, ser aquela a Chave dos Sofrimentos.

Mais duas flechas rasgaram o ar, cada uma derrubando outra chave: a de ferro e a de chumbo. Essas sim atraíram a atenção do beduíno, que se apoderou delas quase correndo pela areia. Apanhou uma em cada mão enfaixada e guardou-as sob seu manto, contentando-se com aqueles artefatos de material modesto. Abdala tomava-o por muito bom homem, e até confirmou isso quando ele se recusou mais uma vez a pegar as chaves de ouro e prata.

"São tuas", respondeu com grande ímpeto.

O escravo não sabia, porém, que as chaves de metal simples eram a de ferro a da Glória, e a de chumbo a da Felicidade – e sobre isso se manteve calado o astuto necromante. Restava agora, na mão da estátua, somente a chave de cobre – esta sendo a da Vida, fato também conhecido pelo amo. Temeroso de que Hassan voltasse à normalidade e se livrasse da maldição que lhe conjurara se tocasse o talismã, o beduíno emitiu intenso berro bem no momento em que o servo se preparava para disparar mais uma seta.

Com o grito, Abdala atrapalhou-se todo, voltando o arco para baixo e soltando a corda com os dedos putrefatos. A flecha, desse modo, fincou-se num de seus próprios pés, perfurando-o por cima e atravessando-o até a sola.

Sem que percebesse, a chave de prata, à sua cintura, tiniu rápida.

Hassan, que, apesar de morto, ainda sentia dor, encontrou grande sofrimento vindo da ferida. Não bastando a areia quente, agora tinha de lidar com as pontadas provenientes do pé a cada passo. Recusando-se a lhe ceder o lombo do camelo, o necromante nem mesmo levantou acampamento em Visakhapatnam, colocando-se em marcha novamente tão logo as quatro chaves foram obtidas. Abdala foi obrigado a acompanhá-lo caminhando rápido, a flecha sendo cravada cada vez mais em sua carne.

Avançaram durante alguns dias, o deserto tornando-se mais e mais inóspito. Antes viam oásis ou povoados com certa freqüência; mas agora o ermo se estendia diante deles como infinito tapete arenoso, severo e seco em todas as direções. A água foi diminuindo, assim como as provisões de alimentos. E, embora tivesse seu corpo consumido pelos vermes, Hassan também era ainda acometido de tais carestias, seu estômago passando a roncar quase todo tempo – com isso, pelo menos, afugentando as moscas que vinham se aninhando em seu interior. O beduíno tinha conhecimento de sua penúria, porém nada fazia.

"Agora que o deserto se torna mais denso, é sinal de que nos aproximamos de Arã-das-Colunas", afirmou em dada manhã, quando o cativo se queixou da ausência de desjejum.

E assim prosseguiam, a chave de ouro se agitando para lá e para cá presa ao cinto de Abdala, como se demonstrasse estar feliz...

Numa tarde de céu turquesa, depararam-se com um raro oásis, possuindo lagoa de águas límpidas e arbustos ao seu redor com frutos suculentos. Diante de tal visão, a si só podendo ter sido enviada diretamente pela graça de Alá, Hassan partiu correndo na direção do repasto, saciando-se com a água e em seguida apanhando uma das frutas alaranjadas de uma pequena árvore. O necromante reteve-se, temendo o alimento desconhecido; mas, dominado pela fome, Abdala deu grande dentada no fruto, satisfazendo a si e aos vermes que habitavam sua boca.

O sumo escorreu doce e leitoso por sua língua em trapos, deliciando-o... mas quando tentou retirar os dentes da polpa para morder novo pedaço, não conseguiu movê-los. Desesperado, viu que a mandíbula acabara presa à densa carne da fruta, não logrando com ela realizar a mínima ação – a boca colada, por ironia, ao alimento que tanto almejara.

"Como está a apodrecer, seus ossos já não respondem tão bem quanto antes; sua mandíbula tendo travado ao mordiscar esse fruto".

A constatação do amo fez Abdala ser vencido pelo desespero. Com lágrimas a lhe escorrer pelo rosto, passou a murmurar desolado com a fruta tampando-lhe os lábios, contorcendo-se tanto pela dor no pé quanto pelo novo suplício que o vitimava. Atirou areia sobre os cabelos, nunca desejando tanto estar definitivamente morto e enterrado, do que condenado a vagar pelo mundo como um cadáver em frangalhos!

Observando o sofrimento do escravo e percebendo como a chave de prata tilintava viva em sua cintura, disse o necromante:

"Há uma maneira de livrá-lo dessa tortura, porém. Deixe que as moscas, vermes, fungos e outras pragas consumam esse fruto que mordeste com tamanha voracidade. Quando estiver podre o suficiente, em pedaços menores, seus dentes poderão se libertar dessa angústia".

Hassan chorou, chorou e chorou – mas nada havia a ser feito além de respeitar aquela amarga espera. Pouco a pouco, acompanhando o camelo do beduíno como podia, o mercador em desgraça deixou que mosquitos e varejeiras fizessem morada em sua boca, estes se ocupando em se alimentar da fruta carnosa e copulando nos vãos de suas gengivas rotas. Vermes romperam seus ovos pequeninos e passaram a serpentar pela língua cheia de pus de Abdala, saltando dela para o fruto e dentro dele se alimentando da suculenta polpa. Reduzidas larvas brotavam das fendas de seus dentes, tornando-os escuros como a noite e, após os arrancarem de sua base de tão podres, fazendo com que Hassan os engolisse de forma tenebrosa.

Dias assim se passaram, o comerciante sofrendo com a dor, a fome, a sede e a repugnância da situação em que se encontrava – até que a fruta, transformada numa massa escura e rançosa, soltou-se dos maxilares e caiu de repente de sua boca, espatifando-se verminosa na areia diante de seus pés tão calejados.

"Alá tem poder e protege os pacientes, meu cativo", falou o necromante soando zombeteiro.

O escravo tinha agora gosto tão desolador em seus lábios, que não se julgou capaz de mais nada comer, preferindo a fome ao risco de depender mais uma vez dos vermes que o habitavam. Via-se obrigado a conviver com uma eterna carestia e com a dor ainda insistente no pé furado – o ferimento tão feio que a carne já havia sido ressecada até os ossos.

A sede, no entanto, ainda era carência que Hassan almejava suprir. E a oportunidade surgiu quando, avançando pela extensa desolação, encontraram novo oásis, as águas deste mais claras e frescas do que as de qualquer outro que houvessem vislumbrado em vida.

O necromante, cauteloso, conteve-se uma vez mais; enquanto o servo atirava-se à lagoa com enorme vontade. Ingeriu mãos e mais mãos daquele líquido, sentindo seus lábios ganharem textura e a pele se refrescar – sem demora achando-se muito mais disposto que antes para seguir viagem. Dessa forma o fizeram, Abdala conseguindo seguir o camelo com muito mais disposição... e sem perceber como a chave de prata que trazia se agitava junto ao cinto.

Não contava com as contrações em sua barriga e a intensa dor que se seguiu – transformando as desgastadas entranhas em brasa e fazendo com que obrasse sangue e mais sangue, os próprios intestinos se desfazendo numa cruel disenteria causada pela água bebida no oásis.

Falou então o beduíno, cheio de si:

"És mesmo muito apressado, servo. Se pensasse mais em seus acordos e julgasse melhor antes de agir, talvez não estivesse aqui aos meus cuidados!".

Erguendo o sofrido rosto para o céu, Hassan apenas bradou, rouco:

"Alá, tenha pena deste pobre infeliz que se vê tão afligido e temeroso!".

Acabou caindo desmaiado, exaurido de forças.

Ao ser valido novamente de sentidos, Hassan se viu deitado sobre o camelo de seu senhor, que acabou dispondo-se a carregá-lo dado os grandes infortúnios de que fora vítima. Apesar daquele gesto de compaixão por parte do necromante, o cativo ainda foi vítima de inúmeras dores e infortúnios em sua travessia do deserto, cujos detalhes amedrontariam o mais ousado dos faquires. Continuava sem saber o pobre infeliz que sua desgraça era fruto das duas chaves que trazia consigo, fontes de cabulosa ruína ao invés de sorte. E o amo, ardiloso, permanecia a manter para si essa verdade.

Até que, numa manhã escaldante, com Abdala a reclamar de seus percalços, depararam-se com mais um conjunto de ruínas afundadas na areia. As colunas e paredes ainda de pé eram de puro ouro, e entre seus tijolos havia nichos cravejados de esmeraldas e rubis. Descendo da montaria, o beduíno revelou, com os braços abertos:

"Esta sim, é a cidade perdida de Arã-das-Colunas!".

Hassan, apesar de todo o sofrimento, não pôde evitar ser também tomado pelo júbilo diante do lugar. Tendo finalmente chegado ao destino que almejavam, tinha a esperança de ali encontrar paz e repouso, desfrutando de verdadeiro Paraíso onde correriam rios de leite e mel, nos quais curaria suas feridas pútridas. O mago, todavia, usando artefatos que carregara no camelo, passou a cavar na areia feito um louco, enquanto exclamava para o servo:

"Ajude-me, Abdala, pois o que realmente queremos está embaixo destas dunas, não acima delas!".

Com o pé destroçado, a boca ressequida e a barriga em chamas – sem contar outras feridas acumuladas no caminho – Hassan se esforçou para apressar o trabalho, removendo tanta poeira quanto conseguia. As mãos já tão maltratadas se desfaziam em farelos ao serem cortadas pelos grãos, mas o comerciante por tanto passara, e tanto perdera, que decidira não deixar Chedad ben-Aad sem compartilhar com seu mestre do que quer que nela houvesse.

Cavaram tanto, que ao pôr-do-sol já haviam aberto nas dunas enorme buraco, que dava para um túnel rochoso. E, mesmo com a noite se principiando, o beduíno avançou passagem adentro, pedindo que o escravo lhe alumiasse o caminho com uma tocha. Assim ele o fez, mas preferia ter permanecido no breu para não ver o que o esperava nas entranhas da terra...

Se Hassan buscara alcançar o Céu, atingira ali, na verdade, a Danação. O túnel desembocava em galerias, e as galerias em palácios construídos embaixo do solo, dotados até de jardins e fontes. Mas o aparente prodígio mostrava-se, em realidade, conjuração: as construções eram todas erguidas em ossos de homens, os maiores compondo as quinas das paredes enquanto menores, como de braços e vértebras, adornando os batentes de janelas. Os jardins só possuíam árvores secas, de troncos negros e duros como pedra, as flores dos arbustos todas murchas, os frutos bichados e as fontes fazendo jorrar sangue e pus. Por pátios de mármore em brasa, diabos chifrudos, gordos e vermelhos, chicoteavam homens nus obrigando-os a erguer mais daqueles edifícios atrozes. Rangendo os dentes podres e arrancando os poucos cabelos que lhe restavam, Hassan Abdala pediu proteção a Alá por ter descoberto que a tal Arã-das-Colunas não passava de um portão para os Sete Infernos!

O necromante, tendo parte com o Diabo como tinha, prosseguia destemido por entre as chamas e os lamentos, procurando o que tanto buscava. E eis que arrastou o apavorado cativo para uma câmara revestida de cabeças de touro cujos olhos eram rubis ardentes; e no centro se podia ver um trono de ossos todo inscrito com injúrias a Alá e ao Profeta. No assento da cadeira encontraram pequeno cofre de ouro, que o beduíno tomou nas mãos enfaixadas e liberou a tranca por magia.

Aberta a caixa, tirou dela frasco cheio de um pó rubro, que ergueu para o alto como se fosse o mais precioso tesouro já visto. Gritou então para que o Inferno inteiro ouvisse, aquele feiticeiro com a ousadia de roubar do próprio anjo maléfico:

"Tenho agora finalmente o Enxofre Vermelho, fonte de todas as riquezas do mundo!".

As chaves de ferro e chumbo, sob a manta do necromante, tilintavam agitadas. Abdala, tomado pela cólera por ter perdido tanto para acompanhar o amo numa busca por um monte de terra, demonstrou sua ira sem medo:

"Então me tornou um morto andante e me fez suportar tantas dores apenas por essa insignificância?".

O mago, por sua vez, riu da ingenuidade de Hassan, enquanto lhe respondia:

"Isto é o grande segredo dos alquimistas, a dádiva pela qual desapareceram da Terra! O meio pelo qual eram dotados de tanta riqueza e poder! O Enxofre Vermelho pode transformar qualquer metal em ouro pelo mero contato! Farei dele uso para levantar a maior fortuna já vista no mundo, acima de qualquer califa ou sultão. Comprarei reis, cidades, povos, com a prosperidade que hei de conquistar!".

E, devido ao entusiasmo, as faixas de linho em torno das mãos do necromante acabaram por se desenrolar enquanto erguia o frasco; e o pano a lhe cobrir as feições caiu devido às suas gargalhadas. O rosto foi revelado como moreno e barbudo, os fios negros lhe caindo até quase o peito, enquanto as palmas das mãos possuíam cada uma bem no meio um buraco, grande o bastante para ter sido feito por um prego.

Abdala reconheceu de imediato as cicatrizes, que desde menino ouvira pertencerem ao traiçoeiro discípulo do profeta Isa, Judas, que tomara a aparência de seu mestre e fora crucificado em seu lugar na Cidade Santa de Jerusalém – enquanto o verdadeiro Isa ascendera aos céus, escapando da traição do seguidor. Este vagava desde então pelo mundo – condenado por Alá – realizando maldades; e agora se revelava ali diante do pobre Hassan, disposto a dominar toda a riqueza existente!

O escravo sentiu-se disposto a destruir o inimigo ali mesmo; mas já não tinha mais forças, o corpo quase apenas ossos e os nervos lacerados por meses de sofrimento. Ao contemplar Judas a rir, no entanto, não sabia se influenciado pelo verdadeiro dono do Enxofre Vermelho ou por sua própria devoção a Alá, Hassan pensou num plano para se vingar daquele algoz; a ser executado em momento oportuno, ainda que tardasse.

Teria, porém, de demonstrar resignação até que chegasse.

"Se meu senhor já encontrou o que procurava, podemos sair deste lugar que me causa tanto desespero?".

O necromante gargalhou mais uma vez, achando graça em seu medroso servo, e retirou-se daquele reino hediondo pelo mesmo caminho, trazendo nos braços o Enxofre Vermelho. Logo ficou para trás a infame Arã-das-Colunas e seus segredos nefastos, iniciando-se a viagem pelo deserto de volta ao Egito.

Ainda em posse das chaves de ouro e prata, durante o regresso Hassan foi fustigado por nova carga de desgraças; enquanto seu mestre rejubilava em contentamento. Os infortúnios, porém, serviam para que aumentasse seu ódio pelo vil Judas.

Meses depois chegaram ao Cairo, onde o necromante usou seus novos recursos para comprar suntuoso palácio. Abdala foi chamado para desfrutar, nele, de aposentos que lhe haviam sido especialmente preparados. Ao pisar na cidade, todavia, só tinha em mente seus queridos, partindo assim rápido à procura deles, coberto de mantas para que ninguém se espantasse com seu aspecto roto e descarnado.

Chegando à antiga casa onde morava, deparou-se com ela em ruínas e deserta, mendigos e cães nela se abrigando. Perguntou a um dos pedintes que havia sido feito da família do mercador Hassan Abdala, outrora próspero, e recebeu resposta que lhe dilacerou o coração já há muito sem bater:

"Morreram todos de fome e peste, abandonados a uma cruel sorte".

As chaves à cintura giraram loucas, e o escravo atirou-se ao chão aos berros, chorando como jamais chorara. Privado assim de seus queridos, esposa e filhos, através de um pacto que ao invés de salvá-los apenas os liquidara, Abdala teve a certeza consigo: a hora da vingança havia chegado.

Retornou ao palácio do amo mostrando-se solícito, manifestando a ele o desejo de ter a si concedida uma audiência o quanto antes. Passaram alguns dias descansando da extensa viagem, até que o servo reanimado foi recebido no suntuoso salão de seu mestre, todo revestido de renda dourada e almofadas tão macias quanto o colo de uma jovem.

"Por que motivo me procuras, Hassan Abdala?", questionou o traiçoeiro beduíno, imerso em seu luxo.

"Venho informar-lhe dos frutos de minha busca por aqueles que me eram queridos", ele respondeu com manifesto pesar. "Não encontrei deles qualquer vestígio da existência, tendo ouvido pelas ruas somente que foram todos exauridos pela miséria e a fome. Agora não me resta ninguém mais no mundo a não ser a ti, meu senhor!".

Judas bateu palmas, abrindo um sorriso satisfeito. Hassan se submetia de vez a seu jugo sem revolta, conformado com sua sina de servi-lo.

"Será sempre bem-vindo a este meu palácio, Abdala, pela ajuda que me prestou na procura pelo Enxofre Vermelho, a origem de todas as riquezas! Servindo-me bem, poderá também delas desfrutar!".

"Peço então, meu amo, que me nomeie seu intendente, para que possa velar pela boa administração de seu tesouro".

Ponderando o fato de Hassan ter sido um dia comerciante, e estando por isso habituado às artes da moeda, o beduíno concedeu-lhe sem receio o cargo de confiança, certo de que o escravo lhe seria de valia.

Crescendo o tesouro de Judas, Abdala, agora seu secretário, usou suas antigas habilidades de negociante para multiplicar-lhe os lucros obtidos. Envolto em mantas e banhado em perfumes para que o mau-cheiro de sua decomposição se extinguisse, Hassan reunia-se com sultões, emires e califas, remetendo ao senhor mais riquezas do que o próprio enxofre mágico. Abriu novas rotas comerciais pelos mares, trocando mercadorias com portos distantes; e logo se passou a falar, entre as caravanas que iam e vinham, do misterioso intendente comercial sempre disposto a conquistar mais dinheiro para seu senhor no Egito. Ganhou-lhe de vez a confiança, aguardando pacientemente por meses até que pudesse botar seu plano em prática...

Numa noite de verão, reuniu-se com o necromante para um banquete em comemoração à prosperidade que viviam, já desfrutando há muito de seu teto e também de sua mesa. Muitas aves foram abatidas e jarras de bebida enchidas à borda, Judas fazendo questão que seu secretário tivesse acesso prévio às cozinhas para se certificar de que tudo era satisfatoriamente preparado. Fazendo uso da oportunidade, e ludibriando os cozinheiros que ele mesmo contratara, Abdala passou pelas cozinhas como um espectro sorrateiro, trazendo nas mãos um jarro de pó rubro. Detendo-se junto aos odres de vinho providenciados para aquela noite, despejou quase toda a substância dentro de um deles, misturando-a à bebida para que a servissem ao mestre enquanto comiam. O ardil mostrava-se pronto como a seta prestes a ser disparada.

Veio o banquete e serviram-se com vontade, ainda que Hassan comesse pouco devido à frágil condição de seu corpo putrefato. Até que o beduíno, sob o olhar atento do cativo, sorveu com vontade um copo do vinho, engasgando medonhamente quase que de imediato. Levou as mãos à garganta e a pele passou a brilhar num vermelho vivo de suor e aflição como nem o mais sanguíneo rubi reluziria.

"Que fez a mim, traidor do cão?", perguntou o senhor desesperado.

"Traidor, eu? Tu que o és, Judas discípulo de Isa! Quis alcançar a felicidade às custas dos humildes, e agora pagas o preço mais que merecido. Deves pensar em que consistiu minha artimanha; e respondo-lhe que naquele dia, nos Sete Infernos, me contou que o Enxofre Vermelho pode transformar qualquer metal em ouro. Ora, o povo do Profeta tem grandes estudiosos dos mistérios do corpo, como Avicenas e Averróis, e já se escreveu que esse sangue que lhe corre nas veias tem tanto ferro quanto a lâmina de uma espada. Que esse enxofre, agora, corra por seus membros e transforme tudo em pedra reluzente, infiel miserável!".

Mal o arguto cativo terminou de falar, o necromante se enrijeceu e transformou-se numa estátua toda feita de ouro, imóvel para todo o sempre com os olhos bem abertos de espanto. As chaves de ferro e chumbo, presas ainda ao manto agora sólido, continuavam a tilintar de forma justa: se era riqueza que Judas tanto queria, na própria riqueza ele se convertera.

Com essa vingança digna de Midas, o morto andante Hassan, com a pouca disposição que lhe restara, vendeu na manhã seguinte a valiosa escultura no mercado. Dizem que o beduíno talhado em ouro ainda decora os aposentos ricos de um sultão da Pérsia, principal atração de seu salão inigualável. Abdala, por sua vez, consumido em definitivo pelos vermes e pela desforra, pouco depois se desfez em ossos; as chaves que trazia, das Misérias e dos Sofrimentos, caindo ao chão com suas vestes vazias e arrastadas pelo vento do deserto. Viajantes as encontraram após algum tempo, passando por desgraças similares às vividas por seu antigo dono na ignorância de acharem que elas lhes trariam algum bem...

Mas essa já é uma outra história, para uma outra noite.

28 de Junho de 2020 às 00:12 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

Conheça o autor

Luiz Fabrício Mendes Goldfield, alcunha daquele em cuja lápide figura o nome "Luiz Fabrício de Oliveira Mendes", vaga desde 1988. Nasceu e reside em Casa Branca - SP, local que se diz ter sido alvo da maldição de um padre. Por esse motivo, talvez, goste tanto do que é sobrenatural. Atualmente é professor de História, mas nas horas vagas, além de zumbi, se transforma em agente de contra-espionagem, caçador de vampiros, guerreiro medieval, viajante do espaço ou o que quer que sua mente lhe permita escrever.

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