camy Camy <3

Há uma diferença enorme entre aproveitar o silêncio e sobreviver em estado de quase hibernação. Concha estava há tantos anos sentindo frio e só se preocupando em sobreviver que mal se lembrava de como distinguir um do outro.


Fantasia Todo o público.

#fantasia #monstro #aventura #sereia #sereias #desafio #boo
Conto
7
1.2mil VISUALIZAÇÕES
Completa
tempo de leitura
AA Compartilhar

Capítulo único

Classificação: Livre

Aviso: Todos os personagens me pertencem, favor não plagiar <3

Notas: Eu tô muito feliz! Nem acredito que consegui terminar esta história, sério. Eu gosto de usar os desafios pra desenvolver um pouco melhor meus personagens originais, e eu tava muito sem ideia até pensar na Jasmim. Pra quem não sabe, ela é uma sereia que eu apresentei na história Afogar-se. Não é preciso ler Afogar-se para entender este conto, no máximo você vai compreender uma ou outra referência, só. As histórias dos desafios precisam ser independentes, e esta aqui faz parte do desafio Monstros Ink. O objetivo era que nós desenvolvêssemos um monstro e, então, apresento-lhes a Concha! Esta história tem um pouquinho mais de 6k (o limite do desafio é 7k).

Um beijão a todos, espero que apreciem!

~~


O silêncio enfim preenchido



Ela não gostava de ser acordada assim, dessa maneira brusca. Piscou algumas vezes, ainda não acostumada às vibrações dolorosas que percorriam seu corpo. Balançou-se devagar, esperando que isso bastasse para afastar o que a perturbava. Não funcionou.

Concha havia pegado no sono do lado de fora da caverna, sobre a areia, como gostava de fazer às vezes. As rochas às vezes mantinham o calorzinho do sol longe, e ela estivera com frio (era sempre tão frio ali). Usou os tentáculos num movimento lento, saindo do solo, e viu um navio quase acima de onde estava. Claro que eram os malditos humanos com suas máquinas de ferro horrorosas. Virou-se de costas e abanou a cauda com força, dois movimentos precisos, fazendo o mar levá-los para longe. Junto deles, foi a vibração alta na água que machucava suas escamas.

Assim como seus companheiros ancestrais, Concha gostava de paz e sossego. Era muito maior que qualquer outro ser que conhecia, tão grande que às vezes não conseguia identificar os peixes mais pequenos. Tinha uma cauda parecida com a das baleias brancas, mas tão maior que a cauda de uma delas mal chegava à metade do tamanho da sua. Seu rosto era quadrado e se alongava para frente, deixando só seus olhos vermelhos mais atrás, juntos a suas guelras. A boca ficava embaixo, imperceptível a menos que a abrisse. De suas costas, longas e cobertas por escamas, saiam tentáculos em ventosas que ela podia esticar quase o quanto quisesse, apesar de normalmente os manter curtos.

Planejava passar mais um dia ou dois descansando antes de sair atrás de comida de novo, porém já que estava acordada… Nadou até a superfície, segurando a respiração antes de colocar uma parte de seu corpo para fora d’água. Esperava que o calor do sol pudesse mantê-la um pouquinho mais quente, só um pouquinho…

Assim que submergiu, o frio voltou. Às vezes, achava que deveria ser uma criatura terrestre, ou então se mudar para perto de um vulcão. Ah, nadar debaixo de águas quentes de novo… Já fazia dezenas de anos desde que abandonara sua ilha; nadara por tanto tempo e tão rápido que não sabia mais como voltar para lá. Lembrava-se da sua casa, de nunca sentir frio, de sempre ter comida à sua disposição. Não sabia por que os humanos jogavam seus próprios companheiros para que ela os comesse, porém Concha não reclamava. Eram tempos bons, esses. Mas não valia a pena se prender ao passado.

Vibrações avisaram-na de que havia um tubarão por perto, um dos seus preferidos. Em vez de se mover com a cauda, desceu até a areia e usou suas patas. Tinha quase cem delas, todas marrons e finas como as de caranguejos, acomodadas em toda a extensão de seu abdômen. Elas permitiam que Concha se movesse quase sem perturbar a água, e a cor de suas escamas a tornava quase uma com areia.

O tentáculo em suas costas foi tão rápido que o tubarão só soube o que estava acontecendo quando já estava a caminho da boca de Concha. Ela o comeu em duas mordidas, porém fez questão de mastigá-lo com calma. A vantagem de ter dentes finos, mas que iam quase até sua garganta, era que conseguia grandes quantidades ao mesmo tempo. O tubarão tinha um gosto estranho, apesar de ainda estar saboroso.

Muitos animais estavam assim nos últimos tempos, com esse gosto de podre. Ela gostaria de poder identificá-los antes de comê-los, a fim de evitar os que deixavam uma sensação estranha na sua garganta, algo que permanecia lá por dias. Não sabia por que, porém culpava os humanos; se sua experiência lhe ensinara algo, era que normalmente a culpa era deles.

Voltou para perto de sua caverna e entrou, inspecionando os arredores. Uma vez encontrara um humano ali, o que fora uma surpresa desagradável; ele tinha um gosto de podre mais intenso que qualquer outro. Pensara que seria mais gratificante alimentar-se deles de novo, porque se lembrava do quanto eram suculentos. Algo mudara, entretanto, e Concha não queria saber o que era.

Três peixes pequenos haviam entrado, porém não se incomodou com eles; estava de barriga cheia. Deitou-se contra a rocha, tentando tirar dela algum calor. Se fechasse os olhos e se concentrasse, quase conseguia sentir a pedra quente da sua casa.

Não soube por quanto tempo dormiu, porém acordou com a humana entrando. Abriu os olhos de imediato, sem saber se deveria sentir medo ou fome. Ao vê-la, percebeu que, apesar do cheiro, ela já não era humana. Fazia diversas rotações de lua que Concha não via uma sereia. Encarou-a um tanto desconfiada, a última tentara roubar suas escamas por alguma razão. O gosto dela era de água, apesar de ter bastante carne. Concha não apreciara muito aquela refeição.

Essa sereia em particular tinha a pele marrom e a cauda variando de vermelho para laranja. Os cabelos pretos estavam ao redor da sua cabeça como uma coroa. Concha permaneceu em silêncio, parada, alerta.

— Oi…

Não respondeu. Reconhecia a língua — reconhecia todas as formas de linguagem animal, desde que houvesse um mínimo de raciocínio nela; a comunicação dos golfinhos era a que mais a incomodava —, compreendia a sereia com perfeição, porém não tinha interesse nenhum em lhe responder. Já não se comunicava com outros seres há tempo demais e aprendera que era melhor assim.

— Você não entende uma palavra que eu digo, né?

Talvez devesse comê-la de uma vez. Não saberia se todas as sereias tinham gosto de água a menos que experimentasse ao menos duas.

— Por favor, não me coma…? Como eu te peço isso? Mímica? A Ray disse que você é inteligente, então talvez dê pra gente se comunicar?

Permaneceu em silêncio, parada, sem se mexer. Como ela pedira para não comê-la, a vontade de o fazer aumentou. Talvez Concha devesse só fazer isso e acabar com essa confusão.

— Meu nome é Jasmim, eu sou uma sereia.

Aproximou-se usando suas patas, e ela recuou. Bom, era bom que sentisse medo.

— Ai, caralho, calma. Você é grande demais, socorro. Lembra de não me comer, okay? Eu não sou comida!

Havia divergências. Não gostava de se intrometer nos assuntos das filhas de Iemanjá, porque ela nunca havia incomodado Concha. Por outro lado, não a via sendo insensata; a sereia viera até sua casa, nada mais justo que aplacar sua fome. Não houvera confusão da última vez.

Escolhas, escolhas… Concha não costumava lidar com elas. Tirando os golfinhos, que tinham um senso de humor terrível e normalmente um gosto pior ainda, animais marinhos não eram muito comunicativos. Fora por isso que buscara a companhia de humanos antes, porque eles pareciam interessantes. Já não os via mais assim, é claro.

— Okay… Eu sou meio nova nessa coisa toda de ser sereia, então… A gente tem uma telepatia, talvez? Não, acho que não, mas você não tentou me comer, então talvez consiga me ouvir…

Não era bem assim que funcionava. Quando a sereia abria a boca para falar, essa se enchia de água e impedia que um som propriamente saísse; entretanto, ela tinha pequenas membranas em sua boca que lançavam vibrações à água parecidas ao idioma que a sereia conhecia antes de morrer. Ela não havia percebido isso ainda?

Talvez essa sereia fosse burra como a última que encontrara, a que tentara lhe roubar. Preparou seus tentáculos, que saíam bem do espaço anterior ao início de sua cauda longa. Caminhou um pouco mais para frente, fazendo a sereia se afastar.

— Eu preciso te tirar daqui, te levar pra outro lugar.

Demorara muito tempo para achar essa caverna, não sairia tão fácil dela. Às vezes, as rochas sobre as quais dormia ficavam quase mornas, e nenhuma outra caverna oferecia isso. Percebeu o quanto a água era mais clara ao redor da cabeça da sereia, e sentiu vontade de ficar um pouco ao sol.

— Isso, isso! Então, eu vou nadar e você só me segue, okay?

Ela era bastante rápida para um peixe tão pequeno. Pensou em mexer sua cauda para fazê-la ir mais rápido ainda, ou talvez devesse só mexê-la para o lado a fim de ver se a sereia conseguia nadar em águas turbulentas. Em vez disso, começou a subir em busca do sol. Usava os tentáculos para se locomover a fim de mover menos a água; sempre afastava sua comida quando se mexia muito rápido.

A sereia parou à sua frente antes que chegasse à superfície. Ela era ou muito corajosa ou muito burra de ficar tão perto da sua boca.

— Você não tá me seguindo.

Piscou.

— Você não entende nada que eu digo, né? Puta que pariu, Ray!

Abriu a boca devagar, vendo os olhos dela se arregalarem.

— Não, não, não me come! Eu sou a sereia legal, lembra?

Ameaçou chegar mais perto dela a fim de afastá-la, e seguiu seu caminho até a superfície. Deveria cobrar um favor de Iemanjá um dia por ainda não ter comido essa sua filha. Ela tinha sorte por chegar pouco tempo depois de Concha já ter se alimentado, mas poderia comer de novo em um dia ou dois.

Talvez antes. Precisava mesmo sentir fome para comer? Havia um tempo em que se alimentava de forma preventiva, sempre que encontrava comida em vez de sentir um aperto no meio do corpo. Isso fora há muito tempo, e estava ficando frio demais para seu conforto.

— Você não pode subir! Okay? Tem humanos lá e eles não podem ver você!

Já lidara com muitos humanos antes, não poderia se importar menos se eles estavam na superfície. Talvez pudesse comer mais um deles a fim de saber se ainda tinham gosto de sujeira, ou se aquele que encontrara em sua caverna fora uma exceção.

Abriu a boca de novo, o que afastou a sereia o suficiente para Concha seguir seu caminho. Segurou a respiração e virou de barriga para cima antes de permitir que o sol tocasse suas escamas; seus tentáculos doíam quando ficavam fora da água por muito tempo.

Era sempre estranho escutar algo. Fora d’água, o barulho que o mar e os animais faziam era diferente; eles não chegavam até Concha pela vibração da água, mas pelo ar. O som percorria seu corpo de forma relaxante na maioria das vezes; nesse dia, porém ouviu berros que a incomodaram. A sereia estava com razão, havia humanos ali.

Voltou para debaixo d’água a fim de voltar à superfície numa posição que lhe dava melhor visão dos humanos. Não precisou colocar toda a sua cabeça para fora, apenas o nariz achatado e longo e seus olhos vermelhos. Os humanos não estavam em suas carcaças de metal, mas em algumas de madeira, bem menos barulhentas; por isso não os ouvira vindo. Sentiu algo pinicar sua cauda, e imaginou que fosse a sereia.

Lembrava-se de humanos da época em que vivia perto deles. Então, era olhada com a reverência mais profunda ou com pavor; não havia meio-termo. Esses humanos não pareciam nem apavorados nem como se fossem jogar uns aos outros como oferenda.

Preparem as armas!

O berro a incomodou. Vários deles pegaram pedaços de metal e os apontaram para Concha. Ela não era ameaçada há muito tempo, porém conhecia a sensação bem demais e a detestava.

Antes que pudesse mexer sua cauda ou fazer algo contra eles, sua prancha de madeira tremeu. Por debaixo d’água, a sereia de cauda laranja era visível, e ela não parecia nada feliz. Mesmo com o incômodo, um dos humanos fez o pedaço de metal soltar um barulho quase insuportável, e então seu nariz explodiu em dor.

Concha nunca sentira dor assim antes. Soltou um urro, algo grotesco que já não saía de sua garganta há séculos, e alguns dos homens finalmente tremeram. A sereia pulou para perto deles, perdendo a cauda assim que saiu por completo do mar, e empurrou alguns com raiva.

— Deixem ela em paz, seu bando de merda!

Eles perceberam rápido o quanto ela era mais poderosa, que não eram capazes de afastá-la com a própria força, e um deles soltou o barulho alto de novo, dessa vez acertando o braço da sereia. Ela chorou alto, sangue saindo pelo buraco que agora havia ali, e Concha sentiu raiva.

Afastara-se dos humanos justamente por causa disso. Eles machucavam uns aos outros e também a quem não era de sua espécie. Mesmo odiando golfinhos, Concha sabia que humanos conseguiam ser ainda mais cruéis, dignavam-se a matar por diversas razões, quase nunca por sentirem fome.

Por muitos e muitos anos haviam ficado mais do que satisfeitos em lhe enviar alguns dos seus como alimento; então, um dia, quando Concha resolvera caçar por si só e comera alguns deles que estavam se banhando no mar, eles se revoltaram. A culpa não era realmente sua, os humanos insistiam em mandar os filhotes, sempre tão pequenos e quase sem carne, que não era de se admirar que ela estivesse com fome. Além disso, eles haviam espantado os tubarões e baleias, não havia muito mais de que ela pudesse se alimentar.

Foi pouco depois disso que eles passaram a usar embarcações maiores, a lançar metal na água com o intuito de machucá-la. Por um tempo brigou com eles, lutou pelo seu direito de permanecer em casa, entretanto isso se mostrou infrutífero, porque, independente de quantos comesse, sempre vinham outros. E eles estavam aprendendo a machucar.

Nada que doesse tanto quanto o que quer que tivessem enfiado em seu nariz, porém. Balançou um pouco a cauda, fazendo a sereia voltar para o mar devido ao quanto a embarcação tremeu, e submergiu. Conseguia sentir os berros na superfície, e logo os sons estridentes voltaram, dessa vez seguidos de algo invisível que caía na água e doía quando a acertava, mesmo que bem menos do que seu nariz. Percebeu sangue, seu sangue, e o viu se misturar ao da sereia, que agarrava o próprio braço.

— Viu por que eu disse pra não subir?! — ela reclamou. — A gente precisa sair daqui!

Ela havia enfrentado os humanos, mesmo que não tivesse feito quase nada além de se machucar. Iemanjá era muito apegada às filhas e provavelmente não ficaria feliz se uma das suas fosse deixada para morrer. Claro que Concha não seria culpada por isso, porque não era sua responsabilidade, porém…

Usou os tentáculos para chegar perto da sereia e a empurrou até estarem um pouco afastadas dos humanos. O movimento foi lento, em especial ao perceber que as bolinhas invisíveis perdiam a força quanto mais longe estivesse deles. Protegeu a sereia com seu corpo, bateu sua cauda com força uma, duas, três, cinco vezes. Quando o mar ao redor se acalmou, não havia mais barulho de humanos.

A sereia havia agarrado um de seus tentáculos com força, impedindo que a água a mandasse para longe, e Concha fingiu que não o havia deixado perto dela justamente para isso. Afastou-a sem muita gentileza e voltou para sua caverna, o sangue ainda jorrando de seu nariz, mesmo que em menor escala.

Quando estava sozinha, levou um dos tentáculos ao machucado e o esfregou. Suas nadadeiras eram longas e não precisavam ser abertas quando Concha queria nadar devagar; ela passava a maior parte do tempo com ambas coladas ao seu corpo. Mesmo assim, foram atingidas por algumas dessas coisinhas e estavam doendo um pouco.

— Oi — veio a voz da sereia da entrada da caverna.

Concha fechou os olhos, esperando que isso fosse indicação suficiente para ela ir embora. Claro que não era.

— Você não me comeu.

Nunca havia sangrado antes, por isso Concha não sabia o que fazer a seguir. Quando fazia outros animais sangrarem, eles normalmente não viviam muito tempo.

— E eu acho que você me protegeu quando tava fazendo aquelas ondas gigantes, o que foi incrível e talvez muito assustador, mas eu vou me fazer de louca, fingir que você me entende e entrar aqui, okay?

Tirou o tentáculo de cima do nariz a fim de ver se ainda havia sangue saindo, e havia. Cobriu-o de novo.

— Você conhece a Ray?

Gostaria que a sereia dissesse seu nome de novo, Concha já o havia esquecido. Por outro lado, preferia que ela fosse embora e a deixasse em paz. Estava ficando frio de novo.

— Bom, a Ray é outra sereia, e ela disse que é amiga da Iara, sabe? A do folclore, das histórias da escola, o que eu acho que é uma mentira lavada, mas não posso provar e meio que não importa?

Procurou por sangue em sua lateral, porém parecia haver apenas dor naquele lado, não cortes abertos.

— Enfim… Ela me disse que tinham humanos atrás de você e pediu que eu te tirasse daqui. É meio que minha iniciação como sereia, então eu preciso te levar embora e impedir que eles descubram que você existe.

Não fazia sentido haver humanos atrás de Concha. À exceção dos poucos que havia espantado, mantivera-se bem longe deles. Soltou um resmungo do fundo da garganta ao tirar um tentáculo do nariz e ver que ainda havia sangue saindo.

— Ah, você tá machucada. Olha o meu braço, eles me machucaram também, tá vendo?

Não havia mais sangue ao redor dela. A sereia havia colocado algo verde ao redor, talvez uma alga? Concha sabia que era grande demais para que isso funcionasse.

— É bem mais fácil de criar coisas no ar do que na água, tipo pastas e remédio, e as sereias meio que têm essa caverna em que vão quando se machucam. Mas normalmente é quando um pescador ou algo assim acaba conseguindo nos prender. Eu descobri que acontece bastante, até. Enfim…

A sereia se aproximou, e Concha fez um barulho para que ela se mantivesse longe. Pela sua experiência, predadores se aproximavam sempre que um animal estava ferido. Concha era a predadora, no caso, porém estava sangrando e quem sangra são as presas. Nunca antes fora a presa, e não gostava de o ser.

— Eu posso ajudar! Sério! Passar areia misturada com essa planta estranha que gruda que a Ray me mostrou ajuda a parar sangramento. Não é o melhor pra isso, mas parece que sereias são boas em curar os animais e não sei mais o quê, então ela queria me ensinar umas coisas, mas eu acabei sendo mandada pra cá primeiro.

A sereia foi até o chão, pego areia e a misturou a algo que tirou de uma bolsa pequena que Concha não havia visto. O material era do mesmo tom da pele dela e, se fosse honesta, Concha não tinha a melhor das visões.

— Não dói, eu prometo! Só lembra de não me comer e vai dar tudo certo.

Ela se aproximou de novo, e Concha a quis longe. A possibilidade de parar o sangue, porém…

— Tá tudo bem. Afasta o… hãn… sua mão? Não, seu tentáculo? Deixa eu ver…

Afastou devagar, pronta para prendê-la se ela fizesse algo que não parecesse certo. Não sentiu-a tocar sua pele, porque ela era pequena demais.

— Okay, então, a bala entrou, mas eu acho que consigo tirar se apertar dos lados, sabe? Tipo uma espinha. Só que isso provavelmente vai doer e eu não quero mesmo que você me machuque, então eu vou avisar antes.

Não queria sentir mais dor, não mesmo.

— Mas vai doer agora pra não doer depois. Okay, eu vou fazer isso. Puta que pariu, você é grande demais, eu nem consigo ver o fim do seu nariz assim de tão perto. Isso é seu nariz, eu tô sendo mal-educada? Porque-

Ela continuou falando besteiras, porém Concha não prestou atenção porque sentiu uma facada de dor aguda na ponta do nariz. Afastou-se, berrando alto, arrependida de ter confiado nela.

— Consegui! Saiu, olha! Você consegue ver que saiu?

Não conseguia ver nada, mal distinguia os dedos da mão dela. A sereia tentou se aproximar de novo, e Concha a avisou com um barulho para que não o fizesse.

— Calma, calma, agora vai melhorar. Vou só passar isso aqui e vai passar, eu juro, cinco segundinhos, só deixa eu chegar perto e isso aí, muito bem, boa menina…

A dor havia diminuído consideravelmente. Não era mais como se tivesse algo pulsando dentro do seu nariz, e o sangue não parecia mais estar saindo. Acomodou-se melhor no chão, sentindo pontadas agudas em suas laterais.

— A gente precisa ir agora, okay? Eu saio primeiro e você me segue, o que acha?

Ignorou-a e fechou seus olhos. Estava frio de novo, frio demais. Tentou se aproximar da rocha, porém esse não era um dos poucos dias em que ela ficava morna.

— Não, não, qual é! A gente tava indo bem, vamos lá!

Fechou os olhos e a ignorou por completo.


~~.~~.~~


Ao despertar, Concha estava com fome de novo. O mar estava escuro, o que indicava que não havia sol a esperando do lado de fora, e o gelo da pedra e da água a contornava. Havia vibrações na água, o que indicava que a sereia não havia desistido ainda. Essa era teimosa, talvez Concha devesse comê-la, afinal.

Por outro lado, não parecia certo comer um animal que afastara a dor na ponta de seu nariz. Também não era certo invadir a caverna dos outros e se negar a ir embora, então Concha se via num dilema.

Não estava mais acostumada a lidar com dilemas.

— Tubarão bonzinho, você não quer me comer…

Piscou, procurando-a com os olhos. A sereia estava contra a parede, mãos à frente do corpo, e havia um tubarão martelo grande, talvez o maior que Concha vira nos últimos tempos, nadando para perto dela.

— Meu nome é Jasmim, okay? E eu sou uma sereia, o que me faz meio peixe, que nem você. Ah, você come peixes, né?

Concha não se lembrava se sereias eram presas naturais de tubarões, porém era provável que não. Iemanjá gostava de despejar bastante força em suas filhas, o que fazia com que a maioria não temesse quase nenhum animal marinho.

— A gente pode me ver como meio humana. Eu nem devo ter um gosto bom, por que você não vai lá pra fora, hein? Ninguém mais tá sangrando aqui.

Isso a fez se perguntar se fora o seu sangue que atraíra o tubarão, e Concha não gostou da possibilidade. Esse peixinho pequeno achava-se predador o bastante para caçar a ela? Preparou um dos tentáculos e, rápida como sempre, segurou-o pela metade.

— Puta que pariu!

Já o havia matado antes que ela terminasse de falar, e o colocado na boca quando ela finalmente se mexeu. Mastigou-o com calma, aplacando um pouco da fome que tinha. A sereia também havia se machucado. Mordeu o tubarão de novo, porém deixou um pouco da cauda e o empurrou em direção a ela.

— Pra mim? Não! Não, obrigada, eu sou vegetariana.

Com o tentáculo, tentou deixar a cauda sobre ela, que se afastou com uma risada estranha.

— Sério, eu já comi, obrigada. Mas pode terminar, você parece com fome ainda…

Levou o resto do tubarão até sua boca e o engoliu. Ele não tinha gosto de lixo como o anterior, porém tampouco era o mais gostoso que já experimentara. Se sereias não comiam tubarões, comiam o quê? Talvez Concha pudesse caçar uma baleia para ela depois, ou então alguns peixes menores. Normalmente os evitava porque eram tão pequenos que nem sentia o gosto, porém conseguiria pegar alguns com as patas em sua barriga sem maiores problemas.

— A gente pode ir agora?

Acomodou-se melhor sobre a rocha. Depois de comer, sentia que poderia dormir por mais um dia ou dois.

— Mais humanos vão voltar! Eu só quero te guiar até um lugar seguro e longe deles.

Não via humanos como um problema. Mesmo que eles pudessem tirar um pouquinho de sangue de seu nariz, não eram capazes de machucá-la de verdade. Concha sabia se cuidar muito bem sozinha, obrigada, e nunca havia precisado de sereias antes.

— Colabora comigo, vai, menina! A gente vai pra um lugar cheio de tubarões pra você comer, longe de humanos e bem quentinho!

Abriu os olhos. Ela sabia a localização de um lugar quente?

— Isso! Todos os tubarões que você quiser!

Não fora isso que a interessara.

— Embaixo de um vulcão, tão quente que eu nem vou poder te acompanhar no fim do caminho, vou ter que te deixar perto, só, então você vai se livrar de mim mais rápido do que imagina.

A possibilidade de se ver livre da sereia a agradava, porém a de um lugar quente, perto de um vulcão… Já fazia tanto tempo que encontrara essa caverna, estava mesmo disposta a largar tudo pela possibilidade de calor?

Sim.

Qualquer coisa para não se sentir com tanto frio o tempo todo.

A sereia foi indo em direção à entrada devagar, e Concha a seguiu. Não sabia ainda se isso era inteligente, porém ansiava por calor e conforto.

— Isso, isso, ISSO! — Jasmim comemorou. — A gente vai levar uma semana pra chegar lá, mais ou menos. Você sabe contar os dias? Toda vez que o sol aparece e some um dia passou, então a gente vai precisar nadar por sete vezes que o sol aparece e some, okay?

Não deu indicação a ela de que havia entendido, porém Jasmim nadou para trás devagar e Concha a seguiu. Não tinha interesse nenhum em falar com ela, por isso permaneceu em silêncio enquanto se afastavam do espaço que Concha considerara seu por tantos anos (mas que nunca fora tão confortável como seu primeiro lar).

Jasmim não precisava de outra pessoa para conversar, ela preenchia o silêncio por si só. Contou sobre a irmã Lílian, que gostava de algo chamado Harry Potter e queria ser alguém chamada Gina. Contou sobre a mãe, que cozinhava massas como ninguém, mas que não sabia preparar um feijão direito e sobre a avó, que sempre fora muito presente.

Não precisaram nadar muito para que as águas ficassem mais geladas, e Concha começou a se incomodar. Não diria que estava prestando atenção a Jasmim, porém ela havia discorrido sobre todos os problemas familiares imagináveis e no momento falava sobre o sumiço do pai. Ela havia decidido que queria procurar por ele, que virar uma sereia abrira seus olhos e a fizera ter certeza absoluta de que ele ainda estava vivo.

Concha estava nadando com os tentáculos, não com a cauda, porque a sereia mal conseguia acompanhá-la nessa velocidade (o que não a impedia de continuar falando). O sol nascia pela primeira vez desde que haviam começado a nadar, e Concha foi em direção à superfície, ansiando por um pouquinho de seu calor.

A cabeça de Jasmim não demorou a aparecer ao seu lado.

— Me disseram que você sente frio. Se serve de consolo, eu também tô congelando! Mas logo a água gelada acaba, eu prometo.

Horas depois, quando a sereia não conseguia mais nadar de cansaço, Concha se apoiou no fundo do mar, tornando-se uma com a areia. Havia tentado cavar um buraco grande o suficiente para que se enterrasse uma vez, porém o trabalho fora enorme e o resultado não lhe agradara o suficiente.

— Você vai me estrangular se eu deitar perto de você? Eu acho que não, mas é que tá muito frio, então vamos na sorte.

A sereia se acomodou entre seus tentáculos e dormiu logo que Concha se enroscou ao seu redor. Não seria boba de dizer que o calor era mútuo, porque Concha mal sentia o peso da sereia sobre suas costas; havia, porém um único conforto em dormir nessas águas mais frias: Concha estava indo em direção a um local para chamar de seu, um espaço no qual não passaria frio de novo.

Não conseguiu dormir muito, tampouco precisou. E se comeu um tubarão que chegou perto demais da sereia, isso não foi para protegê-la, com certeza não. Conseguir capturar dois peixes pequenos com seus tentáculos mais finos também foi pura coincidência, entretanto, como já os tinha, o mínimo que podia fazer era oferecê-los para Jasmim, que mudou o tom de voz ao acordar para algo convencido e talvez afetuoso.

— Você tentou caçar café da manhã pra mim, Menina?

Ela dera de chamá-la assim em suas últimas conversas, e Concha não se importava muito. Largou os peixes já mortos sobre os braços dela e usou suas patas para andarem um pouco mais rápido, a sereia ainda acomodada entre seus tentáculos.

— Eu não como peixe, não tava mentindo antes, mas é lindo você se preocupar comigo. Mas pode comer esses dois, e deixa que eu consigo minha própria comida, okay?

Não sentiu o gosto dos peixes, porém os botou na boca e os engoliu mesmo assim. Ainda estava satisfeita do tubarão, e ficaria por mais algum tempinho. A sereia se espreguiçou e veio nadar ao lado de sua cabeça, dentro do campo de visão do seu olho vermelho. Quando ela ficava assim próxima, Concha conseguia vê-la um pouco melhor.

O assuntos variaram bastante nos dias que se seguiram. Jasmim falou sobre como ainda achava estranho ficar com os seios à mostra o tempo inteiro, porque humanos tinham essa mitologia de que sereias usavam sutiã, que era um tecido que mantinha os seios firmes e maiores. Discutiu sobre sexualização do próprio corpo, sobre a diferença entre ser humana e seria, sobre tantos assunto que Concha quase não conseguia acompanhar.

Jasmim falava como se fosse um grupo inteiro, porém Concha não se importou muito. Passara tanto tempo sem que algo interessante lhe acontecesse que quase apreciava a distração que Jasmim lhe trazia; era agradável não se sentir perdida na realidade de apenas dormir, caçar e tomar sol quando conseguia. Havia até se esquecido de que era por isso, também, que gostava de ficar perto de humanos, porque eles lhe contavam suas lamúrias, buscavam conselhos e tornavam sua vida um pouquinho mais interessante.

Foi talvez na terceira vez que o sol sumiu que Jasmim, antes de se acomodar em seus tentáculos para descansar de novo, soltou um guincho alto de pavor. Concha tentou compreender o perigo, porém não havia predadores ao redor.

— Menina, você tá cheia de balas debaixo das escamas! Eu achei que era sujeira, mas não é! Que horror, será que dói? Pera que eu vou tirar!

Ela nadou até o lado de seu corpo, e fez algo que lembrou Concha sobre a dor que sentia nas laterais, sobre o confronto com os humanos.

— Eu sei que dói, acho que é que nem quando alguma coisa fica presa embaixo da nossa unha, né? Desculpa, tá quase acabando.

Depois que ela removeu todas, de ambos os lados, a dor passou. Concha conseguiu abrir as nadadeiras, conseguiu fechá-las mais uma vez e as abrir, tudo isso sem sentir dor. Acomodou-se confortável sobre a areia, e sentiu a risada dela.

— Tá tudo bem, Menina, a dor já passou. A gente tá quase lá…

Ao acordarem de novo, Jasmim descobriu que podia só indicar para Concha a direção em que queria ir, e Concha batia sua cauda para levá-la com mais rapidez. Acreditava que fora nesse momento que Jasmim entendera o quanto Concha a compreendia, porém a sereia não pediu por uma explicação.

O calor do vulcão passou a ser sentido por Concha quilômetros e quilômetros antes de chegarem realmente perto dele. Jasmim falou sobre como era confortável lá, sobre como não sentiria mais frio, e Concha quase quis chorar.

Mas monstros não choram, por isso não o fez.

Quanto mais perto do ponto em que precisariam se separar chegava, mais ansiosa Jasmim ficava. Ela começou a repetir algumas palavras, a contar histórias que Concha já conhecia, a nadar ao seu lado em vez de só se segurar nela e apontar o caminho. As águas eram mais confortáveis do que antes, apesar de Concha ansiar por ainda mais calor. Sentia-se mais viva quanto mais perto chegava do vulcão, e foi quando percebeu que passara boa parte dos últimos anos quase hibernando, sem realmente viver e sentir.

Concha gostava de se sentir viva.

Numa tarde, com o sol ainda acima delas, talvez cinco rotações depois de terem saído da caverna, Concha deslizou pelo chão de areia até conseguir arrancar alguns corais que vira uns peixes comendo. Jamim não aceitara nenhum dos animais que caçara para ela (nem peixes, nem tubarões, nem a arraia que passara alguns centímetros perto demais), porém esses corais ela aceitou com um sorriso e o rosto vermelho.

Concha nunca sentira afeição antes. Havia alguns humanos que via com alguma frequência, um ou outro peixe que não comia porque gostava de vê-los passear pelos mesmos espaços no mesmo horário do dia, duas ou três tartarugas que passavam ao seu lado quase todos os anos, porém nada com essa intensidade.

Jasmim perdera algumas horas da jornada fazendo questão de inspecionar suas escamas para ver se havia mais alguma bala a incomodando, e passara a alga na barbatana de Concha, que ainda doía. Mesmo que não estivesse mais frio, ela dormiu em seus tentáculos de novo antes de seguirem viagem. Ter outro ser vivo ao seu lado não era tão ruim quanto Concha pensara.

Encontraram um golfinho quando já estavam quase chegando perto do vulcão, e Concha o matou antes que ele sequer pudesse vê-las. Jasmim pareceu assustada por um momento, em especial quando Concha não o comeu, só jogou seu corpo na areia.

— Hm… Esse golfinho fez alguma coisa para você, ou você só não gosta de golfinhos mesmo?

Não sabia por que ela continuava fazendo perguntas se sabia que não ouviria respostas, porém Concha se acostumara à voz dela, talvez até a cutucasse fez ou outra quando Jasmim ficava quieta por muito tempo. Era bom que aproveitasse, porque em breve a sereia iria embora e seus dias de quietude voltariam.

Concha parou de nadar ao ver que a pele de Jasmim, antes negra e brilhante, agora apresentava vermelhidão e estava ressecada nos braços, quebrando-se em alguns pontos. A sereia parou de nadar e não disse nada, só seguiu Concha alguns quilômetros mar afora, até a água estar mais fria de novo, voltando o caminho que haviam feito.

— Você percebeu, né? Às vezes acho que não entende uma palavra do que eu digo, outras acho que é bem mais inteligente do que eu.

Sem responder, Concha esperou que a sereia se explicasse. Ela suspirou, chegando perto até estar com a testa encostada em seu nariz. Concha fechou os olhos também, sentindo as vibrações dela na água.

— Me mandaram te levar de volta pra um lugar quente. Disseram que várias sereias já tinham sido mandadas pra fazer isso, mas nenhuma conseguiu. Me pergunto se elas tentaram, porque não foi tão difícil.

Lembrava-se apenas da sereia que tentara roubar sua escama, de mais nenhuma. Jasmim continuou com o rosto apoiado em seu nariz, e Concha se manteve quieta.

— Sua escama é especial, sabia? Pra nós sereias, pelo menos. Se triturarmos uma das suas escamas e espalharmos o pó na nossa cauda, ele nos dá uma força parecida com a sua. Imagina a velocidade que conseguiríamos nadar…

Isso explicava a sereia que tentara lhe roubar. Continuou em silêncio, esperando a despedida ou o pedido por suas escamas. Não estava a fim de dar nada a ela, mas, se Jasmim pedisse, não se via capaz de negar. A sereia a trouxera de volta para o calor, Concha jamais seria capaz de agradecê-la o suficiente.

— Aí eu vi as balas debaixo das suas escamas e imaginei a dor que você estava sentindo… Não sei se você sabe, mas todas as sereias, quando eram humanas, também foram roubadas. É por isso que Iemanjá nos acolhe, porque eles… Eles nos invadem, nos machucam, e ela nos dá a força de machucá-los de volta.

Concha não sabia disso, mas compreendia. A maior parte dos presentes vinha acompanhada de dor.

— Eu não sabia como me sentir, Menina. Eu tava… Eu não sentia que eu pertencia junto delas, entende? Mas você também não parecia pertencer a lugar nenhum, e mesmo assim me seguiu e me escutou e fez eu me sentir acolhida… Obrigada.

Ela chorava, Concha conseguia sentir o cheiro. Nunca antes alguém chorara por ela assim, por isso não sabia o que sentir.

— Eu acho que só quero dizer que vou sentir sua falta.

Jasmim se afastou, e agora ela sorria. Seu rosto era algo pequeno, por isso não era fácil para Concha identificar suas feições.

— Não há humanos perto daqui. Esse espaço foi feito por Iemanjá só pra você, é pra ser um espaço seguro. Ninguém consegue chegar muito perto por causa do calor, então talvez você vá ter que se afastar um pouco pra comer, mas imagino que não muito.

Ela foi um pouco para trás. A pele dela, aos poucos, perdia as rachaduras causadas pelo calor.

— Se cuida, Menina.

Observou Jasmim por alguns segundos, piscou uma, duas, três vezes.

Meu nome é Concha. Você pode visitar, às vezes. Se quiser.

Ela primeiro ficou em choque, depois começou a rir.

— Você fala! Esse tempo todo, você podia me entender e você fala! Eu não acredito nisso, sua filha da mãe-

Deixou-a falando sozinha e abriu suas barbatanas, usando a cauda para nadar mais rápido. Sabia que a água empurraria Jasmim para longe, ainda mais considerando que Concha não segurou a força ao voltar a nadar. Satisfeita, foi para o mais perto do calor que pôde.

Havia se esquecido de como gostava de não sentir frio, de estar aquecida. Havia se esquecido de como era sentir satisfação também. O vulcão entrou em erupção assim que Concha se aproximou, como se soubesse que ela estava chegando e quisesse lhe dar boas-vindas.

Não estava ali há nem um minuto e já se sentia pertencente a esse espaço. Subiu à superfície, vendo a ilha do vulcão, cheia de verde e barulhos suaves de animais e de plantas se mexendo ao vento e da lava descendo o vulcão. Voltou para debaixo d’água, querendo conhecer melhor seu novo lar.

2 de Junho de 2020 às 03:51 3 Denunciar Insira Seguir história
4
Fim

Conheça o autor

Camy <3 99% escritora de angst, mas aquele 1% curte um fluffy.

Comentar algo

Publique!
Eduardo Cezar Eduardo Cezar
História maravilhosa! Nem percebi o tempo passar enquanto lia. Parabéns!
June 08, 2020, 21:09
Artemísia Jackson Artemísia Jackson
Sua cretina, meu deus você me fez chorar com a declaração da Jasmin, aí meu Zeus eu amo tudo que você escreve, mulher você é maravilhosa, tudo isso foi criativo e lindo demais, JASMIN DOCINHO DE CÔCO, NENÉM, ME APAIXONEI, AÍ A CONCHA MEU ZEUS EU AMEI, eu nem acredito que passei 30 minutos lendo e mal senti, aí você é mágica, Camy, M-A-G-I-C-A, inclusive, amei a referência a Harry Potter, bem o tipo de coisa que eu faria ksjsksks Só tenho parabéns pra te dar, sua perfeita
June 03, 2020, 01:38
Amei a linguagem leve que você trouxe, realmente muito bem escrito! Foi uma estória bem gostosa de ler, nos faz sentir diversos sentimentos a cada parágrafo, ainda mais pelos personagens bem descritos. Parabéns!
June 02, 2020, 19:05
~