jace_beleren Lucas Vitoriano

Em seu laboratório, Entrapta esta mergulhada em mais uma pesquisa, isolando-se do mundo e das pessoas e focando-se apenas em sua busca por conhecimento.


Fanfiction Desenhos animados Todo o público.

#Entrapta #she-ra
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Capítulo único

O laboratório aonde Entrapta trabalhava era um lugar sombrio e caótico. Haviam pedaços de maquinas desmontadas por todas as partes, espalhados de forma desordenada por todo o chão, em cima das estantes e em caixas de ferro. O cômodo, apesar de amplo, dava uma sensação claustrofóbica, pois mais parecia um entulho, um lixão. Ninguém normal consideraria aquele um local decente para se viver, mas Entrapta era muitas coisas, porém “normal” não era uma delas.

A jovem possuía cerca de dezessete anos, vestia roupas negras e um avental branco que, devido a graxa e sujeira, estava tao negro que chegava a se confundir com suas roupas. Seus cabelos eram de um roxo chamativo, grandes e volumosos, presos com duas tiras nas laterais.

- Hmmm… interessante - murmurou para si mesma enquanto analisava um painel de uma tecnologia desconhecida.

O rosto da garota estava oculto por uma máscara de ferro com duas lentes vermelhas no lugar dos olhos. Entrapta era uma cientista, não se dava muito bem com pessoas, não sabia lidar com elas, mas, quando se tratava de maquinas, entendia-as como ninguém. E, quando não entendia alguma maquina, era ai que ficava obcecada para descobrir mais sobre ela. Sua paixão pela ciência poderia ser tanto destrutiva quando construtiva, mas geralmente a garota não percebia as consequências de suas pesquisas, tão focada que estava nelas. Se não estivesse alguém ao seu lado para lhe dar um pouco de bom senso, a garota poderia acabar até causando uma grande catástrofe como fora quando hackeara o cristal negro.

Os cabelos da jovem se moviam como membros de seu corpo. Eram como tentáculos, serpenteando e movendo-se como se tivessem vida própria. Com eles, a garota pegava pequenas ferramentas e digitava em seus múltiplos computadores. Também usava-os para se mover, usando-os como patas de aranha. Essas característica a tornavam aterrorizante de um certo modo. Entrapta era aterrorizante em muitos modos quando estava obcecada, com os olhos brilhando de excitação, fitando alguma bugiganga tecnologica.

Ela já nem fazia ideia a quanto tempo estava ali, mexendo naquela complexa e fascinante maquina criada pelos Primeiros. De qualquer forma, em sua obsessão por conhecimento, o tempo pouco lhe importava. Muitas vezes até esquecia da fome e do cansaço enquanto estava entregue na paixão de sua busca por saber.

Um de suas mechas de cabelo, que mais parecia um pequeno tentáculo, levantou a macara da garota revelando um rosto sorridente com olhos verdes arregalados de prazer. Seu sorriso se alargou ameaçando sair de seu rosto de tão grande que estava. Finalmente, após sete dias seguidos trabalhando, Entrapta terminara o que havia começado. Decifrara a função daquele pequeno chip dos Primeiros. Era uma peça que continha complexos códigos, armazenando um conjunto de diretrizes de uma inteligência artificial criada pelos Primeiros.

- Experiência 1.027, dia 102… ou será 103? - disse a jovem para um gravador que estava sendo erguido perto de seu rosto por um de suas mechas de cabelo – de qualquer forma. A fase de análise está concluída. Em seguida, irei começar a analisar detalhadamente como adulterar a programação da inteligencia artificial criada pelos Primeiros.

Espreguiçando-se, Entrapta finalmente percebeu o quanto estava cansada e com fome. Seus cabelos também se moveram como se estivessem espreguiçando-se, o que era um tanto cômico.

Talvez fosse a hora de sair um pouco de seu laboratório e ver a luz do sol, comer qualquer coisa e tomar um banho. Sim, ela realmente precisava de um banho. Entrapta percebeu isso ao levantar um dos braços e cheirar uma de suas axilas. Estava cheirando a ferro e graxa. Não era um dos melhores odores, embora também não fosse um dos piores.

Tudo bem, não fazia mal uma pequena pausa. Afinal, estudos comprovavam que um bom descanso poderia aumentar o rendimento no trabalho em até 65%. Entrapta sorriu. Os outros não entendiam como seu amor pela ciência lhe fazia sentir-se tão viva. Quando estava engajada em um projeto, era como se o tempo parasse e nada mais existisse além de respostas a serem alcançadas e, mais importante, novas perguntas a serem feitas.

A ciência era sua verdadeira paixão, era o que lhe movia, o que lhe fazia ir além. A garota saiu do laboratório animadamente. Iria descansar e, quando retornasse, voltaria as suas pesquisas, ao seu mundo fechado de conhecimento. Para ela, nada lhe traria mais felicidade do que embrenhar-se no ardor de uma pesquisa. Sim, com certeza ninguém a entendia. E estava tudo bem. Ela não precisava ser compreendida, ela só precisava persistir e persistir, buscando sempre se tornar melhor no que fazia. Para sua felicidade, os Primeiros tinham deixado muita tecnologia, muitos segredos para ela desvendar. Poderia existir algo que deixasse uma cientista mais feliz?

Entrapta não sabia a resposta, e isso, sempre a excitava.

4 de Junho de 2020 às 23:08 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

Conheça o autor

Lucas Vitoriano Ola, me chamo Lucas, adoro escrever, ver animes, jogar Magic the gathering, ler entre outras coisas mais rs. Sou particulamente fissurado em mitologia grega, meus autores favoritos são Neil Gaiman e Kazuo Ishiguro e, meu livro favorito, é As brumas de Avalon.

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