kanaeyy kanaey

Eram apenas três jovens no início de suas vidas independentes longe das asas dos pais, eram apenas jovens que queriam descobrir o doce e também amargo sabor que a vida adulta podia proporcionar. Eram apenas mais três jovens - de tantos outros - com um enorme peso sobre as costas. Eram apenas Naruto, Sasuke e Sakura. Eram apenas amigos de infância que se meteram em algo maior do que poderiam lidar. Ou melhor dizendo: Era algo que estava muito acima da compreensão deles.


Fanfiction Anime/Mangá Para maiores de 18 apenas.

#sem-memórias #assassinato #sasuke #sakura #naruto #time-7 #drogas #prisão
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Somos apenas nós


Primeiro ato

Os três se encaravam, tensos, nervosos e acima de tudo: ansiosos. Ansiosos para que tudo tivesse fim o mais rápido possível, ansiosos pela verdade. Eles ansiavam pela verdade, independente de quão cruel e devastadora ela poderia ser.

Ninguém ousava dizer nada, o som de suas próprias respirações prevalecendo entre eles. As mãos nervosas procuravam se ocupar — seja apertando a barra da blusa a tamborilar os dedos — assim como suas mentes. Todos queriam esquecer de onde estava, da situação em que estavam e do que aconteceria a seguir, eles queriam pensar no que fariam quando saíssem dali — lógico, se algum deles saísse.

Do lado esquerdo, encostado sobre a parede fria e desbotada Naruto olhava para os próprios pés, ele fechou seus olhos; tentando puxar na memória como havia acabado ali. Porém, nada. Era como se a noite passado nunca houvesse existido. Não se lembrar de nada era quase tão frustrante quanto estar naquele lugar sem compreender quase nada. Suspirou, rendendo-se ao cansaço e deixando-se escorregar até o chão frio. Estava tão exausto — tanto mentalmente quanto fisicamente — que adormeceu sem relutância, ali, encolhido em um canto contra a parede junto de um turbilhão de sentimentos esmagadores.

Do lado oposto a Naruto estava Sasuke, esse que encontrava-se sentado em um pequeno banco de cimento olhando para o teto cheio de infiltração, chovia como nunca do lado de fora. O moreno queria gritar os mais horrendos xingamentos, ofensas e tudo que lhe viesse à mente, queria extravasar a raiva imensa que sentia por estar ali. Porém, o momento e muito menos o local eram os mais apropriados para isso. Sentia todo o corpo dolorido, haviam até algumas manchas roxas espalhadas por sua pele alva, mas assim como Naruto, a noite passada onde ele provavelmente conseguiu esses hematomas estava em branco em sua memória. Resignado, restava apenas esperar o desenrolar de tudo.

No mesmo banco duro de cimento, porém um pouco mais afastada, estava Sakura. Seu rosto inchado e seus olhos um pouco vermelhos denunciavam seu choro de horas mais cedo, e ela não fazia questão nenhuma em esconder. Sempre fora uma jovem vaidosa consigo, mas estava tão sufocada de uma maneira que nunca pensaria ficar um dia que nada mais parecia importar. Que se fode-se se estava descabelada e com uma expressão de choro, ela não se importava com nada mais naquele momento, Sakura estava a beira de uma crise nervosa. Bastava apenas algo para que ela explodisse de vez.

Não era somente o lugar, o momento ou a situação que deixavam a jovem Sakura naquele estado tão….desesperador. Diferente de seus amigos, ela sim, se lembrava de algo da noite passada, era apenas um flashback que no início não fazia sentido algum, mas agora respondia a todas as suas dúvidas. E era isso que a deixava apreensiva, a beira de uma crise, ela sim sabia da verdade. A verdade tem de nos assustar e nos colocar muita das vezes em momentos de puro desespero e angústia. A verdade é necessária, ela tem de muita das vezes ficar oculta pelas mentiras de cada um nos ao decorrer da vida; desde que o ser humano se entende por si, ele tendente a ocultar a verdade em algum momento da vida, porém, a verdade é algo que sempre vai estar lá, esperando seu momento para ser desvendada. E como estava fazendo com Sakura agora, devastar o seu descobridor.

Eram apenas três jovens no início de suas vidas independentes longe das asas dos pais, eram apenas jovens que queriam descobrir o doce e também amargo sabor que a vida adulta podia proporcionar.

Eram apenas mais três jovens — de tantos outros — com um enorme peso sobre as costa.

Eram apenas Naruto, Sasuke e Sakura.

Eram apenas amigos de infância que se meteram em algo maior do que poderiam lidar.

Ou melhor dizendo:

Era algo que estava muito acima da compreensão deles.

Segundo ato

Horas já haviam se passado e o silêncio entre eles parecia cada vez mais desconfortável, sufocante de uma maneira a fazer com que Sakura tivesse dificuldades para respirar, ou talvez não, talvez fosse somente ela que se sentia assim.

Como a mulher corajosa que almejava um dia ser a Haruno tentava juntar coragem para contar aos dois homens a verdade. Gostaria que ela saísse de seus lábios, queria prepará-los ao menos um pouco pelo que ela sabia que estava por vir.

Doía nela perceber que não conseguirá se formar em medicina, que Naruto não conseguiria ir ao aniversário de sua mãe manhã e muito menos confessar a Sasuke seus sentimentos. Ah, Sasuke, ele não conseguiria ser o policial que tanto almejava, ele talvez não conseguisse se despedir de seu irmão que estava a beira da morte em uma cama de hospital. Nenhum deles conseguiria nada daquilo, e mesmo quando tudo tivesse seu fim, teriam eles alguma esperança ou vontade de continuar ou até mesmo refazer suas vidas? Ela não sabia por eles, mais por si, sabia que não. Estaria tão quebrada por dentro, tão arrependida e marcada pela aquela noite que uma vida minimamente feliz parecia piada a seu ver.

Pensar em tudo isso a fazia querer chorar de novo, e de novo, e de novo, quantas vezes pudesse para ver se esse peso e culpa aos menos diminuíssem de seus ombros. E foi isso que a mulher de cabelos rosa fez, chorou mais uma vez, um choro sofrido e com direito a soluços. A vontade de ser alguém forte esquecida completamente, ela não conseguiria, ela não conseguia.

Sakura sentiu braços a envolverem, era Naruto que a abraçava forte. Seu choro havia o acordado.

Terceiro ato

Por detrás das grades o Uchiha apenas observou quando um guarda passou pelo corredor com um homem algemado, e que para sua sorte e acalento foi parar em outra cela. Seus pescoço doía de passar tanto tempo olhando para o teto, sua paciência a muito tempo o abandonara. Precisava apenas de um pretexto — por mais fútil que fosse — para estourar em raiva.

O mesmo guarda que havia passado a pouco com um preso voltou novamente ao campo de visão de Sasuke, dessa vez ele abria a porta da cela onde estavam.

— Sakura Haruno. — A voz grossa do policial reverberou por toda a extensão dali.

— Eu estou livre!? — Havia esperança nos olhos da rosada, e por um momento o moreno quase sentiu inveja dela ao imaginar que ele estaria livre daquele inferno, porém, esse pensamento logo se dissipou ao ouvir a resposta do guarda.

— Não, o detetive quer falar com você.

De um olhar cheio de esperança passou a um olhar tristes e desesperado, Sakura parecia saber bem o que a esperava do outro lado daquela cela. Apenas observou ela ser novamente algemada e sumir de sua vista pelo corredor.

Agora havia somente ele e Naruto ali, compartilhando do mesmo sentimento; o medo.

Mais isso não durou muito, logo ele também foi levado, deixando para trás Naruto.

Quarto ato

A forte chuva batia contra o vidro da janela do carro que a cada buraco na estrada dava um pequeno sobressalto. Por mais que Naruto tentasse ignorar, não conseguia, era impossível ignorar aquilo. Seus olhos se direcionaram ao homem ao seu lado que dirigia fingindo falsa concentração na estrada, eles eram tão iguais, tanto quanto fisicamente quanto na personalidade.

— Pai, sabe que é impossível esquecer que a apenas alguns minutos atrás eu estava em uma cela, preso, sendo acusado de assassinar um de meus melhores amigos, o Sai. — pausou, medindo as palavras para não soar grosso. — E agora, do nada, tudo se resolveu e eu estou livre, sendo que meus amigos estão lá! Eles estão presos injustamente e você — apontou — não me deixa ajudá-los.

— Já chega desse assunto, Naruto! — o carro foi freado de uma vez por Minato, estressado demais para esperar que chegassem em casa e que sua esposa explicasse com calma tudo para o filho. — A verdade é que eles são culpados pela morte de Sai, filho. Eles tem provas, como as digitais encontradas no corpo e um vídeo que uma câmera de segurança gravou.

Naruto queria encontrar algo para rebater seu pai, algo que pudesse fazer com que ele ajudasse seus amigos, mas diante de provas ficava difícil defendê-los. Foi então que algo lhe passou pela sua mente.

— Independente deles serem culpados ou não, sei que o senhor tem gente influente conhecida sua lá dentro, pai. Sei que se tentar pode tira-los de lá antes de serem julgados!

Minato apertou o volante com força, os nós dos dedos ficando brancos. Kushina brigaria muito com ele quando chegassem em casa e descobrisse que ele não havia esperado por ela para contar aquilo ao filho, porém, sua consciência pesava e ele nunca foi de conseguir esconder nada por muito tempo, ainda mais algo como aquilo.

— É o seguinte, filho. Não posso usar meus contatos lá dentro para soltar seus amigos pois meus “conhecidos” já me fizeram um favor, que foi o de soltar você e fazer como se nunca nada tivesse acontecido entre você e Sai.

— O que está querendo dizer com isso, pai?

— Eu menti para você quando saímos da delegacia, você ajudou na morte de Sai, eu vi as filmagens e você estava nelas. Eu não quis dizer nada a você lá pois sabia que não aceitaria, você é bom demais para aceitar isso, filho. Segundo os peritos você e seus dois amigos estava sobre efeito de drogas, talvez por isso você e eles não se lembrem de terem feito o que fizeram e muito menos o porquê de o fazerem. Eu só….

Não teve coragem de olhar para seu filho, não teve coragem de dizer que tudo estava bem, pois seria muita hipocrisia de sua parte. Apenas ouviu calado Naruto abrir a porta do carro e sair em meio a chuva.

— ...Sinto muito — sussurrou, essas palavras não chegariam aos ouvidos de seu filho, não naquele momento.

2 de Junho de 2020 às 15:20 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

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