maruy2004 Maruyama

Fernanda é uma jovem adulta que vive uma vida extremamente monótona controlada por seu pai. Vivendo uma vida que ela mesma não planejou e nuca quis Fernanda sofre a ausência da mãe enquanto vê de longe uma chance de voltar a ter controle da própria vida. Sera que ela vai correr atrás dessa chance ou será que vai deixa-lá escapar.


Ficção adolescente Todo o público.

#NãoDesista
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Em progresso - Novo capítulo Todos os Domingos
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I

Havia tempo que o mundo parecia cinza aos meus olhos, sem novidades, monótono e sem graça alguma. Mas naquele momento a cor havia voltado. Tudo fazia sentido novamente, e o que antes parecia ser um lugar de cobranças e desilusões agora parecia ser um lugar onde todos os seus sonhos se realizariam.

TRÊS HORAS ANTES

A noite anterior havia sido péssima. Mesmo falando para o meu pai que eu precisava dormir e que eu estava extremamente carregada de tarefas da faculdade para fazer, isso não o impediu de me dar a bronca mais idiota e demorada de que o mundo já ouviu falar, meu pai vinha de uma família extremamente rígida e direta, e isso fez com que ele me criasse da mesma forma, por isso minha infância nunca foi igual ou ao menos parecida com a de qualquer outra criança. Em vez passar meu tempo brincando eu passava a maioria dele estudando ou revisando uma estratégia de uma vida a longo prazo, vendo cada etapa de minha vida organizada e planeja antes mesmo de eu ter o conhecimento do significado de autonomia. Nada que eu fizesse faziam meu pai me deixar ter um descanso, mas ele tinha uma fraqueza, e era a minha mãe ela conseguia dobrar ele direitinho, o que fez com que ela me botasse em aulas de dança, não que eu fosse apaixonada mas pelo menos era algo novo e fora da minha rotina, o que já me fez pular de alegria.

Ao longo dos anos eu me mostrei muito boa na dança. A dança era o meu ponto de escape, sempre que precisava me sentir normal ou fugir da rotina diária e monótona que controlava todo o meu futuro eu dançava, e assim as coisas foram durante muito tempo, uma vida rígida e um ponto de escape, a situação estava sobre controle. Mas como sempre nada que é bom dura muito, um dia meus pais e meus irmão estavam indo ver uma de minhas apresentações de dança, meu pai contra a vontade dele mas pelo agrado de minha mãe, a apresentação foi ótima e pela primeira vez em dezesseis anos vi o meu pai não odiar uma noite fora dos padrões, não que algum dia ele vá confessar de que gostou, mas ele não odiou o que já tinha sido uma vitória, eu sabia que o resto dos dançarinos iriam sair para comemorar, e apesar de querer ir eu sabia que aquilo estava sendo um sacrifício para o meu pai então dispensei o convite, para que ele pudesse ter o resto da noite dele dentro dos padrões que tanto amava.

Estávamos no carro de volta para casa, e estava um clima agradável em entre todos da família, aquela sem dúvida foi um dos nossos melhores momentos, mas como eu disse, bons momentos duram pouco. De uma hora para a outra estávamos conversando e no segundo seguinte estávamos girando no ar. Depois daquilo não me lembro de mais nada, mas quando acordei no hospital recebi a noticia de que de todos os meus familiares só eu tinha acordado até aquele momento, que meu pai e meu irmãos estavam estáveis mas que ainda dormiam por conta dos remédios, depois que me informou sobre isso eu percebi que ele não havia me falado da minha mãe, quando o questionei o médico me orientou que esperasse que todos acordassem já que era um assunto delicado, pela forma como ele falou e pela gravidade do acidente deduzi que minha ela teria que fazer algum procedimento mais arriscado como uma cirurgia, então concordei com o médico. Após algumas horas minha família foi levada ao meu quanto, e até me surpreendi quando meu pai me abraçou genuína mente preocupado, isso não era do feitio dele, assim que todos se instalaram o médico veio falar conosco, e meu pai impaciente o questionou sobre minha mãe, o médico abaixou os olhos e falou calmamente:

_ Sinto muito, mas a senhora Lindsay não resistiu ao acidente.

Assim que ouvimos aquilo meu pai se levantou da cadeira, meus irmãos e eu começamos a chorar e o que antes eu havia julgado como uma genuína preocupação agora era a mais pura raiva estampada em seu semblante, eu sabia que aquilo significava que ele estava me culpando por tê-los feito sair de casa por um benefício próprio.

De pois daquilo continuei a dançar por mais três meses pois a mensalidade já estava paga, e desistir de algo não era bem visto na minha casa, mas por outro lado se parássemos de fazer alguma coisa por percebermos que não nos levaria a lugar algum era significado de sabedoria. Então eu tinha passado de uma rotina rígida com uma rota de escape e uma protegida da minha mãe para uma rotina rígida regrada por um homem que me culpava da morte da minha mãe e sem nenhuma forma de extravasar o estresse, e mesmo não querendo eu acabei me rendendo ao controle total e absoluto de meu pai. A pesar de ter parado de dançar eu ainda tinha meus amigos do estúdio, mas é claro que meu pai não aprovava isso, então nós nos mudamos e em um piscar de olhos eu estava vivendo a vida que havia sido planejada para mim, mas que eu não tinha planejado e sim meu pai, o que tem uma grande diferença, era uma vida sem nenhuma surpresa ou espontaneidade, eu sempre sabia qual seria o próximo passo nunca tinha a duvida do que fazer. Seguindo todo o planejamento eu tinha terminado o Ensino Médio aos dezessete, prestados todas as provas de todas as faculdades listadas da minha cidade e das três cidades vizinhas durante cinco meses após o EM, feito um intercambio durante os outros sete meses e entrei na faculdade de engenharia aos dezenove. Já havia se passado tanto tempo desde que eu tivesse um momento na minha vida que realmente fosse meu que eu, já não sabia se estava no controle ou se estava sendo controlada, era como se eu fosse um zumbi só seguindo o fluxo das coisas. Havia muito tempo que eu já não via cor ou graça nas coisas.


18 de Junho de 2020 às 02:34 0 Denunciar Insira Seguir história
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Continua… Novo capítulo Todos os Domingos.

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