lsalcantara Lucas Alcântara

Em um universo rico de vida e mistérios, onde a humanidade nunca ousou chegar. Outras raças vivem historias inimagináveis cheias de felicidade, tristeza, triunfos e tragédias. Nessa antologia você acompanhará vidas, as vezes muito diferentes ou incrivelmente iguais em um universo gigantesco cheio de maravilhas e perigos. Onde as possibilidades são infinitas


Ficção científica Todo o público.

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O vôo de Ártemis


Ártemis confere em seu holopad as últimas publicações no Neogram, dentro daquele espaço escuro e confinado, se divertia muito vendo várias pessoas publicando todos os seus momentos, gostos e expressão na rede. Vistos pela maioria como apenas um passatempo ou forma de expressão, mas visto pela jovem como o novo tesouro moderno.

A cápsula escura estremece e causa desconforto na garota. No seu ouvido uma voz começa a falar através do ponto eletrônico.

- Um mi-prime para os sensores detectá-la. Tem certeza que quer fazer isso?

- É claro, eu venho flertando com essa belezinha a um tempão – Diz a jovem, pegando sua Drone-ball, uma bola de metal vermelha do tamanho da palma da sua mão. Apertando um botão do Holopad, um rosto holográfico em formato de Emoji surge na bola e ela começa a flutuar com asas holográficas de borboleta. – Vamos lá Bell uma selfie para o Neogram antes do lançamento. – A garota faz uma pose de dois dedos levantados e um sorriso para o objeto que solta um som de click.

- Manda para mim, quero ter um último registro seu em vida. – Diz a voz do ponto. Artemis tira outra foto através de sua Drone-ball, a imagem da garota de pele caucasiana, olhos verdes e cabelos ruivos dessa vez está com apenas o dedo do meio levantado e uma cara emburrada.

- Essa vai ficar ótima para colocar em seu perfil memorial do Neogram.

- Enquanto finge que é útil por que não me diz o tempo do lançamento?

- Ah, dez secs, foi um prazer conhecer você, Arti. Seria muito bom te conhecer melhor, se não fosse se matar agora.

- Me matar? Bobinho, é assim que eu curto a vida! – Logo depois de dizer isso, todo o espaço ao seu redor, que antes era negro e claustrofóbico, se abre sob ela e a joga para o céu.

Sobre uma prancha voadora a jovem é arremessada em pleno céu aberto, tão alto que a curvatura do planeta pode ser vista. A luz da lua e das estrelas se unem em uma aurora boreal planetária do céu poente em um espetáculo luminescente único, Ártemis se joga mais fundo naquele oceano luminoso sentindo o chamado das nuvens que rebatem as partículas de luz da noite que se aproxima. Ela sente o medo da morte, a satisfação de estar viva e a felicidade de simplesmente estar ali, livre, acima de tudo e de todos.

Sua degustação da beleza da paisagem se encerra quando seus alvos são avistados. Sob ela, três aero cargueiros viajam sublimes no espaço aéreo. O scanner de seus visores aponta para a nave do meio e ela começa a deslizar para a embarcação. Usando os aros de seus braços para melhor estabilização, a jovem se impulsiona para a frente e mergulha no infinito, com as luzes dos propulsores da sua prancha pintando os céus de roxo.

Canhões de defesa sendo acionados” avisa a Drone Ball

- Nove canhões? Quanta insegurança. – Ártemis gira em espiral para baixo enquanto toca no holopad em seu ouvido – Bell por gentileza.

Calculando trajetórias dos tiros” Depois de ouvir sua DroneBall seus óculos de proteção mostram enormes traços vermelhos que subiam em sua direção, cada um com um cronometro em contagem regressiva. Ela observa todos até perceber um que está logo em sua frente.

-Oh merda! – A jovem joga o seu corpo com a prancha para o lado quando uma enorme torrente de luz verde passa bem do seu lado.

Outras luzes começam a voar em sua direção e, como se tivesse descendo uma montanha de Snowboard, Ártemis voa desviando de uma a uma enquanto o céu ao seu redor se ilumina como o centro de uma tempestade. Quanto mais chega perto mais os tiros ficam freqüentes, e ao ficar a menos de cem metros de distancia todos os canhões apontam diretamente para ela, sem chance de escapatória, apenas a morte certa.

Acelerando ainda mais para o seu destino parece trágico, Ártemis tira outra esfera, bem menor que a DroneBall, do bolso e a joga para cima. Um holograma idêntico a garota voa para os céus em uma rota bem mais distante, os canhões seguem o holograma e atingem-no com toda a força. Bem no momento em que Ártemis embarca na aeronave, saltando graciosamente da prancha para a estrutura de metal.

- Muito bem. – diz ela para a esfera voadora que esteve do seu lado todo o tempo. – Mande a Silf para o ponto de encontro e lembre-se de pegar um bom ângulo dessa vez. – A esfera responde com um emoji de ponto e virgula parêntese ;) e a prancha começa a se mover sozinha sumindo no céu luminoso.

Sem nem perceber Ártemis esboça um sorriso de excitação, a última manobra foi tão bem executada que a deixou louca para conferir o vídeo dessa vez. Porque bons espetaculos precisam ser gravados pensa enquanto entra por uma escotilha e passa por um tubo estreito até descer em uma sala fria. Ela estudou os planos daquelas embarcações por vários meses e conhecia tudo aquilo como a palma de sua mão. Aqueles aero cargueiros eram a nova garantia de segurança das mega-corporações, em uma sociedade tão tecnologicamente avançada a rede virtual não era mais tão segura como antes. Vários hackers viajavam pela rede como fantasmas e vendiam a mercadoria mais valiosa daquele mundo, informação. Então as empresas que podiam custear enviavam seus mainframes com seus dados e produtos mais importantes através de embarcações bem armadas. Para a maioria dos Hackers aquilo tinha sido uma grande quebra do seu ofício, mas para Ártemis era só uma nova forma de esbanjar sua criatividade.

Percorrendo os frios corredores metálicos da nave, a hacker vira uma esquina e se dá de cara com um guarda todo protegido por um traje de combate pessoal e portando um morpho-rifle.

- Opa! Vem cá, me dá um abraço! – Antes do soldado se mover a jovem envolve seus braços na armadura de metal e coloca um losango metálico em suas costas. Assim que ela o solta, ele se re contorce e volta a ficar a posto. Muito musculo mecanico, pouco software de segurança. Artemis solta umm sorriso e picha no capacete do soldado um emoji sorridente, ela sempre achou mostrar a superioridade da inteligencia diante da força um prazer que nunca iria perder a graça.

- Sua cria de zul... – a voz que vinha dos alto falantes da armadura se silenciaram.

- Só fica quietinho e atira no primeiro que aparecer ta bem? – Ao dizer isso, ela se vira para a porta e vê seu Droneball terminando de abri-la.

- A Bell, você só me dá orgulho. – Diz Ártemis antes de adentrar a passagem e chegar no seu objetivo final, a sala do Mainframe. – Olha só o que temos aqui.

Diz ao penetrar na câmara fria, octogonal, com apenas um pilar de mesmo formato que ia do chão ao teto. A hacker tira seu holopad do ouvido e o pluga no pilar. Um enorme device com telas e teclados holográficos surgem e ela começa a digitar, movendo seus dedos em uma velocidade frenética enquanto milhares de códigos e símbolos surgiam nela.

- Saquei, você é uma garota difícil, mas no fim da noite todas abrem as pernas para mim. – Ao dizer aquela frase ouve um alerta positivo e a estrutura do pilar se abre revelando milhares de dados flutuando e se combinando até se formar um N dentro de um octógono, o logo da maior mega-corporação do mundo, a Neocorp.

O símbolo é absorvido pelo holopad e tudo se apaga, todas as sirenes da nave começam a apitar freneticamente e tiros podem ser ouvidos do corredor. Ao perceber a janela de tempo se esgotar, a jovem rapidamente joga sua bolsa na sala do mainframe e começa a correr pelo corredor, nos seus visores uma seta flutuante mostra a rota de fuga.

- Tchau coroa! – Diz para o soldado que tinha sua armadura controlada e corre pelos corredores ignorando os dois corpos que jazem caídos no chão.

Ela vira em duas esquinas e segue para uma escotilha circular que tinha o nome “emergência”, já imaginando o ar fresco bem longe daqueles corredores claustrofóbicos. Ártemis corre com um sorriso, que se desfaz quando a silhueta de um soldado surge em sua frente já apontando o morpho-rifle em sua direção.

Analisando o espaço de tempo, a Hacker aciona um escudo de luz azul no seu relógio de pulso, mas ao receber o primeiro tiro de energia, este muda diretamente para o laranja e quando o segundo tiro chega, a proteção explode em milhares de partículas de luz. Mas já era tempo suficiente, ela tira de seu bolso um cabo preto e ao apertar seu botão uma luz verde irrompe do cabo e perfura de baixo para cima o guarda de armadura, entrando pelo abdômen e saindo pelo ombro esquerdo. Quando a lamina de feixe concentrado se apaga o homenzarrão desaba no chão e ela abre a escotilha de olho no cronometro que agora era o rosto de sua Drone Ball.

Ao ver as luzes do crepúsculo e sentir os frescos ventos do céu noturno, a jovem de cabelos laranjas em dreads para cima simplesmente se joga no vazio.

- Vamos lá Bell! Agora a foto oficial! – Seu grito ecoa pelos ventos furiosos e quando cai no infinito levanta dois dedos de cada mão e mostra a língua. A drone Ball tira a foto perfeita, no mesmo momento que a aeronave que ela tinha acabado de sair explode em uma grande bola de fogo.

A prancha flutuante surge logo sob seus pés e assim que ela se prende desce graciosamente em direção as luzes das construções e veículos, deslizando pelas correntes de ar até Neocity 53.

...

Já é noite em Neocity 53, os painéis comerciais e carros flutuantes iluminam a cidade tão intensamente que não é possível ver a luz da lua. Ártemis está em cima de um dos prédios apenas apreciando a paisagem quando recebe uma chamada pelo holopad.

- Devo admitir, você faz um show e tanto. – Diz a voz

- O quê que posso fazer? Não tenho como suprimir minha veia artística. – A hacker segura o Holopad e o símbolo da Neocom surge no ar, depois de alguns segundos ele some e aparece um sinal de “upload concluído” – Pronto, agora o Neon 7500, o novo sistema operacional super caro da Neocorp está disponível de graça para quem quiser baixar.

- Viva a tecnologia livre.

- Viva ao meu pagamento também, então cadê a outra metade? – Ela diz enquanto olha para o seu saldo em um banco de créditos virtuais.

- Você devia fazer pela causa, estamos desbancando o monopólio da Neocorp.

- E ajudando a estabelecer o Monopólio da sua empresa. Eu não julgo isso, só quero que me pague. – Depois de alguns segundos uma quantia com vários zeros surge no banco de créditos – Foi ótimo trabalhar com você senhor S.

Antes de qualquer resposta ela joga o holopad no chão e o pisa com força, então pega outro holopad, triangular e vermelho, e o coloca no ouvido. Mais uma vez a jovem se joga do prédio e a prancha voadora se acopla em seus pés. Voando pelo tráfico de veículos flutuantes e prédios colossais, Ártemis se dirige até um grande prédio e pousa no terraço cheio de árvores e gramíneas.

Ao chegar lá ela tira a coleira que usava e sua pele caucasiana se desfaz e escurece até ficar marrom, seus cabelos perdem o tom ruivo e se tronam negros. Ao adentrar o prédio pega um elevador até um dos apartamentos.

Escuro, com as luzes de neon entrando pelas janelas de vidro Ártemis deixa a prancha no sofá e entra em um quarto com o seu pai em uma cama de hospital e repleto de equipamentos médicos.

— Hey, dormiu bem? – Diz para o homem que se acordou pelo barulho das portas automáticas abrindo, ele tenta falar algo, mas o cansaço o impede – Calma, eu to aqui ta, eu to cuidando da gente.

18 de Maio de 2020 às 16:47 0 Denunciar Insira Seguir história
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