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Chise estava voltando de uma ida a compras na vila. Nada de muito importante, apenas alguns suprimentos. Ela revezava com Silky nas idas às compras, apenas para que a Silver Lady não ficasse com essa tarefa sozinha. Chise gostava de ajudar. Passou todo o caminho pensando nas memórias que Joseph havia libertado de sua infância. Havia tantas memórias boas de sua família, tantas memórias que ela havia trancado no fundo de sua mente. Não queria voltar a esquecê-las, então se disciplinava a pensar nelas várias vezes para que ficassem gravadas nas paredes de seu cérebro.

Estava um tanto feliz e distraída praticamente dentro da memória de sua mãe com cabelo curto voltando do trabalho. O sentimento de ter a voz de sua mãe avisando sua volta da porta de entrada era tão reconfortante. Chise sorria sozinha enquanto caminhava para entrar em casa.

— Tadaima. — Sua voz disse no automático, sem que ela se escutasse.

— “Tadaima”? — A voz grossa de Elias replicou a palavra, errando a pronúncia correta.

Chise ergueu os olhos surpresa para ver a figura de Elias no portal da sala, sem o sobretudo usual e cruzando os braços com a curiosidade nova. A garota se deu conta do que havia dito sem querer.

— O que quer dizer? — Elias se aproximou, tirando as compras dos braços de Chise e levando para a cozinha enquanto esperava uma resposta.

— Ahm… Nada de mais. Apenas algo como “estou em casa”.

Elias olhou para a garota de cima. Parecia incomodada com isso.

— Isso é tudo?

Chise mordeu o lábio inferior.

— Bem, existe a réplica para isso. Okaeri. — Explicou, separando bem as sílabas para que ele pudesse entender a pronúncia de cada uma corretamente. — Significa algo como “Bem-vindo de volta”. — Traduzia.

Elias a encarou por mais alguns segundos, esperando alguma razão por ela ter dito palavras tão simples em sua língua nativa.

— E-eu disse por reflexo. — Suas bochechas ficaram levemente rosadas sob o olhar curioso de seu professor.

— Oh, eu não estou julgando você por isso. — Elias sentiu a defensiva dela. — Estou apenas curioso. — Ele pensou por alguns segundos. — Já que você disse, acredito que eu deveria dizer a réplica então. Okaeri, Chise.

Chise se surpreendeu com a pronúncia correta.

— Sua voz soa diferente quando fala japonês. — Elias disse, passando a mão no cabelo ruivo da garota.

— Sério? — Chise levantou uma sobrancelha enquanto aceitava o carinho. — Diferente como?

Elias começou a se retirar da cozinha e Chise o seguiu de volta para a sala. Haviam várias cartas espalhadas na mesa, várias seladas e duas abertas.

— Hm… — Pensou até se sentar em sua poltrona. — Parece mais jovem, eu acho.

Chise se sentou no sofá ao lado dele.

— Eu gosto.

— Hm? — Chise se sentiu um pouco confusa com a declaração.

— Gosto quando você fala na sua língua nativa. — Elias pegou as cartas que estavam abertas na mesa. — Apesar de eu não entender o que diz, é agradável.

Chise sentiu as bochechas esquentarem e abaixou o rosto. Uma ideia surgiu na sua cabeça, e imediatamente ela pensou que poderia usar disso para passar mais tempo com ele. Levantou o rosto com a intenção de falar, mas fechou a boca quando o viu absorto na carta que lia. Não queria atrapalhá-lo.

— Chise. — Disse, sem tirar os olhos da carta. — O que ia dizer?

A garota tamborilou os dedos no sofá enquanto pensava se dizia ou se desconversava.

— Chise. — Elias levantou os olhos para ela.

— Eu poderia… te ensinar… — Sua voz saiu baixa. Não ouviu resposta de Elias. — Se quiser.

Elias colocou as cartas na mesa novamente, descruzou as pernas e chamou Chise para o seu colo. A garota não tardou em obedecer seu chamado.

— Eu adoraria. — Disse baixo, enquanto passava o rosto nos cabelos de Chise.

2 de Junho de 2020 às 06:05 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

Conheça o autor

Kalastrias Bem-vindo ao meu cantinho. Eu nunca sei o que falar em apresentações. Sempre entro em panico quando me pedem para falar sobre mim. Não vou entrar em detalhes sobre as minhas inseguranças, não é importante. Então, vou simplificar de uma forma que importa para a internet: Ela/Dela; Sagitariana; INTP; Café; Gatos e noites sem dormir. Sim, eu sei que é clichê, mas lide com isso.

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