dragonian Gabriel de Morais Soares

Um herói é forte, corajoso e altruísta, certo? Então por que continuam chamando nosso herói por esse nome? Desventuras no Arquipélago dos Esquecidos é um livro que retrata as desventuras de alguns personagens que vivem em um arquipélago de ilhas fantasma esquecidas pelos homens. Esta história em especial fala sobre o coração falho de um herói que não se julga digno de carregar tal título.


Fantasia Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#épico #ação #mistérios #aventura #magia #heróis #Dragoniano
1
762 VISUALIZAÇÕES
Em progresso - Novo capítulo A cada 30 dias
tempo de leitura
AA Compartilhar

Capitulo 1

— Você é um herói, não é?

A primeira coisa que nosso herói ouviu quando recobrou seus sentidos foi uma voz. Não qualquer voz. Era uma pergunta que ele estava acostumado a receber pouco antes de um pedido de ajuda... O que era ruim. O tom daquela voz era desconcertante. Fazia com que ele se sentisse exausto. Aquelas palavras atiçavam seu senso de dever. Faziam com que suasse e sentisse algo preso na garganta.

— Por favor! Eu preciso de um herói! — A voz disse como ele suspeitava

É um pedido de ajudar. Nosso herói estava prestes a sair de um leve nervosismo para uma náusea atordoante. Sentia que todo o ar tinha ido embora dos seus pulmões e continuar respirando ficava cada vez mais difícil. Eu não quero, ele pensou. Eu não quero ajudar ninguém. Foi então que ele decidiu se sentar e respirar fundo. Talvez tentar se acalmar. Não parecia estar dando certo, mas valeu a tentativa.

Ele esteve deitado, mas não conseguia se lembrar porquê. Talvez estivesse dormindo. Talvez simplesmente tenha parado para descansar. Sua memória parecia embaçada. Não conseguia se lembrar de nada da noite anterior... Ou da noite antes dessa. Foi quando ele percebeu o quanto sua cabeça doía. Não era como um bêbado que acorda numa manhã de ressaca e sente como se a sua cabeça fosse explodir. Ele sentia que sua cabeça já tinha explodido há muito tempo e que se esforçava para manter seus pedaços no lugar. Então tentou abrir os olhos. Era uma tarde ensolarada. Teve que mantê-los cerrados para conseguir enxergar alguma coisa. Não fazia tanto Sol, mas doía olhar para o céu. Começou a se questionar se essas dores eram um sinal para que ele não acordasse nem ajudasse ninguém. Fazia sentido, mas não. Era mais provável que ele só estivesse dormindo havia muito tempo.

— Você acordou! — Ela disse sorrindo, talvez um pouco ansiosa.

A voz era de uma menina. Parecia não ter mais de nove anos. Ela estava ajoelhada ao lado dele... talvez o assistindo dormir. Era difícil dizer há quanto tempo ela estava lá. Os dois estavam no que parecia ser uma floresta não muito densa, mas repleta de árvores tão grandes que ao seu lado nosso herói não parecia muito mais que um inseto um pouco maior que a média. O chão muitas vezes não era terras, mas as raízes dessas árvores que se entrelaçavam e formavam um terreno irregular. Além de todas elas havia uma maior ainda. Uma que mesmo ao longe era possível ver, tal como uma montanha. Uma árvore que parecia ser a rainha de todas as outras. Ela, assim como tudo que tinha nessa floresta, parecia verde de mais. O verde brilhava por cima da madeira amarronzada das árvores. Doía olhar por muito tempo.

— Por que não pede para out..?

— Porque os outros não são heróis! — A menina respondeu sem pensar duas vezes.

Ela parecia decidida. Determinada em fazer com que nosso herói a ajudasse. Seus olhos diziam: Você vai aceitar meu pedido de ajudar e enquanto isso não acontecer eu não vou a lugar algum. Isso não ajudava em nada. Aqueles olhos cheios de determinação olhando para ele e vendo esperança... Isso é pior que o inferno, ele pensou. E então respirou fundo. Seu estomago embrulhado como nunca. Desviou do olhar dela e começou a coçar atrás da cabeça tentando pensar no que fazer. Ele sentia culpado, mas não o bastante para querer ajudar. De repente uma folha caiu em seu ombro. Ele a pegou e viu que essa folha parecia marrom demais para o verde do resto da floresta. Em seguida outra folha caiu e, desta vez, ela era preta. Se desfez no instante em que ele a pegou para ver o que era.

— Eu preciso de ajuda! — Ela continuou.

A paisagem continuou mudando até que o verde de alguns minutos atrás se transformasse completamente em azul. Em questão de segundos o Sol ameno tinha ido embora e dado lugar a nuvens carregadas. Se formara uma intensa tempestade que soprava um vento tão forte que dificultava respirar. Se tinha animais por perto eles não estavam mais lá. As árvores, nesses poucos segundos, perderam todas as folhas e ganharam uma coloração preta e podre. A vida tinha ido embora... Assim como a garotinha. Enquanto nosso herói assistia a paisagem mudar na frente dos seus olhos ela simplesmente desapareceu. Aquilo tudo não foi real. Ele tinha certeza disso. Era impossível que uma tempestade começasse em tão pouco tempo. Era impossível que aquelas árvores estivessem com vida em um instante e mortas no outro. Talvez fosse um sonho, talvez uma ilusão, mas ele sabia que aquela floresta densa e verde simplesmente não existia ou não estava lá de verdade. A grande árvore que sobrepujava as outras e que tinha raízes grossas que se espalhavam por todos os lugares não estava mais lá. Em seu lugar estava um grande toco lascado de madeira negra que refletia bem o resto da paisagem.

Enquanto assistia a água cair nosso herói ouviu algum barulho estranho e, por impulso, se colocou entre ele e a menina. Quando percebeu que não tinha mais menina alguma para proteger e que ele deveria estar mais preocupado com a própria segurança, além de se sentir se sentir patético ele se sentiu confuso. Não queria defender ninguém para início de conversa. Não queria ajudar ninguém. Não queria ser um herói. Queria deitar de novo naquela tarde ensolarada e ir dormir. Mas aparentemente ele não conseguia. Seu corpo se mexia contra sua vontade. Sua mente trabalhava sem que ele próprio se desse conta. Não importava o quanto ele protestasse consigo mesmo, já tinha tomado uma decisão quanto a menina no instante em que ouviu seu chamado.

— Tudo bem! — Ele disse alto na esperança que ela escutasse onde quer que estivesse. — Eu te ajudo!

Por fim, se levantou. Não fugiu, não correu nem foi atrás do barulho. Apenas aguardou ser atacado no mesmo lugar onde estava. Tentou observar atentamente tudo o que se passava ao redor, mas era difícil enxergar muita coisa com o sol encoberto e tantas árvores afrente. Era difícil ouvir qualquer coisa numa tempestade tão forte. A situação era ruim. Ele estava em desvantagem e sabia disso. Mas você não vai desistir, não é? Ele se perguntou. Não é o tipo de coisa que um herói faria. Herói isso, herói aquilo. O que diabos é um herói afinal de contas? Herói. Só a palavras dava calafrios. Ele não tinha certeza do porquê, mas detestava qualquer ideia que lembrasse um herói ou atitudes de um. Estava de saco cheio de heróis. Talvez se ele não fosse um não teria se metido nessa situação. Eu preciso esvaziar a cabeça, pensou. Decidiu fechar os olhos um tempo e respirar fundo. Inspira e res...

Quando abriu os olhos viu um tigre em cima dele apertando suas costelas com unhas e patas. Um tigre branco bem maior que um tigre comum. Deixando de lado sua possível intenção assassina, aquele tigre deixava nosso herói inquieto. Eu já o vi em algum lugar. Algo nele era estranhamente familiar. Ele sentia como se já tivesse passado por uma situação parecida. Aquele mesmo tigre em cima dele apertando seus pulmões até deixá-los sem ar. Mas em sua memória ele não estava lutando, estava feliz.

Bom, agora essa memória não importava mais. O que importava era o tigre que ele via um, pouco mais nitidamente do que gostaria. Conseguia enxergar cada um de seus dentes grandes e afiados que, sem muito esforço, conseguiriam arrancar sua cabeça fora. Ele rugia furioso. Apertava suas unhas um pouco mais toda vez que sentia que sua presa tentava escapar, mas, num instante, ele recuou. Foi quando nosso herói viu brecha para fugir

Correu tanto quanto podia correr, o que não era muito por sinal. Estava sem fôlego e perdeu muito sangue. Não pôde ver o que aconteceu com o tigre, mas sabia que não podia se dar ao luxo de olhar para trás. Também sabia que nunca conseguiria derrotar um inimigo tão grande com as mãos vazias. Lutar não era uma opção. Parar de correr também não. Nosso herói temia por sua vida e talvez ela chegasse ao fim se ele hesitasse mesmo que por um segundo.

Continuou correndo até tropeçar na raiz de uma árvore. Tentou amortecer a queda, mas isso não impediu que ele sentisse uma dor enorme na região onde as feridas foram abertas. Estava perdendo muito sangue e não via como estanca-lo. Estava fraco, cansado e cortes enormes percorriam seu peito. Uma costela parecia quebrada e por causa da queda um dos seus pulsos doía muito. A floresta se transformara num lamaçal escorregadio e suas as raízes e galhos podres tornavam o terreno irregular e traiçoeiro. Nosso herói se levantou e torceu para que o tigre estivesse longe. Voltou a correr mesmo que cada passo doesse e esgotasse suas forças um pouco mais.

De repente ele sentiu algo o empurrar por trás e o derrubar no chão. O tigre voltara e parecia um pouco mais zangado. Fez questão de perfurar a pele da sua presa fundo o bastante para que sua carne se rasgasse caso ela tentasse fugir. Nosso herói gritou tão alto quanto seus pulmões permitiam, o que, outra vez, não era muito. Sentia a costela quebrada sendo pressionada contra o chão e a lama entrando na sua boca por gritar tanto. Estava quase perdendo a consciência quando um vulto passou acima da sua cabeça. Uma flecha. Passou rápido demais para que ele pudesse ver, mas sabia que alguém atirara uma flecha contra o tigre. Por conta disso ele hesitou e nosso herói pôde fugir novamente.

Ele já não aguentava mais correr e o que lhe sobrara era cambalear o mais longe que podia. Se apoiava nas arvores que alcançava para não desabar novamente, mas seus olhos pesavam cada vez mais. Por eles, nosso herói via borrões escuros que se misturavam com a cor negra das arvores. Isso fazia sua visão ainda mais turva. Ele conseguia ouvir a voz do tigre que, por mais que não se aproximasse, não estava muito longe dali. Continuou cambaleando até suas pernas vacilarem. Caiu de joelhos e então deixou que seu corpo se deitasse contra a lama fria e solitária. Ele agora tinha tanta vida quanto a floresta.

28 de Maio de 2020 às 22:37 0 Denunciar Insira Seguir história
0
Leia o próximo capítulo Capitulo 2

Comentar algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~

Você está gostando da leitura?

Ei! Ainda faltam 3 capítulos restantes nesta história.
Para continuar lendo, por favor, faça login ou cadastre-se. É grátis!

Histórias relacionadas